quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

INGRESSO NO ORIENTE. COM QUAL PÉ?


Em 01.10.2018 o Respeitável Irmão Marcelo Ciesilski, Loja Mandaguari, 167, GOP (COMAB), REAA, Oriente de Mandaguari, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

INGRESSO NO ORIENTE. COM QUAL PÉ?

Fui questionado que ao entrar ao oriente e ao sair do oriente, devemos usar sempre o pé esquerdo primeiro, porém nunca li nada sobre isto, gostaria que sanasse está dúvida.


CONSIDERAÇÕES.

Pois é, o Irmão, por certo você nunca leu nada sobre isso porque isso simplesmente não existe. Aliás, quem lhe questionou é quem deveria lhe explicar a razão do exercício dessa bobagem.
Talvez por vivermos na Maçonaria latina, invenções nela é que não faltam, todavia quando pedimos explicações sobre essas inferências ninguém se apresenta para dá-las. É bem verdade que até existem “autores” que, no ímpeto de expor as suas crenças particulares, acabaram expressando práticas que não condizem com a razão aplicada pela Maçonaria. Algumas dessas ideias até chegaram a ingressar em rituais anacrônicos.
Assim meu Irmão, essa de ingressar com esse ou com aquele pé é mera invencionice. Portanto, aquele que em deslocamento se dirigir ao Oriente, nele ingressará pelo seu lado nordeste sempre vindo da Coluna do Norte e andando normalmente. Não há para tal nenhuma norma que indique qual o pé que por primeiro se deva ingressar. Do mesmo modo, em retirada, não existe também nenhuma regra que indique alguma obrigatoriedade nesse sentido. Naturalmente quem sai do Oriente o faz sempre pelo lado sudeste em direção da Coluna do Sul – com qual pé se deva por primeiro descer não importa.
Quanto aos inventores e os questionadores, eles que justifiquem com razão, propriedade e convencimento o porquê das suas ilações.
Por fim devo expressar que os comentários acima estão de acordo com a tradição, usos e costumes do Rito. Se porventura houver rituais em vigência que se expressem ao contrário, cabe então aos seus autores dar uma justificativa plausível sobre o fato. Com isso não estou induzindo ninguém a desrespeitar um ritual.


T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2018

ABREVIATURA MAÇÔNICA III


Em 01.10.2018 o Irmão Robert Nicholas, Loja Dr. Germano Costa, 2.349, REAA, GOB-RN, Oriente de Natal, Estado do Rio Grande do Norte, solicita o seguinte esclarecimento:

ABREVIATURA

Gostaria de saber qual é a abreviação correta para companheiro? C, CM ou COMP?

RESPOSTA.

Para os ritos latinos que utilizam a tri pontuação em forma de um delta (\), a abreviação, nesse caso, pode se dar pela simples grafia de uma letra inicial acrescida dos três pontos, ou a mais tradicional que é aquela que interrompe a palavra numa consoante, se ela possuir, seguida da tri pontuação.
Assim, respondendo a sua questão, a palavra “Companheiro Maçom”, se abreviada apenas nas iniciais, apresenta-se grafada como C\M\, enquanto que a utilizada nos conteúdos textuais, que é aquela geralmente abreviada numa consoante, se apresenta escrita como Comp\ Maç\.
Por óbvio, não raras vezes essas abreviaturas se igualam entre palavras, todavia a sua diferenciação e significado deve ser constatada no contexto de uma frase ou de uma oração. Exemplo, Comp\ = Companheiro; Comp\ = Compasso.
Por outro lado, é oportuno mencionar que esse tipo de abreviação, a dos três pontos em forma de delta, não é unânime na sua utilização por toda a Maçonaria Universal. Como já mencionado, essa abreviação é mais comum na Maçonaria de vertente latina e praticamente desconhecida no Craft (Maçonaria anglo-saxônica).
Destaque-se que esse costume acabou permanecendo mais por tradição do que como um modo eficiente de resguardar algum segredo no significado de uma escrita. Nesse sentido, infelizmente muitos Irmãos, sem se aperceber, exageram na utilização dessa abreviação tri pontual transformando os textos num amontoado de palavras truncadas sem que isso seja eficiente no tocante à discrição.
De mais a mais, alguns autores fantasistas, vislumbrando simbologia temerária, acabaram escrevendo verdadeiros absurdos abeirados de imaginação e fantasias relacionados aos três pontos distribuídos de modo triangular. Na realidade esses três pontos nada têm de simbolismo iniciático, senão o de serem um modo característico de se abreviar palavras, cujo costume fora haurido de um passado em que o segredo era necessário e muitas vezes, inclusive, servia para privar a Ordem de perseguições dos seus inimigos.
Exageros a parte, essa tripontuação se mantém mais como tradição do que como um meio eficiente para ocultar o significado de textos e/ou palavras dos não iniciados.


