sábado, 12 de outubro de 2019

ARQUITETURA DE UM TEMPLO DE APRENDIZ - REAA


INSTRUCIONAL MAÇÔNICO III - ARQUITETURA DE UM TEMPLO DE APRENDIZ – REAA



I – INTRODUÇÃO.
A presente peça de arquitetura em formato de instrucional maçônico tem o objetivo de trazer informações ao Aprendiz, sobretudo nos períodos de primeiro contato com a liturgia e ritualística da Ordem.
Nesse sentido, foi utilizado um texto primário que envolve o Templo de Aprendiz e o seu Simbolismo, texto esse que fora elaborado pelo saudoso Irmão Theobaldo Varolli Filho e publicado no ano de 1974 nos Rituais de Capa Vermelha (REAA) - como ficariam conhecidos esses rituais mais tarde.
Pela preciosidade de conteúdo e temendo que ele se perca no tempo, achei por bem mantê-lo nesse instrucional como estrutura básica, sendo adequados e acrescentados, entretanto, alguns aspectos para que o conteúdo se aproxime dos Rituais do REAA em vigência na atualidade.
Acompanham também o texto trinta notas de minha lauda, cujas quais procuram trazer ainda mais explicações que entendo como necessárias e destinadas aos Irmãos Aprendizes.
Segue assim, a base bibliográfica com alguns complementos e adequações no texto, bem como outras apreciações relativas ao título que segue.
II – O TEMPLO DE APRENDIZ E O SEU SIMBOLISMO
A Maçonaria Simbólica é constituída por três graus universais - Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom. O Simbolismo maçônico é governado por instituições independentes e soberanas, sem nenhum envolvimento com Corpos que abriguem graus acima do de Mestre Maçom. A essas Instituições independentes dá-se o nome de Grande Oriente, ou Grande Loja. Assim, esses Corpos Maçônicos congregam Lojas Maçônicas.
NOTA 01 – No Brasil três são as Obediências regulares e que se reconhecem entre si por tratados de amizade, todavia sem que uma interfira sobre a outra.
Os graus acima do 3º são dirigidos por Corpos Maçônicos apropriados a cada rito e esses não podem interferir, sob nenhuma hipótese, sobre o Simbolismo. Porém as Lojas Simbólicas adotam e seguem a doutrina e os métodos essenciais de cada Rito – uma Loja deve adotar a prática de apenas um rito. Graus superiores ao 3º constituem complementos e aperfeiçoamentos da ciência maçônica adquirida dos três graus simbólicos, cujos quais resumem todo o conteúdo iniciático do Maçom.
NOTA 02 – Em se tratando de graus superiores, também conhecidos por graus filosóficos, cada rito possui um número de graus característicos. Dá-se como exemplo o REAA com 33 graus, o Rito Brasileiro com 33 graus, o Rito Moderno que originalmente possui 7 graus, o Rito Adonhiramita que originalmente possui 13 graus, Rito de York com seus graus laterais, etc. Existe, entretanto, ritos que possuem apenas e tão somente os três graus Simbólicos, é o caso do Rito Schröder, por exemplo. Cabe mencionar que número de graus acima do 3º, universal para todos os Ritos, não faz nenhum Rito melhor do que o outro pela quantidade de graus acima do Franco Maçônico Básico Universal (Aprendiz, Companheiro e Mestre).
Dá-se o nome de Templo Maçônico, ou Sala da Loja, ao espaço em que os maçons trabalham. Esse lugar deve ser compreendido (de modo simbólico apenas) como uma faixa da superfície terrestre situada entre os Trópicos de Câncer e de Capricórnio. Os trópicos são assinalados no recinto pelas duas colunas “vestibulares” do Primeiro Templo de Jerusalém (o de Salomão) – Colunas B\ e J\ (I Reis, 7,21 e II Crônicas ou Paralipômenos, 3,17).
NOTA 03 – Entenda-se também que a Sala da Loja, ou Templo, arremeda, de modo estilizado, o espaço em que nossos ancestrais da Maçonaria de Ofício trabalhavam quando construíam catedrais, igrejas e abadias. A Loja e seus elementos de decoração, também simbolizam de modo especulativo os canteiros de obras e o trabalho exercido pelos nossos Irmãos do passado. Essa é uma das razões pela qual a Sala da Loja é também conhecida como Oficina. Dado ao seu caráter universal, o Templo também significa um espaço de trabalho sobre o Planeta em que vivemos.
Embora essas Colunas erguidas no Templo de Jerusalém, ficassem no Oriente, à moda dos dois obeliscos principais trazidos dos templos egípcios, em se tratando de Maçonaria, esta as coloca na entrada dos seus Templos (no átrio), isto é, no Ocidente, devendo ladear, a porta do Templo, ficando a Coluna B a esquerda de quem entra e a J\ a direita.
NOTA 04 – A Moderna Maçonaria tem como sua alegoria principal o Templo de Jerusalém, também conhecido como Templo de Salomão. Sobre esse lendário Templo estrutura-se a razão principal da Grande Iniciação, o que se dará no acesso para o 3º Grau. Alegoricamente, sobre a construção desse Templo é que fora esquadrinhada a Lenda de Hiran. Em razão disso, muitos elementos que decoram a Sala da Loja, ou Templo Maçônico relacionam-se com motivos e rudimentos pertencentes a esse famoso Templo hebraico.
O pórtico do Templo, deve ser feito em estilo salomônico, deve possuir quatro folhas (I Reis, 6,2-3 3 II Crônicas, 3, 3-4). Em Maçonaria, a porta do Templo existe, não para propriamente imitar o Templo de Jerusalém (de Salomão), mas para “cobrir” os trabalhos maçônicos, que são sigilosos e não podem ser vistos e nem ouvidos fora dos limites do recinto (I Reis, 6, 7).
Em Maçonaria, entende-se a Loja como um parlamento ou congresso instalado dentro do Templo (Sala da Loja). Ensina-se, no Rito Escocês Antigo e Aceito que essa tradição se origina principalmente das antigas Guildas de construtores medievais que existiram antes da Franco-maçonaria.
III - EXTENSÃO SIMBÓLICA DE UMA LOJA.
Simbolicamente o espaço de trabalho maçônico denominado Templo, é Cósmico, ou de Ordem Universal (“kosmos” – esse era o seu significado na Grécia). Sob essa óptica o espaço de uma Loja limita-se como sendo uma faixa retangular pousada sobre a superfície equatorial da Terra, cujo solo tem profundidade igual à do nosso Planeta e a sua altura é da superfície da Terra ao Zênite. Seu comprimento vai do Oriente ao Ocidente e sua largura é do Norte ao Sul.
NOTA 05 – Os limites do recinto de trabalho (Sala da Loja) representam simbolicamente os quatro pontos cardeais da Terra. O comprimento do espaço, limitados pelas paredes do Oriente e do Ocidente são o Leste e o Oeste respectivamente, enquanto que a largura do espaço, limitado pelas paredes correspondem respectivamente ao Norte e ao Sul.
IV - DIMENSÕES MATERIAIS OU TERRENAS DE UM TEMPLO.
Atendendo-se exclusivamente às medidas simbólicas e não aos limites externos do Templo de Jerusalém, a área que abrange um espaço de trabalho num Templo do REAA\ deve ser de comprimento igual a três vezes a sua largura, de tal modo que esse quadrilongo comporte três quadrados assim distribuídos: um quadrado para o Oriente, um e meio para o Ocidente e meio para o Átrio. Eis que entre o Átrio e o quadrado do Oriente deve haver uma extensão de quadrado e meio retangular (I Reis, 6, 2-3 e II Crônicas, 3, 3-4).
NOTA 06 – Cabe mencionar que essa é apenas uma colocação simbólica e não precisa se adequar com precisão aos espaços acima mencionados. De fato, é necessário que o ambiente seja preferencialmente de formato retangular, para que, dentro das possibilidades do recinto da edificação a Loja possa representar as dimensões terrenas de um Templo.
V - COLUNAS VESTIBULARES.
Também conhecidas como Colunas Solsticiais, as mesmas devem ladear a porta do Templo no Átrio, estando B\ a esquerda de quem entra e J\ a direita. De matiz bronzeado, e nunca de outra(s) cor(es), elas geralmente são construídas em gesso e pintadas na cor de bronze, podendo ser também de plástico ou madeira, desde que seja de coloração bronzeada. Uma das suas características é que elas são ocas. Seus motivos principais de decoração são egípcios, eis que os fenícios também empregavam estilos mistos ou sincréticos. Daí a base das Colunas Vestibulares B\ e J\ possuírem sempre bases arredondadas, devendo ser de maior circunferência até certo ponto do fuste. Este vai aos poucos diminuindo a circunferência até encontrar o capitel, terminando em forma de açucena (folhas de lírio). Sobre o capitel das Colunas se colocam as redes e as romãs, estas em número sobre cada capitel.
