sexta-feira, 6 de setembro de 2019

INGRESSO E RETIRADA DO PAVILHÃO NACIONAL NA LOJA


Em 12/06/2019 o Respeitável Irmão Douglas Marcheti, Loja Estrela de Adamantina, 1.340, REAA, GOB-SP, Oriente de Adamantina, Estado de São Paulo, apresenta a questão seguinte:

PAVILHÃO NACIONAL NAS SESSÕES PÚBLICAS


Pode haver entrada da Bandeira Nacional, e se sim, com as espadas e velas, e mais faz a continência com as espadas na passagem, (claro sem sinais) a bandeira, e mais a saída da bandeira seria normal.

CONSIDERAÇÕES.

Obviamente que sim. De há muito esse é um costume na Maçonaria Brasileira.
Em se tratado do Grande Oriente do Brasil, sua presença é obrigatória em todas as sessões em Loja aberta. Nas sessões ordinárias e extraordinárias o Pavilhão Nacional já deverá estar hasteado no Oriente da Loja antes da abertura dos trabalhos. Nas sessões magnas haverá a sua entrada e saída formal, havendo, inclusive, o canto do Hino Nacional na sua entrada e o canto do Hino à Bandeira no momento da sua retirada.
Especificamente nas sessões magnas públicas (com a presença de não maçons), alguns procedimentos que envolvem a composição do Sinal de Ordem devem ser observados.
Todos os procedimentos para o Pavilhão Nacional, tanto o de entrada, assim como o da saída e ainda o da sua localização quando hasteado dentro do Templo podem ser encontrados no Decreto nº 1.476 do GOB, datado de 17 de maio de 2.016 da E\V\, cuja súmula é a de dispor sobre o Cerimonial da Bandeira Nacional.
É bom que se diga que a Bandeira Nacional é a maior autoridade dentro de uma Loja Maçônica. Afora as sessões ordinárias e extraordinárias quando ela já deverá estar hasteada dentro do Templo antes da abertura dos trabalhos, nas sessões em que ela entrar com formalidade, a mesma será sempre a última a entrar e a primeira a sair. Estando ela presente dentro do Templo, ninguém mais será recebido com formalidade, nem mesmo o Grão-Mestre – vide essas orientações no Decreto 1.476.

T.F.A.

PEDRO JUK


SET/2019

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

COR VERMELHA, COLUNAS ZODIACAIS E COLUNAS VESTIBULARES - REAA


Em 11/06/2019 o Respeitável Irmão Roni Emerson Gonçalves, Loja Claudio das Neves, 1.939, REAA, GOB-MG, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão como segue:

REAA E A COR VERMELHA. 

Estou muito feliz, pelo caminho que agora se inicia com relação a Orientações sobre Ritualística do REAA praticado nas lojas do GOB. Nesta ocasião quero parabenizar o Poderoso Irmão pelo trabalho realizado na Grande Secretária de Ritualística do GOB. Espero ansioso por um seminário aqui na Região do Triângulo Mineiro, onde contamos com pelo menos cerca de 20 lojas, sendo 8 (oito) apenas em Uberlândia, onde acredito que poderemos somar muito com a Ritualística nas lojas. Que o Grande Arquiteto do Universo ilumine os caminhos e possa haver essa oportunidade.
O motivo de meu contato, está relacionado a um tópico sobre a "COR AZUL" no REAA, onde de fato deveria ser "VERMELHO". Onde consigo um material sobre esse assunto? De fato, ONDE DEVERIA SER USADO O VERMELHO? Vejo a diferença sutil quando se trata do REAA praticado no GOB e o praticado nas Grandes Lojas, onde os assentos por exemplo, no GOB devem ser de cor Vermelha, e nas Grandes Lojas, percebo que as lojas seguem o padrão azul. Claro que é apenas observação. Fiquei curioso, assim posso dizer, onde mais estaríamos descaracterizando nossas origens.
Aqui faço uma pausa, para uma pequena opinião pessoal se me permite meu irmão. Percebo que algumas mudanças, nos últimos anos no ritual, acabaram por descaracterizar ou mudar a história da qual o GOB teria praticado o REAA, digo isso com relação a arquitetura do Templo. O templo de nossa Loja, possui características muito diferentes do nosso atual Ritual de 2009, então quando estive secretario, tive oportunidade de ver o Ritual da década de 70, neste caso especifico um ritual editado em 1972, onde o nosso templo foi construído exatamente como deveria estar naquele ritual. As colunas B e J estão dentro do Templo, as colunas "zodiacais" talvez esteja falando errado, seria as que estão com símbolos do zodíaco, elas avançam ao oriente e outros pontos mais. Então, será que as alterações estão resgatando o REAA de fato ou fazendo mudanças para aproximar de outras potencias que não seja a nossa dos tempos antigos do GOB? Peço desculpas pelo texto enorme, por outro lado são apenas inquietações pessoais de um aprendiz que com uma enorme curiosidade ainda não tem encontrado respostas com embasamento.

