domingo, 12 de março de 2017

ABÓBADA DO TEMPLO MAÇÔNICO - REAA

TEMPLO MAÇÔNICO – ABÓBADA

RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO


I - INTRODUÇÃO
ABÓBADA – Substantivo feminino (do latim: volvita = revirada) – é entre outras coisas, o teto arqueado e tudo o que é convexo e arredondado, na superfície exterior, e côncava e arqueada na parte interior. Para alguns Ritos Maçônicos o teto de uma Loja é normalmente arqueado para simbolizar o firmamento, já que o Templo representa simbolicamente e invariavelmente uma sessão da Terra, mais precisamente localizado sobre o equador terrestre e é representado por um quadrilongo[1], cujo comprimento (longitudinal) é orientado de Leste para Oeste ou do Oriente para o Ocidente e a sua largura de Norte a Sul (Colunas do Norte e do Sul), determinada pelo eixo longitudinal representado pelo equador que divide a Terra em dois hemisférios. A abóbada representa exatamente o céu ou firmamento sob o ponto de vista daquele que do hemisfério norte terrestre olha para céu.
Em se tratando de um Templo Escocês, a decoração do teto ou abóbada é geralmente estelar e esse costume tem como base originária o Antigo Egito, onde o exemplo mais belo e evidente dessa decoração pode ser observado no Templo de Carnac (Luxor). Todas as formas das partes arquitetônicas dos Templos Egípcios eram determinadas mais pelo seu aspecto simbólico do que propriamente pela sua função estética, já que os Templos representavam uma imagem simbólica do mundo, com o teto representando o firmamento, e o piso a Terra da qual brotavam colunas, como gigantescos papiros.
Atenção: A citação acima procura demonstrar apenas a origem do hábito de se estelar o teto, portanto não se está aqui afirmando que existisse Maçonaria, e muito menos Rito Escocês no Antigo Egito nessa época. Essa exposição tem apenas o caráter de explicar a origem de um costume que, pelo ecletismo maçônico acabou fazendo parte do arcabouço doutrinário da Ordem, levando-se sempre em consideração que a Franco-Maçonaria surgiu apenas na Idade Média cujas origens e elos estão dispostos entre as Associações Monásticas Medievais e posteriormente às Confrarias Leigas. Já o Rito Escocês Antigo e Aceito, teve sua origem no século XVIII, mas nunca como o nome definido de Rito Escocês, o que ocorreria somente em 31 de maio de 1.801 na cidade de Charleston, na Carolina do Sul nos Estados Unidos da América do Norte sobre o paralelo 33 da Terra.
A despeito dessas considerações e embora muitos Templos Maçônicos tenham o seu teto estrelado a esmo, fato considerado errado, o mesmo deve ser decorado, além das representações específicas como veremos adiante, obedecendo à posição relativa ao hemisfério norte, isso pelo simples fato de que a Maçonaria nasceu no referido hemisfério e, pelo seu aspecto apenas simbólico deve assim obedecer a essa orientação. Querem alguns tratadistas imaginosos, considerar que para aqueles Templos localizados no hemisfério sul, seja obedecido o mapa estelar do respectivo hemisfério. Ora, em primeiro lugar a Maçonaria Universal (Simbólica) não pode ser considerada diferenciada se praticada nesse ou naquele hemisfério, pois ela é única, exclusivamente simbólica e, sobretudo racional, diferenciando-se apenas pelas particularidades inerentes a cada Rito praticado, porém, igual em essência. Dessa forma, não há a necessidade de invenções fantasiosas, místicas e ocultas que buscam amparo em qualquer tipo de influência dos astros ou coisa parecida. Destarte, deve se observar a “liberdade” como princípio basilar da Ordem, que nesse caso, refere-se à crença pessoal de cada Irmão. Em segundo lugar, qualquer inversão de posições dentro de um Templo, implicaria na inversão total do seu conteúdo simbólico, afetando diretamente o arcabouço moral e doutrinário do Rito em questão, colocando em risco as orientações que primam pela racionalidade, a despeito daquelas repletas de imaginação e fantasia.
Nota importante: A presente Peça de Arquitetura refere-se ao Rito Escocês Antigo e Aceito apenas nos Graus Simbólicos, todavia, esses conceitos podem ser aplicados à Maçonaria Simbólica Universal de uma forma geral, desde que sejam respeitadas as particularidades de cada Rito na sua tradição e essência doutrinária, bem como aqueles que por ventura também façam uso do conjunto simbólico em questão.
II - CONTEÚDO ESTELAR DA ABÓBADA
