sexta-feira, 17 de março de 2023

RETARDATÁRIO - PROCEDIMENTOS PARA O INGRESSO.

Em 05.11.2022 o Respeitável Irmão Nicodemos Pinheiro Rodrigues, Loja Liberdade e Justiça, 1712, REAA, GOB-CE, Oriente de Crateús, Estado do Ceará, formula a seguinte pergunta:

 

CHEGANDO ATRASADO

 

Gostaria do nobre Irmão me tirasse uma dúvida ritualista. Quando o Irmão chega atrasado em loja para adentra no templo ele dá a bateria do grau?

Como o Cobridor Interno responde? Se é com uma pancada ou três.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Como eu tenho dito, não dá para se oficializar o atraso em Loja, pois os rituais foram e são construídos prevendo a presença dos Irmãos regulares para seguirem e cumprirem a liturgia prevista no ritual. Não faz sentido elaborar um ritual prevendo o péssimo hábito de não se cumprir o horário marcado.

                 Infelizmente se sabe que o atraso existe. Alguns casos esporádicos são até justificáveis, enquanto outros, na sua maioria, só servem para desrespeitar e atrapalhar aqueles que são pontuais.

Afora isso, ainda nessa conjuntura, há os desfiles de verdadeiras “batucadas” na porta do templo proporcionadas pelo atrasado e pelo Cobridor. Tudo, ainda bem recheado com uma boa dose invencionice e achismo.

“No creo em brujas, pero que las hay, las hay”.

Assim, o atraso existe, e no que diz respeito a ele no REAA e a constante ausência do Cobridor Externo, o mais recomendável, mas não oficializado, é que quando um retardatário bater na porta do templo e seja possível a interrupção dos trabalhos para atende-lo, ele, ao chegar deverá dar na porta a bateria de Aprendiz para pedir ingresso. Não importa o grau em que a Loja esteja trabalhando, bate-se como Aprendiz Maçom.

Partindo dessa premissa, podem existir duas situações:

A primeira é a de que o momento seja propício para atende-lo, ou seja, não haverá interrupção no andamento litúrgico ritualístico. Desse modo, o Cobridor Interno faz a comunicação na forma de costume. Sendo autorizado, armado ele se dirige à porta para verificar quem bate. Se for um Irmão conhecido, ele simplesmente comunica e é providenciado o ingresso com as formalidades previstas. Caso seja um Irmão desconhecido dar-se-á o telhamento pelo 2º Experto e o envio dos seus documentos para a verificação do Orador.

A segunda possibilidade é a de que o momento não seja propício para a verificação e ingresso. Nesse caso o retardatário deve aguardar. Para que isso aconteça, o Cobridor Interno, depois de ter ouvido as batidas e sem nada comunicar, se dirige à porta e nela dá a bateria de Aprendiz, o que significa como resposta que o retardatário deve esperar até que a ocasião seja propícia para a verificação e ingresso. O Cobridor Interno não se deve dar pancada única, ou outras baterias nessa ocasião como maneira de informar que o retardatário deva aguardar. Não se deve inventar procedimentos. Basta responder com a bateria de Aprendiz para que o atrasado entenda que deve aguardar. Dessa maneira, no momento plausível dá-se ingresso ao retardatário. Obviamente que se espera do atrasado que ele bata como Aprendiz e aguarde e não replique com outra bateria – veja como o assunto é complexo, sabendo que nada disso ocorreria se não fossem os atrasados.

Nesse contexto ainda existe a possibilidade de a Loja estar trabalhando em outro grau, de Companheiro ou de Mestre, por exemplo.

Nesse caso, se o Cobridor Interno ao averiguar que quem bate não tem grau necessário para ingressar, ele informa ao atrasado da impossibilidade de ingresso. Caso seja possível seu ingresso, ele será recebido na forma de costume.

Vale observar que mesmo que a Loja esteja trabalhando em outro grau, acima do de Aprendiz, o Cobridor Interno, na hipótese avisar para que o retardatário aguarde, ele dará pelo lado interno da porta apenas a bateria universal, a de Aprendiz. Não se deve aumentar a bateria para outro grau. Se for o caso, no momento certo o retardatário saberá em qual grau a Loja está aberta naquele momento.

