terça-feira, 17 de julho de 2018

A FAIXA DO MESTRE - UM COMPONENTE DA SUA INDUMENTÁRIA.


Em 16/05/2018 o Respeitável Irmão Paulo Assis Valduga, REAA, GORGS (COMAB), Oriente de São Borja, Estado do Rio Grande do Sul, solicita as seguintes informações:

UTILIZAÇÃO DA FAIXA DO MESTRE.

 
Gostaria de maiores esclarecimentos sobre a faixa de Mestre Maçom, seu uso e costumes, uma vez que parece que foi, aqui no Rio Grande do Sul, abolida pelas três Potências, uma vez que ninguém mais a usa (embora os Mestres Instalados adorem estar magnificamente adornados...).

CONSIDERAÇÕES.

A faixa do Mestre é uma indumentária herdada da Moderna Maçonaria francesa que adotava na época o uso da espada como penhor de igualdade entre os seus membros. De modo genérico, na sociedade francesa do século XIX, o uso da espada era um modo distintivo utilizado por aqueles que pertenciam à nobreza.
Assim, a Maçonaria, por não reconhecer distinções mundanas no seu meio, passou a utilizar o uso da espada como uma espécie de identidade igualitária entre os seus membros, não importando fossem eles da nobreza ou não.
Desse modo, era costume de que o maçom ao portar uma espada a trouxesse junto ao seu corpo na altura do quadril esquerdo e presa em um talabarte de couro que ia vestido a tiracolo da direita para a esquerda, tendo na sua extremidade inferior uma bainha para acondicionar a arma branca.
Como os costumes em qualquer sociedade sofrem adaptações ao longo dos tempos, à maioria dos ritos franceses aboliu a obrigatoriedade do uso da espada, entretanto, em alusão ao talabarte e a bainha, manteve como tradição nos seus lugares, uma faixa de tecido debruado nas bordas e vestida a tiracolo da direita para esquerda, trazendo consigo, no lugar da bainha, uma joia distintiva apensa - nesse caso a joia do Mestre Maçom.
Desse modo, a faixa e a respectiva joia distintiva, no caso do REAA que é um rito de origem francesa, continuam sim a fazer parte dos paramentos do Mestre Maçom, além do seu avental.
Apenas a título de ilustração, no caso do GOB, a faixa do Mestre traz ainda junto a joia um pequeno dispositivo preso que é uma argola de metal, cuja finalidade é a de servir de suporte para a espada no lugar da bainha, sobretudo àqueles oficiais que a tem como instrumento de trabalho - Cobridores e Expertos, por exemplo.
Por fim, quanto ao uso da faixa parecer abolido, isso nada mais é do que um ato de desmazelo e desrespeito de alguns para com o ritual. Por certo se o ritual, obviamente, estiver prevendo a utilização dessa tradicional indumentária. Ao que parece é que a questão não é de “uso abolido”, mas sim de desrespeito para com os usos e costumes da Maçonaria – provavelmente pelo desconhecimento do seu significado.

P.S. Veja também outra resposta sobre esse tema publicado no Blog do Pedro Juk em 07 de junho próximo passado.

T.F.A.


PEDRO JUK

JULHO/2018

segunda-feira, 16 de julho de 2018

ESPADA FLAMEJANTE. SUA POSIÇÃO SOBRE O ALTAR.


O Respeitável Irmão José Vicente, Venerável Mestre da Loja Cavaleiros da Arte Real, 3.245, REAA, GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, apresenta a dúvida seguinte:

POSIÇÃO DA ESPADA FLAMEJANTE SOBRE O ALTAR.


Existe uma posição para a Espada Flamejante no Altar do Venerável Mestre? Sua ponta deve estar voltada para qual lado? Sem pressa, quando o Irmão puder me responder, agradeço.

CONSIDERAÇÕES.

