terça-feira, 13 de março de 2018

QUEM INSTRUI OS APRENDIZES NA LOJA - REAA


Em 01/12/2017 o Respeitável Irmão Nelson Luiz Ribas Pessa, Loja Amor e Liberdade, 2427, REAA, GOB-PR, Oriente de Ivaiporã, Estado do Paraná, formula a questão abaixo.

QUEM INSTRUI OS APRENDIZES NA LOJA.


Irmão Pedro, estamos com uma duvida em nossa Loja, e ela tem sido matéria de debates na Loja.
Quem é o Responsável direto pelo aprendizado dos Irmãos Aprendizes?
Em minha opinião deve tal função estar a cargo do Irmão 1º Vigilante, pois eles estão
na sua Coluna, e é a Coluna da Força.
Entretanto no ritual de Aprendiz, à pagina 174 esta escrito que é função do 2º Vig as instruções.
Favor me esclarecer tal questão meu irmão.
Lembro me ter lido literatura a respeito disso, entretanto me foge a lembrança.

CONSIDERAÇÕES

No caso do Rito Escocês Antigo e Aceito esse é um equívoco que quase todos cometem quando associam ou acham que é o Vigilante da Coluna o responsável pela instrução. Por esse pormenor seguem algumas ponderações a respeito.
Respeitando acima de tudo a tradição, em se tratando da Moderna Maçonaria, quem instrui os Aprendizes é mesmo o Segundo Vigilante, enquanto que os Companheiros é o Primeiro.
Essa prática se dá por razão à hierarquia dos cargos da Loja e não pelo fato de que se deva coincidir com o Vigilante de uma respectiva Coluna.
Cabe então mencionar aspectos litúrgicos relacionados para explicar os fatos.
Nos ritos maçônicos que nasceram no hemisfério Norte, sempre os Aprendizes ocuparão o Norte e os Companheiros o Sul. Isso se dá inclusive nos ritos que por razões culturais tradicionalmente invertem os seus Vigilantes (o Primeiro no Sul e o Segundo no Norte) como é o caso do Rito Moderno, ou Frances e o Rito Adonhiramita. Mesmo nesses ritos, os Aprendizes permanecem ocupando o Norte e os Companheiros o Sul, excetuando-se algum rito que porventura tenha nascido no hemisfério Sul, a exemplo do Rito Brasileiro onde nele os Aprendizes ocupam o meridião e os Companheiros o setentrião.
Para que se possa compreender esse costume é preciso antes se despir da fantasia de que um templo maçônico foi concebido como cópia fiel do imaginário Templo de Jerusalém – digo imaginário porque não existe ainda comprovação científica da sua existência. O Templo de Jerusalém é uma alegoria maçônica e não um arquétipo ou estereótipo dos templos maçônicos.
Na realidade o templo maçônico, na concepção cósmica deísta (francesa), representa um segmento da superfície terrestre situado sobre o equador, cujos limites são os pontos cardeais, seu piso é o solo terrestre e a sua cobertura o firmamento. Esse espaço também representa alegoricamente um canteiro de obras onde os maçons especulativos trabalham no seu próprio aperfeiçoamento e na construção de um Templo à Virtude Universal. É nesse espaço que por razões iniciáticas, Aprendizes e Companheiros ocupam os quadrantes Norte e Sul da Loja na Moderna Maçonaria.
Dados esses comentários indispensáveis, segue então a razão histórica do ministério de instrutor dado a cada Vigilante na Loja maçônica – a propósito, veja também no Blog do Pedro Juk, http://pedro-juk.blogspot.com.br in Peças de Arquitetura, o trabalho: Varas, Bastões, Hastes; Objetos de Ofício na Liturgia Maçônica, datado de janeiro/2018. Esse escrito/tradução traz comentários e informações a respeito dos Vigilantes.
Na Maçonaria de Ofício, antecessora da Maçonaria dos Aceitos e na época dos canteiros medievais, quando não existiam ainda nem ritos e nem templos maçônicos, os maçons se reuniam literalmente nos canteiros de obras.
Naqueles tempos, quando da admissão de um novo membro na Guilda de Construtores, o que se dava geralmente no solstício de verão europeu (dia de São João, o Batista), costumeiramente era o Segundo Vigilante (warden = zelador, diretor) que recebia o candidato à admissão e lhe ministrava as primeiras instruções.
Instruído e informado, o candidato a Aprendiz era então conduzido até o Primeiro Vigilante que fazia uma prece em seu favor (influência religiosa da Igreja Católica). Ato contínuo o candidato era recebido na forma de costume pelo Mestre da Obra que lhe tomava a “obrigação” diante do Evangelho de São João, entregando-lhe em seguida, um par de luvas e o avental operativo. O candidato então era constituído Aprendiz Admitido no Ofício e o Segundo Vigilante (warden) o conduzia até às ferramentas de trabalho para lhe ensinar os segredos da profissão.