Na base das Colunas, esculpem-se folhas de papiro, ou lótus, estes para lembrarem a universalidade e aqueles a simbolizarem o material em que se escreve para sempre e com o qual Ísis, a grande “viúva”, construiu um barco à procura dos despojos de seu marido e irmão Osíris. Em síntese, essa alegoria configura a externa busca do transcendental (o conjunto de atributos do Criador que lhe ressaltam a superioridade em relação à criatura).
NOTA 07 – O nome solsticial se dá em referência aos grandes obeliscos que as antigas civilizações utilizavam para marcar o movimento do Sol em sua eclíptica, de solstício a solstício. Graças a essas observações é que chegamos à marcação do tempo e os calendários. Essas observações deram origem aos cultos solares da Antiguidade que se torariam a base para maioria das religiões que hoje conhecemos, inclusive o Cristianismo.
VI – CARACTERÍSTICAS ARQUITETÔNICAS E FUNCIONAIS DO TEMPLO.
Desde que se respeitem as regras do Simbolismo Maçônico, nada impede que um templo e seus compartimentos sejam construídos e ornamentados de acordo com a Arte sempre atualizada e os requisitos mais modernos. Assim as antigas velas podem ser substituídas por lâmpadas elétricas.
Não há que se apegar a mitos como os de que lâmpadas elétricas não possam substituir as velas que compreendem as luzes litúrgicas.
As paredes do Templo que geralmente aparecem pintadas em azul no REAA, deveriam se predominantemente vermelhas, tendo, inclusive, o predomínio da cor encarnada na sua decoração (cortinas, dossel, toalhas, estofos, bolsas, almofadas vermelhas).
NOTA 08 – O termo “luzes litúrgicas” se dá àquelas que ficam nos candelabros de três braços e vão colocados sobre o Altar ocupado pelo Venerável Mestre e mesas ocupadas pelos Vigilantes. Essas luzes são acesas em quantidade conforme o grau de trabalho da Loja.
A cor encarnada, vermelha, é genuinamente a cor tradicional do Rito. Isso se dá por razões históricas. Sua definição oficial pode ser constatada no Conselho de Lausanne realizado na Suíça em 1.875.
A Abóbada em azul-celeste (representa o firmamento) deve ser estrelada rigorosamente de acordo com o mapa celeste, bem como seguir o padrão que se apresenta na cosmografia indicada no Ritual. Para cumprir a tradição do REAA a decoração da Abóbada refere-se ao ponto de vista do hemisfério Norte da Terra.
Estrelar o teto do Templo é uma tradição haurida do antigo e majestoso templo de Luxor, dos egípcios. A decoração mais comum encontrada nos Templos do REAA\ é achada com a seguinte disposição: O Sol na parte oriental e a Lua em quarto crescente na ocidental. Entre esses dois astros fica a Estrela Flamejante, estrela essa que não é parte do mapa estelar, porém é um símbolo pitagórico de concepção intermediária (entre o Sol e a Lua). Ao centro do teto vão as três estrelas da constelação de Órion; das mesmas, ao nordeste, as Plêiades, as Híadas e Aldebarã; ao norte, a Ursa Maior; a nordeste, Arcturos; a leste, a Spica, da Vigem; ao sul, Fomalhaut; o planeta Júpiter no Oriente; Mercúrio, perto do Sol e Saturno, próximo a Órion. O Sol se deslumbra no Oriente, com a claridade da aurora; é o Dia. Ao passo que a Lua, no Ocidente, representa o ocaso e a noite.
No simbolismo da Abóbada, são as Estrelas Principais, as três do cinturão de Órion, as cinco Híadas e as sete das Plêiades. Aldebarã, Arcturos e Fomalhaut denominam-se Estrelas Reais. As três de Órion se referem aos Aprendizes, as cinco das Híadas aos Companheiros e as sete das Plêiades aos Mestres. As Estrelas Reais representam as Luzes da Loja (Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes).
NOTA 09 – A Abóbada, dentre outros significados, tem como objetivo principal demonstrar que o Templo é um segmento do Globo Terrestre onde os Maçons especulativamente trabalham. Com suas dimensões universais, a decoração do teto nesse espaço tem o desiderato de dar o caráter de universalidade à Maçonaria que, tem sobre si, o manto do espaço celeste – o firmamento, ou o Grande Dossel.
VII – PAVIMENTO MOSAICO.
Rigorosamente, e como exige a Maçonaria no REAA\, o Pavimento Mosaico ocupa todo o chão ocidental do Templo, inclusive o do Átrio. Os antigos rituais do escocesismo do século XVIII às vezes o mencionavam e em outras não. No escocesismo, ele é o ladrilho branco e preto, mas de construção oblíqua (diagonal) e não como um tabuleiro de xadrez. Assim, os ladrilhos brancos e pretos devem ser de tamanho compatível à medida dos Passos Regulares que no REAA são seguidos com os pés em esquadro, abertos para a frente, isto é, da maneira mais natural possível. Entre outros significados que são explicados em instruções, o Pavimento Mosaico é o caminho das Pedras Lavradas em que se firmam os passos daqueles que se livram das trevas (Bíblia na versão Septuaginta, Salmos, 40, 2 ou na versão da Vulgata, 39, 2).
O nome de Pavimento Mosaico não subsiste por se assemelhar a uma figura de pedras justapostas, como nas obras assim chamadas, mas pelo fato de existir uma lenda pela qual Moisés teria assentado pequenas pedras coloridas no chão da tenda que abrigava o Tabernáculo (Mosaico de Moshé = Moisés). O Tabernáculo serviria de base para a construção do Templo de Jerusalém.
NOTA 10 – O Pavimento Mosaico traz no seu simbolismo, dentre outros, o objetivo é de representar o solo terrestre, ou o solo da Sala da Loja. A grande lição que ele traz na sua disposição harmoniosa e oblíqua de quadrados bancos e pretos é a de que embora sobre o solo terrestre possam existir variedades de raças, credos, religiões e opiniões, sobre ele deve existir absoluta harmonia entre os homens.
VIII – ORLA DENTEADA OU DENTADA.
Contorna todo o Pavimento Mosaico. É uma espécie de guarnição nos limites do Pavimento. Como o conteúdo do Painel do Grau significa a Loja velada por símbolos e alegoria, a Orla Dentada nele aparece contornando o conjunto de símbolos que compõem o Quadro.
NOTA 11 – Como que um elemento a cercar a Loja ela simboliza a retenção dos planos sigilosos da Obra. De certa forma ela também representa a união entre os Maçons que, tal como os Planetas que orbitam precisamente em torno do Sol, assim também os operários harmoniosamente gravitam em torno de um ideal comum – o de tornar bons homens em homens melhores ainda. Esse conjunto velado por símbolos e alegorias aparece emoldurado pela Orla Denteada no interior do Painel da Loja, tudo como que a proteger esse conteúdo que é reservado somente aos iniciados.
IX – GRADE DO ORIENTE.
É uma balaustrada que separa o Oriente do Ocidente, distinguindo-o do resto do recinto. Deve ser interrompida num espaço igual ao da faixa de passagem central que serve de acesso e saída.
NOTA 12 – De cunho esotérico, essa marca, ou limite separa os dois ambientes que predominam na Loja. O Ocidente como a oficina de trabalho (mundo material) e o Ocidente como o lugar da Luz (mundo espiritual).
X – O ORIENTE E O TRONO.
O Trono da Sabedoria, no qual tem assento exclusivamente o Venerável Mestre ou o Grão-Mestre, sem exceção. O Trono fica sobre um dossel de cor encarnada no REAA, cujo alto do mesmo deve ser como um pálio ou um todo de cobertura e do qual pendem cortinas de cor vermelha, de tal forma dispostas que não cheguem a cobrir o Retábulo do Oriente. Alguns templos são construídos com o fundo do Oriente (parede oriental) em meio círculo (curvada) para concordar com a abóbada de cobertura. Essa escolha também é admitida. As franjas e galões do dossel são douradas no escocesismo.
NOTA 13 – Trono corresponde ao assento onde o Venerável Mestre é instalado para o exercício do seu cargo.
Atrás do Trono e junto à parede, abaixo do dossel, está o Retábulo ou Painel do Oriente, emoldurado de vermelho e dourado tal qual os ornatos do dossel e ladeado por duas meias-colunas encravadas na parede e com capitel Jônico (Sabedoria). O fundo do Retábulo também pode ser a própria parede oriental.
