domingo, 15 de maio de 2022

OBRIGATORIEDADE DA BÍBLIA SOBRE O ALTAR - REAA

Em 08.10.2021 o Respeitável Irmão Carlos Alberto de Souza, Loja Harmonia e Concórdia, 4.418, REAA, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, formula a seguinte pergunta:

 

BÍBLIA SOBRE O ALTAR

 

Meu irmão Pedro Juk, caso ocorra de a Bíblia (Livro da Lei) não tenha sido encontrado para a realização de uma sessão, a Loja fica impossibilitada de realizar a sessão? Ou o que poderá ser colocado em substituição no altar dos juramentos para que se realize a sessão?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Nas tradições, usos e costumes da Moderna Maçonaria, sendo inclusive um landmark moderno, uma Loja maçônica é sempre aberta na presença das Três Grandes Luzes Emblemáticas, ou as Luzes Maiores.

Esse conjunto emblemático é geralmente composto pelo Livro da Lei (Bíblia), pelo Esquadro e pelo Compasso.

O Livro da Lei particularmente representa o código de moral e ética do
iniciado, podendo, dependendo da crença do candidato, também estar presente sobre o altar o Livro da Lei correspondente à fé que ele professa. Por exemplo: o Corão para os Muçulmanos, a Torá para o judaísmo, os Vedas para o hinduísmo, o etc.

No caso do REAA, no ritual de Aprendiz do GOB em vigência, página 17, final do 2º parágrafo consta:

(...) em cima da qual ficam: o L da L (a Bíblia Sagrada), um Esquadro e um Compasso.

Ainda na mesma página do mesmo ritual, parágrafo seguinte, (explicativo) consta em negrito:

(A Bíblia Sagrada é o L da L de uso nas Lojas que praticam o REAA, no entanto, o iniciado ou o Maçom tem o direito de prestar os Juramentos que a Ordem exige, sobre o Livro Sagrado da sua crença. Nesse caso, no momento do compromisso, poderá ser usado outro Livro Sagrado, sem que a Bíblia seja retirada do Altar) – o grifo é meu.

Desse modo, respondendo a sua questão, a presença da Bíblia é obrigatória em qualquer situação. Note que outro Livro da Lei pode ficar sobre o altar para o compromisso, contudo não substitui o trio emblemático.

Em síntese, nessa condição, sem a presença da Bíblia como volume da Lei Sagrada no trio emblemático não existe possibilidade de se abrir a Loja.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

MAIO/2022

sexta-feira, 6 de maio de 2022

REAA - FORMA DE SE TRANSMITIR A PALAVRA NA LITURGIA DE ABERTURA E ENCERRAMENTO

Em 04.10.2021 o Respeitável Irmão Carlos Henrique Silva Oliveira, Loja Aliança Fraternal, 3.779, REAA, GOB-SP, Oriente de Santos, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

 

TRANSMISSÃO DA PALAVRA NA LITURGIA DE ABERTURA.

 

Venho por meio desta solicitar, que esclareça uma dúvida em relação a compreensão textual sobre a transmissão da palavra sagrada do grau de Aprendiz.

1) Temos que sussurrar a palavra por inteiro (sem soletrar) e depois repeti-la soletrando-a?

2) Só sussurrar a palavra somente soletrada?

3) Primeiro sussurrar de forma soletrada e depois repeti-la silabada?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Essas explicações encontram-se no SOR - Sistema de Orientação Ritualística hospedado na plataforma do GOB-RITUALÍSTICA. Vale mencionar que as orientações contidas no SOR são para aplicação imediata sobre os rituais do GOB que estão em vigência desde 2009.

Esse sistema de orientação (SOR) está no site oficial do GOB e é amparado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral publicado no Boletim Oficial do GOB em outubro de 2019.

A despeito disso, no tocante aos procedimentos propriamente ditos, na liturgia da transmissão da palavra para a abertura e o encerramento dos trabalhos de Aprendiz, o transmissor da palavra a comunica de modo sussurrado, letra por letra no ouvido do coadjuvante. Isto é, a dá soletrada, mas sem a troca das letras entre os interlocutores como geralmente ocorre em um telhamento.

