Em 08.03.2026 o Aprendiz, Irmão Ramon Pesurno
Nogueira, Loja Regente Feijó II, REAA, GOB-RJ, Oriente de Três Rios, Estado do
Rio de Janeiro, solicita esclarecimentos:
CICLOS INICIÁTICOS
Considerando que a senda do Aprendiz pela
Coluna do Norte mapeia uma evolução interior contínua - partindo do despertar e
da iniciação em Áries, passando pelo trabalho na pedra bruta em Touro, a
compreensão da dualidade em Gêmeos, o silêncio e a gestação em Câncer, a força
moral em Leão, até atingir a purificação e a ordem em Virgem, que o prepara
para o Companheirismo —, pergunto: existe alguma obrigatoriedade ritualística
de que o Aprendiz ocupe fisicamente os assentos correspondentes a cada uma dessas
colunas zodiacais conforme avança nesses estágios? Ou esse caminhar pelas
constelações do Norte é vivenciado de forma estritamente alegórica e moral, sem
a necessidade de transição física nos bancos da Loja?
CONSIDERAÇÕES
Trata-se de um apólogo solar baseado
nos Cultos Solares da Antiguidade (Cultos Agrários). Sob a óptica desse
misticismo, essa alegoria solar tem a finalidade de equiparar, simbolicamente, o
transcorrer da vida do Iniciado com a revolução anual do Sol - um movimento aparente
que resulta, em última análise, no teatro da vida, morte e renascimento da
Natureza.
Especificamente, no que tange à sua
pergunta, no templo os ciclos iniciáticos são simbólicos, portanto não há
necessidade de que o Iniciado tenha que literalmente ocupar, de tempos em
tempos, cada uma das colunas distribuídas pela parede Norte do templo (topo do
Norte).
Simbolicamente, a idade do Aprendiz corresponde
aos ciclos da primavera e do verão (hemisfério Norte). Esse tempo de passagem equivale
às fases de vida da infância e da adolescência, as quais se encerram às portas
da juventude, época em que o Aprendiz Maçom é elevado ao grau de Companheiro – ele
atravessa o eixo do templo, passando do Norte para o Sul (vai do Nível à
Perpendicular).
No computo geral dessa fábula iniciática,
cada uma das etapas percorridas é apenas emblemática, ainda que a verdadeira
mudança deve ocorrer no interior do Iniciado.
Não obstante a observação rigorosa de
que na cerimônia de Iniciação obrigatoriamente o Aprendiz recém-iniciado seja
colocado no topo do Norte, junto à coluna representativa de Áries (ponto de
partida), a seguir, no decorrer do seu tempo de estada no setentrião, não necessidade
de que o Aprendiz percorra fisicamente cada uma das seis Colunas fixadas no
topo do Norte. É o suficiente que nas sessões seguintes ele permaneça em
qualquer lugar, desde que ocupando o banco dos Aprendizes, adjacente à parede
Norte.
Assim, na Iniciação, conforme especifica
o ritual, o Neófito, depois de ter sido consagrado e reconhecido como Aprendiz
Maçom, e ter assinado o livro de presenças, é conduzido até Áries, próximo do
1º Vig∴, para dali iniciar a sua jornada.
A título de ilustração, é bom que se
diga que no misticismo solar aplicado na Maçonaria, Áries, a 21 de março corresponde
ao início da primavera no Norte. Nesse caso, a referência Norte é porque a
Maçonaria floresceu acima da linha do Equador.
Finalizando, é o bastante que o início
da senda iniciática seja aplicada no dia da Iniciação, no mais, a simbologia
das Colunas Zodiacais já é suficiente para explicar essa trajetória. Isso quer
dizer que o ritual não determina que o Aprendiz tenha que literalmente ocupar cada
uma das seis colunas no Norte. Isso está intrínseco na alegoria.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
http://pedro-juk.blogspot.com.br
jukirm@hotmail.com
MAI/2026