terça-feira, 7 de outubro de 2025

NÍVEL E PRUMO - JOIAS DISTINTIVAS

 

Em 08.04.2025 o Respeitável Irmão Fausto Santos, Loja Mahatma Shimoya, 069, sem mencionar o nome do Rito, GLMMG (CMSB), Oriente de Viçosa, Estado de Minas Gerais, apresenta a dúvida seguinte:

 

NÍVEL E PRUMO

 

Gostaria de obter a sua ajuda sobre uma dúvida que apesar das minhas buscas ainda não conseguir esclarecer.

- Muitos dos símbolos operativos tem uma associação direta entre a Maçonaria Operativa e a Maçonaria Moderna, então, eu gostaria de saber se existe alguma explicação ou justificativa do porque o símbolo do nível foi associado ao 1° Vigilante.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Não resta dúvida que a Maçonaria dos Aceitos (Especulativa), nascida em 1600 na Escócia, seguida da Moderna Maçonaria, datada de 1717 na Inglaterra, construíram sua estrutura doutrinária baseada em muitos costumes herdados dos seus ancestrais operativos - anteriores ao período da aceitação.

Uma das principais regras extraídas do passado operativo da Ordem foi a de preservar o costume imemorial de que uma loja maçônica é sempre dirigida por três Luzes. Assim, obrigatoriamente dirigem a Loja um Venerável Mestre (ancestral do Mestre da Loja, ou do Ofício) e mais dois Wardens (diretores), que posteriormente seriam denominados por 1º e 2º Vigilantes.

É bom que se diga que nos tempos primitivos da Maçonaria não existiam graus especulativos, todavia existiam classes de operários que trabalhavam a pedra calcárIa para erigir igrejas, mosteiros e catedrais.

           Inicialmente, os operários da cantaria dividiam-se em Aprendizes Admitidos e Companheiros do Ofício. Dentre os Companheiros, dos quais o mais experiente, era escolhido o dirigente da Loja (Canteiro de trabalho). A este Companheiro dava-se o nome de Mestre da Loja, ou do Ofício.

A título de ilustração, o Grau especulativo de Mestre Maçom somente viria aparecer já na Moderna Maçonaria, mais precisamente em 1725, e foi oficializado em 1738, na Inglaterra, na II Constituição da Grande Loja.

Sobre o Nível e o Prumo, joias distintivas dos Vigilantes da Moderna Maçonaria, explica-se que na fase primitiva das guildas de construtores (Francomaçonaria), o 1º Vigilante, dentre outras obrigações, tinha como dever, conferir o nivelamento das bases estruturais em que se elevavam as paredes da obra, enquanto que o 2º Vigilante tinha, dentre outras obrigações, o dever de erguer e conferir a aprumada dos cantos. Ao Mestre da Obra cabia o ofício de aplicar, com o cordel de 12 nós, a partir da pedra angular fincada a nordeste do canteiro, as propriedades do triângulo retângulo (47ª Proposição de Euclides) nos cantos referenciais das elevações.

Por esta razão é que na Moderna Maçonaria (especulativa por excelência) as joias distintivas do Venerável Mestre e dos Vigilantes representam um Esquadro (com ramos desiguais), um Nível e um prumo, respectivamente

Com isto a Moderna Maçonaria procura preservar a tradição dos nossos antepassados quando trabalhavam nas velhas corporações de ofício da Idade Média.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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OUT/2025

 

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

INAUGURAÇÃO (SAGRAÇÃO) DE TEMPLO MAÇÔNICO

Em 07.04.2025 o Poderoso Irmão Flávio Augusto Batistela, Loja Solidariedade e Firmeza, 3052, REAA, GOB-SP, Oriente de Dracena, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão.

 

INAUGURAÇÃO DE TEMPLO

 

Por favor, nos tire uma dúvida, há algum impedimento para um Grão-Mestre (Geral, Estadual e seus adjuntos) presidirem ou participarem da comissão de sagração de um templo?

