terça-feira, 31 de janeiro de 2023

MANIFESTAÇÕES DURANTE A APRESENTAÇÃO DE UM CANDIDATO

Em 01/09/2022 o Respeitável Irmão Jocely Xavier Araújo, Loja Herbert Jurk, 2818, REAA, GOB-SC, Oriente de Timbó, Estado de Santa Cataria, apresenta o que segue:

 

MANIFESTAÇÃO SOBRE O CANDIDATO

 

Desculpe mais uma vez incomodá-lo. Quando da leitura da apresentação de candidato, quando o Venerável Mestre faculta através dos Vigilantes que os irmãos se manifestem, essa manifestação pode ser para elogiar ou só quando houver algo que desabone?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Não há nada que proíba, contudo, respeitado a regra da dialética contida no primeiro Trivium das Artes e Ciências Liberais, é de boa geometria que se fale somente o necessário.

                Nessa ocasião, qualquer manifestação deve ser em prol da construção do processo de admissão. Elogios repassados de lirismos e outras extensas retóricas não condizem com a formalidade e a sobriedade maçônica.

Certamente que no futuro, se o candidato alcançar a graça de ter sido recebido como maçom, ele receberá em momentos oportunos os merecidos cumprimentos.

Tudo é passível de bom senso, assim, manifestar contentamento pela indicação de alguém é perfeitamente admissível, desde que de maneira sucinta – copo carregado demais acaba transbordando.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

JAN/2023

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

ORDEM DE ARQUITETURA - COLUNA TOSCANA

Em 29.08.2022 o Respeitável Irmão Wesley Di Tano de Oliveira, Loja 16 de Julho, 242, REAA, GLESP (CMSB), Oriente de Ituverava, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

 

COLUNA TOSCANA

 

Consultei nosso irmão Moura, Editora Trolha, e o mesmo indicou que eu solicitasse sua ajuda.

Estudando o Plano do Templo, símbolos e significados, deparei com duas Colunas Toscanas localizadas no Oriente, ao lado do Dossel.

As mesmas estão no Plano do Templo do Ritual de Aprendiz e Companheiro Maçom - REAA
- GLESP; as Colunas também estão na mesma disposição, na Árvore da Sabedoria Maçônica, no Ritual de Mestre Maçom do REAA - GLESP.

Pesquisei nos Livros que possuo, na Internet e também alguns irmãos, mais antigos e de graus superiores, mesmo assim ainda não consegui a resposta. Alguns artigos falam sobre elas, sua origem, forma, consistência, mas nada sobre o significado ou o que representam no Templo maçônico.

Se possível, gostaria que o prezado irmão, me desse Luz para poder encontrar a resposta.

Qual o significado ou o que representam estas Colunas Toscanas, ao lado do dossel do Venerável Mestre, no Templo Maçônico do REAA - GLESP?

Desculpe incomodar e tomar seu precioso tempo.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Inicialmente eu gostaria de mencionar que no REAA, rito de origem francesa, originalmente essas duas colunas da ordem Toscana situadas sob as extremidades do dossel no Oriente da Loja não existem como elementos do simbolismo. Nem no Oriente e nem no Ocidente. Podem ser consideradas apenas elementos decorativos.

Agora, se consta isso no ritual, como descrito na questão, é preciso então averiguar quem as colocou e por conta do que elas foram inseridas no Oriente do templo.

                     Destaco que originalmente nos Painéis originais de Loja do REAA não consta nenhuma coluna Toscana. Os Painéis do 1º e 2º Grau trazem apenas as colunas do pórtico (B e J). No Painel do 3º Grau não há nenhuma coluna. As colunas do pórtico nesses painéis trazem um sincretismo de culturas, babilônicas e egípcias, portanto elas não fazem parte das
Cinco Nobres Ordens de Arquitetura.

Como aqui foi abordada a relação entre os Painéis e as Colunas, vale então mencionar que na decoração de um templo do REAA existem apenas e tão somente dois Painéis, a saber: o da Loja (conforme o grau), e o Retábulo do Oriente que é o espaço da parede situado imediatamente atrás do trono onde ficam fixados o Delta Radiante, o Sol e a Lua. Como conteúdo do grupamento de símbolos, nenhum desses dois Painéis franceses trazem nos seus interiores a Coluna Toscana.

