quinta-feira, 14 de junho de 2018

DÚVIDAS NA TRANSFORMAÇÃO DA LOJA


Em 19/04/2018 o Respeitável Irmão José Tonete Sobrinho, Loja Guaicurus, 4.137, REAA, GOB, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta a questão seguinte:

DÚVIDAS NA TRANSFORMAÇÃO DA LOJA.


Gostaria de estar trocando experiências e sanando dúvidas dentro dos graus simbólicos do REAA. Nas transformações do grau 1 ao 2 ou 3 no ritual de 2009 não consta a mudança do painel, somente do esquadro compasso e sinal. Qual o correto, pois aprendi da minha iniciação em 1999, que todas as transformação passam de grau em grau fazendo a transformação do Compasso e Esquadro, ascendimento das velas, troca de sinais e mudança de painel grau a grau retirando os Irmãos não pertinentes ao grau.

CONSIDERAÇÕES.

É bom que se diga que estamos tratando do REAA\.
No que diz respeito aos rituais do GOB em vigência nesse Rito, uma Loja pode ser transformada de acordo com as suas necessidades e depois retomar os trabalhos no grau em que ela fora originalmente aberta naquela oportunidade.
Assim, consta no ritual do Segundo Grau a transformação da Loja do Grau 01 para o Grau 02, e o seu retorno; bem como no Ritual do Terceiro Grau a transformação do Grau 02 para o 03, e o seu retorno.
No que diz respeito à transformação do Primeiro para o Segundo Grau o ritual deixa a desejar por estar incompleto, já que ele prevê apenas e tão somente a alteração do Esquadro e do Compasso, faltando ainda à leitura pertinente do Livro da Lei, a troca do Painel e o acendimento das Luzes litúrgicas de acordo como o Grau de Companheiro. Infelizmente é assim que nele atualmente está previsto, porém deveria exarar o procedimento completo e não apenas parte dele. Na realidade é uma falha que precisa ser corrigida.
Já no caso da transformação do Segundo para o Terceiro Grau, o ritual está correto, pois nesse caso ele prevê todo o procedimento – readequação do Esquadro e do Compasso, leitura, acendimentos das demais Luzes e exposição do Painel.
Obviamente que a troca de Sinais, a cobertura àqueles que ainda não possuem grau necessário, assim como a verificação (telhamento) estão corretamente previstos em ambos os rituais. A forma incompleta se dá apenas na transformação do Primeiro para o Segundo Grau como foi anteriormente mencionado.
Nesse particular, alerto ao Irmão que antes verifique se os seus rituais de 2009 estão atualizados, pois algumas correções já constam nos rituais impressos mais recentemente, mas que lamentavelmente, por falta de comunicação, as Lojas ainda não estão sabendo – os rituais foram alterados e reimpressos com o mesmo Decreto da edição de 2009.
Outro comentário pertinente é o de que também constam informações sobre alterações nos rituais e que podem ser acessadas no Poder Central em Ritualística – Grande Oriente do Brasil. Vale a pena consultar esse endereço eletrônico para se manter atualizado (para tal é necessário estar de posse do GOB-CARD).

T.F.A.

PEDRO JUK

JUNHO/2018

quarta-feira, 13 de junho de 2018

PORTADOR DE NECESSIDADES ESPECIAIS NA MAÇONARIA


Em 11/04/2018 o Respeitável Irmão Nivaldo Tono, Loja Fazenda Rio Grande, 165, Grande Loja do Paraná, REAA, Oriente de Fazenda Rio Grande, Estado do Paraná, apresenta a dúvida seguinte:

PORTADOR DE NECESSIDADES ESPECIAIS NA MAÇONARIA


Mais uma vez recorro ao Irmão para sanar uma dúvida, desta vez quanto ao ingresso de candidatos em nossa Ordem com problemas físicos ou até mesmo a permanência desse
s, já Iniciados, com posterior aquisição de tais problemas.
Se o preclaro Irmão tiver algo escrito sobre esse assunto ou, até mesmo um caminho para consulta a respeito, ficarei eternamente grato.

OPINIÃO.

