quinta-feira, 20 de agosto de 2026

INSTRUÇÕES NO RITUAL

Em 29/05/2026 o Respeitável Irmão Enio Sampaio, Loja Acácia de Balneário, 3798, REAA, GOB -SC, Oriente de Balneário de Camboriú, Estado de Santa Catarina, pede comentários para o que segue:

 

INSTRUÇÕES

 

Boa noite, meu estimado Irmão. Espero que esta mensagem o encontre bem. Venho solicitar as suas luzes para dirimir uma questão levantada em nossa Loja. Busco o seu conselho por reconhecer a sabedoria, a firmeza e a segurança de suas orientações.

Em nossa Oficina, de acordo com o Regimento Interno, cabe aos Aprendizes a apresentação de cinco Peças de Arquitetura durante o interstício, além das visitações e demais requisitos legais. Para enriquecer a formação, temos pautado a distribuição dos temas mesclando o Simbolismo, o funcionamento dos Cargos em Loja e a nossa Legislação (RGF, Regimento Interno e o funcionamento do GOB). Temos o rigoroso cuidado de manter tudo restrito aos limites do Grau 1.

Para ilustrar, uma distribuição típica seria: 1ª Peça: A Palavra Sagrada; 2ª Peça: O Painel do Grau de Aprendiz; 3ª Peça: A Corda de 81 Nós; 4ª Peça: O cargo de Hospitaleiro; 5ª Peça: O Regimento Interno da Loja.

Ocorre que alguns Irmãos objetaram a essa dinâmica, defendendo que os temas deveriam ser estritamente sobre o Simbolismo do Grau. No meu entendimento, como há volume suficiente de trabalhos, essa diversificação é a melhor forma de instruir os Aprendizes, permitindo que eles compreendam o universo administrativo e legal em que adentraram de forma mais completa. Além disso, o fato de serem apresentados temas relativos a nossa legislação ajuda os irmãos a relembrarem partes importantes que por vezes são esquecidas - ou ignoradas.

Meu pensamento está incorreto, meu Irmão? Devemos realmente restringir a pauta de estudos da Coluna do Norte apenas ao Simbolismo puro?

Tenho certeza do pronto atendimento de sempre e desde já agradeço!

 

CONSIDERAÇÕES

 

Antes, gostaria de relatar que os rituais primitivos não traziam o período dedicado às instruções. Por um bom tempo os rituais especulativos (dos aceitos) tratavam apenas da liturgia e da ritualística das sessões econômicas (ordinárias) e magnas.

               A instrução propriamente dita, na maioria dos casos, restringia-se ao Cobridor do Grau. Outras instruções, tidas como “catecismos”, eram organizadas pela Loja e ministradas à parte.

Por conta disso, era comum se entender que o ritual não era lugar para Instruções, tal como a forma que hoje conhecemos. Os catecismos geralmente apareciam separados do ritual.

No entanto, especialmente na Maçonaria brasileira, preparar instruções não foi algo muito criterioso seguido por boa parte das Lojas, as quais, além de pouco ensinar, ainda facilitavam o ingresso de contradições e achismos. Em síntese, não existiam instruções bem elaboradas, mas sim a propagação de enxertos que mais ajudavam a desfigurar o rito do que propriamente aprimorar conhecimentos.

Como em terra de cego quem tem um olho é rei, os anacronismos e as fantasias, bem como as crendices particulares e toda a sorte de absurdos, foi se espalhando feito erva daninha.

Para pôr um fim a tudo isso, foi então criado um período específico, dentro do ritual destinado às instruções organizadas. Esse período ficou conhecido como “Tempo de Estudos”, ou “Quarto de Hora de Estudos”.

NOTA - Nos Rituais do REAA vigentes no GOB, edição 2024, houve por bem se elevar de 15 para 30 minutos o tempo disponível para o período de estudos.

À vista disso, começaram a aparecer instruções mais elaboradas e organizadas. Com elas oficialmente inseridas nos rituais, às Lojas passaram a servir ensinamentos mais palatáveis, sendo obrigadas seguir a sequência prevista pelo ritual.

