domingo, 13 de setembro de 2026

RITUAL DE PARTIDA DE COMANHEIRO MAÇOM

Em 14.06.2026 o Respeitável Irmão Leandro Ferreira, Loja Independência de Nova Friburgo, 2.452, REAA, GOB-RJ, Oriente de Nova Friburgo, Estado do Rio de Janeiro, pede comentários sobre o que segue:

 

RITUAL DE PARTIDA

 

Me preparando para realizarmos a sabatina necessária para aumento de salário dos IIr CComp do quadro da Loja, recebi uma prancha confeccionada por uma dos Ir que serão sabatinados cujo tema era sobre Compagnonnage que faz referência ao ritual de Partida dos Companheiros citado na seguinte obra (GREGORIO, Cloves. Entendendo o Rito Escocês Antigo e Aceito: grau de companheiro maçom. 1. ed. São João de Meriti, RJ: Ed. do Autor, 2026)

A dúvida é: o referido ritual é de uma profundidade simbólica incrível; é possível reproduzi-lo no Tempo de Estudos como instrução do grau ou simbologia, tendo em vista a proibição expressa constante no ritual do REAA de todos os Graus: é proibida a inclusão de cerimônias...?

Se possível, seria de grande riqueza ter conhecimento de sua impressão sobre referido ritual.

Desde já agradeço pela atenção dispensada e aguardo ansiosamente pela manifestação do Eminente Ir.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Em linhas gerais, as Compagnonnages francesas - nome bastante sugestivo quando se trata e Maçonaria - eram corporações de ofício criadas pelos Templários. Essas corporações “templárias”, no entanto nada tem a ver com o Fellow Craft das Corporações de Ofício de pedreiros da Idade Média, ou a Franco-maçonaria.

            Em passant, a Ordem da Milícia do Templo, conhecida com Templários, não é o mesmo que Maçonaria, e nem mesmo sua precursora. As Compagnonnages dos Templários foram condenadas pela Sorbonne em 1655.

Lamentavelmente ainda existem autores que “acham” - talvez pela similaridade do nome - que Compagnonnage seja algo relacionado com o Companheiro Maçom, classe de operários da Franco-maçonaria ou Maçonaria Operativa.

Aos olhos da razão, na época dos ofícios francos, ambas as corporações, Compagnonnage e Franco-maçonaria, trabalhavam erigindo construções.

No tocante às Compagnonnages francesas, elas se caracterizavam por possuir alto caráter de religiosidade, algo herdado da Ordem da Milícia do Templo, sua protetora. Também, possuíam regras severas de disciplina. Seus membros eram na sua grande maioria Templários construtores que edificaram formidáveis cidadelas, fortificações militares, pontes, passarelas, dentre outros.

Diferente da Franco-maçonaria, as Compagnonnages não tinham o estilo gótico como característica principal que notadamente era aplicado pelos maçons construtores nas edificações de igrejas, catedrais, mosteiros e abadias da Idade Média. Esse estilo construtivo, servido de grandes arcos ogivais, era tão importante para a Maçonaria que o seu declínio, pelo advento do Renascimento, também decretou a decadência da Maçonaria Operativa (de Ofício).

No que se refere à história da Franco-maçonaria (ofícios francos), ela revela corporações de canteiros independentes e livres de locomoção pela Europa medieval. De maneira especial, os maçons operativos davam um elevado caráter religioso ao trabalho, nomeadamente herdado do clero para quem construíam enormes catedrais (vide a história da Franco-maçonaria).

Evidentemente, não cabe aqui nenhum um relato minucioso dessa história, mas é bom que se diga que o REAA não tem nenhuma relação litúrgica, ritualística iniciática e nem mesmo adota rituais da Compagnonnage, especialmente o citado nessa questão como "Ritual de Partida do Companheiro". Enfim, Compagnonnage e Companheiro Maçom são coisas distintas.

Em se mantendo fidelidade aos rituais de Companheiro Maçom do GOB, recomenda-se segui-los irrestritamente. Mesmo se admitindo outros temas instrutivos para o 2º Grau, o que é perfeitamente admissível para o enriquecimento da cultura histórica e iniciática maçônica, esses temas, quando doutrinários, devem ser sempre relacionados à Maçonaria, e não à instruções templárias.

À vista disso, recomenda-se, primeiramente, as instruções oficiais que constam no Ritual vigente. Em seguida, com o fito de enriquecer os conhecimentos, aconselha-se material bibliográfico relativo à Maçonaria, particularmente ao REAA.

Assevera-se que no contexto ritualístico de Companheiro Maçom do REAA/GOB, genuinamente nunca existiu esse tal “Ritual de Partida dos Companheiros”, algo que aparenta ser de doutrina templária e não de Maçonaria.

Para concluir, vale ressaltar que sendo bem compreendida a Arte, longe estará a atitude de se confundir Maçonaria com Ordem Templária. Também não há como assegurar, documentalmente, que a Maçonaria é filha espiritual da Ordem dos Templários (Estatutos de S. Bernardo).

 

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

http://pedro-juk.blogspot.com.br

jukirm@hotmail.com

 

 

SET/2026

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