CONSIDERAÇÕES

COR VERMELHA – Historicamente a cor encarnada é a original no REAA. Desde o seu embrião, o Rito traz essa particularidade haurida da Maçonaria Stuartista ainda na Inglaterra. De origem jacobita, portanto católica, a cor vermelha (do cardeal) sempre esteve associada ao escocesismo maçônico.
Isso pode ser observado ainda pelo advento das Lojas Capitulares que apareceriam na França no primeiro quartel do século XIX, cuja cor capitular é predominantemente “vermelha”. Do mesmo modo, também pode ser constatado em se verificando as determinações exaradas pelo Conselho de Lausanne realizado na Suíça no ano de 1875 – vide principalmente as orientações condizentes à padronização do Rito.
Para estudos a respeito eu recomento a obra do saudoso Irmão José Castellani intitulada REAA – História, Doutrina e Prática. Essa obra, além de trazer um excelente conteúdo, traz também uma rica bibliografia que poderá servir de roteiro para estudo.
Aqui no Brasil, em que pese as incontáveis deturpações que o Rito sofreu desde a sua chegada em terras tupiniquins, mesmo assim a cor vermelha sempre esteve presente, tanto no avental de Mestre, bem como na decoração dos templos (inclusive paredes vermelhas).
Infelizmente, sem se servir de nenhuma base histórica, alguns acham o azul “mais bonito” e com isso indevidamente copiaram o matiz azulado de Ritos que trazem decoração eminentemente azul, como é o caso dos Ritos Adonhiramita e do Moderno.
Além dessa simpatia pelo azulado imposta pelos admiradores da cor azul, o REAA também sofreu influências advindas da primeira grande cisão da Maçonaria brasileira que ocorreu em 1927 e da qual resultou a criação das Grandes Lojas Estaduais brasileiras. Com isso, Mário Marinho Béhring, o grande artífice dessa cisão, acabou buscando reconhecimento para as suas Grandes Lojas na Maçonaria praticada nos Estados Unidos da América do Norte, cujas Lojas do Craft norte-americano (Blue Lodges) adotam a cor azul. Assim, Béhring, talvez por simpatia ou para agradar seus reconhecedores trouxe práticas inexistentes no escocesismo enxertando-as no Rito. Delas, por exemplo, vieram aventais azuis que foram indevidamente introduzidos no REAA praticado por aqui. Desafortunadamente esse costume azulado não tardaria a contaminar o escocesismo, inclusive interferindo nos aventais escoceses do GOB (que eram vermelhos) transformando-os, da contramão da história, em aventais azulados originários de outros ritos.
Essas colocações podem ser constatadas em se perscrutando a história da Maçonaria brasileira, sobretudo em alguns rituais antigos que embora deturpados em alguns pontos, pelo menos trazem originalmente a cor vermelha como característica do Rito. Destes eu poderia citar (grafia da época) o Guia dos Maçons Escossezes ou Reguladores dos Tres Gráos Symboloicos do Rito Antigo e Aceito – Grande Oriente Brazileiro – Rio de Janeiro, 1834.
Sugere-se também a consulta em obras de autores como Francisco de Assis Carvalho, José Castellani, Hercule Spoladore, Frederico Guilherme da Costa, Alec Mellor, Rene Charlier, dentre outros. Há que se consultar também a evolução dos rituais franceses, sobretudo sondando as particularidades das três principais Obediências francesas – o Grande Oriente da França, a Grande Loja da França e a Grande Loja Nacional Francesa. Destaque-se que até mesmo em França, sobretudo nos meados do século passado, por adoções e transferências para atender reconhecimentos da Grande Loja da Inglaterra, houve, entre a Grande Loja da França e a Grande Loja Nacional Francesa, deturpações que feriram a origem do Rito, cujas quais inclusive acabaram se espalhando pela Espanha, Itália e Portugal.
