quarta-feira, 8 de abril de 2026

DIFERENÇAS RITUALÍSICAS (RITUAIS DE UM MESMO RITO).

Em 05/04/2026 o Respeitável Irmão Francisco Phelipe Gomes Pontes, Loja Jesus Sales de Andrade, 4863, REAA, GOB-CE, Oriente de Varjota, Estado do Ceará, apresenta as seguintes questões:

 

DIFERENÇAS RITUALÍSTICAS

 

Grande Irm Pedro Juk, venho desta vez indagar:

1° Qual a origem do primeiro rastro da Maçonaria no mundo? 

2° Qual o primeiro Rito que se tem ideia no mundo?

3° Qual o motivo da diferença de ritualísticas existentes entre o REAA praticado pelo GOB e COMAB e o Rito REAA praticado pelas Grandes Lojas?

4° No mundo o REAA caminha do mesmo jeito que praticamos no GOB ou nas Grandes Lojas?

5° O primeiro ritual dos graus simbólicos REAA surgido no Brasil é oriundo de qual potência ou
influência?

6° O Ritual dos graus simbólicos elaborado pelo Conde Grasse Tilly foi baseado em três no livro três batidas distintas?

7° Todos os ritos existentes hoje se dividem entre a Maçonaria Dissecada ou as três batidas distintas, ou seja, na briga entre os antigos e os modernos?

 

CONSIDERAÇÕES

 

1 – Como corporação de ofício organizada, a “arte de construir” somente apareceu no século VI a.C. com os Collegiati (Collegia Fabrorum). Essas corporações de ofício foram instituídas pelo imperador romano Numa Pompílio.

Formada por construtores, ela acompanhava as legiões romanas durante as conquistas territoriais. A sua função era reconstruir o que eventualmente fosse danificado, ou destruído, pelas atividades belicosas.

Mais tarde, por volta do século X, iriam aparecer as Associações Monásticas, organizações formadas exclusivamente por clérigos que edificavam para a Igreja Católica. Esses monges construtores eram detentores do conhecimento da arte da construção, em pedra calcária.

No século XI, com a expansão dos domínios da Igreja, notadamente depois do ano 1000, já que o mundo, como preconizado não havia acabado, eram criadas as Confrarias Leigas, cujo desiderato era de suprir o déficit de mão de obra pela alta demanda de trabalho - como o mundo não havia passado pelo juízo final no ano 1000, os homens correram para louvar e agradecer a Deus construindo cada vez mais imensas catedrais.

Em resumo, os clérigos construtores das Associações Monásticas passaram a ensinar leigos na “arte de construir”, no caso, para construir igrejas, mosteiros, abadias e catedrais.

É por volta do final do século XI que aparecem as Guildas de Artesãos, dentre elas a dos construtores medievais. Historicamente, deve-se às Guildas o uso da palavra Loja. Elas foram elementos fundamentais na construção da história da Maçonaria.

É aproximadamente no século XIII que aparece a associação de pedreiros mais importante daquela época, a Franco-maçonaria. Como corporação de ofício, ela era formada por profissionais da cantaria que usavam a pedra calcária como matéria prima. Seus membros, os franco-maçons, eram profissionais privilegiados e tinham proteção direta da Igreja Católica. Esses profissionais gabaritados eram contratados pelo clero para construir Igrejas e Catedrais. Nessa conjuntura, a palavra franco, que se opunha ao que era servil, também designava liberdade de locomoção e isenção dos impostos feudais e eclesiásticos. Assim, essa organização privilegiada de profissionais floresceu e alcançou grande prestígio. Uma marca especial dos franco-maçons era a aplicação do “estilo gótico” nas suas edificações.

Mais tarde, por questões de mudanças sociais, políticas e religiosas, a Franco-maçonaria passa a sofrer perseguições, inclusive do próprio clero, seu antigo protetor. Com o advento do Renascimento, o estilo gótico é relevado a segundo plano. Assim, tudo isso fez com que a Maçonaria de ofício fosse paulatinamente caindo em declínio, ao ponto de que no século XVII, em outubro de 1600, na Chapell Mary’s Lodge, em Edimburgo na Escócia, fosse admitido, com o fito de proteção financeira à Loja em decadência, o primeiro maçom aceito que se tem registro na história. Trata-se de Ir John Boswell, um nobre latifundiário na região, que de fato não era um “pedreiro”.