T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2018

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

JOÃO, O EVANGELISTA - MAÇONARIA SEM MISTÉRIOS


MAÇONARIA SEM MISTÉRIO – UM MINUTO DE PROSA.

As datas solsticiais e os cultos solares da antiguidade são temas importantes para o estudo e a compreensão da "Arte Maçônica". Como atualmente vivemos um período solsticial de inverno no hemisfério norte (berço de origem da Maçonaria) é oportuno lembrar um dos dois personagens que, por influência da Igreja, são tidos como protetores da Ordem.
Pela própria história das confrarias de construtores medievais, o solstício de inverno no hemisfério boreal se associa a pratica profissional dos cortadores e entalhadores da pedra calcária. Esses, então construtores de mosteiros, abadias, igrejas e catedrais eram protegidos pela Igreja-Estado. Assim, no período em que os rigores do inverno não permitiam o trabalho na sua plenitude, ansiosamente os operários esperavam pelo final das agruras da estação gélida em que a Terra fica "viúva" do Sol (noites longas e dias curtos).
Como que a existir um elo entre essa alegoria solsticial e os Ofícios Francos, João, o Evangelista já era lembrado desde então como aquele que “divulgou a Luz”. Por óbvio, tudo em alusão Àquele que veio para trazer de volta a Luz ao mundo. O "Natalis Invicti Solis", desde o mitraísmo persa, parece misteriosamente concordar com o nascimento de Jesus - nesse caso Ele conhecido como a “Luz do Mundo”.
Não obstante às convenções alegóricas dos cultos solares da antiguidade (base da grande maioria das religiões), as confrarias medievais de construtores - precursoras da Maçonaria - como que a cumprir os ditames da Natureza, também dividiam o seu tempo (semestral) se utilizando das datas solsticiais próprias do hemisfério norte do nosso Planeta - o de início do verão em junho e o de início do inverno em dezembro.
A despeito das questões relativas ao andamento profissional da própria confraria e as estações propícias para o trabalho, havia também a influência da Igreja expansionista na época que associava esses Santos Protetores aos ditames dos seus domínios.
Por conta disso a Igreja se utilizou das datas solsticiais de inverno e de verão, o que fez com que João, o Batista (o que previu a Luz) e João, o Evangelista (o que pregou a Luz) se consolidassem como patronos das Guildas de Construtores, e por extensão à Franco-Maçonaria, que viviam sobre o seu protetorado.
Sob o aspecto filosófico e doutrinário, essa alegoria busca demonstrar figuradamente que essa Luz se reporta a “Jesus”, Ele tido pelo Cristianismo como a “Luz do Mundo”.
É devido a isso que a data do Seu nascimento fora adequada e fixada pela igreja justamente num solstício de inverno do hemisfério Norte.
Na realidade esse teatro natural representa que no inverno os dias são curtos e as noites longas, o que, em primeira análise, simboliza um tempo em que as trevas acabam prevalecendo sobre a Luz – Jesus, nesse caso, veio para dissipar as trevas.
Como o período é o de solstício hibernal ao Norte, a Maçonaria, cujo berço de nascimento é desse mesmo hemisfério, tem por tradição comemorar no dia 27 de dezembro a data de um dos seus Patronos, João o Evangelista, ou aquele que "espalhou a Luz". Destaque-se nesse caso que a Maçonaria, além das influências da Igreja (uma das suas protetoras da época) é reconhecidamente tida como um instrumento de Luz porque combate as trevas da ignorância.
Sob essa conduta, a Moderna Maçonaria professa seu objetivo construindo uma Obra de Luz, Luz essa que tem por desiderato iluminar (esclarecer) o Homem preparando-o para lutar contra os flagelos da humanidade, aqui muito bem representados pelas trevas da superstição e da ignorância.
Nesse sentido, João, o Evangelista, por ter tido a missão de disseminar a Luz (Evangelho), tem na Ordem Maçônica um caráter não religioso, mas simbólico, representativo e patronal de um personagem ligado ao esclarecimento.
Foi assim que esse "pregador", no momento em que ao Norte a Terra fica viúva da Luz, acabou se consolidando na Maçonaria como um patrono insigne do “esclarecimento”. Ratifico: nessa alegoria não está em jogo nenhuma demonstração dogmática de fé religiosa ou religiosidade, mas sim a de demonstrar um ícone importante que traz na sua companhia a nobre missão de levar a mensagem da Luz.
Dentre outros, a Luz nos traz a Esperança para que tenhamos um ano novo iluminado pelo bem e pela solidariedade. Enfim, assim como o Sol simbolicamente inicia sua jornada de retorno a partir do Sul para o Norte, que também tenhamos notícias alvissareiras para novo ano que se aproxima. Que de fato o ano de 2019 seja mesmo uma “boa nova”.


