sábado, 23 de maio de 2026

INSTRUTORES DOS APRENDIZES E COMPANHEIROS

Em 21/03/2026 o Respeitável Irmão Gabriel Jara Echenagorria, Loja Cavaleiros de Claraval, REAA, GOB BAIANO, Oriente de Alcobaça, Estado da Bahia, apresenta a seguinte questão.

 

INSTRUTORES

 

Desculpe meu portunhol, basicamente eu acredito que o tempo de estudos de Aprendiz ou Companheiro deveria ser coberto pelos Vigilantes e não pelo Orador, como estabelece o ritual, em aqueles casos que os Aprendizes e Companheiros não tiverem peça de arquitetura para apresentar.

 

CONSIDERAÇÕES

 

              No caso do REAA praticado pelo GOB, o instrutor oficial dos Aprendizes é o 2º Vigilante, e o dos Companheiros é o 1º Vigilante.

Assim, as instruções oficiais, que são obrigatórias por constarem do Ritual, no 1º Grau são ministradas pelo 2º Vigilante (com ajuda do Venerável), e no 2º Grau pelo 1º Vigilante (com ajuda do Venerável).

Não obstante a isso, outras instruções também podem ser preparadas e aplicadas pelos Vigilantes aos seus respectivos instruídos. Também é possível, desde que sob supervisão do Vigilante instrutor, que outro Mestre Maçom também contribua com o aprimoramento do Aprendiz, ou do Companheiro, conforme o caso.

De tudo isso, o mais importante é que o Instrutor oficial sempre esteja presente nesses ensinamentos.

O Orador, como um Mestre Maçom que ele é, também pode contribuir nas instruções.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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jukirm@hotmail.com

 

 

MAI/2026

SAÍDA TEMPORÁRIA - IV (RETORNO AOS TRABALHOS)

Em 20/03/2026 o Respeitável Irmão Leonardo Paixão, Loja Vigilantes da Guanabara, 1568, REAA, GOB-RJ, Oriente de Bento Ribeiro, Estado do Rio de Janeiro, apresenta o seguinte:

 

SAÍDA TEMPORÁRIA

 

Somos do REAA e solicitamos esclarecimento ritualístico acerca do procedimento de ingresso ao Templo após cobertura.

A Loja iniciou os trabalhos em Grau 1 e, posteriormente, elevou ao Grau 2. Foi então designado a um Companheiro que procedesse à cobertura do Templo, sendo-lhe posteriormente franqueado o retorno ritualístico.

Surge, assim, a seguinte dúvida: ao solicitar ingresso, deve o Irmão bater como Companheiro ou como Aprendiz?

Entendemos que, ao se encontrar fora do Templo, ainda que ciente do grau anteriormente trabalhado, o Irmão não detém certeza de eventual alteração durante sua ausência. Tal entendimento encontra amparo no ritual de Aprendiz, ao tratar da entrada de Irmãos atrasados, onde se estabelece que a batida deve ser realizada em Grau 1, independentemente do grau do Irmão, justamente por não haver segurança quanto ao grau em que a Loja se encontra no momento da solicitação de ingresso.

O próprio texto ritualístico reforça que o Irmão procede “independentemente do seu grau”, o que nos leva a compreender tratar-se de um princípio geral de segurança e regularidade ritualística, aplicável não apenas a atrasos, mas a qualquer situação em que o Irmão se encontre fora do Templo sem certeza do grau em trabalho.

Acrescenta-se que, em nossa Loja, não há cobridor externo, sendo o retorno realizado apenas com o acompanhamento do Mestre de Cerimônias, o qual pode ou não informar previamente eventual alteração de grau. Tal condição reforça a incerteza e, por conseguinte, a necessidade de observância do procedimento mais seguro.

Por outro lado, suscita-se reflexão quanto ao contexto de abertura dos trabalhos. Entende-se que a obrigatoriedade da batida em Grau 1 está diretamente vinculada à dinâmica em que os trabalhos se iniciam nesse grau, podendo posteriormente haver elevação, o que justifica a ausência de certeza do Irmão que se encontra fora do Templo.

Entretanto, caso a Loja tenha iniciado diretamente seus trabalhos em Grau 2, sem passagem prévia pelo Grau 1 naquela sessão, parece haver distinção relevante. Nessa hipótese, não se configuraria, em princípio, alteração de grau no sentido descendente, considerando o entendimento de que, uma vez abertos os trabalhos em Grau 2, a Loja não retornaria ao Grau 1 na mesma sessão, podendo, quando muito, haver elevação ao Grau 3.