Sempre escutei falar de que Grão-Mestre não entra em templo não sagrado, estaria correto?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Isso está bem claro no Ritual vigente - Rituais Especiais - Sessões Exclusivas, 2016, Sagração de Templo, página 80:

"É vedado ao Grão-Mestre Geral, Grão-Mestre Geral Adjunto, Grão-Mestre Estadual ou Distrital e respectivos Adjuntos e ao Delegado do Grão-Mestre Geral participar da Comissão de Sagração e ter ingresso no Templo antes da sua Sagração".

Conforme especifica o ritual - para todos os ritos - no GOB os Grão-Mestres, Adjuntos e Delegado do Grão-Mestre Geral só ingressam em templos sagrados (consagrados, inaugurados). Esta é a regra vigente.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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OUT/2025

SUBSTITUTO NA AUSÊNCIA DO VENERÁVEL - REAA

Em 05.04.2025 o Respeitável Irmão Eduardo Luis Bertoldi, Loja Fraternidade Mourãoense, 4313, REAA, GOB-PR, Oriente de Campo do Mourão, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão.

 

SUBSTITUTO

 

Gostaria de esclarecer uma dúvida referente à condução de uma sessão ordinária no grau de Aprendiz, pelo Rito Escocês Antigo e Aceito.

Em caso de ausência do Venerável Mestre, estando presentes o Primeiro e o Segundo Vigilante, é possível que o Juiz do Tribunal Eleitoral — que já foi Mestre Instalado da nossa Loja — conduza a sessão como substituto do Venerável?

Ou essa substituição deve, obrigatoriamente, ser feita pelo Primeiro Vigilante, conforme a hierarquia prevista no ritual?

Agradeço desde já pela atenção e orientação.

 

CONSIDERAÇÕES

 

             Rigorosamente, em primeiro lugar cumpre-se o ritual vigente.

No caso do REAA, o substituto imediato do Venerável Mestre, nas sessões ordinárias, é o 1º Vigilante, seja ele um Mestre Instalado ou não.

Nas Sessões Magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação, não sendo o 1º Vigilante um Mestre Instalado e estando ausente o Venerável Mestre, é que assume o Mestre Instalado mais recente da Loja.

            Autoridade ou portador de título de recompensa, mesmo sendo um Mestre Instalado, não tem o direito de dirigir os trabalhos no caso de ausência do Venerável Mestre. Simplesmente ser uma autoridade constituída não é credencial para dirigir sessões ordinárias ou magnas de uma Loja, a única exceção, neste caso, é o Grão-Mestre, ou seu Adjunto.

En passant, vale ressaltar que em uma sessão ordinária, se estiverem ausentes o Venerável Mestre e o 1º Vigilante, quem assume a direção dos trabalhos também é o Mestre Instalado mais recente da Loja. Ressalte-se que pelo RGF, o 2º Vigilante é apenas o substituto do 1º Vigilante, nunca do Venerável Mestre.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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OUT/2025

 

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

AUMENTO DE SALÁRIO - PROCEDIMENTOS LEGAIS

Em 04/04/2025 o Respeitável Irmão Antonio Suheliton, Loja José Ramos Torres de Melo, 2004, sem denominar o Rito, GOB-CE, Oriente de Iracema, Estado do Ceará, apresenta a questão seguinte:

 

AUMENTO DE SALÁRIO

 

Quando o Aprendiz vai apresentar Peça de Arquitetura para elevação ao Grau 2, faz em loja do Grau 1, Certo? Assim, os Aprendizes podem assistir apresentação do peca, ou não? Após apresentação transforma a loja em Grau 2 para votação do trabalho, em seguida, retorna ao grau 1, e os Aprendizes retornam ao templo, e desta forma?

Da mesma forma, na apresentação para Exaltação, apresenta no Grau 2, é necessário os Companheiros saírem, digo não podem assistir apresentação, ou podem? Depois transforma a loja no Grau 3 vota e retorna ao grau 2º.

Sendo mais de um trabalho a ser apresentado um por assistir apresentação do outro?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Não é bem assim que ocorrem os procedimentos para aumento de salário de Aprendizes e Companheiros no GOB.