A Espada Flamejante, cuja lâmina simula um raio de fogo, consagra no REAA\ a justiça implacável do Rei Salomão.
Assim, por representar uma chama de fogo, ela não pode ser embainhada, pois ninguém conseguiria, naturalmente, acondicionar um raio.
Entretanto, existe uma regra litúrgica para essa Espada determinando que ela só possa ser empunhada (manuseada) por um Venerável Mestre ou por um Mestre Maçom que traga consigo o título distintivo de Mestre Instalado (ex-Venerável).
Como ela não pode ser embainhada, então existe um oficial denominado Porta-Espada, que é quem tem a função de conduzi-la nas ocasiões em que a liturgia exigir.
Nesse sentido e para que não haja obrigatoriedade de o seu condutor ser um Mestre Instalado, a Espada Flamejante fica guardada dentro de um escrínio ou mesmo descansa sobre uma almofada. Essa providência faz com que o seu condutor, sem tocá-la, possa a conduzir (no escrínio ou sobre uma almofada) nas ocasiões em que ela se fizer necessária.
Acondicionada dessa forma, a Espada quando não utilizada, fica então descansando sobre o lado sul do Altar ocupado pelo Venerável Mestre (lado direito de quem do Ocidente olha para o Oriente). Destaque-se que é com base nessa posição de descanso que o Porta-Espada tem o seu assento a sudeste no Oriente para dela ficar próximo (vide planta do Templo no Ritual de Aprendiz do REAA em vigência no GOB).
Quanto ao lado para qual deve ficar apontando a ponta da lâmina ígnea, não existe nenhuma regra ritualística e nem qualquer significado simbólico para tal. Basta apenas que ela esteja acondicionada como o comentado e ocupe a banda sul do Altar. Dizer que ela deve apontar para esse ou para aquele lado é mera fantasia e ilação – bobagem mesmo.
Obviamente que quando Espada estiver servindo aos propósitos como objeto de consagração de um candidato, o Irmão Porta-Espada deve conduzi-la (no escrínio ou almofada) de tal modo que a sua empunhadura (cabo) fique adequada à mão esquerda do Venerável Mestre, porquanto ele terá na sua mão direita o malhete para percutir as pancadas simbólicas que anunciarão a constituição do candidato na sagração, o que é o mesmo que conferir dignidade a um grau.
Dois aspectos ainda a se considerar. O primeiro é a de que a Espada Flamejante é a única espada na Maçonaria que deve ser, por razões óbvias, empunhada pelo seu titular com a mão esquerda. O segundo é que o termo “sagração”, nesse caso com a Espada Flamejante, nada tem a ver com o que é sagrado, santo, religioso, etc. Assim, a sagração é o mesmo que consagração e deve ser compreendida em Maçonaria como o ato de se conferir dignidade a alguém ou a alguma coisa, isto é, consagrar, constituir, e não tornar santo.
Concluindo então, a Espada Flamejante, quando não utilizada, deve descansar sobre o Altar no seu lado sul. Não há nenhuma regra que mencione para qual lado deve assinalar a sua ponta.


T.F.A.

PEDRO JUK

JULHO/2018

sábado, 14 de julho de 2018

NÚMERO DE DEGRAUS NUMA LOJA DO REAA


Em 12/05/2018 o Irmão Pablo Alejandro, GOB-PR, praticante do REAA, adequando um espaço para servir de Loja me fez a seguinte consulta:

DEGRAUS EM LOJA DO REAA.


Qual a posição do GOB quanto ao número de degraus que sobem do Ocidente para o Oriente: um degrau para o Oriente, três para o sólio, dois para o Primeiro Vigilante e um para o Segundo, conforme mencionam muitos Irmãos ou é como está no Ritual onde se sobe ao Oriente por três degraus. O que é correto?

COMENTÁRIO.

