Em 20.06.2026 o Irmão Companheiro Maçom, Alan
Medeiros, Loja União e Fraternidade do Eusébio, 4769, REAA, GOB-CE, Oriente de
Eusébio, Estado do Ceará, apresenta a seguinte questão:
SÃO JOÃO
Considerando que a tradição maçônica teve sua
origem e desenvolvimento no Hemisfério Norte, surge uma questão relevante
quanto à interpretação do simbolismo solsticial no Hemisfério Sul. Como
conciliar o fato de que, enquanto o mês de junho corresponde ao solstício de
verão no Hemisfério Norte, representa o solstício de inverno no Hemisfério Sul?
De que forma a Maçonaria adapta esse simbolismo às diferentes realidades
geográficas, preservando a essência de seus ensinamentos e tradições?
CONSIDERAÇÕES
Como a Maçonaria é simbólica,
e a imensa maioria dos seus ritos nasceram no Hemisfério Norte,
independentemente de onde se localizem as suas Lojas, a referência é sempre a
da meia-esfera Norte da Terra.
Em termos de Maçonaria, uma
tradição haurida dos tempos operativos da Ordem e influências temperadas pela
Igreja de Roma, as Lojas comumente comemoram, a 24 de junho, o dia de João, o
Batista, período relativo à plenitude da Luz (solstício de verão ao Norte). No
misticismo religioso cristão, refere-se àquele que anunciou a vinda da Luz.
Oposto ao verão, no período
solsticial de inverno ao Norte, João, o Evangelista é comemorado em 27 de
dezembro. No misticismo religioso cristão, refere-se àquele que pregou a Luz.
Historicamente os Joões, como patronos
da Maçonaria, remontam ao período das organizações de profissionais construtores
de catedrais e igrejas da Idade Média, aproximadamente a partir dos séculos X,
XI e XII. Esses pedreiros, operários da Franco-maçonaria, profissionais contratados
e protegidos pela Igreja, dela acabariam sofrendo forte influência religiosa.
Como marca disso, mais tarde as Lojas ficariam, principalmente na França,
rotuladas como as Lojas de São João.
Mesmo não sendo a Maçonaria
uma religião, esse alcance religioso misturado aos períodos solsticiais - propícios
para a construção onde se alcançava o auge do trabalho - acabaria no futuro,
pós período operativo da Ordem, em um dos elementos doutrinários para a
Maçonaria dos Aceitos, ou Especulativa, atualmente conhecida como Moderna
Maçonaria.
Graças a isso, a Moderna Maçonaria,
simbólica por natureza, tanto no hemisfério Sul como no Norte, genericamente comemora
o solstício de verão a 21 de junho e o de inverno a 21 de dezembro – alegoria da
plenitude e da volta Luz, mormente o REAA que possuí característica de um rito
solar.
Infelizmente, ainda uma boa
parte dos nossos Irmãos não entende isso, sobretudo por não compreenderem que a
base doutrinária da imensa maioria dos ritos maçônicos foi formada observando a
mecânica celeste do Norte. Trocando em miúdos, como se trata de simbolismo maçônico,
a referência da revolução anual do Sol é sempre relacionada ao ponto de vista
de quem estiver observando parado acima da linha do Equador.
Assim, na Moderna Maçonaria
universal a plenitude da Luz, correspondente a João - o Batista, será sempre no
verão (em junho no Norte) e a do inverno (prevalência das sombras – inverno no
Norte), correspondente João - o Evangelista.
No contexto místico religioso quer
dizer que João – o Batista, que anunciou a vinda Luz (Jesus como a Luz do
Mundo) é comemorado no verão (plenitude da Luz), enquanto que João – o Evangelista,
que pregou a Luz do Mundo (em meio à escuridão) é comemorado em pleno inverno,
no auge da prevalência das trevas. É inegável dizer que essa alegoria tem similitude
com os Cultos Solares da Antiguidade.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
http://pedro-juk.blogspot.com.br
jukirm@hotmail.com
SET/2026