Em 21/05/2026 o Respeitável Irmão Giovani Moreira
da Silva, Loja Estrela do Vale, 1740, GOB MINAS, REAA, Oriente de Itabira,
Estado de Minas Gerais, apresenta as perguntas seguintes:
ESTRELA E A LETRA G
1 - Em seu artigo https://pedro-juk.blogspot.com/2017/12/estrela-flamejante-v.html
você fala sobre a especulação sobre o conceito da letra G, porém, no ritual de
Companheiro Maçom na página 123 expressa uma opinião contrária ao seu artigo.
Como respeito muito seus artigos, gostaria de sua orientação sobre o disposto
no ritual atualizado em 2024.
Aproveitando sua boa vontade agradeço mais dois
comentários:
2 – A Estrela Flamejante deve estar
literalmente de ponta para cima, ou seja, perpendicular (pendurada) no teto ou
pode estar afixada no teto na abóboda celeste;
3 – Podemos em uma reunião de grau de Aprendiz
transformar a reunião em grau de Companheiro, retirando os Aprendizes no
momento do tempo de estudos para a apresentação do grau de Companheiro, depois
retornando com os Aprendizes, isso para não furtar os Aprendizes de participar
da reunião naquele dia. Essa prática pode ser realizada?
CONSIDERAÇÕES
1 - Em relação ao que eu publiquei em
resposta a uma pergunta no meu Blog em 2017, continuo convicto do que escrevi,
e mantenho a minha posição.
Sobre o Ritual de Comp∴ Maçom em vigência no GOB, eu procurei minimizar a questão, deixando
claro, em primeiro lugar, que a letra “G” significa Geometria. As
outras definições, que a meu ver não condizem com a realidade doutrinária do
REAA, são mencionadas no Ritual em segundo plano, sobretudo porque são
consagradas nas instruções gerais da Maçonaria e até adotadas de modo amplo em
outros rituais.
Foi graças a isso é que deixei bem
claro que na Maçonaria a letra “G” também tem sido interpretada
como Geração, Gravidade Gênio e Gnose. Note que, mesmo discutível, essas
não são afirmativas minhas, mas são conceitos que estão presentes há muito
tempo na Maçonaria, especialmente na vertente anglo-saxônica. Assim, a minha
obrigação é também mencioná-los.
Nesse contexto, o que de fato eu
abomino é falsa interpretação quando dizem que a letra “G” é uma referência
ao "G∴ A∴ D∴ U∴", mais
especificamente à palavra "God", que é Deus na língua inglesa.
Ora, se fosse assim, como ficariam então os ritos latinos onde a inicial do nome
Deus é a letra "D" (Deus, Dio, Dieu)?
En passant, outro absurdo é se dizer que a letra hebraica “IÔD” se traduz pela
letra “G”.
Graças a isso, sendo a Geometria
a quinta ciência na ordem das Sete Artes e Ciências Liberais, procurei dar
ênfase a ela como uma das grandes verdades universais (vide a 47ª Proposição de
Euclides).
Para concluir este quesito, vale a pena
lembrar que quando se trata de ritual maçônico, nem sempre é possível alterá-lo
de imediato, sem antes, com muita prudência, ir se preparando o terreno. Por conta
disso, deixo essa questão para reflexão dos IIr∴, mostrando que nem tudo o que reluz é ouro.
2 - A Estr∴ Flamej∴ – Este símbolo não é parte do
mapa estelar da abóbada. Ela não aparece como as demais estrelas e astros, fixados
no firmamento. Nesse sentido, a Estr∴ Flamej∴ não é um astro celeste, mas é um
símbolo pitagórico, que fica pendente do teto, adotado por alguns ritos maçônicos.
Historicamente essa estrela hominal somente apareceu na Maçonaria no século
XVIII.
Como um símbolo pitagórico, o ritual do
REAA/GOB menciona que a Estr∴ Flamej∴ - um dos ornamentos da Loja de Comp∴ - aparece pendente (pendurada) do teto, ao Meio-Dia, sobre o
lugar do 2º Vigilante.
Por ser um símbolo hominal, herdado do
pitagorismo, é que essa Estr∴ se apresenta no Templo pendurada e com
apenas uma das suas cinco pontas voltada para cima. No contexto de símbolo
hominal, a única ponta voltada para cima corresponde à cabeça (mente) do homem,
enquanto que as demais relacionam-se aos seus membros superiores e inferiores
(comparado ao homem vitruviano de Da Vinci.
Em primeira análise, a Estr∴ Flamej∴ simula o Homem de cabeça para cima, naturalmente
como foi constituído pela Natureza (teurgia). Também representa os cinco sentidos
e a relação matéria-espírito: visão, audição, tato, olfato e paladar – o
Iniciado vê o sin∴; ouve a pal∴; sente o t∴; percebe o ar∴ dos pperf∴; distingue a doç∴ do amarg∴ presente na t∴ das vicissitudes.
Como a Maçonaria é uma obra de Luz, a
Estr∴ Flamej∴ não pode aparecer de ponta-cabeça, isto
é, com duas de suas pontas voltadas para cima, mormente porque esse é um símbolo
da Goécia, ou Goétia, que significa uma obra da escuridão, do desequilíbrio e da contrariedade. Com as duas pontas apontadas para cima, a Estr∴ se torna a figura de um bode que, dentre outros, representa a
animalidade e o mundo de ponta-cabeça; é o emblema do controverso, da obra das
trevas e do giro anti-horário; simboliza o retrocesso.
A Estr∴ pendente do teto, perpendicular ao meridiano do Meio-Dia (sobre o 2º
Vig∴), simula a luz intermediária, entre a aurora e o ocaso. É por isso que no
REAA a alegoria da letra "G", ao centro da Estr∴, corresponde à 5ª Ciência, ou a Geometria aplicada na construção de um
novo Homem. De modo óbvio, a letra "G" também não deve ficar de
ponta-cabeça, senão seguir o padrão e a ordem natural das coisas da Natureza.
3 – Transformação de Loja - Conforme
menciona o ritual, existe a possibilidade de transformação, no entanto isso
somente deve ocorrer quando for necessário para se atender à legislação, ou por
algum motivo comprovadamente imperioso. Transformação de Loja é procedimento previsto,
mas esporádico, nunca corriqueiro. É oportuno lembrar que uma Loja transformada
deve retornar ao grau em que fora inicialmente aberta para ser fechada
definitivamente. Transformar Loja para ministrar uma instrução é possível,
porém não recomendável.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
http://pedro-juk.blogspot.com.br
jukirm@hotmail.com
AGO/2026