Observação: o Mestre da Loja não era grau de Mestre Maçom. Era sim um Companheiro experimentado.
Constituído Aprendiz, o artífice para receber promoção profissional, geralmente após três ou cinco anos de aprendizado, era então proposto e instruído para se tornar um Companheiro do Ofício. Nessa oportunidade, quem o recebia era o Primeiro Vigilante, ocasião em que examinava a habilidade do postulante no exercício da profissão. Certificando-se da qualidade, o Primeiro Vigilante então ministrava ao aspirante às instruções finais e por fim o recomendava ao Mestre da Obra para que ele fosse constituído Companheiro de Ofício (Fellow Craft) na associação.
Assim, essa é uma síntese de como era o processo ancestral de Iniciação e da promoção profissional nos tempos da Francomaçonaria. Destaque-se que a menção é feita à Maçonaria Operativa, fato que nada se comparava na época ao simbolismo especulativo que hoje conhecemos através da Moderna Maçonaria. Tratava-se literalmente do ofício rude perpetrado dentro de um canteiro de obras medieval.
É oportuno também relembrar que naquela época a Maçonaria de Ofício, ou Operativa era constituída apenas por duas classes profissionais - a dos Aprendizes da Arte e a dos Companheiros do Ofício. Não existiam graus especulativos tais como hoje os conhecemos. O encarregado do canteiro de obras, como já mencionado, era um Companheiro escolhido entre os mais experientes da Guilda e era tratado como o Mestre daquela obra.
Ratifica-se também que à época da Maçonaria Operativa não existiam templos maçônicos e nem mesmo graus especulativos. Tudo se resumia no ofício. Atualmente a sala da Loja, ou o templo maçônico representa simbolicamente esse canteiro de obras.
No passado era então o Segundo Vigilante quem recebia e instruía os Aprendizes, enquanto o Primeiro recebia e instruía os Companheiros. Esse costume, por fim, acabou sendo preservado na liturgia por alguns ritos da Moderna Maçonaria, a exemplo do REAA\ que, emblematicamente, atribui ao seu Segundo Vigilante a missão de instruir os Aprendizes e ao seu Primeiro, os Companheiros.
Destaque-se que isso nada tem a ver com a Coluna que o Vigilante ocupa. Assim, Aprendizes ocupam o Norte e são instruídos pelo Segundo Vigilante que está no Sul. Do mesmo modo os Companheiros ocupam o Sul e o Primeiro Vigilante do Norte os instrui.
Sob essa óptica é que bons rituais por razões históricas preservam essa tradição como um elemento figurado de interpretação, embora também seja sabido que na Maçonaria Especulativa é dever de qualquer Mestre Maçom exercer o ofício de instruir.
É verdade também que existem muitos rituais escoceses equivocados em vigência e adotados pelas Obediências, cujos quais não seguem a autenticidade dessa regra, inclusive contradizendo as origens e costumes da Ordem - infelizmente eles existem por obra de ritualistas que anacronicamente “acham” que o Vigilante é dono da Coluna que ele ocupa - o que não é verdade.
Outra consideração relevante é a de que na Moderna Maçonaria existem também práticas litúrgicas distintas umas das outras devido aos ritos e rituais adotados, pois nem todos eles necessariamente seguem a mesma ritualística por condição do seu arcabouço doutrinário e da vertente a que pertencem (deísta ou teísta). Entenda-se que muitos ritos maçônicos nasceram e adotaram paulatinamente a sua própria liturgia. É de se saber que o objetivo maçônico é único, entretanto os ritos e os rituais determinam a forma de trabalho no canteiro da Loja. Não há como se imaginar que tudo seja igual na Sublime Instituição em se tratando de ritualística maçônica.
Concluindo, são esses os apontamentos relativos às instruções e quem as ministra aos Aprendizes e Companheiros, particularmente no Rito Escocês Antigo e Aceito. A questão não é a de opinião, mas a de raízes históricas. No escocesismo, atendendo à tradição, os Aprendizes no Norte recebem instrução do Segundo Vigilante que ocupa o Sul, enquanto que os Companheiros no Sul são instruídos pelo Primeiro Vigilante que ocupa o Norte. Assim, o Ritual do GOB, nesse sentido, está corretíssimo ao observar essa hierarquia.