Esse é um assunto que tem suscitado ainda dúvidas na sua interpretação, sobretudo quando é abordado com base nas tradições, usos e costumes hauridos de uma época bastante antiga das práticas maçônicas.
A anacrônica questão do “ser fisicamente hígido” advém dos tempos em que a Francomaçonaria, por ser literalmente operativa, recolhia à época para as suas fileiras de operários apenas aqueles que eram fisicamente capazes de exercer o rude e pesado trabalho de edificar construções que utilizavam como matéria prima blocos de pedra calcária.
Obviamente que vivemos em outros tempos e a própria Francomaçonaria se tornou especulativa e é tomada hoje pelo simbolismo da Moderna Maçonaria.
Entendo que especulativamente o significado dos nossos sinais, toques e palavras (verdadeiros segredos da Ordem) podem perfeitamente ser transmitidos e adequados para compreensão daqueles que porventura sejam portadores de necessidades especiais. Obviamente que cada caso é um caso, mas todos, indistintamente, merecem atenção.
Quanto à questão legal do ingresso na Maçonaria de cidadãos portadores de necessidades especiais, eu penso que esse assunto deveria ser aspiração imediata de cada uma das nossas Obediências.
Sou de opinião que para essas circunstâncias os dispositivos constitucionais e regulamentares deveriam com brevidade ser adequados na forma da lei.
Já no que diz respeito àqueles que pelas conjunturas da vida, após iniciados na Maçonaria, acabaram adquirindo necessidades especiais, sou de opinião que eles devem permanecer na Ordem tendo impreterivelmente as suas ações litúrgicas adequadas às suas necessidades, até porque um iniciado na Maçonaria, sempre será um iniciado. Seria descabida e preconceituosa qualquer hipótese de tornar inapto um Irmão numa situação dessas.
Por fim, é essa a minha opinião, mas não a tome como uma resposta laudatória, pois ambos os casos merecem regulamentação e para tal, também a boa vontade dos nossos legisladores. Entendo que esses são fatos reais e que não deveriam mais ser postergados.


T.F.A.

PEDRO JUK

JUNHO/2018

terça-feira, 12 de junho de 2018

TOQUE NA TRANSMISSÃO DA PALAVRA - REAA


Em 11/04/2018 o Respeitável Irmão Hercílio Labes Neto, Loja Cavaleiros da Paz, 164, REAA, Grande Oriente do Paraná (COMAB), Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, pede o seguinte esclarecimento:

TOQUE NA TRANSMISSÃO DA PALAVRA PARA A ABERTURA E FECHAMENTO DOS TRABALHOS NO REAA.


Minha dúvida é, nas aberturas e também nos encerramentos das sessões, magnas ou econômicas, quem deve dar o toque? Pelo nosso ritual, diz que o Venerável dará o toque e a primeira letra, o 1° diácono a 2ª e assim sucessivamente. Quando este desce até o altar do 1° Vigilante, ele deve dar o toque e a primeira letra? E o 2° Diácono, deveria aguardar o toque do 1° Vigilante, e dar o toque para o 2° Vigilante? Na minha lógica, quem pede a Palavra deveria dar o toque para provar que é Aprendiz Maçom, mas aí entra aquela do dá-me a primeira letra que eu vos darei a segunda.
Agradeço por sua atenção.

CONSIDERAÇÕES.