Já comentei inúmeras vezes nos meus escritos que no recinto destinado aos trabalhos de uma Loja simbólica do escocesismo, topograficamente existem nele “sete” degraus.
O número sete está presente por duas razões: a primeira como número cabalístico alusivo ao símbolo da criação e a segunda como referência às Sete Ciências e Artes Liberais da Antiguidade – Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia.
Sob o aspecto da criação o número sete remete genericamente àquilo que a Moderna Maçonaria se propõe a criar nas suas Lojas, isto é, um novo homem, aprimorado espiritual e socialmente para a construção de uma sociedade melhor. Desde as mais remotas civilizações o misticismo do número sete está intimamente ligado à criação e o Criador.
Já sob o aspecto que envolve as Sete Ciências e Artes Liberais, elas denotam emblematicamente o aperfeiçoamento do obreiro e a sua aplicação na Obra. Sintetizando, é a jornada iniciática que o maçom percorre passando pelas três portas por onde ele bateu na sua Iniciação pedindo passagem. A primeira porta no Segundo Vigilante por onde se sobe por um degrau, a segunda no Primeiro Vigilante por dois degraus e finalmente no Venerável por onde se sobe por quatro degraus sendo, um degrau para o Oriente e mais três para o sólio. Perceba-se que no trajeto completo de ascensão a partir do Segundo Vigilante até o Venerável Mestre, existem sete degraus, o que, em primeira análise, significa elevação para o aperfeiçoamento.
Eis aí a razão de existirem sete desníveis dispostos dessa forma na topografia de uma Loja do REAA\. Ratificando: um para o piso do Segundo Vigilante, dois para o piso do Primeiro Vigilante, um do piso do Ocidente para o piso do Oriente e daí, mais três para o piso onde descansa o sólio. A soma de todos esses degraus por onde passa o iniciado é igual a sete.
Entretanto, infelizmente não é bem isso que orientam alguns dos nossos rituais. Desafortunadamente determinados ritualistas ainda “acham” que os sete degraus aparecem apenas no trajeto ocidente - oriente - sólio, fazendo então uma analogia equivocada da situação mencionando quatro degraus para o Oriente e mais três para o sólio, esquecendo, todavia, daqueles que levam aos lugares dos Vigilantes.
Outros ainda, sem levar nada disso em consideração, provavelmente por nada compreenderem e adotando a lei do menor esforço, simplesmente copiam costumes de outros Ritos que genuinamente, por questões históricas, a exemplo do Rito Moderno ou Francês, adotam quatro degraus para se subir do Ocidente para o Oriente. É o caso do que acontece atualmente no escocesismo com os rituais do GOB.
A propósito, que fique bem claro que no Rito Moderno é correto se subir do Ocidente para o Oriente por quatro degraus, mas não do Rito Escocês Antigo e Aceito.
Na realidade o que é tradicional no escocesismo são mesmo os sete degraus, porém como já comentado, somados a partir do Segundo Vigilante.
A título de ilustração é oportuno mencionar que historicamente no primeiro ritual simbólico do REAA, datado de 1804 e elaborado na França, nem mesmo existiam esses degraus, senão apenas os três que levavam ao Altar ocupado pelo Venerável Mestre. Os sete degraus, contados a partir do Segundo Vigilante, somente apareceriam mais tarte e na medida em que paulatinamente ia se construindo o arcabouço doutrinário do Rito – evolução dos rituais.
Assim, dados a esses comentários é que o Ritual em vigência do GOB\ está equivocado. Corretamente ele deveria seguir a regra dos sete degraus somados a partir do Segundo Vigilante e não prever quatro degraus para se subir do Ocidente para o Oriente. Nesse sentido, espera-se que em breve o GOB reveja essa orientação e coloque as coisas nos seus devidos lugares.
No tocante à edificação de novos templos eu tenho sugerido que esses degraus, conforme especifica o ritual em vigência, não sejam construídos em definitivo, mas que se constituam por estrados de madeira revestidos sobre o piso. Assim, quando as coisas voltarem aos seus devidos lugares, os ajustes construtivos ficam menos traumáticos na construção. Trocando em miúdos, sugere-se a construção de todo o piso do recinto no mesmo nível e, de modo provisório, sobre ele erguem-se os degraus com estrados de madeira revestida, o que certamente facilitará adequações futuras.
Eram essas as orientações.


T.F.A.