O Retábulo do Oriente acomoda o Triângulo ou Delta Radiante, equilátero e de base horizontal como o imaginou Xenócrates para representar a Divindade, deve ser a figura central e luminosa. Para que jamais seja encoberto pela pessoa do Venerável Mestre (mesmo em pé) deve ser numa altura conveniente, ficando entre o Sol (Osíris, Atividade, Sabedoria, etc.) e a Lua (Isis, Passividade, Amor, Reflexão, etc.); o astro rei para o lado do Orador da Loja e o satélite natural para o lado do Secretário.
No interior do Delta Radiante, há um Olho Esquerdo, o Onividente, representando a Verdade d’Aquele que É, Foi e Será. Lembra também Hórus, o filho da viúva Ísis, aconselhado por seu pai, Osíris a lutar pela Verdade, contra o mal (Set ou Tifão). Ainda, mais apropriado para o escocesismo é a letra IÔD do Tetragrama hebraico, ou melhor ainda as quatro letras IÔD – HÉ – VAV – HÉ gravadas à maneira hebraica, isto é, inversamente ao modo de escrita ocidental, da direita para a esquerda.
Genuinamente, o Oriente de um Templo Escocês, após o aparecimento das hoje extintas Lojas Capitulares, deve ser mais alto. Sobe-se a ele (do Ocidente para o Oriente) por apenas um degrau à entrada da Balaustrada. Indispensável é que que o Trono do Oriente esteja sobre um plano de três degraus do piso oriental. Por outro lado, é aconselhável que a Cátedra ocupada pelo Venerável Mestre se destaque ao centro das duas cadeiras de honra (a direita e a esquerda) que eventualmente possam existir ao lado do Trono. À frente do Trono fica o Altar principal e deve ser uma mesa de tamanho compatível para suprir as necessidades do ofício.
NOTA 14 – As cadeiras de honra que ladeiam o Trono, à direita e à esquerda existem para acomodar o Grão-Mestre. No caso do GOB, há o Grão-Mestre Geral e o Estadual. O Geral toma assento à direita do Venerável, e o Estadual à sua esquerda.
XI – PEDRA, CEDRO DO LÍBANO E OURO.
São representações que jamais podem faltar num Templo do Simbolismo do REAA, para o qual, esotericamente, a Pedra representa a Estabilidade, o Cedro, a Vitalidade e o Ouro, a Espiritualidade. Revela-se que o Templo de Jerusalém continha esses três elementos principais, cujos quais a Moderna Maçonaria substituiu, simbolicamente, por pedras lavradas, ou mármore, madeiras de lei e ornatos dourados.
NOTA 15 – Cedro do Líbano se refere à madeira fornecida e aplicada na construção do Templo de Jerusalém.
XII – MOBILIÁRIO E OUTROS ORNAMENTOS DE UMA LOJA DE APRENDIZ.
Em que pese a tradição, numa Loja Maçônica usam-se cadeiras confortáveis para todos, e não mais os incômodos bancos de Aprendiz e Companheiros, de antigamente. Também não se deve construir o Norte e o Sul das Colunas em planos mais altos. No escocesismo tradicional basta que na Loja existam “sete degraus”, um do Ocidente para o Oriente, três para o Sólio, dois para a mesa do 1º Vigilante e um só para a mesa do 2º Vigilante. A soma desses degraus é igual a sete.
NOTA 16 – É apropriado que do Ocidente para o Oriente se suba por apenas um degrau.
A Loja é governada por um triângulo de três Mestres: o Venerável Mestre, o Primeiro e o Segundo Vigilantes, que ocupam, respectivamente o Trono, na Coluna do Norte a mesa Norte-Ocidental, ao lado da faixa de passagem, e a mesa situada no Sul, no meio da Coluna do Sul e de frente para o Equador, isto é, num Meridiano imaginário ou Meio-Dia. Os três titulares são portadores do Malhete, símbolo de autoridade democrática e evolução do antigo certo real.
NOTA 17 – O Venerável Mestre, o Primeiro e o Segundo Vigilante constituem as Luzes da Loja. Toda Loja Maçônica, independente do Rito que pratique, é dirigida por Três Luzes. O Venerável Mestre, como primeira Luz ocupa o Altar-Mor e os Vigilantes ocupam mesas. A costume de que uma Loja é sempre dirigida por três Luzes é imemorial, espontâneo e universalmente aceito, portanto, é um verdadeiro Landmark.
O Altar ocupado pelo Venerável Mestre pode ser uma mesa comum, retangular, fechada na frente e laterais, ou mais elevada no meio. Essa mesa (altar-mor) e a Cátedra (Trono) ficam sob o dossel, e tudo isso representa o “sólio”, ou autoridade. A Cátedra é preferencialmente de espaldar (encosto) alto e se possível esculpido com motivos maçônicos na cabeceira. A mesa pode ostentar, na face frontal, o Esquadro, que é a joia distintiva do Venerável Mestre. Diante da face frontal sul da mesa (para o lado do Secretário), sobre o último degrau do Sólio, encostado no Altar coloca-se um quadro emoldurado contendo a Carta Constitutiva da Loja, e simétrico a ele, no lado norte (lado equivalente ao Orador), igualmente disposta, coloca-se a Prancheta, gravada com as Paralelas Cruzadas e com a figura de um “X” de ângulos opostos pelos vértices, expressões simbólicas do limitado e do infinito que serve também à composição do Alfabeto Maçônico. Sobre a mesa descansa o Malhete utilizado pelo Venerável, um escrínio com a Espada Flamejante e outros materiais utilizados no expediente.
a)     ALTAR DOS JURAMENTOS.
No Oriente, ao centro entre a divisa do Oriente e os degraus que levam ao Sólio há um pequeno móvel, geralmente de superfície triangular, de mais ou menos 70 cm de altura. Trata-se do Altar dos Juramentos, já consagrado pelo uso e como complemento do Altar-Mor ocupado pelo Venerável Mestre. Também o tampo desse Altar pode se assentar sobre uma coluna truncada baixa, preferivelmente de estilo Jônico. Convém, entretanto, que esse Altar contenha uma parte frontal ou face ostensiva, voltada para o Ocidente, na qual figurem o Círculo entre Paralelas Tangenciais e Verticais.
NOTA 18 – O Altar dos Juramentos, nos ritos que o possuem, é na realidade uma extensão do Altar-Mor. Nos primórdios da Moderna Maçonaria, independente de ritos, as obrigações eram tomadas no Altar-Mor.
O Círculo entre Paralelas sugere que o Sol não transpõe os Trópicos, lembrando ao Maçom que a Consciência religiosa de cada Irmão é inviolável. Lembra também a antiquíssima tradição de se comemorarem os inícios do Verão e do Inverno, em festas que as Corporações medievais, inclusive a dos Pedreiros-Livres, passaram a realizar nas datas de João, o Batista (24 de junho) e João, o Evangelista (27 de dezembro). As grandes reuniões maçônicas são feitas nessas datas. Quanto às Paralelas, representam, além dos trópicos de Câncer e Capricórnio, Moisés, que instituiu o Governo da Lei e não dos homens, e Salomão, o Pacífico e Sábio, construtor do Templo que evoluiu da tenda. No escocesismo, principalmente, as paralelas verticais representam João, o Batista e Precursor, e João, o Evangelista, seguidor e Pregador. Num Templo Maçônicos falam todos os símbolos e as partes.
NOTA 19 – O Círculo, além de ser a representação do Sol, também representa o espaço da Loja onde os Maçons trabalham na superfície da Terra, entre os trópicos de Câncer e Capricórnio. Os trópicos (Paralelas), nos pontos de tangência com o Círculo marcam os solstícios de inverno e de verão. Os solstícios ocorrem a 21 de junho e 21 de dezembro. Muito próximo a cada uma dessas datas comemoram-se os dias dos Joões, o Batista e o Evangelista respectivamente.
b)    LUZES LITÚRGICAS.
As mesas dos Vigilantes, assim como o Altar ocupado pelo Venerável Mestre levam cada qual sobre si um candelabro de três braços. Eles podem conter velas, ou preferencialmente pequenas lâmpadas elétricas. As Luzes Litúrgicas são acesas conforme o grau de trabalho da Loja.
NOTA 20 – A Luz é o símbolo do esclarecimento e da razão. Iniciaticamente, a alegoria propõe que quanto maior é a evolução do Iniciado, mais luzes serão acesas nos candelabros de três braços. Quanto maior o grau, maior é o esclarecimento.
c)     JOIAS.
A joia do 1º Vigilante é o Nível Maçônico, que tem a forma de um Esquadro ou ângulo reto superior, de cujo vértice pende um Prumo a cair no ponto-meio de uma hipotenusa. Na realidade, ao mesmo tempo o instrumento se constitui por um Esquadro, Nível e Prumo. Nunca deve ser substituído por nível de bolha de ar. Essa joia pode ser esculpida na face ostensiva da mesa, bem como permanecer junto ao Maço e o Cinzel sobre à primeira Joia Fixa que é a Pedra Bruta. Apenso ao colar vestido, o 1º Vigilante traz também a joia distintiva (Nível) correspondente ao seu cargo. Além disso, ele tem ao seu lado o “lugar seguro” no qual se recolhem os instrumentos de trabalho da Oficina. Esse lugar pode ser de gavetas na mesa, se esta for ampla, ou de gavetas disfarçadas nos degraus dos dois estrados.
