terça-feira, 6 de dezembro de 2022

LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO DO MESTRE DE CERIMÔNIAS

Em 01/06/2022 o Respeitável Irmão Rodolfo Vacari, sem mais nenhuma identificação, REAA, faz a pergunta seguinte:

 

MESTRE DE CERIMÔNIAS

 

Uma pergunta sobre ritualística: Mestre de Cerimônia pode circular livremente pela Loja, sem autorização expressa do Venerável Mestre?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

                    No REAA o Mestre de Cerimônias é o imediato do Venerável Mestre.

Dado a essa função, ele, no exercício do seu ofício, tem liberdade de locomoção pelo recinto, desde que com critério e dentro dos ditames litúrgicos do Rito.

Nesse sentido, ele pode se deslocar livremente pela Loja sem a necessidade de pedir autorização ao Vigilante da sua coluna, ou ao Venerável Mestre.

Isso, contudo, não dá ao Mestre de Cerimônias o direito de indiscriminadamente ficar passando de uma para outra coluna, ou mesmo se dirigir ao Oriente, para como obreiro fazer uso da palavra.

Entretanto, a sua liberdade de ofício não pode ferir as práticas litúrgicas e ritualísticas. Em síntese, por dever de ofício o Mestre de Cerimônias tem sim liberdade de locomoção pelas colunas e pelo Oriente, porém como obreiro, se ele quiser usar da palavra na Ordem do Dia, ou no período da Palavra a Bem da Ordem em Geral e do Quadro em Particular, ele deve se pronunciar do seu lugar em Loja, ou seja, da Coluna do Sul pedindo, para tal, autorização ao 2º Vigilante.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

DEZ/2022

O VENERÁVEL MESTRE EM PÉ NA CONFERÊNCIA.

Em 27.05.2022 o Respeitável Irmão Juvenal Da Roz, Loja Vidal de Negreiros, 1856, GOB-PB, REAA, Oriente de Santa Rita, Estado da Paraíba, apresenta a questão seguinte:

 

EM PÉ NA CONFERÊNCIA

 

A dúvida que ora apresento, diz respeito a "uma conduta que observei do Venerável Mestre em uma Loja onde eu auxilio fazendo o cargo de Secretário ad hoc da Loja".

Eu observei que o Venerável Mestre ao conferir o Saco de Propostas e Informações (S de PProp e IInf fica em pé. Eu perguntei ao Venerável Mestre o porquê ele ficar em pé quando confere a colheita do S de PProp e IInf. Ele me respondeu que foi uma orientação do Mestre de Cerimônias da Loja.

Indaguei então ao Mestre de Cerimônias que me informou que essa atitude era em respeito ao Irmão Secretário, Orador e Mestre de Cerimônias que permaneciam a ordem até a conferência do conteúdo do S de PProp e IInf.

Eu observei o Ritual, as explicações do SOR (item 51). Venho procurando ver se encontro algum questionamento desse assunto feito à sua pessoa no seu http://pedro-juk.blogspot.com/ mas até agora nada encontrei. Posso ter deixado passar despercebido.

Pergunto a quem pode me responder:

Está correto o Venerável Mestre levantar-se para conferir o conteúdo do Saco de Propostas e Informações, em solidariedade aos Irmãos Secretário, Orador e Mestre de Cerimônias que permanecem a Ordem aguardando a conferencia?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Nada disso!!! Essa com certeza é mais uma dessas invenções criadas não se sabe para quê.

Certamente que isso não existe, portanto o Irmão de fato não irá encontrar esse tipo de orientação, nem no Ritual em vigência, e nem no Sistema de Orientação Ritualística que se encontra na página oficial do GOB (Decreto 1784/2019).

                Na conferência da bolsa de PProp e IInf, o Venerável Mestre, permanecendo sentado, a recebe e apura o seu conteúdo. Não o faz em pé sob nenhuma hipótese.0

Não se justifica essa “estória” de ficar em pé para prestar solidariedade aos Irmãos Orador, Secretário e Mestre de Cerimônias.

