Em 11/09/2025 o Respeitável Irmão Olney Ferreira da Paixão, Loja Fidelidade Mineira, REAA, GOMG (COMAB), Oriente de Juiz de Fora, Estado de Minas Gerais, faz a seguinte pergunta:
CADEIA DE UNIÃO
Tomo a liberdade de solicitar ajuda a fim de sanar uma dúvida, com referência a ritualística sobre a CADEIA DE UNIÃO, como formar a Cadeia e a postura, no REAA do GOMG.
CONSIDERAÇÕES
Inicialmente, devo mencionar que não tenho em mãos o ritual vigente do REAA do GOMG (COMAB). Assim, os comentários a seguir prendem-se apenas aos procedimentos originais aplicados no REAA.
Historicamente, a Cadeia de União surgiu na França em 1777 pela necessidade de se barrar o ingresso de maçons irregulares nas Lojas, visando, com isso, atender à regularidade restabelecida à Maçonaria francesa pelo Grande Oriente da França, pós período turbulento que ocorrera no século XVIII.
À vista disso, a Cadeia de União foi criada apenas para a transmissão da Palavra Semestral, e assim tem sido no REAA original. No Brasil, o seu uso foi adotado pelo GOB em 1832, mantendo-se até os dias atuais.
Sob o aspecto do seu comportamento ritualístico, a Cadeia de União é organizada em formato circular, com os Irmãos distribuídos ao centro do Ocidente. Dessa formação peculiar, somente podem participar Irmãos regulares da Loja. Eventuais visitantes, mesmo que de outras coirmãs e da mesma Obediência, não podem participar da Cadeia de União.
Graças a isso é que a Cadeia é formada somente após o encerramento dos trabalhos, depois que visitantes já tenham se retirado.
Desse modo, os Irmãos formam a Cadeia de União de mãos dadas uns com os outros, tendo os respectivos braços cruzados pela frente do corpo, o direito por cima do esquerdo. Nesta formação, o Venerável Mestre se coloca na banda oriental do dispositivo circular, tendo imediatamente à sua direita e esquerda, respectivamente, os Irmãos 1º e 2º Vigilantes. De frente para o Venerável, no lado oposto do círculo, na banda ocidental, coloca-se o Mestre de Cerimônias, tendo à sua esquerda e direita, distribuídos de modo equilibrado, os demais Irmãos.
Estando todos de mãos dadas, ocupando o dispositivo, o Venerável Mestre transmite, sussurrando no ouvido dos Vigilantes a Palavra Semestral, a qual percorre sucessivamente pelo lado Norte e Sul da Cadeia, até chegar ao Mestre de Cerimônias, que a recebe em ambos os ouvidos. Ato seguido, o Mestre de Cerimônias, por dentro do dispositivo, sai do círculo, enquanto que os Irmãos que o ladeiam dão-se as mãos para restabelecer o dispositivo; o Mestre de Cerimônias então vai até o Venerável Mestre e lhe transmite a Palavra da mesma forma que recebeu, depois o volta seu lugar na Cadeia.
Se a Palavra estiver correta, o Venerável Mestre informa e recomenda que todos a guardem como penhor de regularidade. Finalmente, desfaz-se Cadeia de União e o Venerável Mestre, ajudado pelo Mestre de Cerimônias, incineram no centro, em um dispositivo apropriado, a Palavra que acabou de ser transmitida. Logo, todos se retiram do templo. Esta é a mecânica ritualística da transmissão da Palavra Sagrada no REAA.
Outras ponderações: No REAA, durante a formação da Cadeia de União, os seus componentes não juntam a ponta dos seus pés, uns com os outros; ao final da transmissão não existe nenhuma aclamação, a exemplo da tríade Saúde, Força e União, ou outras do gênero; a Cadeia de União é formada exclusivamente para a transmissão da Palavra Semestral, nela não cabem preces, súplicas, orações, pedidos em favor de enfermos, etc.
Ainda, a Palavra Semestral é enviada às Lojas pelo Grão-Mestre da Obediência, duas vezes por ano.
T.F.A.
PEDRO JUK
http://pedro-juk.blogspot.com.br
FEV/2026