E.T. – Corroborando com a ideia de que nem tudo é igual na Maçonaria, vide o Craft Inglês que aqui no Brasil é conhecido também como Rito de York. Nele a Pedra Bruta fica junto ao Segundo Vigilante no Sul e os Aprendizes sentam-se no lado oposto ao nordeste da sala da Loja, enquanto que a Pedra Cúbica fica junto ao Primeiro Vigilante no extremo do Ocidente e os Companheiros ficam lado Sul da Loja. Esse é um fato que demonstra perfeitamente não haver obrigatoriedade de que o instrutor e o instruído precisem ocupar o mesmo lado da Loja, já que nem mesmo as Joias Fixas obedecem a essa situação.


T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2018

quinta-feira, 8 de março de 2018

LEITURA DO LIVRO DA LEI - OUTROS LIVROS QUE NÃO A BÍBLIA


Em 28/11/2017 o Irmão Mário Júnior, Loja Luz e Harmonia, 1657, REAA, GOB-PR, Oriente de Telêmaco Borba, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

LEITURA DO LIVRO DA LEI – OUTROS LIVROS.


O motivo principal deste contato é sanar uma dúvida que não encontro referências bibliográficas em nenhum lugar: nas Lojas (e ritos) em que se adota um Livro da Lei diferente da Bíblia (ou do Pentateuco), quais as passagens que são lidas na abertura dos Graus de Aprendiz e Companheiro?
E, caso não haja recomendação oficial, quais “você” indicaria como mais apropriadas? Considere os seguintes casos, se possível:
Alcorão - Bhagavad Gita - Livro dos Espíritos - O Livro de Mórmon - Constituição do GOB (e outros, que se lembrar).

CONSIDERAÇÕES.

