quarta-feira, 26 de abril de 2023

COLCHA DE RETALHOS - REAA

Em 26.12.2022 o Respeitável Irmão Luís Filipe Torres Conceição, Loja Fraternidade Ferrense, REAA, GOB-MG, Oriente de São Pedro dos Ferros, Estado de Minas Gerais, apresenta o que segue:

 

A COLCHA DE RETALHOS

 

Se pudesse fazer uma lista das alterações mais bizarras e sem sentidos feitas durante aos longos dos anos no REAA, quais seriam?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Inicialmente é preciso dizer que as coisas não são tão simples assim, principalmente pelo modus operandi latino de editar uma enorme quantidade de rituais no curso do tempo. Escolher o certo e o errado entre tantos, não é tarefa das mais fáceis.

De certo modo, para compreender a originalidade dos rituais simbólicos do REAA é preciso antes conhecer a saga da construção do seu primeiro ritual no início do século XIX (1804) na França.

            Destacam-se nesse contexto três elementos básicos que deram sustentação para a elaboração desse ritual. São eles o Régulateur du Maçon do Grande Oriente da França (1801), a exposure As Três Pancadas Distintas na Porta da Antiga Maçonaria, essa relacionada à Grande Loja dos Antigos de 1751 na Inglaterra e, por fim, a Loja Mãe
Escocesa, criada em outubro de 1804 na cidade de Paris para gerenciar a construção do 1º Ritual.

Não obstante esses elementos históricos e estruturais, considere-se ainda nessa conjuntura a criação das Lojas Capitulares pelo Grande Oriente da França que, a partir de 1816, começaria a fazer estragos no primitivo projeto do ritual de 1804 do REAA.

Relacionado às Lojas Capitulares está o Guia dos Maçons Escoceses, então implantado na França aproximadamente entre 1821/22. Esse guia, que na verdade não era propriamente um ritual, influenciou em demasia os trabalhos do simbolismo. Um exemplo disso foi a criação do Oriente da Loja elevado e demarcado para atender a necessidade de se acolher o Santuário Rosa Cruz onde seriam acomodados na Loja os portadores dos graus capitulares escoceses. Nessa época, o Athersata do Capítulo (Grau 18) era também o Venerável Mestre da Loja Simbólica. É preciso conhecer esta história.

Posso dizer que já escrevi bastante a respeito e esses produtos escritos podem ser encontrados no Blog do Pedro Juk hospedado em http://pedro-juk.blogspot.com.br

No contexto do primeiro ritual, vale mencionar que a disposição da sala da Loja (templo) utilizada pelos “Antigos” ingleses, logo acabaria servindo também de modelo para a constituição topográfica da Loja do REAA.

O principal ponto a esse respeito é que tal como no Rito de York, o espaço de trabalho (a Loja) era todo no mesmo nível, isto é, no mesmo plano e sem a separação e elevação do Oriente. Também, como na forma antiga, o 2º Vigilante ocupava lugar ao meridiano do Meio-Dia (centro da banda Sul do espaço).

Diferente dos “antigos”, o Grande Oriente da França e os seus então ritos, Moderno e Adonhiramita, traziam Oriente elevado e separado, tendo os seus Vigilantes invertidos, ficando ambos posicionados no extremo do Ocidente.

No entanto, com o advento das Lojas Capitulares (hoje já extintas), houve a necessidade de adaptações que comportassem ao mesmo temo o simbolismo e o Capítulo do REAA. Assim, o ambiente que era todo no mesmo plano acabou tendo o seu espaço oriental destacado do ocidental. Isso resultou na demarcação e elevação do Oriente da Loja. Como visto acima, o modelo do Oriente elevado, principalmente por influência do GOF, se deve também ao formato comum do da Loja do Rito dos Sete Graus, ou Rito o Moderno.

Todavia, anos mais tarde, após a extinção das Lojas Capitulares, o templo do REAA, ao contrário de retornar ao seu modelo original, permaneceu mantendo o Oriente elevado e dividido.