MUDANÇAS DE RITUAIS – Em que pese muitos rituais brasileiros antigos trazerem alguns, mas poucos, conteúdos confiáveis, como é o caso da cor vermelha para o REAA, em outros aspectos, entretanto, eles lamentavelmente transformaram o Rito em questão numa verdadeira colcha de retalhos.
Por vários motivos, que não cabem aqui comentários por falta de espaço, esses rituais também trouxeram uma gama de invenções e equívocos. Eu poderia citar algumas coisas que não pertencem ao puro escocesismo e que encontramos nos rituais impressos pelas Obediências daqui (alguns em vigência e outros não mais). É o caso, por exemplo, do Altar dos Juramentos no centro (errado); formação de pálio (não existe); Salmo 133 (errado); Diáconos portando bastão (não portam); o Oriente em relação ao Ocidente elevado por quatro degraus (é apenas um); retângulo ao centro como um tabuleiro de xadrez (é em diagonal e ocupa todo o piso do Ocidente), Colunas Zodiacais no Oriente (não pode), etc. Até mesmo a cerimônia de Instalação não é original no REAA – mas essa é outra questão.
Assim, devo mencionar que as últimas mudanças que ocorreram nos rituais escoceses do GOB a partir do ano de 1996, na sua grande maioria não se tratam de mudanças, mas sim da volta às origens.
Em síntese, na maioria dos casos ocorrera correção do que estava errado e persistia sem explicações. Do mesmo modo foram retirados elementos estranhos à liturgia do REAA (infelizmente não todos, pois ainda existem outros).
Obviamente que não tenho como aqui abordar item por item do que fora “corrigido” ou extirpado, pois na verdade o que houve mesmo foi mais uma aproximação das práticas verdadeiras, faltando, sem dúvida, ainda detalhes que merecem mais atenção, sobretudo no que diz respeito ao retorno às origens.
Como foram mencionadas na questão alguns detalhes inerentes à construção do Templo da sua Loja e o ritual de 1972, vou então fazer breves considerações sobre as Colunas Zodiacais, bem como sobre as Colunas Vestibulares.
No tocante às Colunas Zodiacais, devo mencionar que sobre hipótese alguma elas dever ocupar as paredes do Oriente. Isso se dá porque elas têm a finalidade de demonstrar (apontar) o caminho do Iniciado na doutrina do Rito.
Assim, as seis primeiras que ficam no topo da Coluna do Norte (entre a parede ocidental e a grade do Oriente) marcam o caminho do Aprendiz, enquanto que as outras, no topo da Coluna do Sul (entre a grade do Oriente e a parede ocidental) indicam o caminho dos Companheiros e ao final dos Mestres. Esses últimos, morrem no inverno para renascer na Luz quando, após concluírem a jornada no mundo terreno seguem por um caminho que os levará ao Oriente (pelo eixo do Templo) que é o lugar da Luz (mundo espiritual).
Na realidade, as Colunas Zodiacais também marcam as constelações do Zodíaco que, agrupadas em grupos de três em três, demonstram alegoricamente os ciclos da Natureza (as estações do ano).
Sob a égide de uma doutrina deísta (francesa) o Rito ordena a vida do Iniciado comparando-a com os ciclos e a renovação da Natureza - esta morre no inverno para renascer na primavera. Assim também deve morrer o iniciado para a vida profana e renascer para a vida maçônica (busca da Luz).
Assim, sendo as Colunas Zodiacais os marcos da senda iniciática, as mesmas não podem se situar no quadrante oriental, já que o Oriente alegoricamente se reporta ao mundo espiritual, enquanto que o Ocidente ao mundo material. Há que se lembrar que o Iniciado só ingressará no Oriente após ter cumprido toda a jornada e por fim ter passado pela Exaltação conquistando o renascimento para a Luz.
