sexta-feira, 10 de março de 2017

O REI INICIADO

Em 18/11/2016 o Respeitável Irmão Luiz Carlos Goulart, sem mencionar o nome da Loja, REAA, GLESP, Oriente de Registro, Estado de São Paulo, apresenta a questão seguinte: 
O REI INICIADO.
Existe comprovação histórica de que o Rei Jaime I da Inglaterra teria sido iniciado na Maçonaria antes de assumir o trono? Teria depois de coroado incentivado a criação de Lojas na Inglaterra?
Carlos l teria também iniciado na Maçonaria por influência do pai?
Desculpa-me se estou referindo-me as famosas baboseiras, mas é o que encontramos escrito em até por respeitáveis irmãos e isso nos deixa na dúvida; mas se for verdade fica mais fácil compreender certas passagens.
CONSIDERAÇÕES.
Penso que todos esses são boatos exarados pelo ufanismo de alguns e de outros que quere justificar o pouco provável. Muitos confundem e inventam "estórias" que não merecem créditos. O que não se pode negar são possibilidades já que o dinamismo da história está em achar algum documento fidedigno que comprove uma afirmativa. Antes disso, nada mais existe senão as suposições, as especulações e a danosa invenção.
T.F.A.
PEDRO JUK     jukirm@hotmail.com