Graças a isso, houve uma reestruturação no modelo do simbolismo iniciático do Rito, de tal modo que o Oriente - outrora o santuário Rosa Cruz capitular - agora era reservado aos Mestres Maçons, Ex-Veneráveis e Autoridades. Dessa maneira firmava-se no templo a alegoria solar do caminho iniciático, cujo começo (Aprendiz) ocorre a partir do topo da Coluna do Norte, passando pelo topo do Sul (Companheiro) e se encerra ao alcançar o destino final no Oriente (Mestre).

Em primeira análise eu diria que inicialmente esse foi o conjunto de mudanças mais retumbantes no simbolismo do REAA, ao ponto de se consagrar definitivo e básico para a estrutura doutrinária do Rito (consuetudinário).

Ao longo do tempo e especialmente nos países latinos, os rituais para o simbolismo do REAA acabariam sofrendo inúmeras intervenções. Muitas delas por “achismo”, outras por invencionices e outras ainda como produtos enxertados de outros ritos. Algumas, entretanto, de aperfeiçoamento.

Em tempos primitivos, a exemplo do Brasil, a obscuridade ritualística progredia muito em face às dificuldades de comunicação. Notadamente, a própria história da Maçonaria Brasileira contribuiu muito para o aparecimento de elementos antagônicos à originalidade litúrgica do REAA, sobretudo no século XIX e boa parte do XX. Na montagem de uma grade de pesquisa, esse é um ponto relevante que merece ser investigado.

Não resta dúvida que vários outros fatores também viriam contribuir para a “colcha de retalhos” encontrada em muitos rituais simbólicos do REAA. Tantas foram as inserções indevidas que seria demasiado estafante tentar aqui reproduzi-las.

No rigor da razão, cada ritual, seja ele aceitável ou contraditório, possui a sua história e é nela que se pode encontrar o fio de Ariadne capaz de conduzir o pesquisador a uma fonte de água limpa. Uma das regras mais importantes para se encontrar a saída desse labirinto é não acreditar de maneira generalizada que antiguidade seja sinônimo de originalidade, sobretudo quando se trata de rituais, principalmente aqueles nascidos na Maçonaria Tupiniquim. O cuidado deve ser dobrado quando da escolha do roteiro bibliográfico.

Dada a complexidade desse assunto e abreviando essa abordagem, seguem abaixo alguns tópicos encontrados nos rituais adotados pelas Obediências Regulares e que podem ser perscrutados e avaliados quanto à sua autenticidade ou não no simbolismo do REAA.

a)    Paredes do templo pintadas de azul - a Loja Mãe Escocesa em 1804 determinava o matiz encarnado como referência do escocesismo;

b)    Aventais de Mestres com rosetas e debruados em azul - o Conselho de Lausanne, Suíça, realizado em 1876 determinava, dentre outros, aventais debruados em vermelho trazendo ainda as iniciais MB;

c)    Altar dos Juramentos próximo e à frente do Altar ocupado pelo Venerável Mestre – alguns rituais trazem esse altar no centro do Ocidente – desde as Lojas Capitulares o Altar dos Juramentos é uma extensão do Altar principal, portanto, fica no Oriente. Era mobiliário móvel para servir ao simbolismo e era colocado no limite com o Ocidente quando houvesse uma tomada de juramento de graus simbólicos. O simbolismo não adentrava o Oriente.

d)     Diáconos não portam bastão no REAA – foram introduzidos no REAA como antigos oficiais de chão e a sua função é apenas e tão somente para atuar na transmissão da palavra sagrada. É um cargo originário da Maçonaria anglo-saxônica;

e)    Formação de pálio no REAA – encontram-se rituais que adotam essa prática, contudo, os Diáconos, como mensageiros atuam apenas na transmissão da palavra (não usam bastão);

f)     Cerimonial para acendimento de luzes no REAA - é prática de outro rito e originalmente não faz parte da liturgia do rito em questão. Primitivamente, no REAA as luzes litúrgicas eram acesas pelo Arquiteto antes do ingresso dos Irmãos no templo.

g)     As Colunas Vestibulares B e J. Por serem vestibulares, de vestíbulo, originalmente são exteriorizadas e ficam junto à porta no átrio do templo. Há ritos que as trazem invertidas e interiorizadas como de outros ritos.

