domingo, 17 de março de 2019

RITO ADONHIRAMITA - PAINEL DO 1º GRAU - COLUNAS VESTIBULARES


Um Respeitável Irmão pertencente a uma Loja do Grande Oriente do Brasil e do Rito Adonhiramita me apresentou a questão seguinte e cujas considerações seguem abaixo (essa resposta foi enviada ao consulente em 08/11/2018 e hoje vai publicada no Blog).

PAINEL DO GRAU 1 ADONHIRAMITA


Amado Irmão, estamos com um trabalho a apresentar aos Aprendizes e temos duas dúvidas sobre o Painel de Grau, (Aqui gentilmente cedido pelo ECMA).
1. O que significam os cinco degraus ao centro? (encontramos na literatura apenas três degraus...)
2. O porquê das colunas J/B em cores preta e vermelha? E invertidas em relação à imagem que consta no Ritual nosso (seriam fogo e fumaça?).


CONSIDERAÇÕES

Caro Irmão, primeiro eu devo esclarecer que como Secretário Geral de Orientação Ritualística estou pegando o bonde andando. Assim que possível vou enviar essas questões para o novo Secretário Geral Adjunto para a sua competente avaliação. Por hora, seguem os meus simples comentários:
Não entendi porque o Painel do Aprendiz no Rito Adonhiramita inserido no ritual do GOB possui cinco degraus. Até onde conheço, no de Aprendiz são apenas três degraus. Assim, eu não poderia lhe descrever a quantidade "cinco" no grau de Aprendiz, já que o número cinco é matéria de estudo do Segundo Grau. Nesse particular o Painel com cinco degraus é contraditório levando-se em conta o Primeiro Grau. Pelo menos eu assim entendo, mas sem querer me insurgir contra rituais legalmente aprovados e em vigência.
Quanto as Colunas J\ e B\ e as suas posições no Ritual do GOB elas estão corretas, posto que na França, à exceção do REAA, a Coluna J\ fica à esquerda de quem entra (norte) e a Coluna B\ à direita de quem entra (sul). Ratifico, o ponto de vista mencionado é daquele do átrio olha para dentro do Templo.
Essa posição das Colunas Gêmeas, J\ ao Norte e B\ ao Sul está ligada à história da Moderna Maçonaria e se justifica porque no século XVIII a grande maioria das Lojas da incipiente Maçonaria francesa seguia a prática da Primeira Grande Loja inglesa que surgira ainda no primeiro quartel do século XVIII, em 1717.
É sabido que a primeira Grande Loja inglesa fez uma série de alterações no sistema litúrgico moderno por conta das “exposures”, isso na intenção de confundir as “revelações” que eram publicadas insistentemente na época pelos jornais londrinos (sugiro o estudo das revelações e das obras espúrias do século XVIII).
Dentre essas “modificações”, a inversão das Colunas Gêmeas foi uma delas. B\ então passou do norte para o sul e J\ do sul para o norte.
Sob a égide da Primeira Grande Loja em Londres, conhecida mais tarde como a Grande Loja dos Modernos, a Maçonaria Francesa, exceto o escocesismo ali praticado, adotaria esses costumes, desconhecendo por completo o sistema dos “Antigos”. É desse preceito que o Rito Francês herdou também o nome “ou Moderno”.
Dado a esses comentários, os Ritos maçônicos franceses, quase que na sua totalidade, dentre os quais o Rito Adonhiramita, usaria as Colunas Gêmeas à moda dos modernos ingleses de 1717. É bom que se diga, entretanto, que a Maçonaria Inglesa, mais tarde e já com o advento da união dos “antigos” e dos “modernos” em 1813, retomaria o sistema antigo das Colunas, ou seja, B\ ao Norte e J\ ao Sul. Isso influenciaria também um rito de origem francesa de nome REAA\ que, por também possuir na sua história influências anglo-saxônica, consolidaria na sua liturgia B\ ao norte e J\ ao sul, enquanto que os demais ritos franceses permaneceriam com as Colunas invertidas em relação ao escocesismo.
No tocante à cor vermelha e a preta, matizes esses inerentes a cada uma das Colunas e que aparecem no Painel Adonhiramita do Ritual do GOB, é a meu ver mais uma colocação desnecessária, pois essa se for o caso de concepções de ocultismo, não faz sentido no deísmo francês de onde é originário esse Rito.
É bem verdade que alguns autores especularam até razões alquímicas em relação às cores, entretanto, de efeito prático mesmo, as Colunas, segundo algumas Lições Prestonianas da Maçonaria inglesa (teísta), uma Coluna corresponde a Luz (fogo) e a outra a uma espécie de nuvem, ou fumaça. Ambas aludem à alegoria de que durante a noite uma delas era a Luz que guiava Moisés e outra, a de fumaça ou nuvem, era a que o guiava durante o dia quando o patriarca bíblico conduzia o povo de Israel pelo deserto em busca da Terra Prometida. Mais tarde essas Colunas apareceriam no átrio do Templo de Jerusalém – vide Reis I e Crônicas e Paralipômenos.
Dando por concluído, não sei se isso de fato caberia como instrução para o Rito Adonhiramita, todavia essa é uma das interpretações mencionadas por muitos autores confiáveis. Já no tocante às cores e os elementos alquímicos, sugiro pesquisa mais acurada sobre essa matéria e a sua relação com esses matizes, se é que eles existem.
Concluindo, esperamos que os rituais do GOB, independente dos ritos, passem por uma séria revisão ao longo dos próximos anos, destacando que o melhor caminho para o entendimento da liturgia maçônica, antes de praticá-la, é primeiro aprender as razões pelas quais se constituíram esses mecanismos ritualísticos.