Assim, qualquer outro procedimento não é recomendável, lembrando, contudo, que esta é apenas uma orientação, pois como dito, o atraso não pode ser regulamentado. Atrasados não são citados no ritual.

De tudo, o ideal mesmo é que o Maçom chegue no horário marcado à Loja. Atrasos, a meu ver, além de ser atitude desrespeitosa para os que são pontuais e, por não estarem previstos no ritual, ainda atrapalham o andamento litúrgico dos trabalhos

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

MAR/2023

quinta-feira, 16 de março de 2023

CIRCULAÇÃO E SAUDAÇÃO EM LOJA - REAA

O Respeitável Irmão Narciso João Pinto, Loja Fé e Trabalho, 635 e Milton Leite Bastos, 4338, ambas do REAA, GOB-PR, Oriente de Rio Negro, Estado do Paraná, apresenta as dúvidas seguintes:

 

CIRCULAÇÃO E SAUDAÇÃO EM LOJA

 

1 - Quando da circulação em Loja, ao subir e descer no Oriente, quando se faz a saudação? Somente depois da Loja aberta? E se faz a parada ou não?

2 - Ao final da sessão, após fechado o Livro da Lei, é necessária fazer a parada ao subir e descer do Oriente, ou pode ser com passos normais?

3 - Ao final da sessão, na saída dos Irmãos é necessária a circulação pelo painel, ou se pode sair direto (1º Vigilante, 2º Diácono, 1º Experto)

4 - Quando se ocupa cargos, os Mestres, usam a joia por cima da faixa, ou retiram a mesma e ficam só com o avental e a joia.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

                      Primeiramente eu gostaria de salientar que muitas dessas questões podem encontrar respostas no SOR – Sistema de Orientação Ritualística do GOB implantado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral e publicado no Boletim Oficial do GOB nº 31 de outubro de 2019. O SOR encontra-se na página oficial do GOB e foi criado para atuar sobre os rituais.

Assim, segue-se o Ritual de 2009 e, sobre ele todas as orientações, adequações e correções que constam no SOR.

Nesse sentido, destaco que o guardião dos rituais do GOB é o Grão-Mestre Geral e ele tem poder para emitir Decreto corrigindo os rituais.

O acesso ao SOR é feito na plataforma do GOB RITUALÍSTICA através do nº do CIM do Irmão, da Palavra Semestral e de um dos PIN(s) do GOB CARD que será solicitado na ocasião do acesso.

Dito isso, seguem as respostas às suas questões.

1.    A saudação pelo Sinal ao Venerável Mestre que é feita quando se acessa o Oriente, e dele se sai (página 42 do Ritual), somente ocorrerá em Loja declarada aberta. Nessa ocasião, se o obreiro estiver empunhando (segurando) um objeto de trabalho ou outro de ofício, ele fará apenas uma parada rápida e formal – sem meneios com a cabeça e sem inclinação do corpo. Estando com as mãos livres, saúda pelo Sinal na forma de costume.

Se a Loja não estiver aberta, o acesso e a saída do Oriente ocorrerá em se andando normalmente.

 

2.    Como já explicado no item 1 acima, faz-se andando normalmente.

 

3.    Como a Loja já está fechada não há circulação. Assim, em direção à porta, nessa ocasião cada um sai pelo lado que lhe seja conveniente. Tanto faz, ou pelo Norte, ou pelo Sul.

4.    Exceto os Cobridores e os Expertos, os demais Oficiais e as Dignidades vestem apenas o avental e o colar com a joia distintiva do cargo. Mestres sem cargo usam, além do avental, também a faixa de Mestre.

Ressalte-se que os Cobridores e o Expertos usam a faixa sob o colar. Isto porque eles têm como instrumento de trabalho a espada. Desse modo, a faixa possui um dispositivo de metal na sua extremidade inferior para acondicionar a mesma (vide no Ritual de Mestre). Dessa forma, esses oficiais quando não estiverem empunhando a espada por dever de ofício devem mantê-las presas ao dispositivo da faixa. Admite-se também deixar a espada presa no aparelho que geralmente fica fixado atrás do espaldar da cadeira. Outros detalhes podem ser encontrados no SOR.