Reitero então que em se tratando do REAA não existem outros painéis na Loja, senão os logo acima mencionados. Digo isso porque não raras vezes encontramos, em alguns rituais, a menção de um certo “painel alegórico” na decoração da Loja. Na verdade, esse painel é um produto de enxerto que copia a Tábua de Delinear inglesa e não deveria estar presente no REAA.

Na verdade, esse painel alegórico que é às vezes indevidamente encontrado no REAA, é a Tábua de Delinear Inglesa (Tracing Board) que pertence ao Rito de York do Craft, portanto é um elemento que nada tem a ver com o escocesismo.

Desse modo ele não deveria estar presente nos rituais do REAA, sobretudo por ser ele um rito de origem francesa. Nesse caso, ao que parece foi inserido indevidamente um painel inglês em um rito de origem francesa e para justificar essa equivocada presença, deram-lhe o nome de “painel alegórico”, algo inexistente no escocesismo.

Muitas vezes deve-se a essas indevidas inserções o aparecimento de símbolos e alegorias que não fazem parte do corolário doutrinário-iniciático de um rito propriamente dito. Nessa conjuntura é importante saber que cada rito, ou trabalho (working) maçônico tem suas próprias características.

NOTA – Embora a presente abordagem dos painéis pareça nada ter a ver com a questão aqui apresentada, fiz essa alusão porque boa parte dos símbolos utilizados pelos ritos se encontram condensados nesses Painéis (Quadros da Loja). O Painel do Grau é a síntese da Loja no grau de um rito.

É bem verdade que na estrutura de símbolos da Moderna Maçonaria, alguns desses emblemas são universais, isto é, são símbolos presentes em qualquer rito. Entretanto, existem símbolos que são comuns apenas a um determinado rito. Como exemplo disso poderíamos citar a Estrela Hominal (cinco pontas) que é comum em um rito enquanto que em outro ela é hexagonal (seis pontas). Seguindo o mesmo raciocínio, a Escada de Jacó, que aparece no Rito de York, mas não no REAA. Outro exemplo: os símbolos que compõem as três virtudes teologais, estes presentes na Tábua de Delinear inglesa e não nos Painéis franceses. Ainda, as Colunas Zodiacais, que não existem na decoração do Rito de York, porém estão presentes no REAA, etc.

Existe ainda outro grupo de símbolos, os que são abstratos em alguns ritos, mas visíveis e palpáveis em outros. Explica-se: em muitos ritos alguns símbolos, ou mesmo a sua ideia, não são visíveis, contudo, se fazem presentes nas entrelinhas do ideário doutrinário.

                     Nesse caso, tomemos como exemplo as colunas da ordem Jônica, Dórica e Coríntia. Esses são símbolos consagrados e universalmente representam, na Maçonaria Simbólica Universal, a Sabedoria, a Força e a Beleza. Essa tríade basicamente serve a todos os ritos, pois é a sustentação da moral maçônica, no entanto, visíveis, palpáveis e materializadas elas não aparecem no Painel do REAA, mas são mencionadas nas entrelinhas do seu ritual e nas suas instruções correspondentes. Já no Rito de York, ao contrário do REAA, essas colunas aparecem com destaque na sua Tábua de Delinear do 1º Grau.

Assim, se faz necessário observar que nesse universo de símbolos e emblemas maçônicos, muitos elementos que fazem parte da decoração da planta do templo de um determinado rito, podem não estar presentes em outros - mesmo estando conexos a uma mesma estrutura doutrinária.

Conhecer essa regra significa evitar o achismo e a nociva licenciosidade de se achar que cada um pode interpretar o símbolo à sua maneira. Licenciosidade na interpretação dos símbolos é erro crasso em Maçonaria. O símbolo na Maçonaria tem no contexto uma mensagem única.

