quinta-feira, 24 de outubro de 2024

OS MANDAMENTOS DA MAÇONARIA - ISTO EXISTE?

 

Em 23/05/2024 o Respeitável Irmão, Benjamim B. Dias, Loja Cavaleiros do Sangreal (?), deve ser Santo Graal, REAA, 315, GLESP (CMSB), Oriente de São Paulo, Capital, formula a seguinte questão:

 

MANDAMENTOS DA MAÇONARIA

 

Gostaria de saber sua opinião relativa à existência dos 33 mandamentos da Maçonaria. Sua origem, veracidade e seguimento por parte dos Irmãos.

 

CONSIDERAÇÕES:

 

Eu desconheço qualquer coisa nesse sentido. Sem dúvida esta deve ser mais uma dessas invenções que costumeiramente vivem atracando no concorrido porto das fantasias.

             Ora, a Maçonaria não tem trinta e três “mandamentos”. Antes de mais nada, a Instituição, conhecida como Moderna Maçonaria, é composta por ritos e cada um deles possui sua estrutura doutrinária que tanto pode se teísta, deísta, deísta/teísta ou mesmo agnóstica. Rigorosamente devem obedecer os Landmarks da Ordem - imemoriais, espontâneos e universalmente aceitos.

Nas regras maçônicas inglesas (teísta) nada existe a este respeito, muito menos
haveria na francesa (deísta).

Mandamento é um termo bastante utilizado pelas religiões, todavia a Maçonaria não é uma religião. O muito que ela pode ser é religiosa porque os seus membros, em uma condição sine qua non, independente do seu credo ou religião, devem admitir a crença em um Princípio Criador. Este Princípio Criador recebe na Maçonaria o título de Grande Arquiteto do Universo, nome conciliatório entre as crenças dos seus membros.

Nos tempos da Maçonaria Operativa, as corporações de ofício possuíam seus “regulamentos”, não “mandamentos”. Conhecidos como Old Charges (Antigas Obrigações), elas instituíam normas para o trabalho, no caso, ditavam lendas de feição ética, moral e religiosa (por influência da Igreja/Estado na época) e ainda as regras do ofício. No entanto, nada disso tinha a ver com “mandamentos religiosos”.

As Old Charges também ficariam conhecidas como “Manuscritos do Ofício” – eram lidas aos rudes operários em forma de verso, escritas geralmente por um clérigo do monastério que protegia a guilda.

A atual Moderna Maçonaria, especulativa ou dos aceitos, é uma Instituição formada por Obediências Maçônicas naturais dos países onde ela é praticada – seguem rigorosamente os Landmarks da Ordem.

Cada uma destas Obediência, ou Potência Maçônica, possui a sua Constituição adaptada aos costumes regionais e à legislação vigente no País.

Em linhas gerais, para que as Obediências Maçônicas sejam reconhecidas com regulares, suas constituições devem seguir as Regras Gerais e os Pontos de Reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra e/ou de outros Corpos Maçônicos regulares espalhados pelo mundo.

Pelo que eu conheço de Maçonaria, nenhuma Potência regular adota mandamentos (sic) para a Maçonaria (muito menos com trinta e três mandamentos). A propósito, o sugestivo número “trinta e três” reportado ao número de “mandamentos”, certamente foi inspirado no sistema de Altos Graus do REAA, mesmo que isto nada tenha a ver com mandamentos - afinal, a imaginação não possui limites.

Assim, acredito que isto deva ser mais uma destas balelas que povoam o imaginário de alguns, principalmente daqueles que pertencem aos quadros da Sublime Ordem, mas que ainda não entenderam que Maçonaria não admite no seu seio proselitismos religiosos.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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OUT/2024

MESTRE INSTALADO - DECRETO DE 1968

Em 21.02.2024 o Respeitável Irmão Vanderley Schaly, Loja Cavaleiros do Templo, 2664, REAA, GOB-GO, Oriente de Rio Verde, Estado de Goiás, apresenta o que segue:

 

DECRETO DE 1968.