Dessa forma, o Irmão, ciente da abertura dos trabalhos em Grau 2, poderia dispor de elementos suficientes para proceder conforme esse grau, diferentemente do cenário em que há progressão a partir do Grau 1.

Assim, submete-se à apreciação se o princípio da batida em Grau 1 deve ser entendido como regra absoluta, aplicável a toda situação de reingresso, ou se comporta interpretação contextual, considerando a forma de abertura e a dinâmica dos graus na sessão.

Outrossim, indagamos se, no Grau de Companheiro, o procedimento de entrada (cobridor) deve seguir, por analogia, o disposto nas páginas 183 e 184 do ritual de Aprendiz, com as devidas adaptações de grau.

Sem mais, aguardamos orientação.

Atenciosamente.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Sem complicação, no REAA a Loja é sempre fechada no mesmo grau em que foi aberta. Caso ela tenha sido aberta no Grau 01, será fechada nesse grau; se foi no 02, será fechada nesse grau; e assim também ocorre no caso do 3º Grau.

Em outras eventuais transformações de Loja para saídas temporárias, a Loja transformada sempre retorna aos trabalhos no grau em que fora inicialmente aberta.

Outro aspecto, é o de não se confundir o retorno de alguém que já estava participando dos trabalhos (assinou o livro de presenças) e teve que se retirar temporariamente, com Irmãos retardatários que chegam atrasados para os trabalhos.

Assim, a retirada temporária de um Irmão e o seu retorno é uma coisa, enquanto que Irmão que chega atrasado é outra.

No caso de uma retirada temporária, quando o Cobridor cobre o templo ao retirante, no seu retorno aos trabalhos o Venerável Mestre solicita ao Mestre de Cerimônias que o conduza de volta sem formalidades. Nessa oportunidade não há baterias e nem outras etiquetas de entrada, bastando que o Mestre de Cerimônias, sem dourar a pílula, conduza naturalmente o Irmão que retornou ao seu lugar.

Na ocasião do retorno, de quem houvera antes saído temporariamente, não existem formalidades porque o retirante já estava participando dos trabalhos. Desse modo, o Cobridor Interno apenas aguarda, junto à porta aberta, o ingresso informal, fechando-a em seguida.

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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MAI/2026

sexta-feira, 22 de maio de 2026

PEDIR A PALAVRA 5 - REAA

Em 19.03.2023 o Respeitável Irmão Giovani Goulart, Loja Universitária Pioneiros da Bahia, 4137 e Monteiro Lobato, 4009, REAA, GOB BAIANO, Oriente de Salvador, Estado da Bahia, pede esclarecimentos.

 

PEDIR A PALAVRA

 

Tenho muitos motivos para lhe agradecer por ter me respondido todas as vezes em que recorri ao Ir.

Aqui trago dois assuntos que têm gerado alguma discordância no entendimento dos IIr e que, gostaria de ter o seu valioso esclarecimento para que, em posse do mesmo, eu posso levar aos demais IIr das Lojas que pertenço.

01 - A batida da mão direita sobre a esquerda para solicitar a palavra.

Tenho convivido com dois distintos posicionamentos em relação a isso. Um lado diz que é obrigatório bater com a mão direita nas costas da mão esquerda fechada e, o outro lado diz que basta um gesto discreto (que garanta a visualização do Ir 1º Vig∴.

A pergunta é: Em uma loja pequena, onde o contato visual esteja perfeitamente garantido por todos, principalmente pelos IIr VVig é obrigatório executar a referida batida para solicitar a palavra?

02 - O mais adequado, previsto no SOR ou nos Rituais é, no uso da Palavra a Bem da Ordem e do Quadro em Particular é, manter o Ir à Ordem ou permitir que desfaça o sinal durante a sua fala?

03 - Lojas que não têm o cartão de visitas para entregar ao visitante, as alternativas seriam:

A - Enviar e-mail para o visitante registrando sua presença.

B - Confeccionar um carimbo e, manualmente registrar em uma folha carimbada com a
assinatura do Venerável e do Chanceler.

C - Enviar via WhatsApp uma outra forma de registro de presença.

Por fim, pra ficar registrado e dar conhecimento atualizado aos IIr mais antigos que ainda trazem "usos e costumes" que contrariam grande parte do previsto no ritual atualizado, o ato de "Tirar do Tronco de Beneficência" é lícito? A meu ver, não é, mas, temos um "Deputado" que afirma ser... 

Agradeço ao Poderoso Ir Pedro Juk por ser nosso FAROL que nos guia em direção ao conhecimento, ao estudo e às práticas corretas nas fileiras de nossa instituição.