Ainda nesse assunto, vale ressaltar que atualmente as instruções que constam nos rituais vigentes são obrigatórias para cada grau, não obstante ser recomendável que além das instruções oficiais, também sejam organizadas, pelos Vigilantes instrutores, ensinamentos complementares. Sem dúvida isso tem sido saudável para a educação maçônica.

No tocante às matérias para instrução, desde que elas sejam de interesse da Ordem Maçônica e não avancem sobre assuntos privativos de outros graus, as mesmas podem versar sobre história, filosofia, arte, organização e legislação maçônica. Enfim, tudo o que estiver ao alcance de cada grau.

A respeito das instruções ficarem apenas no campo do simbolismo, isso não é verdade, pois, como já foi mencionado, além das instruções oficiais que constam no ritual, outros temas complementares também podem ser abordados. Recomenda-se, inclusive, que desde o 1º Grau o Orador, argumente instruções para a assembleia (Loja) sobre legislação maçônica; o Tesoureiro, sobre assuntos de finanças; o Chanceler, sobre os registros e guarda dos selos e assim por diante.

 

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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jukirm@hotmail.com

 

 

AGO/2026

DIA DO MAÇOM BRASILEIRO

Em 20/08/2026 um Respeitável Irmão (pede para não ser identificado) de uma Loja do GOB, REAA, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão relacionada ao dia do Maçom Brasileiro.

 

A DATA DE 20 DE AGOSTO

 

Eminente Irmão Pedro, hoje comemora-se o Dia do Maçom Brasileiro. Gostaria de saber se a justificativa escolhida para essa data está de conformidade com os fatos históricos alegados. Diz-se que nesse dia foi declarada a Independência do Brasil em uma Loja Maçônica. Isso é verdadeiro?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Para responder a sua pergunta, vou me valer de um escrito de minha autoria que redigi há mais de dez anos, o qual se encontra, inclusive, publicado no Blog do Pedro Juk. Segue o trabalho para a sua apreciação.

 

20 DE AGOSTO – DIA DO MAÇOM BRASILEIRO

A FALSA INTERPRETAÇÃO DE UM CALENDÁRIO – UM DIA EM QUE NADA ACONTECEU

 

 

O Dia do Maçom no Brasil.

 

Por Pedro Juk.

 

Comemorado pela Maçonaria brasileira em 20 de agosto, essa data foi construída sobre um equívoco histórico oriundo de uma falsa interpretação de calendário. De verdadeiro só se pode afirmar que nesse dia absolutamente nada de especial aconteceu no Grande Oriente do Brasil. A história de que nessa data o Brasil teria sido declarado independente dentro de uma Loja Maçônica é uma afirmativa eminentemente falsa e ufanista.

              O objeto dessa aleivosia histórica surgiu em 1.956 quando o Irmão Osvaldo Teixeira da Loja Acácia Itajaiense propôs à sua Loja que no dia 20 de agosto fosse comemorado o Dia do Maçom, pois – segundo ele - havia na época a convicção de que naquele dia no ano de 1.822, os maçons haviam proclamado a Independência do Brasil dentro de uma Loja do Grande Oriente do Brasil. Na realidade isso nunca aconteceu e já foi amplamente desmentido por estudiosos autênticos.

De fato, mesmo, foi que no Rio de Janeiro, no dia 20 de agosto nem mesmo houve sessão no Grande Oriente do Brasil, e muito menos foi proclamada a Independência antes da
conhecida e verdadeira data, a de 07 de setembro de 1822, quando o Irmão Guatimozim (D. Pedro I) declarava o Brasil independente de Portugal.

Desafortunadamente, a Loja de Itajaí acabou aceitando a proposta do Irmão Osvaldo e levou esse engodo para uma reunião da Grande Loja de Santa Catarina que também aprovou a sugestão. Assim, a Grande Loja catarinense manteve a falácia e, como avalista da proposta (se dizendo inclusive ser sua a autoria), levou a proposição até a V Mesa Redonda que seria realizada em Belém do Pará de 17 a 22 de junho de 1957.