Esse procedimento ritualístico (abertura e encerramento) que se dá entre os Diáconos e as Luzes da Loja não é um exame para se verificar a qualidade de um maçom (telhamento), é porém uma simples transmissão que ocorre entre Mestres Maçons, cujo desiderato é reviver antigos costumes operativos que ocorriam no canteiro (hoje Loja) quando do esquadrejamento dos cantos, do nivelamento e da aprumada da obra.

Assim, especulativamente, substituindo o velho costume dos canteiros de ofício medievais, atualmente no REAA transmite-se na ocasião a palavra sagrada do grau de modo sussurrado (sigiloso) por inteiro e, no caso de Loja de Aprendiz, letra por letra, mas sem intermitência de troca de letras entre os interlocutores tal como quando ocorre em um telhamento (exame de um maçom).

De tudo, é de boa geometria que o maçom compreenda desde cedo o significado das passagens ritualísticas emanadas do ritual. Em resumo, saber o que está se fazendo. Na liturgia e ritualística maçônica, muitas coisas que parecem possuir o mesmo sentido, na verdade têm significados distintos.

Vale também lembrar que no Grau de Aprendiz, a palavra sagrada é dada sussurrada "soletrada", independente da ocasião em que ela possa ocorrer, ou seja, tanto na transmissão para abertura e encerramento dos trabalhos, assim como quando indagada e proferida em um telhamento com o objetivo de se reconhecer a qualidade de um maçom.

No grau de Aprendiz a diferença é a de que no telhamento os dois protagonistas trocam entre si as letras da palavra (quem pede sempre é quem dá a primeira letra), enquanto que na transmissão para abertura e encerramento não há troca de letras, pois o transmissor, nessa oportunidade, a dá na forma de costume, isto é, inteira e soletrada, e no ouvido direito do receptor.

Outro aspecto importante a se observar é o de que no grau de Aprendiz não existe
mais ao final da transmissão, em qualquer das ocasiões, a equivocada repetição por sílabas entre os coadjuvantes. Destaque-se que essa correção e orientação se encontra no SOR desde 2019, portanto o ato de no 1º Grau se repetir silabada a palavra que simbolicamente só pode ser soletrada não deve mais ser praticado no REAA.

Isso se explica no simbolismo maçônico porque iniciaticamente o Aprendiz, simulando o início da jornada de aprimoramento, representa a infância. Desse modo, ainda ofuscado pela Luz, o Aprendiz só sabe "soletrar", não fazendo, portanto, nenhum sentido de que nessa representação emblemática o iniciado venha pronunciar por “sílabas” uma palavra que, na sua condição iniciática, só lhe é permitido “soletrar”.

Diferente do Aprendiz, o Companheiro, por ser iniciaticamente mais evoluído, já sabe pronunciar por sílabas a palavra, enquanto que o Mestre, experiente, por dominar a escrita e a leitura, pode perfeitamente pronunciar a palavra com naturalidade. Ora, em termos iniciáticos isso é ponto pacífico na doutrina do REAA, pois essa alegoria tem o desiderato de demonstrar exatamente a evolução do obreiro na senda do aperfeiçoamento.

Concluindo essas considerações, a alegoria da transmissão da palavra para a abertura e encerramento se inicia no grau de Aprendiz com o Venerável Mestre dando, letra por letra, sussurrada e por inteira no ouvido do 1º Diácono, a palavra sagrada do 1º Grau: B, -, -, -. Apenas isso, sem interlocução e sem silabá-la no final. E assim procede-se sucessivamente até que a palavra tenha alcançado o 2º Vigilante para ele então declará-la J e P.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

MAIO/2022

quarta-feira, 4 de maio de 2022

LUZES DA LOJA, ORADOR E SECRETÁRIO. FALAM EM PÉ OU SENTADOS?

Em 04.10.2021 o Respeitável Irmão Wellington Valeriano da Cruz, Loja Missionários da Luz, 4.693, REAA, Oriente de Porto Nacional, Loja Luz Pioneira de Palmas, 2.590, REAA, Oriente de Palmas, e Loja Mestre Adonhiramita, 4.526, Rito Adonhiramita, Oriente de Palmas, todas do, GOB-TO, Estado de Tocantins, apresenta a seguinte dúvida:

 

FALA EM PÉ OU SENTADO?