Nesse sentido, como as Colunas Zodiacais indicam o caminho dos Aprendizes e dos Companheiros, que fica no Ocidente, elas então não podem ser colocadas no Oriente, pois nesse quadrante, por razões puramente iniciáticas, é vedado o ingresso para Aprendizes e Companheiros em Loja aberta. Com isso, notadamente as Colunas Zodiacais ficam apenas no Ocidente.
Destaque-se que é anacrônica a interpretação de que as Colunas Zodiacais servem para suportar a abóbada celeste. Isso é interpretação equivocada que se sustenta só pela lei do menor esforço. Nesse sentido, elas não sustentam, mas marcam no horizonte ocidental da abóbada as doze constelações do Zodíaco. Existem, inclusive, rituais franceses que nem sequer mencionam as Colunas Zodiacais, entretanto exaram que na base da abóbada nos lados Norte e Sul correspondente ao Ocidente, devem aparecer os símbolos que indicam às constelações do Zodíaco.
Quanto as Colunas Vestibulares, elas marcam a passagem dos trópicos de Câncer ao Norte (Coluna B) e Capricórnio ao Sul (Coluna J).
Independente de todas as intepretações que elas mereçam, os seus próprios títulos já lhes dão o caráter de exterioridade, pois elas são “vestibulares”, portanto relativas ao “vestíbulo” que é o Átrio do Templo.
Na descrição bíblica das suas existências no Templo de Jerusalém as mesmas aparecem descritas como que ladeando a porta pelo exterior. Obviamente pelo exterior porque a descrição é de quem vê por primeiro o Templo pelo lado de fora. Afinal, para se ingressar num recinto é preciso primeiro que se esteja no seu lado de fora – primeiro se faz a garrafa para depois se construir a rolha.
Assim, as Colunas Vestibulares B e J se localizam no Átrio, ou seja, pelo lado externo da porta do Templo e não no seu interior. Isso também pode até ser constatado nos Painéis dos Graus de Aprendiz e Companheiro. Neles as Colunas Vestibulares aparecem ladeando o pórtico – note que o ponto de vista é de fora para dentro.
Dado a esses comentários, não nos parece que o ritual de 1972 mencionado esteja assim tão correto ao ponto de servir como modelo para construção de um Templo.
Infelizmente, a imensa maioria dos rituais escoceses de outrora editados no Brasil estão repletos de erros e enxertos, inclusive alguns até invertem as Colunas Vestibulares copiando outros ritos e com isso colocam indevidamente Aprendizes tomando assento no Sul. Desafortunadamente, muitos Irmãos acham que por serem esses rituais antigos, então eles e que são corretos, mas isso não é verdade.
Assim, antes é preciso que cautelosamente e com método se estude cada ponto a ser discutido e defendido na liturgia, valendo a pena mencionar que o REAA é um rito que nasceu na França, portanto, no hemisfério Norte. Com isso, a sua orientação simbólica deve se dar por esses parâmetros. A não observação desse importante detalhe tem feito com que muitos tomem posições inadequadas, por extensão, sem sentido.
Para concluir, é bom que se diga que é o exercício do rito na sua pureza que traz subsídios para explicar a sua doutrina. Sem isso, muitas coisas não fazem sentido e nem se sustentam em explicações sólidas e dotadas de razão. A originalidade explica o porquê da simbologia e da topografia dos nossos Templos. Tudo ali foi minuciosamente pensado antes de ser colocado. Distorções tendem sempre a descambar para o caminho da imaginação e do achismo, sendo que isso não é nada prudente para uma Instituição que investiga a Verdade.