Assim, sob a falsa justificativa de que no dia 20 de agosto o maçom Joaquim Gonçalves Ledo teria proclamado a Independência numa sessão realizada no Grande Oriente do Brasil, tornava-se obrigatória, a partir daí, em todas as Grandes Lojas Estaduais brasileiras a comemoração do Dia do Maçom brasileiro. Essa obrigatoriedade pode ser constatada nas súmulas das Mesas Redondas, Assembleias e Conferências da CMSB de 1987, dela à página 23, item 3, das Conclusões.

A partir daí, paulatinamente essa falácia acabaria por se enraizar como uma erva daninha pela Maçonaria brasileira, influenciando inclusive o Grande Oriente do Brasil e posteriormente as Lojas da COMAB. Foi assim que a balela do dia 20 de agosto foi arranjada para ser o Dia do Maçom brasileiro.

Toda essa justificativa equivocada que envolve a data do dia 20 de agosto e o Dia do Maçom brasileiro aconteceu graças a um erro histórico de interpretação do calendário utilizado na época e feita pelo Visconde do Rio Branco (José Maria Paranhos) em notas de Varnhagem que seria divulgado seguidamente por compiladores.

Essas controvérsias interpretativas do calendário mencionadas nas notas de Varnhagem atingiriam a data da própria fundação do Grande Oriente do Brasil, a data da Iniciação do Príncipe Regente e, principalmente, uma possível declaração de Independência havida no dia 20 de agosto de 1.822 – a origem do engodo.

             Para entender todo esse “imbróglio” é preciso antes se considerar o fato da ata de fundação do Grande Oriente do Brasil consignar o 28º dia do 3º mês maçônico, o qual, para o Visconde e para os que o copiaram, seria dia 28 de maio, já que segundo eles, o ano maçônico iniciava-se no dia 1º de março. Entretanto houve o engano de não se ter considerado que o calendário da época usado pelo GOB, quando da sua fundação, era muito próximo do calendário religioso hebraico, ou mesmo um calendário equinocial, que inicia o ano da Verdadeira Luz não no dia 1º de março, mas no dia 21 de março (equinócio), o que dá uma diferença de no mínimo vinte e um dias de um para o outro calendário - deixo recomendação para melhor entendimento do tema que se estude a composição do calendário religioso hebraico, cujos meses são lunares, de 29 ou 30 dias, dependendo da visibilidade da Lua Nova. Recomenda-se também consultar os calendários utilizados pelo GOB em 1822.

A despeito disso é que geralmente os calendários maçônicos seguem muito de perto essa contagem de tempo equinocial, iniciando o ano em março e acrescentando a constante de 4.000 ao ano da era cristã para obter o Ano da Verdadeira Luz (Ano Lucis).

É bem verdade que alguns Ritos, como é o caso do Rito Francês ou Moderno, começam o ano no dia 1º de março, enquanto que outros, mais próximos ao ano hebraico, ou equinocial, iniciam-no em 21 de março.

Sob o prisma do calendário equinocial, já que em 1.822 o Grande Oriente e as Lojas existentes utilizavam esse calendário, o ano se iniciava em 21 de março, o que faz com que o 28º dia do 3ª mês maçônico do ano de 5.822 da Verdadeira Luz corresponda, no calendário gregoriano, ao dia 17 de junho de 1.822 (data da fundação do GOB), pois o 3º mês começa dia 21 de maio e não no dia 1º de maio. Do mesmo modo também ocorre com o dia da Iniciação do Príncipe D. Pedro I que aconteceu, segundo o calendário maçônico, no 13º dia do 5º mês, o que corresponde ao dia 2 de agosto (calendário gregoriano) já que o 5º mês se inicia no dia 21 de julho.

Assim, o mesmo raciocínio se aplica para a ata datada do 20º dia do 6º mês maçônico. O 20º dia corresponde, no calendário gregoriano, ao dia 9 de setembro, enquanto que o 6º mês maçônico tem início no dia 21 de agosto.