Não vou entrar no mérito do que menciona esse ou aquele ritual, até porque essa missão fica por conta daqueles que inserem procedimentos, cabendo a eles explicar convincentemente os porquês.
Nesse sentido vou deixar aqui, com explicações objetivas, qual deveria ser a prática correta na liturgia da transmissão da Palavra Sagrada por ocasião da abertura e encerramento dos trabalhos com a participação dos Diáconos, do Venerável Mestre e dos Vigilantes no REAA.
Antes, cabe esclarecer um aspecto importante e que não pode ser desprezado quando da execução dessa prática ritualística comum ao escocesismo simbólico.
Essa observação diz respeito ao fato de que essa transmissão da Palavra Sagrada nada tem a ver com o telhamento, comum às verificações para se certificar da qualidade de um maçom, mas é sim um ato simbólico que relembra alegoricamente uma operação profissional comum aos tempos da Maçonaria de Ofício.
Explica-se: nos tempos operativos, os Vigilantes (antigos wardens), por ordem do Mestre da Obra, literalmente, dentre outros, também exerciam o ofício de aprumar e nivelar os cantos da obra para que a jornada de trabalho pudesse ser iniciada. Também ao final dessa jornada os trabalhos eram assim conferidos para que se procedesse ao adequado encerramento. Objetivamente os Vigilantes eram os responsáveis pela elevação dos cantos da construção que a posteriori eram interligados pela elevação das paredes niveladas e aprumadas. Nessa oportunidade serviam como mensageiros no imenso canteiro operativo de obras os antigos “oficiais de chão”, ancestrais dos Diáconos da Moderna Maçonaria.
Desse modo, a Moderna Maçonaria, especulativa por excelência, através do REAA\ revive simbolicamente essas práticas instituindo uma alegoria que envolve, no lugar das aprumadas e nivelamentos, a transmissão de uma palavra que, em estando ela devidamente transmitida e correta, isto é, justa e perfeita, ela simboliza a condição apropriada para se abrir e encerrar os trabalhos da Loja.
Em síntese os mensageiros (Diáconos) levam a palavra até os Vigilantes de modo que esse ato especulativo simbolize aquelas antigas práticas de ofício (nivelamento e aprumada) – isso explica o motivo pelo qual os Vigilantes trazem consigo o Nível e o Prumo como suas respectivas joias distintivas.
É por essa razão que essa transmissão não é aquela relativa ao telhamento maçônico do Cobridor do Grau, mas sim é a uma transmissão adequada a um momento da liturgia e que se dá exclusivamente entre Mestres Maçons - nesse caso entre o Venerável, os Vigilantes e os Diáconos. É bom que se diga que cargos em Loja são preenchidos somente por aqueles que já tenham alcançado a plenitude maçônica.
Dados esses comentos, é sabido que iniciaticamente a palavra do Primeiro Grau é transmitida soletrada (infância), no Segundo silabada (juventude) e no Terceiro diretamente (maturidade).
Sob a óptica de que esse ato não é especificamente um telhamento, em qualquer situação aquele que transmite a Palavra a dá soletrada, silabada ou por inteira (conforme o Grau), porém sem que haja troca de letras ou sílabas com o outro protagonista. Em síntese, na liturgia da transmissão da Palavra para a abertura e o encerramento dos trabalhos os protagonistas não dividem entre si letras ou sílabas como ocorre no telhamento ordenado pelo Cobridor do Grau.
Segue então um resumo do procedimento da transmissão da Palavra Sagrada para a abertura e o encerramento da Loja no REAA:
Tanto na abertura como no encerramento, o Primeiro Diácono é o que dá o Toque para receber a Palavra do Venerável e o que recebe o Toque para transmiti-la ao Primeiro Vigilante. Já o Segundo Diácono dá o Toque para receber a Palavra do Primeiro Vigilante e recebe o mesmo para transmiti-la ao Segundo Vigilante.
A regra é simples. Nesse caso o Toque é dado apenas por aquele que solicita a Palavra para leva-la a outrem. Assim, quem transmite a Palavra não dá o Toque, mas o recebe como um pedido de alguém que quer a Palavra.
Destaco mais uma vez que isso não é telhamento, mas é um ato litúrgico que acontece pela razão já explicada. Ademais, não existe verificação pelo Cobridor do Grau entre Irmãos que ocupam cargos, já que eles foram previamente reconhecidos pelo Mestre de Cerimônias que os revestiu com as suas respectivas joias.
Outra regra importante é a de que em qualquer situação, tanto no telhamento como na transmissão para a abertura e encerramento, a Palavra somente deve ser transmitida pelo Toque do Grau. Nesse interim não é demais lembrar que em Loja de Mestres o Toque do Terceiro Grau é composto pelos C\ PP\ PP\ da Maç\.
A questão é não confundir os procedimentos ritualísticos. A questão é de saber o que o ato ritualístico representa. Desse modo, quem assim não procede e apenas copia mecanicamente uma prática e a insere num ritual sem dela conhecer a razão, certamente estará incentivando o contraditório.
Tenho dito, nenhum ato litúrgico existe na Maçonaria sem que para ele exista explicação, portanto, antes de simplesmente copiá-lo de rituais anacrônicos, perpetuando erros, melhor mesmo é antes procurar compreendê-lo.


