quinta-feira, 31 de agosto de 2023

VISITANTE DEPUTADO E PARAMENTOS DE OUTRO RITO

Em 19.04.2023 o Respeitável Irmão João Junior Moreira de Carvalho, Loja Manoel Reginaldo da Rocha, 2439, Benfeitora da Ordem, REAA, GOB-RN, Oriente de Pau dos Ferros, Estado do Rio Grande do Norte, apresenta a dúvida seguinte:

 

VISITANTE DEPUTADO.

 

É uma honra fazer este primeiro contato com Irmão por e-mail, primeiramente gostaria de agradecer pelos inúmeros trabalhos oferecidos a todos os Irmãos que gostam dos estudos maçônicos e principalmente do estudo Ritualística. Tenho uma dúvida e gostaria se possível o Irmão me intuísse, fui visitar uma Loja do REAA e tinha um Irmão visitando também está mesma Loja e o mesmo usava, Chapéu, Espada e Paramentos de Deputado estadual do GOB-CE. Minha dúvida é: O Irmão visitante não tinha que está só com o Avental de Mestre, pois o mesmo está visitando outra Loja com Rito diferente do dele?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Ele, mesmo como visitante, não deixa de ser um Deputado Estadual maçônico, portanto é perfeitamente natural que ele se apresente em visita paramentado como um Deputado Estadual.

Assim, ele usa os paramentos de Deputado, pois ele é uma autoridade prevista na faixa 02 (Artigos 2019 e 220 do RGF).

Quanto a ele estar usando outros adereços, provavelmente é porque o seu rito (deve ser o Adonhiramita) se utiliza do chapéu e do porte de uma espada embainhada, ou fixada no dispositivo preso na faixa do Mestre (esse aparelho está previsto no ritual).

Nesse particular, os seus paramentos, mesmo sendo de outro rito, não interferem no andamento litúrgico e ritualístico da Loja visitada, portanto ele pode usá-los normalmente. Nessa conjuntura, o que não deve acontecer é um visitante empregar procedimentos ritualísticos do seu rito no desenvolvimento dos trabalhos de outro rito, ou seja, interferindo no andamento dos trabalhos da Loja visitada.

À vista disso é que o RGF prevê no seu Artigo 217: “o visitante está sujeito à disciplina interna da Loja que o admite em seus trabalhos”.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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AGO/2023

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

EXISTE TRANSFORMAÇÃO DE LOJA DO MAIOR PARA O MENOR GRAU?

Em 18.04.2023 o Respeitável Irmão, Celso Mendes de Oliveira Junior, Loja Pioneiros de Mauá, 2000, REAA, GOB-RJ, Oriente de Magé, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a dúvida seguinte.

 

TRANSFORMAÇÃO DE LOJA

 

Conforme preconiza a tradição, a transformação da Loja deve seguir a ordem prevista nos rituais, a saber, a passagem de graus deve ocorrer na sequência de Aprendiz para Companheiro e de Companheiro para Mestre. Além disso, o encerramento definitivo dos trabalhos deve ocorrer no mesmo grau em que foram abertos pela primeira vez.

Contudo, levanto a seguinte indagação: em circunstâncias excepcionais nas quais não haja Aprendizes e Companheiros presentes, seria possível iniciar os trabalhos em grau de Mestre e, em seguida, realizar a transformação da Loja em Companheiro e depois em Aprendiz?

Em minha concepção, a transformação decrescente é uma possibilidade viável, desde que ocorra sem prejuízo ritualístico, e seja encerrada no grau de abertura dos trabalhos. Suponhamos que no momento da abertura da Loja não havia Aprendizes e/ou Companheiros, mas posteriormente comparecem alguns; seria possível realizar a transformação decrescente, desde que seja encerrada no grau de Mestre, que foi o grau de abertura dos trabalhos.

Sendo assim, solicito a gentileza do amado Irmão em esclarecer essa questão, caso existam precedentes ou orientações específicas sobre o tema.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Transformar Loja de um grau mais alto para o mais baixo para tratar de assuntos pertinentes a graus inferiores me parece redundância, pois os graus mais altos comportam perfeitamente o trato de assuntos de graus mais baixos. Isso quer dizer que não é necessária a transformação de Loja para essa finalidade.

