quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

TRANSMISSÃO DA PALAVRA SAGRADA - IDA E VOLTA?


Consulta feita à minha pessoa através da Secretaria de Orientação Ritualística em dezembro de 2018 por um Respeitável Irmão pertencente a uma Loja praticante do REAA, GOB.

TRANSMISSÃO DA PALAVRA.

 
Qual o motivo de no Rito Escocês a Palavra Sagrada ser enviada duas vezes por ocasião dos trabalhos pelo Venerável Mestre, inclusive antes de solicitar ao Primeiro Vigilante para fechar a Loja, sem que a mesma tenha retornado ao Venerável Mestre, pois a Palavra já estava com o Primeiro Vigilante.

RESPOSTA:

Não se trata da palavra "ir" e "voltar", mas de dois procedimentos distintos como se explica a seguir:
Na abertura sua transmissão significa que, em sendo ela comunicada corretamente, então tudo está preparado justo e apto para que os trabalhos se iniciem regularmente. Já ao final, essa mesma transmissão, se estiver sido comunicada a contento, ela representa alegoricamente que houve proveito dos trabalhos realizados pela Loja.
Há que se entender que nos trabalhos litúrgicos de uma Loja especulativa o objetivo principal é o de moldar o homem de acordo com as exigências da Arte. Para falar a verdade, esse costume rememora as práticas operativas do passado quando antes do início dos trabalhos (abertura da Loja) os cantos da construção eram por primeiro aprumados e nivelados (preparados) para a elevação das paredes. Concluída aquela etapa do trabalho (encerramento) conferia-se por fim se o serviço houvera transcorrido nos conformes. Em assim sendo, os obreiros eram merecidamente recompensados com o salário e despedidos contentes e satisfeitos.
É essa a origem simbólica do termo "justo e perfeito" na Maçonaria Especulativa. Ratifico: nada disso representa ida e volta da palavra, pois sempre é do Venerável a emblemática iniciativa de mandar conferir o serviço, tanto no seu início como no seu final, isto é, esse ato litúrgico sempre se inicia por ele.
Nesse sentido, a Maçonaria Especulativa, particularmente no REAA, rememora essa prática utilizando-se simbolicamente da transmissão de uma palavra que, estando ela "justa e perfeita" representa que todos estão aptos para o exercício do seu ofício no canteiro especulativo (Loja). Do mesmo modo, ao encerramento a Loja só será regularmente fechada se a transmissão dessa palavra tiver se dado de maneira satisfatória, isto é, "justa e perfeita". Isso pode ser perfeitamente conferido em se observado o ritual onde o mesmo menciona a ritualística da abertura e do encerramento dos trabalhos.
Mais explicações a respeito poderão ser encontradas no Blog do Pedro Juk em Perguntas e Respostas - http://pedro-juk.blogspot.com.br


T.F.A.

PEDRO JUK

DEZ/2018

sábado, 8 de dezembro de 2018

NÚMERO DE CANDIDATOS NA INICIÇÃO


Em 16/09/2018 o Respeitável Irmão Arilton Barreiros Souza, Loja Cidade Azul, 2.779, REAA, GOB-SC, Oriente de Tubarão, Estado de Santa Catarina, apresenta a seguinte questão:

NÚMERO DE CANDIDATOS


Bom dia. Gostaria de saber sua opinião sobre uma loja fazer 3 iniciações em um ano com 14, 8 e 10 profanos.

CONSIDERAÇÕES.

