Em 05.06.2026 o Respeitável Irmão Lucas Mateus de Sousa Pontes, Loja Fraternidade Parnaibana, 840, REAA, GOB-PI, Oriente de Parnaíba, Estado do Piauí, pede esclarecimentos para o que segue:
LUGAR DO NEÓFITO
Estou eu aqui novamente para tirar mais uma dúvida com você, sempre na busca de executar uma ritualística perfeita.
Na última iniciação que tivemos surgiu a dúvida
de em qual extremidade o aprendiz mais novo (neófito) deveria permanecer
sentado: Alguns irmãos afirmaram que na extremidade do banco mais próxima do
irmão tesoureiro, outros afirmaram que deveria ser na outra extremidade,
aquela
mais próxima do irmão primeiro vigilante. Afinal de contas, onde ele deve se
posicionar?
CONSIDERAÇÕES
Entendo que é só seguir na íntegra o que prescreve o ritual vigente de Aprendiz Maçom, REAA/GOB, 2024. Se assim observado, não há o porquê de alguns Irmãos ficarem a achar uma coisa e outros acharem outra. Saindo do achismo, basta obedecer ao ritual instituído por Decreto do Grão-Mestre Geral do GOB.
É notório que o ritual vigorante é para ser seguido, mormente pelo que menciona o seu título 1.2 - Interpretação deste Ritual, página 13 (Ritual de Aprendiz REAA).
Assim sendo, vamos às conferências da questão.
Na página 169 do Ritual de Aprendiz, REAA/GOB, consta, em parte do seu trecho, a seguinte passagem:
"VEN∴ - [...] e depois fazei-o(s) sentar(em)-se no topo da Col∴ do Norte, destinada aos AApr∴, próximo à Coluna Zodiacal de Áries e do 1º Vig∴ (os grifos são meus)".
Ainda, nesse mesmo ritual, página 212:
"CCol∴ ZZod∴ - [...]; no dia da sua Iniciação, (os grifos são meus) o novo Apr∴ ocupa lugar no topo do Norte, o mais próximo da Col∴ Zod∴ de Áries, perto do 1º Vig∴ (os grifos são meus), que é o início da caminhada, do Oc∴ para o Or∴ (os grifos são meus)".
Seguindo nesse mesmo ritual, página 213:
"Topos das CCol∴ do Norte e do Sul - Correspondem às paredes Norte e Sul do Templo (os grifos são meus), entre a balaustrada e a parede ocidental”
É razoável se observar que o trecho acima explica onde se situam, no templo, os “topos” das colunas do Norte e do Sul – é só conferir.
Nesse mesmo ritual, páginas 22, 24 e 25, ainda constam os seguintes subtítulos e orientações:
1.3.1 Planta do Templo; 1.3.3 As Doze Colunas do Zodíaco; 1.3.4 Correspondência Simbólica do Zodíaco.
Em se investigando no ritual o conteúdo destes títulos, é possível ainda se vislumbrar, no croqui da Planta do Templo, onde se localizam precisamente as 12 Colunas Zodiacais, mormente a Col∴ relativa a Áries, o lugar do 1º Vig∴ e onde ficam os topos das CCol∴ do Norte e do Sul.
Nesse cenário, a proximidade da Col∴ de Áries com o lugar do 1º Vig∴ indica o lugar em que o Aprendiz recém-iniciado deve se sentar no dia da cerimônia da sua Iniciação.
Diante destes comentários e das evidências ritualísticas apresentadas, não há o porquê de IIr∴ ficarem discutindo se o novo Aprendiz se senta aqui ou acolá. Ora, está bem claro no ritual que no dia da iniciação ele deve ocupar lugar no topo do Norte, a noroeste do templo, em Áries (primavera), próximo ao 1º Vig∴. Iniciaticamente, no marco inicial da sua jornada, ainda distante do Oriente o Aprendiz irá paulatinamente percorrer todo o topo do Norte em busca de um lugar mais iluminado – significa o trajeto da evolução.
Lamentavelmente, por muitos anos os rituais do REAA no Brasil, nesse particular ensinaram errado ao colocarem o Aprendiz recém-iniciado próximo à balaustrada. Certamente isso aconteceu por mera cópia de práticas de outros ritos e a total falta de conhecimento sobre a alegoria das CCol∴ Zodiacais no REAA.
Atendendo à liturgia original do REAA, o Aprendiz inicia sua jornada na constelação de Áries (início da primavera ao Norte) a noroeste do templo e vai paulatinamente passando, uma a uma, pelas seis primeiras CCol∴, até alcançar à Col∴ relativa à constelação de Virgem - a última do Norte, próxima à balaustrada do Oriente.
Assim, como Áries marca o início, a Col∴ relativa à Virgem baliza o final da senda no 1º Grau. Teoricamente essa última Col∴, ao Norte, é onde se senta o Aprendiz veterano que, por já estar no final do verão, encontra-se às vias de atravessar do Norte para o Sul, onde será elevado ao 2º Grau.