MESTRE INSTALADO

RESPOSTA - FEV/2017
Em 22/11/2016 o Respeitável Irmão Osni Adres Lopes, Triângulo Maçônico Colunas da Harmonia, 301, REAA, Oriente de Congonhinhas, Paraná, sob aos auspícios da Loja Quintino Bocaiuva III, nº 09, Grande Oriente do Paraná (COMAB), Oriente de Cornélio Procópio, Estado do Paraná, apresenta as questões seguintes:  
QUESTÕES SOBRE MESTRE INSTALADO.
Recorro novamente à vossa costumeira e fraterna gentileza, para submeter às questões abaixo às devidas considerações.
Para alguns Irmãos deve ser um enorme sacrifício admitir que eventualmente estejam errados, mas, como todo maçom, antes de mais nada, é humano...
Em meus poucos na Ordem tenho observado alguns desses, vamos denominar, equívocos, que fico a imaginar, como um Irmão como você, não só com muitos anos, mas com conhecimento e experiência cabalmente demonstrados no dia-a-dia, já não deve ter presenciado?!
E no teu caso, deve ser ainda mais incômodo, até mesmo pela oferta que você cotidianamente faz aos maçons, de um modo geral, desse conhecimento e experiência.
Mas, para poupar (vosso precioso) tempo, vamos às dúvidas (na verdade não as tenho como 'dúvidas') presentes:
Sei que exaustivamente você já discorreu sobre a condição de Mestre Instalado não ser 'grau', mas a imensa maioria continua ignorando isso, e lascando M\ I\ nos livros de presença.
Eu até já fui questionado por que insiro M\M\, e para o circunstante eu explico o motivo.
E digo mais, inclusive que obviamente não é uma atitude depreciativa à condição, mesmo porque tenho imensa satisfação em ter sido Instalado e ter presido uma Oficina por duas gestões.
Lamento que ainda que eu 'explique' o porquê faço constar o grau, em que de fato (e de direito, claro) estou, mas percebo que não convenço 'muito', ainda mais quando o inquiridor também é Mestre Instalado, e este já tenha registrado essa condição no espaço próprio para grau. Confesso que geralmente fico constrangido com tal tipo de situação.
A outra, (também vamos chamar de 'dúvida'), é a insistência que um Irmão (mas sei que muitos o fazem) costuma exigir (pasme) que se registre na Ata que ele, na condição de 1º Vigilante, foi o 'Venerável' da sessão em que substituiu o Venerável (de ofício)!
Como diriam alguns: "pelamor...".
De nada adianta explicar que a condição de 'Venerável' é só de quem tenha sido eleito, devidamente Instalado (ou apenas empossado - se já tiver sido Instalado anteriormente, é claro) assuma o chamado '1º Malhete'.
De nada adianta explicar que até mesmo um Mestre Instalado que esteja substituindo temporariamente o Venerável, também não deverá ser denominado como tal, mas sim como Presidente, porque de fato é o que ele é naquela circunstância.
O grave disso tudo, caro Irmão, tanto na questão do grau quanto na exigência que o substituto temporário do Venerável (e bem claro, esse substituto nem Mestre Instalado é - e mesmo que fosse...), acaba por confundir até Irmãos antigos, mas que se submetem a essas (e outras) informações absolutamente equivocadas, e vão levando isso consigo, muitas vezes passando adiante, criando assim uma verdadeira legião de 'analfabetos maçônicos'.
Desculpe a maneira extensa que utilizei para solicitar tuas considerações, as quais, inclusive (e evidentemente) podem me contestar sem o menor constrangimento de minha parte.
CONSIDERAÇÕES.
Na questão da assinatura, essa cultura de colocar o título de Mestre Instalado como fosse ele um grau é uma erva daninha difícil de ser extirpada, já que as nossas Obediências não tomam nenhuma providência objetiva para orientar os seus Mestres Maçons portadores do título distintivo ou honorífico de Mestre Instalado. Essa "carcaça de dinossauro" vem de longa data e se compactua com a vaidade humana, fato que infelizmente se acha presente entre nós - pobres mortais Mestres Maçons.
Se esses que "acham" ainda que Mestre Instalado seja um grau maçônico desconhecessem a verdadeira história da Ordem. Se conhecessem o mínimo necessário certamente compreenderiam o papel contraditório que eles assumem quando defendem certas falácias. Eu diria meu Irmão que além da falta de instrução que tem feito com que certos "manos instalados" não compreendam os verdadeiros fatos, há ainda a vaidade humana, latente entre as nossas Colunas.
Eu não vou nem comentar a história e o fato de que a pura Moderna Maçonaria é composta por três graus tão somente e que Instalação é o ato de conduzir um Mestre Maçom à cadeira do dirigente da Loja - já escrevi bastante sobre isso. Nesse sentido eu sou um defensor de que Mestre Maçom assina como Mestre Maçom, já que Mestre Instalado é apenas um título distintivo para aqueles que foram um dia eleitos para o veneralato de uma Loja.
Quanto à questão do substituto eventual do Venerável, existe a precariedade da situação para a substituição e o título dado àquele que dirige uma Sessão Maçônica da Loja - esse, sendo ou não instalado, em se tratando de um substituto precário, é figuradamente naquele momento o Venerável da Loja, já que existe um verdadeiro Landmark da Ordem que exara ser uma Loja dirigida impreterivelmente por três Luzes - Venerável e os Vigilantes.
O cargo é designado como Venerável Mestre, cujo mestre maçom de ofício desse cargo foi instalado (empossado) da cadeira. Assim, um eventual substituto, mesmo que de momento é também o Venerável pelas circunstâncias que se apresentam - nesse caso a ordem dos tambores não altera o oleoduto.
Agora o que eu acho insignificante e até mesmo desproposital é haver discussão sobre essa situação ao ponto de se tomar tempo para dourar a pílula.
Nesse caso bastaria que na ata constasse que a Loja foi na oportunidade dirigida pelo Irmão Fulano de Tal em substituição ao Venerável Mestre de ofício pela sua ausência.
Precisamos entender que numa situação precária o substituto naquele momento assume o cargo de Venerável Mestre, fato que numa situação dessas não carece de uma instalação propriamente dita, já que a ocorrência é provisória, não definitiva.
Aliás, na França, país de origem do REAA\, instalação é simplesmente posse do Venerável e nada mais. Cumprido o seu tempo ele é simplesmente um ex-Venerável.
Por fim devo lembrar que a tradição de ser o Primeiro Vigilante o substituto do Venerável é muito mais antiga do que a cerimônia de Instalação na Cadeira da Loja, a lembrar de que a Maçonaria de Ofício, ancestral da Moderna Maçonaria não possuía nem templo nem ritos, já que as Lojas Operativas eram mesmo os canteiros de obra (autenticamente, deixando as fantasias de lado, a Maçonaria possui aproximadamente oitocentos anos de história documental).
T.F.A.
PEDRO JUK    jukirm@hotmail.com

