quarta-feira, 19 de abril de 2023

BANQUETE RITUALÍSTICO OU LOJA DE MESA?

Em 06.12.2022 o Respeitável Irmão Wagner Coswig. Loja Acácia, 3978, REAA, GOB-SC, Oriente de Camboriú, Estado de Santa Cataria, apresenta a seguinte questão:

 

LOJA DE MESA OU BANQUETE RITUALÍSTICO

 

Estou fazendo uma pesquisa acerca do jantar ritualístico o qual nossa loja realizará em nossa próxima sessão dia 07/12, e como alguns Irmãos têm dúvidas sobre sua origem e significado resolvi fazer um breve estudo sobre o assunto. Porém estou achando dificuldades pois fala-se em banquete em loja, banquete ritualístico, algumas literaturas confundem com o Ágape tradicional ao final das sessões. Se o Irmão puder me esclarecer estas dúvidas sobre o banquete ritualístico, suas origens, significado, o porquê ser realizado nos solstícios, ficarei imensamente agradecido novamente.

 

CONSIDERAÇÕES

 

No caso, o título apropriado de uma reunião ritualística de comensais em torno de uma mesa, cujo desenvolvimento se dá obedecendo a um ordenamento litúrgico exarado por um ritual maçônico denomina-se Loja de Mesa.

Esse título se justifica porque na ocasião é de fato aberta ritualisticamente uma Loja seguindo o ritual vigente de uma Obediência.

                   Não se pode confundir ágapes fraternais (jantares), conhecidos em alguns casos como “copos d’água”, e que geralmente ocorrem após o final dos trabalhos em recintos apropriados, com uma Loja de Mesa que obedece a liturgia de um determinado rito.

Esses jantares, que costumeiramente ocorrem após a sessão com brindes aleatórios, nada tem a ver especificamente com uma Loja de Mesa. Longe de ser uma Loja de Mesa, a tradição de se reunir em um jantar após as sessões maçônicas advém dos tempos primeiros em que os maçons especulativos ainda se reuniam em tabernas e cervejarias. Nessa época ainda não existiam templos maçônicos. O primeiro deles somente apareceria em Londres no ano de 1776.

Na Maçonaria anglo-saxônica, é possível se encontrar Lojas que possuem um tempo para recreação, oportunidade em que os trabalhos são suspensos para que os Irmãos participem de um jantar e se regozijem com brindes efusivos. Encerrado o evento, todos retornam à Loja para dar continuidade aos trabalhos. Essa prática não pode ser confundida com a abertura de uma Loja de Mesa.

Embora de uso consagrado em alguns países, o título de “banquete ritualístico” de fato não é o nome mais apropriado para uma Loja de Mesa.

Quanto à história das Lojas de Mesa na Maçonaria, a sua origem se deve às associações simplesmente religiosas da época que, a partir do século XII, começavam a formar corpos profissionais, ou seja, as Guildas de mercadores e artesãos.

Às Guildas deve-se o primeiro documento onde é mencionado a palavra “Loja” para designar uma corporação de ofício e o seu espaço de trabalho e exposição – guildas de alfaiates, de sapateiros, de jardineiros, etc.

Nessa conjuntura, vale mencionar que as Guildas, junto com as organizações dos Ofícios Francos foram as principais precursoras da Maçonaria (Francomaçonaria).

O termo Guilda, (Gild), é de origem teutônica e se deriva de um antigo título dado a um ágape religioso que era comumente praticado na antiga região da Escandinávia. Durante esse ágape, em uma cerimônia apropriada, eram despejados no chão três chavelhos (copos de chifre) cheios com cerveja, oportunidade em que eram homenageados deuses, antigos heróis e a memória de antigos parentes já falecidos. No encerramento desse cerimonial, os comensais então juravam defender uns aos outros como irmãos, socorrendo-se mutuamente nos momentos em que a vida pudesse lhes apresentar reveses.