A arte está em desvendar o mistério que o cerca. Assim, indaga-se: o que um determinado símbolo significa para a doutrina do Rito? Ele foi ali colocado por quê? No contexto iniciático, qual é a sua contribuição? E no contexto histórico e cultural? E assim vai...

Com as devidas ressalvas, se essas regras básicas fossem observadas, certamente estaríamos livres da enxurrada de bobagens escritas que desafortunadamente ainda assolam o campo literário da nossa Ordem.

Feitos esses esclarecimentos e comentários, vamos ao símbolo mencionado na questão ora aqui apresentada – a coluna da Ordem Toscana.

No que diz respeito a ela e a Maçonaria, de maneira sintética dá para se dizer primeiramente que essa Coluna é parte de um conjunto de símbolos que formam a alegoria da Escada Sinuosa, ou em Caracol.

Porém, antes é bom que se diga que a alegoria da Escada em Caracol é natural no Craft, no caso, no Rito de York. Observe-se que essa Escada é o elemento central da Tábua de Delinear do 2º Grau do Rito de York (inglês). Ela não está presente, por exemplo, no Painel do REAA.

NOTA – Tábua de Delinear é o nome dado ao Quadro da Loja na Maçonaria Inglesa. Na Maçonaria Francesa é conhecido como Painel do Grau, ou da Loja. Apesar de terem a mesma função, o conjunto de símbolos é diferente em conteúdo de um e do outro.

Em um dos modelos da Tábua de Delinear, a Escada Sinuosa, ou em Caracol, aparece como figura detalhada no Craft. Composta por três segmentos de três, cinco e sete degraus, no seu segundo estágio (lance com cinco degraus), literalmente o corrimão se apoia sobre cinco colunas representativas das Cinco Nobres Ordens de Arquitetura, das quais três gregas, a Dórica, a Jônica e a Coríntia, e outras duas romanas, a Toscana e a Compósita.

Como parte das preleções inglesas, a Escada Sinuosa, ou em Caracol, se caracteriza por representar um percurso sinuoso e difícil, cujo objetivo é o de mostrar ao iniciado as dificuldades que naturalmente serão encontradas ao longo da vida. Nesse contexto o agrupamento das Cinco Nobre Ordens de Arquitetura representa o 2º estágio do iniciado – ver, ouvir, meditar, bem agir e calar.

A relação das Cinco Nobres Ordens de Arquitetura com o ideário instrucional maçônico se consolidou especulativamente no século XVI com o tratado escrito por Giacomo Vignola, denominado Regras das Cinco Ordens de Arquitetura. Embora já na fase de declínio do estilo Gótico e, por extensão da Maçonaria de Ofício, muitos arquitetos da época passariam a utilizar as regras e proporções hauridas desse tratado.

Com o advento do Renascimento, as regras de Arquitetura seriam inseridas por Inigo Jones na Inglaterra, o que sacramentava de vez o declínio da Maçonaria de Ofício e a ascensão da aceitação – o ingresso de homens estranhos ao ofício se tornava cada vez mais evidente.

Do ofício ao especulativo, a doutrina dos maçons aceitos fora elaborada debaixo de símbolos e alegorias ligadas à Arte de construir. Graças a isso é que esses elementos se fazem naturalmente presentes no simbolismo e nas instruções atuais da Moderna Maçonaria.

Em relação às colunas Toscanas situadas no Oriente de uma Loja do REAA, particularmente junto à parede nas extremidades do dossel conforme mencionadas na sua questão, ao que parece são meros elementos decorativos sem nenhum conteúdo iniciático, ou de outro significado especial.

Como descrito na questão, essas colunas de fato parecem ser apenas molduras decorativas fixadas à esquerda e à direita do Retábulo do Oriente, e nada mais. Muitas Lojas costumam usar esse tipo de decoração, sem que haja nela qualquer conotação iniciática.

Como elemento simbólico oficial a Coluna Toscana somente aparece, de fato, na alegoria da Escada em Caracol no CRAFT, não sendo, portanto, símbolo comum ao REAA. No que diz respeito ao escocesismo propriamente dito, no máximo talvez seja possível ligá-la como parte de um conjunto composto por “cinco” colunas, destacando neste contexto que número “cinco” é universalmente um dos elementos de estudo do Companheiro Maçom.