Ora, os convidados a assistir à verificação (Orador e Secretário) se aproximam do Altar e, cada qual pelo seu lado, abaixo do sólio ficam em pé porque não estão nos seus lugares obviamente. Assim, estando ambos em pé, ficam à Ordem porque a Loja se encontra aberta. O mesmo ocorre com o Mestre de Cerimônias que fica à Ordem enquanto aguarda a conferência para depois recolher o recipiente vazio.

Desse modo, nenhuma das práticas ritualísticas praticadas por esses três oficiais naquele momento exige que o Venerável Mestre, em solidariedade (sin), tenha que ficar em pé.

Sem medo de errar esse é mais um desses absurdos que vez por outra brota da mente criativa de alguns “entendidos”.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

Secretário Geral de Orientação Ritualística do GOB

http://pedro-juk.blogspot.com.br

jukirm@hotmail.com

 

 

DEZ/2022

ONDE SE LOCALIZAM NO TEMPLO OS TOPOS DAS COLUNAS DO NORTE E DO SUL

Em 25.05.2022 o Respeitável Irmão José Antônio Cajé, Loja Marcos Zavatta, 263, REAA, GLESP (CMSB), Oriente de São Paulo, Capital, formula a seguinte questão:

 

TOPO DA COLUNA DO NORTE

 

Na minha Loja temos uma discussão sobre o TOPO DA COLUNA DO NORTE.

Em várias palestras que assisti durante a pandemia, me ficou bastante claro que o Topo da Coluna do Norte é próximo ao Primeiro Vigilante.

Porem em minha Loja temos irmãos com bastante tempo de maçonaria que afirmam que o Topo da Coluna é próximo a Balaustrada.

Gostaria de ler a opinião do irmão, bem como alguma literatura que afirma onde ser o TOPO DA COLUNA DO NORTE.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Essa história de que o topo do Norte é próximo à balaustrada tem sido um erro de interpretação que se encontra há muito tempo inserido em muitos dos nossos rituais, provavelmente pela falta de se compreender o que de fato significam, em um templo do REAA, as Colunas do Norte e do Sul.

A primeira coisa que o maçom precisa saber é que no REAA o templo, ou a sala da loja, representa, de modo figurado, um segmento do solo terrestre onde os maçons trabalham.

Nesse caso é uma porção retangular localizada sobre o equador da Terra, cujo comprimento vai de Leste (Oriente) para o Oeste (Ocidente) e a sua largura vai do Norte ao Sul.

A passagem para se ingressar e sair desse quadrângulo simbólico se localiza no centro da parede ocidental, mais precisamente sobre o eixo longitudinal do templo (Equador). Essa porta tem à sua direita e esquerda, respectivamente, duas Colunas Solsticiais conhecidas como B e J que originalmente, por serem vestibulares (de vestíbulo), ficam no átrio do templo, embora alguns rituais as coloquem no lado interno.

Nesse conjugado, as Colunas Vestibulares B e J marcam de maneira abstrata a passagem dos trópicos de Câncer ao Norte e Capricórnio ao Sul. Estar entre colunas não significa, como muitos pensam, ficar entre as Colunas B e J, porém significa ficar sobre o eixo do templo entre as Colunas do Norte e do Sul. Como mencionado as Colunas Vestibulares (B e J) corretamente ficam no átrio do templo, portanto não faria sentido que alguém ficasse entre colunas fora do templo.

No interior do recinto retangular que define os limites do templo, o Oriente, localizado no lado oposto ao Ocidente, se distingue separadamente do resto do ambiente por estar dividido por uma balaustrada aberta no centro que serve de ligação entre os dois planos – o oriental com o ocidental. A peculiaridade do plano oriental é de que ele fique mais elevado em relação ao piso do Ocidente.