Em síntese, no calendário do equinocial (utilizado pelo GOB em 1822) o ano se inicia no dia 21 de março e tem o seu término a 20 de fevereiro do ano seguinte. Exemplo: o primeiro mês se inicia no dia 21 de março e se encerra no dia 20 de abril; o segundo se inicia no dia 21 de abril e termina no dia 20 de maio; o terceiro vai do dia 21 de maio até o dia 20 de junho, e assim por diante. Para o ano da Verdadeira Luz soma-se a constante de 4.000.

Partindo desse equívoco, Visconde do Rio Branco gerou o erro histórico por considerar que os meses maçônicos começavam não no dia 21, mas no dia 1º de cada mês do calendário gregoriano. O resultado prático desse equívoco é uma diferença de vinte ou vinte e um dias entre os calendários.

Não se discute o fato de que Joaquim Gonçalves Ledo, como 1º Grande Vigilante tenha da sua cátedra na Loja exigido a libertação da Pátria, entretanto isso aconteceu no dia foi 9 de setembro de 1.822 e nunca em 20 de agosto daquele ano (pretensa declaração de Independência para justificar o Dia do Maçom).

Destaque-se que quando Gonçalves Ledo discursou energicamente da sua cátedra em 09 de setembro (20º dia do 6º mês) no Rio de Janeiro, exigindo total separação do Brasil das Côrtes Portuguesas, D. Pedro I, em São Paulo, no dia 7 de setembro de 1822 já havia proclamado, às margens do Riacho Ipiranga, a Independência do Brasil.

É fato também que em um Brasil colonial, a notícia da Independência não havia ainda chegado ao Rio de Janeiro até dia 9 de setembro, o que fez Ledo se pronunciar em favor da separação. Na época não havia telégrafo e as mensagens eram precariamente enviadas a lombo de cavalo.

Assim, dado a esses elementos contraditórios que geraram a falsa interpretação então criada por José Maria Paranhos (o Visconde do Rio Branco), que muitos escritores e compiladores, tendenciosos ou não, acabariam espalhando essa mentira histórica ainda no Século XIX.

Foi baseada nessa inverdade que uma proposta, bem mais tarde seria levada pela Grande Loja de Santa Catarina até a V Mesa Redonda no Pará em 1957. Infelizmente essa pérfida interpretação acabou resultando na comemoração do Dia do Maçom no Brasil no dia 20 de agosto onde absolutamente nada aconteceu no Grande Oriente do Brasil, inclusive nem mesmo por lá houve sessão nessa data. Ledo de fato energicamente discursou, mas não no dia 20 de agosto, porém no 20º dia do 6º mês maçônico, o que corresponde ao dia 9 de setembro, enquanto que a Independência do Brasil se dera de fato no dia 7 de setembro de 1822.

Atualmente, apesar de todas as provas angariadas por autênticos escritores, pesquisadores e historiadores, muitas autoridades maçônicas ainda as consideram como folhas ao vento, apregoando assim, a cada ano que passa, essa “balela do dia 20 de agosto” como o Dia do Maçom brasileiro - dia que nem mesmo houve sessão no GOB.

Vale mencionar que nada há contra o maçom brasileiro ter o seu dia comemorativo, o que é muito justo, inclusive. O que se deve combater, como investigadores da verdade que somos, são as inverdades utilizadas para justificar um acontecimento que nunca houvera existido.

Sugere-se que os interessados pesquisem arrazoados a esse respeito em escritos da lauda de Irmãos como Francisco de Assis Carvalho, Hercule Spoladore, Kurt Prober, Raimundo Francisco Xavier, José Castellani, João Alves da Silva, dentre outros. Inclusive, existe um condensado em forma de caderno de bolso, datado de junho de 1.994, denominado “20 de Agosto – Dia do Maçom” - Editora Maçônica A Trolha, que traz em seu conteúdo um trato confiável sobre o assunto, creditado a estes escritores. Também é importante pesquisar nas “Atas de Ouro do Grande Oriente do Brasil”, todas contemporâneas à fundação do Grande Oriente Brasílico, mais tarde, “do Brasil”. Nessas atas é possível se verificar o calendário usado pela Maçonaria brasileira na época.