Já escrevi bastante a respeito dessas questões.
Como eu tenho dito a leitura de trechos do Livro da Lei (bíblia), não é apanágio de todos os ritos maçônicos. Alguns costumam ler trechos específicos, enquanto que outros apenas abrem o Livro; outros ainda nem mesmo o abrem, mantendo-o apenas exposto. Também existe Rito, como é o caso do Francês, ou Moderno que originalmente não adota nenhum livro religioso, senão a Constituição Maçônica.
Como já foi amplamente divulgado, a bíblia como Livro da Lei na Maçonaria é costume advindo de um passado distante quando a Francomaçonaria ainda era protegida pela Igreja Católica.
Destaque-se que não há como se imaginar a Maçonaria como uma religião, entretanto é mister vê-la como um centro de união entre os homens livres e de bons costumes que creem em Deus - o Grande Arquiteto do Universo. Vale a pena mencionar que o termo “livre” aqui utilizado enfoca os que são desprendidos dos entraves sociais e religiosos.
Na questão do REAA\, que sabidamente tem previsto na sua liturgia a leitura de trechos do Livro da Lei na abertura dos seus trabalhos, as leituras são apenas aquelas previstas nos rituais em vigência. Ou seja, apenas as conhecidas e que advém de trechos bíblicos.
No caso de outros livros sagrados que são permitidos junto à Bíblia sobre o Altar dos Juramentos no intuito de atender as liberdades individuais de credo, neles não existe previsão de nenhuma outra leitura que não a original bíblica prevista no ritual.
Como a Maçonaria não é uma religião, não se faz necessária, além da bíblia como Livro da Lei Moral, da presença obrigatória de outros livros em sessões que não demandem de atos de juramento. Por óbvio é mais comum tê-los, se for o caso, nas sessões magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação onde nelas existem as tomadas de “obrigação”.
Note-se que o juramento é prestado de acordo com o texto previsto no ritual. Não existe nenhum outro texto diferenciado para esse ato. Na realidade o recipiendário pode ter diante de si nessa oportunidade o Livro da Lei Moral da sua fé e sobre o qual ele prestará a obrigação. O texto do juramento é igual para todos. O que pode mudar é apenas o Livro da Lei sobre o qual o protagonista depositará a sua mão direita.
Assim, no REAA\ e no que diz respeito à leitura de trechos bíblicos do Livro da Lei, a mesma é feita apenas durante a abertura dos trabalhos da Loja, não havendo nela, entretanto, nenhum exercício religioso.
Na realidade esses textos simbolizam esotericamente o objetivo de cada grau no simbolismo do REAA\. No de Aprendiz o da prevalência da Luz sobre as trevas (Evangelho de São João[1]), no de Companheiro o do equilíbrio e o da justiça (Juízes – Amós) e no de Mestre o da efemeridade da vida (Eclesiastes).
Faz-se cogente então compreender que nenhuma dessas leituras tem o desiderato de imputar doutrina religiosa, mas sim o de trazer a alegoria do aperfeiçoamento espiritual e o da transição da vida.
Nesse sentido, ratifico que leitura de trechos do Livro da Lei na abertura dos trabalhos originalmente só existe nos ritos que a preveem. Todas elas são oriundas de trechos bíblicos, não existindo, portanto, nenhum outro trecho que possa ser retirado de outros livros.
Consoante ao exposto é que não há recomendação “oficial” para outras leituras.
Já no que tange às “indicações minhas” expressas na questão, é sabido o quanto eu combato invenções e achismos na Maçonaria, portanto eu jamais me atreveria indicar alguma coisa apenas porque eu acho. O que não existe, para mim simplesmente não existe.

P.S. – Esses comentários prendem-se particularmente às duas principais vertentes da Moderna Maçonaria – a francesa e a inglesa.

T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2018


[1] Evangelho de São João – Essa é a leitura original para o REAA\ na abertura dos trabalhos em Loja de Aprendiz. O Salmo 133, embora bastante difundido no Brasil, não é original, senão um produto de enxerto no escocesismo.

quarta-feira, 7 de março de 2018

TRANSFORMAÇÃO DA LOJA PARA AUMENTO DE SALÁRIO


Em 20/11/2017 o Respeitável Irmão Fernando Antonio da Silva Godoy, Loja Harmonia, 1.265, REAA, GOB-MG, Oriente de João Monlevade, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

TRANSFORMAÇÃO DA LOJA P/ AUMENTO DE SALÁRIO E TEMPO DE ESTUDO


Gostaria de um esclarecimento a respeito de dois assuntos que foram motivos de análise no Tempo de Estudo:
Sabemos que toda e qualquer discussão e aprovação tem que ser feito na Ordem do Dia, diante disto nosso telhamento para aumento de salário estava sendo feito na Ordem do Dia e após, o Aprendiz ou Companheiro é retirado do Templo, a Loja é transformada no Grau 2 ou 3, após discussão e aprovação, retornamos ao Grau que estamos trabalhando e continuamos os trabalhos.
Recentemente o telhamento foi realizado no Tempo de Estudo, foi feito o procedimento da retirada do Irmão, ai foi feito a discussão e aprovação.
Primeira pergunta: Pode fazer o telhamento e aprovação no Tempo de Estudo?
Segunda pergunta: Pode transformar a Loja para outro Grau em qualquer momento da reunião?

CONSIDERAÇÕES.