Não obstante às considerações até aqui apresentadas, seguem alguns elementos técnicos e históricos concernentes às Cinco Ordens de Arquitetura que tendem auxiliar na compreensão desse tema dentro da conjuntura instrucional maçônica.

  1. Ordem de Arquitetura – Sinteticamente menciona aquilo que dá características próprias à construção associando-a a um determinado estilo histórico (características únicas). Confere harmonia, unidade e proporção a um edifício segundo as normas clássicas de beleza. As Ordens de Arquitetura nasceram na Antiguidade Clássica, embora eventualmente tenham sido reinterpretadas, a exemplo do que ocorreu durante o período renascentista.
  2. As primeiras normas - Desenvolvidas na Grécia, essas normas tiveram seu ápice no século V a.C. (Período Clássico) quando deram lugar à criação de três Ordens de Arquitetura a saber: Dórico, Jônico e Coríntio.

No século I a.C. essas Ordens foram readaptadas no Império Romano e deram lugar a outras duas outras – a Toscana (variante simplificada do Dórico) e a Compósita (uma mistura combinada entre o Jônico e o Coríntio).

  1. De Architecturae (Tratado de Arquitetura) de Vitrúvio - Datado do século I a.C., esse foi o único escrito herdado da Antiguidade que chegou ao século XV. Foi no século seguinte que aparece o tratado escrito por Giacomo Vignola sob a denominação de Regras das Cinco Ordens de Arquitetura. Esse tratado acabou por definir regras geométricas e de proporção que até o presente ainda são utilizadas por arquitetos. Graças a esse tratado é que foram então reconhecidas as Cinco Nobres Ordens de Arquitetura. Essas Cinco Ordens se dividiram em dois grupos – o das Ordens Gregas e o das Ordens Romanas. As Ordens Gregas formadas pelas ordens Dórica, Jônica e Coríntia, e as Romanas pelas ordens Toscana e Compósita.
  2. A Ordem Dórica (grega) – natural das costas sul do Peloponeso teve o seu auge no século V a.C. Empregada principalmente na banda exterior dos templos então dedicados às divindades do gênero masculino. De caráter sólido, com aparência de força é a mais simples das três Ordens Gregas.
  3. A Ordem Jônica (Grega) - aparece na Grécia oriental e, aproximadamente em 450 a.C. parece ter sido adotada também por Atenas. De desenvolvimento concomitante à Ordem Dórica, pela sua forma e característica suave acabaria sendo mais utilizada nos templos dedicados a deusas femininas. Se caracteriza pelo capitel com volutas.
  4. A Ordem Coríntia (Grega) - natural do último quartel do século V a.C., notoriamente possui capitel mais decorativo e trabalhado. Inicialmente foi muito utilizada na banda interna dos palácios e assemelhados. Seu capitel é abundantemente decorado com rebentos e folhas de acanto. Tornou-se um capitel bastante utilizado no período de dominação romana.
  5. A Ordem Toscana (Romana) – Se desenvolveu no período de dominação romana e é um elemento simplificado com proporção igual ao da Ordem Dórica. Sua característica é a simplicidade do seu capitel.
  6. A Ordem Compósita (Romana) – Como a Toscana, também se desenvolveu no período de dominação romana. Até o advento do Renascimento ela foi considerada uma versão tardia da Ordem Coríntia. Caracteriza-se por ser um estilo mesclado em cujo capitel vão inseridas as volutas do Jônico e também as folhas de acanto do Coríntio.

Espero que esses comentários sirvam para trazer luzes a respeito desse tema.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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JAN/2023

 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

QUESTÃO SOBRE O LIVRO DA LEI

Em 26.08.2022 o Irmão Aprendiz, Wagner Fincatto Coswig, REAA, Loja Acácia Balneário Camboriú, 3978, REAA, GOB-SC, Oriente de Camboriú, Estado de Santa Catarina, faz a seguinte pergunta.