 

CONSIDERAÇÕES

 

1 - A maneira consagrada de se pedir a palavra é dar uma pancada, com a palma da mão direita aberta sobre o dorso da mão esquerda fechada, em seguida levantar um pouco à mão direita à frente. Esse gestual tem a finalidade de chamar a atenção daquele que irá autorizar o uso da palavra.

Nada existe de iniciático nessa prática, senão uma forma de se padronizar procedimentos. Não vamos criar regras para Lojas com ambiente espaçoso e as com dependência mais acanhada. O consagrado é o acima descrito, mas sem dourar a pílula. É só seguir o que está previsto no ritual.

2 - Nas Colunas, quem estiver fazendo o uso da palavra obrigatoriamente deve falar em pé, portanto à Ordem (corpo ereto, pés em esquadria e sinal composto). Em casos excepcionais, somente o Venerável Mestre é que pode autorizar alguém a desfazer o sinal durante a sua fala, no entanto esses são casos esporádicos e nunca corriqueiros.

É de péssima geometria o Venerável ficar frequentemente autorizando a dispensa do sinal para falar. Essa é uma atitude de desrespeito para com a ritualística e com o ritual.

Sem dúvida, falar à Ordem é desconfortável, no entanto essa postura corporal incômoda ajuda a evitar os tais discursos alongados e palavreados repletos de rançoso lirismo, os quais só servem mesmo é para esgotar a paciência alheia. O usuário da palavra se mantendo à Ordem, cansa logo. Isso faz com que se evitem os excessos durante a fala. O Venerável Mestre precisa levar isso em consideração, antes de ficar, a torto e a direita, dispensando a composição do sinal durante o uso da palavra.

3 - Esse não é um assunto de ritualística, mas da administração da Loja. Entendo que se a legislação prevê a entrega de certificado de visitas, a Loja deveria tê-los às mãos para entrega-los aos visitantes.

Agora, imagine a Obediência ter que se criar alternativas para Lojas que, por desleixo, não providenciam o cartão de visita para entregar aos seus visitantes.

4 - Retirar dinheiro do Tronco é uma dessas aberrações inventadas por alguns Irmãos do passado. É uma verdadeira barbaridade; algo inconcebível, mas que lamentavelmente ainda encontra defensores.

Ora, ninguém está autorizado a retirar metais da Bolsa de Beneficência, pois em nome da lisura dos trabalhos, o produto auferido pelo Tronco deve ser rigorosamente conferido e anunciado diante de todos em Loja aberta, sendo o seu produto destinado ao titular responsável pela caridade da Loja.

No caso de algum Irmão necessitado, ele primeiro deve recorrer à hospitalaria da Oficina que, de modo claro e transparente, levará a súplica a uma sessão em Loja aberta para as providências cabíveis, mas nunca é previsível alguém retirar metais do Tronco durante a sua circulação alegando dificuldades financeiras. Como dizia Eça de Queiróz: “Essa é mesmo d’escrachar”.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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jukirm@hotmail.com

 

 

MAI/2026

BALANDRAU - 5

Em 19.03.2026 o Respeitável Irmão Raphael Prado, Loja Joaquim Rodrigues D’Abreu, 1921, REAA, GOB-RJ, Oriente de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, faz a seguinte pergunta:

 

BALANDRAU

 

Minha dúvida é sobre o uso do balandrau quando em visita às Lojas.

Aprendemos que, ao visitar uma Loja, devemos sempre ir de terno, não sendo permitido o uso do balandrau. No entanto, não encontrei nada escrito a respeito. Na página 33 do nosso ritual, diz que seu uso é admitido e não faz restrição a IIr do Quadro. Em alguns textos seus publicados no blog, o Ir dá a entender que seria permitido o uso do balandrau em visitas, desde que o rito da Loja visitada o permita e que se trate de sessões ordinárias. Seria esse o entendimento correto?

 

CONSIDERAÇÕES

 

De fato, não existe nada nos regulamentos do GOB que obrigue um Irmão visitante, que seja praticante do REAA, a se apresentar trajado com terno ao visitar uma Loja desse mesmo rito, trabalhando em sessão ordinária.

Menciona o ritual do REAA/GOB em vigência que em uma sessão ordinária admite-se o uso de balandrau. Por conta disso, um Ir visitante pode sim se apresentar usando balandrau negro e talar.

Isso não ocorre se a sessão for magna, onde aí sim o terno, preto ou azul marinho, acompanhado de camisa branca, gravata lisa, sapatos e meias pretas, é obrigatório.