Nas Guildas, geralmente essas reuniões comensais e religiosas ocorriam nos solstícios de inverno e de verão no hemisfério Norte. Nada a estranhar nesse sentido, já que os cultos solares sempre fizeram presentes na cultura e tradição das antigas civilizações.

Ainda no século XII, época do aparecimento da Maçonaria de Ofício ou dos Ofícios Francos - que eram corporações de construtores com privilégios concebidos pela Igreja – os seus membros comumente se reuniam em festas solsticiais. Graças a isso é que as suas Lojas ficariam conhecidas como as Lojas de São João, pois que as datas comemorativas a João, o Batista e João, o Evangelista, respectivamente, ocorrem em datas muito próximas aos solstícios de verão e de inverno no hemisfério Norte.

Nessas circunstâncias, vale lembrar que a referência feita ao hemisfério Norte se dá porque foi nesta região que a Maçonaria nasceu e floresceu (Norte da Europa).

Sob o ponto de vista do ofício e o profissional da construção, os rigores do ciclo invernal nas latitudes do Norte da Europa eram impróprios para o trabalho, que geralmente era paralisado nessa estação.

Isso, de certo modo acabava regulando o desenvolvimento profissional, fazendo com que o verão e o inverno servissem como uma espécie de baliza para o calendário do ofício.

À vista disso, a Moderna Maçonaria conserva a tradição de comemorar em Lojas de Mesa a plenitude e a volta da Luz, daí as comemorações solsticiais de verão e de inverno, ambos períodos associados às festas patronais de João, o Batista, a 24 de junho e João, o Evangelista, a 27 de dezembro – base nos cultos solares.

Além dos períodos solsticiais mencionados nesse contexto, ainda, no lastro do misticismo iniciático da Luz e a Maçonaria, também é comum, mas menos frequente, se abrirem Lojas de Mesa nas datas equinociais da primavera e do outono que ocorrem no hemisfério Norte.

Nessa alegoria solar, a primavera simboliza o renascimento e da ressurreição da Luz (Natureza), e o outono a maturidade e o resultado dos bens produzidos pelas estações.

Em relação aos rituais e a liturgia das Lojas de Mesa na Maçonaria, muito se escreveu a respeito e com isso, além de se encontrar bons escritos, também é possível se encontrar toda a sorte de “achismos” e invenções. Assim, remontar os conceitos mais apropriados é uma empreitada que requer perseverança e observação isenta e acurada.

Há rituais sofríveis, e outros aceitáveis. Inicialmente o pesquisador deve rever a condição e os porquês da existência de uma Loja de Mesa, tanto na sua conjuntura histórica como na sua mística e iniciática.

Não há dúvida que o simbolismo de uma Loja de Mesa é precioso para atender e alcançar o seu objetivo iniciático. Contudo, infelizmente, talvez pela imensa quantidade de rituais que já foram editados, também toda a sorte de invencionices e procedimentos condenáveis podem ser encontrados. A prova disso é quando se chama uma tradicional Loja de Mesa de “banquete ritualístico”, não obstante outros rituais que prevêem se ficar à Ordem sentado e ainda por cima fazer o Sin Gutse utilizando de um dos talheres que compõem a decoração da mesa. Desafortunadamente ainda há rituais em vigência que adotam esse tipo de absurdo.

Na verdade, tudo isso não passa de um amontoado de procedimentos contraditórios que vem sendo copiados e inseridos em novos rituais editados. Sem dúvida, dentre eles existem bons rituais, mas os restos dos dinossauros ainda se fazem presentes por serem difíceis de se consumir.

Sobre a composição, liturgia, ritualística e decoração de uma Loja de Mesa, sugiro uma atenção acurada para que na sua pesquisa seja separado o joio do trigo.