T.F.A.

PEDRO JUK


JUNHO/2018

quinta-feira, 7 de junho de 2018

A FAIXA DO MESTRE. SEU USO: COM TERNO OU COM BALANDRAU?


Em 11/04/2018 o Respeitável Irmão Marcos José Thebaldi, Loja Suprema Harmonia, 3.858, Rito Brasileiro, GOSP-GOB, Oriente de Jaú, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

FAIXA DO MESTRE


Você sabe me dizer se há alguma distinção em usar ou não a faixa de Mestre Maçom quando se usa balandrau?
Ouvi dizer que só usa a Faixa de Mestre quando estiver usando o traje completo, ou seja, o terno.

CONSIDERAÇÕES.

A faixa do Mestre é um dos elementos que compõem os paramentos do Mestre Maçom em alguns ritos. Sua origem, sobretudo na vertente latina da Maçonaria é uma das reminiscências do talabarte usado da direita para a esquerda cujo qual suportava o coldre que acondicionava a espada.
A galante Maçonaria francesa instituiu o uso da espada como símbolo de igualdade, já que no século XVIII, principalmente na França, a espada era também símbolo de nobreza. No intuito de reprimir qualquer distinção social no seio da Maçonaria, adotava-se então o uso indistinto da espada entre os Mestres Maçons na Loja.
Nesse sentido, alguns ritos maçônicos no decorrer do tempo substituíram a espada, propriamente dita, por uma joia distintiva para o Mestre, a qual vai apensa a uma faixa em tecido vestida a tiracolo da direita para a esquerda simbolizando o antigo talabarte. Foi assim que apareceu a faixa como parte da indumentária do Mestre Maçom nos ritos que comportam esse simbolismo.
Só para citar como exemplo, a faixa do Mestre do REAA utilizada no GOB prevê nela, além da joia, também um dispositivo (argola de metal) que serve para acondicionar uma espada, embora essa não esteja prevista para uso indistinto entre os Mestres, salvo aqueles oficiais que utilizam a espada como objeto de trabalho.
Quanto a sua questão propriamente dita, o uso da faixa nada tem a ver com o uso do balandrau. Como ela é um elemento componente das insígnias do Mestre, tanto faz. De balandrau ou de terno, salvo se o ritual previr o contrário, seu uso é obrigatório.
É preciso que alguns entendam que o terno nada tem a ver com os paramentos de um maçom. Ele é apenas um elemento secundário que obviamente supre a necessidade e a maneira de se vestir que as Obediências adotam.

T.F.A.

PEDRO JUK

JUNHO/2018

terça-feira, 5 de junho de 2018

ESQUADRO E O COMPASSO - POSIÇÃO EM LOJA FECHADA


Em 06/04/2018 o Irmão Ederson Chivelas Souza, Aprendiz Maçom da Loja Cidade de Cachoeirinha, 202, REAA, Grande Loja do Estado do Rio Grande do Sul, Oriente de Cachoeirinha, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a questão seguinte:

ESQUADRO E O COMPASSO – POSIÇÃO EM LOJA FECHADA.


Primeiramente gostaria de agradecer pelo conhecimento disponibilizado, é de grande valia e muito apreciado. Eu e alguns irmãos iniciamos uma discussão acerca da ritualística da posição do Esquadro e Compasso sobre o Livro da Lei, uma vez que o instrumento que dispomos possui um dos lados maior que o outro. Essa questão já foi sanada pelo s
enhor mesmo, em um escrito que tive a sorte de encontrar.
No entanto resta outra dúvida que acredito pelo bom senso seguir a mesma resposta da anterior. É discutido sobre a posição de "descanso", ou seja, em Loja fechada, do Esquadro e do Compasso ao lado do Livro da Lei. Alguns irmãos afirmam que existe lado correto e posição, que o Esquadro deve ficar à esquerda do Livro da Lei, para quem abre a loja, e consequentemente o compasso à direita. Fora esse detalhe, por vezes vejo irmãos reposicionando o Esquadro, antes da abertura da Loja, para que o angulo interno do mesmo fique em direção ao Livro da Lei, exatamente como uma letra L maiúscula. Peço desculpas se a pergunta parecer banal ou ridícula, mas às vezes somente uma opinião de um irmão experiente e especialista no assunto pra elucidar uma questão dessas.