Caso isso ocorresse, certamente que seria algo contrário ao progresso e ao bom desenvolvimento dos trabalhos. Só para ilustrar, seria o mesmo que transitar andar em cículo no mesmo hemisfério, ou seja, dar a volta ao mundo para parar no mesmo lugar..

Veja, se a sessão foi aberta no 3º grau ou no 2º grau é porque a Loja está seguindo o seu calendário aprovado. Naturalmente que nesse caso não se farão presentes Irmãos cujo grau os impeça de participar dos trabalhos.

No tocante à possibilidade de aparecerem Irmãos visitantes atrasados em uma Loja que foi inicialmente aberta em grau superior ao que eles possuem, simplesmente os mesmos não serão admitidos, pois não faz sentido transformar a Loja só para acomodar uma situação de Irmãos que comparecem depois do início dos trabalhos. Realmente, isso é algo fora de cogitação.

Nesse sentido, foi para evitar atitudes desnecessárias e contraproducentes que as transformações de Lojas estão ordenadas e previstas nos rituais sempre do grau mais baixo para o mais alto, retornando em seguida, após ter atendido a necessidade que a levou à transformação, aos trabalhos no grau em que ela fora inicialmente aberta.

No caso do REAA, que é o mencionado na questão, para a transformação de Aprendiz a Companheiro, a sua ritualística de transformação se encontra no ritual do 2º Grau. Para se transformar de Companheiro para Mestre, a ritualística de transformação encontra-se no ritual do 3º Grau. O mesmo ocorre no sentido contrário, agora do mais alto para o mais baixo até chegar ao grau inicial que a Loja foi aberta.

Ao concluir, é bom que se diga que há ritos, a exemplo do York, que não possuem transformação de Loja. No York abre-se sucessivamente a Loja a partir do Aprendiz até o Grau que a Loja irá trabalhar. No encerramento é a mesma coisa. A Loja é sucessivamente fechada até o grau de Aprendiz.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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AGO/2023

terça-feira, 29 de agosto de 2023

SUBSTITUTOS IMEDIATOS DOS VIGILANTES E DISTRIBUIÇÃO DE CARGOS NO ÁTRIO

Em 15.04.2023 o Respeitável Irmão Rogerio Coelho, Loja Luz da Acácia, 2586, REAA, GOB-SC, Oriente de Jaraguá do Sul, Estado de Santa Cataria, apresenta o que segue:

 

SUBSTITUTOS DOS VIGILANTES E DISTRIBUIÇÃO DE CARGOS

 

Quando das novas orientações ritualísticas, que entraram em vigor em 2019, com o SOR, peço orientação no que se refere a estes 4 temas:

1 - O substituto do 2º Vigilante é o 1º Experto, quando o 1º Vigilante falta e o 2º Vigilante o substitui? Na ausência de ambos os Vigilantes, os substitutos seriam o 1º e 2º Expertos?

2 - No SOR, temos a SAÍDA DO TEMPLO. Ali se diz que o Mestre Cerimonias "DIRIGE" a
saída na ordem inversa.
Este “dirige” é claramente que o mesmo ANUNCIE de voz própria? Ou fica calado em pé, somente olhando?

3 - No caso da ENTRADA DO TEMPLO, o Mestre de Cerimônias fica CALADO junto a porta ou ANUNCIA a ordem de entrada dos Irmãos?

4 - O Mestre de Cerimônias deve ele PESSOALMENTE ENTREGAR AS JOIAS do cargo, ou cada um pega a sua, já que no SOR temos o texto: “... nele o Mestre de Cerimônia constitui devidamente a Loja DISTRIBUINDO as Joias dos cargos...”

5 - Proibido conversar na Sala dos Passos Perdido assuntos triviais, enquanto se espera a entrada ao Átrio?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Inicialmente cabe mencionar que não há como escrever ritualística esmiuçando cada um dos procedimentos possíveis no seu passo a passo. Antes é preciso se utilizar do bom senso para que sejam evitados os preciosismos.