Esotericamente, esse movimento representa os ciclos pelo qual deve passar todo o iniciado no 1º Grau no REAA – seguindo as Leis da Natureza, ele vai desde a primavera até o final do verão. Em última análise, é o Iniciado acompanhando a revolução anual do Sol – vida e morte da Natureza.
Nessa conjuntura, se faz cogente compreender que todo esse teatro iniciático maçônico, que envolve aos ciclos da Natureza e a marcha anual do Sol, relacionam-se ao hemisfério Norte da Terra (região onde nasceu a Maçonaria).
Nesse cenário, ainda vale a pena mais uma abordagem sobre o conceito de topo das CCol∴ do Norte e do Sul no templo.
Nesse caso, a palavra "topo" significa o lugar mais afastado do Equador (eixo do templo). É bom que se diga que no REAA o templo maçônico representa uma faixa retangular de terras situada sobre o Equador, cuja largura vai de Norte a Sul e o seu comprimento de Leste a Oeste. O Pavimento Mosaico é o solo terrestre e a abóbada decorada a cobertura. As CCol∴ B∴ e J∴ marcam a passagem, pelo templo, dos trópicos de Câncer ao Norte e Capricórnio ao Sul.
No que trata dos “topos” do Norte e do Sul, a melhor referência para localizá-los é se colocar em pé, de frente para o Norte, no centro do Ocidente sobre o eixo (Equador). Assim, o observador verá toda a parede Norte à sua frente. A essa parede, que fica entre a balaustrada (nordeste) e o canto com a parede ocidental (noroeste), dá-se o nome de "topo da Coluna do Norte" (a base é o Equador e o topo o Norte). É nessa parede que ficam as seis primeiras CCol∴ Zodiacais, sendo as três primeiras correspondentes às constelações de Áries, Touro e Gêmeos, relativas aos meses da primavera, e as outras três, correspondentes à Câncer, Leão e Virgem, relativas aos meses que compõem o verão.
No teatro iniciático do REAA, a alegoria concernente às estações da primavera e do verão, esotericamente se comparam à infância e adolescência do Iniciado.
Essa mesma alegoria se aplica ao topo da Col∴ do Sul, porém no sentido inverso do que ocorre no Norte. Agora é o Companheiro Maçom (juventude), um operário mais experiente, que se senta no topo da Col∴ do Sul, junto à constelação de Libra, de onde ele irá prosseguir pela segunda etapa da sua vida iniciática.
Partindo do outono, o Comp∴ Maçom segue, desde a balaustrada, a sudeste do templo, em direção ao inverno que se aproxima. Vislumbra-se a morte e o renascimento da Natureza – Para os iniciados, é o alcance da maturidade - o grau de Mestre Maçom.
No topo da Col∴ do Sul localizam-se as outras seis CCol∴ Zodiacais, as três primeiras, a partir da balaustrada (sudeste), correspondem ao ciclo natural do outono (Libra, Escorpião, Sagitário) e as outras três, ao inverno (Capricórnio, Aquário e Peixes). No caso, a constelação de Peixes é a última das CCol∴ ao Sul. Fica a sudoeste no canto com a parede ocidental.
Voltando à jornada do Apr∴, sob o aspecto prático e seguindo a ordem natural dos fatos, o recém-iniciado, logo que é consagrado Apr∴ Maçom, ocupa lugar junto à Col∴ Zodiacal de Áries (ponto de partida). Daí em diante, ele irá seguir a jornada indicada pelas constelações do Zodíaco até alcançar a última Col∴, correspondente à Virgem, que fica próxima à balaustrada a nordeste (final da jornada do iniciado no 1º Grau).
Vale a pena mais uma vez lembrar que todos os ciclos naturais (estações do ano), bem como as referências astronômicas aqui mencionadas, relacionam-se à observação do hemisfério Norte da Terra – meia-esfera em que nasceu a Maçonaria, em particular o REAA.
Outro aspecto importante relacionado ao REAA, é que ele é um rito solar que usa como comparativo para a evolução do Iniciado a revolução anual do Sol, base de todos os cultos solares das antigas civilizações. Em linhas gerais, a simbólica morte e renascimento da Natureza é que dá sustentação à alegoria iniciática construída pela Maçonaria. É imperativo que o maçom estude para compreendê-la.
Ao finalizar, é oportuno orientar a sua Loja no sentido da formação do seu título distintivo. No caso, deve-se acompanhar o seguinte ordenamento de padronização: por primeiro escreve-se "Augusta e Respeitável Loja Simbólica", em seguida o nome da Loja, acompanhado do número cadastral no GOB. Por fim, a sua condecoração (título de recompensa mais alta). No caso da sua Loja assim ficaria: "Aug∴ e Resp∴ Loj∴ Simb∴ Fraternidade Parnaibana, nº 840, Cruz da Perfeição Maçônica".
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
http://pedro-juk.blogspot.com.br
SET/2026

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