T.F.A.


PEDRO JUK


Resposta de NOV/2018
Publicação – MAR/2019

sexta-feira, 15 de março de 2019

SAUDAÇÃO AO CRUZAR O EIXO DO TEMPLO - REAA


Em 06/11/2018 um Respeitável Irmão da Loja Arautos da Paz, 2.517, GOB-MG, REAA, Oriente de Campestre, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

SAUDAÇÃO AO CRUZAR O EIXO

Venho solicitar orientação ritualística quanto ao Sinal (Saudação) ao cruzar a Loja (sul-norte), deve se fazer o Sinal? Faz uma parada rápida e formal? Ou cruzamos normalmente? Isso tem gerado discussões e debates. Eu, em pesquisas e estudos penso que não se faz o Sinal, mas gostaria de uma posição através da orientação ritualística par sanar de vez esta dúvida.

CONSIDERAÇÕES:

Conforme menciona o Ritual de Aprendiz em vigência do REAA\, nele a sua página 42, saudações em Loja somente serão feitas ao Venerável Mestre quando da entrada e saída do Oriente, ou às Luzes da Loja quando da entrada formal (pela Marcha do Grau). Ainda, quando do ingresso ou saída do Oriente, estando o Obreiro portando (segurando) um objeto de trabalho, ele fará nessa ocasião apenas uma parada rápida e formal.
Por conta dessa explanação, então não mais está prevista a saudação ou parada rápida e formal na oportunidade em que se cruze o equador (eixo longitudinal do Templo). Destaque-se que no Oriente não existe circulação.
Sobre esse costume, eu já expliquei inúmeras vezes que saudação ao cruzar o equador é prática superada e que fora haurida dos tempos em que não havia desnível e nem balaustrada separando o Oriente do Ocidente na sala da Loja.
Na realidade isso se deu antes da implantação das hoje já extintas Lojas Capitulares. Naqueles tempos, por não haver ainda desnível e balaustrada de separação dos ambientes no Templo do escocesismo simbólico, era costume que sempre que alguém em circulação passasse por sobre o eixo fizesse uma parada para saudar o Delta. Vieram então as Lojas Capitulares e com elas a demarcação do Oriente. Extintas mais tarde essas Lojas, o Oriente no simbolismo acabou elevado e separado, com isso a circulação horária ficou restrita apenas ao Ocidente (entre colunas) ao tempo em que se extinguiam as saudações ao Delta, ou mesmo ao Venerável, quando se cruzasse o equador.
Nesse particular, como prevê o Ritual em vigência no GOB, a saudação ficou limitada apenas ao Venerável Mestre, mas só quando da entrada e saída do Oriente, ou às Luzes da Loja após os passos do grau.
Infelizmente, alguns ritualistas ainda procuram reviver essas práticas antigas, mas que pelas circunstâncias atuais não mais fazem sentido. Lembro que costumeiramente o irretocável, competente e saudoso Irmão José Castellani era um defensor dessa prática, mas o Ritual não mais menciona esse costume.