Nesse contexto, o templo simboliza uma parcela superficial do planeta Terra onde o seu firmamento é a abóbada celeste e o pavimento mosaico é o solo terrestre. Essas características lhe dão um caráter de universalidade, sobretudo quando se diz que a Maçonaria é universal e que o Universo é uma Oficina.

Historicamente, em linhas gerais a Loja representa, de maneira estilizada, uma oficina operativa de trabalho onde os ancestrais da Maçonaria - os Pedreiros Livres da Idade Média - construíam para o clero da época Catedrais, Igrejas, Abadias, Mosteiros, etc.

Dados esses comentários iniciais, vamos então definir o que são as Colunas do Norte e do Sul no interior de um templo maçônico do REAA.

Nesse caso, o termo coluna, não significa um pilar decorativo ou mesmo um elemento de sustentação, porém se trata de um espaço definido (limitado) dentro do Ocidente da Loja (Oficina).

Mas então, onde fica a Coluna do Norte?

Ela compreende todo o espaço (e o que nela se acomoda) à esquerda de quem entra no templo pelo Ocidente, tendo por guia o seu eixo (Equador). Como no globo terrestre, esse espaço recebe o nome de Hemisfério Norte, só que no caso da Maçonaria o termo hemisfério foi ajustado para “coluna”.

E o topo do Norte?

Bem, o topo do Norte é o lugar localizado mais ao Norte e distante do equador do templo, no caso é toda a parede setentrional compreendida entre o canto com a parede ocidental e a balaustrada que separa o Oriente.

Assim, o topo, que poderíamos ilustrar como lugar mais próximo ao Polo Norte, é de fato toda a parede Norte do templo, onde inclusive ficam situadas as seis primeiras Colunas Zodiacais que, dispostas de modo equidistante umas das outras, a partir de Áries, marcam as estações do ano que ocorrem no Hemisfério Norte da Terra.

As constelações de Áries, Touro e Gêmeos marcam a primavera no setentrião e Câncer, Leão e Virgem, também no setentrião, marcam o verão.

Vale lembrar que no Hemisfério Norte a primavera começa em 21 de março e marca o alinhamento da Terra e do Sol com a constelação de Áries.

Dessa forma, iniciaticamente o Aprendiz, recém-consagrado, ocupa naquele instante lugar junto da Coluna Zodiacal de Áries, significando que tal como a Natureza que revive na primavera, simbolicamente o mesmo ocorre com o Aprendiz que, oriundo da Câmara de Reflexão (interior da Terra), rompe a sua jornada iniciática a partir Áries, a primeira Coluna Zodiacal no topo do Norte.

Vale mencionar que toda a parede Norte do templo é lugar dos Aprendizes, pois iniciaticamente, e na medida em que passa o tempo, eles percorrerão todo esse caminho em direção à Luz – de Áries até Virgem. Em linhas gerais, essa alegoria solar destaca a infância e adolescência do iniciado.

E quanto à Coluna do Sul?

Oposta à Coluna do Norte, ela compreende todo o espaço (e tudo o que nela se abriga) à direita de quem pelo Ocidente ingressa no templo tendo como guia seu eixo (Equador). Assim, a Coluna do Sul, tal como no globo terrestre é o hemisfério Sul do templo.

E o topo do Sul? Onde fica?

Do mesmo modo, é o lugar situado mais ao Sul e distante do Equador do templo, o que se poderia ilustrar como próximo ao Polo Sul da Terra. No caso, o topo é toda a parede Sul que vai da balaustrada que separa o Oriente e o canto com a parede ocidental.

É no topo do Sul que ficam situadas as outras seis Colunas Zodiacais. Dispostas uma a uma de modo equidistante, elas marcam o outono e o inverno que ocorre no Hemisfério (meia-esfera) Norte do nosso Planeta.

Vale destacar que as estações do ano ocorrem de maneira oposta conforme o hemisfério. Reitera-se, contudo, que no caso do REAA, originário da França, portanto do Hemisfério Norte, a referência é sempre à meia-esfera setentrional da Terra.