PEDRO JUK

JULHO/2017

sexta-feira, 13 de julho de 2018

ILUMINAÇÃO NA ESTRELA DE CINCO PONTAS


Em 11/05/2018 o Respeitável Irmão Paulo Ambrósio, Loja Acácia Balsense, 2.351, REAA, GOB-MA, Oriente de Balsas, Estado do Maranhão, formula a seguinte questão:

ESTRELA DE CINCO PONTAS.


Temos uma dúvida que gerou vários pontos de vista em nossa Loja e precisamos de vossos conhecimentos para melhorar nosso aprendizado e trabalhos em Loja.
Sobre a Estrela de 5 pontas localizada em cima do 2. ° Vigilante, temos em nossa Loja uma lâmpada nesta alegoria, a pergunta é se ela deve ficar acesa nos 3 Graus Simbólicos ou somente no Grau de Companheiro e se possível seus comentários para este tema.

CONSIDERAÇÕES.

No que diz respeito ao ritual do Segundo Grau em vigência do REAA\ no GOB, este não prevê nenhuma iluminação especial da Estrela Flamejante.
De modo genérico ela é prevista como um símbolo pendente do teto que fica no alto sobre o lugar do Segundo Vigilante no meridiano do meio-dia.
Em resumo, ela pode ficar pendente ou fixa na abóbada de tal modo que se localize por sobre o lugar mencionado. O cuidado para com esse símbolo é que ele, em relação à letra G que fica no seu centro, se apresente com um único ápice voltado para cima, a despeito de que essa Estrela é um símbolo hominal e pitagórico, também denominado por “pentalfa” (cinco princípios), portanto ele possui forma estelar de cinco pontas.
Em Maçonaria, como símbolo equivalente a uma estrela de cinco pontas ela se apresenta com a aparência de um pentagrama em apenas alguns ritos. A Estrela pentagonal só foi introduzida na Ordem no século XVIII e em território francês.
De origem pitagórica, especulativamente ela representa o Homem equilibrado e a letra G ao centro corresponde à Geometria aplicada na sua construção interior. Como um dos símbolos do grau de Companheiro ela sintetiza também a luz intermediária – entre o Sol e a Lua.
A Estrela Flamejante não é um astro componente do mapa estelar da decoração da abóbada, senão apenas um emblema que coincidentemente assume a característica visual de um objeto que reflete a Luz. Em síntese, ela não é um luminar do firmamento, mas sim a representação hominal de elevado caráter espiritual que fica no alto, conforme o ritual, entre o Sol no Oriente e a Lua no Ocidente.
É devido a esse caráter e a essa posição intermediária (no meridiano do meio-dia) que a Estrela, segundo alguns autores, pode ser decorativamente iluminada por uma luz cálida (suave). Provavelmente como representação de um símbolo que se encontra entre a luz ativa emanada pelo Sol do Oriente e a luz reflexa e passiva emanada pela Lua no Ocidente.
Assim, é essa a explicação para a existência ainda, em alguns casos, do costume de se iluminar suavemente a Estrela Flamejante. Na realidade, essa iluminação não é obrigatória, entretanto se ela porventura existir, levando-se em conta de que a Estrela é objeto de estudo do Companheiro, então que seja ela somente iluminada a partir do Segundo Grau.
Devo destacar que não estou aqui inserindo e nem incentivando nenhuma prática nova no ritual, pois a Estrela, iluminada ou não, jamais perderá a sua característica principal, que é a de nela encerrar a chave filosófica do reconhecimento no Segundo Grau.
Concluindo, essa iluminação estelar que ainda aparece em algumas Lojas nada mais é do que um simples componente de decoração, sem que nela resida nenhum segredo ou significado esotérico, pois se fosse esse o caso a Estrela Flamejante seria então retirada do teto em Loja do Primeiro Grau.

P.S. – Não confundir a Estrela Flamejante (pentagonal) com a Estrela de Seis Pontas (Magsen David ou a Blazing Star) comum na simbologia do Craft (Rito de York). Para a Estrela Hexagonal, existe outra interpretação simbólica.