T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2019

quarta-feira, 13 de março de 2019

PORTADORES DE MEDALHAS. USO DE CELULARES NA SESSÃO.


O Respeitável Irmão Manoel Vasques, Loja Perseverança III, 199, REAA, GOB-SP, Oriente de Sorocaba, Estado de São Paulo, através da Secretaria Geral de Orientação Ritualística apresenta as seguintes questões:

PORTADORES DE MEDALHAS E USO DE CELULAR NA SESSÃO.


1) Gostaria de saber se Irmãos portadores de medalha são agraciados com assento no Oriente.
2) Com a invasão dos celulares, qual a posição do GOB sobre seu uso em Loja?

CONSIDERAÇÕES:

Agraciados com medalhas - Segundo o que menciona o Art. 219 do RGF, visitantes que sejam autoridades maçônicas, ou portadores de título de recompensa (o grifo é meu) serão recebidos de conformidade com o Ritual adotado pelo GOB para o Rito que a Loja visitada praticar e será conduzido ao Oriente (o grifo é meu).
Ainda, os Incisos I, II, III, IV e V desse mesmo Artigo mencionam sequencialmente as faixas e os títulos de recompensa.
Conforme o previsto no Regimento de Recompensas instituído pela Lei 88/2013 sequencialmente são os seguintes os títulos:
I - Benemérito da Ordem;
II – Grande Benemérito da Ordem;
III - Estrela de Distinção Maçônica;
IV – Cruz da Perfeição Maçônica;
V – Comenda da Ordem do Mérito de D. Pedro I.
Ainda, segundo o que prevê o Ritual em vigência na sua página 62, item 2.7 Recepção de Autoridades e Portadores de Títulos de Recompensas, no segundo parágrafo:
“As autoridades e os portadores de títulos de recompensas são recebidos e retiram-se do Templo nos momentos previstos no Ritual, concedendo-lhes as honras de estilo nele reguladas, de acordo com suas qualidades,”...
Dado ao mencionado, pelo que eu entendo, não são simplesmente todos agraciados com medalhas que têm direito a ocupar o Oriente, porém apenas os que são portadores de títulos de recompensas, cujos quais são os cinco acima mencionados e previstos na Legislação do Grande Oriente do Brasil.
É oportuno mencionar que também são consideradas autoridades maçônicas aqueles que se enquadram nos termos de Tratados de Aliança e Amizade firmados pelo GOB. Em face disso, devo destacar que a Constituição do GOB em seu Art. 2º, IX dos postulados Universais da Instituição Maçônica menciona o uso do avental nas sessões. Assim, em nenhuma situação, medalha substitui o avental em Loja Simbólica.
Concluindo esse tópico, tem direito a ocupar o Oriente junto às autoridades maçônicas apenas os portadores de título de recompensa instituídos pela Lei 88/2006 e aqueles que se enquadram nos termos de Tratados de Aliança e Amizade com Corpos Filosóficos, porém é indispensável o uso do avental.
Telefones celulares. Obviamente que para o bem da liturgia maçônica não deve ser permitido o uso de celulares durante os trabalhos da Loja. Os   que insistem nessa prática devem ser advertidos pelo Venerável Mestre a não utilizar esse utensílio. É de boa geometria que o Mestre de Cerimônias alerte aos Irmãos que desliguem os seus celulares antes de ingressar no Templo.
Compete ao Venerável Mestre “exercer autoridade disciplinar sobre todos os Maçons presentes às sessões (Art. 116, XV do RGF)”.
Concluindo, usar celular durante os trabalhos da Loja é mesmo procedimento inadmissível. Aliás, o Regimento Interno da Loja deveria proibir esse tipo de atitude.