OCUPAÇÃO DAS CADEIRAS DE HONRA

RESPOSTA - FEV/2017 
Em 21/11/2016 o Respeitável Irmão Paulo Fernandes, Loja Sebastião Vasconcelos dos Santos, 3.759, REAA, GOB, Oriente de Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte, solicita esclarecimentos para o que segue:  
OCUPAÇÃO DAS CADEIRAS DE HONRA
Sirvo-me do presente para, com toda deferência, lhe formular a seguinte consulta: Estando presentes o Soberano Grão Mestre Geral e o Sapientíssimo Grão Mestre, bem como o Eminente Grão Mestre Estadual e o Poderoso Grão Mestre adjunto, em sessão Maçônica, quem ocuparia a cadeira esquerda, já que a direito seria ocupada pelo Soberano Grão Mestre, de conformidade com o Decreto nº 1.469 de 12 de fevereiro de 2016?
CONSIDERAÇÕES
Os Adjuntos, num caso desses, tomam assento no lugar destinado às autoridades no Oriente conforme previsto no ritual, porém abaixo do sólio, já que o Decreto deixa bem claro que existem apenas duas cadeiras de honra - ratifico: apenas duas - e que serão ocupadas de acordo com o que prevê o Decreto 1.469. Assim, não se colocam mais cadeiras em hipótese alguma e segue-se a precedência conforme previsto no referido Decreto.
T.F.A.
PEDRO JUK     jukirm@hotmail.com

ENTRADA DO PAVILHÃO NACIONAL JB NEWS 2.241.

RESPOSTA - FEV/2017 
Em 19/11/2016 o Respeitável Irmão Paulo Roberto Carvalho, Loja Caratinga Livre, 0922, REAA, GOB-MG, Oriente de Caratinga, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão 
ENTRADA DO PAVILHÃO NACIONAL JB NEWS 2.241.
Em primeiro lugar informar-lhes que sou leitor/admirador do Irmão Juk, tanto no JB e suas obras. Entendi a pergunta do Irmão Marcelo sobre a formação da Comissão de 13 Membros e da Guarda de Honra. (Dec. 1476 GOB). Não ficou esclarecido se o número de Irmãos na Sessão era do Quadro de Obreiros ou o total de Irmãos Mestres presentes. Desculpe-me pelo questionamento! Estive Orador na administração da minha Loja 2013/2015, o Irmão Mestre de Cerimônias estava com dificuldade para atender o Decreto 1.476, são necessários 17 Irmãos. Pois bem, solicitei que convidasse os Irmãos do Oriente (Autoridades Faixa 1, 2, 3....) para recepcionar a MAIOR AUTORIDADE da Loja. No meu entendimento, existem Irmãos com direito ao assento no Oriente, que entendem não ser obrigado a prestar trabalhos nas Sessões. Se observarmos o Art. 15 do Decreto:
Art. 15. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação no Boletim do Grande Oriente do Brasil e revogam quaisquer disposições em contrário, inclusive as constantes de rituais.
No meu humilde entendimento, pode-se a Loja funcionar com os Sete Mestres que a compõe, terminado o Culto ao Pavilhão Nacional, todos os Irmãos colaboradores retornarão aos seus devidos lugares. PS. No "Oriente" da minha Loja, entre Altar, Dignidades, Autoridades e Oficiais, comporta 40 Irmãos! No "Ocidente" mais 85 Irmãos.
CONSIDERAÇÕES.
Evidentemente se a Loja não possuir no momento Irmãos suficientes em uma Sessão Magna e nela estiverem presentes Irmãos Mestres visitantes, o Mestre de Cerimônias pode solicitar ajuda, inclusive daqueles sem cargo que estiverem ocupando o Oriente (não participam os ocupantes das duas cadeiras de honra) para compor a Comissão e a Guarda de Honra. O que eu ratifico é que todos sejam Mestres Maçons.
Devemos sempre usar o bom senso. Se mesmo com visitantes não houver número suficiente, reduz-se o número de membros da Comissão de Recepção.
Outro aspecto que deve ser avaliado é a questão dos "melindres" quando se tratar de convidar uma "autoridade" para compor uma comissão de recepção. Essa seria uma questão para ser avaliada de momento pela experiência do Venerável e do Mestre de Cerimônias.
Infelizmente, nem todos entendem que um dos escopos da Maçonaria é a humildade.
T.F.A.
PEDRO JUK       jukirm@hotmail.com