E assim seguem muitos outros elementos, mas que para elenca-los demandaria de muitas e muitas laudas. Os acima expostos já podem dar ideia do porquê da “colcha de retalhos”. Como dito, avaliar o certo e o errado depende de estudo sério e acurado.

Ao concluir alerto ao pesquisador que é fundamental o conhecimento da história do rito, suas origens, sua proposta doutrinária, costumes e outras particularidades. Alerto que nada está pronto no campo da pesquisa em Maçonaria. É preciso antes buscar os elementos apropriados para se construir o mosaico da sua história.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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ABR/2023

segunda-feira, 24 de abril de 2023

CIRCULAÇÃO NA MESMA COLUNA? DESLOCAMENTO DO 2º DIÁCONO

Em 15/12/2022 o Respeitável Irmão Ivo Carlos Hoemke, Loja Renascer do Vale, 4007, REAA, GOB-SC, Oriente de Penha, Estado de Santa Catarina, faz a pergunta seguinte:

 

DESLOCAMENTO DO 2º DIÁCONO

 

Gostaria de lhe fazer uma consulta com relação ao deslocamento do 2º Diácono no início da sessão. A circulação em Loja no Ocidente é clara, sentido horário e tendo o Painel do Grau como referência à direita. Ocorre que tenho percebido que algumas Lojas o 2º Diácono apesar de estar à frente do 1º Vigilante (vide layout RITUAL GOB) simplesmente se vira para trás e se dirige ao 1º Vigilante (segundo as orientações do SOR isso está correto). Tenhoobservado também algumas Lojas em que o 2º Diácono faz o giro no Painel do Grau para se dirigir ao 1º Vigilante. Me parece que ambas podem ser consideradas corretas, ou estou enganado?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Segue-se o que está prescrito no SOR. O Sistema de Orientação Ritualística oficial do GOB (Decreto 1784/2019) determina, inclusive, que em nome da paridade de procedimentos ritualísticos, a circulação em Loja se inicia a partir de quando o Venerável Mestre solicitar ajuda aos Irmãos para abrir a Loja (páginas 44 e 86 do ritual de Aprendiz do REAA).

Quando à circulação do 2º Diácono durante a abertura dos trabalhos por ocasião da liturgia da transmissão da Pal Sagr, o mesmo se dirige "diretamente" do seu lugar até o 1º Vigilante, abordando-o na sua mesa pelo seu ombro direito.

Isso ocorre “diretamente”, ou seja, sem a circulação horária em torno do Painel porque ambos os personagens estão na Coluna do Norte, e na mesma Coluna não existe circulação.

Já, quando o 2º Diácono se deslocar do 1º Vigilante, ao Norte, até o 2º Vigilante, no Sul, ele deverá então obedecer à circulação horária. Assim, o 2º Diácono em deslocamento atravessa o equador do templo pelo espaço entre a retaguarda do Painel e o limite com o Oriente até alcançar o lugar do 2º Vigilante, abordando-o pelo seu obro direito.

Cumprida a sua missão, o 2º Diácono imediatamente retorna para ao seu lugar na Coluna do Norte, dessa vez cruzando o equador do templo pelo espaço que fica entre a frente do Painel e a porta do templo.

No encerramento dos trabalhos, o 2º Diácono obedece a essa mesma circulação.

Sobre a circulação horária no templo é oportuno mencionar que o termo “circulação” não significa que cada vez que alguém necessite se deslocar pelo Ocidente da Loja obrigatoriamente tenha que dar voltas ao redor do Painel. O que existe mesmo é a regra de se circular no sentido horário quando alguém tiver que se deslocar de uma para outra coluna.