 

Já li seus comentários a respeito do Mestre Instalado, inclusive tem um que fala sobre o Decreto, novamente levantou-se o polêmico assunto na Loja referente ao uso das iniciais M∴ I∴ na assinatura do ex Venerável e um Ir∴, apresentou o decreto de 11/06/1968, nº 2085. Qual é a sua consideração a respeito do assunto? Segue o decreto em anexo.

 

CONSIDERAÇÕES:

 

Veja, salvo se eu estiver enganado - pelo que me penitencio - eu nunca disse que o Mestre Maçom Instalado não poderia se utilizar da sigla M∴ I∴. O que eu tenho sempre dito é que M∴ I∴ não é um grau iniciático, porém é uma categoria especial honorífica (Art. 42 do RGF) e uma autoridade da Faixa 1 (Art. 219, § 2º, I do RGF).

        À vista disso, eu, particularmente, prefiro não usar as iniciais M∴ I∴ porque Mestre Maçom Instalado não é grau. Sendo assim, eu entendo que seria mais bem apropriado somente utilizar apenas da sigla M∴ M∴ - como eu comumente faço. Reitero, isto é, a minha opinião.

Quanto àqueles que preferirem usar a sigla M∴ I∴, ora, simplesmente basta que a usem. Entendo que deve ficar a critério de cada um, pois o Decreto 2085 de 1968 é claro ao mencionar na sua súmula que "permite usar", não afirmando que "tem que usar".

O que eu continuo reafirmando é que Mestre Instalado não é grau iniciático. No GOB, a cerimônia de instalação somente foi inserida no REAA (e em outros ritos também) em 1968 por Álvaro Palmeira e depois sacramentada por Moacyr Arbex Dinamarco.

Assim, não estou afirmando que a cerimônia de instalação não existe, pois pelo tempo que ela se encontra em uso no GOB - desde 1968 – sem dúvida ela é uma realidade consuetudinária.

O RGF trata Mestre Instalado como uma categoria especial honorífica e o Decreto 2085/1968 menciona que por ter sido eleito Venerável Mestre, o Mestre Instalado tem o direito de usar esta sigla, porém não há obrigatoriedade

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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OUT/2024

 

sábado, 19 de outubro de 2024

CORREÇÕES NA ABÓBADA CELESTE - REAA

 

Em 20/02/2024 o Respeitável Irmão Juliano L. Bochi Brum, Loja Obreiros da Arte Real, 3932, GOB-RS, Oriente de Santiago, Estado do Rio Grande do Sul, faz a seguinte apresentação.

 

ABÓBADA CELESTE

 

Atualmente estou 1º Vigilante e coordenando, junto com outros irmãos do quadro, a pintura simbólica e a organização luminosa da abóbada celeste do nosso Templo. Na busca de materiais mais específicos, encontrei e realizei a leitura de seu artigo, Abóbada do Templo Maçônico - REAA, aonde referes a existência de um anexo: plano de teto do Templo.

Gostaria, portanto, se possível, acesso completo ao referido material - anexo, para fins de melhor elucidação do conteúdo e condução do estudo proposto.

 

CONSIDERAÇÕES:

 

Em relação ao anexo, lamento, mas não o tenho mais. Acabou se perdendo com o tempo.