Ao concluir, vale também mencionar que está previsto no SOR o momento em que se iniciam as circulações em Loja. Nele orienta-se que no início dos procedimentos de abertura, assim que o Venerável Mestre solicitar ajuda dos Irmãos para abrir a Loja (página 44 do Ritual de Aprendiz), a circulação passa a ser obrigatória, somente sendo dispensada após estar o Livro da Lei fechado no encerramento dos trabalhos. Circulação em Loja nada tem a ver com Sinais. A referência de quando devem se iniciar as circulações tem apenas o caráter de padronização dos trabalhos.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

Secretário Geral de Orientação Ritualística do GOB/PODER CENTRAL

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

MAR/2023

ATRASADO CHEGANDO NO ENCERRAMENTO DOS TRABALHOS

Em 04.11.2022 o Respeitável Glênio Freitas Alves, através do Irmão Altieres José Schincariol, Loja Philantropia do Sul, 226, REAA, GLMRGS (CMSB), Oriente de Rio Grande, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a dúvida seguinte:

 

INGRESSO ATRASADO NA LOJA

 

Gostaria de tirar uma dúvida que surgiu em minha Loja. Um irmão chegou atrasado, estávamos iniciando o encerramento dos trabalhos, o Venerável Mestre autorizou ele entrar na ritualística e assinar o livro de presença.

O Irmão Chanceler alegou que ele não poderia entrar em loja, porque já tinha passado o Tronco de Solidariedade, livro encerrado e assinado pelo Venerável Mestre. As perguntas: - Existe algum limite de horário de entrar em loja?

Algum impedimento que impeça de o irmão entrar atrasado em loja?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Inicialmente devo mencionar que simplesmente houve falta de bom senso, pois não se justifica um Irmão chegar para os trabalhos da Loja no momento em que os mesmos já estão sendo encerrados. É no mínimo uma atitude acintosa e de falta de respeito para com aqueles que se apresentaram no momento adequado para a abertura da Loja.

               Mais espantoso ainda foi o Venerável Mestre interromper a liturgia de encerramento dos trabalhos da Loja para admitir um Irmão atrasado.

Nesse contexto - do ingresso após a abertura da Loja - vou abordar também a questão dos Irmãos visitantes que entram com formalidade após a Ordem do Dia.

Existem muitos rituais que recebem visitantes em momento apropriado, ou seja, para aqueles que não irão entrar em família porque têm direito ao protocolo de recepção.

Nesse sentido, nas sessões ordinárias (econômicas) os visitantes ingressam com formalidade logo após o encerramento da Ordem do Dia, mas nunca durante o encerramento dos trabalhos;

O ingresso após a Ordem do Dia ocorre porque as vezes a Loja precisa tratar de algum assunto particular que interessa apenas e tão somente aos Irmãos do Quadro.

Outro aspecto do ingresso de visitantes ou atrasados é que nos ritos onde há o giro ritualístico para a coleta do Tronco de Beneficência, ou de Solidariedade, visitantes não serão mais admitidos após a conclusão do respectivo giro.

Isso se explica porque durante a coleta, o que cada um pode dispor não pode ser revelado, pois a caridade é sigilosa, portanto, não cabe a ninguém saber o que cada um pode dispor, ou mesmo se nada pode doar naquele instante.

Desse modo, apenas o total auferido na coleta é revelado à Loja na mesma sessão. Qualquer valor depositado após o encerramento da coleta acabaria revelando o seu doador e o quanto ele pôde dispor.

Cabe ainda destacar que a apuração do resultado auferido, em favor da lisura dos trabalhos, deve ser informado ainda na mesma sessão. Portanto é anacrônica a atitude de se lacrar o Tronco para conferência superior.