A joia do 2º Vigilante é o Prumo. Além de trazê-lo como joia distintiva apenda do seu colar, ele é também representado na face frontal da mesa. A Pedra Cúbica, 2ª Joia Fixa que fica junto à mesa, terá próximo a ela uma Régua Prumo em forma de “T” invertido. Nele um prumo preso ao fio cai sobre a perpendicular de base. Esse é o Prumo Maçônico.
São chamadas Joias Fixas e irremovíveis, a Pedra Bruta, a Cúbica e a Prancheta.
O Esquadro (Venerável Mestre), o Nível (1º Vigilante) e o Prumo (2º Vigilante) são chamados de Joias Móveis, eis que se transitem aos sucessores dos titulares. Essas Joias, como distintivas do cargo, também aparecem apensas dos colares que fazem parte das insígnias das Luzes da Loja.
NOTA 21 – Rigorosamente, o Esquadro utilizado como Joia distintiva do Venerável Mestre (apenso do seu colar) deve ter ramos diferenciados no seu comprimento. Ele representa um Esquadro Operativo com cabo (ramo menor) e graduação (ramo maior). Literalmente é um instrumento de trabalho.
d)    MESAS DO ORADOR, SECRETÁRIO, CHANCELER E TESOUREIRO.
Também ocupam mesas retangulares e respectivas cátedras, o Orador, à noroeste dentro do Oriente e próximo à Balaustrada e o Secretário, à frente dele pelo lado oposto, à sudeste dentro do Oriente. Ambos nos limites da faixa longitudinal de passagem (entrada e saída do Oriente); por sua vez, no Ocidente e próximo a Balaustrada, na Coluna do Norte e do Sul, respectivamente, ladeando o Orador e o Secretário, mas pelo lado de fora da balaustrada ficam as mesas do Tesoureiro e do Chanceler, este na Coluna do Sul e aquele na Coluna do Norte. Na face frontal das mesas podem estar gravadas ou representadas a joias distintivas do cargo. A do Tesoureiro com duas Chaves Cruzadas e por sua vez a do Chanceler com a figura de um Timbre ou Selo.
A mesa do Orador tem esculpida na sua face frontal motivo que represente a Lei e a Justiça. Pode ser a Joia distintiva do cargo, um Livro Aberto e Rutilante. Sobre a mesa do Orador, além do material de escrita, devem ficar o compêndio das leis maçônicas vigentes e outros afins do seu ofício.
A mesa do Secretário pode ter na sua face frontal o emblema do ofício, inerente à joia distintiva do seu cargo – duas Penas cruzadas.
Sobre as mesas do Orador, Secretário, Tesoureiro e Chanceler poderá haver uma luz auxiliar para melhorar a iluminação do ambiente da mesa de trabalho. Essa luz não é iniciática e nem há liturgia para o seu acendimento. Cada titular, na medida da sua necessidade pode acendê-la.
e)    TRÊS GRANDES LUZES EMBLEMÁTICAS.
Compostas pelo Livro da Lei, Esquadro e Compasso devem ficar sobre o
Altar dos Juramentos.
NOTA 22 – Grandes Luzes Emblemáticas, é como são conhecidos o Livro da Lei (Bíblia), o Esquadro e o Compasso. Quando a Loja estiver aberta ritualisticamente o Esquadro e o Compasso ficam arrumados conforme o grau e sobre o Livro da Lei aberto. No REAA, para cada grau, há leitura de um trecho do Livro da Lei. O Compasso aberto vai aberto no máximo a 45º e terá as pontas das suas hastes voltadas para o Ocidente. O Esquadro terá os seus ramos voltados para a parede oriental. O Livro da Lei fica na posição de leitura para quem de frente permanece voltado para o Venerável Mestre. O Esquadro que constitui uma das Luzes Emblemáticas possui seus ramos rigorosamente iguais (nele não se distinguem cabo e nem graduação).
f)      JOIAS DO MESTRE DE CERIMÔNIAS E DIÁCONOS.
O Mestre de Cerimônias usa um bastão de madeira escura natural com medida entre 1,80 a 2,00 metros de altura. No topo do bastão vai uma joia representando uma Régua Graduada. A mesma joia vai apensa do colar como joia distintiva do seu cargo. Os Diáconos, que no REAA não usam bastões, têm suas joias distintivas representadas por uma Pomba. A joia vai apensa do colar.
NOTA 23 – No REAA o Mestre de Cerimônias é oficial circulante e auxilia na liturgia de condução dos trabalhos. Porta um bastão sempre que o ritual determinar e quando estiver conduzindo alguém. Toma assento na Coluna da Beleza (Sul) à frente do Chanceler. Os Diáconos representam os antigos mensageiros oficiais de chão. São os condutores da Palavra Sagrada entre as Luzes da Loja no momento de abertura e encerramento dos trabalhos. Não utilizam bastão.
g)    CORDA DE 81 NÓS.
Encontra-se no alto da parede do Templo, cujo nó central deve estar sobre o Trono ocupado pelo Venerável Mestre, tendo de cada lado, 40 nós equidistantes, que se estendem pela parede do Oriente, Norte e Sul, terminado as suas extremidades , em ambos os lados da porta Ocidental de entrada, em duas borlas, representando a Temperança e a Coragem.
A Corda pode ser natural, ou em gesso esculpido na parede possuindo sempre 81 nós.
NOTA 24 – A despeito do significado da Corda, a sua origem como elemento que contorna o recinto da Sala da Loja se deu na Maçonaria de Ofício (Operativa). À época era comum que nos canteiros das construções existisse uma corda grossa delimitando o espaço. Ia presa em paliçadas que continham argolas de ferro. À entrada do canteiro existiam dois postes maiores onde a corda se interrompia. Por entre esses postes entrava-se e se saída da oficina de trabalho. Junto aos dois postes maiores ficavam os wardens (zeladores), ancestrais dos Vigilantes.
Ela deverá ter 81 nós por três razões:
I.                 O número 81 é o quadrado de 9 que, por sua vez, é o quadrado de 3, número perfeito e de alto valor para a mística maçônica, assim como para as antigas civilizações – Gênesis, 6, 10: Três eram os filhos de Noé; Gênesis, 18, 2: Três eram os varões  que apareceram a Abraão; Esther, 4, 6: Três eram os dias dos judeus desterrados; Matheus, 26, 34: Três eram as negações de Pedro; I Coríntios, 13, 13: Três eram as Virtudes Teologais (Fé, Esperança e Caridade.
Além disso, as tríades divinas sempre existiram, em todas as religiões: Sumerianos – Shamash, Sin, Ishtar; Egípcios: Osíris, Ísis e Hórus; Hindus – Brahma, Vishnu e Shiva; Taoísmo – Yang, Ying e Tao; Cristã – Pai, Filho e Espirito Santo.
NOTA 25 – O número Três, comum ao Grau de Aprendiz é tido na Maçonaria como uma unidade ternária e se refere à construção do Triângulo, primeiro elemento plano constituído na Geometria. De todas as figuras geométricas planas, o Triângulo é o princípio que constitui todas as figuras planas.
II.               O número 40 nós para cada lado, extraindo-se o nó central, é o número simbólico da penitência e da expectativa: Gênesis, 7, 4: 40 dias que durou o Dilúvio; Êxodo, 34, 28: 40 dias passou Moisés no Sinai; Matheus, 4, 2: 40 dias durou o jejum de Jesus; Atos dos Apóstolos, 1, 3: 40 dias, Jesus esteve na Terra, após a ressurreição.
III.             O nó central representa o número Um, a Unidade Indivisível, o símbolo de Deus, princípio e fundamento do Universo; o número um, desta maneira, é um número sagrado.
Esotericamente, a Corda de 81 Nós simboliza a união fraternal e espiritual, que deve existir entre todos os maçons do mundo; representa, também, a comunhão de ideias e de objetivos da Maçonaria, que, evidentemente, devem ser as mesmas em qualquer parte do Planeta.
A abertura da Corda em torno da porta de entrada do Templo, com a formação de borlas, simboliza que a Ordem Maçônica é dinâmica e progressista, estando, portanto, sempre aberta às novas ideias, que possam contribuir para a evolução dos homens e para o progresso racional da humanidade.
h)    SIGNOS DO ZODÍACO E COLUNAS ZODIACAIS.
Representam o caminho do Iniciado. As constelações zodiacais, em número de 12 podem aparecer representadas na base norte e sul da abóbada, como podem configurar-se por doze meias colunas encravadas nas paredes Norte e Sul do Ocidente, sendo seis no setentrião e outras seis no meridião.