Dentre outras coisas, eu acho um desrespeito ao Ritual e às recomendações do GOB.
Nesse particular, menciona o ritual em vigência do REAA\ (rito pertinente à questão) na sua página 95 e segundo parágrafo: “Recomenda-se não iniciar mais de três candidatos em uma única Sessão Magna, sendo o ideal um só candidato, dada a importância para o nascimento do Maçom (o grifo é meu).
Provavelmente as Lojas que desrespeitam essa recomendação não estão lá muito preocupadas com a importância que merece o nascimento de um maçom. Iniciações feitas a granel são dignas mesmo é de serem comparadas com um mercado de peixe.
Preferencialmente a Iniciação, para ser vivida e sentida, deveria ser realizada individualmente, entretanto, em se procurando adequações para os tempos modernos, o ritual admite até três candidatos de uma só vez, não mais do que isso. Agora, extrapolar ao recomendado é, no meu modo de entender, fazer pouco caso para com uma data tão importante para a Sublime Instituição – o dia de uma Iniciação.
Como nos parece que sugestões e recomendações não são às vezes levadas a sério por parte de alguns, eu penso que a Obediência deveria então não receber comunicações de Iniciação quando essas ultrapassassem ao que está recomendado no ritual. Aliás, até para não parecer conivente com esses “mercados de peixe”, acredito que a Obediência nem deveria expedir autorizações para Iniciação além do número recomendado, sujeitando-se à expedição de outras autorizações (placet) somente na medida em que as cerimônias pertinentes fossem sendo realizadas – nesse caso, não mais do que três por cada Sessão Magna.
Por entender que a liturgia iniciática deve ser antes de tudo respeitada, e por também entender que em Maçonaria quantidade não traz a qualidade, essa é a minha opinião.

T.F.A.

PEDRO JUK

DEZ/2018

TRATAMENTO - CARGO QUE NÃO CONSTA


Em 12/09/2018 o Respeitável Irmão Geraldo O. Fagundes, Loja Vigilantes do Araxá, 2.429, REAA, GOB-MG, Oriente de Araxá, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

TRATAMENTO


Pode me orientar com esse assunto?
Sou do GOB e gostaria de saber qual o tratamento correto ao cumprimentar um irmão Coordenador Regional do GOB. Devo trata-lo de Venerável Irmão ou Poderoso Irmão?

CONSIDERAÇÕES.

Conforme menciona o Art. 219, § 2º do Regulamento Geral da Federação e Incisos correspondentes, o cargo de Coordenador Regional do GOB não se faz presente no rol. Nesse sentido não há como enquadrá-lo no Artigo 220 do mesmo Regulamento que trata do tratamento das autoridades ali mencionadas.
Destaco, entretanto, que no Inciso VII, § 2º do Art. 219 está escrito o seguinte: “os demais serão tratados indistintamente como irmãos e recebidos no momento previsto no Ritual”. Assim, em se tratando do que menciona esse Inciso, parece que não cabe ao Coordenador Regional ser tratado por Venerável Irmão ou Poderoso Irmão, senão apenas como Irmão.
Nesse sentido, entendo que os legisladores maçônicos é que deveriam se debruçar sobre essa questão.


T.F.A.

PEDRO JUK

DEZ/2018

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

ILHARGA - SIGNIFICADO NA MAÇONARIA


Em 12/09/2018 o Respeitável Irmão Marcelo Tiethböhl Guazzelli, Loja Fraternidade VII, REAA, GORGS (COMAB), Oriente de Caxias do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, solicita esclarecimento para o que segue:

ILHARGA


Em visita a uma Loja que pratica o Ritual de Emulação (GOB) os irmãos estavam falando sobre o ato de bater na "ilharga" como forma de demonstrar contentamento ou parabenizar algum Irmão por trabalho apresentado. Pesquisando, encontrei definição de "ilharga" como: "substantivo feminino 1. no homem, cada um dos lados do corpo, dos quadris aos ombros 2. qualquer dos lados do corpo humano".
No decorrer da sessão os Irmãos passaram a bater com a mão direita na coxa direita, sobre o avental com o intuito de parabenizar ou demonstrar satisfação.
Pergunto: esse procedimento é documentado ou comum nesse ritual? O correto é bater sobre a coxa?
No aguardo de seus comentários.

COMENTÁRIOS.