Assim, Libra, Escorpião e Sagitário marcam o outono e Capricórnio, Aquário e Peixes marcam o inverno.

No hemisfério Norte o outono começa em 21 de setembro e baliza o alinhamento da Terra e do Sol com a constelação de Libra.

Nesse cenário equinocial de outono, os Companheiros ocupam o topo da Coluna do Sul a partir de Libra, pois iniciaticamente eles representam o ápice da juventude já preparada para o amadurecimento, pois que as constelações de Capricórnio, Aquário e Peixes, que vem a seguir, marcam o ciclo do inverno, cujo simbolismo é o da senilidade do Mestre e o fim da vida quando se encerra a jornada iniciática (meia-noite) – o Mestre, agora purificado pelos elementos, tal como os ciclos imutáveis da Natureza, renasce na Luz do Oriente. É a máxima iniciática do morrer para renascer.

Por fim, é dentro desse contexto alegórico que se define a topografia e a decoração em um templo do REAA, destacando-se nesse contexto onde ficam os topos das Colunas do Norte e o do Sul.

Ambos, em direção oposta, os topos são os pontos mais afastados do equador do templo. É a razão pela qual sempre vamos encontrar a Coluna Zodiacal correspondente à constelação de Câncer no topo do Norte e a de Capricórnio no topo do Sul. Isso ocorre porque são referenciais que marcam as declinações máximas do Sol na sua eclíptica, tanto ao Norte como ao Sul.

Se bem observada a Arte, esses afastamentos, que marcam os períodos solsticiais de inverno e de verão, também estão presentes na Marcha do Mestre – uma simulação do movimento anual aparente do Sol.

Como o REAA é um rito solar e que propõe ao iniciado um caminho comparado aos ciclos imutáveis da Natureza, não faz sentido algum mencionar que os recém-iniciados ocupem lugar próximo à balaustrada. Esse tem sido um erro tosco que contradiz a sequência das Colunas Zodiacais, balizas indicadoras do caminho do iniciado desde o seu nascimento (primavera) até a sua morte simbólica (inverno).

Finalizando, infelizmente muitos Irmãos que não conseguem compreender a verdadeira mensagem do Rito, preferem se "agarrar" em ideias anacrônicas e em rituais que preconizam erros elementares.

No mais, matérias a respeito deste tema poderão ser encontradas também no meu Blog http://pedro-juk.blogspot.com.br e, dentre outros, no livro INBRAPEM, página 77 e seguintes, Editora Maçônica A Trolha, Londrina, novembro de 2007.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

DEZ/2022

 

sábado, 3 de dezembro de 2022

JOIAS DISTINTIVAS DOS DIÁCONOS - HÁ DIFERENÇA ENTRE ELAS?

Em 25.05.2022 o Respeitável Irmão Fábio Bento, Loja Igualdade de Vinhedo, REAA, GOP (COMAB), Oriente de Vinhedo, Estado de São Paulo, faz a pergunta seguinte:

 

A JOIA DO DIÁCONO

 

Preciso da sua inteligência em relação a joia do cargo de diácono e a sua diferenciação entre o mensageiro (pomba) estar dentro do triângulo (1ª Diácono) e estar fora do triângulo (2º Diácono).

Gostaria de sua visão pois o Irmão é uma das minhas referências em seriedade que me afastam do achismo Maçônico que nos rodeia.

 

CONSIDERAÇÕES

 

De fato, não há qualquer significado iniciático ou mesmo uma interpretação simbólica exclusiva para essa diferenciação de joias.

                     Desse modo, a joia do Diácono, não importando seja ele o 1º ou o 2º, é simplesmente uma pomba, sobretudo porque esse é um dos símbolos consagrados do mensageiro (a Arca de Noé e a pomba; o pombo correio, etc.).