Graças a isso é que o Chanceler acertadamente alegou que não se deve admitir ninguém nos trabalhos após ter sido encerrada a coleta do Tronco. Note que no REAA, o giro da bolsa ocorre ritualisticamente após o quarto de hora de estudos.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

http://pedro-juk.blogspot.com.br

jukirm@hotmail.com

 

 

MAR/2023

quarta-feira, 15 de março de 2023

ESCADA EM CARACOL - UMA ALEGORIA DO 2º GRAU DO CRAFT

Em 03/11/2022 o Respeitável Irmão Robson Lopes, Loja Mestre Hiram, REAA, GOB-RJ, Oriente de Nova Iguaçu, Estado do Rio de Janeiro, faz a seguinte pergunta:

 

ESCADA EM CARACOL

 

Estou em uma jornada de reestudo do simbolismo do REAA a fim de consolidar efetivamente sua doutrina. Voltando-me ao estudo do Grau 2, me pergunto se o simbolismo da escada em Caracol; a que se sobe por 3, 5 e 7 degraus; pertence realmente ao Rito uma vez que no Painel da Loja não vemos tal iconografia, mas sim no painel do Craft Inglês que Mario Behring enxertou nas Grandes Lojas e o GOB posteriormente adotou.


CONSIDERAÇÕES.

                      De fato, o conteúdo do Painel do Grau é o resumo simbólico da Loja naquele estágio de aprendizado. Entretanto, infelizmente em alguns casos tem havido flagrante mistura de símbolos que nem sempre são comuns ao arcabouço doutrinário deste ou daquele Rito.

Há casos em que se chega ao cúmulo de se adotar mais um painel na Loja dando a ele o indevido nome de painel alegórico para justificar a imprópria presença de símbolos estranhos às instruções de um determinado rito. O REAA possui apenas um Painel em cada grau simbólico. Não existe no simbolismo desse rito o tal “painel alegórico”, senão como um indevido enxerto.

Esse é o caso da Escada em Caracol que, embora sugestiva, originalmente ela não está presente no Painel do 2º Grau do REAA. Isso se explica porque essa alegoria é parte do conteúdo doutrinário presente nas preleções do CRAFT. Vale lembrar que o REAA é um rito da vertente latina de Maçonaria, enquanto que o CRAFT, a exemplo do Rito de York, é da vertente anglo-saxônica de Maçonaria, portanto inglesa.

Desafortunadamente essas indevidas inserções acabariam ao longo do tempo aqui no Brasil produzindo instruções do Grau que não condizem com o ideário autêntico de determinados ritos.

Assim, ouvem-se ensinamentos que não fazem sentido em um determinado contexto litúrgico e ritualístico. Destaque-se que isso não acontece apenas com a Escada em Caracol, mas com inúmeros outros símbolos, e até mesmo a indevida adoção de painéis inteiros como já foi aqui mencionado.

Desse modo, é por essa razão que no Painel do 2º Grau do REAA adotado no GOB não aparece a figura da Escada em Caracol, pois instruções pertinentes a ela não são do REAA, mas do Rito de York (CRAFT).

Graças a essas miscelâneas de símbolos é que nos deparamos muitas vezes com instruções patéticas e incompreensíveis. O conteúdo simbólico dos Painéis (franceses) e das Tábuas de Delinear (inglesas) é o resumo da proposta iniciática de um determinado rito. Alguns símbolos possuem caráter universal, isto é, aparecem em todos os ritos, contudo, outros não.

 

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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MAR/2023

terça-feira, 14 de março de 2023

PLANETA MERCÚRIO - DECORAÇÃO DA ABÓBADA CELESTE

Em 29/10/2022 o Respeitável que se identifica apenas como Irmão Marcelo, Loja União Fraterna, REAA, GOB-SP, sem mencionar o nome do Oriente, Estado de São Paulo, faz a pergunta seguinte:

 

PLANETA MERCÚRIO

 

Estou fazendo um trabalho sobre o tema e ficou uma dúvida sobre o planeta Mercúrio. Em outras pesquisas tenho encontrado que ele representa o 1o Diácono e não o Mestre de Cerimônias, pois se localiza a Nordeste e é o planeta mais perto do sol. Pode me ajudar esclarecendo essa dúvida?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

                       A decoração do teto dos templos maçônicos não é universal, mas se caracteriza de acordo com o rito praticado. Há ritos que não se utilizam desse tipo de decoração.

No caso do REAA o arranjo do teto foi em parte uma contribuição da Loja Geral Escocesa, criada quando da construção do primeiro ritual do simbolismo desse rito em 1804 na França.