PEDRO JUK
27/12/2018


Publicado no Blog do Pedro Juk em Opinião – http://pedro-juk.blogspot.com.br

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

VERSÃO BÍBLICA DO LIVRO DA LEI NA MAÇONARIA


Em 27/09/2018 o Respeitável Irmão Alberto Rafael Moreira Ferreira, Loja Cidade de Viamão, 99, REAA, GLMRS, Oriente de Viamão, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta o que segue:

LIVRO DA LEI


Nossa oficina trabalha no Rito Escocês Antigo e Aceito, pertencente à GLMRS e escrevo ao irmão após ler uma peça de sua autoria que trata da "Leitura e Abertura do Livro da Lei", em seu Blog. Em uma das nossas sessões surgiu um questionamento sobre O USO DA BÍBLIA CATÓLICA no nosso rito. Bem, fiquei encarregado pelo Venerável Mestre de escrever uma peça sobre o tema, assim ao começar a pesquisar conheci o blog do irmão e seus trabalhos que são de grande qualidade. A referida peça do irmão é muito importante e esclarecedora sobre a matéria, mas pergunto se seria possível o irmão me ajudar com a indicação de alguma bibliografia sobre essa questão.

CONSIDERAÇÕES.

Na realidade não existe essa questão de se adotar uma Bíblia católica (sic) ou não, sobretudo porque a Maçonaria não é religião. Entretanto, dependendo da vertente maçônica a que seus ritos pertencem, adota-se, ou a versão Septuaginta (dos Setenta ou Alexandrina), ou a Vulgata (latina).
A versão bíblica Septuaginta, geralmente adotada pela maçonaria de origem anglo-saxônica (Craft), teve sua redação a partir da Bíblia hebraica e foi usada pelos judeus de língua grega que a preferiam no lugar do texto escrito em hebraico. No que concerne ao título, “Dos Setenta", este se deve porque a tradição judaica atribui essa tradução a “setenta” sábios judeus helenistas, enquanto que o título "Alexandrina" se deve porque ela foi redigida em Alexandria.
No que diz respeito à versão intitulada Vulgata, a mesma se refere à tradução da Bíblia do grego para o latim, cuja tradução se deve a São Jerônimo ao atender uma determinação do Papa Dâmaso I. Esse fato se deu entre os fins do século IV e início do V, sendo a Vulgata, sobretudo a partir da edição de 1.532, então utilizada oficialmente pela Igreja católica, essa mesma Igreja que no início se fazia valer do idioma grego.
A despeito dessas duas versões, ambas são da religião cristã, cabendo cada uma dessas versões a utilização pelos ramos do cristianismo. A questão é não se confundir “igreja” com “religião” – a religião cristã, por exemplo, envolve a igreja católica, a protestante, a anglicana e a evangélica.
Genericamente, a Bíblia é uma coleção de textos religiosos tidos de valor sagrado para o cristianismo. Nela se narram interpretações religiosas pertinentes à existência do homem na Terra. Ela é considerada pelos cristãos como livros escritos por inspiração divina, tratando-se para a religião cristã num importante documento doutrinário.
Em Maçonaria, a qual eu ratifico não é uma religião, a Bíblia se apresenta desde o seu nascimento na Idade Média, sobretudo por influência da Igreja que era a protetora das confrarias dos construtores – vide a sua história.
Com o advento da Maçonaria Especulativa e o aparecimento dos ritos maçônicos, cada qual deles, dependendo da sua origem cultural, manteve a versão bíblica condizente com os seus costumes. Nesse caso, a Maçonaria anglo-saxônica adotou no seu idioma a versão correspondente à Septuaginta (Bíblia Alexandrina), enquanto que a outra, a versão da Vulgata, manteve-se nos ritos de origem latina.
Assim, se é que se pode mencionar diferença, salvo alguns pormenores no texto, mas que não influem na sua essência, as duas versões bíblicas também são partes integrantes da Moderna Maçonaria.
Um aspecto não menos importante na utilização da Bíblia como o Livro da Lei (uma das Três Grandes Luzes da Loja) é a de que, em se levando em conta a liberdade religiosa do maçom, conforme a sua religião, adota-se o Livro que se adequa à sua crença. Na verdade isso reforça a teoria de que a Sublime Instituição não é uma religião, porém respeita a todas na sua essência desde que professem de modo conciliatório a crença num Ser Supremo o qual se denomina o “Grande Arquiteto do Universo”.
Quanto à versão bíblica utilizada no REAA\, a mesma tem sido tradicionalmente a Vulgata. Isso se explica porque a origem desse rito, embora ele até possua algumas influências anglo-saxônicas, incontestavelmente é latina – o REAA é um rito maçônico nascido na França.
Concluindo, sugiro ao Irmão que construa sua grade de pesquisa sobre o tema o “Livro da Lei na Maçonaria”. Recolha subsídios sobre essa égide, porém sempre se desvencilhando de opiniões temerárias que tratam de diferenças entre “Bíblias dessa ou daquela religião”, pois isso não interessa à Maçonaria. Para a Ordem, sem que ela indague da religião de cada maçom, a sugestão é a de aperfeiçoar moralmente aqueles que se propõem construir um edifício social dedicado à virtude universal. Destaco, o Livro da Lei na Maçonaria é o código de moral que cada maçom, conforme a sua crença, se obriga a seguir. Se bem compreendia a Arte, isso está muito longe de ser confundido com preferências religiosas.


E.T. – Consulte no meu Blog em http://pedro-juk.blogspot.com.br títulos relacionados a esse tema que envolve Booz ou Boaz.


T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2018.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

QUAL A ESCRITA CORRETA - BOOZ OU BOAZ


Em 26/09/2018 o Respeitável Irmão Marcelo Rodrigues, Loja Justiça e Perfeição, 1178, GOB-RS, REAA, Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a seguinte questão:

BOOZ ou BOAZ?


Teria como dar uma luz?

