Em 02.04.2026 o Respeitável Irmão Thales de Alencar Cézar, Loja Obreiros de Macaé, 2075, REAA, GOB-RJ, Oriente de Macaé, Estado do Rio de Janeiro, solicita esclarecimentos para o seguinte:
ESTRELA POLAR
Estou ajudando um irmão aprendiz a realizar um trabalho sobre abóboda celeste e surgiu uma dúvida. No Ritual novo de 2024 foi incluído a estrela Polar, porém no ritual antigo de 2009 não tem. Como podemos abordar essa inclusão no trabalho, já que em nossa Loja não possui a Estrela Polar?
Desde já, agradeço pelo tempo e atenção no envio da resposta.
CONSIDERAÇÕES
A justificativa para o aparecimento da Estrela Polar (Estrela Polaris) na abóbada do templo é porque o REAA, nascido na meia-esfera Norte do planeta Terra, tem a sua decoração estelar concernente ao firmamento (abóbada) visto do Norte.
Como o rito em questão nasceu na França, a abóbada do seu templo obedece à imagem aproximada do céu europeu.
À vista de tudo isso, a Estrela Polar, ou Polaris, que agora aparece no ritual, não é nenhuma novidade, mesmo que ela tenha sido esquecida por alguns pseudos ritualistas, que pouco entendem da estrutura doutrinária do REAA – um rito deísta/teísta e solar por excelência.
Já, sob o ponto de vista histórico que envolve a Estrela Polar na Maçonaria, esse símbolo vem do período relativo à Franco-maçonaria operativa, estando diretamente relacionado à orientação noturna, em uma época em que os artífices se deslocavam pelos longínquos rincões nortistas da velha Europa Medieval.
Assim, não há nada a se estranhar com a presença da Estrela Polar do Norte na decoração dos templos maçônicos, lembrando que os artífices construtores de igrejas e catedrais da Idade Média, nossos ancestrais, tinham o hábito de se deslocar pelo norte da Europa em busca de contratos de trabalho que envolviam novas construções, sobretudo pela expansão territorial da Igreja, logo após o ano mil.
Nesse contexto, de canteiros medievais, viagens e construções, a Estrela Polar do Norte foi uma das principais referências de orientação. Sendo a estrela mais brilhante da constelação da Ursa Menor, caracteriza-se por se localizar muito próxima de um ponto sobre o polo norte celeste da Terra. Por conta disso, a Estrela Polar tem servido a séculos como uma toponímia celeste noturna de navegação, principalmente para se encontrar o norte no Hemisfério Norte.
Por se apresentar praticamente alinhada com o eixo de rotação da Terra, a Polaris, parece estacionada no firmamento noturno, enquanto que as demais estrelas, à sua volta, aparentemente giram em torno dela.
Como naquela época ainda não existiam lojas maçônicas especulativas e nem templos decorados como hoje os conhecemos na Moderna Maçonaria, a Estrela Polar, que literalmente brilhava no firmamento boreal, servia como referência para guiar os artífices viajantes, da pedra calcária, até um porto de salvamento. Nesse tempo era comum que os “pedreiros” se reunissem e se hospedassem em estalagens e tabernas (cervejarias), principalmente na Inglaterra – eram as tabernas dos maçons antigos.
Na Moderna Maçonaria (dos Aceitos), em relação ao aspecto iniciático e esotérico, o símbolo Polaris, fixado na banda norte da abobada da Loja, simbolicamente revela uma ideia de “estabilidade”, mormente porque essa Estrela literalmente permanece parada no firmamento, e alinhada com o eixo de rotação da Terra – é uma referência estável para aqueles que buscam orientação, olhando para o céu do Norte.
Esse é um resumo do porquê da presença da Estrela Polar ao Norte da abóbada celeste da Loja. Vale também ressaltar que das estrelas que formam a constelação da Ursa Menor, apenas a Estrela Polaris aparece visível na abóbada da Loja. Por conta disso, é prudente não confundir no firmamento da Loja a constelação Ursa Menor (que abriga a Estrela Polar) com a Ursa Maior, a qual de fato aparece completa, com as suas sete estrelas, ao norte da abóbada. O número sete - de estrelas que formam a constelação - dá origem à palavra “setentrião”, termo conexo à região norte da Terra (isso também foi corrigido no ritual de Aprendiz do REAA/2024.
Ao concluir, vale lembrar que a abóbada celeste do templo maçônico é uma figura estilizada e alegórica, portanto está longe de ser um mapa astronômico preciso e acadêmico do firmamento.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
http://pedro-juk.blogspot.com.br
JUN/2026







