sábado, 7 de abril de 2018

O BALANDRAU E OS COLLEGIA FABRORUM - TRAJE MAÇÔNICO


Em 20/01/2018 o um Respeitável Irmão que pratica o REAA no Rio Grande do Sul, comentando o uso do terno e do balandrau na Maçonaria, menciona o seguinte.

O BALANDRAU DA ÉPOCA DOS COLLEGIA FABRORUM


(...) tem outra particularidade que me incomoda (não sei se estou usando o termo correto). É quando aludem a origem do balandrau aos Collegia Fabrorum. Não entendo patavina de moda, mas creio que a indumentária dos romanos naquele período nada se parece com um balandrau.

CONSIDERAÇÕES.

Os Collegia vestiam uma túnica sobre as vestes para diferenciá-los dos demais já que eles, acompanhando as legiões romanas, não se davam à atividade bélica. Conforme nos explicam alguns historiadores suas eram vestes compridas que iam até os talões (tornozelos) e alguns tinham neles capuzes presos à indumentária no intuito de cobrir a cabeça. Dessa vestimenta resultou também o hábito de muitos monges medievais.
Quanto à cor dessas vestimentas, elas eram geralmente de matiz escuro, negro ou marrom.
A Maçonaria, como herdeira dos construtores medievais, cujos quais sofriam forte influência da Igreja e, por extensão dos monges das Associações Monásticas, acabou adotando aos seus costumes essa vestimenta que, obviamente, seguiu os padrões evolutivos da moda, deixando os incômodos roupões pesados para adotar tecidos mais modernos, todavia manteve inquestionavelmente duas características: uma a de manter a cor negra e a segunda a de ser uma veste talar (que vai até os talões). Também não se adota atualmente no balandrau maçônico o capuz preso a ele.
Em termos de Moderna Maçonaria, autores impecáveis como o saudoso Theobaldo Varolli Filho sempre defenderam o uso do balandrau e do chapéu como indumentária obrigatória para todos os Mestres trabalhando na Loja em Câmara do Meio nos ritos que detém essa tradição.
A título de esclarecimento seguem algumas definições do balandrau conforme o disposto nos dicionários da língua portuguesa:
Balandrau (do latim “balandrana”) – substantivo masculino. 1. São as vestes utilizadas por algumas irmandades em cerimônias religiosas; 2. Capa ou casaco largo e comprido; 3. Antiga vestimenta de capuz e mangas largas; 4. Roupa ampla e comprida, sem cinto.
De fato, o balandrau utilizado atualmente por alguns ritos maçônicos não é literalmente vestimenta idêntica àquela utilizada pelos collegiati na época do imperador Numa Pompílio (século VI a. C.), entretanto a ideia da indumentária continua a mesma, até porque se ainda não existia Maçonaria naquele período da história, é inegável que aqueles usuários do antigo balandrau se dedicavam à construção e a reconstrução.

T.F.A.

PEDRO JUK

ABRIL/2018


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