Graças a isso, em 1600 é inaugurada a Maçonaria dos Aceitos, ou Especulativa. Esse novo formato iria se desenvolver paulatinamente até o desaparecimento total da Maçonaria Operativa, ou de Ofício.

É a partir desse período que os maçons especulativos, ou aceitos começam a se reunir em Lojas organizadas nas tabernas e cervejarias, notadamente na Inglaterra.

Desse modo, a 24 de junho de 1717, em Londres, por influência de Jean Théophile Désaguliers, quatro Lojas das cervejarias o Ganso e a Grelha, a Macieira, o Copázio e as Uvas e a Coroa, se reúnem para fundar a Primeira Grande Loja de Londres e Westminster, sendo esse o registro de nascimento da Moderna Maçonaria, formada somente por maçons aceitos.

Inaugurava-se assim o primeiro sistema obediencial do mundo, onde aparecia a figura de um Grão-Mestre.

Esta é uma síntese da história da Maçonaria até a fundação da Premier Grand Lodge, no dia de São João, o Batista.

2 – Ritos maçônicos fazem parte da Maçonaria Especulativa e, por extensão, da Moderna Maçonaria. Não se fala em ritos maçônicos nos períodos primitivos da Maçonaria Operativa.

Entende-se que o principal desenvolvimento ritualístico na Maçonaria ocorreu paulatinamente na Inglaterra, Escócia e Irlanda, seguido da França e norte da Alemanha. Não como um rito propriamente dito, mas como uma forma especulativa de trabalho (liturgia e ritualística) construída para os maçons aceitos, dentro das Lojas. É bom que se diga que o primeiro templo maçônico do mundo foi o do Freemason’s Hall, em Londres na Inglaterra, o qual teve a sua pedra angular cravada em maio de 1775, e a sua inauguração e consagração a 23 de maio de 1776.

Se nos tempos operativos o artífice era feito maçom em um canteiro de obras, no período Especulativo os maçons passavam a ser iniciados através de uma liturgia sigilosa que ocorria coberta, dentro de uma Loja oficialmente consagrada para os trabalhos maçônicos.

É depois do Ato de União, em novembro de 1813, que se encerram definitivamente as escaramuças entre os Antigos e os Modernos pertencentes às duas Grandes Lojas rivais (vide essa história na Inglaterra).

Dessa união, construída passo a passo por quase cem anos, é que surge, no ano de 1813, a Grande Loja Unida da Inglaterra. Concomitante aos trabalhos para a sua fundação, também é apresentado por uma Loja Especial de Promulgação (1809-1811), o restabelecimento dos Landmarks e a nova forma de trabalho (working). Essa demonstração ficou inicialmente a cargo dos Stwards e depois, a partir de 1823, pela Emulation Lodge of Improvement.

Assim, o working, ou o Craft (a Arte), se desenvolveria conforme o trabalho ritualístico inglês, sendo a vertente anglo-saxônica de Maçonaria.

No que diz respeito à Maçonaria francesa (vertente latina de Maçonaria), sabe-se que inicialmente ela foi instituída pela Maçonaria Inglesa, ligados à Primeira Grande Loja em Londres, não obstante mais tarde ela tenha desenvolvido características próprias, hauridas principalmente do caráter deísta e mesmo agnóstico, em oposição ao teísmo inglês. Os primeiros Grão-Mestres da Grande Loja da França tinham sido Grão-Mestres da Grande Loja dos Modernos de 1717.

Na sequência, a reforma pela qual passaria a Maçonaria francesa, com a extinção da sua Grande Loja e a criação do Grande Oriente da França, são capítulos importantes sobre o desenvolvimento da Maçonaria em solo francês a partir do século XVIII.

Ainda, no que diz respeito à Maçonaria na França, não menos importante é lembrar da vertente Stuartista de Maçonaria, a qual iniciou suas atividades em solo francês a partir do ano de 1649 devido a revolução puritana de Cromwell e a deposição e decapitação do rei católico Carlos I da Inglaterra.

É logo após a chegada em Saint Germain-en-Laye da rainha viúva Henriqueta Maria de France e seu séquito em exílio, que se inicia a trama para retomada do trono inglês pelos reis católicos (escoceses, stuartistas). Segundo alguns autores, essa operação contou com a criação dos Guardas Irlandeses - Regimento Walch – cujos planos sigilosos eram mantidos sob sigilo por debaixo da capa de lojas maçônicas.