Ilharga” é um substantivo feminino que designa: “partes laterais e inferiores do baixo-ventre”. Menciona também o que se chama de flanco.
Na realidade em Maçonaria essa era uma atitude comum, embora atualmente muito pouco utilizada nos rituais, que os obreiros faziam (por um gesto) para demonstrar o seu contentamento, o que faziam dando com a sua mão direita espalmada uma pancada sobre o avental na altura da coxa, logo abaixo do quadril direito.
Longe de ser um costume vulgarizado, como depois chegou a ser, o ato de se bater sobre o avental era comum apenas num determinado momento ritualístico, oportunidade em que os obreiros, dessa forma, demonstravam seu contentamento por terem recebido o salário justo e merecido alcançado pela jornada de trabalho que acabava de se encerrar. Assim, eles eram despedidos e partiam contentes e satisfeitos.
De modo ritualístico, isso se dava especificamente na liturgia do encerramento dos trabalhos quando o Venerável Mestre perguntava ao Primeiro Vigilante se os obreiros estavam realmente satisfeitos. Como que a responder a pergunta e confirmando o contentamento, todos, de modo uníssono, batiam energicamente e na forma de costume sobre os seus respectivos aventais.
Atualmente a maioria dos ritos e seus respectivos rituais não mais trazem a pergunta do Venerável: “e eles estão satisfeitos?”, restringindo-se a dialética ritualística apenas à declaração do Primeiro Vigilante informando que uma das suas obrigações, antes de fechar a Loja, é a de despedir os obreiros contentes e satisfeitos. Assim, pela inexistência da pergunta do Venerável, presentemente ninguém mais bate sobre o avental para demostrar contentamento.
Geralmente, muitas práticas caem em desuso porque perdem a sua função e o seu sentido. No caso da manifestação de contentamento, por exemplo, a mesma passou a ser equivocadamente utilizada noutras ocasiões, chegando à mesma até ser confundida como fosse ela uma espécie de “sinal maçônico”, o que verdadeiramente a mesma nunca foi.
Assim, a manifestação de contentamento, propícia a um momento específico da liturgia maçônica, acabou se vulgarizado ao ponto de ser utilizada equivocadamente como uma espécie de aplauso àqueles que usavam a palavra, ou mesmo após a apresentação de uma peça de arquitetura. No rastro disso é que vieram os absurdos das “castanholas” (estalar com os dedos) e, quando não, ainda o famigerado costume de se arrastar dos pés no chão.
Foi dado ao desvio de utilidade ocorrido com o gesto de contentamento proporcionado pelo bater no flanco da coxa direita sobre o avental é que os rituais paulatinamente foram retirando essa prática dos seus conteúdos. Afinal, a criação desse gesto foi para simbolizar o contentamento dos obreiros pela jornada de trabalho e não para aplaudir aleatoriamente manifestações em Loja e nem para agraciar apresentações de peças de arquitetura – maçom não precisa de massagem no seu “ego”.
Faz-se então oportuno mencionar que, a despeito disso, o ritual em vigência do Rito de York (Emulação) do GOB não traz no seu conteúdo o costume de se bater sobre o avental como gesto de contentamento. Nesse sentido, o que o Irmão relata na sua questão, nada mais é do que uma invenção da Loja visitada, ao que a mesma está discutindo uma prática que não está prevista no ritual e muito menos com o título de “ilharga” (sic). Isso certamente será comunicado ao meu Secretário Geral Adjunto para o Rito de York, Eminente Irmão Joselito Romualdo Hencotte, que dará orientações satisfatórias à Loja que não está cumprindo o ritual.
Concluindo, a nossa ideia e maneira de responder as questões será sempre essa. Nosso objetivo não é simplesmente o de dizer se o fato existe ou não existe, porém antes, é o de dar explicações dos “porquês” dos fatos.


T.F.A.
PEDRO JUK


DEZ/2018


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

GRÃO-MESTRE DESPARAMENTADO E ORADOR FALANDO SENTADO


Em 05/09/2018 o Respeitável Irmão Jones Mora, Loja Pedro Bianco, 15, REAA, COMAB, Oriente e Estado do Rio de Janeiro, solicita esclarecimento para o que segue:

GRÃO-MESTRE E ORADOR


Gostaria de saber se o Sereníssimo Grão-Mestre ao visitar a sua Loja Mãe e colocar o avental de Mestre Instalado será recebido como membro da Loja ou deverá ser formado uma comitiva para recebê-lo como Grão-Mestre?
O Irmão Orador falará sentado, e, em pé como membro do quadro ou sempre falará sentado, pois ele é o Orador da Loja?

CONSIDERAÇÕES.