Na Maçonaria Operativa, levando-se em conta a grandiosidade dos canteiros de obra e a rusticidade dos trabalhos profissionais, as lojas operativas possuíam os seus mensageiros que tinham por dever de ofício encaminhar ordens dos dirigentes dos trabalhos. Normalmente desses mensageiros ficava à disposição do Mestre da Obra e o outro a serviço dos “wardens”, mais tarde, os Vigilantes.

Graças a essas atividades hauridas dos canteiros profissionais do passado, alguns ritos especulativos da Maçonaria dos Aceitos revivem esses mensageiros atuando como antigos oficiais de chão.

Assim, nos ritos que possuem oficiais mensageiros, agora conhecidos como Diáconos, os mesmos exercem atividades de acordo com o modelo iniciático (prática ritualística) exigido pelo rito.

No REAA, por exemplo, os Diáconos atuam única e exclusivamente na alegoria da transmissão da palavra sagrada que emblematicamente revive as antigas aprumadas e nivelamentos que ocorriam nos cantos da obra, assim exigidas no início e no encerramento dos trabalhos nos tempos da Maçonaria Operativa.

Na prática, essa aferição tinha o desiderato de produzir trabalhos a contento, aprumando e nivelando os cantos no início da jornada para uma justa e perfeita elevação das paredes e, ao final, conferindo para se certificar se os trabalhos transcorreram justos e perfeitos, ou seja, se ocorreram em conformidade com as exigências da arte.

Como atualmente não somos operativos e vivemos uma Maçonaria Especulativa, isto é, sem a literal atividade profissional dos cortadores e entalhadores de pedra, o elemento primitivo da obra (matéria prima) que era a pedra calcária, passou a ser representada pelo elemento homem, passível de aprimoramento.

Nesse sentido, especulativamente as aprumadas e nivelamentos do passado operativo foram substituídas pela transmissão de uma palavra que se estiver dita “justa e perfeita”, isto é, transmitida nos conformes ritualísticos, então os trabalhos da Loja podem ser abertos e respectivamente encerrados.

Essa pois é a razão pela qual existe no REAA a transmissão na palavra sagrada na abertura e encerramento.

Essa alegoria lembra as atividades dos construtores medievais, nossos ancestrais. Desse modo, os Diáconos, o Venerável Mestre e os Vigilantes, como protagonistas dessa transmissão, revivem simbolicamente essa passagem outrora praticada pelos nossos ancestrais.

É daí que os Vigilantes usam cada qual uma joia distintiva, ou seja, o Nível para o 1º e o Prumo para o 2º, respectivamente, já o Venerável Mestre usa um Esquadro operativo como sua joia distintiva, enquanto que e os Diáconos usam cada qual uma joia representativa do mensageiro, ou seja, a pomba, porém sem que haja qualquer necessidade de diferenciação entre ambas para identificar o 1º e o 2º Diácono. Rigorosamente, as joias dos Diáconos devem, ou pelo menos deveriam, ser iguais, sendo, portanto, dispensável que uma delas venha inscrita dentro de um triângulo.

Eram esses os comentários sobre se existe ou não diferenciação entre as joias dos Diáconos. Como dito, não existe e é algo dispensável, até porque assim não se dá oportunidade para interpretações aventureiras e falaciosas que fatalmente apareceriam por conta de achistas e oportunistas.

Concluindo, vale alertar que no REAA, os Diáconos não se prestam ao oficio de levar bilhetes, recados e outros afins. Esse é ofício do Mestre de Cerimônias como imediato do Venerável Mestre. Como mensageiros, os Diáconos, junto com as Luzes da Loja, são coadjuvantes da alegoria da transmissão da palavra sagrada no início e no encerramento dos trabalhos. Reitera-se: essa é a única função dos Diáconos em Loja.