Assim, conforme explica o ritual de Aprendiz do REAA do GOB, dele a página nº 42, o procedimento é o seguinte: do Norte para o Sul transita-se passando pelo espaço localizado entre a retaguarda do Painel e o limite com o Oriente; do Sul para o Norte se faz em se passando pelo espaço entre a frente do Painel e a porta do templo. Em síntese, há espaços determinados por onde se passa ao atravessar do Norte para o Sul e vice-versa.

Por essas circunstâncias, explica-se que na mesma coluna (hemisfério) não existe circulação, já que não faria sentido, hipoteticamente, alguém precisar dar a volta ao mundo para chegar no mesmo lugar. Vale relatar que chão da Loja simboliza o solo terrestre, cujas Colunas do Norte e do Sul correspondem aos hemisférios do planeta Terra. O eixo longitudinal Leste-Oeste da sala da Loja corresponde ao equador. No sentido figurado é como se os maçons andando dentro do templo circulassem sobre a superfície da Terra.

Finalizando, no Oriente da Loja (além da balaustrada) não existe circulação horária, contudo estipula-se que nele se ingresse pelo lado nordeste, ou seja, tendo como referência o mesmo lado em que o Orador ocupa lugar. Dele se sai sempre pelo sudeste em direção à Coluna do Sul, ou seja, como referência retira-se pelo mesmo lado em que o Secretário ocupa lugar.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR.

jukirm@hotmail.com

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ABR/2023

A QUEM O COBRIDOR INTERNO ANUNCIA - REAA

Em 15.12.2022 o Respeitável Irmão Itamar Pereira, Loja Filhos de Salomão, 2311, REAA, GOB-DF, Oriente de Brasília, Distrito Federal, faz a seguinte pergunta:

 

COBRIDOR INTERNO

 

Já li várias respostas suas sobre o Cobridor Interno, mas ainda me resta uma dúvida que não achei em nenhum local.

No caso de um Irmão atrasado bater maçônicamente à Porta do Templo. O Cobridor responde às batidas e anuncia a quem?

Primeiro ou Segundo Vigilante (nesse caso a Loja já está aberta e funcionando com força e vigor.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Veja, convenciona-se que se a Loja ainda não estiver aberta, estando em processo de abertura, caso algum retardatário bata à porta do templo, o Cobridor Interno comunica ao 1º Vigilante. No caso de a Loja estar aberta, essa comunicação é feita ao 2º Vigilante.

A bem da verdade, não existe nenhuma regra oficial a respeito porque nenhum ritual sério vai institucionalizar o atraso, sobretudo pelo respeito àqueles que são pontuais.

Em caso de atraso, recomenda-se que o retardatário, em qualquer situação, dê apenas a bateria de Aprendiz. Se o momento não for propício para o ingresso, para não atrapalhar a ritualística de abertura, por exemplo, o Cobridor Interno repete essa bateria, o que significa que o retardatário deve aguardar. Então, no momento propício, o Cobridor comunica o Vigilante.

Antes de tudo recomenda-se que ninguém chegue atrasado, até porque o ritual não prevê atrasos. Na hipótese de isso acontecer, que pelo menos não ocorram na porta do templo batucadas e outros recursos escusos do gênero. Para tal, o atrasado dá apenas a bateria de Aprendiz. Sendo ela repetida internamente, entenda-se que é para aguardar. Não existe pancada única, de alarme, etc. O grau em que a Loja estiver trabalhando será informado ao retardatário pelo Cobridor Interno no momento em que ele abrir a porta para verificar quem bate.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

jukirm@hotmail.com

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ABR/2023

sábado, 22 de abril de 2023

SINAL DE ORDEM III

Em 14.12.2022 um Respeitável Irmão que pede para não ser identificado, Loja praticante do REAA, GOB, sem mencionar o Oriente, faz a pergunta seguinte:

 

SINAL DE ORDEM

 

Minha dúvida seria quanto ao Venerável Mestre na hora da abertura dos trabalhos já com o livro da lei aberto ou no encerramento da sessão.