De certa forma, esse acontecimento é um dos registros de nascimento do REAA na França, um importante ramo de Maçonaria que cresceu em solo francês. Diferente do Grande Oriente da França (inicialmente se chamava Grande Loja da França), a Maçonaria escocesista (stuartista, jacobita) francesa manteve-se no início independente de qualquer obediência à Primeira Grande Loja inglesa, a dos Modernos de Londres e Westminster.

Diante de tudo disso, citar propriamente um rito ou ritual inicial seria algo temerário. Na verdade, os ritos maçônicos passaram a existir a partir do século XVIII e XIX sob circunstâncias históricas e culturais. Muitos dos elementos ritualísticos até já faziam parte dos costumes e tradições regionais das Lojas, principalmente na Inglaterra, Irlanda e Escócia.

3 – Isso não é tão simples de se explicar. Nesse sentido, é preciso conhecer como foi desenvolvido o primeiro ritual para o simbolismo do REAA na França, em 1804. Nesse cenário se faz cogente compreender a história das Lojas Capitulares do REAA, então criadas pelo Grande Oriente da França. Seguindo essa mesma linha, também é preciso compreender a influência das Lojas capitulares na estrutura dos rituais escocesistas da Maçonaria Brasileira a partir do século XIX.

Obviamente que não é possível se resumir toda essa história em um pequeno arrazoado como este.

Dito isso, há outro aspecto a ser considerado. No caso, perscrutar a história da primeira grande cisão no GOB, a de 1927, que deu origem às Grandes Lojas Estaduais Brasileiras (CMSB), e mais tarde a cisão de 1973, a qual proporcionou a criação dos Grandes Orientes Independentes (COMAB).

Após a cisão de 1927, Mário Marinho Béhring criava para a sua Obediência recém fundada um Ritual para o REAA (1928). Obviamente que esse ritual se diferenciava do então praticado pelo GOB, sobretudo pelas influências capitulares herdadas da França.

Não obstante ao afastamento de Béhring das influências capitulares, mesmo assim apareceram muitos elementos estranhos à conjuntura ritualística original do REAA. Provavelmente isso se deu por conta da busca de reconhecimento para as Grandes Lojas estaduais brasileiras na Maçonaria Norte-americana.

É por conta disso que substanciais diferenças na ritualística do REAA viriam aparecer por aqui. Por exemplo, formação de pálio, Diáconos portando bastão, Altar dos Juramentos no centro do Ocidente, aventais azulados, etc. Nada disso é original no REAA, onde primitivamente não existe formação de pálio, Diáconos não usam bastão, Altar dos Juramentos fica no Oriente, a cor predominante do rito é encarnada, etc.

Dessa forma, a partir de 1928 passava existir oficialmente na Maçonaria brasileira dois rituais diferenciados para o REAA. O ritual de 1928, criado para as Grandes Lojas estaduais, ficaria também conhecido como o REAA de Mário Béhring.

Mais tarde, em 1973, com o advento da segunda grande cisão no GOB, nasciam os Grandes Orientes Estaduais independentes. À vista disso, outros rituais para o REAA foram sendo criados, desta vez construídos sob influências dos rituais do GOB e das Grandes Lojas Estaduais.

Esse é o motivo pelo qual são encontrados no Brasil, em um mesmo rito, substanciais diferenças na sua liturgia e ritualística, com cada Obediência defendendo o seu ritual.

4 – Pelo mundo existem muitas diferenças e isso pode ser constatado em se verificando rituais do REAA existentes na França, em Portugal, Espanha, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, dentre outros.

Por várias questões, principalmente pela característica latina de ser, lamentavelmente o REAA sofreu ao longo da sua existência muitos enxertos e tenebrosas adaptações, ao ponto de ser classificado por muitos autores como uma verdadeira colcha de retalhos. No entanto, nem tudo está perdido, pois em muitos casos, pelo menos, o rito vem mantendo a sua estrutura litúrgica e ritualística primitiva. Na Maçonaria latina, se imaginar um único ritual universal por rito é algo sustentado pela utopia.

5 – O REAA chegou oficialmente no Brasil em 1832, embora ele já estivesse sendo praticado em maio de 1822, pela Loja Buclie D’Honneur. Essa Loja teve vida efêmera.