No tocante ao uso do balandrau, o mesmo deve ser negro e talar (até os tornozelos), com mangas compridas e fechado até o colarinho, sem nenhuma inscrição. Impreterivelmente deve se usando com calça preta (ou azul-marinho), sapatos e meias pretas, não sendo admitido o uso de tênis ou similares.

Ao finalizar, vale ressaltar que essas observações são pertinentes ao REAA, não se aplicando, portanto, a ritos que não admitem o uso de balandrau. O Ir visitante deve estar atento a isso.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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MAI/2026

segunda-feira, 18 de maio de 2026

PALAVRA SOLETRADA DO APRENDIZ

Em 18/03/2026 o Respeitável Irmão Vicente Miranda Neto, Loja Igualdade Santista, 2164, REAA, GOB-SP, Oriente de Santos, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

 

PALAVRA SOLETRADA

 

Uma dúvida a respeito da Palavra Sagrada no REAA. Percebo interpretações distintas sobre o tema e gostaria de suas considerações.

No Ritual do GOB - REAA - existe a descrição em azul: (Pelo lado Norte do Alt, o 1º Diác sobe os degraus do Trono e se coloca em pé e à direita do Ven Mestre; este, coberto, volta-se para o 1º Diác e, sussurrando, dá-lhe no ouvido dir, soletrada e por inteira, a Pal Sagr; o 1º Diác então se dirige ao 1º Vig e, pela sua direita, transmite-lhe a Pal Sagr do mesmo modo que a recebeu, voltando em seguida ao seu lugar; o 2º Diác se coloca à direita do 1º Vig e dele recebe a Pal Sagr, levando-a, em seguida, da mesma forma, ao 2º Vig e voltando, depois, ao seu lugar).

“Obs. – Por não se tratar de um telhamento, nessa ocasião não há troca de letras entre os interlocutores; a Pal é simplesmente sussur letra por letra de uma só vez por quem a comunica”.

Percebo algumas lojas apenas SOLETRANDO e algumas lojas SOLETRANDO FALANDO A PALAVRA. Qual a sua interpretação?

 

CONSIDERAÇÕES

 

           Na oportunidade em que há no REAA a transmissão da palavra de Aprendiz protagonizada pelos Diáconos e as Luzes da Loja, ao final dessa transmissão, feita letra por letra por quem a transmite, não existe qualquer repetição da palavra inteira. A palavra é apenas soletrada.

Reitera-se: a palavra é dada pelo transmissor de uma só vez, sussurrada, letra por letra, e é só.

Esse procedimento não pode ser confundido com telhamento, já que essa transmissão revela uma alegoria operativa que particularmente ocorre entre Mestres Maçons da
Loja.

Assim, o trecho "e por inteira", significa que o transmissor no grau de Aprendiz dá as quatro letras, seguidas, uma a uma, que compõem a palavra, não existindo, nesse grau, qualquer repetição ao final.

A regra iniciática é de que o Aprendiz, grau relativo à infância, ainda não sabe ler nem falar. Por conta disso, ele somente dá, seguidas, uma a uma, as quatro letras que formam essa palavra.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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MAI/2026

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

AUSENTE E SEU SUBSTITUTO

Em 18/03/2026 o Respeitável Irmão Rodrigo Paim, Loja Sesquicentenário, 1915, REAA, GOB-RJ, Oriente de Angra dos Reis, Estado do Rio de Janeiro, formula a pergunta seguinte:

 

AUSENTE

 

Meu irmão, perdoe importunar, na medida do possível gostaria de tirar uma dúvida contigo sobre ritualística. O ponto basicamente é o mesmo, mas em situações diferentes:

1) Quando da circulação em Loja, seja do Tronco ou o Saco de Propostas, quando não há AApre CComp é permitido que quem estiver circulando suprima as passagens pelas respectivas colunas?

2) Na transformação de Loja para o Gr 2 (ser para o Gr 3 também) quando não há AApr é
permitido que o V
M pule a fala sobre o M CCer fazer cobrir o templo os IIr AApr (CComp no caso se for para Gr 3)?

Essas dúvidas surgiram em nossa loja, uns entendendo que é preciso seguir o ritual independente dessa condição, outros achando que não faz sentido. Como não há essa previsão em regra, gostaria muito de um aconselhamento seu, caso possível. Desde já agradeço meu grande irmão!

 

CONSIDERAÇÕES

 

1 - Durante a circulação das bolsas (Propostas e Informações ou Tronco), não havendo de quem efetuar a coleta, por uma questão de lógica, é dispensável o deslocamento do titular para a coluna. Esse é um caso que não pode ser tomado como alteração do ritual, pois seria inadequado se dirigir a alguém que não esteja presente.