CONSIDERAÇÕES:

Não há o que se desculpar. A busca pelo esclarecimento nunca é banal e nem ridícula, desde que o estudante aprenda e pratique o conhecimento adquirido. Inconcebível mesmo é não querer aprender e apresentar desculpas metafóricas daquelas do tipo de “somos eternos aprendizes”. Eu diria para esses: eles são mesmo “eternos preguiçosos”. Geralmente os que se utilizam desse subterfúgio capenga, nunca aprenderam mesmo é nada de Maçonaria.
No que diz respeito à sua questão sobre as Luzes Emblemáticas, não existe nenhuma posição ou ordenamento de colocação das suas posições quando a Loja não estiver aberta. Encerrados os trabalhos é suficiente que o Livro da Lei esteja fechado e o Esquadro e o Compasso (fechado) colocado sobre o Altar juntos ao Livro, à direita ou à esquerda e sem nenhuma ordem de precedência.
Essa história de se colocar os objetos ali ou acolá é pura filigrana que não faz sentido nenhum à iniciática maçônica. Isso é pura bobagem. Basta que após ser fechado o Livro da Lei, os instrumentos permaneçam junto a ele à disposição para que na próxima sessão sejam utilizados na forma de costume.
Destaque-se que unidos e de acordo com o Grau, o emblema do Esquadro e o Compasso, nos ritos que assim procedem, possuem elevado significado simbólico quando dispostos sobre o Livro das Sagradas Escrituras.
Encerrados os trabalhos, eles, como Luzes Emblemáticas não fazem sentido algum, portanto não há posicionamento específico para os mesmos em Loja fechada.



T.F.A.

PEDRO JUK

JUNHO/2017

GESTO DE SE ABSTER NA VOTAÇÃO


Em 05/04/2018 o Respeitável Irmão Marcelo Rodrigues, Loja Justiça e Perfeição, 1178, REAA, GOB-RS, Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grand
e do Sul, apresenta a seguinte questão:

SINAL DE ABSTENÇÃO

A respeito do Sinal de Abstenção, em deliberações durante a Ordem do Dia, caso um Irmão visitante esteja presente, por ele não pertencer ao quadro da Loja, a forma correta de se abster é a mesma dos obreiros do quadro? Em pé e à Ordem?
Era só essa a dúvida.
Ela existe devido ao fato de eu não visitar muitas Lojas e, atualmente, por força da profissão, estou trabalhando em outra cidade e gostaria de proceder corretamente.

CONSIDERAÇÕES.

Na maioria dos ritos, inclusive no REAA\, um obreiro querendo se abster durante uma votação, fica à Ordem. Assim posicionado, subentende-se sua decisão de não votar.
Se acontecer de estar presente obreiro de outro rito que assim não proceda para se abster (obreiro Adonhiramita, por exemplo), eu tenho sempre dito, na casa dos outros adaptamo-nos às regras do dono da casa. Assim, a Loja anfitriã, antes da votação, prudentemente deve comunicar e ensinar aos visitantes a maneira com a qual alguém deverá se abster se for o caso.
Concluindo, eu tenho sempre dito, a questão é de bom senso. Eu, por exemplo, ao visitar uma Loja, primeiro me certifico dos seus costumes ritualísticos. Chego adiantado o suficiente para pedir esclarecimentos evitando atropelos de última hora.


T.F.A.