 

Surgiu uma dúvida em nosso Oriente se o Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes pode na Ordem do Dia falar sentado ou em pé de acordo com sua vontade. Desde já agradeço vossa resposta e seu belo trabalho em prol da Maçonaria.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

No REAA a praxe é a de que o Venerável Mestre, o Orador, o Secretário (no Oriente) e os Vigilantes (no Ocidente) falem sentados, salvo quando o ritual exarar procedimento contrário nesse sentido.

A bem da verdade e no rigor da tradição ritualística do REAA por conta das hoje extintas Lojas Capitulares, a todos do Oriente é permitido que falem sentados, contudo, atualmente, a maneira consagrada é a de que fora o Venerável Mestre, o Orador e o Secretário (que podem falar sentados no Oriente), os demais do quadrante oriental falem geralmente em pé, isto é, à Ordem. No Ocidente, exceto os Vigilantes, todos impreterivelmente, falam à Ordem.

Nesse particular há algumas regras ritualísticas a serem observadas. Por exemplo, caso o titular que tem o direito a falar sentado, mas por deferência resolva falar em pé, então ele deve ficar à Ordem, isto é, com o corpo ereto, pés em esquadria na forma de costume e o Sinal de Ordem composto. Quem estiver à Ordem usando da palavra, ao concluí-la desfaz o sinal pelo Sinal Penal do grau e retoma o seu assento (isso não é saudação).

No que diz respeito às Luzes da Loja, se essas preferirem falar em pé, então deixam os seus malhetes e compõem normalmente o Sinal de Ordem, ou seja, com a mão, ou as mãos, se for o caso.

Apenas a título de esclarecimento, o Tesoureiro e o Chanceler não têm a prerrogativa, como a dos Vigilantes, de falarem sentados.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

MAIO/2022

domingo, 1 de maio de 2022

USO DA PALAVRA FORA DO SEU LUGAR

Em 01/10/2021 o Respeitável Irmão Cássio William da Costa, Loja Vigilantes de Contagem, 3.227, REAA, GOB-MG, Oriente de Contagem, Estado de Minas Gerais, formula a seguinte pergunta:

 

USO DA PALAVRA

 

Estou com uma dúvida que é a seguinte: na reunião de quarta-feira estava de Mestre de Cerimônias sendo assim quando chegou a palavra a bem e da ordem e do quadro em geral, como não estava na coluna do Sul e nem do Norte, fui para o Oriente e pedi para falar e o Venerável Mestre disse que já havia passado da minha coluna e não teria o direito de falar mais, creio eu que o cargo me dá essa liberdade de falar em ambas as colunas e também no Oriente. Talvez meu erro tenha sido assentar para esperar que os irmãos no Oriente acabassem a fala. Gostaria de sua orientação a respeito do fato e se possível, se tiver algum material a respeito para orientar e enviar.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

No que diz respeito ao REAA, o Mestre de Cerimônias é o oficial que não precisa pedir permissão para circular em Loja para atender o seu ofício. Contudo isso não lhe dá o direito de mudar de uma para outra Coluna, ou ir ao Oriente, para usar da palavra pela primeira vez ou mesmo repetí-la.

Em geral, a regra determina que qualquer obreiro usando a palavra o faça do seu lugar em Loja e não fora dele. A exceção só em casos previstos no ritual, ou que esporadicamente possam determinar atitudes contrárias.

Nesse sentido, a atitude do Venerável Mestre, conforme a sua explanação, está corretíssima, pois para o bem da liturgia, não é admissível a prática de simplesmente se mudar de lugar para fazer uso da palavra.

Nesse sentido, é recomendável a atenção do obreiro que quiser fazer uso da palavra, isto é, ele só usa da palavra quando a mesma estiver liberada pelo Vigilante da sua
Coluna, ou pelo Venerável Mestre se o caso se der no Oriente.

Em vista disso, não existe privilégio a nenhum detentor de cargo de ofício, ou mesmo a uma autoridade, que o autorize a mudar de lugar na intenção de fazer uso da palavra (pela primeira vez ou repetidamente).

Nesse particular, chamo a atenção para o que diz o Venerável Mestre quando declara a Loja aberta - página 51 do Ritual de Aprendiz do REAA em vigência: “(...). Desde agora a nenhum Ir (o grifo é meu) é permitido falar ou passar para outra Col, sem obter permissão, nem se ocupar de assuntos proibidos pelas nossas leis”.