Existem antes alguns aspectos legais que precisam ser considerados.
No que diz respeito à Elevação, cumprido o tempo necessário exarado no dispositivo legal, o responsável pela instrução da Loja solicitará ao candidato ao aumento de salário à elaboração por escrito de uma peça de arquitetura que será devidamente analisada pela Comissão de Admissão e Graus.
Cumprida essa formalidade e estando tudo a contento, a Loja fará um questionário sobre os conhecimentos adquiridos até então pelo Aprendiz, permitindo inclusive que se façam arguições orais, procedimento esse que se dará na Ordem do Dia da sessão com o objetivo previamente agendado.
Concluído esse exame, ainda durante a Ordem do Dia da mesma sessão, o Aprendiz terá para si o Templo coberto e a Loja passará a trabalhar no Grau de Companheiro. Nessa oportunidade, o Venerável Mestre abrirá discussão exclusivamente a respeito do exame que acabara acontecer.
Assim, com o assentimento do Orador, o Venerável colocará em votação o pedido de aumento de salário. Apurado o resultado na forma de costume, a Loja então voltará a trabalhar no Primeiro Grau tendo com isso o retorno do candidato à Elevação aos trabalhos. O Venerável informará ao Aprendiz o resultado e, em sendo ele favorável lhe será comunicada data da cerimônia de Elevação, que não poderá ser na mesma sessão em que ocorrera o exame - vide o Artigo 35 e parágrafos seguintes do Regulamento Geral da Federação.
No caso da Exaltação, o procedimento será o mesmo, destacando-se que agora os trabalhos se darão a partir de uma Loja de Companheiro. Haverá uma peça de arquitetura elaborada pelo Companheiro e analisada pela Comissão de Admissão e Graus da Loja. O questionário se dará em Loja de Companheiro e a votação para o aumento de salário se dará por transformação em Loja de Mestre. Se aprovado, a Cerimônia de Exaltação acontecerá em outra sessão, nunca na mesma em que foram realizados os exames. – vide o Artigo 36 e parágrafos seguintes do Regulamento Geral da Federação.
Dados esses apontamentos, seguem outras considerações pertinentes:
Por óbvio os exames para aumento de salário de qualquer Grau serão feitos durante a Ordem do Dia de uma Sessão Ordinária com assunto previamente agendado.
Em se tratando de exames para aumento de salário, não confundi-los com as instruções anteriormente dadas nos períodos de estudos, ou mesmo em sessão específica de instrução como a prevista no Artigo 108 do RGF. Ensina-se primeiro para se examinar depois.
Outro fato preponderante é o trabalho (peça de arquitetura) por escrito realizado pelo candidato e analisado pela comissão específica da Loja.
Assim, objetivamente respondendo as suas questões, no caso da primeira, não se faz o exame para aumento de salário no Tempo de Estudos. Exames para esse fim são feitos na Ordem do Dia porque deles resulta votação. No caso da segunda questão, a transformação da Loja para a finalidade de deliberação de aumento de salário se dará também na Ordem do Dia.

T.F.A.

PEDRO JUK

MARÇO/2018

INGRESSO NO ORIENTE - REAA. ANTES OU DEPOIS DO VENERÁVEL


Em 16/11/2017 o Respeitável Irmão Enéas Dourado, Loja Irmão Valdez Pereira, 4.077, REAA, GOB-PA, Oriente de Paragominas, Estado do Pará, solicita informação para o que segue:

INGRESSO NO ORIENTE REAA. ANTES OU DEPOIS DO VENERÁVEL?


Temos duvidas quanto à abertura dos trabalhos na ocasião da entrada do Venerável Mestre. "No ritual diz que todos deverão entrar e aguardar em pé em seus lugares”.
A pergunta é: só subirão o Oriente para ficarem em seus lugares após o Venerável Mestre subir no Oriente ou podem subir e ficar em seus lugares?
Precisa esperar o Venerável Mestre subir no Oriente e só depois podem ter acesso?

CONSIDERAÇÕES – RITUAL DO GOB.