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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AGO/2026

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

INSTALAÇÃO E POSSE - DIRETORIA DA LOJA

Em 29/05/2026 o Respeitável Irmão Maurício Américo Alves, Loja Monumentos ao Ipiranga, 3771, REAA, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, pede esclarecimentos.

 

INSTALAÇÃO E POSSE

 

Poderia por favor me ajudar em uma dúvida: É possível ou permitido ser Presidente da Comissão Instaladora ou VVig da Comissão e tomar posse no mesmo dia como membro eleito (Orador/Vig) da administração? Outra coisa, é permitido somente fazer a instalação e em outra sessão dar posse para a administração eleita?

 

CONSIDERAÇÕES

 

              No que diz respeito à primeira questão, eu acredito que não, até porque eu nunca vi membro da Comissão de Instalação atuando e sendo empossado ao mesmo tempo. No caso, entendo que há uma Comissão de Instalação/Reassunção e Posse específica designada pelo Grande Oriente para proceder a Instalação ou Reassunção. Assim, salvo melhor juízo, quem vai ser empossado como Vig não deve fazer parte da Comissão designada pelo Grande Oriente. Esta é a minha opinião.

Sobre a segunda questão, conforme o ritual de Instalação e Posse vigente em 2026, a Diretoria, composta pelos IIr eleitos para o cargo de Venerável Mestre, Vigilantes, Orador, Secretário, Tesoureiro e Chanceler, tomam posse na mesma sessão em que houver a Instalação/Reassunção. Já, os cargos nomeados e as comissões tomam posse na Ordem do Dia da sessão seguinte, imediatamente após àquela em que o respectivo Venerável Mestre foi empossado, ou tenha reassumido.

 

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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AGO/2026

QUESTIONÁRIO - EXAME

Em 27/05/2026 o Poderoso Irmão Flávio Augusto Batistela, Loja Solidariedade e Firmeza, 3052, REAA, Secretário Geral Ajunto de Comunicação, GOB-SP, Oriente de Dracena, Estado de São Paulo, faz a seguinte solicitação:

 

QUESTIONÁRIO/TELHAMENTO

 

Estou montando um instrucional para meus Aprendizes e gostaria de mais detalhes sobre as frases do diálogo no telhamento. De onde vem ou por quais motivos temos esse diálogo (De onde vindes meu irmão...). Isso faz parte de algum diálogo da época operativa da maçonaria?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Esse é um tema de abordagem ampla na história da Maçonaria, não sendo tão simples assim a ele se reportar.

De modo abrangente, para definir origens de frases utilizadas nos exames (catecismos) feitos aos Maçons desconhecidos é necessária uma busca minuciosa pelas regiões setentrionais da Europa, onde floresceu a Franco-maçonaria. Observar seus costumes, religião, cultura, etc., é algo imperioso.

Muitos manuscritos primitivos, a exemplo do Ms. Dumfries, nº 4, datado de aproximadamente 1710, do Ms. Trinity College de Dublin, datado de 1711, já traziam indagações sobre de “onde vinha” o maçom visitante. Vale ressaltar que no período operativo da Maçonaria, os maçons construtores viajavam, a serviço do clero, de uma para outra guilda enquanto edificavam catedrais, igrejas e abadias, principalmente.

Em linhas gerais, a busca para se reconhecer um verdadeiro maçom sempre esteve ligada ao segredo do ofício, Nesse período, os artífices da pedra calcárea, protegidos pela Igreja/Estado, eram livres para se locomover e podiam viajar pelos rincões da Europa medieval em busca de trabalho, ou mesmo de aprimoramento profissional para conseguir a “carta de ofício”.