A segunda Loja foi a Educação e Moral (1829 até 1833). Fundada por Joaquim Gonçalves Ledo, ela foi instalada por João Paulo Barreto que tinha uma carta patente do Grande Oriente da França o autorizando a fundar Capítulos Rosa-Cruz, razão pela qual a Educação e Moral trabalhava com 18 graus – características de uma Loja Capitular (é preciso conhecer essa história).

Como a primeira grande cisão somente viria ocorrer em 1927, notadamente antes de 1928 o REAA era praticado seguindo rituais do GOB, caracterizados pelas Lojas Capitulares. Como a Maçonaria brasileira é filha espiritual da França, os rituais primitivos para os ritos de origem francesa no Brasil eram oriundos da França e também de Portugal. Da França para os ritos Moderno (Grande Oriente de Ilhe de France) e REAA (Grande Oriente da França); do Grande Oriente Lusitano, para o Rito Adonhiramita, que é também um rito com registro de nascimento francês.

6 – O Ritual de 1804, o primeiro para o simbolismo na França, foi estruturado em três elementos fundamentais: o Regulateur du Maçon de 1801 (Grande Oriente da França); as Três Pancadas Distintas (exposure relacionada à Grande Loja dos Antigos de 1751); a Loja Geral Escocesa (criada em outubro de 1804 na França para gerenciar a elaboração desse primeiro ritual).

7 – Em alguns casos sim, em outros não. The Masonry Dissected de Samuel Pritchard foi uma revelação bombástica publicada em 1730 na Inglaterra e muito do seu conteúdo serviu como elemento básico para a construção de vários rituais, notadamente o working inglês.

Na verdade, em relação aos Antigos e os Modernos, as suas exposures (revelações) muito serviriam como referência para rituais. Ressalte-se as revelações Jachim and Boaz, direcionada à Grande Loja dos Modernos e as Três Pancadas Distintas, relaciona à Grande Loja dos Antigos.

Nesse contexto, também vale a pena mencionar que muitos rituais latinos foram construídos sob a égide do deísmo francês, no entanto, o REAA, rito nascido na França, além de possuir raízes deístas, também possui forte influência do teísmo anglo-saxônico herdado das Três Pancadas distintas, um dos elementos fundamentais construtivos do seu primeiro ritual.

 

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK

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ABR/2026

sábado, 4 de abril de 2026

RITUAIS EM VIGÊNCIA

Em 08/01/2026 o Respeitável Irmão João Marcos Boim de Freitas, Loja Obreiros da Paz, 3850, REAA, GOB MINAS, Oriente de Piraúba, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte:

 

RITUAIS

 

1- No ritual do 2 grau e também o do 3 grau quando o 1° Vig vai fazer a verificação se todos presentes são MM, no ritual diz que todos IIr do Ocid e todos do Oriente voltam-se com o S de O para o Oriente, é assim mesmo que devemos proceder ou no ritual novo não é assim (nossa Loja ainda não adquiriu os rituais do 2 e 3 graus)?

2- Um Ir do quadro fez uma pergunta sobre a chama votiva no REAA, qual a explicação que devemos dar para ele sobre a chama votiva?

3- Um outro Ir perguntou qual seria o uso da luva pra esposa dele, qual sinal ela deve fazer
pra receber ajuda de um irmão? Respondi a ele que desconheço o uso dessa forma, mas que iria me informar a respeito. Existe alguma forma dela se apresentar como parente de maçom com a luva para se reconhecer como fazendo parte da família maçônica?

4- No ritual dos graus 2 e 3, fala que antes de abrir o L L o Ir Orador faz a saudação ao V M, está correto?

Meu irmão que o ano de 2026 venha repleto de realizações para o Ir e todos seus familiares com as bençãos do GADU!

 

CONSIDERAÇÕES

 

Primeiramente devo mencionar que a sua Loja precisa solicitar imediatamente rituais dos graus 2 e 3 do REAA para poder realizar sessões nestes graus. Não é possível usar mais os rituais de 2009, a despeito de que eles já se encontram revogados há mais de um ano. Reitero, sua Loja não pode ser aberta usando rituais de 2009.

Sobre as suas questões, elas estão bem claras nos rituais novos vigentes a partir de 2024. Em relação às suas questões, seguem alguns apontamentos:

1 - Os Irmãos do Oriente não se voltam mais para a parede oriental. Ressalte-se que no Oriente não existe telhamento. Assim, quando da verificação, os IIr do Oriente permanecem sentados. Mais detalhes, consultar os respectivos rituais em vigência editados em 2024).