T.F.A.

PEDRO JUK


JULHO/2018

quinta-feira, 12 de julho de 2018

COMENTÁRIOS SOBRE O ESTANDARTE DA LOJA -


Em 09/05/2017 o Respeitável Irmão Flávio Augusto Batistela, Loja Solidariedade e Firmeza, 3.052, REAA, GOSP-GOB, Oriente de Dracena, Estado de São Paulo, formula a questão seguinte:

ESTANDARTE DA LOJA

Estava lendo seu blog, e no post onde o Irmão tira a dúvida sobre circulação em loja, se ela existe no templo sem que a loja esteja aberta, no final o irmão faz a seguinte consideração:
"É oportuno mencionar que existem duas características na existência de uma Loja. Uma é a de que ela existe como pessoa jurídica e como instituição regularizada n
a Obediência pela carta constitutiva. A outra é que ela existe como Corporação Maçônica e depende da liturgia para a sua abertura. A Corporação Maçônica é representada pelo Estandarte da Loja, cujo qual deveria ser desfraldado no momento em que a Loja (Corporação) fosse declarada aberta e sendo recolhido assim que declarada fechada. É pena que essa tradicional ritualística tenha sido suprimida nos nossos rituais. A exposição e o recolhimento do Estandarte explicariam o porquê e a razão de muitos procedimentos que compõem a ritualística maçônica, dentre os quais, certamente os momentos em que se dá a circulação em Loja no REAA\."
Gostaria de mais explicações quando o irmão fala da prática de exposição do estandarte, onde se explicaria vários procedimentos que compõem a ritualística do REAA. Quais procedimentos são esses?
Agora entendo os motivos de termos um Porta-Estandarte e só ser usado na sagração dos templos. (risos)
Aproveito e coloco em anexo, prancha convite da sessão de instalação e posse desse que vos escreve. Mesmo depois de instalado, continuarei a defender que a plenitude maçônica ocorre quando galgamos o grau de mestre e não quando somos instalados. Aprendi isso com o irmão.

CONSIDERAÇÕES.

Explicaria a existência de um oficial, cujo ofício é o de ter sob a sua responsabilidade o Estandarte da Loja (guarda e condução). Afinal, ele não está ali apenas para preencher o lugar.
A exposição e recolhimento ritualístico do Estandarte pelo seu condutor representam a Loja em atividade e a Loja em o descanso respectivamente. Infelizmente a imensa maioria dos rituais da atualidade não dá a merecida atenção que o lábaro da Oficina e o seu condutor merecem.
No tocante à abordada circulação do lábaro, como uma espécie de guia presencial da Loja, ela se prende ao seu trajeto de ingresso, hasteamento e retirada. Esse costume fora haurido das corporações militares, religiosas ou de famílias reais na época do florescimento das guildas de construtores na Idade Média. A palavra “circulação” mencionada nesse parágrafo, nada tem a ver com o giro no sentido horário, comum no Rito, quando dos deslocamentos de uma para outra Coluna no Ocidente.
Sob o aspecto individual, o conteúdo do Estandarte é como um sistema de escrita de natureza icônica representando de modo velado, e até mesmo simplificado, a realidade, a história e os propósitos da Loja Maçônica da qual ele é o símbolo. Em síntese, seus emblemas e dizeres expressam a realidade existencial da Corporação.
Sob o aspecto ritualístico ele é um símbolo de formalidade cerimonial para a sessão e não apenas um objeto estático posicionado no canto do Oriente. Pelo seu valor representativo ele não é algo que possa passar despercebido.
A título de ilustração, e para demostrar que o Estandarte não é um mero objeto decorativo, eu vou transcrever um trecho a ele referente escrito em um excelente ritual denominado “Instalação de Venerável Mestre e Investidura de Posse das Dignidades e Oficiais de Uma Loja”, edição de 1989, que infelizmente não é o aprovado atualmente no GOB. Nele então consta na página 85 no momento em que o Venerável Mestre dá posse ao Porta-Estandarte:
“Irm\ Porta Est\, entrego-vos a joia do vosso cargo... O Estandarte é a bandeira da nossa Loja, representando simbolicamente esse Templo consagrado à Virtude. Deverá ele estar presente em nossas cerimônias, para que receba as homenagens dos maçons que compreendem e respeitam nosso esforço em prol do engrandecimento da Sublime Instituição”.
Como se pode notar, o texto por si só exprime a razão de existir do Estandarte em Loja.
Em vários países pelo mundo, onde é comum a participação da Maçonaria em desfiles cívicos, o séquito possui sempre um Irmão conduzindo o Estandarte à frente.
Enfim, quando eu me referi na resposta mencionada acima sobre os “porquês e as razões dos procedimentos” foi simplesmente para despertar nos leitores, sem ilações fantasiosas, o interesse pelo Estandarte na liturgia dos ritos maçônicos.