CONSIDERAÇÕES
SÃO JERÔNIMO

A despeito de ser essa palavra de origem hebraica, muito já se escreveu sobre a de grafia de B\. Alguns escritos são dignos de apreciação, enquanto que outros nem tanto. Muitos deles mais apregoam opiniões pessoais do que se preocupam em trazer qualquer contribuição para o tema.
Sob a óptica dos escritos confiáveis, muitos autores têm mencionado que a diferença da grafia está nos conformes com as duas principais versões da Bíblia – a Septuaginta, ou “Dos Setenta” e a Vulgata. Assim, explica-se:
A Septuaginta. Versão dos "Setenta" ou "Alexandrina" é provavelmente a principal variante grega por conta da a sua antiguidade e autoridade. Sua redação deu-se a partir da Bíblia hebraica no período de 275 - 100 a. C., sendo usada pelos judeus de língua grega que a preferiam no lugar do texto escrito em hebraico. Quanto ao título conhecido como a “Dos Setenta", o mesmo se deve ao fato de que a tradição judaica atribui sua tradução a “setenta” sábios judeus helenistas.
Já o também título de "Alexandrina" é porque ela foi redigida em Alexandria.
No que menciona a versão Septuaginta, a palavra que é o objeto dessa discussão é grafada como BOAZ (sem vogal dobrada).
A Vulgata. No sentido em curso, Vulgata é a tradução da Bíblia do grego para o latim que ocorrera entre os fins do século IV e início do V por São Jerônimo atendendo determinação do Papa Dâmaso I. É essa a versão que seria usada oficialmente pela Igreja Cristã.
Cabe destacar, entretanto, que essa mesma Igreja, onde nos primeiros séculos da sua existência servia-se da língua grega, com o aparecimento da tradução latina da Vulgata, sobretudo a partir da edição de 1.532, consolidaria a utilização dessa versão latina.
No que menciona a Vulgata, a palavra que é o objeto dessa discussão tem a sua escrita grafada como BOOZ (com as vogais dobradas).
Ainda sobre esse tema, outras ponderações merecem considerações: A primeira delas se refere à quebra do monopólio da língua latina quando da realização da Reforma Protestante. Nessa ocasião a tradução da Bíblia foi feita por Martinho Lutero do latim para o idioma alemão. Nessa tradução germânica a palavra B\ é escrita como BOAZ (sem vogais dobradas).
Outra ponderação importante é a de que, além da tradução protestante e germânica mencionada, também entre os britânicos o termo BOOZ é desconhecido. De fato, os ingleses só conhecem a palavra escrita como BOAZ.
Assim, dentre outras, a que eu reputo ser a mais importante é que a grafia BOOZ é desconhecida no vernáculo hebraico (origem do termo). Nele somente se conhece o termo BOAZ.
Reforçando essa afirmativa, vejamos o que diz um Irmão conhecedor do idioma hebraico. Assim ele se pronuncia:
“(...) acho que não se precisa nem de São Jeronimo, nem de Martin Luther (que não gostava de judeus), nem da Versão dos Setenta (feita para judeus tão helenizados que não sabiam mais ler hebraico). Peguem qualquer judeu que se preze (ou um que não se preza como eu) e vamos ao texto hebraico do Livro de Ruth. Está lá: Letra “Beit” (é o som do Bê), mais o sinal vocálico do som do Ó (é um pontinho), mais a letra “Áiin” com o sinal vocálico de A, mais a letra “Záin” que sempre tem som de Zê. Resultado: BOAZ”.
Por aí mais uma vez é possível se constatar que a grafia correta dessa palavra é BOAZ, nunca BOOZ, pois essa última, como demonstrado anteriormente, nada mais é do que uma corruptela da palavra apropriada, corruptela essa que fora adquirida por equivoco de São Jerônimo quando fez a tradução do grego para o latim.
