quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

SE RECUSANDO A ASSUMIR CARGO EM LOJA


Em 25/09/2019 o Respeitável Irmão Manoel Tavares da Silva Neto, Loja Vigário Bartolomeu Fagundes, 2.132, GOB-DF, REAA, Oriente de Brasília, Distrito Federal, apresenta a questão seguinte:

RECUSA DE CARGO


Aproveito, na verdade, dos conhecimentos maçônicos e de sua experiência adquirida ao longo dos anos de estudo.
QUESTÃO: No Átrio o Irmão Mestre de Cerimônias ao compor a Loja falta o titular de um cargo. A seguir ele convida um Mestre do Quadro presente, sem cargo em Loja, para ocupar este cargo. Aonde encontro que ele não pode recusar.

CONSIDERAÇÕES.

Caro Irmão, esse não é o caso de estar ou não escrito, sobretudo quando tratamos de Maçonaria. Infelizmente ainda vivemos no "tudo tem que estar escrito".
Veja, um Mestre Maçom que se apresentar para os trabalhos, quando for solicitado os seus préstimos, deve incontinentemente aceitar com fervor e zelo a missão que lhe é oferecida, não a recusar. Afinal ele como maçom irá participar dos trabalhos maçônicos da Loja, sendo, portanto, no jargão maçônico, um operário especulativo e não um mero assistente que se integra apenas como um ser contemplativo, amorfo e para fazer número.
Existe um detalhe que aparece nas entrelinhas da liturgia maçônica, mas que muitos não se dão conta. Trata-se do significado de um termo comum aos trabalhos maçônicos, o de "estar à Ordem".
A despeito de que todos aprendem como ficar à Ordem ritualisticamente em Loja, muitos ainda não sabem o que isso significa. Assim, esclarecendo, estar à Ordem estabelece a atitude de sempre estar preparado, pronto, alerta e a disposição na Oficina (por isso só se fica à Ordem em Loja aberta).
Nesse sentido, aquele que se coloca a disposição dos trabalhos, quando eventualmente solicitado não deve se recusar de atender ao ofício, sobretudo se ele é um Mestre Maçom (cargos em Loja são privativos de Mestres). É bom lembrar que a plenitude atingida por aqueles que alcançam o 3º Grau, não se resume só em direitos, mas também em obrigações. Dito isso, é obrigação do Mestre ajudar seus Irmãos – no caso, ocupando um cargo que eventualmente precise por ele ser preenchido.
Além do que, o substantivo "Mestre", na acepção da palavra, designa aquele que ensina; aquele que é perito ou versado numa ciência ou arte, no nosso caso, na arte da Maçonaria. Assim, conhecedor da "arte" como ele deve ser, não é de boa geometria que o mesmo se recuse a ajudar nos trabalhos da Loja.
Ainda, sob o aspecto iniciático, cabe mencionar que o maçom, ainda como Aprendiz, começa sua jornada iniciática prometendo: "(...) Juro mais, ajudar (o grifo é meu) e defender os meus IIr em tudo que puder e for necessário (...)" – trecho das obrigações do Aprendiz. Ajudar, dentre outros, envolve também auxiliar nos trabalhos maçônicos.
Dado ao exposto, é obrigação de um Mestre Maçom auxiliar nos trabalhos e não se recusar a cumprir missões que lhe são requeridas. Se negar a preencher um cargo demonstra despreparo e até mesmo indisciplina. Entendo que isso é consuetudinário em Maçonaria, portanto não precisa estar escrito, pois a própria formação do Mestre, haurida das instruções e dos bons exemplos, já o induzem a ter atitudes de solidariedade – ou não?


T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2019

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