Quanto à cor da abóbada, esta deve ser azul celeste, podendo, entretanto, nela haver uma gradativa mudança da tonalidade mais clara para o Oriente e mais escura para o Ocidente – representação da aurora e do ocaso do Sol.
Estarão representados na abóbada o Sol e a Lua, as constelações de Orion, Híadas, Plêiades e Ursa Maior, os planetas Mercúrio, Vênus, Júpiter e Saturno e as cinco estrelas: Arcturus (da constelação Bootes), Spica (da constelação Virgem), Aldebaran (da constelação Taurus), Régulus (da constelação Leão) e Fomalhaut (da constelação Piscis Austrinus), além da estrela Antares (na constelação de Scorpius).
II.1 - LUMINÁRIAS
O SOL e a LUA – o primeiro estará no Oriente e a segunda no Ocidente, mostrando com isso a transição do dia (Oriente) para a noite (Ocidente). É importante se observar que o Sol estará próximo ao dossel do Altar ocupado pelo Venerável Mestre, mas não propriamente sobre o zênite[2] e sim levemente deslocado para sudeste, considerando-se o ponto de vista do hemisfério norte onde nasceu a Sublime Instituição e o Sul (Meio-dia), mais iluminado que o norte (ver plano do teto do Templo em anexo). Quanto a Lua, em quarto - crescente, estará na abóbada, sobre a mesa ocupada pelo Primeiro Vigilante no Ocidente (ver plano do teto do Templo).
Nota: Observe-se que é o Venerável que abre a Loja enquanto o Segundo Vigilante observa o Sol na sua passagem pelo meridiano e o informa que é Meio-Dia. O Primeiro Vigilante, que o ocaso do Sol – Meia-Noite - fecha a Loja, paga os Obreiros e os despede contentes e satisfeitos. Notar a marcha aparente do Sol e a sua representação simbólica.
ATENÇÃO – Não confundir com o Sol e a Lua do Retábulo do Oriente.[3]
II.2 - CONSTELAÇÕES
ORION – Localizada na porção mediana entre a estrela Aldebaran e o meridiano do Meio-Dia, do zênite para o quadrante Sul (ver plano do teto do Templo em anexo). Essa constelação composta por três estrelas alude, dentre outros, ao número correspondente ao Grau de Aprendiz.
HÍADAS – Localizada no quadrante Norte - Nordeste, próxima ao horizonte boreal[4] e da estrela Arcturus (ver plano do teto do Templo em anexo). Essa constelação composta por cinco estrelas alude, dentre outros, ao número correspondente ao Grau de Companheiro.
PLÊIADES - Localizadas no quadrante Norte, entre o zênite a linha do horizonte boreal, perpendicular à constelação de Orion e um pouco próxima à estrela Aldebaran (ver plano do teto do Templo em anexo). Essa constelação composta por sete estrelas que contornam uma central (sete ou mais) alude, dentre outros, ao número correspondente ao Grau de Mestre.
Nota: Três governam a Loja (Orion), cinco a compõem (Híadas) e sete ou mais a completam e a tornam perfeita (Plêiades).
URSA MAIOR – É a constelação visível apenas no hemisfério norte e exprime um sentido de orientação tal qual o Cruzeiro do Sul está para o hemisfério sul. Partindo-se da premissa de que nosso ponto de observação é o do hemisfério norte, obviamente a sua representação encontra-se presente. Composta por sete estrelas encontra-se localizada bem próxima à linha do horizonte boreal, no quadrante Norte – Noroeste da abóbada (ver plano do teto do Templo em anexo).
II.3 - PLANETAS
MERCÚRIO – Planeta que é representado por uma estrela que está localizada na abóbada na sua porção oriental, quadrante nordeste, próximo ao Sol (ver plano do teto do Templo em anexo). Por ser o planeta que mais rapidamente circula em torno do Sol, cujo nome corresponde a um deus mitológico veloz e astuto, representa o Mestre de Cerimônias, pois esse Oficial maçônico, sempre circulando pelo Templo, como elemento de ligação, imita o planeta.
JÚPITER – Planeta também representado por uma estrela que se encontra localizada na abóbada em sua porção oriental, quadrante sudeste, entre o Sol e a linha do horizonte austral[5], entretanto mais afastada da linha do horizonte oriental do que Mercúrio (ver plano do teto do Templo em anexo). Júpiter no panteão dos deuses babilônicos representava o régio senhor dos homens, associado à força, simboliza o Primeiro Vigilante.
VÊNUS – Representada por uma estrela, o planeta encontra-se situado no zênite da abóbada, na porção ocidental próximo a linha do horizonte (ver plano do teto do Templo em anexo). Vênus, feminilizado na mitologia babilônica e sendo a deusa mágica da fertilidade e do amor, simboliza a beleza, por conseguinte o Segundo Vigilante.