Muitos dos elementos tradicionais que compõem a decoração de uma Loja de Mesa são nominados com base em ferramentas e materiais de construção (telhas, picaretas, areia branca, materiais, etc.). Essa é uma característica natural herdada dos tempos do ofício. Outras, ainda se conservam porque se derivam de costumes naturais das Lojas Militares (canhão, barricas, fogo, armas, pólvora fraca, etc.), principalmente das inglesas que, pelas características expansionistas da Coroa Britânica da época, acabariam se espalhando pela face da Terra.

 

T.F.A.

 

 

 PEDRO JUK

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ABR/2023

 

segunda-feira, 17 de abril de 2023

CORDA COM NÓS NO 3º GRAU

Em 04/12/2022 o Respeitável Irmão Cláudio Matias Peres, Loja Ângelo Avena, 4035, GOB-SP, REAA, Oriente de Guarulhos, Estado de São Paulo, faz a pergunta seguinte:

 

CORDA COM NÓS NO GRAU 03

 

O que representam a corda e os nós no grau 3 do REAA? Há alguma distinção da sua representação nos graus 1 e 2?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Em linhas gerais o cordel com nós equidistantes - que nada tem a ver com a corda de 81 nós que aparece na decoração das Lojas de alguns ritos - é um dos elementos utilizados no trabalho especulativo do Mestre Maçom na Moderna Maçonaria.

                      Sem a pretensão de revelar nenhum segredo insofismável do 3º Grau, este cordel constituído por nós equidistantes remonta aos tempos operativos e era um utensílio que servia para apurar o canto (90º) se utilizando das propriedades geométricas do triângulo retângulo pela 47ª Proposição de Euclides (Teorema de Pitágoras).

Historicamente, nas construções, a exemplo das grandes catedrais na Idade Média, o canto primitivo (o primeiro) era levantado sobre a pedra angular e servia como referência de aprumada e nivelamento para toda a obra. Nas latitudes setentrionais essa pedra angular, sobre a qual era erguido o primeiro canto, se situava na banda nordeste do canteiro de obras.

Esse cordel, então dividido a partir de uma das suas extremidades em 12 partes iguais por grupos de 3, 4 e 5, servia para demarcar um triângulo retângulo cuja junção angular entre os catetos resultava na esquadria, no caso, o canto com 90º. A eficiência de um canto justo e perfeito revelava-se na figura do triângulo retângulo cujos catetos possuíam respectivamente 3 e 4 partes iguais, e a sua hipotenusa 5 partes iguais.

Historicamente, o sigilo pertinente a essa prática era meramente profissional, já que em tempos dantes os nossos antepassados detinham cuidadosamente os segredos do ofício. Desse sigilo, dependia-se inclusive do sucesso econômico da corporação.

Fora das lides maçônicas, no campo profissional da construção civil, por exemplo, não é mais preciso ser um iniciado para se conhecer essas propriedades geométricas, pois, dentre outros, os profissionais da construção civil comumente esquadrejam os gabaritos da obra se utilizando basicamente desse mesmo processo.

No tocante ao simbolismo iniciático, reserva-se aos Mestres Maçons o conhecimento esoterico desta alegoria.

 

 

 

T.F.A.

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ABR/2023

TRANSFORMAÇÃO DE LOJA E A APROVAÇÃO DA ATA

Em 03.12.2022 o Respeitável Irmão Luis Estrada, Loja Pioneiros de Mauá, REAA, GOB-RJ, Oriente de Magé, Estado do Rio de Janeiro faz a pergunta seguinte:

 

ATA E A TRANSFORMAÇÃO DA LOJA

 

Hoje estou como secretário. Gostaria de uma orientação, pois surgiu uma dúvida, partindo de nosso irmão Orador, pois a Loja foi aberta no grau 1, porém foi transformada para o grau 2, e foi fechada neste mesmo grau, a dúvida é a seguinte, não teria que retornar ao grau 1, já que foi aberta neste grau? Outra dúvida, neste caso são feito 02 Atas, uma do grau 1 e outra do grau 2, correto?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Sim, a Loja deveria ter voltado para o grau em que ela fora primeiramente aberta para então ser encerrada.