Um Grão-Mestre, por óbvio foi revestido no cargo para em qualquer situação ser o dirigente maior na sua Obediência. Em assim sendo, um Grão-Mestre, mesmo que visitando a sua Loja (mãe) deve estar revestido com os paramentos correspondentes ao seu cargo, ou seja, para o qual ele foi constituído (consagrado).
Assim, me parece que seria inapropriado que um Grão-Mestre em exercício comparecesse a uma Loja da sua jurisdição sem estar devidamente paramentando como tal.
Quanto ao protocolo da sua recepção, salvo se ele o dispensar, o mesmo sempre será recebido conforme preceitua o Protocolo de Recepção de Autoridades Maçônicas ou dos Portadores de Títulos de Recompensa. Assim, o Grão-Mestre será recebido com as formalidades que lhe são de direito.
Não vou nem comentar a hipótese de que um Grão-Mestre em Loja não esteja vestido com seus paramentos apropriados. Entendo que essa é uma ocorrência inapropriada e nem merece comentários, pois seria inadmissível que o dirigente maior de uma Obediência se apresentasse aos trabalhos de uma Loja sem estar devidamente paramentado como tal.
Quanto à sua questão sobre Orador falar sentado durante os trabalhos, posso lhe afirmar que consuetudinariamente essa é uma prerrogativa sua por ser ele uma das Dignidades da Loja e também por ocupar lugar no Oriente. Assim, salvo se o ritual determinar o contrário em certos momentos, ele fala sentado. Entretanto, se por alguma deferência ele resolver falar em pé (o que lhe é facultado de direito), então ele fala à Ordem.
Nesse sentido, o Orador na sua Loja, salvo em situação como a acima exposta, tanto falando como membro do Quadro, ou como Dignidade da Loja, falará sentado.


T.F.A.


PEDRO JUK


DEZ/2018

domingo, 2 de dezembro de 2018

OBREIROS EM RECREAÇÃO


Em 04.09.2018 o Respeitável Irmão Marcos Vinicius Tavares Oliveira, Secretário Estadual de Orientação Ritualística do GOB-SE, Oriente de Aracajú, Estado de Sergipe, apresenta a questão seguinte:

OBREIROS EM RECREAÇÃO

No Ritual do REAA de 1804 lemos o que diz o Segundo Vigilante quando inquirido pelo Venerável Mestre na abertura dos trabalhos. “Para melhor observar o sol em
seu meridiano, chamar os obreiros do trabalho à recreação, chamá-los de volta da recreação ao trabalho, a fim de que ao Venerável resulte honra e proveito”.
Dessa forma vemos que no REAA é possível colocar a Loja "em recreação" durante, por exemplo, o momento de numa iniciação quando os candidatos vão se recompor no Átrio da Loja... Estou correto nisso?
Caso afirmativo, entendo que isso não caracteriza o que hoje ouvimos dos Veneráveis Mestres: "meus Irmãos os trabalhos estão suspensos", e sim que o Venerável Mestre deve pedir ao 2° Vigilante para cumprir seu dever de Oficio e por a Loja em Recreação... Concordas?

CONSIDERAÇÕES.

