Em 06/03/2026 o Respeitável Irmão Francisco
Pereira da Rocha Neto, Loja Osmil Serrano Cintra, 2396, REAA, GOB-SP, Oriente de
Franca, Estado de São Paulo, apresenta a dúvida seguinte:
ORIENTE
É terminantemente proibido ao Apr∴ subir
ao Oriente até mesmo para instruções? Exemplo: orientar ao Aprendiz a
circulação do tronco de beneficência? Acompanhado de um Mestre.
CONSIDERAÇÕES
Em Maçonaria Simbólica é preciso antes se
ter em mente que a escalada iniciática do maçom - no caso a vida iniciática do
maçom - está diretamente relacionada às regiões físicas do Templo, ou seja, o
Ocidente, com as Colunas do Norte e do Sul para os Aprendizes e Companheiros e
por fim ao Mestre Maçom, que pode ocupar indiscriminadamente qualquer uma das
regiões da Loja.
Nesse contexto, vale a pena mencionar que
o Templo Maçônico, mormente do REAA, é uma representação estilizada do Mundo em
que vivemos. Simbolicamente, compreende uma faixa sobre a superfície equatorial
da Terra, orientada no seu cumprimento de Leste para o Oeste, e na sua largura,
do Norte para o Sul. A abóbada celeste corresponde ao firmamento e o Pav
∴ Mos∴ o solo terrestre.
A ocupação iniciática desse espaço
relaciona-se às etapas de aperfeiçoamento que constituem o simbolismo maçônico.
Em especial ao Mestre Maçom e o
Oriente, há uma peculiaridade inerente ao seu ingresso nesse espaço, já que
essa passagem somente pode ser encontrada por aqueles que, em busca da
plenitude maçônica, com perseverança passam pela cerimônia de Exaltação ao 3º
Grau - a chave da Grande Iniciação.
Essa é uma regra basilar do REAA. Nessa
separação territorial e mística do templo, o Ocidente, subdividido em Norte e
Sul, corresponde a vida material (terrena) do Iniciado, enquanto que o Oriente satisfaz
a sua vida espiritual (post-mortem). No contexto geral do simbolismo iniciático
essas etapas (ciclos) não podem ser postergadas, sob pena de se subverter as
Leis da Natureza, sutilmente representadas pela decoração de vários elementos que
compõem a Loja.
Para o cumprimento da jornada
iniciática do REAA, o Aprendiz (início) deve ocupar apenas o topo da Coluna do
Norte (simbolicamente o lado mais escuro), onde paulatinamente ele vai aprendendo
e percorrendo cada uma das seis primeiras Colunas Zodiacais. Concluídas essas etapas,
o Aprendiz passa pela Elevação, tempo em que ele deixa o topo do Norte - agora
como Companheiro Maçom - e atravessa para o topo da Coluna do Sul (simbolicamente
mais iluminado).
Ao finalizar o tempo de Companheiro
(juventude), o iniciado finalmente ingressa na maturidade da vida, oportunidade
em que ele, ao representar o fim da vida material, passa pela cerimônia de
Exaltação e se credencia a ingressar no Oriente para conhecer a Arv∴ da Vid∴, agora como Mestre Maçom.
Em face a essa alegoria iniciática é que
no REAA existem as Colunas Zodiacais, distribuídas pelas paredes Norte e Sul do
Templo. Elas são as balizas que indicam o caminho a ser percorrido pelo Iniciado.
A primeira etapa, ao Norte como Aprendiz (infância/adolescência), a segunda ao
Sul como Companheiro (juventude) e finalmente a terceira, como Mestre Maçom, ao
ter alcançado a derradeira jornada terrena, morrendo no Ocidente e renascendo em
seguida no Oriente (o lugar da Luz). Em última análise, menciona o Mestre,
purificado e evoluído, que acabou também se tornando Luz.
Assim, em face a esse teatro iniciático/solar
é que em nenhuma situação o Aprendiz e o Companheiro, ainda reclusos à
materialidade do Ocidente, podem ingressar no Oriente, que é o lugar da Luz.
Antes é preciso ter percorrido toda a senda iniciática.
Desafortunadamente, no REAA, por
questões históricas, a harmonia desse belíssimo teatro iniciático acabaria enfrentando
um paradoxo - que até hoje se sustenta - por conta de acomodações ritualísticas
proporcionadas pelo Grande Oriente da França e a criação das suas Lojas
Capitulares.
Foi nessa ocasião (1804) que no primeiro
ritual para o simbolismo do REAA houve a separação física, em desnível e por
uma balaustrada, do Oriente e do Ocidente da Loja. Por conta disso, criava-se o
Oriente separado e elevado, oportunidade em que era também criado o Alt∴ dos JJur∴, como uma pequena mesa como extensão
do Alt∴ ocupado pelo Ven∴ Mestre (antes as obrigações eram
tomadas sobre a mesa do Venerável).
Tudo isso foi criado para separar, no mesmo ambiente, os trabalhos do simbolismo dos
graus capitulares. Em linhas gerais, nas Lojas Capitulares do REAA só
ingressavam no Oriente os Irmãos que eram detentores do Grau Rosa-Cruz. Nessa condição,
o Atherzata (Governador do Capítulo) era também, e ao mesmo tempo, o Venerável Mestre
da Loja simbólica - vide a história das Lojas Capitulares no Grande Oriente da
França do século XIX.
Mais tarde, mesmo depois de terem sido completamente
extintas as Lojas Capitulares do REAA no Grande Oriente da França, a separação
física do Oriente elevado permaneceu universalmente no simbolismo. No geral, o consagrado
espaço oriental acabaria ficando reservado aos Mestres Maçons como o final da
jornada iniciática, ao Venerável Mestre como dirigente da Loja (o lugar da Luz)
e aos Ex-Veneráveis (Mestres Maçons Instalados).
Foi graças a esse paradoxo, amplamente
reconhecido, e para atender à liturgia do ritual do REAA, onde o Alt∴ dos JJur∴ fica no Oriente que, somente nas
cerimônias de Iniciação e de Elevação, admite-se, no juramento e sagração de
candidato, a presença de Aprendizes e Companheiros no Oriente.
Por conta de todos esses comentários é
que no REAA Aprendizes e Companheiros somente podem ingressar no Oriente em
Loja aberta nas esporádicas ocasiões previstas pelo ritual durante as cerimônias
de Iniciação e Elevação, fora isso, nem mesmo se estiverem acompanhados de um
Mestre. A questão crucial é iniciática e a de acomodação é histórica.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
http://pedro-juk.blogspot.com.br
jukirm@hotmail.com
MAI/2026