Em 29/05/2026 o Respeitável Irmão Enio Sampaio,
Loja Acácia de Balneário, 3798, REAA, GOB -SC, Oriente de Balneário de
Camboriú, Estado de Santa Catarina, pede comentários para o que segue:
INSTRUÇÕES
Boa noite, meu estimado Irmão. Espero que esta
mensagem o encontre bem. Venho solicitar as suas luzes para dirimir uma questão
levantada em nossa Loja. Busco o seu conselho por reconhecer a sabedoria, a
firmeza e a segurança de suas orientações.
Em nossa Oficina, de acordo com o Regimento
Interno, cabe aos Aprendizes a apresentação de cinco Peças de Arquitetura
durante o interstício, além das visitações e demais requisitos legais. Para
enriquecer a formação, temos pautado a distribuição dos temas mesclando o
Simbolismo, o funcionamento dos Cargos em Loja e a nossa Legislação (RGF,
Regimento Interno e o funcionamento do GOB). Temos o rigoroso cuidado de manter
tudo restrito aos limites do Grau 1.
Para ilustrar, uma distribuição típica seria:
1ª Peça: A Palavra Sagrada; 2ª Peça: O Painel do Grau de Aprendiz; 3ª Peça: A
Corda de 81 Nós; 4ª Peça: O cargo de Hospitaleiro; 5ª Peça: O Regimento Interno
da Loja.
Ocorre que alguns Irmãos objetaram a essa
dinâmica, defendendo que os temas deveriam ser estritamente sobre o Simbolismo
do Grau. No meu entendimento, como há volume suficiente de trabalhos, essa
diversificação é a melhor forma de instruir os Aprendizes, permitindo que eles
compreendam o universo administrativo e legal em que adentraram de forma mais
completa. Além disso, o fato de serem apresentados temas relativos a nossa
legislação ajuda os irmãos a relembrarem partes importantes que por vezes são
esquecidas - ou ignoradas.
Meu pensamento está incorreto, meu Irmão?
Devemos realmente restringir a pauta de estudos da Coluna do Norte apenas ao
Simbolismo puro?
Tenho certeza do pronto atendimento de sempre e
desde já agradeço!
CONSIDERAÇÕES
Antes, gostaria de relatar que
os rituais primitivos não traziam o período dedicado às instruções. Por um bom
tempo os rituais especulativos (dos aceitos) tratavam apenas da liturgia e da ritualística
das sessões econômicas (ordinárias) e magnas.
A instrução
propriamente dita, na maioria dos casos, restringia-se ao Cobridor do Grau. Outras
instruções, tidas como “catecismos”, eram organizadas pela Loja e ministradas à
parte.
Por conta disso, era comum se
entender que o ritual não era lugar para Instruções, tal como a forma que hoje
conhecemos. Os catecismos geralmente apareciam separados do ritual.
No entanto, especialmente na Maçonaria
brasileira, preparar instruções não foi algo muito criterioso seguido por boa
parte das Lojas, as quais, além de pouco ensinar, ainda facilitavam o ingresso
de contradições e achismos. Em síntese, não existiam instruções bem elaboradas,
mas sim a propagação de enxertos que mais ajudavam a desfigurar o rito do que propriamente aprimorar conhecimentos.
Como em terra de cego quem tem
um olho é rei, os anacronismos e as fantasias, bem como as crendices
particulares e toda a sorte de absurdos, foi se espalhando feito erva daninha.
Para pôr um fim a tudo isso,
foi então criado um período específico, dentro do ritual destinado às instruções
organizadas. Esse período ficou conhecido como “Tempo de Estudos”, ou “Quarto
de Hora de Estudos”.
NOTA - Nos Rituais do REAA vigentes no GOB, edição 2024, houve por
bem se elevar de 15 para 30 minutos o tempo disponível para o período de estudos.
À vista disso, começaram a
aparecer instruções mais elaboradas e organizadas. Com elas oficialmente inseridas
nos rituais, às Lojas passaram a servir ensinamentos mais palatáveis, sendo
obrigadas seguir a sequência prevista pelo ritual.
Ainda nesse assunto, vale
ressaltar que atualmente as instruções que constam nos rituais vigentes são
obrigatórias para cada grau, não obstante ser recomendável que além das
instruções oficiais, também sejam organizadas, pelos Vigilantes instrutores,
ensinamentos complementares. Sem dúvida isso tem sido saudável para a educação
maçônica.
No tocante às matérias para
instrução, desde que elas sejam de interesse da Ordem Maçônica e não avancem
sobre assuntos privativos de outros graus, as mesmas podem versar sobre
história, filosofia, arte, organização e legislação maçônica. Enfim, tudo o que
estiver ao alcance de cada grau.
A respeito das
instruções ficarem apenas no campo do simbolismo, isso não é verdade, pois,
como já foi mencionado, além das instruções oficiais que constam no ritual, outros
temas complementares também podem ser abordados. Recomenda-se, inclusive, que
desde o 1º Grau o Orador, argumente instruções para a assembleia (Loja) sobre
legislação maçônica; o Tesoureiro, sobre assuntos de finanças; o Chanceler,
sobre os registros e guarda dos selos e assim por diante.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
http://pedro-juk.blogspot.com.br
jukirm@hotmail.com
AGO/2026