Não existe uma ordem de arquitetura específica para essas meias colunas, todavia o mais comum é que elas sejam representadas por colunas Jônicas, trazendo nos seus capitéis as marcas do Zodíaco.
A ordem de distribuição nas paredes (Topo da Coluna do Norte e do Sul) é a seguinte: seis Colunas ao Norte - partindo do canto da parede norte com a ocidental vem Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem (última junto à balaustrada). Outras seis ao Sul – partindo do lado externo da balaustrada, vem Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes (última junto ao canto com a parede ocidental).
Câncer estará sempre no Norte e Capricórnio ao Sul. Colunas Zodiacais não podem aparecer na parte interna do Oriente, isto é, além da balaustrada.
No Ocidente, as paredes Norte e Sul são conhecidas como Topo da Coluna do Norte e Topo da Coluna do Sul.
NOTA 26 – Representando as 12 constelações com as quais o Planeta Terra se alinha tendo o Sol como referência durante a sua viagem de translação, em linhas gerais esses alinhamentos de três em três constelações correspondem aos ciclos da Natureza num tempo aproximado de 365 dias. Assim, essa alegoria solar representada pelas constelações do Zodíaco se compara aos ciclos de vida do Iniciado, comparando-o na primavera e verão ao Aprendiz (infância e adolescência de Áries à Virgem). Os demais ciclos, já no Sul, correspondem à juventude (Companheiro) e à maturidade (Mestre). Em síntese, as Colunas Zodiacais marcam simbolicamente a senda do Iniciado.
i)       MAR DE BRONZE.
Em que pese alguns rituais trazerem o Mar de Bronze em lugares diferenciados, este genuinamente no REAA fica a sudoeste da Loja. Para tal, deve haver um móvel com uma jarra (bilha) e, se possível, uma miniatura do Mar de Bronze (I Reis, 7, 25 e II Crônicas 4, 15). É aceitável, representando o Mar de Bronze, existir uma bacia artística e adequada para tal.
A sua utilidade é para que o iniciando, em certo momento da Cerimônia de Iniciação tenha as suas mãos purificadas nesse mar. Os utensílios utilizados para esse fim, a bilha e o mar, devem ser de matiz bronzeado. Durante a sua utilização acompanha uma toalha branca, cuja alvura, após ter servido para enxugar as mãos do iniciado durante a purificação, comprova que as suas mãos estão limpas e puras.
NOTA 27 – O Mar de Bronze é componente imprescindível para a purificação por um dos Elementos.
j)       ALTAR DOS PERFUMES.
No Oriente, entre o Altar ocupado pelo Venerável Mestre e a mesa do Secretário, deve haver um pequeno móvel de aproximadamente 70 centímetros de altura. Esse pequeno Altar é apenas uma reminiscência de quando o Templo fora inaugurado (consagrado).
Sua finalidade é apenas a de comprovar que o espaço de trabalho maçônico se tornou, na forma dos costumes, digno para as práticas litúrgicas. Nos trabalhos litúrgicos do REAA não está prevista sua utilização para queima de incenso e nem mesmo para manter sobre ele chama de vela acesa.
k)     PAINEL DO GRAU.
Rigorosamente o Painel do Grau se coloca entre as Colunas do Norte e do Sul ao centro do Ocidente (sobre o equador do Templo); é em torno desse Painel que os Obreiros fazem a circulação horária na forma indicada no ritual. O importante é que as gravuras que compõem o Painel sejam envoltas como uma moldura pela Orla Denteada com Quatro Borlas nos cantos, assim como nele apareça a marcação dos quatro Pontos Cardeais.
NOTA 28 – O Painel do Grau condensa nela todo o processo iniciático do grau. Sintetiza, de forma velada e reservada somente aos iniciados, a Loja.
l)       O ÁTRIO.
É o compartimento vestibular do Templo. Genuinamente o seu chão é também branco e preto com quadrados dispostos de modo oblíquo. É uma extensão do Pavimento Mosaico. Sobre ele, ladeando a porta que dá acesso à Sala da Loja (Templo), à esquerda de quem entra fica a Coluna Vestibular B\ e à direita a Coluna Vestibular J\.
O Átrio não é lugar para reunião, encontros, lugar de guardar pertences e nem de preparar as vestimentas para os trabalhos. Isso deve se dar na Sala dos Passos Perdidos, cuja existência se dá para essa finalidade.
NOTA 29 – Recomenda-se que antes da formação do préstito para ingresso no Templo, o Átrio permaneça fechado. Isso evita reuniões indesejáveis diante da porta do Templo.
Admite-se no Átrio a colocação de dispositivo para acomodar espadas e os bastões denominados estrelas. Nele fica também um aparelho onde penduram-se os colares com as respectivas joias. Nas Sessões Magnas, é o local onde se preparam o Porta-Bandeira, a Guarda de Honra e a Comissão de Recepção e Retirada do Pavilhão Nacional. É também onde se prepara a Comissão de Recepção para Autoridades e Portadores de Títulos de Recompensa.
NOTA 30 – É recomendável que as Comissões de Recepção, Guarda de Honra, etc., sejam organizadas no Átrio e não dentro do Templo. Essa atitude preserva a liturgia, a organização e o respeito que o recinto merece.
Todas as cerimônias iniciáticas em Loja aberta para Iniciação, Elevação e Exaltação), de certo modo também iniciam suas atividades no Átrio da Loja.
m)   SALA DOS PASSOS PERDIDOS.
Todo edifício maçônico possui uma sala de recepção denominada Sala dos Passos Perdidos. Decorada a gosto, a sala, além das cadeiras de espera, deve ter uma mesa ampla, sobre a qual deve estar, antes das sessões os Livros de Presença dos Irmãos do Quadro e dos Visitantes.
É nesse espaço que os Irmãos se preparam para os trabalhos, vestindo suas alfaias e se organizando até que o Mestre de Cerimônias componha a Loja e os conduza até o Átrio para a formação do préstito.
n)    CÂMARA DE REFLEXÃO
São pequenos compartimentos, preferencialmente no subsolo, pintados de preto por dentro e lembram masmorras. As paredes internas podem ser de pedras escuras. No interior há uma mesa e uma cadeira e, sobre a mesa, uma só vela acesa num castiçal, uma ampulheta de areia (Tempo), duas taças com as respectivas inscrições de AMARGO E DOCE, um crânio humano, com duas tíbias e um alfanje (símbolos da morte), um pão de trigo cortado (nutrimento do corpo), uma jarra com água (nutrimento do espírito, purificação), com o respectivo copo, sal, enxofre e mercúrio (alegoria da alquimia), além do material para escrita (questionário e testamento filosófico). Ao fundo escuro, com figuras e letras, pitadas com tinta fosforescentes, ou levemente luminosas, há um conjunto bem à frente da mesa, assim composto, de cima para baixo:
I.                 A sigla V.I.T.R.I.O.L, iniciais das palavras que compõem a frase latina Visitae Interiora Terrae, Retificandoque Invenies Occultum Lápidem, cuja tradução é: Visitai o Interior da Terra e Retificando Encontrarás a Pedra Oculta. Em linhas gerais, significa um convite à reflexão sobre si mesmo.
II.               Um galo em posição de canto (despertar, novo dia, ressurreição de quem morre para a vida profana);
III.             Debaixo dessa figura, mais dois significados da mesma – as palavras VIGILÂNCIA e PERSEVERANÇA;
IV.            Logo abaixo, a figura da Morte, com o seu alfanje e, sob a figura, esta inscrição vem visível: LEMBRA-TE QUE ÉS PÓ E AO PÓ VOLTARÁS;
V.              Por fim as seguintes frases de advertência:
i.                 Se a curiosidade aqui te conduz, retira-te.
ii.                Se queres empregar bem a tua vida, pensa na Morte.
iii.              Se temes que descubram os teus defeitos, não estás bem entre nós.
iv.              Se és apegado às distinções mundanas, retira-te; nós aqui não as conhecemos.
v.               Se fores dissimulado, serás descoberto.
vi.              Se tens medo, não vás adiante.
XIII – CONSIDERAÇÕES FINAIS.
Com esse conjunto de informações que entendo primárias para o Grau de Aprendiz Maçom, espero ter ajudado a compreender um pouco a proposta da doutrina do Rito Escocês Antigo e Aceito.
Entendo que a formação básica é o elemento de sustentação do aprendizado maçônico. Se faz mister que o Iniciado tenha visão e compreensão dos propósitos que a Sublime Instituição lhe oferece.