Por si só, uma transformação de Loja significa que a Loja estava aberta em
outro grau e precisou ser transformada. Assim, cumpridos os porquês da transformação deve retornar ao grau em que incialmente estava aberta.

Em síntese, não se abre Loja em um grau e se fecha em outro. As transformações existem, mas como consta no ritual, é previsto o retorno.

Sobre a ata, é preciso uma redação sobre o ocorrido na Loja transformada. Preferencialmente essa ata da Loja transformada deve ser aprovada na mesma sessão em que ela foi transformada, isto é, aprová-la antes de retornar ao grau de origem é o mais recomendável.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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ABR/2023

quarta-feira, 12 de abril de 2023

SOL ILUMINADO NO TETO DO TEMPLO

Em 01.12.2022 o Respeitável Irmão Jackson Roberto Stork, Loja 13 de Maio II, 2167, REAA, GOB-MT, Oriente de Tangará da Serra, Estado do Mato Grosso, apresenta a questão seguinte:

 

LUZ DO SOL

 

Gostaria de saber em que momento deve ser acesa a luz do Sol que fica no Oriente sob o Altar dos Juramentos. Em nossa Loja a luz deste sol que fica no teto é acessa em dois momentos:

1. Nas sessões ordinárias o acendimento é feito depois que o Orador abre o Livro da Lei e lê o Salmo, colocando sobre este o esquadro e compasso, momento em que todos ficam a
Ordem também. Está correto?

2. Outro momento que é acesa a luz deste Sol é na Sessões Magnas de Iniciação, quando é retirada venda do neófito, acendendo-se primeiramente a luz do Sol no teto e depois as demais luzes do templo. Está correto?

Aguardo vossas orientações, pois nos rituais não trata especificamente deste procedimento, ou não existe isto, devendo esta luz ser acessa juntamente com as demais luzes do Templo.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Se não está no ritual em vigência e nem no SOR – Sistema de Orientação Ritualística oficial do GOB, é porque isso não existe.

As luzes litúrgicas (iniciáticas) da Loja são apenas aquelas existentes nos candelabros de três braços que ficam sobre o Altar ocupado pelo Venerável e sobre as mesas ocupadas pelos Vigilantes. Outras luzes que porventura existam no templo ou são decorativas, ou são aquelas que auxiliam e iluminam o ambiente de trabalho.

No teto o Sol que aparece sobre o Oriente é apenas como uma figura simbólica e não um literal elemento de iluminação ou que precise ser aceso por algum dispositivo próprio.

De resto, nada disso está previsto. Não há nenhum momento apropriado para acender se a "luz” do Sol presente no teto sobre o Oriente, seja nas sessões ordinárias ou magnas.

Como elemento decorativo, caso a Loja queira manter o Sol iluminado durante os trabalhos, é até admissível, desde que esse dispositivo de iluminação elétrica seja aceso antes do ingresso no templo junto com as demais luzes que servem para iluminar o recinto, e seja apagada junto com as demais após o encerramento e retirada do Templo, mas nada com momento emblemático especial.

Aliás, isso serve para muitas Lojas que inapropriadamente destinam uma iluminação especial para iluminar o Altar dos Juramentos. Isso não está previsto na liturgia do REAA justamente para, em respeito à fé alheia, não dar motivo para manifestações religiosas.

Salvo as luzes dos três candelabros de três braços que são acesas e apagadas conforme os momentos previstos no ritual, não há liturgia para acendimento de luz do Sol no REAA, muito menos associado à abertura do Livro da Lei e muito menos no momento do FIAT LUX que ocorre durante a cerimônia de Iniciação.

 

 

T.F.A.