Assim, nessa conjuntura procura-se dar uniformidade aos trabalhos de modo que as práticas sejam executadas visando o alcance dos seus objetivos. As orientações ritualísticas prestadas pela Secretaria Geral de Orientação Ritualística visam, antes de tudo, dar um “norte” para cada prática litúrgica, mas sem produzir elementos que alimentem a prolixidade.

Vamos às respostas:

1.    O 1º Experto não é o substituto de nenhum Vigilante. Desse modo, existindo ausência precária do 1º Vigilante, quem assume o seu lugar é o 2º Vigilante que, por sua vez, terá o seu lugar preenchido pelo 2º Experto.

Nas sessões ordinárias, se ausente estiver o Venerável Mestre, o seu cargo será preenchido pelo 1º Vigilante. Por sua vez a 1ª vigilância será ocupada pelo 2º Vigilante e o 2º Experto ocupará a 2ª vigilância.

Já nas sessões magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação, se o Venerável Mestre titular estiver ausente, quem dirige os trabalhos é o Ex-Venerável mais recente da Loja.

O 1º Experto não exerce função de substituir Vigilantes em nenhum caso. Apenas o 2º Experto é quem tem a função de substituir o 2º Vigilante na sua ausência, mas nunca substituir o 1º Vigilante.

No caso de ausência de duas das Luzes da Loja - eleitas para dirigi-la - o recomendável é que nessas circunstâncias não se deve abrir a Loja.

 

2.    Essa “direção” na saída dos obreiros é de maneira genérica. Nesse caso basta que o Mestre de Cerimônias, sem excessos de preciosismo, anuncie: “Meus Irmãos, vamos nos retirar na ordem inversa da entrada”. É improdutivo que na Loja já fechada o Mestre de Cerimônias fique a nominar individualmente a ordem de saída dos Irmãos. Algo completamente desnecessário.

 

3.    Obviamente que o Mestre de Cerimônias não fica calado nessa oportunidade. Ele, depois de ter organizado o préstito conforme a ordem de entrada tal como consta no ritual, e ter dado a bateria de costume na porta, anuncia genericamente o ingresso de acordo com a disposição do préstito: Aprendizes, Companheiros, Mestres sem Cargo, Oficiais, Dignidades, Autoridades e por último o Venerável Mestre da Loja. É dispensável (não precisa) que todos os cargos sejam nominados um a um para ingressar no templo.

 

4.    Distribuir as joias significa por si só que é o Mestre de Cerimônias quem exerce esse ofício. É ele quem organiza a comitiva. Nisso se inclui distribuir uma a uma as joias dos cargos que estiverem à disposição. Ao distribuí-las ele as reveste uma a uma nos titulares.

 

5.    Não existe expressa proibição, contudo é recomendável que no Átrio os irmãos falem o estritamente necessário e de modo contido, isto é, condizentes ao ambiente respeitoso, sem algazarras e gritarias. Os bate-papos, trocas de ideias, cumprimentos, tesoureiro recolhendo metais, etc., fica reservados à sala dos pp p.

O maçom deve se comportar como maçom. É de responsabilidade da Loja também ministrar esses ensinamentos aos seus membros. Não é possível estabelecer esse tipo de regra escrevendo-as todas nos nossos rituais, manuais e regulamentos.

 

 

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK – SGOR/GOB.

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AGO/2023

LUGAR DA SAUDAÇÃO AO VENERÁVEL MESTRE NA ENTRADA DO ORIENTE

Em 14.04.2023 o Respeitável Irmão Afonso Lima de Medeiros, Loja Cavaleiros da Luz, 1057, REAA, GOB-PE, Oriente de Recife, Estado de Pernambuco apresenta o que segue:

 

SAUDAÇÃO NA ENTRADA DO ORIENTE

 

Caro Irmão Pedro Juk, tenho uma dúvida que foi levantada em loja e dividiu opinião entre os Irmãos, é referente a saudação para subir e descer do oriente, na hora da subida ao oriente a saudação deve ser feita antes de subir as escadas ou posteriormente a subir as escadas? Muito grato pela sua atenção.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

 

Saudação ao Venerável Mestre deve ser feita pelo Sin Pen toda a vez que em Loja aberta um Irmão ingressar no Oriente.