É verdade, porém, que a critério do Venerável Mestre a palavra casualmente até possa voltar a fazer o giro, contudo, somente a juízo dele.

Nesse caso o obreiro, na forma de costume, pede a palavra novamente ao Vigilante da sua Coluna que, por sua vez, comunica o pedido ao Venerável Mestre. Se ele achar por bem autorizar, a palavra será recolocada novamente nas Colunas, mas em qualquer circunstância faz novamente o giro completo, não importando onde esteja aquele que solicitou novamente a palavra, isto é, recomeça na Coluna do Sul concedia pelo 2º Vigilante. Assim segue até concluir o giro no Oriente.

Em nome do ordenamento litúrgico, não é recomendável que o Venerável Mestre corriqueiramente autorize o retorno da palavra, pois isso pode se tornar corrente e prejudicar o andamento da ritualística maçônica com atitudes de repetição por aqueles que se acham também no direito.

Assim, recomenda-se atenção àqueles que pretendem usar a palavra para que o façam no momento adequado e não tentem burlar a liturgia com atitudes equivocadas.

Ao concluir destaco que é um direito regimental do Venerável Mestre conceder ou retirar a palavra – RGF, Art. 116, XI.

 

 

PEDRO JUK

Secretário Geral de Orientação Ritualística do GOB

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

ABRIL/2022

quarta-feira, 27 de abril de 2022

INSTALAÇÃO E O USO DE PARAMENTOS PELO MESTRE INSTALADO

Em 01/10/2021 o Respeitável Irmão Carlos dos Santos Pinheiro, Loja Fraternidade de Santos, 132, GOB-SP, REAA, Oriente de Santos, Estado de São Paulo, faz a seguinte pergunta:

 

INSTALAÇÃO

 

Peço novamente ajuda ao seu vasto conhecimento no sentido de esclarecimento de uma dúvida. Se eu pertencer a duas Lojas em ritos diferentes e for instalado em um desses ritos. No final da veneralato, seria "Past Master" nos dois ritos?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Sim, será um Mestre Maçom Instalado em qualquer rito.

Em que pese a cerimônia de instalação ser uma cerimônia original da Maçonaria Inglesa e não na Francesa, no Brasil, onde a Maçonaria é filha espiritual da França, o costume de instalação à moda esotérica acabou com o tempo se consagrando consuetudinariamente e hoje é uma realidade, tanto no GOB (desde 1968), como nas Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e também nos Grandes Orientes Independentes (COMAB).

O REAA, rito de origem francesa, mas com inegável influência anglo-saxônica no seu simbolismo, no Brasil acabou adquirindo, de modo generalizado, a pratica da Instalação
do Venerável Mestre, por conseguinte, a adoção do título distintivo de Mestre Instalado;

Destaque-se que Mestre Instalado não é grau iniciático maçônico, porém um título honorífico.

Originalmente, na França instalação significa simplesmente a posse de um Irmão que fora eleito para o veneralato de uma Loja. Após ter cumprido a sua missão pelo tempo regimental, ele passa a ser um “Ex-Venerável”, ou ainda um “Ex-Venerável Mestre mais recente” (aquele que deixou recentemente o veneralato).

Registre-se, contudo, que embora não original é possível se encontrar na França, mais precisamente na Grande Loja Nacional Francesa, instalação à moda inglesa. Provavelmente para se adequar às questões de reconhecimento da Maçonaria Inglesa só para aquela Obediência francesa.

Em linhas gerais, os títulos distintivos de Past Master, e Imediated Past Master são mais comuns na Maçonaria inglesa e não na francesa. Na Inglaterra não é comum a denominação de “Mestre Instalado”, porém de “Mestre Passado” ou o “Mestre Passado Imediato”.

Vale mencionar que a Maçonaria Brasileira é filha espiritual da França, mas mesmo assim no Brasil ainda encontramos, em algumas Obediências, o costume de se tratar o ex-Venerável mais recente por Past Master. Em resumo, uma salada à moda “tupiniquim”.

Dito isto, em face à generalização da prática de instalação como a que ocorre por aqui, independente do rito, um Venerável Mestre que acabou de deixar o veneralato é o “Ex-Venerável mais recente” ou mais comumente conhecido como “Mestre Instalado mais recente”. Por fim ele passa a ser o “Mestre Maçom Instalado”, ou simplesmente o “Mestre Instalado”.