COBERTURA DO TEMPLO

Em 16/11/2016 o Respeitável Irmão Rodrigo S. Peixoto, Loja Acácia Laranjeirense, REAA, GOB-PR, Oriente de Laranjeiras do Sul, Estado do Paraná, formula a seguinte pergunta:  
COBERTURA DO TEMPLO
Tenho a seguinte dúvida, que me ocorreu após observar algumas situações em Loja e em outras Oficinas durante visitas.
Quando o 1º Vigilante ordena que o Cobridor Interno verifique se o Templo está coberto, e o mesmo comunica ao Vigilante que o Templo encontra-se coberto, teoricamente não haveria comunicação com o mundo profano, correto?
Bom, desta maneira, tenho observado que alguns Irmãos insistem no uso do telefone celular conectado à internet em alguns momentos da Sessão. Sendo assim, acredito que ao fazerem isto, de certo modo o Templo deixaria de estar totalmente coberto, existindo a presença de "goteiras virtuais", pois há comunicação externa.
Gostaria que o Irmão expusesse a vossa opinião a respeito do tema, o qual em particular, considero extremamente nocivo às nossas leis.
CONSIDERAÇÕES.
A cobertura do Templo genuinamente trata do sigilo maçônico (um dos Landmarks da Ordem), já que nas sessões cobertas, isso é de participação exclusiva de maçons, não se admite a presença de não iniciados, ou mesmo de obreiros que não possuam grau suficiente para participar nos trabalhos da Loja.
A origem da cobertura e o seu processo de telhamento advém da Maçonaria de Ofício e a proteção das técnicas construtivas contra os "cowans" (em tradução livre de um dialeto escocês - aquele que assentava pedras sem argamassa), ou os inabilitados para o trabalho. Também fazia parte da cobertura do recinto (canteiro) o cuidado com os planos da Obra e os seus segredos profissionais.
Com o advento da Moderna Maçonaria (especulativa por excelência) o sigilo das suas práticas se tornaria de caráter iniciático, doutrinário e sociológico. Nesse sentido é que permanece a prática da cobertura nos trabalhos da Loja, não de caráter oculto ou místico, mas de ofício prático pela própria doutrina maçônica.
Infelizmente querem alguns tratadistas sugerir o contato do espiritual com o material entre o recinto do Templo e o seu exterior. Embora de caráter sugestivo, sob o ponto de vista autêntico, nada mais é do que pura especulação. Na verdade a cobertura da Sala da Loja é uma regra tradicional haurida dos Canteiros Medievais - ancestrais da Moderna Maçonaria - como anteriormente mencionado.
Agora, o uso de parafernália eletrônica que já se tornou patológica entre alguns dos nossos Irmãos, é simplesmente desrespeitoso para com os trabalhos da Loja, cujo objetivo principal é buscar o aperfeiçoamento do Homem. Essas atitudes devem ser coibidas para não atrapalhar a ritualística e o desenvolvimento dos trabalhos maçônicos. Em síntese uso de telefones celulares, Internet, etc., durante a sessão não deve ser permitido.
Eu não trataria essa prática como "goteira virtual", senão como desrespeito e até falta de educação para com a assembleia de maçons. Alguns, ao que me parece, não aprenderam ainda a lição do amargo e do doce na alegoria maçônica. Isto é, faltam limites e, essa falta balize, não raras vezes, leva a doçura se tornar em amargor - poluindo o ambiente com ações e atos impróprios para aquele momento específico.
Finalizando, insisto em comentar que não sou contra a evolução da ciência e das artes, aliás, esse é um desiderato maçônico, entretanto sei que as coisas devem ser colocadas nos seus devidos lugares na organização da vida, seja ela de caráter individual ou coletiva.
T.F.A.
PEDRO JUK      jukirm@hotmail.com

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

ORIGEM DOS ESTANDARTES - LOJAS SIMBÓLICAS.