Sem dúvida meu Irmão, essa seria forma correta, mas infelizmente muitos costumes tradicionais acabaram sendo abandonados e perdidos. Ou em nome da preguiça, ou mesmo em nome do próprio desconhecimento de causa das verdadeiras coisas e práticas maçônicas.
Muito provavelmente essas abreviações se deram pela preocupação de alguns pseudos ritualistas em arrumar tempo na liturgia maçônica para satisfazer os ingressos pomposos de comitivas e personagens que parecem assaltar a Sublime Instituição como fosse ela um aparato para massagear “egos”
Deixando os trocadilhos e as metáforas de lado, em se falando de pureza e tradição, historicamente, desde a Maçonaria de Ofício uma das funções do Segundo Vigilante era a de fiscalizar os obreiros nos trabalhos do canteiro e, no momento apropriado dispensá-los para a recreação. É dessa premissa que alguns ritos mantêm a Régua de 24 Polegadas como um dos objetos simbólicos que ficam junto ao lugar do Segundo Vigilante. É sob essa conotação que a Régua, dentre outros, traz o simbolismo especulativo da divisão do tempo do operário, ou seja, tempo de laborar, de recrear, de agradecer a Deus e de repousar.
Na Moderna Maçonaria (especulativa por excelência) alguns ritos como é o caso do REAA, posicionam o seu Segundo Vigilante, à moda inglesa, sobre o meridiano do Meio-Dia. Isso se dá para que ele, simbolicamente do Sul, possa observar a passagem do Sol pelo zênite. Em síntese, sob a óptica dessa alegoria é que o Segundo Vigilante, à sua frente, vê o movimento diário do Sol no firmamento (vide as três janelas no Painel do REAA – alvorecer, meio-dia e ocaso).
Assim, pela tradição dos tempos operativos, mais a liturgia iniciática de inspiração especulativa inerente à Moderna Maçonaria, tradicionalmente também é missão do Segundo Vigilante enviar os obreiros do trabalho para a recreação e da recreação trazê-los de volta para o trabalho. É dado a isso que rituais puros e isentos de abreviações temerárias mencionam essa nobre missão como um dos ofícios do Segundo Vigilante.
Destaque-se que infelizmente isso não mais acontece na maioria dos rituais, provavelmente pela intenção de se economizar tempo para depois doá-lo inescrupulosamente às filigranas e outros blá, blá, blás sem essência maçônica.
Também não há como se esquecer daqueles que se “acham” ritualistas, principalmente aqui no Brasil, mas que colecionam rituais antigos e anacrônicos, completamente deturpados, cujos quais nunca trouxeram a prática original de como se suspender os trabalhos. Esses colecionadores, em nome do “não existe nos rituais que eu possuo” abominam ferozmente qualquer menção de práticas que, mesmo corretas, não constem nos seus relicários ritualísticos deturpados.
Como a boca vai se entortando conforme o uso do cachimbo, na maioria dos rituais do REAA\ da atualidade, definitivamente a prática tradicional desapareceu por completo para dar lugar a tal “suspensão dos trabalhos por um golpe de malhete” que, diga-se de passagem, além de equivocada é irregular, inclusive nem mesmo consta no ritual em vigência do GOB.
Desse modo, desafortunadamente a beleza de uma prática ritualística tradicional acabou desaparecendo ao ponto de atualmente ela nem ser conhecida de muitos Irmãos.
Por oportuno vou deixar aqui um resumo da prática original que nunca deveria estar ausente dos nossos rituais. Em síntese as coisas deveriam acontecer da seguinte forma:
“O Venerável Mestre durante os trabalhos e em momento que ele achar apropriado pergunta ao Segundo Vigilante a posição do Sol. Esse, por sua vez, informa que o Sol já passa do zênite. Com isso, o Venerável Mestre, dialogando ritualisticamente, solicita aos Vigilantes que eles informem às Colunas que os trabalhos serão suspensos para a recreação. Feita a comunicação na forma do ritual, o Segundo Vigilante então comunica à Loja que os trabalhos estarão, a partir dali, suspensos para recreação, mas não sem antes recomendar a todos que se retirem em ordem e que por perto permaneçam até que ele os chame de volta. Decorrido o tempo estipulado para o lazer, o Segundo Vigilante então retoma o seu lugar e percutindo continuamente o seu malhete solicita o retorno dos obreiros ao trabalho. Assim que todos tenham regressado e em pé aguardam nos seus respectivos lugares, auxiliado pelo Mestre de Cerimônias o Segundo Vigilante informa ao Venerável Mestre do retorno de todos. Dá-se então novamente a dialética ritualística prevista quando ao termino o Venerável informa que os trabalhos voltam a tomar força e vigor. Todos imediatamente se colocam à Ordem e recebem o comando para sentar. Desse modo os trabalhos prosseguem na forma de costume”.
Essa é então uma síntese dos procedimentos corretos para a suspensão e retorno dos trabalhos da Loja conforme as nossas tradições, usos e costumes. Lamentavelmente, como mencionado, essa prática anda de há muito esquecida nos rituais. Aqui no Brasil, são raríssimos os que ousaram trazer essa prática original – eu pelo menos conheço apenas dois.
Como a esperança é a última que morre, notadamente espera-se que num futuro não muito distante, quando da revisão dos rituais do GOB prevista para o ano de 2019, essa prática tome força e vigor.



T.F.A.