SATURNO – O planeta é representado com os seus anéis e circundado pelos nove satélites naturais (luas). Está situado na porção ocidental da abóbada, próximo ao Oriente entre o zênite e a linha do horizonte austral, próximo da estrela Spica, (ver plano do teto do Templo em anexo). Corresponde ao deus babilônico frio e cruel; com seus “anéis”, simboliza a riqueza (metais), por conseguinte, por esse aspecto, simboliza o Tesoureiro.
Observação: A despeito de que a representação do planeta Saturno na abóbada demanda de uma arte mais apurada, o que muitas vezes se torna bastante dispendioso, é tolerada a sua representação através de uma estrela, obviamente que nesse caso, sem os anéis e as respectivas luas (satélites naturais).
II.4 - ESTRELAS
ARCTURUS – Situada o mais próximo possível da linha do horizonte boreal a Norte – Nordeste. É também conhecida como Estrela Polar (ver plano to teto do Templo em anexo).
SPICA – Situada no zênite da abóbada em sua porção inicial do Ocidente, o mais próximo possível de uma linha imaginária que se projeta da entrada do Oriente do Templo e perpendicular ao zênite (ver plano do teto do Templo em anexo).
ALDEBARAN – Essa estrela está situada no Ocidente e próxima à constelação de Órion, mais precisamente no eixo longitudinal da abóbada (zênite), mais próxima ao meridiano do Meio-Dia em sua porção anterior ao meridiano citado observado a marcha aparente do Sol (ver plano do teto do Templo em anexo).
RÉGULUS – Situada no quadrante noroeste da abóbada, próxima a Lua e quase sobre a mesa ocupada pelo Primeiro Vigilante (ver plano do teto do Templo em anexo).
FOMALHAUT – Situada próxima à linha do horizonte austral, mais precisamente a Sul - Sudoeste da abóbada, próximo ao meridiano do Meio-Dia, aproximadamente a retaguarda do Segundo Vigilante (ver plano do teto do Templo em anexo).
ANTARES – Situada no Ocidente entre o horizonte austral e a linha do zênite, sudoeste da abóbada, aproximadamente a esquerda do Segundo Vigilante (ver plano do teto do Templo em anexo).
Atenção – Não se deve confundir a estrela Fomalhaut com a Estrela Flamejante, pois entre ambas, o significado é bastante distinto, já que a primeira é realmente uma estrela descrita pela astronomia e se encontra visível no firmamento, enquanto que a segunda, apesar de possuir um elevado significado simbólico, principalmente para o Grau de Companheiro, não tem qualquer relação astronômica, devendo, portanto ser considerada como símbolo especulativo de origem pitagórica, embora para ela, exista um lugar definido na abóbada, como se verá mais adiante.
As primeiras cinco estrelas (Arcturus, Spica, Aldebaran, Régulus e Fomalhaut) representam as cinco Dignidades de uma Loja (Três Luzes – Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilante - Orador e Secretário), já que três governam, cinco a compõe e sete ou mais a completam. A sexta estrela (Antares) representa um dos Oficiais imprescindíveis na Loja – o Cobridor Interno, a despeito dos outros cargos não menos importantes e dentre os quais o Mestre de Cerimônias imperativo no Rito em questão para o funcionamento de uma Loja simbólica escocesa, que em hipótese alguma, poderia trabalhar sem a presença de pelo menos esses Oficiais. Daí uma das determinações de que uma Loja só pode ser aberta na presença de sete Mestres, observados o preenchimento dos respectivos cargos necessários para esse fim.
Nota Importante – O Grande Oriente do Brasil, por força de dispositivo constitucional e regimental, atualmente considera sete as Dignidades e não cinco como preceitua a Maçonaria tradicional. Levando em conta os cargos eletivos, considera-os todos como Dignidades de uma Loja. Entretanto, apesar de que o correto seriam cinco e não sete, enquanto persistir a errônea determinação, há que se obedecer às leis que emanam da Constituição.