RESPOSTA - FEVEREIRO/2017
Em 01/12/2016 o Respeitável Irmão Rui Jung Neto, Ex-Venerável Mestre da Loja Concórdia et Humanitas, 56, Rito Schröeder, GLMERGS, Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, solicita a seguinte informação:
ORIGEM DOS ESTANDARTES - LOJAS SIMBÓLICAS.
O Irmão teria algum material sobre a origem do uso de Estandartes na Maçonaria, em especial pelas Lojas Simbólicas?
Grato e no aguardo.
CONSIDERAÇÕES.
Estandarte - substantivo masculino (do francês antigo: estandart), dentre outros, designa uma espécie de bandeira, geralmente retangular, com símbolos, brasões, etc., pendente de uma haste, serve como insígnia de corporações, clubes, confrarias, comunidades religiosas, etc.
O uso dos Estandartes na Maçonaria ganhou caráter generalizado e obrigatório a partir do aparecimento oficial da Maçonaria Organizada em 1717, muito embora anteriormente muitas Corporações de Ofício (Guildas Operativas) do passado, principalmente na Escócia, já costumavam adotar esse tipo de pavilhão como insígnia da corporação - esse costume foi adquirido principalmente dos reinados, feudos e castas familiares da época que se identificavam pelo conteúdo do seu próprio estandarte (heráldica).
Também não há como negar essa influência sobre a Maçonaria de Ofício, a própria Igreja que, pelos seus priorados, comunidades e dioceses costumavam adotar a prática do Estandarte como identidade - muitas Associações Monásticas e Confrarias Leigas a exemplo dos Cistercienses, Beneditinos e Mestres Comancinos já adotavam na época o seu uso. Historicamente sabe-se que a Maçonaria floresceu a sombra da Igreja Medieval.
Assim a Moderna Maçonaria (especulativa) manteria essa insígnia como tradição identificativa da Loja como corporação - aquela que possui existência legal, tanto sob a tutela a Obediência, bem como Instituição sujeita ao cumprimento das leis do seu País.
Na autenticidade dos Estandartes, a heráldica dessa insígnia está em identificar a Loja pelos caracteres correlatos ao seu título distintivo e, junto com a carta constitutiva, serve para demonstrar o seu caráter de regularidade.
É sob esse prisma que muitos Ritos arvoram o seu Estandarte em Loja assim que a mesma é declarada aberta para os trabalhos. Infelizmente esse costume parece ter caído em desuso devido à presunção e ignorância de alguns "fazedores" de rituais que preferem mantê-lo arvorado mesmo com a Loja fechada. Cito o exemplo do REAA\ que possui inclusive o cargo de Porta-Estandarte, cuja finalidade principal genuinamente seria a de desfraldar o Estandarte na Loja quando declarada aberta e recolhê-lo na ocasião do encerramento - os "entendidos" esqueceram-se desse importante momento litúrgico, embora hilariamente tenham até inventado a tal da "sagração de estandarte", cerimônia inexistente na pura Maçonaria, provavelmente para satisfazer os adeptos da pavonagem.
T.F.A.
PEDRO JUK jukirm@hotmail.com

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

TAMANHO E PROPORÇÃO DO TEMPLO.