P.S. – Acredito que já deve haver alguma orientação do GOB sobre o uso de celulares na sessão.


T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2019


quarta-feira, 6 de março de 2019

LUGAR DA PURIFICAÇÃO PELO QUARTO ELEMENTO - REAA


Em 04/11/2018 o Respeitável Irmão Marcelo Fernandes Amorim de Oliveira, Loja Fênix do Alto Parnaíba, REAA, GOB-MG, Oriente de Patos de Minas, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

PURIFICAÇÃO PELO ELEMENTO


Prezado irmão, na página 129 fala que o Irmão será purificado "antes de chegar entre colunas". Pergunta-se: a purificação ocorrerá no Oriente, na descida das escadas para o Ocidente, ou no ocidente ao Sul?

CONSIDERAÇÕES:

Como menciona o Ritual, o Candidato desce, portanto, seguindo a regra, sai do Oriente pela Coluna do Sul. Na ocasião da purificação o condutor faz com que o iniciando, assim que atingir o nível do Ocidente, pare em frente ao Mestre de Cerimônias que é o oficial encarregado de proceder à purificação simbólica. Sair do Oriente significa literalmente sair e ficar sobre o piso ocidental e não sobre qualquer um dos degraus.
Por sua vez, o Mestre de Cerimônias então faz com que o Candidato, parado receba três vezes a purificação na forma de costume. Ratifico, o iniciando é simbolicamente purificado por três vezes sem sair do lugar, isto é, imóvel e em frente ao Mestre de Cerimônias. O condutor ajuda nos procedimentos.
Concluída a liturgia da purificação, o Candidato é então conduzido dali para entre colunas.
É bom que se diga que infelizmente a frase “antes de chegar entre colunas” tem causado confusão quanto ao procedimento e tem feito com que alguns interpretem como que o iniciando tenha que parar três vezes para receber a purificação antes de chegar ao extremo do Ocidente para ficar entre colunas, o que é um equívoco.
Felizmente, nas orientações que em breve serão publicadas no GOB Ritualística, provavelmente ainda em março desse ano, essa será uma das questões que serão elucidadas.


T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2019

AUTORIDADE TROCANDO O COLAR E A JOIA PARA ASSUMIR UM CARGO


Em 03/11/2018 o Respeitável Irmão Marcos A. P. Noronha, Loja Universitária Ordem, Luz e Amor, REAA, GOB-DF, Oriente de Brasília, Distrito Federal, apresenta a questão seguinte:

TROCA DE COLAR E JOIA.


Você sabe que sou um estudioso da Maçonaria, em geral, e do REAA, em particular,
mas de um tema que nunca vi escrito, nem falado, surgiu uma questão, antes do início de uma Sessão, que gostaria de saber se já deparou com esta questão em algum livro, pois em termos de legislação nunca vi nada. Se não tiver nada escrito, gostaria de conhecer a sua opinião. Vou exteriorizar, desde já, o que penso, com base na lógica.
Estávamos visitando uma Loja, acompanhado de um Irmão que ocupa um cargo de Secretário Adjunto no GODF/GOB, usando os paramentos, ou seja, avental e colar, correspondente a esse cargo.
Eis que chega o Mestre de Cerimônias e lhe pergunta se ele pode ocupar o cargo de Orador.
Ele, obviamente, disse que sim. O Mestre de Cerimônia lhe entregou o Colar com a joia do cargo e ele retirou o colar de Secretário Adjunto.
Eu disse a ele você poderia ficar com o colar e colocar o de Orador por cima. Ele, ainda jovem de Ordem (aproximadamente uns 10 anos), disse-me que aprendera que não se pode fazer isso e ia ficar somente com o colar de Orador, mas ficou com o avental do cargo de Secretário.
Eu nunca vi, li ou ouvi falar de procedimento indevido de colocar um colar sobre o outro e penso, utilizando a lógica, que ele deveria, então, também, ter retirado o avental e colocado um avental de Mestre, aí sim, estaria certo, ou seja, ou os dois (colar e avental de Secretário Adjunto) ou nenhum dos dois.
A questão, enfim, é a seguinte:
Utilizar um colar em cima do outro, como no caso concreto acima exposto, está ferindo alguma regra ritualística?