 

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

DEZ/2022

COBRIDOR INTERNO. A QUEM SE DIRIGE? MOMENTO DE ACENDER AS LUZES DOS GLOBOS

Em 25.05.2022 o Respeitável Irmão Daniel Dalla Barba, Loja Rui Barbosa, REAA, sem mencionar o nome da Obediência, Oriente de Novo Hamburgo, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a seguinte questão:

 

 A QUEM SE DIRIGE E LUZES DO GLOBO.

 

Preliminarmente quero parabenizar o Irmão pelas brilhantes considerações e oportunos esclarecimento que realiza na revista A Trolha e que são de suma importância visando a boa ritualística de nossas sessões.

Assim, surgiu uma dúvida e recorro ao prezado Irmão objetivando, se possível, um direcionamento.

O Irmão Cobridor interno ao solicitar a palavra o faz ao Primeiro Vigilante na Coluna do Norte ou ao Segundo Vigilante na Coluna do Sul. (REAA)?

Aproveitando a oportunidade também ausculto à possibilidade de esclarecer qual o momento em que as luzes (Globo) das colunas B e J são acesas.

Certo de vossa costumeira atenção e com votos de saúde e paz.

 

CONSIDERAÇÕES

 

                     Embora às vezes apareçam situações contraditórias emanadas dos próprios rituais, estando a Loja aberta geralmente o Cobridor Interno primeiramente se dirige ao 2º Vigilante. Obviamente porque ele ocupa lugar na Coluna do Sul.

                                         Resumindo, em Loja declarada aberta o Cobridor Interno pede a palavra, ou se dirige ao 2º Vigilante, enquanto que em determinadas situações que ocorrem com a Loja ainda em processo de abertura, isto é, não estando definitivamente aberta, o Cobridor Interno se dirige ao 1º Vigilante. Como exemplo dessa condição veja o caso da verificação para se assegurar se o templo está devidamente coberto. Note que nesse caso os diálogos ocorrem entre o 1º Vigilante e o Cobridor Interno.

No tocante aos globos que respectivamente encimam os capitéis das Colunas B e J, não existe nenhuma liturgia de acendimento de luzes para eles, até porque nada consta sobre qualquer iluminação nesse sentido.

A bem da verdade os globos (celeste e terrestre) adornam as colunas solsticiais na Loja de Companheiro, pois na de Aprendiz se apresentam, sobre cada um dos respectivos capitéis, um conjunto com três romãs maduras entreabertas. Observe o conteúdo diferenciado nesse sentido nos Painéis de Aprendiz e Companheiro.

Assim, reitero que não existe momento para acender luzes que de fato nem mesmo existem nessa decoração simbólica.

 

E.T. 1 – Como na questão não me foi informada a Obediência do consulente, essas considerações podem ficar prejudicadas em face às diferenças que ocorrem entre os rituais, embora de um mesmo Rito, das Obediências regulares brasileiras.

 

E.T. 2 – A base dessas considerações foram rituais do GOB.

 

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK

http://pedro-juk.blogspot.com.br

jukirm@hotmail.com

 

DEZ/2022

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

O PORTA ESPADA E A ESPADA FLAMEJANTE

Em 24.05.2022 o Respeitável Irmão Washington Teixeira da Silva, Loja Paz, Harmonia e Concórdia, 297, REAA, COMAB, Oriente de Guaranésia, Estado de Minas Gerais, pede resposta para a dúvida seguinte:

 

PORTA ESPADA

 

Caro Irmão Pedro. Bom dia! Gostaria de uma orientação sua quanto a principal função e início histórico do "Porta-Espada". Humildemente sou o responsável pelo cronograma de estudos a cada sessão e procuro orientar o mestre que fará o trabalho, sugerindo sempre um tema o qual houve algum comentário em loja e que despertou curiosidade, deixando sempre este quarto de hora dinâmico e atraente. Sempre me socorro em seu BLOG, GADU o
abençoe por isto. Percebi que a função deste cargo é pequena, mas não menos importante. Ao procurar sobre o tema, me deparo sempre com a cumplicidade do irmão cobridor. Ou seja, "a espada na Maçonaria" sempre nos leva a este irmão cobridor e pouco sobre o porta-espada. Outra orientação, caro irmão, é que teremos na sexta próxima, 27/05/2022, sempre ao final de cada mês, nossa reunião do Pacto Regional Maçônico cuja abrangência lojas de MG e SP. COMAB. Fiquei responsável por apresentar um estudo e lhe pediria uma sugestão atual para este quarto de hora.