RESPOSTA - FEVEREIRO/2017
Em 01/12/2016 o Respeitável Irmão Elois Rodrigues, Loja Flor da Acácia, 3.394, REAA, GOB-PR, Oriente de Francisco Beltrão, Estado do Paraná, solicita as informações seguintes:
TAMANHO E PROPORÇÃO DO TEMPLO.
Passei a admirá-lo, e cada vez mais motivado a estudar sobre a Arte Real quando tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente na ocasião do ERAC 2015, em Cascavel, no qual eu apresentei a Peça de Arquitetura com o tema "Tríplice Argamassa Maçônica como Agente Modificador da Sociedade Profana".
Na ocasião, como Aprendiz Maçom. fiquei extasiado com as explicações que o Irmão nos deu sobre os mais variados assuntos da Maçonaria.
Hoje escrevo para fazer mais uma pergunta.
Estamos, os obreiros de nossa Loja, intencionados em construir o nosso próprio templo, dentro dos princípios exigidos pelo REAA do GOB.
Hoje as nossas oficinas ocorrem em um templo alugado das Grandes Lojas.
O layout é levemente diferente do que está contemplado na planta do nosso Ritual. Porém, agora que estou desenhando o nosso futuro templo, projetando em 3d no computador, não encontrei em lugar algum as medidas de um templo, ou a proporção do mesmo (a não ser as medidas simbólicas, aprendidas nas instruções).
Nas minhas pesquisas na internet encontrei duas possíveis proporções: Uma, que diz que o templo deve ter a proporção de 3 por 1, para poder ser dividido em 3 quadrados iguais, como o templo de Salomão (Ex: se tiver 60 m de comprimento, deve ter 20 m de largura, sendo subdividido em 20 m no oriente, e 40 m para o restante do templo).
E outra proporção que diz que o Templo deve ter a Proporção Áurea, que e aproximadamente 1x1,618.
Nas visitas que fiz em minha breve vida maçônica (hoje como Companheiro Maçom) pude verificar os mais variados tipos de templos. Com colunas fora do templo, com paredes às vezes vermelhas, às vezes azuis, com o piso mosaico em todo o ocidente, com piso mosaico somente no centro, e com as mais variadas proporções (comprida, curta, larga, etc.).
Portanto pergunto: Qual seria a forma justa?
CONSIDERAÇÕES.
Antes de tudo precisamos aprender desde cedo que como partícipes da Moderna Maçonaria, praticamos o simbolismo como base doutrinária e não a interpretação literal de alguns fatos que compõem o relicário doutrinário da Ordem.
Em se tratando do REAA\ existe um parâmetro de proporção simbólica que prevê um quadrado para o Oriente, um e meio para o Ocidente e meio para o átrio. Quanto a sua altura, ou o pé-direito, a mesma deve ser compatível com o ambiente com altura maior na distância entre o zênite da abóbada e o pavimento.
A despeito dessas recomendações, cada Loja constrói seu Templo de acordo com as suas necessidades, desde que pelo menos haja possibilidade de que no espaço se possa desenvolver o trabalho ritualístico previsto no ritual.
Infelizmente ao longo dos tempos muitos místicos e ocultistas tentaram impor as suas crenças à prática maçônica como se a sala da Loja fosse uma espécie de palco para credos individuais, experiências metafísicas ou coisas do gênero.
Outra invenção é aquela de que alguns fantasistas querem comparar o Templo maçônico com o lendário Templo de Jerusalém (para alguns, o de Salomão). Ora isso é pura bobagem, pois a construção do Templo é apenas uma alegoria usada pela Maçonaria para aplicar o seu corolário doutrinário embasado mais na moral, ética e sociabilidade do que numa construção palpável e literal.
Também existem as concepções técnicas da arquitetura que não raras vezes são mistificadas por alguns autores maçônicos o que tem trazido mais confusão do que propriamente um exemplo de aplicação doutrinária.
Por fim, devemos lembrar que possuímos aproximadamente oitocentos anos de história documental e tivemos forte influência da Igreja, o que viria dar ao primeiro templo maçônico especulativo, em meados do século XVIII, inegável contribuição para o desenvolvimento da orientação do espaço de trabalho especulativo maçônico, além da distribuição mobiliária que está muito próxima ao parlamento britânico.
Isso implica que genuinamente a Loja definitivamente não é cópia, arquétipo ou estereótipo do templo bíblico de Jerusalém (Primeiro Templo), senão um canteiro de obras decorado conforme o rito praticado pela Moderna Maçonaria.
T.F.A.
PEDRO JUK     jukirm@hotmail.com