 

O LIVRO DA LEI

 

Olá irmão, eu tenho uma dúvida a respeito do Livro da Lei no REAA e gostaria de perguntar ao Irmão se na mesma Loja encontram-se irmãos com diferentes religiões qual Livro da Lei será aberto? Qual Livro da Lei será preconizado?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

No caso do REAA, onde há leitura de um trecho do Livro da Lei estarão sempre presentes a Bíblia, o Esquadro e o Compasso, não existindo, contudo, nenhum impeditivo que sobre o Altar estejam também presentes outros Livros correspondentes às religiões distintas.

Nesse caso, os demais livros, tais como a Torá, o Corão, o Vedas, etc., não são abertos, bastando simplesmente as suas presenças.

O Livro da Lei que é aberto e lido um trecho correspondente é apenas o que estiver previsto no ritual em vigência – no caso do REAA é a Bíblia.

           O que cada maçom precisa compreender é que o Livro da Lei na Maçonaria não tem conotação de pregação religiosa, ou mesmo de difundir qualquer religião. A sua presença em Loja é a de ser o emblema do código de moral e ética que o cada iniciado segue. É daí o adjetivo “emblemático” que acompanha as três Grandes Luzes.

Quando da Iniciação, Elevação e Exaltação, conforme a sua crença, cada iniciado tem o direito de prestar a sua obrigação sobre o Livro da Lei da sua religião, isto é, a que ele segue.

Nesse caso, por ocasião das tomadas de obrigação, a Loja deve disponibilizar o Livro correspondente para que cada iniciado preste sobre o seu código de moral o seu juramento.

Cabe ressaltar que mesmo com a presença de outros Livros, a Bíblia como o Livro da Lei previsto no ritual do rito praticado pela Loja permanece ao centro do Alt dos JJur junta ao Esq e o Comp. Essa é uma identificação do rito e não possui nenhum caráter de indução religiosa.

Infelizmente, ainda há maçons que precisam entender a finalidade do Livro da Lei como Luz Emblemática. Muitos ainda não entenderam que Maçonaria não é religião, e que a Ordem Maçônica respeita todas elas, incentivando, inclusive, que cada um pratique a sua religião, mas na sua igreja e não na Loja.

Uma das finalidades da Maçonaria é manter os homens unidos e respeitosos entre si independente da religião que cada um pratique, portanto é vedado ao maçom fazer qualquer proselitismo religioso durante os trabalhos maçônicos.

Assim, se bem compreendida a Arte, a Loja deve ser um centro de união onde todos trabalham em prol de um mesmo ideal – o de construir um Templo à Virtude Universal.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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jukirm@hotmail.com

 

 

JAN/2023

TOPO DAS COLUNAS E O LUGAR DO RECÉM INICIADO

Em 23.08.2022 o Respeitável Irmão Fábio Bento, Loja Igualdade de Vinhedo, 127, REAA, GOP/COMAB, Oriente de Vinhedo, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

 

TOPO DAS COLUNAS

 

Você já escreveu algo sobre? Me esclareça com a sua opinião:

Sobre a circulação em Loja, quando conduzimos Aprendizes ou Companheiros às colunas (tipo saída temporária da sessão) o retorno e entrada para as colunas devem ser feitos pelo "topo da coluna", isso existe na ritualística ou é mais uma invencionice.

Em alguns rituais fala-se de topo da coluna na iniciação, quando pede-se ao Mestre de Cerimônias conduzir os recém indicados ao seu lugar de destino, mas não encontro nada para a entrada das colunas e suas formalidades.

Qual a sua expertise para tal?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

  1. Condução ao topo das Colunas – Como se trata do retorno de Irmãos que tiveram para si o templo temporariamente coberto, o Mestre de Cerimônias faz a reintrodução desses Irmãos normalmente (nesse caso não há entrada formal com marcha e saudação). Assim, os Aprendizes de retorno serão conduzidos da porta diretamente para o topo da Coluna do Norte. No caso de Companheiros, eles serão conduzidos até o Sul, porém, obedecendo a circulação, passam antes pela Coluna do Norte; dali cruzam o equador do templo por entre a retaguarda do painel e o limite como o Oriente e são levados diretamente para o topo da Coluna do Sul.
  2. Topo das Colunas do Norte e do Sul - O topo da Coluna do Norte é a parte Norte mais distante do equador do templo. É toda a parede setentrional onde se localizam as seis primeiras Colunas Zodiacais, enquanto que o topo da Coluna do Sul, também mais distante do equador em direção ao Sul, é toda a parede meridional onde se encontram as outras seis Colunas Zodiacais.