BIBLIOGRAFIA - Ritual e Instruççoes de Aprendiz Maçom do REAA - Theobaldo Varolli Filho, 1974


São José dos Pinhais, Pr., outubro de 2019.


PEDRO JUK
                               Secretário Geral de Orientação Ritualística do GOB

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

COLETA DOS OCUPANTES DAS CADEIRAS DE HONRA E CIRCULAÇÃO NO ORIENTE


Um Respeitável Irmão de uma Loja da constelação de Lojas do GOB-MG, REAA, Estado de Minas Gerais, me apresentou a seguinte questão via News GOB Net:

ORDEM DA COLETA E CIRCULAÇÃO NO ORIENTE


Eminente Irmão Pedro Juk, gostaria que nos esclarecesse seguinte dúvida surgida em Loja:
1. A abordagem dos ocupantes das cadeiras de honra, pelo Mestre de Cerimonias, Hospitaleiro e etc., pode ser feita de frente para os mesmos, ou tem que ser feita pelos lados dos braços direito e esquerdo do Venerável?
2. No Oriente não pode haver circulação entre o Altar do Venerável e o dos Juramentos?

CONSIDERAÇÕES.

1.     No REAA, depois de ter sido feita a coleta do Venerável Mestre, Vigilantes, Orador, Secretário e Cobridor Interno por primeiro e nessa sequência, o titular retorna ao Oriente para continuar a coleta dos demais que ali ocupam lugar, oportunidade em que faz arrecadação pelos ocupantes das "duas" cadeiras de honra (só são permitidas duas) que ficam a direita e a esquerda do Trono.
Assim, o titular recolhe por primeiro do que estiver à direita (ombro direito) do Venerável, ou seja, pelo Norte do Altar e, em seguida do que estiver à esquerda (ombro esquerdo) do Venerável, ou seja, pelo lado Sul do Altar. Em seguida, indistintamente recolhe dos demais do Oriente que não tenham sido ainda abordados.
Reitero, não se faz essa coleta junto com a do Venerável Mestre, já que obrigatoriamente, imediatamente após ele, a colheita percorre outros cargos conforme especifica o Ritual (vide Orientações Oficiais no GOB-RITUALÍSTICA em http://ritualistica.gob.org.br/ ).
Também reitero, não se faz nenhuma coleta "pela frente do Altar", pois o titular responsável pela coleta deve se colocar no momento da abordagem conforme esclarece o Ritual.
2.     Não existe essa prática no REAA. Em deslocamento, tanto se pode passar pelo espaço entre o Altar dos Juramentos e o Altar ocupado pelo Venerável (Altar Mor), bem como pelo espaço que fica entre o limite do Oriente com o Ocidente e o Altar dos Juramentos. O caminho é livre por ambas as passagens. Não existe nenhuma proibição a respeito.
Quando mencionamos que no Oriente não há circulação, é justamente para que se evitem essas especulações, como as do tipo de não se poder passar por entre os Altares no Oriente.
A bem da verdade, no Oriente existem duas regras que envolvem deslocamento de Obreiro. A primeira é de que quem ingressa no Oriente o faz obrigatoriamente passando pela Coluna do Norte, isto é, ingressa-se pelo nordeste, enquanto que dele se sai pelo sudeste, isto é, obrigatoriamente em direção à Coluna do Sul. Em síntese, como referência o ingresso se dá pelo lado do Orador e a saída pelo lado do Secretário. A segunda regra é a de que o Venerável Mestre ingresse no Altar pelo lado norte do mesmo (lado do Primeiro Diácono) e dele se retire pelo lado oposto (sul do Altar).
Por fim, remeto-o a consultar o GOB RITUALÍSTICA na plataforma http://ritualistica.gob.org.br/ - lá serão encontradas orientações e adequações oficiais para o Ritual de Aprendiz do REAA e que devem ser postas imediatamente em prática, sobretudo por estarem a disposição de todos.


PEDRO JUK
Secretário Geral de Orientação Ritualística.


OUT/2019


domingo, 6 de outubro de 2019

ENCERRAMENTO DOS TRABALHOS A PEDIDO DO ORADOR - UM SÓ GOLPE DE MALHETE


Em 10/07/2019 o Respeitável Irmão Cristiano Bastos, Loja Pátria e Família, 0579, REAA, GOB-RJ, Oriente de Cordeiro, Estado do Rio de Janeiro, solicita esclarecimentos para o que segue:

ENCERRAMENTO COM UM GOLPE DE MALHETE

 
Caro Irmão, como o Secretário deve registrar no balaústre quando o orador pede que se encerre a sessão em um só golpe de malhete pelo avançar da hora?

CONSIDERAÇÕES.