Explica-se a consagração e conservação em alguns casos dessa corruptela porque a Igreja Católica, alegando “respeito” ao tradutor bíblico, resolveu manter a tradição da Vulgata, ou seja, manteve o equivocado termo BOOZ no lugar do correto BOAZ.
Não obstante a consagração de equívocos, diga-se de passagem, que não é só na Maçonaria latina que existem “entendidos” que adoram cultuar erros crassos – esse é um exemplo.
Em relação à Maçonaria propriamente dita e a utilização desses dois vocábulos (o certo e o errado), o fato é facilmente compreendido em se observando a qual vertente o rito pertence. Explica-se: Na pura vertente anglo-saxônica de Maçonaria (Craft inglês e norte-americano) utiliza-se apenas palavra é BOAZ (sem vogal dobrada tal qual ocorre originalmente na língua hebraica), enquanto que na vertente latina (francesa) de Maçonaria, da qual pertence o REAA\, o termo comumente utilizado, por provável influência da Vulgata (latina por excelência), é a corruptela BOOZ (palavra etimologicamente inexistente).
Foi desse modo que a Maçonaria brasileira – por ser quase que na sua totalidade filha espiritual da França – acabou adotando para os ritos de origem francesa a corruptela (BOOZ) haurida da Vulgata; É o caso, por exemplo, do Rito Escocês Antigo e Aceito praticado no Brasil.
Dado a isso, mesmo que exaustivamente comprovado que a palavra BOAZ não traga na sua escrita as consoantes dobradas “oo”, ainda assim muitos rituais insistem em utilizar a corruptela BOOZ (particularmente isso acontece no GOB).
Sob a luz da razão, eu penso que a Maçonaria, como investigadora da Verdade, deveria, nas Obediências que ainda insistem em manter o anacronismo de BOOZ, corrigir esse equívoco. Ora, se já foi demonstrado que etimologicamente a palavra correta é BOAZ, que sentido faz então se manter o que não é verdadeiro? Alegar tradição como fez na época a Igreja Católica?
O grande problema é que muitos maçons brasileiros “acham” que são grandes conhecedores da liturgia maçônica por possuírem parte da enxurrada de rituais que foram publicados pela Maçonaria Brasileira, esquecendo-se esses que a imensa maioria deles só comporta equívocos, invenções e enxertos. Infelizmente esses detentores de rituais têm nessa coleção temerária um apoio que lhes coloca com opinião irreversível. Desse modo, somos obrigados apenas a apontar os absurdos para que alguns possam avaliar melhor a situação – me disse um dia um grande Mestre: “não perca tempo discutindo com crânios blindados”.
Como a esperança é a última que morre, sempre há de existir uma Luz no fim do túnel. Nesse sentido, sugiro ao o Irmão que consulte uma excelente Peça de Arquitetura intitulada “Discussões Bíblicas – BOOZ ou BOAZ” de autoria do Irmão Willian Almeida de Carvalho e pode ser encontrada na Internet. Em minha opinião esse trabalho fecha o assunto e ainda dá subsídios para pesquisa sobre o tema.
Dando por concluído, não me custa alertar para que se tome muito cuidado com discussões ritualísticas oriundas de grupos de orientação formados na Internet. É prudente se compreender que nem tudo o que reluz é ouro. Muitas vezes nesse ambiente a grande maioria diz o que pensa, sem que haja antes uma avaliação acadêmica suportada por uma analise ponderada dos fatos. Simplesmente dizer que “eu tenho esse e aquele ritual antigo” não faz do pesquisador um arauto da verdade – antes de tudo é preciso se saber se as fontes procedem de água limpa.


