sexta-feira, 10 de março de 2017

TRAJE, INDUMENTÁRIA E PARAMENTOS

RESPOSTA - MARÇO/2017
Em 21/12/2016 o Respeitável Irmão Dalmir Dias Laport, Loja Universitária Prof. José de Souza Herdy, 3.304, Rito Moderno ou Francês, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, solicita esclarecimentos.
TRAJE MAÇÔNICO E PARAMENTOS MAÇÔNICOS.
O Irmão poderia informar qual a diferença entre "indumentária maçônica", "traje maçônico" (principalmente quando a este se referem como "rigor maçônico") e "paramentos maçônicos"? Seria grato se pudesse me orientar neste sentido.
CONSIDERAÇÕES.
Indumentária - substantivo feminino; é a arte do vestuário. Classifica-se também como a história do vestuário em relação às épocas ou povo. É o traje, o indumento, o vestuário, nesse caso, aquele usado pelos maçons nas sessões maçônicas.
Traje - substantivo masculino; é a vestidura habitual. É o vestuário próprio que, no caso da Maçonaria, veste cada um dos seus membros de acordo com a legislação maçônica determinada pela Obediência. É o traje usado pelo maçom nas suas reuniões que, dependendo da situação, pode ser o vestuário chamado terno ou parelha, bem como, admitido em alguns ritos, também o balandrau negro e talar. Em se tratando do terno ou da parelha, compõe o traje a camisa branca, gravata preta e sapatos e meias pretas. A cor da gravata pode variar de acordo com o rito praticado. Admite-se também a cor azul escuro para ternos e parelhas. O traje a rigor (não deveria ser "rigor maçônico") é justamente o terno ou a parelha. Na verdade, por definição um traje a rigor masculino é a roupa de cerimônia que se usa à noite em reuniões de gala, bailes e banquetes e inclui casaca, smoking, dentre outros. Por extensão, o traje a rigor usado na Maçonaria é aquele previsto para as Sessões Magnas, tanto públicas como aquelas restritas somente aos maçons. Esclareça-se que o termo "terno" (três) é o traje composto por três peças de vestuário - o paletó, o colete e a calça. Já a parelha (par) é o traje composto por duas peças de vestuário - o paletó e a calça. Em alguns países latinos, como o Brasil, o uso do terno pela Maçonaria está diretamente ligado à Igreja e o traje de missa. Em outros pelo mundo é haurido dos costumes e tradições de cada país - não é universal o uso do terno ou da parelha preta na maçonaria - universal é o uso do avental.
Paramento - substantivo masculino; é dentre outros o enfeite, o ornato o atavio. Designa em arquitetura a face polida de uma pedra ou madeira destinada às construções. Menciona também que são as roupas pomposas com que os sacerdotes celebram as cerimônias do culto. Os maçons, tanto nos três graus simbólicos como nos altos graus, para os ritos que os possuem, devem estar revestidos com seus paramentos por sobre os seus trajes durante as sessões, não sendo permitido delas se participar sem que se esteja devidamente paramentado. Os principais paramentos pessoais de um maçom são: aventais, faixas ou fitões, colares, punhos, luvas, tiaras, chapéus.
T.F.A.
PEDRO JUK 