Mas isso é completamente ilegal. Sobretudo se esse absurdo parte justamente do Guarda da Lei que é quem deveria saber que isso não pode acontecer.
Salvo se por desordem incontrolável é que o Venerável Mestre pode encerrar os trabalhos com um só golpe de malhete (Art. 116, XIII do RGF).
Ora, se o Orador, como Guarda da Lei pode se opor a qualquer deliberação contrária à lei, cabe a ele então formalizar denúncia ao poder competente se a ocorrência não for reparada. Agora, pedir para encerrar a sessão com um só golpe de malhete alegando o adiantado da hora não é exercício correto do seu ofício.
Em havendo excesso de tempo resultantes de manifestações ou pelos excessos do preciosismo, cabe ao Venerável, e até mesmo a ele chamar a atenção para a situação anômala corrigindo-a nos moldes dos costumes maçônicos, entretanto isso nada tem a ver com o abrupto pedido para encerrar a sessão com um só golpe de malhete.
Demandas ou debates que extrapolam o tempo na sessão não autorizam ninguém a pedir o encerramento dos trabalhos pelo adiantado da hora. O correto é se organizar e prevenir para que essas situações não aconteçam, antes que cometer uma ilegalidade tal como a de terminar os trabalhos sem atender aos procedimentos fixados pelo Ritual.
Sugiro ao nosso Irmão Orador que procure se atualizar lendo o Art. 122 do RGF, Artigo esse que trata da competência do Membro do Ministério Público, ou do Orador.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2019

CHAMADA PARA ENTRADA NO TEMPLO - INGRESSO DO PRÉSTITO NO REAA


Em 09/07/2019 o Respeitável Irmão Ronaldo Silva de Almeida, Loja Luiz de Camões, 396, REAA, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão:

ENTRADA DO PRÉSTITO NO REAA.


No Brasil, é usual, o Mestre de Cerimonias chamar grau por grau a entrada no Templo. Ao meu ver há um equívoco em tal praxe, pois entendo que o correto, por exemplo, seria chamar Aprendizes e Companheiros para adentrarem juntos ao Templo, sendo que cada qual iria para a respectiva coluna e assim sucessivamente. Mas na prática, chama-se os Aprendizes, depois os Companheiros, Mestres, etc. Pode sanar essa dúvida?

CONSIDERAÇÕES.

O mais comum que se tem seguido desde quando passou a existir o préstito de entrada (isso não é original) é que o Mestre de Cerimônias chame para ingressar em Loja de Grau 01 os obreiros sem nominar cargos ou títulos na seguinte ordem: Aprendizes, Companheiros, Mestres sem Cargo, Oficiais, Dignidades, Autoridades e Venerável Mestre.
Nessa ocasião, o que não precisa é ficar aguardando que todos os Aprendizes por primeiro cheguem aos seus lugares para depois só chamar os Companheiros, e assim por diante.
O que o Mestre de Cerimônias precisa para coordenar o ingresso é ter o discernimento de não apressar a marcha e causar tumulto. Assim, paulatinamente à entrada dos anunciados, ele vai dando com critério o ingresso aos demais.
O único que aguarda a chegada de todos nos seus devidos lugares para só depois ingressar é o Venerável Mestre. Nesse caso o Mestre de Cerimônias, por último o conduz ao sólio.
De resto, reitera-se que é preciso ter critério para, sem excessos de preciosismo, fazer com que todos ingressem adequadamente no recinto do Templo.
Cabe mencionar que a entrada no Templo para o início dos trabalhos é só um procedimento de organização, não havendo nele nada de cunho esotérico e iniciático. A formação do préstito é simplesmente o procedimento arranjado para o ingresso.
Por fim, o que não deve acontecer é o Mestre de Cerimônias se dirigir a cada um chamando cargo por cargo para ingressar no Templo. Isso é improdutivo e não adorna a ritualística como ela merece. Esses excessos tendem mais a ofuscar a liturgia do que dar-lhe a solenidade merecida.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2019



CAMA VOTIVA? VELA ACESA? LUZ VERMELHA SOBRE A PORTA? ISSO EXISTE NA LITURGIA?


Em 09/07/2019 o Respeitável Irmão Hugo Schirmer, Loja Honra e Verdade, 439, Rito Adonhiramita (13 Graus), GORGS (COMAB), Oriente de Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a seguinte questão relacionada ao REAA.

CHAMA VOTIVA? VELA ACESA? NO REAA?


A questão nada a ver com o Rito acima referido.
Faço parte de uma Loja de Pesquisa, aqui do Oriente, que diz trabalhar no REAA (Vermelho) GORGS/COMAB.
A questão é a seguinte:
1.     Existe ou não chama a dita “Chama Votiva” no REAA, seja ele do GOB\, GG\LL\ ou GG\OOr\ IInd\?
2.     Lembro que antigamente havia a chamada ou dita “votiva”, sobre a porta de entrada do Templo;
3.     Hoje ela voltou em forma de uma vela ao lado Altar dos Juramentos!!!???
4.     O que está certo?
Esclareço que estou filiado na Loja Adonhiramita. Quanto a Loja de Pesquisa estou por detalhe e continuo a frequentar, sabendo que ela escolheu o Rito, mas as reuniões são só administrativas e nunca ritualística.

CONSIDERAÇÕES.

  1. Chama votiva - em que pese terem existido rituais no passado com esse anacronismo, a tal “chama votiva” nunca fez parte da doutrina do REAA. Isso pode ser constatado em se verificando os Painéis da Loja do Rito (originais e sem deturpação).
Há que se mencionar que não cabe na Maçonaria esse tipo de conceito já que o adjetivo “votivo” menciona algo relativo a voto; ofertado em cumprimento de voto ou promessa. Assim, reitera-se que esses entendimentos, de modo geral, não fazem parte da doutrina da verdadeira Maçonaria, pois, como um centro de união e harmonia entre os homens, ela não pode trazer conceitos de credos ou religiões que possam caber para uns e não para outros.
  1. Luz sobre a porta - é, muitas Lojas traziam essa invenção. Algumas pelo lado de fora da parta, outras pelo lado de dentro e algumas até no oriente. Trágico para não dizer burlesco, não raras vezes a tal luz votiva se caracterizava por uma lâmpada vermelha que mais parecia com outra coisa – que é melhor nem comentar. Alegavam alguns que essa lâmpada não poderia ser apagada nunca, pois representava o “Criador”. Sem dúvida uma comparação de muito mal gosto e péssimo exemplo.
  2. Vela acesa - essa chama acesa no Altar dos Juramentos, ou no dos Perfumes (algumas vezes) é outro anacronismo e não faz nenhum sentido para a doutrina do REAA. Poderia ser um desrespeito com a fé de outrem manter uma chama acesa como representação do “Criador” ou mesmo com a finalidade de voto ou promessa.
  3. O certo é o quê? É a inexistência desse tipo de símbolo (votivo), especialmente porque a representação conciliatória do Grande Arquiteto do Universo já se apresenta na Loja de modo único e conciliatório. A presença do Divino é muito bem representada pelo Delta Radiante, cujo qual pode trazer no seu interior o Tetragrama hebraico, ou mesmo só a letra IÔD, ou ainda trazendo na sua parte interna o Olho Que Tudo Vê – concepções, teísta ou deísta respectivamente.
Concluindo, “chama ou luz votiva” não é parte do corolário simbólico do verdadeiro REAA. De modo geral, cabe ao maçom compreender que a Maçonaria não é um palco para proselitismos religiosos. A Ordem Maçônica sustenta que todo o maçom deve respeitar e praticar a sua religião, porém no espaço dos seus templos religiosos. De modo geral a Sublime Instituição reafirma que todo o sectarismo religioso é incompatível com a universalidade maçônica. Afinal, a Maçonaria não é uma religião.


T.F.A.


PEDRO JUK


OUT/2019

terça-feira, 1 de outubro de 2019

INSTALAÇÃO - SINAL CAUSAL DE CHAM.'.


Em 08/07/2019 o Respeitável Irmão Celso Correa, Loja 25 de Julho 867, GLESP, Rito de York (americano), Oriente de Sorocaba, Estado de São Paulo, apresenta a questão seguinte:

SINAL CAUSAL

 
Uma dúvida. Por que o sinal de chamada do MI é diferente nos vários ritos?
No Escocês temos dois, das Grandes Lojas, do GOB, do Emulação, outro do York Americano. Qual o correto?

CONSIDERAÇÕES.