II.5 - A ESTRELA FLAMEJANTE
Como anteriormente comentado, essa estrela não tem qualquer significado astronômico, entretanto, ela não deve ser posicionada a esmo na abóbada, já que, se não possui significado astronômico, ao contrário, ela possui um profundo conteúdo simbólico, principalmente para o Grau de Companheiro, a despeito de que a própria senha de reconhecimento do referido Grau é diretamente relacionada a ela. De origem pitagórica, também denominada como Estrela Hominal ou Pentalfa, ela possui a característica de conter em seu centro a letra “G” correspondente a inicial da palavra “GEOMETRIA” ou “QUINTA CIÊNCIA” e deve ser sempre posicionada com apenas um ápice para cima, o que lhe dá o sentido da “teurgia” como Obra da Luz. Por esses aspectos e além de muitos outros inerentes ao Segundo Grau Maçônico, a Estrela Flamejante assume uma postura de Luz Intermediária, portanto, deve ser posicionada entre a Luz Ativa (Sol - Sabedoria) e a Luz Passiva ou Reflexa (Lua - Efeitos). Dessa forma, a mesma deve se posicionar no meridiano do Meio-Dia, sobre a mesa ocupada pelo Segundo Vigilante, mas um pouco à frente deste e, se possível, deve ser iluminada por uma luz cálida, todavia suave (ver plano do teto do Templo em anexo).
Esses são os elementos decorativos da Abóbada Celeste que representa o firmamento nos Templos Maçônicos, observado o Rito praticado. Todavia, não existe a obrigatoriedade de que o Templo possua uma abóbada tradicional, principalmente se considerado o dispêndio financeiro para a sua execução. Se não for possível a sua construção, é perfeitamente admissível um teto plano, desde que o mesmo seja obrigatoriamente pintado na cor azul celeste e nele contenha pelo menos o Sol, a Lua e a Estrela Flamejante, se observado as suas posições de acordo com o que preceitua as nossas normas e tradições.
Quanto às nuvens, estas são perfeitamente dispensáveis, pois são meros elementos decorativos, portanto, desprovidos de qualquer significado simbólico.
II.6 - AS ESTRELAS QUANTO A SUA FORMA, COR E TAMANHO.
a)     QUANTO A SUA FORMA – Obedecem ao padrão universal de representação (cinco pontas).
b)     QUANTO A SUA COR – Para a Maçonaria, não existe qualquer padrão definido nem diversificado. Embora alguns ocultistas assim queiram determiná-las, correlacionando-as às suas interpretações, esse procedimento está em total desacordo e não encontra qualquer sustentação no basilar sentido racional da Sublime Instituição. Entretanto, o aconselhável, é que se determine uma cor mais próxima possível da realidade visível, o que nos leva a sugerir uma cor prateada que, além da sua discrição, obedece a um padrão estético de equilíbrio e bom gosto. Essa regra só não se aplica à Estrela Flamejante que, pela sua característica particular, deve diferenciar-se das demais. Embora a própria letra “G” já faça essa diferença, é interessante que a mesma possua uma cor diferenciada, pelo que sugerimos uma tonalidade de azul escuro, contrastando com o fundo azul celeste da abóbada, de modo que a letra “G” seja doirada.
c)     QUANTO AO SEU TAMANHO – Aqui existem algumas regras a serem observadas: Determinar o seu tamanho seria impossível, pois esta deve obedecer a uma proporção à área da abóbada, entretanto essa área só pode ser obtida quando se sabem as dimensões do Templo. Como medida paliativa, deve-se observar a regra pela qual o aspecto decorativo não assuma uma forma carregada e nem tão pouco, em oposição, se perca pelo seu tamanho por demais reduzidos. Resumindo: o decorador deve usar o bom senso do equilíbrio. Agora, o que deve sim existir, é uma diferenciação no tamanho quanto a sua representação, ou seja: as seis estrelas denominadas Arcturus, Spica, Aldebaran, Régulus Antares e Fomalhaut e também aquelas que representam os planetas – Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno (se for o caso) - devem ser maiores na proporção de dois para um, do que àquelas que formam as constelações de Órion, Híadas, Plêiades (excetuando-se a estrela central dessa constelação) e Ursa Maior.
Deve existir também uma diferenciação entre as seis estrelas (Arcturus, Spica, Aldebaran, Régulus Antares e Fomalhaut) e àquelas que representam os planetas; não em tamanho, mas no seu conteúdo de preenchimento. Essa diferenciação é obtida da seguinte forma: as estrelas que representam os planetas devem ter o interior do pentágono inscrito - formado pelos vértices internos da estrela – “vazado”, isto é, sem a cobertura da cor correspondente, aparecendo como fundo, o azul celeste da abóbada, fazendo com isso que essas estrelas tenham apenas as suas respectivas pontas cobertas pela cor que lhes é característica, aspecto esse que as diferenciará das demais, assumindo com isso, um caráter distinto quanto à finalidade da sua representação (ver a forma diferenciada no plano do teto do Templo em anexo).
Outra observação a ser feita, é quanto à estrela central da constelação Plêiades. Essa estrela deve ser um pouco maior do que as que a circundam, te tal forma, a diferenciá-la destas, todavia, deve-se tomar o cuidado de não torná-la demasiadamente grande, a ponto de ser comparada em tamanho com as estrelas isoladas (Arcturus, Aldebaran, Spica, etc.), bem como com as que representam os planetas.
Quanto a Estrela Flamejante e o seu tamanho, esta deve ser representada como a maior dentre todas as estrelas, de tal maneira à bem diferenciá-la de todas as outras, observado o cuidado de não se praticar o exagero.
O caráter proporcional deve ser também observado quanto às luminárias terrestres – o Sol e a Lua – principalmente relacionado-as ao tamanho da abóbada a ser decorada, aspecto esse que determinará em segunda instância a proporção no tamanho da estrela, se bem observada essa relação.
Nota ao Arquiteto ou Decorador – Para a execução do trabalho de decoração da abóbada, o mesmo deverá fazer uso do anexo incluso ao final dessa peça de arquitetura, devendo proceder da seguinte maneira: Em primeiro lugar deve-se observar que o respectivo desenho tem o seu ponto de vista de cima para baixo, portanto para a sua execução, este deve ser estendido no centro do Templo, sobre o eixo (equador), observando a sua correta orientação. Como segunda etapa, basta que o decorador faça a projeção mais aproximada possível e proporcional ao tamanho da abóbada, ou forro se for o caso, dos respectivos astros nele contidos. Qualquer dúvida, o zênite coincide com o equador do Templo em sua projeção vertical, além das próprias paredes, oriental, ocidental, norte e sul, também coincidirem com as respectivas linhas do horizonte, observado a característica dos limites de cada Templo no seu particular. Finalmente, alertamos que o referido desenho é apenas esquemático, portando não possui escala, pois sua finalidade tem apenas o caráter de orientação.
Apenas a título de sugestão, deve-se evitar a representação arcaica e medieval do Sol e da Lua assumindo feições humanas, estilizadas por expressões faciais compostas por olhos, nariz, boca, etc. Essa prática, além do mau gosto, acaba dando margem para que os especuladores e inventores de plantão acabem imaginando algum simbolismo nessas obscuras e fantasiosas representações.
III – CONCLUSÃO.
Finalizando, cabe observar a importância da exegese simbólica da Maçonaria e em particular ao Rito Escocês Antigo e Aceito, lembrando que a despeito das nossas tradições, usos e costumes, também é muito importante lembrar que a razão se sobrepõe as ilações fantásticas, na mesma proporção em que o Espírito se sobrepõe à matéria, levando o verdadeiro maçom à preferência pelo real ao aparente, quando a verdade e a ciência desmistificam a tradição inconcebível muitas vezes fundada nos velhos erros dos próprios sentidos humanos, perfectíveis, portanto, passíveis de erro.
Se a Abóbada Celeste conduz o Obreiro à enigmática observação do “Infinito” elevando o pensamento ao transcendental, é certo também que as noções de espaço, tempo, energia, matéria, dimensão e tantas outras, superaram as hipóteses do passado. Se na atualidade não se pode mais admitir a eternidade do Universo e o simples conceito do Infinito já não encontra guarita na ciência; quando a energia tende a esgotar-se e, com ela, o próprio ambiente que se nos apresenta, é incrível, mas verdadeira, a confirmação das velhas revelações iniciáticas estudadas pela tradição maçônica e expressadas pelas idéias que resultaram no conceito dual do Princípio e Fim, Alfa e Omega.