Assim, não importando o rito em que o maçom possa ter sido porventura instalado, daí em diante ele ficará ad aeternum conhecido como Mestre Instalado, tendo, com isso, os seus próprios paramentos (avental, colar e joia), assim como assento no Oriente da Loja.

No caso dele, como Mestre Maçom Instalado pertencer a mais de uma Loja com ritos diferentes, recomenda-se que como membro dos respectivos quadros dessas Lojas, não como visitante, use os paramentos de Mestre Instalado inerentes ao rito praticado pela Loja em que ele é membro e nela esteja presente.

Essa observação se faz oportuna porque as alfaias do Mestre Instalado muitas vezes podem apresentar diferentes configurações conforme o Rito. Já, se o caso for apenas de um Mestre Maçom Instalado em visita, então ele usa os paramentos de um Mestre Instalado (não importa o rito).

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

ABRIL/2022

terça-feira, 26 de abril de 2022

VIGILANTES FALAM EM PÉ OU SENTADOS?

Em 30.09.2021 o Respeitável Irmão Victor Hugo P. de Oliveira, Loja Verdade, União e Vitória, 2.122, REAA, GOB-MG, Oriente de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais.

 

EM PÉ OU SENTADO?

 

Inicialmente, gostaria de parabenizá-lo pelo nobre trabalho prestado à Ordem. Sempre acompanho o seu blog, pois as suas respostas às dúvidas submetidas à vossa análise, são sempre muito esclarecedoras e enriquecedoras.

Tomei a liberdade de lhe enviar esse e-mail, com um pedido de esclarecimento à uma
questão surgida durante nossos trabalhos.

Pois bem. A dúvida é a seguinte:

Os Vigilantes possuem a prerrogativa de se manifestarem/falarem para os obreiros em loja, especialmente no momento da palavra a bem da ordem e do quadro em particular ou mesmo nas demais deliberações travadas durante a sessão, sentados em suas cátedras, ou devem se levantar e ficar de pé com o sinal de ordem em tais momentos?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Os Vigilantes, por constituírem, junto com Venerável Mestre as Luzes da Loja, são os únicos que têm prerrogativa de falar sentado no Ocidente, salvo nas oportunidades em que o ritual preconizar o contrário.

Entretanto, se por deferência um Vigilante resolver falar em pé em Loja aberta, ele então deixa o seu malhete sobre a cátedra e se coloca à Ordem, isto é, fazendo o Sinal normalmente com a mão, ou mãos conforme o caso e na forma de costume.

Mesmo quando o ritual determinar que os Vigilantes fiquem em pé e a Loja estiver aberta, eles ficam à Ordem compondo o Sinal normalmente com a mão, ou mãos se for o caso. Essa regra se aplica também ao Venerável Mestre.

O SOR - Sistema de Orientação Ritualística do GOB RITUALÍSTICA, Decreto 1784/2019 orienta para um único caso em que o 1º Vigilante se coloca em pé com o malhete pousado no lado esquerdo do seu peito (isso não é Sinal). Esse fato ocorre quando o 1º Vigilante, em Loja do 1º Grau do REAA, cumpre a sua segunda obrigação de ofício, ou seja, verificar se todos os presentes no Ocidente são maçons.

No caso acima ele se coloca em pé empunhando o seu malhete a rigor para que hipoteticamente não seja revelado aos examinados o Sinal que é o objeto do exame. Nesse caso ele, o 1º Vigilante, se mantém empunhando o malhete a rigor. Vale mencionar que o 2º Vigilante, nessa oportunidade, também deixa o seu malhete e se coloca à Ordem como os demais examinados. No Oriente todos permanecem sentados porque ali não se processa o telhamento.

Vale também lembrar que o Tesoureiro e o Chanceler em Loja aberta falam em pé, portanto à Ordem. Alguns confundem procedimentos porque esses oficiais, que equivocadamente o GOB os trata por Dignidades, ocupam cátedras, todavia isso nada tem a ver com o falar em pé ou sentado.