 

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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ABR/2023

segunda-feira, 10 de abril de 2023

A CIRCULAÇÃO DA BOLSA E A COLETA DOS FANTASMAS

Em 01.12.2022 o Respeitável Irmão Jânio Naicin, Loja Canoas III Milênio, 470, REAA, GORGS, Oriente de Canoas, Estado do Rio Grande do Sul, formula a seguinte questão:

 

CIRCUNVOLUÇÃO ESOTÉRICA

 

Ao cumprimentá-lo fraternalmente, recorro novamente ao Caro Irmão para tentar, digamos, "elucidar" uma situação ritualística que vivenciei.

Visitando uma Loja em outro Oriente, do mesmo Rito, constatei que os Irmãos M de CCer e Hosp ao realizarem suas circunvoluções, respectivas, "passavam" pelas cadeiras vazias do Templo e agiam como se lá estivesse "sentado" alguém, oferecendo o "saco de coleta", ao final da Sessão questionei alguns Irmãos sobre tal "procedimento ritualístico" e fui informado que trata-se da "parte esotérica da loja", pois ninguém pode garantir que não haja "algum Irmão ali sentado".

No Ritual em uso atualmente no GORGS não há nada a respeito, na minha opinião, se me permite, é mais uma "invencionice" atrelada ao Rito.

Mas para dirimir a dúvida decidi recorrer ao Irmão.

 

CONSIDERAÇÕES

 

É meu Irmão, de fato morro e não vejo tudo. Na verdade, isso seria cômico se não fosse trágico para a nossa verdadeira ritualística, tão sofrida pelas invencionices e enxertos.

Agora, segundo alguns, graças a parte “esotérica da loja” (sic) fantasmas, almas de outro mundo, e outros do gênero também ingressam nos trabalhos maçônicos.

Nada contra às crenças de cada um, contudo a Maçonaria não é palco para proselitismos religiosos ou de crenças individuais. Nesse sentido, em respeito à crença de cada um, cada maçom deve procurar expor e praticar a sua religiosidade, sua fé e os seus credos nos espaços apropriados para tal, nunca nos templos maçônicos, onde professar a crença em Deus é o suficiente para que os membros da Sublime Instituição construam um mundo melhor para a humanidade.

                       Infelizmente, contudo, tem horas que alguns Irmãos parecem ter voltado às crendices da Idade Média (noite dos mil anos) e, ao invés de combater as trevas, a ignorância e a superstição, ao contrário, apregoam ideias que se ocultam nas sombras.

Ora, ora, ora... Isso é uma atitude imprópria para os canteiros da Maçonaria. A prova é que os nossos rituais não apregoam esses absurdos.

A propósito, os “videntes” poderiam nos explicar, por exemplo, como fazer a conferência das bolsas nesses casos. Afinal, os “fantasmas” materializam óbolos ou propostas e informações, ou essas contagens fazem parte dos costumes do além. Seria bom também saber, nesse caso, se a Loja possui livro de presenças para Irmãos do “outro mundo”. Afinal, eles aparecem para votar nas deliberações da Loja?

Sem mais comentários... Lembrando Stanislaw Ponte Preta e o seu famoso FEBAPA (Festival de Besteiras que Assola o País), parece que a Maçonaria também acaba de ganhar o seu FEBEAMA (Festival de Besteiras que Assola a Maçonaria).

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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ABR/2023

APRESENTAÇÃO DE TRABALHO DE COMPANHEIRO EM LOJA DE APRENDIZ?

Em 01.12.2022 um Respeitável Irmão de uma Loja do REAA, GOB-MG, Estado de Minas Gerais, faz a pergunta seguinte:

 

APRESENTAÇÃO DE TRABALHO

 

Pode em uma Sessão de Aprendiz, um Irmão Companheiro, apresentar um trabalho do Grau de Companheiro?

Observação: na Loja não tinha Aprendiz, pois os que tinham foram elevados, e para esse Irmão Companheiro aprofundar mais nos estudos do Grau, fez o trabalho nesse Grau.