CONSIDERAÇÕES:

Por certo que ele não precisaria ter tirado o colar com a joia do Secretário Adjunto para vestir o de Orador da Loja. Até porque ele, como Secretário sabe que os seus paramentos se compõem de avental, colar e joia e que ninguém usa a indumentária “pela metade”. Assim, nada impede que se alguma autoridade maçônica, em assumindo um cargo numa Loja visitada, use o colar e joia desse cargo por sobre o que ela, como autoridade, já esteja vestindo.
Agora, retirar uma para colocar a outra, de fato não é procedimento previsto na legislação. Eu ainda me atrevo a dizer que esses são os excessos de preciosismo que só servem mesmo para empanar o brilho da liturgia.
A propósito, o Secretário Adjunto poderia, a bem da instrução maçônica, ter mostrado pelo menos o fundamento daquela sua decisão e não usar do subterfúgio comodista de que “assim houvera aprendido”. Ora, quem o ensinou? E baseado no quê?
Por fim, vale a pena comentar que muito mais importante do que desvestir uma joia para vestir outra é a de um Irmão que não é efetivo do quadro venha assumir o cargo de Orador numa Loja. Destaque-se que o Guarda da Lei deve estar muito bem inteirado com o cotidiano da sua Loja. Assim, salvo melhor juízo, não seria então mais prudente que na falta do titular o Mestre de Cerimônias tivesse dado o cargo de Orador para um Mestre Maçom da própria Loja?

T.F.A.

PEDRO JUK

MAR/2019

domingo, 3 de março de 2019

O LUGAR DO MESTRE EM LOJA - REAA


Em 28/10/2018 o Respeitável Irmão Alan Zydowicz, Loja União em 33. 1.602, REAA, GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, solicita o seguinte esclarecimento:

LUGAR DOS MESTRES


Uma dúvida. Há algum impedimento para um Mestre tomar assento na coluna
de Aprendiz?

CONSIDERAÇÕES.

A Coluna do Aprendiz é a do Norte, mais especificamente o topo dessa Coluna (assentos localizados junto à parede norte no Ocidente).
Explique-se que essa ocupação indicada aos integrantes do 1º Grau se dá em obediência à senda iniciática do REAA, donde simbolicamente o Aprendiz está em busca de esclarecimento (Luz). Sob essa óptica é que a alegoria iniciática sugere que o principiante ocupe lugar mais distante do Meio-Dia.
Quanto ao Mestre e o seu lugar, simbolicamente ele já percorreu todo o caminho iniciático, isto é, passou pelo Norte como Aprendiz, pelo Sul ou Meio-Dia como Companheiro e por fim renasceu no Oriente da Loja. Assim, sob a tutela dessa alegoria o Mestre Maçom é senhor de todos os caminhos sem nenhuma restrição (plenitude maçônica), o que lhe dá direito, embora isso não seja corriqueiro, se ele desejar, até dele ocupar a Coluna do Aprendiz (topo).
Já sob o ponto de vista ritualístico, o Ritual em vigência indica no layout da Planta do Templo, os lugares que cada qual deve ocupar durante os trabalhos na Loja. Em assim sendo, embora não haja rigorosamente qualquer objeção nesse sentido para o Mestre, seguindo a ordem natural das coisas maçônicas, é preferível que cada um ocupe o seu lugar destinado, deixando, no caso do topo das Colunas do Norte e do Sul, respectivamente para os Aprendizes e Companheiros.
Ao concluir vale a pena mencionar que a caminho iniciático dos Aprendizes e Companheiros num Templo do REAA está bem representado pelas doze Colunas Zodiacais, seis ao Norte e seis ao Sul. Destaque-se que é de conformidade com a concepção iniciática da Maçonaria que Aprendizes e Companheiros não ingressam no Oriente. Também não podem ocupar cargos em Loja (Art. 229, § 1º do RGF).