Assim sendo, durante o ingresso no Oriente faz-se a saudação logo que se alcance o nível do piso oriental, ou seja, tendo a balaustrada ao seu lado esquerdo como referência o protagonista pára, faz a saudação na forma de costume e em seguida, sem compor novamente o Sinal, prossegue no seu percurso andando normalmente.

Nessa ocasião não se faz a saudação antes (no Ocidente ou sobre um degrau de acesso), porém no momento do ingresso. Vale lembrar que saudações em Loja são sempre feitas ao Venerável Mestre (página 42 do ritual de Aprendiz do REAA em vigência), não ao Delta.

Quando da saída do Oriente, antes de descer e voltado para o Venerável Mestre, tendo a balaustrada como referência à sua direita, faz-se novamente a saudação.

É oportuno mencionar que nessa ocasião quem estiver empunhando (segurando) um objeto de trabalho não faz a saudação pelo Sin, mas simplesmente, no mesmo lugar em que se presta a saudação, faz-se uma parada rápida e formal sem, contudo, fazer nenhuma inclinação com o corpo e nem mesmo executar meneios com a cabeça. A regra é não se usar um objeto de trabalho para com ele compor e fazer o Sin

Vide orientações também no SOR – Sistema de Orientação Ritualística que se encontra na página oficial do GOB em http://ritualistica.gob.org.br/

 

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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AGO/2023

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

NÚMERO DE NÓS - O CORDEL E A CORDA

Em 14.04.2023 o Respeitável Irmão Giovani Nocchi, Loja Confraternidade Macaubense, 0920, REAA, GOB-RJ, Oriente de Conceição de Macabu, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a dúvida seguinte:

 

NÚMERO DE NÓS

 

Meu querido e amado irmão tudo bem? Tenho uma outra dúvida. Por que alguns rituais possuem a discrepância com relação ao número de nós nas cordas do ritual de aprendizes companheiros? Eram 9, hoje são 3 e no Ritual de Aprendiz são 7?

 

CONSIDERAÇÕES

 

                       Ao longo da trajetória da Maçonaria Especulativa centenas de Painéis de Lojas foram construídos. Entre eles existem muitas diferenças de aparência, mesmo que em um mesmo rito, sobretudo na organização dos seus símbolos. Consequentemente, depende de qual Painel foi adotado e qual deles consta no ritual em vigência.

Principalmente na França, entre os séculos XVIII e XIX, um mesmo Painel muitas vezes servia para o grau de Aprendiz e de Companheiro ao mesmo tempo, destacando-se que inicialmente eram apenas dois graus, o de Aprendiz e Companheiro, já que o grau especulativo de Mestre Maçom somente apareceu em 1725 e seria oficializado
por ocasião da edição da segunda constituição inglesa em 1738.

No que diz respeito à questão apresentada e o número de nós, a referência é sobre o cordel com nós que aparece normalmente nos painéis franceses da Loja. Assim, o cordel (uma corda fina) com um determinado número de nós é um símbolo distinto, e não deve ser confundido com a corda de 81 nós. Digo isso porque eu mesmo já me confundi a esse respeito e acabei escrevendo, em oportunidades passadas, laudas equivocadas e contraditórias sobre. Nesse contexto, vale o que estou aqui escrevendo nessa oportunidade.

No tocante ao cordel com vários nós equidistantes que se apresenta no painel, originalmente ele possuía 12 nós, no entanto, acredita-se que devido à grande quantidade de painéis que foram elaborados, muitas distorções também acabariam aparecendo, fazendo com que, ao gosto de cada um, o cordel aparecesse com uma quantidade de nós diferenciadas dos 12 nós originais.

Nesse caso, é possível encontrar nos diversos rituais que foram elaborados ao longo dos tempos, assim como nos inúmeros painéis das Lojas, desenhos de cordéis com números diferenciados de nós – é possível se encontrar três, cinco, sete e nove nós, senão ainda outros com outras quantidades.