         PEDRO JUK
     EX-SECRETÁRIO GERAL P/REAA – GOB/PODER CENTRAL
 SECRETÁRIO ESTADUAL DE ORIENTAÇÃO RITUALÍSTICA
                               GRANDE ORIENTE DO BRASIL – PARANÁ
                                            MEMBRO CORRESPONDENTE DA QUATUOR CORONATI 2.076 – LONDRES
                                                                            jukirm@hotmail.com – (0XX) 41 3415-1140

ROTEIRO BIBLIOGRÁFICO

CASTELLANI, José. O Rito Escocês Antigo e Aceito. “A TROLHA”, Londrina, 1.988.
____________. Dicionário Etimológico Maçônico. “A TROLHA”, Londrina, 1995.
____________. Maçonaria e Astrologia. “Editora Landmark”, São Paulo, 2.ª edição, 2002.
____________. Consultório Maçônico IX. “A Trolha”, Londrina, 2004.
____________. Consultório Maçônico XI. “A Trolha”, Londrina, 2011.
____________. Consultório Maçônico V. “A Trolha”, Londrina, 1.997.
JUK, Pedro, Exegese Simbólica para o Aprendiz Maçom, Tomo I, “A TROLHA”, Londrina, 2007.
VAROLI F.º, Theobaldo. Curso de Maçonaria Simbólica Tomo I. “GAZETA MAÇÔNICA”, São Paulo.
ASLAN, Nicola. Grande Dicionário Enciclopédico de Maç\. “A TROLHA”, Londrina, 1.996.
CARVALHO, Assis. Símbolos Maçônicos e Suas Origens. “A TROLHA”, Londrina, 1.990.
MELLOR, Alec. Dic. da Franco-Maçonaria e dos Franco Maçons. “MARTINS FONTES”, São Paulo, 1.989.
HORNE, Alex. O Templo do Rei Salomão na Tradição Maçônica. “PENSAMENTO”, São Paulo, 1.991.
PERNAMBUCO, Grande Oriente de. Ritual de Aprendiz Maçom - R\E\A\A\. Recife, 1.994.
MICHAELIS, Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo, 1998.
CARR, Harry, Freemasons at Work, Londres, 1979.
NESSAS OBRAS OBSERVAR AS RESPECTIVAS BIBLIOGRAFIAS CORRESPONDENTES.




[1] Quadrilongo (Adjetivo quadri + longo) – Que tem quatro lados, paralelos dois a dois, sendo dois dos paralelos mais longos que os outros dois.
[2] Zênite – O ponto em que a vertical de um lugar encontra a esfera celeste acima do horizonte. O ponto mais elevado da abóbada.
[3] Retábulo do Oriente – A parede localizada imediatamente atrás do altar que é ocupado pelo Venerável Mestre onde se encontram as luminárias terrestres e o Delta Radiante.
[4] Boreal – Do lado do norte; setentrional. Relativo ou pertencente às regiões limítrofes com a zona ártica.
[5] Austral - Do lado do sul, meridional. Relativo ou pertencente às regiões limítrofes com a zona antártica. 

CÂMARA DO MEIO

ENSAIO


I – INTRODUÇÃO.
Aproveitando a oportunidade pela qual tem se apresentado muitas súplicas a mim dirigidas por Respeitáveis Irmãos que buscam esclarecimento para as suas dúvidas, surgiu um tema relacionado à Loja de Mestre extraído de um pedido de opinião – a Câmara do Meio.
Embora se constitua em um título bastante corriqueiro no Terceiro Grau maçônico, ele é, entretanto, muito pouco racionalmente comentado, razão pela qual resolvi produzir esse modesto arrazoado na configuração de um ensaio que visa despertar uma preparação para instrução disciplinada, embora menos intensa que uma obra literária acabada.

II – DO TÍTULO.
Câmara do Meio é o título dado à Loja de Mestre na Moderna Maçonaria. Essa concepção começou a fazer parte do especulativo maçônico após o aparecimento do Terceiro Grau em 1.724 e sacramentado na segunda Constituição de Anderson em 1.738 relativa à Primeira Grande Loja (dos Modernos) em Londres.
Como uma Loja - exceto quando se relacionar ao título distintivo dado para uma corporação maçônica - só existe em trabalhos abertos, uma sessão maçônica aberta no Terceiro Grau adquire por extensão, o rótulo convencional de Câmara do Meio.

III – DO CONCEITO.
A alegoria da Câmara do Meio já está presente na Tábua de Delinear inglesa[1] (teísta) desde o Grau de Companheiro e se relaciona diretamente com o Livro das Sagradas Escrituras:
“A porta do lado do meio estava na parte direita da casa; e subiam por um caracol ao andar do meio e deste para o terceiro” (todos os grifos são meus) – Reis I, 6, 8.
Ainda em outra versão bíblica:
“A porta que levava à câmara do meio estava no lado sul da casa e por um caracol se subia ao segundo andar e deste para o terceiro (os grifos são meus).
O lado direito da casa, sob o ponto de vista do Átrio, corresponde ao Sul, ou Meio-Dia, enquanto que em relação ao termo “caracol” inserido nos textos bíblicos, evidentemente se refere à Escada em Caracol, cujo emblema possui alto valor simbólico já que essa “escada” de acesso lateral para “câmara” representa a dificuldade e a sinuosidade que o Obreiro tem que passar para atingir a Câmara do Meio (aperfeiçoamento), que nesse caso sugere o Santo dos Santos do Templo de Jerusalém.
À bem da verdade a alegoria “escada-câmara” alude ao elo que existe entre o “meio-dia” (juventude) e o final da jornada à “meia-noite” (maturidade e morte - o Mestre que ingressa no Oriente).
É dessa a relação maçônica existente entre a lenda da construção do Templo de Jerusalém e a Loja, mais especificamente ao Oriente da Oficina, que se explica o porquê de só se permitir o ingresso no Oriente em Loja aberta àquele que já tenha atingido a plenitude no simbolismo universal maçônico – o Mestre.
Graças também a essa alegoria maçônica é que os Companheiros no Templo (Loja) ocupam sempre a Coluna do Sul, já que pelo texto bíblico que dá origem ao apólogo, a porta que leva à Câmara do Meio (Loja de Mestre) simbolicamente está situada no Sul[2].
Diga-se ainda de passagem que na alegoria do Templo o mesmo era um conjunto constituído por três partes – a primeira se denominava Ulam (átrio) onde se formava a assembleia; a segunda chamada Hikal onde os sacerdotes desempenhavam as suas funções e por fim a terceira, nomeada Debir (santuário) onde era depositada a Arca de Aliança.
Com o advento da criação do grau de Mestre e por extensão da Lenda do Terceiro Grau cujo anfiteatro se dá no lendário Templo de Jerusalém é que se desenvolveria o arcabouço doutrinário e filosófico do simbolismo da Moderna Maçonaria que passaria definitivamente a associar especulativamente o aprimoramento do Homem com a construção do Templo interior – a Obra perfeita dedicada a “Deus”. Daí a relação metafísica incondicional e sucessiva entre os três Graus cuja jornada parte do Ocidente em direção à Luz do Oriente – Intuição, Análise e Síntese.
Nesse sentido não se poderia mencionar a Câmara do Meio sem considerar, sob o ponto de vista histórico e iniciático, a sua relação com o grau de Companheiro como penúltimo estágio do aprimoramento – Do pórtico ao Sul em direção à Câmara do Meio onde se situa a Árvore da Vida, local onde o Mestre pode então inquestionavelmente assim afirmar: “A A\M\É C\”.
Vale a pena ainda mencionar que essa alegoria constituída pela tríade Escada em Caracol, Templo de Jerusalém e Câmara do Meio é valida apenas para o simbolismo da Moderna Maçonaria, já que esse conjunto emblemático, bem como a Lenda de Hiran, não corresponde ipsis litteris à completa realidade descrita no texto bíblico.