2 - Não há explicação alguma para essa luz, pois não ela consta nos rituais. Essa chama dita votiva não existe no REAA, portanto e não deve aparecer na decoração. Alerta-se: se não está no ritual é porque não existe!

3 - Também não consta em nenhum ritual do REAA qualquer explicação sobre o uso dessas luvas. Nesse sentido, elas são apenas simbólicas. A entrega desse par de luvas de mulher é entregue ao Neófito para que ele a entregue, ao seu gosto, àquela que lhe causar mais estima. Assim, esse par de luvas não é para ser literalmente usado, senão guardado por aquela que a receber como um símbolo de afeto. Esse é apenas um gesto simbólico. Também não existe sinal de socorro com essas luvas e nem entrega formal delas à Cunhada. Ler atentamente o que está escrito no ritual de Aprendiz vigente, página 164, sobre a entrega dessas luvas.

4 – Nada disso está escrito nos rituais. Ates de se escrever toda essa conduta ritualística, melhor é ter os rituais em mãos.

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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ABR/2026

REFORMA DO TEMPLO I - REAA

Em 12/01/2026 o Respeitável Irmão Leonardo Paixão, Loja Vigilantes da Guanabara, 1568, REAA, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão.

 

REFORMA DO TEMPLO

 

Gostaria de tirar uma dúvida. 

Estou em fase final da reforma do templo e estou com uma dúvida relacionada a orla denteada, ou dentada. 

Vou enviar a foto de como está ficando e aproveito para perguntar:

Preciso fazer a orla denteada mesmo considerando o formato que ficou os pisos?

Vi o em vosso blog que a orla dentada está representada no painel, e onde menciona que não sendo possível, seria suficiente estar no painel.

Então minha dúvida é se realmente é o suficiente?

Estou buscando algum piso para colocar nem que seja no rodapé da parede. 

E sendo assim ainda me surge uma dúvida. 

Quando o irmão diz que ela não deve ser interrompida, o meu entendimento que ela pegue todo o ocidente, mas não quanto ao fato dela não ser interrompida, devo seguir com ela beirando a porta até seu topo? Fazendo uma espécie de moldura na porta? Como se tivesse a orla também contornando a porta a fim de ela ser contínua?

Vou enviar uma foto de exemplo, por mais estranho que seja a pergunta, eu estou buscando fazer o máximo fiel ao que se pede no ritual. Quero errar o menor possível.

O nosso painel é similar a imagem abaixo. Mas não tem a orla. Posso inserir e imprimir um novo.

Se o irmão possuir em alta definição, fico grato o envio.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Como no REAA a disposição do Pavimento Mosaico é oblíqua, o seu próprio acabamento nos limites do Ocidente já serve para representar a Orla Denteada. Nesse caso, junto à porta de entrada, basta limitar o Pavimento na linha da passagem da porta.

A Orla Denteada, ou Dentada, que está no Painel do Grau (página 11 do ritual de Aprendiz) já é o suficiente. Desse modo, não é necessariamente preciso construir uma Orla Denteada contornando o Pavimento no piso do Ocidente. Isso fica a critério da Loja.

Vale lembrar que o Painel do Grau fica no centro do Ocidente, onde ele é exposto no momento previsto pelo ritual.

Vale lembrar que o Painel do Grau não pode ser pintado na parede oriental, logo atrás do Venerável, pois ali fica o Retábulo do Oriente, no qual estarão fixados o Delta Radiante, o Sol e a Lua.

É altamente equivocado se pintar o Painel do Grau no lugar do Retábulo do Oriente, como lamentavelmente ainda se vê em algumas Lojas. Nessa conjuntura, vide o item 1.3 Disposição e Decoração do Templo, página 14 e seguintes do Ritual de Aprendiz.

Atenção: é bom lembrar que no templo rigorosamente não existem Colunas Zodiacais além da balaustrada, ao Oriente. Essas Colunas, em número de seis, na parede Norte e seis ao Sul, são distribuídas equidistantes entre os cantos noroeste e sudeste da parede ocidental e a balaustrada do Oriente - vide Planta do Templo, página 22 do ritual de Aprendiz, a localização das Colunas Zodiacais.

