Em 02.04.2026 o Respeitável Irmão Thales de Alencar
Cézar, Loja Obreiros de Macaé, 2075, REAA, GOB-RJ, Oriente de Macaé, Estado do
Rio de Janeiro, solicita esclarecimentos para o seguinte:
ESTRELA POLAR
Estou ajudando um irmão aprendiz a realizar um
trabalho sobre abóboda celeste e surgiu uma dúvida. No Ritual novo de 2024 foi incluído
a estrela Polar, porém no ritual antigo de 2009 não tem. Como podemos abordar
essa inclusão no trabalho, já que em nossa Loja não possui a Estrela Polar?
Desde já, agradeço pelo tempo e atenção no
envio da resposta.
CONSIDERAÇÕES
A justificativa para o aparecimento da
Estrela Polar (Estrela Polaris) na abóbada do templo é porque o REAA, nascido na
meia-esfera Norte do planeta Terra, tem a sua decoração estelar concernente ao firmamento
(abóbada) visto do Norte.
Como o rito em questão nasceu na
França, a abóbada do seu templo obedece à imagem aproximada do céu
europeu.
Na verdade, primitivamente a decoração
da abóbada pertinente ao REAA é uma das contribuições deixadas pela Loja Geral Escocesa, loja
então criada em outubro de 1804 na França para gerenciar a elaboração do
primeiro ritual para o simbolismo do Rito, que até então era inexistente na
Europa (observe-se essa história).
À vista de tudo isso, a Estrela Polar,
ou Polaris, que agora aparece no ritual, não é nenhuma novidade, mesmo que ela tenha
sido esquecida por alguns pseudos ritualistas, que pouco
entendem da estrutura doutrinária do REAA – um rito deísta/teísta e solar por
excelência.
Já, sob o ponto de vista histórico que
envolve a Estrela Polar na Maçonaria, esse símbolo vem do período relativo à Franco-maçonaria
operativa, estando diretamente relacionado à orientação noturna, em uma época em que
os artífices se deslocavam pelos longínquos rincões nortistas da velha
Europa Medieval.
Assim, não há nada a se estranhar com a
presença da Estrela Polar do Norte na decoração dos templos maçônicos, lembrando
que os artífices construtores de igrejas e catedrais da Idade Média, nossos
ancestrais, tinham o hábito de se deslocar pelo norte da Europa em busca
de contratos de trabalho que envolviam novas construções, sobretudo pela
expansão territorial da Igreja, logo após o ano mil.
É bom lembrar que na Idade Média dos séculos
X, XI e XII. a Franco-maçonaria foi a principal corporação de construtores
(ofícios francos) a serviço da Igreja, para quem construíam catedrais, igrejas,
mosteiros e abadias góticas. Graças a isso é que esses “pedreiros livres”,
viajantes de então, foram por muito tempo protegidos pelo clero, fato que lhes garantiu notoriedade e crescimento econômico.
Nesse contexto, de canteiros medievais,
viagens e construções, a Estrela Polar do Norte foi uma das principais referências
de orientação. Sendo a estrela mais brilhante da constelação da Ursa Menor, caracteriza-se por se localizar muito próxima de um ponto sobre o polo norte celeste
da Terra. Por conta disso, a Estrela Polar tem servido a séculos como uma
toponímia celeste noturna de navegação, principalmente para se encontrar o
norte no Hemisfério Norte.
Por se apresentar praticamente alinhada
com o eixo de rotação da Terra, a Polaris, parece estacionada
no firmamento noturno, enquanto que as demais estrelas, à sua volta, aparentemente
giram em torno dela.
Como naquela época ainda não existiam lojas
maçônicas especulativas e nem templos decorados como hoje os conhecemos na
Moderna Maçonaria, a Estrela Polar, que literalmente brilhava no firmamento
boreal, servia como referência para guiar os artífices viajantes, da pedra calcária, até um porto de salvamento. Nesse tempo era comum que os “pedreiros” se reunissem
e se hospedassem em estalagens e tabernas (cervejarias), principalmente na
Inglaterra – eram as tabernas dos maçons antigos.
Na Moderna Maçonaria (dos Aceitos), em relação ao aspecto iniciático e
esotérico, o símbolo Polaris, fixado na banda
norte da abobada da Loja, simbolicamente revela uma ideia de “estabilidade”, mormente
porque essa Estrela literalmente permanece parada no firmamento, e alinhada
com o eixo de rotação da Terra – é uma referência estável para aqueles que
buscam orientação, olhando para o céu do Norte.
Esse é um resumo do porquê da presença da Estrela Polar ao Norte da abóbada celeste da Loja. Vale também ressaltar que das estrelas que formam a constelação da Ursa Menor, apenas a
Estrela Polaris aparece visível na abóbada da Loja. Por conta disso, é prudente não
confundir no firmamento da Loja a constelação Ursa Menor (que abriga a
Estrela Polar) com a Ursa Maior, a qual de fato aparece completa, com as suas sete estrelas, ao norte da abóbada. O número sete - de estrelas que formam a constelação - dá origem à palavra “setentrião”, termo conexo à região norte da
Terra (isso também foi corrigido no ritual de Aprendiz do REAA/2024.
Ao concluir, vale lembrar que a abóbada
celeste do templo maçônico é uma figura estilizada e alegórica, portanto está
longe de ser um mapa astronômico preciso e acadêmico do firmamento.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
http://pedro-juk.blogspot.com.br
jukirm@hotmail.com
JUN/2026