A Loja ainda não está aberta. Nessa ocasião todos ingressam, conforme a ordem especificada no ritual em vigência, se encaminhando cada qual ao seu lugar, inclusive os do Oriente, permanecendo em pé até a autorização do Venerável para que todos se sentem.
O último a ingressar no Templo e ocupar o seu lugar é o Venerável Mestre que é conduzido até o Oriente pelo Mestre de Cerimônias.
Estando todos nos seus respectivos lugares (no Ocidente e no Oriente), até mesmo o Venerável Mestre, este ordena para que todos se sentem.
Em relação a sua questão propriamente dita, durante o ingresso para o início dos trabalhos ninguém aguarda o Venerável chegar por primeiro ao Oriente para só depois para lá se dirigir. É exatamente o contrário, pois todos os que trabalham no quadrante oriental da Loja ingressam antes do Venerável nesse espaço e aguardam. O último a ingressar no Templo e, por extensão,no Oriente, é o Venerável Mestre.


T.F.A.

PEDRO JUK

MARÇO/2018

sábado, 3 de março de 2018

DESTINO DO PRODUTO DO TRONCO DE BENEFICÊNCIA


Em 16/11/2017 o Respeitável Irmão Carlos Roberto Coelho, Loja Alma Farrapa, 3028, REAA, GOB-RS, Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, solicita informação para o que segue:

DESTINO DA ARRECADAÇÃO DO TRONCO


Ocorre-me uma dúvida a respeito da destinação do Tronco de Benemerência (ou solidariedade). Não achei muita coisa na Constituição, e o Regulamento Interno da Ordem também é omisso quanto a isso. Então: - A quem se destina o Tronco?
Pode o Tronco ser destinado a socorrer algum Irmão em ocasional dificuldade financeira?
Existe alguma regulamentação quanto a isso, quer na Constituição, quer no Regulamento Interno, que determine o rito da liberação dos recursos, ou isso pode ser da responsabilidade do Venerável Mestre escutadas as Luzes da Loja?
Existe a obrigatoriedade de ser, no caso da existência desta possibilidade, deliberado em Loja este assunto?
No aguardo de suas sapientíssimas considerações agradeço, atenciosamente.

CONSIDERAÇÕES

Por tradição, o Tronco de Beneficência existe para atender as obras de caridade da Loja, destacando-se que a caridade é uma das principais virtudes exercidas pela Maçonaria.
No REAA\ a captação desses recursos na forma de costume (coleta pela bolsa) é conferida impreterivelmente na mesma sessão em Loja e creditado a sua hospitalaria para aplicação em atos de solidariedade – é equivocado o anacrônico costume de se “lacrar o tronco”.
Essa é a finalidade da existência do Tronco, não se admitindo o uso desses recursos para outros fins que não atendam o seu objetivo. Desse produto é inadmissível sua utilização em obrigações pecuniárias da Loja ou utilizá-lo como ajuda para construção de Templos e afins, ou ainda outras ocorrências do gênero.
O substantivo feminino “beneficência” designa o ato ou virtude de fazer o bem pela caridade, filantropia e, nesse sentido o Tronco foi criado na Maçonaria francesa para ajudar aos necessitados, admitida a sua justa necessidade àqueles que passam pelos reveses da vida.
Não obstante esse formato de coleta (bolsa) tenha sido criado na França, é sabido que toda a Maçonaria Universal, independente de rito, tem o desiderato de exercer a caridade, mas com justiça.
Os ritos maçônicos simbolizam ritualisticamente essa prática conforme as suas estruturas litúrgicas que, no caso do REAA\, faz circular uma bolsa no momento apropriado e em todas as sessões maçônicas objetivando recolher o óbolo.
É evidente, como mencionado, que a prática da caridade está implícita na Maçonaria em geral, cujo costume advém dos canteiros medievais quando arrecadavam recursos para amparar irmãos, viúvas e sobrinhos necessitados – é dessa característica que se adotou a expressão “auxílio mútuo” entre os maçons.
Sendo então essa uma das obrigações dos membros da Sublime Instituição, a prática ajudou a caracterizar a Moderna Maçonaria como uma construtora social, assim essas obrigações necessariamente não são encontradas nos seus regulamentos, pois elas compõem o cerne existencial da própria Maçonaria.
No que diz respeito ao Tronco e o auxílio destinado aos Irmãos necessitados, por óbvio ele é perfeitamente viável, até porque a sua própria existência se deve a essa prática. Aliás, eu diria que antes de tudo a preferência, se em igualdade de condições, deveria sempre ser dada a um Irmão, desde que ele comprovadamente esteja necessitado. A propósito, esse é o ofício do Hospitaleiro – apurar e trazer a súplica à Loja.
Sob o aspecto prático, a utilização dos recursos apurados pela circulação do Tronco e creditados a Hospitalaria da Loja, quando carecer de movimentação financeira destinada a auxiliar alguém, primeiro o Hospitaleiro deve apresentar justificativa na Loja para ser ouvida pela assembleia na forma de costume. Deliberada a legalidade da ajuda ela passa por votação na forma da lei e com aquiescência do Orador. Faz-se cogente mencionar que movimentações financeiras requerem acima de tudo transparência e lisura.
Concluindo, chamo atenção para o ofício do Hospitaleiro no REAA\. Note que a sua função não é apenas a de arrecadar fazendo circular o Tronco, mas praticar a solidariedade maçônica permanecendo atento às necessidades que porventura Irmãos e seus familiares possam merecer, informando formalmente a situação à Loja.