O contrato de trabalho e a carta ofício eram enormemente protegidos e tratados como segredo profissional. Essa é a razão pela qual ainda hoje se diz que na Maçonaria os verdadeiros segredos estão nos ss, ttoq e ppal.

Nessa condição, os pedreiros, para serem reconhecidos como profissionais autênticos, se utilizavam de ssin, ttoq, ppal e se sujeitavam às sabatinas hauridas dos catecismos.

             Na realidade, esse era um método mais prático de se reconhecer um Irmão verdadeiro, ao invés de se exigir dele horas de trabalho burilando um bloco de pedra para comprovar a sua habilidade.

Naturalmente, essa é uma abordagem superficial sobre esse tema, sobretudo se levando em conta que pelo Norte da Europa medieval muitas das Guildas de pedreiros também enriqueciam o processo de verificação criando, às vezes, mais elementos de reconhecimento para aumentar segurança.

Este é um detalhe muito importante para o estudo, mormente porque na conjuntura da história da Moderna Maçonaria nem todos os elementos litúrgicos e ritualísticos são universalmente iguais.

Dito isto, o “Questionário de Reconhecimento” que conhecemos, mencionado na sua pergunta, por exemplo, não é um procedimento universal, ou seja, igual em todos os países, lojas e ritos. Isso torna o assunto bem mais complexo.

Primeiro, porque essa é uma das formas especulativas da Maçonaria francesa (latina) de examinar a regularidade de um maçom. Esse tipo francês de telhamento, que se refere às Lojas de São João, surgiu graças à reforma proferida pelo Grande Oriente da França para combater a verdadeira balbúrdia em que a Ordem maçônica havia se metido na França, nos idos séculos XVIII e parte do XIX. O desentendimento foi tão grande ao ponto de a Maçonaria ter ficado fechada pela polícia por cinco anos (vide a história da Maçonaria Francesa).

Essa grave situação se dava no momento em que na França, desmedidamente, eram criadas Lojas e Graus com paramentos vistosos comercializados por um alto preço. Essa foi a época em que a Maçonaria era dirigida por “prepostos” do Grão-Mestre, fazendo com que cada qual fizesse a sua Maçonaria. Eram desmedidamente criados altos graus e muitos Veneráveis criavam suas Lojas que eram por eles dirigidas ad aeternum – “Veneráveis vitalícios”.

Para pôr fim a essas irregularidades, o Grande Oriente da França estabeleceu uma enérgica reforma, separando o que era regular do que era irregular. À vista disso é que em 1777, em Paris, era criada a Palavra Semestral como penhor de regularidade. Provavelmente é dessa época que também se estabeleceu um telhamento caracterizado por perguntas e respostas objetivando reforçar a segurança contra o ingresso nas Lojas de maçons irregulares.

Não resta dúvida que essa foi uma fase tempestuosa da Maçonaria na França no período pós Revolução Francesa. Pelos ânimos exaltados, inerentes da situação política e social, não raras vezes ocorriam escaramuças entre os maçons franceses. Tudo isso veio reforçar a grande depuração feita no seio das Lojas francesas pelo Grande Oriente da França.

Sob essa óptica, em uma análise mais crítica, o questionário das “Lojas de São João”, mais comuns à Maçonaria Francesa, não tem uma relação direta com atividades do período operativo da Ordem, senão às necessidades hauridas de uma época em que existiram graves conflitos dentro da Maçonaria na França.

A título de ilustração, o termo “Lojas de São João” era no nome dado às Lojas simbólicas na França até o século XVIII. A expressão “simbolismo” somente apareceria em 1804, oportunidade em que era preparado em Paris, dentro do Grande Oriente da França, o 1º Ritual para o Franco-maçônico básico do REAA.

Ao finalizar, vale a pena ressaltar que antes de tudo, na França, as Lojas de Aprendiz, Companheiro e Mestre eram conhecidas apenas como “Lojas de São João”. Nos Estados Unidos eram, como ainda é hoje, as “Blue Lodges” e na Inglaterra, o CRAFT. Pós 1804 a palavra “simbolismo” se consagra na Maçonaria de vertente latina.