Outra observação oportuna: do Ocidente ao Oriente sobe-se por apenas um degrau, e dali, para o sólio, por mais três degraus.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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ABR/2026

sexta-feira, 3 de abril de 2026

PARAMENTOS DE ALTOS CORPOS

Em 22/12/2025 o Respeitável Irmão José Bento, Loja Ordem e Progresso, 133, REAA, GOMG (COMAB), Oriente de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

 

PARAMENTOS

 

Eu queria saber se podemos usar os paramentos dos Graus Filosóficos em sessões públicas realizadas por uma loja Simbólica.

Uns reunião festiva, dia das mães, por exemplo.

Eu sei que não reuniões econômicas ou magnas (iniciação, elevação e exaltação) não é permitido os paramentos de graus superiores. Mas sendo uma sessão festiva, não vejo razão para proibir o uso dos Paramentos dos Graus Filosóficos.

 

CONSIDERAÇÕES

 

              Inicialmente, sugiro que o Irmão consulte minuciosamente a legislação da sua Obediência. Veja se há algo nesse sentido que possa lhe orientar.

No meu ponto de vista, entendo que se foi uma Loja simbólica que promoveu a sessão pública (com a presença de não maços), essa sessão é correlata ao simbolismo, portanto segue as regras do simbolismo, ou seja, nela admitem-se apenas os paramentos do simbolismo.

Vale ressaltar que graus acima do 3º devem obediência à uma Corporação de Altos Graus, a qual não pode interferir no Franco-maçônico básico universal, que é o simbolismo, e que se submete apenas às leis e regulamentos de uma Obediência Simbólica.

É o que eu entendo.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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ABR/2026

GRÃO-MESTRE USANDO A PALAVRA

Em 22/12/2025 o Respeitável Irmão José Bento de Oliveira, Loja Ordem e Progresso, 133, REAA, GOMG (COMAB), Oriente de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

 

GRÃO-MESTRE

 

Tira-me uma dúvida: O Grão-Mestre quando em visita a uma Loja, ao fazer uso da palavra ele fica de pé e ordem e cumprimenta as luzes da loja, bem como as autoridades, como os demais irmãos?

Obrigado pela costumeira atenção.

 

CONSIDERAÇÕES

 

No caso da fala do Grão-Mestre, se ele preferir, pode usar da palavra sentado, todavia sabe-se que geralmente ele prefere falar em pé, portanto deve ficar à Ordem.

              Nessa condição, o Venerável Mestre, depois da manifestação protocolar inicial do Grão-Mestre, deve dispensá-lo da composição do sinal.

Assim, o Grão-Mestre, ao usar da palavra, estando ainda à Ordem se dirige primeiramente à Loja como costumeiramente se faz, isto é, se dirige por primeiro às Luzes, depois, genericamente, às autoridades presentes e finalmente aos demais IIr. Logo depois desta manifestação inicial, o Ven Mestre dispensa-o do sinal.

Esse tem sido o procedimento mais comum e prático adotado quando o Grão-Mestre faz uso da palavra.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK 

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ABR/2026

CIRCULAÇÃO PELO ORIENTE

Em 22/12/2025 o Respeitável Irmão Wander Lourenço Luzia, Loja União de Ipatinga, 1567, REAA, GOB MINAS, Oriente de Ipatinga, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte pergunta:

 

CIRCULAÇÃO NO ORIENTE

 

Estou hoje como Mestre de Cerimônia pela a primeira vez e tenho uma dúvida e por isso estou buscando com você uma Orientação. A Respeito da circulação no Oriente, tem alguma norma ou lei que proíbe passar entre o altar onde fica o Venerável e o altar do livro da lei? Pois já perguntei a vários irmãos e só falam que não pode, mas não me mostram nenhum aparato legal pra essa norma. Já fui questionado por vários irmãos e não achei nada a respeito, pois no ritual fala que a circulação no Oriente é livre.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Como bem menciona o ritual, a circulação pelo Oriente é live, portanto, tanto faz, passar pela frente do Alt dos JJur, ou pela sua retaguarda. De resto, diferente disso não passa de mera invencionice.

            Normalmente, quando não se acha nenhuma bibliografia com justificativas plausíveis é porque simplesmente o fato não existe.