PEDRO JUK

JUNHO/2018

sexta-feira, 1 de junho de 2018

CONDUTA RITUALÍSTICA NA VERIFICAÇÃO - TODOS VOLTADOS PARA O ORIENTE


Em 04/04/2018 o Respeitável Irmão Juvenal Cordeiro Barbosa, Loja Novo Tempo, nº 19, REAA, Grande Oriente do Mato Grosso do Sul, COMAB, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, solicita o seguinte esclarecimento:

CONDUTA RITUALÍSTICA NA VERIFICAÇÃO - VOLTADOS PARA O ORIENTE


Em nossa Potência e temos observado que em outras Lojas de outra Potência assim também procede, e não consegui identificar ou receber uma informação do por quê:
Na abertura da Sessão Magna de Elevação, todos se voltam para o Ocidente e na Sessão Magna de Exaltação todos se voltam para o Oriente. Existe um por que desse procedimento ritualístico?

CONSIDERAÇÕES.

Embora alguns rituais adotem essas práticas, na realidade o procedimento correto não é bem esse em se tratando do REAA.
A liturgia correta para qualquer sessão, Magna ou Ordinária (Econômica), é a seguinte, ou pelo menos deveria ser:
a)    No Primeiro Grau, apenas o Primeiro Vigilante, do seu lugar, verifica se todos os presentes nas Colunas são Maçons. Ele assim os identifica solicitando que todos no Ocidente (em ambas as Colunas) fiquem à Ordem como Aprendiz Maçom. Nessa oportunidade todos os ocupantes do Oriente permanecem sentados, pois nesse espaço do recinto da Loja não existe telhamento. Justifica-se ali não existir telhamento porque nesse lugar só ingressam Mestres, cujos quais, por ocuparem o Oriente, são de responsabilidade do Venerável Mestre.
b)    No Segundo e Terceiro Grau o procedimento no Ocidente é diferente, enquanto que no Oriente - por ali não existir telhamento - todos continuam sentados tal qual ocorre na Loja de Aprendiz.
Nesses casos, no Ocidente se passa o seguinte: atendendo ordem todos ficam em pé e se voltam para o Oriente. Em seguida os Vigilantes, cada qual pela sua Coluna, começando por aquele que estiver mais próximo da parede ocidental, procedem ao telhamento individual na forma de costume. Não passam por esse telhamento, por já terem sido reconhecidos pelo Mestre de Cerimônias ao serem revestidos, os ocupantes de cargos. É oportuno lembrar que cargos em Loja são privativos de Mestres Maçons.
Concluído o telhamento, os Vigilantes comunicam o resultado da verificação ao Venerável Mestre que dá sequência à abertura dos trabalhos.
Outras explicações necessárias:
a)    Os do Ocidente ficam em pé e voltados para o Oriente para que, durante o telhamento, os que estiverem à frente nada vejam o que se passa na retaguarda.
b)    Dado a isso é que o telhamento começa sempre por aqueles que estiverem mais próximos à parede ocidental.
c)     Por não existir verificação no Oriente durante a abertura dos trabalhos, por óbvio todos que ali tomam assento permanecem normalmente sentados.
d)    No Oriente ninguém fica de costas para o Ocidente nessa oportunidade.
Dadas essas explanações, cabe mencionar que essa “estória” de todos os ocupantes da Loja se voltarem para o Oriente, inclusive os ocupantes do quadrante oriental, nada mais é do que mera prática anacrônica e que não faz nenhum sentido, seja ela em Loja de Segundo Grau ou de Terceiro Grau.
Infelizmente esse anacronismo, que de há muito já foi superado, ainda é trazido à tona por alguns rituais. O Oriente é o final da escalada iniciática e todos ali são de responsabilidade do Venerável Mestre, portanto, simbolicamente nesse lugar não existe verificação já que nada é desconhecido iniciaticamente.
Assim sendo, não existe nenhuma explicação para essa prática arcaica onde indiscriminadamente todos se voltam para o Oriente. Isso nada mais é do que mera filigrana e não encontra nenhum amparo na razão. A liturgia de abertura onde isso pode acontecer e é justificável se restringe apenas aos ocupantes do Ocidente da Loja, nunca aos do Oriente.
A propósito, se muitos rituais ainda contemplam essas contradições, é bem verdade que outros, felizmente, já extirparam esse anacronismo.

T.F.A.

PEDRO JUK


JUNHO/2018