Existe o dispositivo legal a ser seguido, no caso o RGF e os seus Artigos pertinentes. O não atendimento ao disposto no Diploma Legal pode tornar nulo o processo para aumento de salário de um postulante - o Orador deve acompanhar todo o procedimento, fiscalizando o cumprimento dos trâmites legais.

No evento da peça de arquitetura para aumento de salário, a mesma deve ser solicitada à Loja pelo respectivo Vigilante que é o responsável pelas instruções.

Desse modo, quando o Vigilante receber o trabalho, de pronto deve encaminha-lo à Comissão de Admissão e Graus da Loja. Esta, por sua vez, se reunirá fora da sessão, em dia marcado, para proceder a devida análise. Feita a apreciação, a Comissão emitirá o seu parecer, podendo ser pela continuidade do processo, ou não.

Não existe obrigatoriedade para que o candidato apresente essa peça de arquitetura em Loja, podendo, no entanto, se a Loja assim desejar, que o trabalho seja lido no Tempo de Estudos, contudo isso não modifica o parecer dado por primeiro pela Comissão. Vale ressaltar que o conteúdo deste trabalho não está sujeito à nenhuma votação em Loja, já que sobre ele existe parecer legal dado pela Comissão de Graus.

               À vista disso, se a Comissão se mostrou favorável pelo aumento de salário pelo traçado apresentado, então, sob a tutela do Vigilante instrutor, a Loja elaborará um questionário pelo qual o postulante, em data marcada com antecedência pelo Venerável Mestre, será sabatinado em Loja. Essa sabatina deverá ocorrer na Ordem do Dia de uma sessão ordinária de Aprendiz ou Companheiro, conforme for o caso. Aprendizes presentes que não estiverem pleiteando ainda o seu aumento de salário, não precisam ter o templo coberto, isto é, podem permanecer e assistir normalmente os trabalhos no seu grau. O mesmo procedimento ocorre com os Companheiros que não estiverem ainda pleiteando seu aumento de salário. É perfeitamente admissível as suas presenças na Loja, pois os trabalhos correspondem aos seus graus, portanto não devem se retirar durante a sabatina.

No caso da Elevação pleiteada, após ter sido concluído o exame, agora a Loja será coberta a todos os Aprendizes presentes e a Loja passará a trabalhar no 2º Grau para deliberar o aumento de salário do Aprendiz por votação nominal.

No caso da Exaltação pleiteada, após ter sido concluído o exame, agora a Loja será coberta a todos os Companheiros e a Loja passará a trabalhar no 3º Grau para deliberar o aumento de salário do Companheiro por votação nominal.

Encerrada a votação e obtido o resultado, a Loja voltará a trabalhar no grau em que ela fora primeiramente aberta e os Aprendizes, ou se for o caso os Companheiros, retornam aos trabalhos na Loja. O Venerável Mestre então comunica a decisão ao postulante e marca o dia da sua Cerimônia de Elevação, ou se for o caso de Exaltação, a qual nunca poderá ocorrer na mesma sessão em que houve a sabatina e a votação.

Basicamente, são estes os procedimentos para aumento de salário em conformidade com o que prescreve o RGF nos seus Artigos 35, 36, 37, 38 e 39. Confira lá.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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OUT/2025

 

ENTRADA NO TEMPLO ANTES DO PRÉSTITO

 

Em 04.04.2025 o Respeitável Irmão Sílvio de Freitas Neto, Loja Humanidade e Fraternidade de Rondônia, 1812, REAA, GOB-RO, Oriente de Ji Paraná, Estado de Rondônia, apresenta a dúvida seguinte:

 

ENTRADA A TEMPLO

 

Poderia tirar uma dúvida pra nós obreiros: Quando da entrada do átrio o Cobr Int e o Mestre de Harmonia eles ficam dentro do Templo ou anuncia a entrada dos dois no templo, e fecha a portar para depois dar entrada no cortejo?

 

CONSIDERAÇÕES

 

            Para o início dos trabalhos, antes do ingresso do préstito, o Cobridor Interno e o Mestre de Harmonia, assim que recebam seus colares e joias, em silêncio ingressam por primeiro no Templo.