T.F.A.

PEDRO JUK


FEV/2019

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

LOJA DE PESQUISAS MAÇÔNICAS


Em 28/10/2018 o Respeitável Irmão Eduardo Neves, Loja Álvaro Mendes, 2.139, GOB-PI, Secretário de Comunicação e Informática, Oriente de Teresina, Estado do Piauí, formula a seguinte questão:

LOJA DE PESQUISAS


Minha dúvida: Não encontrei, nas publicações recentes do GOB, tampouco em sua legislação online, nada sobre as "lojas de pesquisa" ou "loja de estudos".
Gostaria de indicação de bibliografia sobre este tipo de loja, pois vejo a crescente necessidade de uma oficina com esse foco de trabalho aqui em nossa região.
Gostaria também da indicação, se houver, da legislação no âmbito do GOB para o funcionamento deste tipo de loja.

CONSIDERAÇÕES.

Na realidade, pelo menos até aonde eu conheço, não existe uma legislação específica por parte da Obediência que trate do formato de uma Loja de Pesquisas. Eu entendo que nesse caso a pesquisa é o objetivo principal da Loja.
Como qualquer outra, ela deve ser regularmente fundada e regularizada segundo os ditames do Regulamento Geral da Federação (Título II – Das Lojas).
Assim, uma Loja Maçônica de Pesquisas também se submete ao formato de trabalho indicado pelo ritual do rito por ela adotado.
No que diz respeito à sua finalidade principal - a de pesquisas maçônicas - me parece que esse desiderato deva constar do seu Regimento Interno.
Por óbvio que os seus membros devem se sujeitar ao seu Regimento Interno, sobretudo no tocante ao seu objetivo principal que é o de estudos e pesquisas.
Dado a esse objetivo apontado, a Loja pode trabalhar em Sessões Ordinárias de Instrução conforme o previsto no Art. 108, § 1º, Inciso II do RGF, porém nada impedindo que ela realize, por exemplo, Sessões Magnas e outras previstas no Regulamento Geral da Federação.
Podem existir casos de Lojas de Pesquisa que, conforme o seu Regimento Interno, só admitem nos seus quadros Maçons já portadores do Terceiro Grau – nesse caso essas Lojas podem trabalhar em qualquer um dos graus simbólicos, entretanto nelas não é comum existirem Iniciações, Elevações e Exaltações. Em síntese, seus membros são admitidos por filiação e/ou regularização.
No tocante ao seu objetivo principal, que é o de instruir e pesquisar, uma Loja de Pesquisas deve acima de tudo ter membros comprometidos para tal e ter credibilidade. Para isso é necessário que o resultado do seu trabalho seja meritoriamente reconhecido e suas teses e estudos comprovados.
Penso que é esse o caminho. Sugiro também aos interessados em fundar uma Loja de Pesquisas que entrem em contato com outras Lojas que já trabalham com esse objetivo aqui no Brasil para se aconselhar a respeito.
Por fim, devo registrar que a Loja de Pesquisas mais antiga do mundo é atualmente a Loja Quatuor Coronati 2076 de Londres, cuja qual fora fundada em 1.884 por nove maçons que já na época, cansados com a história rocambolesca até então contada sobre a Ordem, partiram em busca de uma história baseada em fatos e evidências (documental). Eram eles Charles Warren, William Harry Rylands, Robert F. Gould, Adolphus F. Alexander Woodford, Walter Besant, John Paul Rylands, Major Sisson C. Pratt, William James Hughan e George W. Speth. Sem dúvida essa Loja tem sido o maior ícone mundial da credibilidade quando se trata de pesquisas maçônicas. Uma boa partida para uma nova Loja de Pesquisas é pesquisar os até então 135 anos de história da Quatuor Coronati Lodge.

T.F.A.

PEDRO JUK


FEV/2019