 

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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AGO/2026

 

terça-feira, 18 de agosto de 2026

LANDMARKS - SEGUIDOS PELO GOB

Em 26.05.2026 o Respeitável Irmão Orestes Lemos da Silva, Loja Vale do Peruipe, REAA, GOB BAIANO, Oriente de Nova Viçosa, Estado da Bahia, apresenta a seguinte questão:

 

LANDMARKS

 

Estou pesquisando e não encontro os LANDMARKS seguidos pelo GOB.

Seria possível me passar?

 

COMENTÁRIOS

 

Já faz muitos anos (desde 1991) que o GOB não adota mais nenhuma classificação específica, até porque, por si só, a Constituição do Grande Oriente do Brasil já se encontra conforme verdadeiros e imemoriais Landmarks da Ordem, sem uma classificação específica.

                À vista disso, o GOB deixou de seguir exclusivamente a classificação de Albert G. Mackey, especialmente porque a classificação da maioria desses Landmarks não são verdadeiros “limites” da Ordem, mas regras por ele criadas.

Nesse contexto, regras não podem ser confundidas, pura e simplesmente, com Landmarks, já que em última análise, regras possuem autoria, enquanto que os “limites ou os marcos” da Ordem são imemoriais, espontâneos e universalmente aceitos.

Assim, em uma análise mais acurada, a classificação dos Landmarks de Mackey, na sua maioria não são “espontâneos” - pois possuem um autor; não são “imemoriais” - pois têm data de nascimento; também não são “universalmente aceitos” - mormente porque existem outras classificações, mais puras que se enquadram nessas características.

Dessa forma, há classificações muito mais íntegras e sem o excesso de regras como as criadas por Mackey. Sob essa óptica, é possível citar as compilações atribuídas a Albert Pike, a Gottfried Joseph Gabriel Findel, a Robert Freke Gould e de Roscoe Pound.

À vista de tudo disso, o GOB, ao longo do tempo, construiu e aprimorou sua Constituição depurando-a com base em autênticos Landmarks universais, desprezando as regras simplesmente criadas conforme a visão social, política, religiosa e cultural de algum autor.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK – SGOR/GOB

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AGO/2026

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

INTRODUÇÃO DE VISITANTES - INTERROGATÓRIO

Em 25/05/2026 o Respeitável Irmão Ricardo Schier, Loja Luz e Fraternidade Rio-Negruinhense, 3643, REAA, GOB-SC, Oriente de Rio Negrinho, Estado de Santa Catarina, pede comentários para o seguinte:

 

INTRODUÇÃO DE VISITANTES

 

Antes de tudo, gostaria de parabenizá-lo pelo excelente trabalho realizado em seu blog, que tem sido uma importante fonte de estudo, esclarecimento e orientação para muitos Irmãos que buscam compreender com mais profundidade a ritualística maçônica, especialmente no Rito Escocês Antigo e Aceito.

Tomo a liberdade de encaminhar esta mensagem para solicitar um esclarecimento ritualístico referente ao telhamento no Grau de Companheiro Maçom.

Em conversas com alguns Irmãos de nossa Loja, percebemos uma diferença entre a redação de um manual anterior e a redação do manual vigente. No manual anterior, constava a expressão “Venerável Mestre de nossa Loja”. Por conta disso, há alguns anos, recebemos orientação de outros Irmãos para que, nas partes seguintes do telhamento em que aparecia a expressão “minha” ou “minhas”, fosse utilizada a forma “nossa” ou “nossas”, a fim de diferenciar o telhamento do Grau de Companheiro daquele utilizado no Grau de Aprendiz.

Contudo, ao consultarmos o manual vigente, observamos que a redação atual utiliza a forma “minha Loja”, mantendo também a construção em primeira pessoa do singular nas demais expressões correspondentes.

Diante disso, gostaria de pedir, se possível, a gentileza de seu esclarecimento sobre os seguintes pontos:

A forma correta, atualmente, é seguir exatamente a redação do manual vigente, utilizando “minha Loja” e as demais expressões em primeira pessoa do singular?