P.S. – Deliberações se dão em Loja sempre com a participação de todos e depois de obedecidas as formalidades legais. Não é apanágio de apenas “alguns” se reunirem e deliberarem questões sem o conhecimento dos demais. Mesmo as comissões, que podem deliberar assuntos da sua alçada, tendo delas o resultado final, obrigatoriamente passam por aprovação da Loja.

T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2018

quinta-feira, 1 de março de 2018

CIRCULAÇÃO ENTRE O TRONO E O ALTAR DOS JURAMENTOS


Em 16/11/2017 o Respeitável Irmão Sionei Souza Leal, Loja Cavaleiros do Oriente, REAA, GOB-BA, Oriente de Vitória da Conquista, Estado da Bahia, apresenta a seguinte questão:

CIRCULAÇÃO ENTRE O TRONO E O ALTAR DOS JURAMENTOS.


Se no giro do Hospitaleiro, quando já feito a estrela, e está fazendo o Oriente tem pro
blema passar entre o trono e o livro sagrado?

CONSIDERAÇÕES.

Antes da questão propriamente dita, segue um breve comentário sobre essa “estrela” imaginária que vez por outra ainda alguém insiste em lembra-la.
Na realidade não existe estrela alguma que seja formada durante a abordagem aos seis primeiros cargos nas circulações da bolsa de propostas, bem como na coleta do Tronco. Essa é uma ideia de há muito superada.
O que existe mesmo é a abordagem obrigatória, por primeiro das Luzes da Loja (Venerável e os Vigilantes), seguida das Dignidades do Orador e do Secretário e por fim do Cobridor, cujos cargos são imprescindíveis para a abertura e funcionamento de uma Loja no REAA\.
Essa história anacrônica da estrela de seis pontas associada a um pretenso triângulo de espiritualidade e outro de materialidade é mera especulação, nada tendo a ver com o escocesismo, que inclusive nem possui estrela hexagonal no seu corolário simbólico. No REAA\ a estrela em evidência é a Flamejante que possui cinco pontas, e não seis. A estrela hexagonal conhecida como Magsen David ou Blazing Star é símbolo da Maçonaria inglesa e não da francesa. Destaque-se que o REAA\ é filho espiritual da França.
Por fim, construir uma estrela hexagonal com a ligação desses seis primeiros cargos na circulação é qualquer coisa que carece de muita imaginação, sobretudo levando-se em conta a localização na Loja dos lugares correspondentes a esses cargos.
Dados esses comentários, seguem as ponderações a respeito da passagem por entre o trono e o Livro da Lei.
Nesse sentido, a regra é a de que não existe nenhuma circulação básica no Oriente, portanto é livre o trajeto entre o Altar dos Juramentos e o Altar ocupado pelo Venerável Mestre. Obviamente se houver espaço compatível para tal.
Assim, o transito nesse particular é livre, ficando a critério daquele que estiver se deslocando. Tudo depende do espaço que seja mais apropriado para a passagem. Não existe nenhum óbice litúrgico que proíba o trânsito por esse espaço, ou algo que mereça atenção nesse particular.

T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2018