VIDA FUTURA OU REENCARNAÇÃO

RESPOSTA - MARÇO/2017.
Em 18/12/2016 o Respeitável Irmão Marco Nascimento, Loja José Caraver, 101, REAA, GLEMERGS, sem mencionar o nome do Oriente (cidade), Estado do Rio Grande do Sul, solicita parecer sobre a seguinte questão:
VIDA FUTURA OU REENCARNAÇÃO.
Conversando com alguns Irmãos ficamos com uma duvida sobre o Landmark nº 20 que diz textualmente o seguinte:
"Subsidiariamente a essa crença é exigida a crença em uma vida futura".
Um dos Irmãos entende que podemos entender como a possibilidade de Reencarnação e outros entenderam que a "vida futura" ali constante refere-se ao um princípio Cristão de vida "Eterna".
Diante destas duvidas, como o Irmão pode nos ajudar a um melhor entendimento sobre este tema.
Fico agradecido pela compreensão do Irmão e a luz que poderá nos trazer ao tema em questão.
CONSIDERAÇÕES.
Esse tipo de classificação de Landmark é muito discutível e sua adoção não é parte integrante da pura Maçonaria, tanto que muitas Obediências não consideram mais a classificação de Albert G. Mackey, como é o caso do Grande Oriente do Brasil.
Verdadeiros Landmarks da Ordem devem ser imemoriais, espontâneos e universalmente aceitos - veja, por exemplo, a classificação de Findel, Pound, dentre outras autênticas classificações.
Dentro dessa concepção, os legítimos Landmarks adotados na Moderna Maçonaria são apenas aqueles que se enquadram na qualidade acima sublinhada, como por exemplo, o da Loja ser dirigida por três Luzes, o de que os seus trabalhos são cobertos (sigilo), ser essencialmente masculina, etc.
Segundo autores confiáveis (pelo que eu concordo) o número dessas classificações chega ao máximo ao número de sete ou oito.
No caso do Landmark mencionado na questão ele é completamente contraditório, pois está impondo uma crença o que é incompatível com a prática da liberdade de consciência do Homem. Não é o mesmo do que acreditar na existência de Deus, já que a Maçonaria deixa a possibilidade de se admitir o Criador à maneira particular de cada um, seja ela de tendência deísta ou teísta, tanto que o termo Grande Arquiteto é modo conciliatório para se admitir a existência de Deus independente da religião.
Agora, vida futura, reencarnação, etc., é particularidade de religiões e essas são de foro particular de cada Irmão, nunca coletiva na Ordem, não se admitindo na Maçonaria nenhum proselitismo religioso (existem razões históricas para isso). Nesse sentido é que esse Landmark mencionado (o vigésimo) é no mínimo contraditório com o ecumenismo maçônico, pois além de admitir dogma, ainda prescreve a exigência de crença.
T.F.A.
PEDRO JUK jukirm@hotmail.com 

ORAÇÃO

RESPOSTA - MARÇO/2017
Em 17/12/2016 o Respeitável Irmão Matheus Casado Martins, ex Secretário Geral de Orientação Ritualística do GOB, REAA, GOB-ES, Oriente de Vitória, Estado do Espírito Santo, formula a seguinte questão:
ORAÇÃO
Tive o prazer de desfrutar dos seus conhecimentos ainda quando eu ocupava a Secretaria Geral de Orientação Ritualística do GOB.
Ainda, depois de ocupar por sete anos a pasta e ter sido substituído pelo saudoso Irmão Gouveia, recebo consultas informais e, uma delas, submeto ao Poderoso Irmão e solicito que me oriente para não destoar da orientação a ser obedecida.
No encerramento, quando o Venerável Mestre faz a Oração, muitas Lojas entendem que se energizam e consideram salutar, que todos professem a oração, em conjunto, isto é, que repitam com o Venerável Mestre a oração final. "... Grande Arquiteto do Universo, fonte fecunda...".
Há proibição que os irmãos repitam simultaneamente com o Venerável Mestre a oração?
Desde já agradeço a atenção.
CONSIDERAÇÕES
Na verdade essa não é uma manifestação religiosa, porém uma prédica de reconhecimento e súplica em respeito à Criação e ao Criador no final dos trabalhos maçônicos. É costume que o Venerável Mestre, de acordo com o rito praticado, profira palavras em nome de toda a Augusta Loja. Nesse sentido, está previsto no ritual que é ele quem pronuncia o texto sem participação e acompanhamento vocal da assembleia.
Esse critério é usado na Moderna Maçonaria porque ela dá a cada um a responsabilidade do seu ofício, dentre os quais, o Venerável nesse sublime momento do encerramento. Assim, por não estar previsto no ritual esse acompanhamento vocal, apenas o Venerável faz o pronunciamento.
Penso que para não ferir os nossos usos e costumes, cada um pode, desde que no silêncio do seu interior, manifestar o seu sentimento ou mesmo mentalmente repetir a prédica, porém nunca em voz alta.
No que diz respeito a tal "energização" isso é credo pessoal e não pode ser generalizado nos trabalhos maçônicos, aliás, isso nem é prática maçônica autêntica, a despeito de que a Loja é uma Oficina de aperfeiçoamento moral e não um templo religioso. A arte está em destacar com sutileza e respeito às convicções de cada um no Canteiro de Obras especulativo, pois nos foi ensinado que na construção do Templo simbólico não se ouvia nenhum ruído oriundo das ferramentas utilizadas na sua construção. Assim, basta que apenas um proclame enquanto os outros ouvem.
T.F.A.
PEDRO JUK jukirm@hotmail.com 