A redação anterior, com “nossa Loja”, foi corrigida por se tratar de erro ou inadequação ritualística?

Existiu, em algum momento, orientação oficial para que o telhamento do Grau de Companheiro utilizasse “nossa” e “nossas” nesses trechos, ou essa prática pode ter sido apenas uma interpretação local, sem respaldo normativo?

Minha intenção é apenas compreender corretamente a orientação ritualística vigente, evitando qualquer inovação indevida e buscando que nossa Loja trabalhe em conformidade com o que determina o ritual.

Desde já agradeço imensamente por sua atenção e pelos ensinamentos que o Irmão compartilha com tanta dedicação.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Nunca houve orientação "oficial" para o uso dos pronomes possessivos "nossa", "minha", etc. De modo prático, tudo está no contexto iniciático do questionário e qualquer uma das formas utilizadas é altamente compreensível, pois trata-se apenas uma pergunta do Venerável se, figuradamente, o visitante, além de trazer amizade, paz e prosperidade, traz algo mais. Então o visitante responde dizendo que o Venerável da sua Loja (da Loja do visitante) o saúda por (...).

             A bem da verdade, não existe o porquê desse excesso de preciosismo, se na conjuntura do questionário, tudo é perfeitamente compreensível.

Além disso, vale ressaltar que os rituais de 2009 já se encontram revogados, isto é, não podem mais ser usados nos trabalhos, senão os vigentes de 2024, que são iguais na pergunta e na resposta à questão. Assim, é só seguir o que está no ritual.

Se no passado houve alguma expressão diferenciada para esse caso, é coisa do passado.

Os rituais vigentes apenas primam pelo que é possível se manter padronizado. No mais, a forma utilizada atualmente, ou a que fora usada no passado, não deixam dúvidas sobre o sentido das perguntas e das respostas trocadas entre os interlocutores - sem complicação, tudo acaba se referindo à mesma coisa.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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jukirm@hotmail.com

 

 

AGO/2026

PRIMEIRO TRABALHO - COMPANHEIRO MAÇOM

Em 23/06/2026 o Respeitável Irmão Luciano Barros de Andrade, Loja Luz e Razão, 3930, REAA, GOB-RS, Oriente de Santo Ângelo, Estado do Rio Grande do Sul, faz a pergunta seguinte:

 

PRIMEIRO TRABALHO

 

Por gentileza, gostaria de tirar uma dúvida referente à Sessão de Elevação. Na página 104 do Ritual do Companheiro Maçom consta que o Companheiro recebe do Mestre de Cerimônia o Maço para trabalhar na Pedra Cúbica. Em seguida, o recém-elevado bate por três e duas vezes seguidas sobre a Pedra Cúbica.

Pergunto: O recém-elevado utiliza somente o Maço? Não deveria utilizar o Cinzel também?

 

 

CONSIDERAÇÕES

 

Nessa ocasião, o Comp Maçom utiliza apenas o Maço.

Isso se justifica porque o primeiro trabalho do Comp Maç é na Pedra Cúbica, elemento já burilado e preparado para a elevação das paredes.

         À vista disso, o Comp, detentor de mais conhecimento (aprimoramento), simbolicamente tem a capacidade de assentar a Pedra Cúbica no erguimento das paredes. Para uma perfeita justaposição dos elementos já esquadrejados, o Companheiro golpeia com prudência cada uma das pedras com o fito de ajustá-las durante o assentamento com argamassa.

Essa ação revela que o Companheiro, mais aprimorado pela instrução judiciosa
recebida no ofício, bate na pedra com prudência sem causar nenhum dano na sua estrutura, isto é, pelo seu autocontrole ele bate cuidadosamente sem esfacela a pedra.

Assim, nesse contexto o Comp Maçom, ao elevar a parede, ajusta a pedra no assentamento com argamassa golpeando-a com uma força controlada. É a razão pela qual ele, como operário do 2º Grau, nesse mister não utiliza mais do cinzel.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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AGO/2026