              No que diz respeito ao simbolismo do cordel, vale destacar que ele era uma corda fina ou um barbante resistente, com aproximadamente dois metros, utilizado pelos profissionais para elaborar um gabarito correspondente a um triângulo retângulo que servia
(e ainda serve) para demarcar os “cantos” nivelados e aprumados das construções.

Para tal, esse cordel possuía 12 nós equidistantes e igualmente distribuídos na razão de três segmentos para o cateto menor, quatro outros para o cateto maior e outros cinco para à hipotenusa. Os nós se distribuíam em distâncias iguais pelo artefato a partir de uma das extremidades do cordel. O último nó, o 12º, ficava distante da outra extremidade do cordel em uma distância igual a uma das existentes entre os nós.

Dessa forma, com o cordel os nossos antepassados aplicavam as propriedades do triângulo retângulo utilizando-se do Teorema de Pitágoras, ou a 47ª Proposição de Euclides (a² + b² = c²). Por essa verdade universal eram determinados cada um dos cantos (90º) que seriam elevados.

Por conta disso é que alguns ritos trazem entre os símbolos que compõem o seu Painel da Loja, o cordel. É bem verdade que pela proliferação de painéis diferenciados, muitos deles não respeitaram o número original dos 12 nós.

Nesse particular também vale mencionar que nem todos os ritos adotam o cordel nos seus painéis. No rito de York, por exemplo, ele aparece dessa forma, todavia, se apresenta na tábua de delinear enrolado em um carretel.

Por outro lado, o cordel também não deve ser confundido com a corda com 81 nós, ou seja, aquela corda que em alguns ritos literalmente aparece contornando ao alto as paredes internas do templo, mais precisamente logo abaixo da cimalha ou meia-cana.

Assim, a corda com 81 nós é um símbolo distinto do cordel com nós. Apenas com o fito de comparação com o cordel, seguem algumas ilustrações sobre a corda com 81 nós.

Embora a corda com 81 nós como símbolo não esteja de fato presente entre o relicário simbólico dos painéis, a mesma simboliza, nos ritos que a adotam, a cerca que contornava o espaço de trabalho operativo. Especulativamente, em alguns ritos ela é um dos Ornamentos da Loja de Aprendiz.

À vista disso, conta-se que nos velhos canteiros de obra da Maçonaria Operativa havia geralmente uma corda contornando o espaço ocupado pelas oficinas de trabalho. Geralmente ela era fixada em paliçadas que iam fincadas no chão.

Esse canteiro retangular cercado pela corda era orientado de Leste para Oeste e possuía, na sua banda ocidental, entre dois postes maiores fixados de maneira simétrica, uma abertura que servia como entrada e saída do recinto. Em cada um dos dois postes maiores ficavam fixadas as respectivas extremidades da corda.

Historicamente esse “cercado” não era necessariamente fixado por 81 nós em 81 paliçadas, pois eles poderiam variar em número conforme o tamanho do canteiro de obras (loja, alojamento, oficina). O número 81 nesse caso nada tem a ver com a Maçonaria de Ofício, mas com a Especulativa onde fora inserido para atender aspectos iniciáticos.

Dessa forma, esse símbolo ornamental apareceria em alguns ritos maçônicos “cercando” simbolicamente os seus templos em alusão aos canteiros de obras dos nossos ancestrais.

À vista disso é que na simbologia da Moderna Maçonaria o cordel com 12 nós e a corda com 81 nós são elementos simbólicos distintos. De certa forma, pode-se dizer que um deles, o cordel, está presente para lembrar a arte da Geometria que já era utilizada pelos nossos antepassados. Já corda, a despeito dos seus significados esotéricos, lembra também as oficinas operativas dos maçons antigos. Nesse particular, destaque-se que as Lojas na Moderna Maçonaria, representam, de maneira estilizada, os velhos redutos e alojamentos onde trabalhavam os nossos ancestrais.

Finalizando, destaco que em relação aos diferentes números de nós encontrados nos cordéis e nos respectivos painéis, de certa forma todos eles representam o antigo cordel que era utilizado pelos pedreiros nas construções medievais. Atualmente ele é um dos instrumentos de trabalho utilizado pelo Mestre Maçom.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK – SGOR/GOB

jukirm@hotmail.com.br

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AGO/2023