O Cobridor Interno ingressa, fecha a porta e pelo lado de dentro aguarda o Mestre de
Cerimônias, pelo lado de fora, bater pedindo ingresso.

Consecutivamente, o Mestre de Harmonia providencia trilha sonora para a entrada da comitiva (se a Loja adotar este mister).

Não é preciso que o Mestre de Cerimônias anuncie a entrada antecipada do Cobridor e do Mestre de Harmonia no Templo. Sem alarde, eles simplesmente ingressam e se colocam cada qual no lugar devido.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

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OUT/2025

 

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

PEDRA ANGULAR - CÚBICA PIRAMIDAL

Em 03.04.2025 o Respeitável Irmão Rubens dos Santos Freitas, Loja Conceição do Arroio, 343, REAA, GORGS (COMAB), Loja Conceição do Arroio, 343, Oriente de Osório, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a seguinte questão:

 

PEDRA CÚBICA PIRAMIDAL

 

Acompanho o Blog do Ir. Um Irmão leu um texto do Ir. sobre a Pedra Cúbica Piramidal, mas não se encontra material sobre este assunto, assim como não se encontra material de porque o Ocidente bate com as mãos sobre as pernas no final dos trabalhos. Também é difícil de conseguir trabalho sobre o REAA ser Azul nas Grandes Lojas e Vermelhos nas Lojas da COMAB. Se o Irmão puder me ajudar, agradeço.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Pela escassez de tempo, deixo apenas alguns comentários superficiais.

  1. A pedra cubo piramidal era utilizada como a pedra angular e servia como uma espécie de 0=pp da construção. Era a referência para os nivelamentos e aprumadas dos cantos das enormes construções de igrejas, mosteiros e catedrais da Idade Média. Nos tempos da Maçonaria Operativa, para o início das obras era costume se colocar no canto nordeste do terreno o marco inicial da construção. O nome cubo piramidal dado comumente para esta pedra era porque ela possuía, em um dos seus lados, forma pontiaguda como fosse uma pequena pirâmide apontada para cima. Era pontiaguda porque marcava o exato ponto de referência fixado no canteiro (pedra fundamental). Vale ressaltar que a pedra inicial era estrategicamente colocada no canto nordeste, para que a partir dela fosse aplicado o cordel com doze nós equidistantes, artefato utilizado para determinar o esquadro dos cantos. Este ponto inicial servia de base para a aplicação das propriedades do triângulo retângulo (Teorema de Pitágoras) na formação do canto em esquadria. Sob a óptica iniciática, por ser a pedra angular a primeira pedra colocada na construção, a Moderna Maçonaria procura reviver este antigo costume comparando esta pedra primária como o Aprendiz, grau inicial especulativo e fundamental para construção de um novo homem.
  2. No tocante ao bater com as mãos sobre as coxas, posso lhe garantir que isso não existe na liturgia do REAA. Uma explicação para esta prática pode ser encontrada em ritos que adotam esse costume para demonstrar simbolicamente o contentamento pelo salário recebido ao final da jornada de trabalho. Reitero, esta não é prática adotada pelo REAA.
  3. No tocante a cor, a que predomina no REAA é a encarnada (vermelha). Aventais de Mestre azuis não condizem com a originalidade do rito em questão. Infelizmente, por circunstâncias históricas, a partir de 1928 indevidamente começaram aparecer aventais azuis para os Mestres do REAA na Maçonaria brasileira. O GOB se manteve fiel à cor encarnada do REAA até 1965, quando indevidamente começou a caminhar na contramão da história azulando seus templos e aventais de Mestre. Espera-se que em um futuro não muito distante, a luz da verdade da história e o bom senso possam corrigir este equívoco no GOB, e assim voltar à originalidade encarnada que é referência para o REAA. Vide a “Confederação dos Supremos Conselhos do Rito Escocês Antigo e Aceito – Cobridor dos XXXIII Graus, adotado pelo Convento dos Supremos Conselhos Confederados – reunião em Lausanne (Suíça), em setembro de 1875”.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK – SGOR/GOB

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OUT/2025