quinta-feira, 8 de março de 2018

LEITURA DO LIVRO DA LEI - OUTROS LIVROS QUE NÃO A BÍBLIA


Em 28/11/2017 o Irmão Mário Júnior, Loja Luz e Harmonia, 1657, REAA, GOB-PR, Oriente de Telêmaco Borba, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

LEITURA DO LIVRO DA LEI – OUTROS LIVROS.


O motivo principal deste contato é sanar uma dúvida que não encontro referências bibliográficas em nenhum lugar: nas Lojas (e ritos) em que se adota um Livro da Lei diferente da Bíblia (ou do Pentateuco), quais as passagens que são lidas na abertura dos Graus de Aprendiz e Companheiro?
E, caso não haja recomendação oficial, quais “você” indicaria como mais apropriadas? Considere os seguintes casos, se possível:
Alcorão - Bhagavad Gita - Livro dos Espíritos - O Livro de Mórmon - Constituição do GOB (e outros, que se lembrar).

CONSIDERAÇÕES.

Já escrevi bastante a respeito dessas questões.
Como eu tenho dito a leitura de trechos do Livro da Lei (bíblia), não é apanágio de todos os ritos maçônicos. Alguns costumam ler trechos específicos, enquanto que outros apenas abrem o Livro; outros ainda nem mesmo o abrem, mantendo-o apenas exposto. Também existe Rito, como é o caso do Francês, ou Moderno que originalmente não adota nenhum livro religioso, senão a Constituição Maçônica.
Como já foi amplamente divulgado, a bíblia como Livro da Lei na Maçonaria é costume advindo de um passado distante quando a Francomaçonaria ainda era protegida pela Igreja Católica.
Destaque-se que não há como se imaginar a Maçonaria como uma religião, entretanto é mister vê-la como um centro de união entre os homens livres e de bons costumes que creem em Deus - o Grande Arquiteto do Universo. Vale a pena mencionar que o termo “livre” aqui utilizado enfoca os que são desprendidos dos entraves sociais e religiosos.
Na questão do REAA\, que sabidamente tem previsto na sua liturgia a leitura de trechos do Livro da Lei na abertura dos seus trabalhos, as leituras são apenas aquelas previstas nos rituais em vigência. Ou seja, apenas as conhecidas e que advém de trechos bíblicos.
No caso de outros livros sagrados que são permitidos junto à Bíblia sobre o Altar dos Juramentos no intuito de atender as liberdades individuais de credo, neles não existe previsão de nenhuma outra leitura que não a original bíblica prevista no ritual.
Como a Maçonaria não é uma religião, não se faz necessária, além da bíblia como Livro da Lei Moral, da presença obrigatória de outros livros em sessões que não demandem de atos de juramento. Por óbvio é mais comum tê-los, se for o caso, nas sessões magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação onde nelas existem as tomadas de “obrigação”.
Note-se que o juramento é prestado de acordo com o texto previsto no ritual. Não existe nenhum outro texto diferenciado para esse ato. Na realidade o recipiendário pode ter diante de si nessa oportunidade o Livro da Lei Moral da sua fé e sobre o qual ele prestará a obrigação. O texto do juramento é igual para todos. O que pode mudar é apenas o Livro da Lei sobre o qual o protagonista depositará a sua mão direita.
Assim, no REAA\ e no que diz respeito à leitura de trechos bíblicos do Livro da Lei, a mesma é feita apenas durante a abertura dos trabalhos da Loja, não havendo nela, entretanto, nenhum exercício religioso.
Na realidade esses textos simbolizam esotericamente o objetivo de cada grau no simbolismo do REAA\. No de Aprendiz o da prevalência da Luz sobre as trevas (Evangelho de São João[1]), no de Companheiro o do equilíbrio e o da justiça (Juízes – Amós) e no de Mestre o da efemeridade da vida (Eclesiastes).
Faz-se cogente então compreender que nenhuma dessas leituras tem o desiderato de imputar doutrina religiosa, mas sim o de trazer a alegoria do aperfeiçoamento espiritual e o da transição da vida.
Nesse sentido, ratifico que leitura de trechos do Livro da Lei na abertura dos trabalhos originalmente só existe nos ritos que a preveem. Todas elas são oriundas de trechos bíblicos, não existindo, portanto, nenhum outro trecho que possa ser retirado de outros livros.
Consoante ao exposto é que não há recomendação “oficial” para outras leituras.
Já no que tange às “indicações minhas” expressas na questão, é sabido o quanto eu combato invenções e achismos na Maçonaria, portanto eu jamais me atreveria indicar alguma coisa apenas porque eu acho. O que não existe, para mim simplesmente não existe.

P.S. – Esses comentários prendem-se particularmente às duas principais vertentes da Moderna Maçonaria – a francesa e a inglesa.

T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2018


[1] Evangelho de São João – Essa é a leitura original para o REAA\ na abertura dos trabalhos em Loja de Aprendiz. O Salmo 133, embora bastante difundido no Brasil, não é original, senão um produto de enxerto no escocesismo.

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