T.F.A.


PEDRO JUK

JULHO/2018.

domingo, 8 de julho de 2018

SETE MESTRES PARA ABRIR UMA LOJA


Em 07.05.2018 o Respeitável Irmão Alveriano Dias, Loja Tomaz de Medeiros, REAA, Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba, Oriente de Picuí, Estado da Paraíba, envia através do Respeitável Irmão Hercule Spoladore a questão seguinte.

SETE MESTRES PARA ABRIR UMA LOJA


Em uma reunião foi questionado a possibilidade do Aprendiz ocupar cargos em Loja, principalmente no Oriente. Diante do exposto gostaria que você, se possível, respondesse o seguinte questionamento:
Para uma Loja funcionar é necessária a presença de sete obreiros, dos quais pelo menos três Mestres maçons. Então pergunto: se os outros quatro obreiros forem Aprendizes, nessa Loja pode funcionar os cargos de Orador e Secretário? Caso seja afirmativa a respostas, pergunto ainda: como pode um Aprendiz ocupar um cargo de Orador ou Secretário que tem assento no Oriente quando eles têm assento no Norte? Aguardo respostas, se possível dentro da filosofia maçônica.

CONSIDERAÇÕES.

O que tem ocorrido ainda em alguns rituais da atualidade é a incompleta orientação de que uma Loja para ser aberta precisa de no mínimo sete maçons. Digo incompleta porque o correto seria o de orientar que esse número de maçons careceria ser de “sete Mestres”.
Isso acontece porque certos ritualistas modernos, desatentos e ainda baseados nas antigas lições do período operativo da Ordem, cometem esse equivoco por não levar em conta as diferenças existentes entre a Maçonaria de Ofício (século X) e a Maçonaria dos Aceitos (início do século XVII), que mais tarde seria identificada como Moderna Maçonaria - já no século XVIII.
Vale antes então comentar que nos primeiros catecismos, quando a Maçonaria ainda era exclusivamente de ofício, portanto operativa, não existiam graus especulativos como os que hoje conhecemos, porém “classes de construtores”, cujas quais se constituíam por Aprendizes Admitidos no Ofício e Companheiros da Arte (Craft). Assim, numa antiga guilda de construtores, quem presidia uma corporação operativa de Franco-maçons era o Companheiro tido entre os seus pares como o mais experiente. Esse Companheiro era então designado dirigente da guilda e empossado como o Mestre da Obra, sendo, portanto, um cargo meramente profissional que nada tinha a ver com o grau especulativo de Mestre Maçom da atual Moderna Maçonaria. Destaco que esse é um fato autêntico e bastante relevante na história da nossa Ordem.
Então, ainda sob a égide da Maçonaria de Ofício, uma organização de construtores (Loja Operativa) era constituída por no mínimo sete integrantes, ou seja, dois Aprendizes Admitidos mais cinco Companheiros da Arte, dos quais, um desses Companheiros era o escolhido como o Mestre profissional. Por certo era comum que uma guilda possuísse um número bem maior de operários, mas sete deles era o mínimo exigido para que ela fosse constituída.
Sob a proteção da igreja e do senhorio da época, essa era a condição para que uma guilda de construtores recebesse autorização para se deslocar livremente pelos rincões da Europa medieval e contratar serviços.
Foi com base nesse número mínimo de integrantes de outrora que a Moderna Maçonaria especulativamente, dentre outros, manteve o número mínimo de sete obreiros para a abertura de uma Loja Simbólica, onde os seus membros, agora maçons aceitos, não mais utilizam a pedra calcária para lhes servir de matéria prima, pois o elemento primário passou a ser o próprio homem.