2 - É basicamente mesmo caso da questão nº 1, pois se não há quem precise se retirar (ter o templo coberto), não faz sentido Venerável mandar cobrir o templo para aquele(s) que não esteja(m) presente(s). Pela obviedade da situação, isso também não pode ser tratado como alteração do ritual.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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PELICANO - ALEGORIA MAÇÔNICA

Em 15.05.2026 o Respeitável Irmão Igor França, Loja Osvaldo Rodrigues Simões, 2044, REAA, GOB-MS, Oriente de Rio Brilhante, Estado do Mato Grosso do Sul, pede esclarecimento.

 

PELICANO

 

Antes de tudo, parabéns pelo Blog e obrigado por se dedicar a estudar e passar seus conhecimentos. 

Gostaria de, se possível, explicar o significado e origem histórica do pelicano que fica na frente do Templo.

 

CONSIDERAÇÕES

 

O pelicano é uma ave símbolo dos graus capitulares, no caso do REAA, mais especificamente no 18º dos graus ditos superiores.

Historicamente isso tem início na França do século XIX, quando o Grande Oriente da França, ao acolher o simbolismo do REAA sob sua égide (1804), instituiu aquilo que ficou sendo conhecido com as Lojas Capitulares do REAA.

            Na verdade, o Grande Oriente da França irrestritamente tomava para si a tutela dos 18 primeiros graus do REAA, dos quais o Príncipe Rosa Cruz era o ápice. Nessa condição, o II Supremo Conselho do REAA (o da França) ficava apenas os graus de Kadosh e Consistório (essa é uma longa história).

Assim, no sistema capitular do REAA elaborado pelo Grande Oriente da França, o presidente do Capítulo, o Athersata, era também o Venerável Mestre das Lojas simbólicas.

É daí que vem o Oriente elevado e separado do Ocidente, e a extensão do Altar dos Juramentos, a despeito de que no sistema capitular o Oriente era ocupado apenas por Irmãos colados no Grau 18 (chamava-se Santuário Rosa Cruz). O simbolismo era até então praticado apenas no Ocidente.

Esse sistema floresceu por toda a Maçonaria latina, chegando até o Grande Oriente do Brasil, onde por muito tempo nele existiram as Lojas Capitulares do REAA (vide a História do GOB).

Mais tarde, com a extinção das Lojas Capitulares, o II Supremo Conselho do REAA, o da França, retomava a tutela de todos os graus acima do Grau de Mestre Maçom, ficando os três primeiros graus do simbolismo, como naturalmente já era, sob o governo do Grande Oriente.

Vale ressaltar que com o final do sistema capitular, o Oriente permaneceu separado, mas agora ocupado pelo simbolismo. Servindo o Oriente como o final da jornada iniciática, esse espaço passou a ser lugar restrito aos Mestres Maçons e aos Mestres Instalados.

À vista disso, muitas Lojas que tinham sido capitulares acabariam mantendo em seus templos alguns elementos decorativos capitulares, dos quais a figura do pelicano alimentando seus filhos, um símbolo distintivo das Lojas Capitulares de então.

Graças a isso é que hoje ainda se vê, em muitas Lojas antigas pelo Brasil, a figura do pelicano em destaque. Como um elemento identitário, essa figura alegórica significa que aquela Loja pertenceu, um dia, ao extinto sistema capitular.

Reitera-se, Lojas Capitulares são elementos do passado e não existem mais regularmente, até porque é sabido que o simbolismo é dirigido por uma Potência Simbólica, enquanto que os graus superiores são governados pelos Altos Corpos do Supremo Conselho.

Características lendárias - Como figura distintiva do Capítulo, o pelicano, em primeira análise, representa a proteção, a dedicação e o amor incondicional, onde é dito que a mãe pelicano, para alimentar seus filhos, não hesitava em ferir o seu próprio peito para sustentar a sua prole. Obviamente que isso é apenas uma lenda, pois na realidade não é a mãe pelicano que bica seu próprio peito no intuito de retirar seu sangue. O que de fato ocorre é que a ave mãe, ao regurgitar os alimentos (peixes) que havia colhido para a sua ninhada, ao expelir os víveres, acaba também expelindo um pouco do sangue das suas presas. Esse sangue, ao sujar o bico e o peito dessa ave mãe, dava a impressão de que era ela que feria a si própria no intuito de proporcionar alimentação aos seus filhos.

Assim, esse conjunto distintivo cristão, virou uma importante alegoria capitular, mas não é comum aos graus do simbolismo maçônico.

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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MAI/2026