Antes de tudo, há que se levar em consideração que cada Rito possui as suas características e segue o ritual para ele determinado.
Existe ainda a questão das Obediências que adotam os Ritos, pois não raras vezes entre as Obediências os mesmos Ritos se diferem na liturgia e ritualística – impressão de rituais.
Nesse sentido, cada caso deve ser criteriosamente perscrutado para se chegar a uma conclusão, sobretudo quando se trata de saber qual é o certo e qual é o errado. Certamente essa sondagem criteriosa não caberia nesse pequeno espaço.
Em linhas gerais, o Craft Americano tem sua origem no Craft Inglês. O Trabalho de Emulação é um sistema de aperfeiçoamento da prática ritualística inglesa. Já o Craft Americano, conhecido comumente como Rito de York que se inicia com as Blue Lodges, traz a característica dos “Antigos Ingleses”, cujo sistema fora codificado em solo norte-americano por Thomas Smith Web. No GOB, bem como na CMSB e COMAB o sistema utilizado se aproxima do Craft Inglês, embora seja conhecido por aqui, principalmente no GOB, como Rito de York e, de certo modo, equivocadamente chamado de Emulação. Assim, de todo esse “embrolho”, o comum é que nesses sistemas, no inglês e no norte-americano existe Instalação, embora entre ambos possam existir diferenças. Autenticamente, tanto nos Estados Unidos da América do Norte como na Inglaterra, as instalações se diferem da liturgia e ritualística dos rituais praticados no Brasil
Assim, considerar o que é o certo, talvez somente em se observando se o que está sendo praticado acompanha fielmente o previsto no ritual original do Rito, Ritual ou Trabalho. Entenda-se que embora parecidos eles não são a mesma coisa. Então, que cada macaco se agarre no seu galho.
Enfim, propositalmente eu não mencionei até então o REAA\, isso porque ele merece considerações a parte nesse particular.
Dizer o que é certo no escocesismo em se mencionando um Sinal Causal (Sinal de Cham\) é algo pelo menos contraditório, pois genuinamente nele, por ser um Rito originário da França, não há Instalação. Contudo é sabido que, principalmente no Brasil, esse costume enxertado de outra vertente de Maçonaria tomou conta consuetudinariamente da Maçonaria tupiniquim, tanto no GOB, assim como na CMSB e na COMAB.
Primeiramente, por aqui no REAA esse costume começou quando Mário Marinho Béhring foi buscar reconhecimento na Maçonaria Norte-americana (onde há instalação) para a sua Obediência recém-criada. Com isso ele trouxe, dentre outras, indevidamente essa prática para o REAA que seria praticado nas Grandes Lojas Estaduais Brasileiras (CMSB), Obediência criada em 1927 resultante de uma cisão no GOB.
Entretanto, é bom que se diga que Béhring trouxe o costume, não o ritual, pois sob esse particular, o criado no Brasil está muito longe do que se pratica genuinamente no Craft Norte-americano e, por extensão, no do Inglês.
Outro aspecto nesse sentido e que também ajudou a desvirtuar alguns rituais do REAA na França foram acontecimentos ocorridos nos meados do século XX e relacionados à Grande Loja da França e a Grande Loja Nacional Francesa, oportunidade em que muitos rituais apareceriam trazendo indevidamente a prática alienígena de Instalação no REAA que, repito, é nele completamente incomum. Dado a isso, muitos rituais na França e na Espanha, principalmente, foram criados trazendo uma espécie de instalação esotérica para o Venerável Mestre. Existe uma grande possibilidade de que muitas práticas ritualísticas enxertadas e oriundas desses rituais acabariam aparecendo também nos rituais de Instalação de Venerável Mestre aqui no Brasil.
Por fim, devo destacar que a verdadeira Instalação só existe no Craft, e é desprovida de esoterismo, lendas, e outros afins correlacionados. Assim, o que se poderia dizer, em termos daquilo que é o certo, é seguir o que consta no Ritual em vigência de cada obediência. Se eles se diferem uns dos outros é um assunto a parte, não cabendo, pelo menos no caso do “chamamento”, dizer o qual deles traz o sinal correto e muito menos se saber o porquê das diferenças.


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2019

CANTO DO HINO NACIONAL. TODOS VOLTADOS PARA A BANDEIRA NACIONAL?


Através do Consultório Maçônico José Castellani da Editora Maçônica A Trolha, me remete consulta do Respeitável Irmão Elizardo Sebastião Mourão do Oriente de Sabinópolis, Estado de Minas Gerais que formula a seguinte questão:

CANTO DO HINO E O PAVILHÃO NACIONAL


Durante a execução do Hino Nacional em Sessão Magna, alguns Irmãos ficam em posição voltado para a Bandeira Nacional e outros ficam na mesma posição. Sempre ocorrendo polêmicas quanto à posição. Para o Irmão está correto estas posturas dos Irmãos?

CONSIDERAÇÕES.

De fato, muitos Irmãos têm se portado nessa ocasião de modo equivocado quando do canto no Hino Nacional Brasileiro em Loja ou em outros ambientes maçônicos, oportunidade em que se voltam para o Pavilhão Nacional, constituindo assim numa violação do Hino Nacional.
Há que se considerar que a Lei 5.700/71 regulamenta a utilização dos símbolos nacionais (Bandeira, Hino, Selo e Brasão de Armas da República), destacando-se que esses símbolos individualmente representam a Nação Brasileira.
Assim, cabe comentar que os símbolos nacionais são semelhantes (pares), não existindo entre eles nenhuma precedência e nem menos hierarquia. Em última análise, isoladamente ou em conjunto constituem-se como símbolos da Nação Brasileira.
Com base nesse comento, é equivocado o ato de voltar-se para a Bandeira Nacional quando o Hino é cantado, já que isso externa demonstração de precedência de um símbolo sobre o outro, no caso, da Bandeira sobre o Hino, fato esse que não procede, pois os símbolos, como comentado, são pares.
Como precisamente se manifesta Jânio Moura – publicitário, cerimonialista, pós-graduado em psicologia da educação – diretor da Perfis Marketing Eventos e filiado ao Comitê Nacional do Cerimonial Público:
“Quando cantamos o Hino Nacional brasileiro consideramos que a ação de cantar traduz como homenagem à Pátria e, tendo em vista que nossa Pátria está legitimamente representada pelas autoridades e pelo público, presente ao evento, não vimos sentido em que autoridades e convidados se voltem para a Bandeira no momento da execução do Hino”.
Outro aspecto que merece consideração é o de que o Hino Nacional não possui o desiderato de homenagear a Bandeira Nacional. Para tal, é reservado por Lei a data de 19 de novembro como o “Dia da Bandeira”, oportunidade em que o hasteamento ocorre precisamente às 12 horas quando é então executado o Hino à Bandeira.
Ainda, segundo Jânio Moura, muito dessa prática equivocada se dá por uma interpretação errada do Art. 25 da lei 5.700/71 que menciona as hipóteses em que o Hino Nacional é executado em continência à Bandeira Nacional, o que no caso pode se dar apenas no hasteamento cívico do Dia da Bandeira e no hasteamento semanal obrigatório nos estabelecimentos de ensino (Decreto 4.835/2003).
Cabe destacar que a Lei é taxativa quando fixa tais casos como únicos, vedando, inclusive, a execução do Hino Nacional em continência fora do ali estabelecido (no Dia da Bandeira e o semanal nos estabelecimentos de ensino).
Dado ao exposto é ainda de bom tom ressaltar que em ambientes fechados não há hasteamento ou arriamento da Bandeira, portanto, em havendo o canto do Hino nessas oportunidades, o mesmo não é executado em cerimônia, ou em continência, à Bandeira. É o caso do que se dá nas cerimônias cívicas em Templos e ambientes maçônicos.
Concluindo, fora da hipótese de haver hasteamento da Bandeira nas ocasiões mencionadas, e respeitando a não existência de precedência de um símbolo sobre o outro (Bandeira, Hino, Selo e Brasão das Armas da República), não se deve voltar para a Bandeira Nacional enquanto há o canto do Hino Nacional (extensivo ao que ocorre nos ambientes maçônicos).


T.F.A.

PEDRO JUK


OUT/2019