COM A PALAVRA ENTRE COLUNAS

RESPOSTA - MARÇO DE 2017
Em 11/12/2016 o Respeitável Irmão Leonardo Pavani, Loja Perseverança e Fidelidade, 2.968, REAA, GOB-SC, Oriente de Araranguá, Estado de Santa Catarina, formula a questão abaixo.
COM A PALAVRA ENTRE COLUNAS.
Sei dos seus afazeres e as várias respostas que deves estar formulando. Vou lhe questionar mais uma vez, porém, não há necessidade de publicação desta resposta. Quando um Irmão se posiciona "entre colunas" para apresentação de uma prancha, este faz a saudação as 3 Luzes, neste momento da saudação, é necessário que a cada saudação, pronuncie o "nome" de cada "Luz"? Por exemplo: Faz a saudação, pronuncia: V.'. M.'., faz a saudação, pronuncia: "Irmão 1º Vig.'.", faz a saudação, pronuncia: "Irmão 2º Vig.'.", ou apenas, faz-se a saudação?
CONSIDERAÇÕES.
Eu já escrevi bastante sobre isso. O que tem causado mistifório é o fato de que nem sempre quem estiver compondo um Sinal esteja propriamente saudando alguém, já que em Maçonaria a saudação sempre é feita pelo Sinal Penal do Grau.
No caso do uso da palavra, entre Colunas ou nas Colunas, ou ainda no Oriente em alguns casos, quando alguém é autorizado a falar, pela regra ele fala em pé, portanto à Ordem (isso não é saudação).
No momento do uso da palavra existe o protocolo de que o Obreiro inicia a fala mencionando as Luzes da Loja, autoridades (como um todo) e os demais (como um todo). Entretanto isso não é saudação pelo Sinal, é apenas um protocolo consuetudinário adotado por alguns ritos. Assim, terminada a fala, antes de tomar assento novamente, o protagonista desfaz o Sinal pela pena simbólica. Isso também não é saudação, é regra.
Ao fazer o uso da palavra ninguém faz saudações individuais como à mencionada na sua questão. Quem usar dessa prática estará simplesmente cometendo um equívoco.
Reforçando as minhas ponderações, no caso do GOB, está o ritual que é claro quando prevê que saudações em Loja somente são feitas ao Venerável Mestre quando da entrada e saída do Oriente ou às Luzes quando da entrada em Loja aberta (logo após a Marcha) ou saída definitiva antes do encerramento (não considerar as entradas e saídas formais das autoridades ou detentores de títulos de recompensa previstos no RGF).
Concluindo minhas considerações ratifico que no momento de usar a palavra o protagonista fica à Ordem, se dirige à assembleia mencionando as Luzes e os demais presentes na forma de costume sem desfazer o Sinal em nenhuma hipótese. A seguir faz o seu pronunciamento e, ao encerrá-lo, desfaz o Sinal antes de tomar assento. Lembro que em se tratando de se estar à Ordem, subentende-se que o Sinal já estará composto. Enfim, não existe a prática de se fazer Sinal individualmente a cada uma das Luzes ao mencioná-las protocolarmente.
T.F.A.
PEDRO JUK jukirm@hotmail.com