O Venerável Mestre. Com sua ferramenta de trabalho em mãos (no caso o ritual que está sendo lido no momento) deve ou não ser feito o Sinal de Ordem ou "GUT".

Sempre tenho visto o Venerável Mestre lendo seu ritual (na abertura ou encerramento) fazendo o sinal de ordem.

Por favor esclarecer esta dúvida.

 

CONSIDERAÇÕES

 

                     No REAA, a regra é de que a partir do momento em que a Loja for declarada aberta, até o seu encerramento, todos os que porventura estiverem em pé e parados, inclusive o Venerável Mestre, devem se colocar à Ordem.

No caso, o Venerável Mestre fica à Ordem deixando o seu malhete sobre o
Altar.

Se ele estiver em pé fazendo alguma leitura, do ritual por exemplo, o mais razoável seria acomodar o ritual sobre Altar o dispondo de maneira mais acessível para efetuar as leituras.

Assim, estando ele em pé e com as mãos livres, fica à Ordem (corpo ereto e pés em esq, compondo naturalmente o Sinal de Ordem).

Do mesmo modo, estando nos seus respectivos lugares, assim também procedem os Vigilantes.

Eventualmente, se o Venerável Mestre ou os Vigilantes, por dever de ofício precisarem transitar pela Loja, devem trazer consigo os seus respectivos malhetes. Nesse caso, eles ao permanecerem em pé e parados, na forma de costume pousam os respectivos malhetes no l e do p.

Vale esclarecer que o malhete pousado no l e do p não é sinal maçônico, mas a forma a rigor de como se empunha (segura) esse instrumento de trabalho - em deslocamento ou em pé e parado fora do seu lugar.

Ao concluir, destaco nesse contexto que a conduta ritualística é não fazer sinal quando se estiver empunhando (segurando) um objeto de trabalho. Isso implica que não se deve utilizar de um objeto para com ele compor ou fazer o sinal. No caso do malhete, por exemplo, seria impróprio alguém colocá-lo na região gut.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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ABR/2023

sexta-feira, 21 de abril de 2023

INICIAÇÃO - CONDUÇÃO DO CANDIDATO AO TEMPLO

Em 09.12.2022 o Respeitável Irmão Carlos Resende, Loja Cavaleiros do Sol, 3195, GOB-MS, REAA, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, formula o que segue:

 

A CONDUÇÃO DO CANDIDATO AO TEMPLO

 

Eminente Irmão, que o GADU te permita sempre iluminado e com muita saúde e paciência conosco, para que nos transmita suas Luzes.

Sabemos que muitas Lojas, inclusive a minha, têm algumas tradições que vem lá de trás e que são quase imutáveis.

Me refiro aqui ao "tour" realizado pelos Irmãos que vão buscar o candidato, passando pela Maternidade (falando sobre nascimento, igualdade no nascimento dentre outras coisas). Depois se vai até a porta de uma Delegacia de Polícia e ali mais um discurso de que o Maçom deve evitar entrar ali como delinquente/infrator, a não ser para visitas;

E, por último, se leva o candidato até ao cemitério, orientando-o a buscar uma sepultura qualquer, acender um pacote de velas e ficar lá por algum tempo, meditando.

Depois, vem o discurso para que o candidato reflita sobre a morte, etc... etc...

Em seguida, se v o candidato e segue para entregá-lo ao Irmão Ter na porta do Templo.

Eu mesmo já fiz isso como candidato e também como condutor.

Enfim, este é, resumidamente, o que se pratica em algumas Lojas.

Ocorre que, quanto mais leio e interpreto as orientações Ritualísticas, aliando-se às evoluções e aos perigos de se conduzir uma pessoa vend pelas ruas, mas me convenço que nosso Ritual de Aprendiz e o SOR deixam claro que a INICIAÇÃO começa ali na porta do Templo com o Irmão Ter. E que todas essas encenações pelas ruas são desnecessárias e temerárias. Sob a minha interpretação, tudo isso que tentam passar ao candidato está implícito e aos olhos do candidato lá na Câmara de Reflexão em toda a simbologia lá existente. E que, nas primeiras Sessões ao neófito, isso deveria merecer um bom Tempo de Estudos.