A Moderna Maçonaria, constituída a partir da inauguração do primeiro sistema obediencial com a fundação da Primeira Grande Loja em Londres em 1717, não tardaria em adotar três graus especulativos, Aprendiz, Companheiro e Mestre, como franco-maçônico básico, destacando-se que o grau de Mestre Maçom somente apareceria no ano de 1725 e mencionado na segunda constituição inglesa datada de 1738.
A Maçonaria, então não mais de ofício, passou a se dedicar à construção especulativa de um Templo à Virtude Universal, utilizando-se, no lugar da pedra calcária, agora o próprio homem como sua matéria prima – “consertai o homem e arrumarás o mundo”.
Assim, doutrinariamente esse aperfeiçoamento passou a se dar por um processo iniciático com três etapas amparadas em uma jornada que, no REAA\ sugere uma alegoria associando os ciclos da vida humana com a evolução anual da Natureza – revolução anual do Sol.
Deve-se a essa liturgia simbólica, de concepção deísta e às vezes teísta, a sala da Loja (Templo) no escocesismo representar um segmento sobre o equador terrestre, cujo comprimento se dá do Oriente para o Ocidente, a sua largura do Norte para o Sul e a sua altura da superfície ao céu. Alegoricamente é nesse espaço que em primeira análise significa a Terra, onde ocorrem os ciclos da Natureza, conhecidos pelas estações do ano. Objetivamente, esse teatro simbólico tem por desiderato construir uma doutrina iniciática que compara os ciclos naturais com os ciclos da vida humana – nascimento, infância e adolescência, a primavera; juventude, o verão; maturidade, o outono e por fim a morte no inverno. Sugere também o aperfeiçoamento do homem como elemento integrante das sucessivas mortes e renascimentos da Natureza.
Sob o aspecto iniciático, essa alegoria se processa ciclicamente em um caminho orientado simbolicamente no Templo pelas Colunas Zodiacais. Aliás, em se tratando do REAA\, essa é a razão das suas existências nas paredes norte e sul do recinto da Loja.
Deste modo, o Aprendiz percorre sua senda pelo topo da Coluna Norte (parede setentrional), o Companheiro seguindo a evolução atravessa de um para o outro hemisfério atingindo o topo da Coluna do Sul (parede meridional) e por fim o ciclo se completa com o Mestre que morre no inverno para novamente renascer na primavera. No caso, o Mestre ao reviver ingressa no Oriente da Loja que é o lugar da Luz.
Em síntese esse teatro representa de modo velado todo o processo ordenado de aprimoramento ético, moral e intelectual do homem proposto na senda iniciática.
Seguindo a ordem natural dessa jornada, por primeiro os Aprendizes representando o nascimento, a infância e a adolescência ocupam o Norte; os Companheiros em seguida representando a juventude ocupam o Sul e, por fim, os Mestres, simbolizando a maturidade ingressam no Oriente.
Ainda, os Mestres, pela plenitude maçônica alcançada, são também senhores de todos os caminhos, o que significa em primeira analise que eles, além do Oriente, podem transitar e ocupar indistintamente qualquer um dos quadrantes da Loja (norte, sul, leste e oeste).
Assim, sob a égide dessa estrutura simbólica é que se dá a liturgia iniciática do REAA\, cabendo para a organização dessa estrutura um número mínimo de obreiros para que se possam abrir e encerrar os trabalhos.
Nesse sentido, levando-se em consideração o que representa a plenitude maçônica é que só podem exercer cargos em Loja aqueles que já tenham alcançado o Terceiro Grau. Afinal, a regra da vida maçônica é a de que a cada um é dado conforme as suas aptidões e a cada um se paga conforme os seus méritos.