A ACLAMAÇÃO HUZZÉ

RESPOSTA - MARÇO/2017
Em 15/10/2016 o Respeitável Irmão Carlos Alberto C. Silva, Loja Lautaro, 2.642, REAA, GOSP-GOB, Oriente de São Paulo, Capital, mencionando uma resposta enviada, deixa um apontamento que merece consideração:
A ACLAMAÇÃO HUZZÉ.
Quero agradecer sua resposta. Como sempre, direto ao ponto e com alguns esclarecimentos adicionais que os servem como ensinamentos. Sua explicação sobre a aclamação Huzzé foi novíssima para mim e claro, já está devidamente incorporada. Confesso que não a tinha visto posta sob essa perspectiva antes. Sempre li que esta aclamação era algo relativo à alegria. Vi inclusive, análises etimológicas do termo e suas origens. Daí minha premissa para a ausência dela do Ritual de Grau 3.
CONSIDERAÇÕES.
Principalmente o maçom latino é dado a essas especulações e cogitações tão próprias de autores fantasistas e mesmo aqueles que querem impor a sua crença pessoal nos nossos mistérios.
Essa "estória" de associar Huzzé à chacras, epigástrio e outras ilações do gênero não fazem parte de uma Instituição como a pura Maçonaria que visa aperfeiçoar o homem e lutar pelo progresso da humanidade.
Infelizmente muitos escritores nada pesquisam e ficam difamando a nossa história publicando certos pasquins que não tem nenhum compromisso com a verdade - bem dizem que imaginar é fácil, difícil e pesquisar na procura da veridicidade.
Todo o arcabouço doutrinário da Moderna Maçonaria, fora as lendas bíblicas que nos servem como alicerce alegórico para o aperfeiçoamento moral, está embasado nas Leis da Natureza, seja ela pela feição deísta ou pela teísta. Precisamos aprender que a Maçonaria não é religião e nem é palco para proselitismos religiosos ou de crenças pessoais.
Não existe nada de novo embaixo do Sol. A Grande Obra está na arte da convivência entre os homens, seja qual for a sua crença, desde que ela, a crença, não seja contrária aos sãos costumes.
Para tudo existe uma explicação. Ideias ocultistas e práticas pessoais de credo não cabem na nossa Sublime Instituição. Para a Maçonaria em relação à religião, é suficiente que o homem a pratique e acredite em Deus que, de modo conciliatório, ela, Maçonaria prefere "O" definir como Aquele que É, que Foi e que Será, o Criador, o Grande Arquiteto do Universo, o que geometrizou a ordem e o equilíbrio.
Como Obra de Luz, a Maçonaria também destaca a saudação à volta da Luz e um novo ciclo que se inicia. Afinal essa é a essência iniciática, e não conceitos próprios de crenças suposições. Assim, Huzzé é a saudação simbólica pelo retorno da Luz no solstício de inverno no Hemisfério Norte - é a volta da Luz, é o renascimento do Mestre tido como a Luz do Mundo. Como se pode ver não precisamos de conceitos anacrônicos do ocultismo medieval para explicar o óbvio, pois afinal buscamos as Luzes do esclarecimento e não concepções hauridas das trevas da ignorância.
T.F.A.
PEDRO JUK jukirm@hotmail.com