A decoração do teto dos templos é geralmente estelar e esse hábito remonta aos tempos do Egito Antigo, onde é possível encontrar, por exemplo, o magnífico templo de
Karnak em Luxor.

Sem muita preocupação com a estética, mas com o seu aspecto representativo, geralmente esses templos buscavam representar uma imagem do mundo, onde o teto era o firmamento e o piso a Terra, de onde brotavam colunas que simbolizavam enormes papiros.

Antes de prosseguir, cabe aqui uma observação importante. A alusão ao costume egípcio de se estelar o teto dos seus templos não autoriza ninguém a imaginar Maçonaria no Egito Antigo. Aqui essa citação é apenas um referencial histórico, e não um apanágio da Maçonaria.

Nesse sentido, destaque-se que documentalmente a Maçonaria possui aproximados 800 anos de história, e o seu primeiro templo foi inaugurado em 1776 em Londres.

A decoração estelar, no caso da Moderna Maçonaria, fora baseada em templos originários de algumas remotas civilizações – a isso podemos chamar de ecletismo maçônico.

Retomando, no caso do REAA essa decoração estelar segue um padrão relativo ao firmamento quando visto do hemisfério Norte da Terra.

Em linhas gerais essa decoração deve conter, além da representação do Sol e da Lua, os planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno; as estrelas, Polar (da constelação Ursa Menor), Arcturus, Spica (da constelação da Virgem), Aldebaran, Régulus e Fomalhaut. Ainda nesse contexto, as constelações de Órion (as três estrelas do seu cinturão), Híades, Plêiades e Ursa Maior.

Vale relatar que no REAA, originalmente eram também marcadas na base a abóbada, a partir de Áries, as doze constelações do Zodíaco, seis ao Norte e seis ao Sul. Contudo, essa decoração fora paulatinamente sendo substituída por Colunas Zodiacais que iam fixadas nas paredes Norte e Sul do templo. Em meados do século XX essas colunas acabariam sendo definitivamente adotadas como representação do Zodíaco (caminho iniciático do maçom).

Quanto ao misticismo religioso haurido da Mesopotâmia e a associação com cargos em Loja no REAA - confesso que não sou simpático a esse tipo de interpretação – o mais consagrado nesse contexto tem sido o dos deuses Marduc e Shamash correspondentes ao Sol, Sin correspondente à Lua e Ichtar correspondente à Vênus.

Nessa conjuntura ainda existiam outros deuses conexos aos demais planetas então conhecidos na antiguidade. Mercúrio, deus veloz e astuto era o senhor da sabedoria calculista; Marte era o deus da guerra; Júpiter era senhor dos homens, embora em segunda escala fosse suplantado pelo deus Sol (Sabedoria); Saturno, era tido como um deus cruel.

Em relação à associação desse misticismo com os cargos em Loja podemos citar: o Venerável Mestre, correspondente ao planeta Júpiter, pois no panteão dos deuses, além de ser um régio senhor dos povos, simbolizava também à sabedoria; o 1º Vigilante, correspondente ao planeta Marte, como senhor da guerra representa também a força; o 2º Vigilante, correspondente ao planeta Vênus, mitologicamente feminizado, era deusa da fertilidade e do amor, representa a beleza; o Orador, correspondente ao Sol, tal como alguém que emana luz nas decisões e no trato com a lei; Secretário, correspondente à Lua, registra as decisões da Loja refletindo as conclusões do Orador na clareza da lei; o Tesoureiro, correspondente à Saturno, cruel e frio, é também o símbolo da riqueza; o Mestre de Cerimônias, correspondente ao planeta Mercúrio - deus veloz e astuto, como oficial ele circula pelo ambiente dos trabalhos como um elemento de ligação, imita Mercúrio por ser o planeta que mais rápido se movimenta em torno do Sol.

Da mesma forma, é possível também encontrar referências dos cargos identificadas com deuses e semideuses do panteão grego.

Como referência bibliográfica a respeito desse tema, recomendo o livro O Rito Escocês Antigo e Aceito, História, Doutrina e Prática. José Castellani, Editora Maçônica A Trolha.