E por coincidência, justamente nessa Sessão apareceu 1 (um) Irmão Visitante Aprendiz, e para não ficar sem trabalho, pedimos que o Irmão Aprendiz cobrisse o templo. Está correto?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Antecipadamente é bom que se diga que não se deve abrir uma Loja em um grau e, sem transformá-la na forma prevista, tratar de assuntos inerentes a um grau superior àquele que se está trabalhando naquele momento.

É absolutamente necessário que não se faça de uma sessão maçônica regular algo como um "faz de conta".

Ora, nesse caso o mais natural seria que o trabalho pertinente ao 2º Grau fosse apresentado em Loja de Companheiro e não em uma Loja do 1º Grau, mesmo que não houvesse Aprendiz presente à sessão.

                       No caso de uma Loja aberta no 1º Grau, para se apresentar um trabalho do 2º Grau, transforma-se primeiro a Loja, faz-se a apresentação e, nada mais havendo para ser tratado no 2º Grau, retorna-se à Loja para o grau em que ela fora inicialmente aberta.

Agora, em Loja do 1º Grau “cobrir o templo” para um Irmão Aprendiz, seja ele visitante ou não, para se apresentar trabalho do 2º Grau sem antes transformar a Loja, é de fato uma boa trapalhada.

Ainda, no que diz respeito à expressão “cobrir o templo”, quem sai do templo não é quem o cobre. Precisamos parar com esses anacronismos. Quem cobre o templo é o Cobridor, portanto, que saiu é que teve para si o templo coberto. No caso, se o Aprendiz cobrisse o templo, então ele permaneceria no lugar do Cobridor e todos os demais, sem exceção, teriam que se retirar – obviamente que isso não existe.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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ABR/2023

domingo, 9 de abril de 2023

BANCO DE REFLEXÃO NA CERIMÔNIA DE INICIAÇÃO

Em 30.11.2022 o Irmão Marcelo Silva Nunes, Loja Francisco Maranhão Carvalho, 3504, GOB-MA, Oriente de Barra do Corda, Estado do Maranhão, apresenta a dúvida seguinte:

 

BANCO DE REFLEXÃO

 

Em muitas pesquisas feitas não encontro nada sucinto sobre (banco tosco ou banco de reflexão) o estimado irmão poderia ajudar a com alguns matérias sobre está peça de arquitetura para um quase companheiro maçom. Abraços meu irmão.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Veja, se o caso for o de um pequeno banco de madeira utilizado em alguns ritos maçônicos imediatamente após a prova da Taça Sagrada, o seu nome é somente banco de reflexão.

                     Diferente de uma cadeira com espaldar, o mesmo é um pequeno banco rudimentar, sem encosto e individual utilizado em um determinado momento litúrgico da cerimônia de Iniciação do REAA.

O adjetivo “tosco” não é utilizado, nem no ritual do REAA e nem no SOR, Sistema de Orientação Ritualística do GOB. Desse modo, o título mais adequado no caso é apenas banco de reflexão.

Por si só o próprio nome já define a serventia desse solitário assento iniciático, ou seja, é onde o candidato, após ter sido teatralmente retirado da prova, senta-se por um determinado momento para no silêncio do seu interior fazer uma reflexão sobre o acontecimento iniciático pelo qual ele acabara de passar – refletir sobre as doçuras e os amargores da vida.

É oportuno mencionar que o banco de reflexão é utilizado apenas no momento previsto no ritual, não existindo nessa ocasião trotes ou brincadeiras. O momento é de silêncio e de reflexão.

Por fim, vale mencionar também que o banco de reflexão nada tem a ver com os assentos que os Aprendizes ocupam em Loja no topo da Coluna do Norte. Esses lugares devem ser confortáveis como quaisquer outros distribuídos pela sala da Loja (templo).

 

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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ABR/2023