Claro que posso estar totalmente errado nas minhas interpretações, e é por isso que agradeceria receber mais uma aula de sabedoria do Eminente Irmão.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

De início devo salientar que de fato nenhuma dessas encenações constam no nosso Ritual e nem no SOR.

É de fato inacreditável até aonde chega a imaginação e o poder de criação de alguns, ao ponto de fazer com que a Maçonaria enverede por caminhos tortuosos e temerários.

Ora, Maçonaria, ao que consta, nada tem a ver como maternidade, delegacia de polícia e muito menos com necrópoles.

Ao que parece é que a falta total de conhecimento sobre os verdadeiros propósitos da Sublime Instituição acaba fazendo com que alguns Irmãos se dediquem a inventar procedimentos que desrespeitam tudo o que está legalmente previsto, no caso no Ritual do REAA em vigência no GOB.

É preciso avisar alguns que o que deve ser seguido está no Ritual e o SOR, dispensando-se, portanto, qualquer justificativa que evoque costumes e tradições da Loja. Se assim fosse, então ritual serve para quê?

Também não se justificam desculpas esfarrapadas do tipo de que todas essas barbaridades ocorrem extra loja, ou seja, antes da cerimônia de Iniciação.

Ora, é oportuno mencionar que o ato iniciático começa quando um ou mais Irmãos, como guias e em nome da Maçonaria, conduzem o Candidato do aconchego do seu lar até o edifício da Loja.

Assim, vale alertar aos “inventores” de práticas não previstas, para que antes conferissem o que consta no Ritual de Aprendiz em vigência do REAA/GOB, item 3.4.1.1, Iniciação – Preliminares; páginas 95, 96 e parte da 97. Certamente que não encontrarão nada que combine com o bizarrismo de se andar por maternidades, delegacia de polícia e cemitérios no dia da Iniciação.

A propósito, é oportuno mencionar os dois parágrafos iniciais das preliminares acima citadas que constam do ritual. Por si só elas já demonstram a magnitude de uma cerimônia iniciática:

“A Iniciação é o primeiro contato (o grifo é meu) ativo que o prof, agora candidato tem na Ordem, consequentemente deve ser solene e grave (o grifo é meu)”.

“Recomenda-se não iniciar mais de três candidatos (o grifo é meu), em uma única Sessão Magna, sendo o ideal um só candidato (o grifo é meu), dada a importância para o nascimento do Maçom (o grifo é meu)”.

Nesse contexto, o ritual também menciona que o Candidato desvend é introduzido no edifício e entregue ao Exp e ao Tes. Isso por si só já demonstra que o candidato somente será vend depois que estiver dentro do edifício que abriga a Loja.

Não se admite candidato vend antes do que está previsto justamente para que se evitem prováveis dissabores com autoridades policiais por conta de uma enganosa interpretação que confunda a condução do Candidato com uma ação criminosa. Nessa condição, o desrespeito ao Ritual é também um ato de irresponsabilidade, pois pode colocar a Ordem Maçônica em uma situação no mínimo embaraçosa.

Já que o assunto é o devido respeito pelo Ritual, vale também lembrar que o Ritual e o SOR recomendam, dada a solenidade do ato, um máximo de três candidatos na Iniciação, enfatizando que o ideal seria apenas um.

Infelizmente, nessas circunstâncias ainda há Lojas que desrespeitam essa recomendação, iniciando vários candidatos de uma só vez, ou seja, mais que o recomendável pelo ritual, fazendo com isso Iniciações por atacado como fossem verdadeiros mercados de peixe.

Nessas condições, certamente o iniciado nunca viverá a verdadeira Iniciação, isto é, estará longe de compreender filosoficamente o ato inicial da transformação.