 

COMENTÁRIOS

 

O cargo de Porta-Espada nada tem a ver com o porte ou condução das espadas utilizadas pelos Cobridores e pelos Expertos no REAA.

Na liturgia do rito em questão, durante as consagrações (dar dignidade ao grau) o Venerável Mestre se utiliza de uma espada que simbolicamente representa um raio de fogo, ou uma forte chama.

Graças a esse particular essa espada não possui bainha, ou digamos, não pode ser embainhada, pois seria um contrassenso alguém querer embainhar um raio de fogo ou uma labareda (grande chama).

A despeito da sua simbologia, a Espada Flamejante é no REAA um emblema de justiça iminente como a “Justiça de Salomão”. No misticismo ela se relaciona com dois querubins (anjos da primeira hierarquia) que no Jardim do Éden portavam espadas que expeliam chamas. Segundo alguns exegetas, a exemplo do respeitadíssimo e saudoso Irmão Theobaldo Varolli Filho, todo esse simbolismo se associa a ação imediata de aplicação da justiça.

Assim, a Espada Flamejante acabou adquirindo no rito em questão uma exclusividade de utilização, nesse caso podendo ser empunhada apenas e tão somente por um Venerável Mestre, ou, na sua falta, por um ex-Venerável.

Graças a isso é que então apareceu o cargo de Porta-Espada no REAA, ou seja, alguém para conduzir essa espada até o titular nas ocasiões em que ela precise ser utilizada (nas sagrações).

Como ela simbolicamente não pode ser embainhada por razões já descritas, estabeleceu-se então que essa Espada descanse em um escrínio ou uma almofada que geralmente fica sobre o lado sul do altar ocupado pelo Venerável Mestre. Menciona-se na banda Sul do altar-mor porque é desse lado do Oriente que logo abaixo do sólio ocupa lugar o Irmão Porta-Espada.

Como ficou estabelecido que a Espada Flamejante só pode ser empunhada por um Venerável Mestre ou um Mestre Instalado, o Irmão Porta-Espada, mesmo não sendo um Mestre Instalado, pode conduzi-la segurando apenas pela almofada ou pelo escrínio (estojo), mas nunca pela Espada em si.

Uma das particularidades da Espada Flamejante é que diferente das outras espadas (armas) que são sempre empunhadas pela mão direita do titular, a Flamejante é manuseada com a mão esquerda, já que a sua mão direita estará ocupada com o malhete para fazer a sagração (constituição do recipiendário).

Vale ainda comentar que como a lâmina da Espada Flamejante simboliza um raio de fogo, o Venerável Mestre no ato da consagração não deve tocar com a lâmina da espada a cabeça do candidato, pois isso, supostamente poderia fulminar o recipiendário. Obviamente que essa é apenas uma passagem ritualística de conotação simbólica e não um fato real. Sua menção aqui tem apenas o desiderato de instigar algo que faça sentido na liturgia.

Por fim, o costume de sagração de candidato com um espada é natural em alguns ritos da Moderna Maçonaria, sobretudo a de origem francesa que buscou adaptar essa liturgia embasada nas práticas na Ordem da Milícia do Templo, ou os Cavaleiros Templários. Atenção, essa abordagem sob nenhuma hipótese está afirmando que a Maçonaria se originou nos Templários. Essa citação aqui apenas procura demonstrar o ecletismo doutrinário da Maçonaria Especulativa.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

DEZ/2022