De qualquer forma, recomendo que se siga a decoração da abóbada constante no Ritual de Aprendiz em vigência do REAA/GOB, com as seguintes ressalvas: 

 

a)    Retirar uma estrela de cor vermelha que aparece ao Sul, próxima ao planeta Saturno. Deve ser retirada, pois a Estrela Flamejante não é parte do mapa estelar da abóbada, tanto que ela fica pendente do teto e não nele fixada;

b)    Outra ressalva é corrigir a constelação da Ursa Maior. O conjunto estelar deve possuir sete estrelas e não cinco. Vale lembrar que termo "setentrião", como região relativa ao hemisfério Norte da Terra, relaciona-se ao número sete, que é a quantidade de estrelas que formam esta constelação;

c)    Entre Arcturos e a constelação da Ursa Maior deve ser acrescentada a Estrela Polar, referência importante de orientação no hemisfério Norte. É uma das estrelas que constituem a constelação da Ursa Minor (Menor);

d)    Sete é número de estrelas que formam as Plêiades. Junto com o Cinturão de Órion (3) e as Híades (5), elas representam os números identitários dos graus de Aprendiz (3), Companheiros (5) e Mestres (7);

e)    Saturno deve ser representado tendo com nove luas ao seu redor;

f)     A Lua, ao Ocidente, em quarto crescente no hemisfério Norte, deve se parecer com a letra “D” não “C”.

Estas correções estarão presentes na abóbada no novo ritual de Aprendiz do REAA previsto para esse ano (2024).

Finalmente, vale lembrar que a disposição estelar estilizada da abóbada celeste se refere ao firmamento do hemisfério Norte, o mesmo em que nasceu o REAA.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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OUT/2024

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

ESCRUTÍNIO SECRETO NA ORDEM DO DIA?

Em 19/02/2024 o Respeitável Irmão Jefferson Paião, Loja Segredo e Lealdade, 990, REAA, GOB-RO, Oriente de Ji-Paraná, Estado de Rondônia, formula a seguinte questão:

 

ESCRUTÍNIO SECRETO

 

Minha dúvida é se o processo (leitura das sindicâncias e circulação) do escrutínio secreto é realizado antes ou dentro da Ordem do dia no REAA?

Pois alguns irmãos me falam que é dentro da Ordem do dia, porém no Ritual de 2009 do REAA, se entende que é antes da ordem do dia.

 

CONSIDERAÇÕES:

 

                Como está previsto no ritual em vigência e assim será no novo ritual previsto para esse ano (2024), o Escrutínio Secreto, depois de marcado com antecedência pelo Venerável Mestre, ocorre em período próprio, ou seja, antes da Ordem do Dia, e dele só participam Irmãos regulares do quadro.

Devido a esta característica, no dia em que ocorrer o Escrutínio Secreto, evitando-se ingressos em família, recomenda-se que os visitantes somente ingressem após a Ordem do Dia, conforme previsto no ritual.

Como não existe abstenção no Escrutínio Secreto, é melhor que durante este período estejam presentes apenas Irmãos do quadro.

Diferente das votações pela forma de costume, cujo voto é revelado diante dos demais, no Escrutínio o voto é, como diz o seu nome, “secreto”, portanto, sujeito às regras previstas no RGF. No Escrutínio Secreto vota, inclusive, o Venerável Mestre.

Nesse sentido, reitera-se: o Escrutínio Secreto não ocorre na Ordem do Dia, senão como o previsto no ritual em vigência, dele participando apenas os Irmãos do quadro.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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OUT/2024

REAA - MODELO DA GRAVATA

Em 18.02.2024 o Respeitável Irmão Natanael Fernandes de Souza, Loja Estrela de Camburi, REAA, GOB-ES, Oriente de Vitória, Estado do Espírito Santo, apresenta a dúvida seguinte

 

GRAVATA BORBOLETA

 

Revirando fotos antigas, encontrei algumas com irmãos numa sessão do REAA e TODOS usando gravata borboleta preta.

Lembrei-me então que fui iniciado usando gravata borboleta BRANCA e a troquei por PRETA a ser exaltado.

Pesquisei sobre o assunto e nada encontrei sobre o assunto, inclusive, quando e o porquê hoje utilizamos, TODOS, gravata lisa standard preta e lisa.

Peço, portanto, que me tire dessa ignorância.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Não há nada de iniciático no modelo e uso de gravatas utilizadas nos trajes maçônicos. Na verdade, o uso da gravata é apenas uma regra adotada pela Obediência visando dar uniformidade às vestimentas utilizadas pelos maçons durante os trabalhos maçônicos.