Em relação à entrada e saída do Oriente, em se tratando do REAA, existe somente uma regra para ser seguida, isto é, nele se ingressa pelo lado Nordeste (o mesmo do Orador) e dele se sai sempre pelo lado Sudeste (o mesmo do Secretário). Simplificando, toda a entrada no Oriente se faz vindo da Coluna do Norte e toda a saída é em direção à Coluna do Sul.

Ainda outra recomendação. O Venerável Mestre será sempre abordado pelo seu lado direito (seu ombro direito). A única exceção é na prova da Taça das Vicissitudes, a qual ocorre pela banda Sul do Altar, justamente para facilitar a retirada do candidato em direção à Coluna do Sul.

 

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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ABR/2026

COMPORTAMENTO RITUALÍSTICO - SAUDAÇÃO E PARADA FORMAL

Em 19.12.2025 o Respeitável Irmão Victor Peres Gomes Azevedo, Loja Obreiros da Itabapoana, REAA, GOB-ES, Oriente de Bom Jesus do Norte, Estado do Espírito Santo, pede esclarecimentos para o que segue:

 

COMPORTAMENTO RITUALÍSTICO

 

Meu Ir, peço, por gentileza, esclareça duas dúvidas pertinentes ao Ritual de Aprendiz do REAA. Em minha última sessão, durante o "Tempo de Estudos", foi falado sobre o "Comportamento Ritualístico", na página 204 e item "Saudação Maçônica". O que me gerou essas duas dúvidas:

Na página 43 (Da Circulação em Loja e Saudação), diz: "Sempre pelo Sin Pen a saudação maçônica será feita somente ao VenMestre quando da entrada e saída do Or, e ao Ven Mestre e aos VVigquando da entrada formal ou da saída definitiva do Templo. O Obreiro segurando (empunhando) algum objeto de trabalho, quando da entrada e da saída do Or, não fará Sin, mas apenas uma parada rápida e formal, sem inclinação do corpo nem meneios com a cabeça. A saudação ao Ven Mestre será feita assim que for alcançado o Or; durante a saída do Or, a saudação será feita antes de descer".

Dito isso:

1 - Quais são os objetos de trabalho que comumente são transportados em Loja?

2 - Ao entrar no Or, portando um desses objetos de trabalho, não deverá ser realizado nenhum tipo de reverência ao Ven Mestre?

Esses questionamentos me foram passados em forma de trabalho, para ser apresentado logo na primeira sessão do próximo ano maçom. Poderia fazê-lo apenas baseado no Ritual, pois deixa muito claro o que deve ou não ser feito, porém, gostaria de ter do Ir um esclarecimento que provavelmente eu não conseguiria alcançar. Desde já, meu muito obrigado!

 

CONSIDERAÇÕES

 

1 - Qualquer objeto que esteja sendo conduzindo pela mão, ou mãos, podendo ser um bastão, uma espada, uma bolsa ou saco, um livro de atas, um livro de presenças, um papel com uma mensagem, uma peça de arquitetura, enfim tudo aquilo que estiver ocupando as mãos do titular durante circulação em Loja.

               2 - É notório que saudações em Loja são feitas sempre pelo Sinal Penal do Grau, ou seja, saúda-se executando-se a pena simbólica pela forma de costume. Também é notório que não se usa o instrumento de trabalho, ou outro objeto qualquer, para com ele se compor e executar o sinal. Isso quer dizer que não se faz sinal com um objeto ou um instrumento de trabalho. Por exemplo, um Mestre de Cerimônias não faria sinal passando o bastão, ou a bolsa de propostas na sua região gut; também um Cobridor não passaria uma espada na sua garg; do mesmo modo, o Hospitaleiro não passaria a bolsa de beneficência na região da garg, etc. Essa regra serve os sinais dos três graus.

Por causa disso é que se diz que não se faz sinal com o objeto de trabalho. Nessa condição faz-se então uma parada formal (corpo ereto e os pés em esquadria) em vez de fazer o sin.

Como é dito que saudação é impreterivelmente feita pelo Sin Pen, estando o titular com as mãos ocupadas, a parada formal não é saudação, mas uma parada em reverência.

Na execução de uma parada formal, não se faz inclinação com o corpo e nem meneios com a cabeça. Nessa ocasião o protagonista simplesmente pára momentaneamente ficando com o corpo ereto e os pés em esquadria, trazendo na(s) mão(s) um objeto.

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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ABR/2026