PEDRO JUK


NOV/2018

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

CONTRIBUIÇÃO PECUNIÁRIA. ORDINÁRIA /EXTRAORDINÁRIA - FACULTATIVA OU OBRIGATÓRIA


Em 03/09/2018 o Respeitável Irmão Jedson Marchesi Maioli, Loja Acácia de Guarapari, 2.066, GOB-ES, REAA, Oriente de Guarapari, Estado do Espírito Santo, formula a seguinte questão:

CONTRIBUIÇÃO PECUNIÁRIA


A comissão de beneficência da Loja apresentou um projeto para o final do ano. A proposta consiste em onerar os Irmãos em R$120.00 (3x de R$ 40,00) para aquisição de materiais escolares a serem distraídos entre estudantes de baixa renda. Valor este que não se confunde com as obrigações de contribuição ordinárias/extraordinárias da Loja. Tenho a seguinte dúvida: essa contribuição é facultativa ou obrigatória/compulsória?
O irmão que não quitar a contribuição poderá ser inserido na condição de inadimplente para fins de emissão de Quite Placet por inadimplência? Particularmente acredito que essa decisão na Loja não pode trazer uma obrigação compulsória. Pelas seguintes razões: - quando o Irmão presta compromisso de honrar os encargos da Loja fazemos com valores previamente apresentados. - não se trata de uma contribuição para manutenção da Loja ou obrigações legais e estirarias, mas sim para atender um projeto da comissão de beneficência. - um irmão que não foi à Loja e não participou da discussão da matéria pode não concordar com o projeto ou não ter condições de honrar. Gostaria de seu auxílio sobre esta questão. Desde já obrigado.

CONSIDERAÇÕES.

Prezado Irmão esse não é assunto que eu domino. Questões legais, sobretudo aquelas que envolvem contribuições monetárias, são mesmo da alçada daqueles que militam nesse ofício - o que não é o meu caso.
Sendo assim, os comentários que porventura eu fizer a seguir, não devem ser tomados como espécimes laudatórios, senão como algumas ideias superficiais a respeito do assunto.
Nesse sentido, deixo então os seguintes comentários a respeito: eu entendo que por primeiro essa é uma matéria pertinente à Comissão de Finanças da Loja e, por segundo, a de ter o parecer do Orador, levando-se em conta de que nenhuma matéria poderá entrar em votação sem que antes o Guarda da Lei dê o seu parecer legal.
Além do mais, há que se considerar também que assuntos que envolvem espécimes monetários, após o parecer prévio da Comissão de Finanças (Art. 109, § 1º do RGF), obrigatoriamente devem ser discutidos e votados em sessão ordinária de Finanças, cuja sessão será realizada no Grau I, sendo convocadas por edital com antecedência mínima de quinze dias (Art. 109 do RGF).
Nesse caso, tendo já a matéria sido analisada e recomendada previamente pela Comissão de Finanças, então a mesma será trazida para discussão e votação em Loja na sessão ordinária de Finanças que fora previamente marcada por edital, destacando-se, porém, que nela antes da votação, o Orador deverá dar o seu parecer sobre a legalidade ou não da matéria.
Assim, cumpridos todos os trâmites legais e ter tido essa matéria o resultado favorável na votação, inequivocamente respeita-se o resultado da votação como decisão da Loja. Por óbvio, todos os que tiveram os seus votos vencidos, devem democraticamente aceitar e se sujeitar ao resultado quer fora obtido pela maioria dos votantes. Do mesmo modo, aqueles que porventura estiveram ausentes no dia da votação devem aceitar com fidalguia o resultado.
Desse modo, na minha parca opinião, acho que antes de se chegar a uma decisão final sobre as demandas de uma matéria posta em votação, ela igualmente precisa ter percorrido todos os caminhos legais, o que dará aos interessados o amplo direito de debatê-la minuciosamente. Em suma isso significa dar antes do pleito o direito a todos de apresentar as suas arguições, sejam elas a favor, ou contra a matéria. O que não pode é abruptamente alguém apresentar uma matéria e o Venerável coloca-la imediatamente em votação sem que antes ela tenha percorrido todas as etapas regulamentares.
Quanto ao mérito de contribuições ordinárias e extraordinárias é assunto para ser discutido pela Loja, envolvendo, se for o caso, o seu Regimento Interno.
Como dito, sem nenhuma pretensão de ser laudatório e nem mesmo o de me aprofundar numa questão que possuo confessadamente pouco entendimento, eram essas as minhas exposições.



T.F.A.

PEDRO JUK


NOV/2018