Concluindo, reitera-se que no Ocidente da Loja os únicos que têm o direito de falar sentados são apenas os Vigilantes. Corretamente, o Tesoureiro e o Chanceler fazem parte dos cargos eletivos e não das Dignidades. Originalmente no REAA as Dignidades de uma Loja são cinco, ou seja, as três Luzes da Loja mais o Orador e o Secretário.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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ABR/2022

segunda-feira, 25 de abril de 2022

RUÍDOS QUE SIMULAM TROVÕES NA 1ª VIAGEM

Em 27/09/2021 o Respeitável Irmão Roberto Matsumoto, Loja Estrela da Praia Grande, Rito Moderno, GOB-SP, Oriente de Santos, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

 

TROVÃO DA 1ª VIAGEM

 

Já nos falamos pelo WhatsApp, estou fazendo um trabalho de pesquisa. Gostaria de saber, no REAA, com relação a sessão de iniciação, qual o significado da música imitando o trovão tocada na 1a viagem? Tem alguma explicação esotérica? Ou somente por se tratar de um elemento do AR?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Nas provas pelos elementos, no caso os quatro elementos alquímicos, terra, ar, água e fogo[i] - uma particularidade iniciática do REAA - a alegoria do trovão se associa às tempestades e o movimento revolto e incontrolado do Ar. Nesse sentido, os sons relativos aos trovões se reportam ao caos, elemento natural no princípio das causas e das coisas.

Em linhas gerais, essa alegoria no contexto da 1ª viagem se associa ao começo da senda do iniciado; a infância e o seu guia, onde a criança, incapaz ainda de se dirigir por si só, diante dos obstáculos que se apresentam nessa etapa da vida, é carente de amparo e cuidados iniciais. O guia é o Mestre e a família a Maçonaria.

Nessa conjuntura, os trovões advertem para a presença de obstáculos, tão


naturais no caminho daqueles que buscam conhecimento e progressos. Os obstáculos devem ser superados. A sinuosidade do caminho alerta para as dificuldades que devem ser suplantadas até que se alcance do objetivo.

No caráter coletivo da alegoria, essa infância também simboliza o princípio da humanidade onde os homens primitivos eram conduzidos conforme as circunstâncias e agruras da Natureza. De certo modo sugere as etapas a serem vencidas por aqueles que buscam aperfeiçoamento.

Desse modo, as provas dos elementos alquímicos, no REAA recomenda a transformação e o progresso do indivíduo e de uma coletividade.

No contexto iniciático do REAA o elemento Terra é a própria câmara de reflexão. É o emblema das entranhas da Terra. É o berço da transformação, ou seja, nela a semente é fecundada para que ocorra o início de uma nova vida (néo = novo; fiton = planta: neófito). O elemento Ar é representado na 1ª Viagem através do ruído das tempestades e dos trovões. Se reporta à etapa inicial da jornada; a infância e a adolescência. O elemento Água vem representado na 2ª Viagem e simula a juventude e a força da produção. Por fim a 3ª Viagem e o elemento Fogo como artifício de transformação e purificação.

Toda essa estrutura iniciática se conjumina com os ciclos da Natureza, o que de certo modo lembra o renascimento na primavera e morte no inverno (quando a Terra fica viúva da Luz). Assim, se bem compreendida a Arte, a máxima iniciática da morte e da ressureição da Luz é representada emblematicamente pelas Colunas Zodiacais – os ciclos das estações do ano.

Destaque-se que esse corolário emblemático é próprio do REAA, não cabendo essas interpretações em ritos que não admitem essa simbologia solar.

Por fim, conclui-se que o ruído dos trovões (simulação de tempestade e obstáculos) na 1ª Viagem é símbolo do Ar em movimento e as suas consequências na conjuntura iniciática.

E.T. – Assevera-se que essa não é matéria iniciática para o Rito Moderno, mas para o REAA.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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ABR/2022



[i] Os alquimistas acreditavam que existiam quatro elementos básicos (terra, ar, água e fogo). Segundo eles, os metais evoluem a um grau de pureza ao ponto de se tornar ouro. Graças a essa interpretação, os alquimistas procuravam uma maneira de acelerar este processo em laboratório por meio de experimentos com os quatro elementos. Em síntese era a busca de purificação ou a transformação do vil metal em ouro. Como exemplo iniciático, na Maçonaria é o símbolo oculto da busca da purificação espiritual, ou seja, a Obra so Sol, ou a transformação em ouro espiritual (simbologia alquímica da Câmara de Reflexão estudada no 2º Grau).