T.F.A.

PEDRO JUK

DEZ/2018

domingo, 16 de dezembro de 2018

ALTERAÇÃO NO ESTANDARTE DA LOJA - HERÁLDICA


Em 25.09.2018 o Respeitável Irmão Gilberto Canhadas, Loja Lotus 2211, A Justa, sem GOB, REAA, Oriente e Estado de São Paulo, apresente a dúvida seguinte:

ALTERAÇÃO NO ESTANDARTE.

 
Acontece que no verso do estandarte da Loja consta o nome dos dez fundadores da mesma em 1983. Na mesma data, embora não conste como fundador, um Irmão participou da mesma, foi Venerável Mestre, participou de forma ativa até 2008, quando de sua passagem ao Oriente Eterno. Foi aprovada, por unanimidade, a inclusão de seu nome, no verso do estandarte como homenagem. Pergunta-se: a Loja é soberana para aprovar modificação acima? Caso contrário, qual a norma legal que proíbe tal alteração?

CONSIDERAÇÕES.

Costume herdado das agremiações de ofício da Idade Média, na Moderna Maçonaria o Estandarte continua a ser a insígnia que identifica a Loja como uma corporação maçônica.
Nesse sentido, cada Loja tem o seu Estandarte, cujo símbolo geralmente fica desfraldado num lugar específico dentro da Sala da Loja durante a realização dos trabalhos maçônicos. Alguns ritos, inclusive, tem um oficial, cujo ofício é o de conduzir esse lábaro distintivo – no REAA ele é denominado o Porta-Estandarte.
A adoção consuetudinária de um Estandarte numa Loja maçônica geralmente se dá desde a sua fundação e regularização numa Obediência, oportunidade em que ela apresenta a heráldica da sua insígnia maior (Estandarte) condizente com o seu título distintivo. Nesse sentido, oficialmente cada Estandarte possui a sua história e é o instrumento figurado que identifica a Loja.
Muitas Obediências, como é o caso do GOB, possuem até um ritual específico para a ocasião da honrosa consagração e entrega desse lábaro.
Não obstante todo o significado e a importância desse emblema, em havendo razão para tal, alterar o seu Estandarte é prerrogativa da Loja, desde que sejam cumpridas as formalidades legais (desejo da maioria do seu quadro por votação).
Obviamente que essa decisão, se aprovada na Loja, será comunicada à Obediência, o que normalmente acontece na ocasião em que é apresentada a justificativa para uma nova consagração e entrega do lábaro alterado.
Baseado nessas conotações, não de modo laudatório, é que coloquei essas considerações a respeito.

P.S. – O Ritual que traz a Consagração e Entrega de Estandarte, no Grande Oriente do Brasil se encontra no volume de Rituais Especiais (sessões exclusivas) para as Lojas da Federação em vigência, Edição 2016, instituída pelo Decreto 1506/16.


T.F.A.

PEDRO JUK

DEZ/2018