Nesse contexto, topo da Coluna do Norte não é perto da balaustrada como alguns rituais anacrônicos ainda apregoam.

  1. Lugar do recém-iniciado – No REAA, ao final da cerimônia de iniciação o Mestre de Cerimônias guia o Aprendiz recém-iniciado ao topo do Norte, indicando-lhe o lugar mais próximo da primeira Coluna Zodiacal, a relativa à constelação de Áries (próximo do 1º Vigilante). Como início de jornada, Áries, a 21 de março no hemisfério Norte é quando começa a primavera.

Essa alegoria natural estabelece iniciáticamente o começo da jornada do Iniciado. Desse modo, simbolicamente ele, o iniciado, paulatinamente passará por todas as Colunas Zodiacais – desde a sua Iniciação como Aprendiz, até a sua exaltação como Mestre.

As Colunas Zodiacais marcam no topo do Norte e do Sul (caminho iniciático do maçom) a revolução anual do Sol no seu movimento aparente sob o ponto de vista do hemisfério Norte. Esses estágios correspondem aos ciclos da Natureza e no contexto iniciático da Maçonaria eles representam esotericamente a vida do iniciado.

Graças à essa alegoria é que o recém-iniciado do REAA, no dia da sua Iniciação é levado ao topo do Norte junto a Áries (início da primavera). Enquanto no topo do Norte o iniciado é o Aprendiz que nasceu na primavera (infância) e alcançará verão (Câncer) como adolescente prestes a chegar à juventude.

Quando já na juventude como Companheiro, em Libra na Coluna do Sul, rompe esse ciclo em direção à maturidade (Mestre).

  1. Matérias mais abrangentes a respeito poderão ser encontradas no Blog do Pedro Juk em http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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jukirm@hotmail.com

 

 

JAN/2023

sábado, 21 de janeiro de 2023

ASSUNTO TRANSCORRIDO E ENCERRADO

Em 20.08.2022 o Respeitável Irmão Ricardo Antonio Zarpellon, Loja Libertas, REAA, GLESP (CMSB) Oriente de São Paulo, Capital, faz a seguinte pergunta:

 

ASSUNTO TRANSCORRIDO

 

Mais uma vez solicito auxílio ao seu enorme saber. Objetivamente, a dúvida é a seguinte:

Pode um Irmão colocar uma prancha na bolsa questionando algo que se passou numa sessão na qual não estava presente?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

             Esse é um assunto que não é do meu ofício, pois se trata de algo que envolve questões legais dentro dos regulamentos da Obediência.

Sem que seja uma resposta laudatória, eu particularmente entendo que não deveria, pois se o assunto já fora de fato debatido e encerrado, os ausentes que me perdoem, mas não deveriam mais se envolver.

Conforme a circunstância, cada caso é um caso, e como tal deve ser analisado. Eu não conheço nenhuma regra que proíba alguém de colocar uma coluna gravada na bolsa durante o seu giro. Entretanto, cabe ao Venerável Mestre, se for o caso, deixar alguma coluna gravada sob malhete para dentro do prazo regulamentar analisa-la criteriosamente antes de dar conhecimento à Loja.

Assim, no tocante a se pode ou não colocar uma coluna gravada, eu diria que a coluna gravada em si até pode. Agora, se ela deve ser decifrada é que merece uma análise acurada. Se for assunto vencido, o recomendável é que o Venerável Mestre encaminhe para arquivo.

Com a devida vênia, assunto encerrado é assunto encerrado. Com a palavra o Irmão Orador sobre a legalidade do procedimento.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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JAN/2023