IV – DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS.
O termo “Câmara do Meio” é em Maçonaria uma espécie de Nec Plus Ultra, cuja característica filosófica envolveu conhecimentos racionais que determinaram regras e fundamentos do pensamento enquanto era urdido o método e a chave destinada para se reencontrar a Palavra Perdida (o conhecimento real, nunca o aparente).
Essa é a razão que pode, na ordem natural dos fatos, explicar o termo “Câmara do Meio” em Maçonaria. Daí pela “ordem natural” que envolve a construção do Templo e a Lenda do Terceiro Grau, os Aprendizes ocupam o Norte, Companheiros o Sul e os Mestres o Oriente donde dali simbolicamente ele (o Mestre) parte para qualquer das latitudes e longitudes terrenas (o Ocidente da Loja entre o Esquadro e o Compasso).
Assim, em se bem compreendendo a Arte, a Câmara do Meio traz a baila e desfaz todas as ilações temerárias produzidas por aqueles que de quando em quando lançam irresponsavelmente sementes ao vento tentando, por exemplo, inverter a circulação e a localização dos Aprendizes e Companheiros na Loja. Para esses incautos poder-se-ia então perguntar: e o pórtico da Câmara do Meio? Invertendo os escritos bíblicos, ele passaria do Sul para o Norte? Como então ficaria a referência feita à construção do Templo mencionada nas Escrituras? Essa menção seria subvertida? Biblicamente o Meio-Dia passaria para o Norte? Contar-se-ia então uma nova Lenda com Hiran tentando fugir do primeiro algoz pelo Norte?
Afinal, se os fatos têm a sua razão de ser, é porque certamente nada fora arquitetado casualmente.




    Pedro Juk

Setembro de 2.014 - Equinócio de outono no hemisfério Norte






[1] Tábua de Delinear é o Painel da vertente inglesa de Maçonaria que não raras vezes muitos rituais que envolvem ritos de origem francesa acabam por misturá-los, quando não, até mesmo substituí-los, ou mesmo inserir os dois painéis justificando a presença dupla com a invenção do título de “Painel Alegórico”. Cada uma das duas principais vertentes maçônicas (inglesa e francesa) possui nos três graus universais características alegóricas e simbólicas próprias. O painel a que se refere o texto é a Tábua de Delinear inglesa (Tracing Board) do Segundo Grau - aquele que mostra uma escada lateral em curva (caracol) que dá acesso no seu topo à Câmara do Meio.
Atenção: independente da vertente maçônica e as suas particularidades próprias, o título de Câmara do Meio é genérico para todo o Terceiro Grau maçônico, seja ele de qual Rito ou Trabalho venha a pertencer. Assim também é a sua relação alegórica com o título que também será sempre aquele baseado na tradição da Tábua de Delinear do Segundo Grau (inglesa).
[2] Lado Sul. Para que não pairem dúvidas em relação ao ponto de vista “direita-sul” do Ocidente para o Oriente, o observador da gravura deve levar em conta que a Tábua de Delinear mencionada representa um compartimento à direita adjacente ao Templo. Obviamente que apesar da perspectiva sofrível da gravura, o importante é a mensagem simbólica contida no quadro. Note na base da escada o Segundo Vigilante pronto para obstar a passagem daquele que porventura não saiba ainda pronunciar a Palavra de Passe (aperfeiçoamento incompleto) – ao fundo a espiga de trigo junto a uma queda d’água sugere a senha inerente a essa Palavra.

sábado, 11 de março de 2017

PAPA MAÇOM?

Em 02/01/2017 o Respeitável Irmão Thiers Antonio Penalva Ribeiro, Loja Antônio Lafetá Rebelo, REAA, COMAB, Oriente de Montes Claros, Estado de Minas Gerais, solicita o seguinte esclarecimento.

PAPA MAÇOM

Meu Irmão, Há anos li que o Papa Pio IX (Giovani Ferreti Mastai) foi maçom. Depois li um artigo do Irmão José Castellani dizendo que foi um quase homônimo do Giovani Ferreti Mastai é que foi maçom. Procurei esse artigo do José Castellani, mas não encontrei.
Pergunto ao Irmão: O que você pode me esclarecer sobre esse assunto que está na Internet, dizendo que o papa foi iniciado na Loja Maçônica Eterna Cadena, filiada à Grande Loja de Palermo na Itália? Estou afirmando para os Irmãos de minha Loja que ele não foi maçom.