No caso do simbolismo do REAA, o mais natural tem sido o uso apenas de gravata
preta, tradicional (standard), lisa e sem ornamento.

Cabe destacar que vestimenta iniciática é apenas o Avental, motivo pelo qual o maçom não pode se apresentar para os trabalhos sem estar com ele vestido.

Não obstante ao uso obrigatório do Avental, os rituais dos diversos ritos maçônicos determinam o tipo e a cor do traje que deve ser usado pelo maçom nas Lojas.

No GOB, os novos rituais para os graus simbólicos do REAA (2024), que está prestes a entrar em vigor, orienta para que a gravata seja apenas a preta, modelo tradicional (standard), lisa e sem ornamento. Deste modo, não está previsto o uso do modelo de gravata “borboleta”, independente da sua cor.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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OUT/2024

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

CHAPÉU, SOLIDÉU OU KIPÁ

Em 17/02/2024 o Respeitável Irmão José Bento de Oliveira da Loa Ordem e Progresso, 133, REAA, GOMG (COMAB), Oriente de Belo Horizonte, Estado Minas Gerais, pede esclarecimento para o que segue:

josebento85@yahoo.com.br

 

SOLIDÉU OU KIPÁ

 

Rogando pela sua paciência, vimos solicitar o seguinte esclarecimento;

Em sessão de grau 3, no REAA (a única que usamos), qual a razão histórica dos Irmãos
usarem o solidéu ou quipá?

 

COMENTÁRIOS

 

Inicialmente, gostaria de mencionar que o solidéu e a kipá são espécies de cobertura para a cabeça. O solidéu é um pequeno barrete em forma de calota e é habitualmente utilizado por autoridades eclesiásticas da Igreja Católica. A kipá é um barrete semelhante, porém usado pelos judeus em determinadas ocasiões, como na sinagoga, por exemplo.

Em linhas gerais, o solidéu, do latim soli + Deo, significa “só a Deus”, “apenas Deus” ou “só para Deus é tirado da cabeça”. Simboliza a soberania divina e mostra a importância de ser guiado por Deus. A kipá vem da tradição antiga do judaísmo e dá testemunho da presença constante de YHWH. Simboliza a submissão do homem ao Criador.

Sobre a cobertura da cabeça na Maçonaria, para os ritos que adotam esse costume, o mais comum utilizado é o uso de um chapéu negro e desabado.

Em se tratando de misticismo maçônico, a cobertura da cabeça com chapéu é de influência hebraica e também denota a submissão ao G∴ A∴ D∴ U∴. Seu simbolismo é para mostrar que acima da mente falível do homem estão a onisciência, a onipresença e onividência de Deus. Este conceito se adequa melhor para ritos maçônicos teístas.

   De modo figurado, o chapéu negro e desabado simboliza, na Maçonaria, a igualdade entre os pares.

             No REAA, rito maçônico de origem francesa e de conotação deísta/teísta, em Loja de Grau 3, todos os Irmãos devem se apresentar cobertos, enquanto que em Lojas de Aprendiz e Companheiro, apenas o Venerável usa o chapéu. Comparado com uma reunião de monarcas, o rei e os seus pares se apresentam cobertos, já o rei, diante dos seus súditos, somente ele usa cobertura.

O uso do chapéu desabado na Maçonaria também pode ser explicado como uma forma de preservar o anonimato em uma época em que os maçons se reuniam secretamente nas Lojas para conspirar contra a tirania e buscar novas conquistas sociais. Visando escapar das perseguições dos poderosos, o chapéu negro e desabado era usado como um artifício para esconder a face no intuito de preservar a identidade.

À vista destes comentários, o mais comum no simbolismo maçônico é o uso do chapéu, não da kipá (kapale) ou do solidéu.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

OUT/2024