Sob essa óptica é que não cabe a um Aprendiz ou a um Companheiro assumir cargos em Loja. Para tal é preciso primeiro que o obreiro tenha completado todo o ciclo iniciático, o que só acontece na sua Exaltação.
O significado esotérico dessa alegoria é a de que no Oriente só podem ingressar aqueles que já tenham vencido as agruras do inverno, ciclo esse em que a Terra ficara viúva do Sol. A Lei da Natureza é invariável na sua ordem natural. Nesse relógio, o “Relojoeiro” previu que a primavera antecede o verão e assim todos os ciclos se darão na sua ordem sucessivamente. A contagem da vida é feita a partir do nascimento (ao meio-dia) e só cessa com a morte (à meia-noite). O Aprendiz (infância) e o Companheiro (juventude) não ingressam no Oriente porque ali só ingressam simbolicamente aqueles que alcançaram a senilidade da vida.
Foi para dar sentido a essa alegoria que a Moderna Maçonaria, respeitando o número mínimo de sete obreiros haurido dos tempos operativos, estabeleceu - pelas razões até aqui expostas - que esse número mínimo passasse a ser constituído por sete Mestres Maçons. O número “sete” é objeto de estudo do Mestre especulativo como o número da criação - s\ aa\ e m\.
Obviamente que para esse número mínimo de obreiros, todos devem ser Mestres e corresponder com os cargos inerentes ao Rito, como abaixo será descrito.
Assim, no caso do REAA\, quando oportunamente estiverem presentes apenas sete Mestres, a Loja deve se distribuir da seguinte forma: três Luzes (Venerável, Primeiro e Segundo Vigilantes), somados às Dignidades do Orador e do Secretário, mais o Cobridor Interno e o Mestre de Cerimônias. Dessa forma, três Mestres governam a Loja, cinco Mestres a compõe e sete Mestres a completam. Destaque-se que para a liturgia da transmissão da Palavra numa Loja com apenas sete Mestres, o Secretário e o Mestre de Cerimônias preenchem momentaneamente os cargos dos Diáconos.
Infelizmente, como é o caso mencionado na sua questão, ainda existem situações anacrônicas sugerindo que os três que governam sejam Mestres, acrescidos de mais dois Companheiros e mais dois Aprendizes. Ora, essa foi uma assertiva dos tempos operativos quando ainda não existia grau de Mestre especulativo, senão o Mestre profissional que era um Companheiro experimentado e que se servia de mais dois Companheiros imediatos conhecidos como “wardens” (zeladores). Mais tarde, já na Maçonaria dos Aceitos, eles ficariam conhecidos como as Luzes Menores da Loja, ou seja, o Venerável Mestre auxiliado pelos dois Vigilantes.
Há que se distinguirem essas diferenças, pois no período operativo, as cinco primeiras classes eram profissionais conhecidos como Companheiros da Arte e servidos ainda por no mínimo mais dois Aprendizes Admitidos (sete operários). Atualmente, já na Moderna Maçonaria, as cinco Dignidades, no caso do REAA\, se constituem pelas Três Luzes acrescidas do Orador e do Secretário. Para completar o número mínimo de sete Mestres necessários para abertura e encerramento dos trabalhos de uma Loja Simbólica, somam-se a eles ainda os cargos do Cobridor Interno (imprescindível para guardar a Loja) e do Mestre de Cerimônias (indispensável no desenvolvimento ritualístico).
As considerações sobre os motivos históricos e iniciáticos inerentes ao número mínimo de sete Mestres estão aí expostas. A questão é a de que determinados ritualistas, se despindo de acrônimos, possam compreendê-las.
Sob o ponto de vista autêntico, eram esses os meus comentários, destacando que procurei abordar sinteticamente sob a óptica iniciática e histórica.

T.F.A.

PEDRO JUK

JULHO/2018