CONSIDERAÇÕES.

Papa Pio IX, (Giovanni Maria Mastai-Ferretti) nascido em Senigália (na Itália) em 13 de maio de 1.792, foi Papa durante 31 anos. É considerado o pontificado mais longo da história depois de São Pedro. Foi beatificado em 3 de setembro de 2.000 pelo Papa João Paulo II.
Segundo historiados, apesar de ser considerado no início como um Papa liberal, o seu pontificado passou a ser norteado pelo conservadorismo. Pio IX iniciou uma campanha contra o que chamou de falso liberalismo. Na encíclicaQuanta Curade 8 de dezembro de 1.864, condenou dezesseis proposições que contrariavam a visão católica na época. Esta encíclica foi acompanhada pelo famoso Syllabus Errorum, que condenava as ideologias do panteísmo, naturalismo, racionalismo, indiferentismo, socialismo, comunismo, Franco-maçonaria, judaísmo, Igrejas dadas como Cristãs a tentar explicar a Bíblia e várias outras formas de liberalismo religioso tido por incompatíveis com a religião católica.
Por esse pequeno resumo biográfico, imaginá-lo maçom nada mais é do que ufanismo de alguns Irmãos que, sem base acadêmica, se arvoram a sair por aí afirmando esses equívocos. Lembro que alguns autores autênticos, talvez como o Castellani, já tenham esclarecido que não se tratava da mesma pessoa. Se existiu um homônimo dele eu não posso afirmar, porém tenho a convicção que o Papa nunca foi iniciado na Maçonaria, para tal basta se verificar a posição da Igreja Católica no que diz respeito à Sublime Instituição, sobretudo naqueles tempos, reforçada ainda pelas próprias condenações do Papa contra posições que contrariavam a visão religiosa de Roma, entre elas a da Maçonaria.
Se esses disseminadores de boatos se dessem ao trabalho de se debruçar sobre os estudos da verdadeira história, certamente “pérolas desse tipo” não estariam por aí ocupando espaço com afirmativas temerárias, poluindo a cultura.
O que eu acho engraçado é que vira e mexe alguns, sem o mínimo critério, ficam a remover esses entulhos da falsidade que em nada engrandecem a nossa Ordem.

T.F.A.


PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
http://pedro-juk.blogspot.com/

MARÇO/2017.

sexta-feira, 10 de março de 2017

CATEGORIAS DOS GRAUS NO REAA

RESPOSTA - MARÇO/2017
Em 28/12/2016 o Respeitável Irmão Clerson Reis, Loja Mensageiros da Luz, 3200, REAA, GOB-TO, e Loja de Perfeição D. Pedro I, nº 3, Oriente de Palmas, Estado do Tocantins, formula a questão 
CATEGORIAS DOS GRAUS NO REAA.
Tenho várias vezes encontrado em trabalhos dos graus filosóficos, especialmente os da Loja de Perfeição que tal grau pertence à Classe dos Graus Israelitas ou Bíblicos, a quarta categoria. Fica bastante claro, (inclusive você esclareceu -http://iblanchier3.blogspot.com.br/2015/06/reaa-porque-graus-israelitas.html) que essa categoria se refere à lenda dos graus que é israelita e originada na bíblia. Até aí tudo bem, mas o que eu quero perguntar é:
"Se os graus bíblicos pertencem à QUARTA CATEGORIA, quais seriam as outras categorias?"
Agradeço a atenção e generosidade em esclarecer.
CONSIDERAÇÕES
Essas categorias acompanham os grupos a que pertencem na subdivisão dos trinta e três graus. Assim, em termos de REAA, a primeira categoria estaria associada ao primeiro grupo constituído pelos três primeiros Graus (Simbolismo). A segunda, associada ao grupo das Lojas de Perfeição constituídas desde o 4º até o 14º Grau; a terceira associada ao grupo das Lojas Capitulares, ou Capítulos compostos pelo 15º até o 18º Grau; a quarta categoria associada ao grupo do Conselho de Kadosh formado pelo 19º até o 30º Grau. Não existe essa associação no quinto grupo denominado Consistório que vai do 31º até 32º grau, enquanto que o 33º por ser único constitui-se no Supremo Conselho.
Na verdade essa divisão por "categorias" se dá para separar por classes os Graus que sofrem a influência israelita-bíblica. Isso porque nessa escola existem também dos graus Templários. Assim, essas categorias são agrupadas devidas a própria influência hebraica que caracteriza boa parte do Rito Escocês Antigo e Aceito, desde os Graus Simbólicos, com a Lenda do Terceiro Grau e os seus derivados, até o Conselho de Kadosh.
Devido a esse pormenor é que existem as quatro categorias - a primeira no Simbolismo, a segunda na Perfeição, a terceira no Capítulo e a quarta no Kadosh.
Faz-se oportuno salientar que a divisão em até quatro categorias só se dá para os Graus israelita-bíblicos (não confundir com grupos). Houve por bem se fazer essa divisão devido aos períodos históricos da civilização hebraica relativos às alegorias e lendas maçônicas a que se referem esses Graus - desde a construção do primeiro Templo (compreensão da matéria) até a Jerusalém Celeste (compreensão do Cosmos).
T.F.A.
PEDRO JUK  -  jukirm@hotmail.com  