DISPENSA DE SINAL E ADULTÉRIO

RESPOSTA - MARÇO/2017
Em 12/12/2016 o Respeitável Irmão José Aparecido, Loja Justiça, nº 12, REAA, Grande Oriente do Paraná (COMAB), Oriente de Maringá, Estado do Paraná, solicita esclarecimentos para o seguinte:
DISPENSA DE SINAL E ADULTÉRIO
O considero um grande pai da matéria da Maçonaria e se puder analisar o meu solicitado abaixo e nos dar um retorno, ficarei muito agradecido.
Tiver alguma matéria a respeito da dispensa do uso do sinal nas sessões por Irmãos que estão em idade avançada ficarei muito grato. Preciso também de alguma matéria ou princípios que fale a respeito da conduta do maçom em relação ao adultério, cometido por sem antes tomar a iniciativa de divorciar-se.
CONSIDERAÇÕES.
Matéria específica a respeito eu não tenho em nenhum dos casos, todavia existe o costume e a ponderação pela situação que vou tentar lhe passar como minha opinião.
No primeiro caso existe uma regra universal para alguns ritos maçônicos, como é o caso do REAA que, em Loja aberta, o Obreiro em pé e parado fica à Ordem. Obviamente que isso é claro e cristalino pelo costume consuetudinário - sem que isso precise propriamente estar escrito ao gosto dos carimbos e convenções peripatéticas da Maçonaria francesa.
A questão é a situação e o momento aplicado pela prática de se estar à Ordem levando-se em consideração o esforço necessário dispendido pelo gesto quando se tratar de um Irmão com idade avançada. Sabe-se perfeitamente que as posturas assumidas pelo Sinal, dependendo do tempo em que nela se permaneça, são realmente incômodas, acentuando-se esse desconforto no caso de obreiros sexagenários.
Assim, entendo que o Venerável deve ter desenvoltura suficiente para observar cada caso, situação e momento, podendo, nesse sentido, até dispensar o Sinal, desde que o mínimo necessário para a sua composição e cumprimento ritualístico seja cumprido - não é o caso de se dispensar pura e simplesmente alguém de compor e fazer o Sinal, entretanto se, a sua composição requerer muito tempo, então o Venerável toma a providência cabível.
Disso tudo, em se tratando de Irmãos de idade avançada, não se dispensa simplesmente a composição do Sinal, aliás, ninguém é dispensado, apenas o tempo da sua composição é que merece atenção em certos casos. Obviamente que isso não poderia estar escrito tal a complexidade de situações e nem mesmo poderia ser previsto um limite de idade para um Obreiro ficar à Ordem.
É oportuno salientar que alguns Veneráveis abusam dessa condição e ficam dispensando aleatoriamente qualquer obreiro de fazer o Sinal - isso é completamente irregular.
O segundo caso é uma questão de moral e costumes de acordo com o que se prevê principalmente na sociedade humana ocidental.
Em um caso desses há que se consultar o Código Penal Maçônico da Obediência, já que uma situação dessas se caracteriza em adultério e, em uma escola de aperfeiçoamento moral é um ato simplesmente inadmissível e abominável que deve ser denunciado na forma das nossas Leis.
Creio que matérias a respeito são mencionadas nos Códigos Penais em cujos artigos e parágrafos devem estar previstas as penalidades.
Sinceramente, é uma situação que não deve sequer seja admitida, pois isso afetaria toda a Instituição tal a sua gravidade. Um caso desses cabe denúncia à Loja ou diretamente ao Ministério Público Maçônico por parte de qualquer Mestre Maçom, se porventura quem de direito pense em acobertar uma barbaridade dessas.
Em síntese os códigos e promotores de justiça da Obediência devem possuir diploma legal para estancar e punir o envolvido na situação mencionada.
A propósito, as Antigas Obrigações das Associações de Ofício do passado já tratavam da questão da moralidade e da família. Vários desses manuscritos, a exemplo do Poema Régius (1.390) mencionavam essas regras conforme a sua época existencial.
Uma análise bem apurada nas primeiras sessões realizadas no Grande Oriente Brasílico no século XIX já indicavam a rejeição de candidatos por ordem moral - embora o Irmão Guatimozim tivesse deixado muito a desejar nesse sentido.
T.F.A.
PEDRO JUK jukirm@hotmail.com

