Em 15.05.2026 o Respeitável Irmão Igor França,
Loja Osvaldo Rodrigues Simões, 2044, REAA, GOB-MS, Oriente de Rio Brilhante,
Estado do Mato Grosso do Sul, pede esclarecimento.
PELICANO
Antes de tudo, parabéns pelo Blog e obrigado
por se dedicar a estudar e passar seus conhecimentos.
Gostaria de, se possível, explicar o
significado e origem histórica do pelicano que fica na frente do Templo.
CONSIDERAÇÕES
O pelicano é uma ave símbolo
dos graus capitulares, no caso do REAA, mais especificamente no 18º dos graus
ditos superiores.
Historicamente isso tem início
na França do século XIX, quando o Grande Oriente da França, ao acolher o
simbolismo do REAA sob sua égide (1804), instituiu aquilo que ficou sendo conhecido
com as Lojas Capitulares do REAA.
Na verdade, o Grande Oriente
da França irrestritamente tomava para si a tutela dos 18 primeiros graus do
REAA, dos quais o Príncipe Rosa Cruz era o ápice. Nessa condição, o II Supremo
Conselho do REAA (o da França) ficava apenas os graus de Kadosh e Consistório (essa é uma longa história).
Assim, no sistema capitular do
REAA elaborado pelo Grande Oriente da França, o presidente do Capítulo, o
Athersata, era também o Venerável Mestre das Lojas simbólicas.
É daí que vem o Oriente
elevado e separado do Ocidente, e a extensão do Altar dos Juramentos, a
despeito de que no sistema capitular o Oriente era ocupado apenas por Irmãos
colados no Grau 18 (chamava-se Santuário Rosa Cruz). O simbolismo era até então
praticado apenas no Ocidente.
Esse sistema floresceu por
toda a Maçonaria latina, chegando até o Grande Oriente do Brasil, onde por
muito tempo nele existiram as Lojas Capitulares do REAA (vide a História do
GOB).
Mais tarde, com a extinção das
Lojas Capitulares, o II Supremo Conselho do REAA, o da França, retomava a
tutela de todos os graus acima do Grau de Mestre Maçom, ficando os três
primeiros graus do simbolismo, como naturalmente já era, sob o governo do Grande
Oriente.
Vale ressaltar que com o final
do sistema capitular, o Oriente permaneceu separado, mas agora ocupado pelo
simbolismo. Servindo o Oriente como o final da jornada iniciática, esse espaço
passou a ser lugar restrito aos Mestres Maçons e aos Mestres Instalados.
À vista disso, muitas Lojas
que tinham sido capitulares acabariam mantendo em seus templos alguns elementos decorativos capitulares, dos quais a figura do pelicano alimentando
seus filhos, um símbolo distintivo das Lojas Capitulares de então.
Graças a isso é que ainda se
vê, ainda em muitas Lojas antigas pelo Brasil, a figura do pelicano em destaque. Como
um elemento identitário, significa que aquela Loja pertenceu, um dia, ao extinto
sistema capitular.
Reitera-se, Lojas Capitulares
são elementos do passado e não existem mais regularmente, até porque é sabido
que o simbolismo é dirigido por uma Potência Simbólica, enquanto que os graus
superiores são governados pelos Altos Corpos do Supremo Conselho.
Características lendárias - Como
figura distintiva do Capítulo, o pelicano, em primeira análise, representa a
proteção, a dedicação e o amor incondicional, onde é dito que a mãe pelicano,
para alimentar seus filhos, não hesita em ferir o seu próprio peito para sustentar
a sua prole. Obviamente que isso é apenas uma lenda, pois na realidade não é a
mãe pelicano que bica seu próprio peito no intuito de retirar seu sangue. O que de fato ocorre é que a ave mãe, ao regurgitar os alimentos
(peixes) que havia colhido para a sua ninhada, ao expelir os víveres, acaba também
expelindo um pouco do sangue das suas presas. Esse sangue, comumente ao sujar o
bico e o peito da ave mãe, dá a impressão de que ela fere a si própria para proporcionar alimentação aos seus filhos.
Assim, esse conjunto
distintivo virou uma importante alegoria capitular, mas não é comum aos graus do
simbolismo maçônico.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
http://pedro-juk.blogspot.com.br
jukirm@hotmail.com
MAI/2026