DOGMA, MAÇONARIA E RELIGIÃO

RESPOSTA - MARÇO/2017
Em 27/12/2016 o Respeitável Irmão Tristão Antônio Borborema de Carvalho, Loja Obreiros de Abatiá, 69, REAA, Grande Oriente do Paraná (COMAB), Oriente de Abatiá, Estado do Paraná, solicita esclarecimentos.
DOGMA, MAÇONARIA E RELIGIÃO.
Pergunto: a Maçonaria é antidogmática? Em caso positivo, maçonaria e fé cristã (que se apoia em dogmas, como nascimento virginal de Cristo, ressurreição dos mortos, dentre outros) são incompatíveis? É possível ser cristão e maçom?
CONSIDERAÇÕES.
Esse tipo de discussão não cabe na Maçonaria simplesmente porque ela não é uma religião, portanto, não a discute. Estuda sim a sua filosofia, suas raízes histórias e influências sobre os seres humanos de acordo com a sua cultura.
A Maçonaria tem por princípio respeitar todas as religiões e insiste em orientar que cada um deve procurar o seu conforto religioso na sua própria religião.
Então, se a Maçonaria não é religião, por princípio nela não cabem discussões sobre dogmas, mas revela que fanatismo e superstição são flagelos da humanidade.
Historicamente nascemos à sombra da Igreja como construtores de templos, abadias e catedrais da Idade Média, daí ser comum a influência de costumes religiosos no seio da sua existência, porém esses são costumes que marcam e embasam o seu arcabouço doutrinário. Essa doutrina, entretanto não visa interferir nem apregoar credos religiosos.
As lendas bíblicas, comumente mencionadas nas instruções e rituais maçônicos nos servem como muitas das alegorias que dão suporte ao método de aperfeiçoamento moral e ético reservado somente aos iniciados. Veja o exemplo do Livro da Lei. Ele não está ali como um mensageiro dessa ou daquela religião, mas como um código de moral pelo qual o Iniciado se compromete a cumprir as "obrigações da Ordem" - as obrigações prestadas pelo maçom diante do Livro da Lei, não raras vezes é confundido como juramento religioso, o que não é verdade.
Infelizmente uma boa parcela dos maçons ainda não entendeu que a Maçonaria faz uso das alegorias bíblicas para montar boa parte da sua estrutura de estudos, que tanto pode ser de vertente deísta como teísta, entretanto o uso da Bíblia, as alusões de suas passagens, etc., não visa doutrinar ninguém, porém usar o seu conteúdo como exemplo para preparar os seus integrantes.
Deus na Maçonaria é o Deus de todos os homens no sentido de que de modo conciliatório Ele é denominado Grande Arquiteto do Universo.
Às vezes pela falta de melhor compreensão da "Arte" é que muitos ainda acham que foram os maçons que construíram o Templo de Jerusalém, e pior ainda, acham que a Sala da Loja, também conhecida como Templo, é uma representação do mencionado Templo hebraico.
Então Mano, deixemos a discussão de dogmas para as religiões. Para nós maçons, basta a convivência fraternal e respeitosa entre todos os homens, sejam eles pertencentes cada qual a uma religião. Assim, tanto um cristão, como um muçulmano, como um judeu, etc., podem perfeitamente fazer parte dos quadros da Maçonaria, pois a verdadeira beleza da "construção" esta na arte da convivência e na fraternidade humana.
Dando por concluído, devo ratificar mais uma vez que a Sublime Instituição não é religião e não se presta a doutrinar ninguém nessa ou naquela crença. Com seu método suportado por símbolos e alegorias, ecleticamente haurido das manifestações do pensamento da humanidade, ela visa incentivar o Homem a buscar o seu aperfeiçoamento moral transformando-o daquela Pedra Bruta de então retirada da jazida, numa Pedra Cúbica perfeitamente desbastada, capaz de fazer parte das paredes de um templo construído à Virtude Universal. A Maçonaria não zomba de nenhuma religião, mas cobra dos seus integrantes o respeito a ela pela fé que um dia ele demonstrou, diante do Livro da Lei da sua crença, ao prometer cumprir a sua obrigação.
T.F.A.
PEDRO JUK   -   jukirm@hotmail.com 

PAINEL DO GRAU

RESPOSTA - MARÇO/2017
Em 25/12/2016 o Respeitável Irmão Alexandre Fortes, sem mencionar o nome da Loja, Obediência, Cidade e Estado da Federação, REAA, formula a seguinte questão.
PAINEL DO GRAU.
Por que o Painel do Grau, um utensílio relevantíssimo não possui, no REAA, em ritual, uma classificação específica. Posto que não é nem Paramento, nem Ornamento, nem Joia (no que está escrito)?
CONSIDERAÇÕES.
Não é tido como paramento ou ornamento simplesmente porque ele não é assim classificado. O Painel da Loja é um condensado doutrinário do Grau. Na verdade ele é simplesmente a representação simbólica da Loja e nele estão contidos os Paramentos, os Ornamentos e as Joias da Loja.
No mais ele é uma alegoria que veladamente representa o caminho iniciático do obreiro de acordo com o Grau simbólico.
Não ser considerado como Paramento, Ornamento ou Joia da Loja não faz dele menos importante do que os outros símbolos que decoram e compõem a Loja. Aliás, em se tratando de Paramentos da Loja estes são apenas e tão somente as Três Grandes Luzes Emblemáticas, assim como Joias só existem três fixas e três móveis.
No mais, o mais importante não é o título que ele, o Painel, porventura possa merecer, mas o que ele representa para a jornada do maçom, embora infelizmente muitos o tenham apenas como um mobiliário que fica no centro como referência para a circulação.
O Painel da Loja é uma importante alegoria maçônica oriunda dos desenhos a giz e carvão que ficavam no centro do recinto na época das tabernas dos Maçons antigos que mais tarde evoluiriam para os tapetes até se caracterizarem como os Painéis por nós hoje conhecidos.
T.F.A.
PEDRO JUK   -   jukirm@hotmai.com