CIRCULAÇÃO MESTRE DE CERIMÔNIAS E HOSPITALEIRO - ESTRELA DE SEIS PONTAS

RESPOSTA - MARÇO/2017
Em 09/12/2016 o Respeitável Irmão Paulo Fernandes, Loja Sebastião Vasconcelos dos Santos, 3;759, REAA, GOB-RN, Oriente de Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte, formula a questão seguinte:
CIRCULAÇÃO MESTRE DE CERIMÔNIAS E HOSPITALEIRO.
Há discussões no que diz respeito à circulação em Loja promovida tanto pelo Irmão Mestre de Cerimônias como pelo Irmão Hospitaleiro no sentido de que, respectivas circulações formam uma figura entrelaçada de dois triângulos equiláteros, representando uma estrela de 6 (seis) pontas, tendo um de seus vértices voltado para cima, e o outro voltado para baixo. Achei, com sinceridade, uma comparação, no mínimo, imperfeita, vez que, no momento em que os Irmãos deixam o Quadrante Oriental em busca do Primeiro Vigilante, no Ocidente, na volta, em direção ao Segundo Vigilante, os Irmãos descrevem um movimento circular, em meia lua, o que descaracteriza, de imediato, a comparação acima, isto é a figura de um triângulo equilátero.
Assim é que estimaria, com todo respeito, que referida dúvida nos fosse esclarecida. Agradecemos.
CONSIDERAÇÕES.
Sem dúvida meu Irmão a sua observação está corretíssima. Essa "estória" de estrela de seis pontas e ainda por cima mencionar que o trajeto dos oficias se dá por triângulos equiláteros é realmente coisa da pura imaginação. Na verdade uma bobagem, principalmente em se tratando de Rito Escocês Antigo e Aceito que, como filho espiritual da França, portanto deísta por excelência, nem possui no seu arcabouço simbólico a Estrela de Davi, ou a estrela de seis pontas, Blazing Star na vertente inglesa de Maçonaria.
Em se tratando de estrela, o REAA detém apenas a hominal. De origem pitagórica, a estrela de cinco pontas, conhecida na Maçonaria como Estrela Flamejante ou Flamígera, é objeto de estudo do Segundo Grau no simbolismo escocês.
Na verdade, a circulação dos oficiais por ocasião da Bolsa de Propostas e do Tronco simplesmente obedece à hierarquia entre as cinco Dignidades da Loja somada ao importantíssimo cargo de Cobridor.
Cabe então mencionar que as Dignidades verdadeiras da Loja no escocesismo são apenas cinco (não sete como equivocadamente prevê o GOB) - as Luzes da Loja (o Venerável e os Vigilantes) mais o Orador e o Secretário. Na sequência de abordagem entra também o Cobridor que é o guarda da cobertura interna durante a realização dos trabalhos (o Sigilo é um Landmark maçônico).
É dessa assertiva que o Mestre de Cerimônias e o Hospitaleiro abordam cada um desses respectivos cargos começando pelo Venerável indo até o Cobridor Interno como o primeiro ciclo da circulação.
Infelizmente algum inventor viu nisso uma representação de uma estrela de seis pontas, não obstante ainda no GOB, para entornar ainda mais o caldo, estar prevista a abordagem "dos Cobridores" (veja no ritual).
Na verdade isso é coisa de místicos e ocultistas que, no afã de divulgar as suas crenças enxertaram ideias que nada tem a ver com a racionalidade maçônica.
De fato precisamos extirpar essa bobagem que nada mais é do que uma daquelas carcaças de dinossauro oriundas do passado, mas que embora exaustivamente desmascarada por ritualistas autênticos, ainda encantam uma parcela dos quadros das nossas Lojas.
T.F.A.
PEDRO JUK jukirm@hotmail.com