Espero que essa abordagem superficial possa ser útil.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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MAR/2023

segunda-feira, 13 de março de 2023

PAINEL DO 3º GRAU - SIGNIFICADO DE ALGUNS SÍMBOLOS

Em 26.10.2022 o Respeitável Irmão Ronei Antonio Ferrari, Loja Integridade, REAA, Grande Oriente Paulista (COMAB), Oriente de Capivari, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

 

SIGNIFICADO DE SÍMBOLOS

 

Fui indagado sobre as letras U – E, e duas vezes o número 5 que aparecem no centro do painel da Loja de Mestre.

Solicito suas luzes.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Antes das considerações propriamente ditas, esse painel mencionado na questão não é o original do REAA, pois esse quadro (Tábua de Delinear) elaborado por John Harris, fora por ele pintado para a Maçonaria anglo-saxônica entre 1818 e 1823. Na Maçonaria inglesa não se usa o termo painel da Loja, mas Tábua de Delinear (Tracing Board).

                     Embora o conteúdo dessa Tábua de Delinear do 3º Grau tenha passado por alguns aperfeiçoamentos na sua plástica, a sua base de elementos simbólicos se mantém praticamente a mesma até os dias atuais.

O REAA, por ser originário da Maçonaria francesa utiliza outro elemento para esse fim, cujo qual é denominado Painel, ou Quadro da Loja. É bem verdade, no entanto, que algumas Obediências aqui no Brasil ainda utilizem contraditoriamente Tábua de Delinear do 3º Grau elaborada por Harris.

Infelizmente, essa desatenção acaba causando um certo mistifório porque o conteúdo simbólico utilizado pela Maçonaria inglesa se diferencia em muitos dos símbolos utilizado pela Maçonaria Francesa. Como exemplo disso, basta verificar a diferença que existe entre os instrumentos utilizados por J∴, J∴ e J∴ na representação lendária. Também, diferente da Tábua de Delinear inglesa, o Painel francês não traz o epitáfio e nem as inscrições “U” e “E”, etc.

Dados esses breves comentários iniciais, no painel de Harris mencionado na questão, a letra “U”, segundo autores como Theobaldo Varolli Filho e Francisco de Assis Carvalho, dentre outros, se refere a “Universo” (Universe), enquanto que a letra “E” menciona “Excelente” (Excellent).

Lembro que o painel é inglês, e não francês, porquanto são traduções livres do inglês para o português. Isso obviamente não encerra a questão, pois é preciso que se procure o significado no contexto da lenda - universalidade da criação e a excelência do “Criador”.

Outro aspecto é que o Irmão John Harris produziu outros painéis, inclusive um em 1850 para o 3º Grau da Maçonaria judaica. Isso pode levar a interpretações difusas porque abreviaturas conforme os vernáculos nem sempre seguem o padrão daquilo que se quer abreviar.

Vale notar ainda que existe na parte superior do conjunto simbólico inglês um epitáfio com inscrições que utilizam o alfabeto maçônico, e o número 3000, contudo esses criptogramas, conforme nos alerta o Irmão Frederico Guilherme da Costa, podem corresponder a algumas letras do alfabeto hebraico. Assim, qualquer interpretação pura e simples pode deixar muito a desejar.

No que diz respeito ao número 5, no Painel de Harris ele aparece não duas, mas três vezes. De maneira bem sintética, explica-se que o nº 5 se identifica com o Grau de Companheiro. Ele aparece três vezes em alusão aos t∴ mm∴ CComp∴ que a∴ o M∴ H∴ A∴. É bom que se diga que o painel é uma descrição velada da Lenda do 3º Grau. Nesse sentido, reitero a diferença que existe entre o conjunto simbólico inglês e francês -há diferença entre as narrativas.

Em síntese era isso. Por prudência, não devo me atrever a esmiuçar esses conteúdos, pois os puristas de plantão, que raramente conhecem o significado daquilo que eles mesmo criticam, certamente estarão vigiando para expressar as suas deletérias reprovações. Aos meus algozes eu os desafio a mostrar onde possa estar revelado no presente texto algum segredo que envolva SSin∴, TToq∴ e PPal∴ do Mestre.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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MAR/2023