Desse modo, ao concluir reitera-se que uma iniciação maçônica nada tem a ver com maternidades (setor hospitalar para mulheres no último estágio da gestação), com delegacias de polícia (repartição em que o delegado exerce a sua função) e nem com cemitérios (lugar onde se enterram e guardam os mortos).

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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ABR/2023

 

quinta-feira, 20 de abril de 2023

IRMÃOS SABATINADOS E A COBERTURA DO TEMPLO

Em 07/12/2022 o Irmão Luís Filipe Torres Conceição, Loja Fraternidade Ferrense, 2230, REAA, GOB-MG, Oriente de São Pedro dos Ferros, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

 

IRMÃOS SABATINADOS

 

Em uma sabatina do Grau 01, fui convidado, como Aprendiz, a cobrir o templo para outro irmão ser sabatinado. O Orador de ofício informou que, como não há previsão legal de que os Aprendizes permanecem ou não em Loja durante a sabatina, a Loja é soberana em decidir se os Aprendizes ficam ou não durante o exame. Gostaria de saber se uma Loja, em seu regimento interno, pode contraria o RGF? Além disso, há alguma sustentação para que os irmãos aprendizes que não serão sabatinados cubram o templo durante a sabatina?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

É mesmo impressionante como alguns Irmãos adoram complicar as coisas em nome de se sabe lá o quê. Ora, justamente por não existir nada previsto na legislação que proíba a presença de Irmãos de um mesmo grau durante uma sabatina é que todos podem se fazer presentes, isto é, os que de um mesmo grau serão ou não sabatinados.

                     Retirar os Irmãos de um mesmo grau que não serão sabatinados é algo que de fato não faz sentido. Isso se justifica porque não há o que esconder, por exemplo, de um Aprendiz em uma sessão do Grau 01, esteja ele sendo sabatinado ou não. Portanto é seu direito
assistir o exame que outro Irmão do mesmo grau irá se submeter.

Não há o porquê de se inventar regras, pois se assim fosse, Aprendizes mais novos no grau não poderiam participar de uma sessão em que Aprendizes mais antigos se fizessem presentes. Veja o tamanho do contrassenso.

Conforme menciona o RGF no seu Artigo pertinente, após tomado o questionário do examinado, o templo será então coberto aos Aprendizes. Note que no Diploma Legal não está previsto que no dia da sabatina estejam presentes apenas os Irmãos que serão sabatinados, mas outros do mesmo grau.

Assim, são retirados todos os Aprendizes para que a Loja seja então transformada ritualisticamente em Grau 02, oportunidade em que será deliberado por votação o aumento de salário do(s) sabatinado(s). Cumprido o procedimento, a Loja retorna aos trabalhos no 1º Grau, e todos os Aprendizes retornam aos trabalhos. O Venerável então comunica ao(s) sabatinado(s) o resultado da avaliação.

Desse modo, não há restrição para que outros Aprendizes, que não serão examinados, assistam a sabatina, pois no caso ela ocorre no 1º Grau. Precisamos parar de inventar regras não servem exatamente para nada. Ao contrário, somente truncam o bom andamento dos trabalhos.

Por fim, ao encerrar vale a pena lembrar que nessa situação não é o Aprendiz quem cobre o templo, pois quem é o responsável pela cobertura do templo é o Cobridor.

Infelizmente esse é outro paradoxo, e como tal precisa ser urgentemente sepultado.

Veja, nesse caso quem terá que se retirar é a pessoa que terá para si o templo coberto. Nessa conjuntura, a cobertura do templo significa que por algum motivo legal o Aprendiz temporariamente não poderá permanecer nos trabalhos.

Dessa maneira, se contraditoriamente o Aprendiz fosse quem cobrisse o templo - como é dito por alguns - então todos os demais, sem exceção, deveriam se retirar para que o Aprendiz permanecesse cobrindo o templo. É fácil ver que isso não faz nenhum sentido.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

Secretário Geral de Orientação Ritualística / GOB

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

ABR/2023