T.F.A.

PEDRO JUK


SET/2019

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

LUZES LITÚRGICAS E LUZES AUXILIARES - REAA


Em 11/06/2019 o Respeitável Irmão Pedro Rafael Nogueira Guimarães, Loja Fidelidade, GOSP, REAA, Oriente de Itapetininga, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

LUZES LITÚRGICAS E AUXILIARES NO REAA.


Tenho duas dúvidas. Caso possa ajudar-me, aqui vai a primeira: Em sessão de Aprendiz, apenas uma das luzes/velas fica acesa em cada Altar. Quantas luzes/velas são acesas nos altares do Venerável Mestre, Primeiro Vigilante e Segundo Vigilante nos demais graus? E qual o uso ou utilidade delas nos altares do Orador, Secretário, Tesoureiro e Chanceler? Pergunto porque nunca as vi acesas.
Complemento da questão:
A dúvida é com relação ao uso das luzes dos altares dos outros oficiais. Nunca vi as luzes do Secretário, Orador, Tesoureiro e Chanceler ser utilizada. As sessões de Aprendiz são muito frequentes, e elas nunca estão acesas. Gostaria de saber se deveriam ser acendidas nos outros graus. Como não fazemos muitas sessões nos outros dois graus, de repente, minha oficina está em erro.

CONSIDERAÇÕES.

Para que não pairem dúvidas, vamos dividir essa questão em duas partes, sendo uma sobre as luzes que têm caráter iniciático no REAA e conhecidas como “luzes litúrgicas” e outra sobre luzes auxiliares, ou aquelas que não tem sentido iniciático, mas servem mesmo é para ajudar a iluminar um ambiente.
Luzes litúrgicas - compreendem aquelas que ficam nos três candelabros de três braços situados respectivamente sobre o Altar ocupado pelo Venerável Mestre e sobre as mesas ocupadas pelos Vigilantes. Essas luzes têm caráter iniciático e são acesas em número conforme o grau de trabalho da Loja.
Esotericamente, na senda do aperfeiçoamento a Luz simboliza o esclarecimento, isto é, quanto maior for o grau simbólico do iniciado, pressupõe-se ser ele mais esclarecido. Numa síntese simbólica, quanto mais luzes acesas nos candelabros, mais sábio é o iniciado. Quanto mais luzes, maior é o grau de trabalho na Loja simbólica.
Em face a essas luzes é que os titulares dos lugares onde se situam os candelabros são chamados de Luzes da Loja (Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes).
Uma das características das luzes litúrgicas é que elas são acesas, ou apagadas conforme o momento especificado no ritual.
Luzes auxiliares - essas, como bem menciona o nome, nada tem a ver com a liturgia iniciática, ou mesmo traga consigo ensinamentos esotéricos.
Apenas com a função de iluminação, elas geralmente são colocadas como luminárias sobre as mesas do Orador, Secretário, Tesoureiro e Chanceler. Assim, elas servem apenas para melhorar a iluminação do ambiente – não há simbolismo para elas.
Acender uma luz auxiliar fica a cargo de cada um dos titulares sempre que eles necessitarem de melhor iluminação – para ler e para escrever, por exemplo. Assim, não há para elas graus ou momentos ritualísticos que determinem o seu acendimento e o seu apagar. Para elas a questão é só a de um dispositivo que auxilia o titular a enxergar melhor, facilitando a execução do seu ofício no seu ambiente de trabalho.


T.F.A.

PEDRO JUK

SET/2019

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

FORMAÇÃO E FINALIDADE DA CADEIA DE UNIÃO NO REAA


Em 11/06/2019 o Respeitável Irmão Francisco Kennedy Campelo de Souza, Loja Estrela da Fronteira, 2.024, REAA, Oriente de Mundo Novo, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta a seguinte questão:

CADEIA DE UNIÃO


Caro Irmão já não é a primeira vez que procuro teus conhecimentos para ajudar na ritualística correta em nossa Loja. No caso da Cadeia de União, diz no ritual que devemos unir os braços ....... nada se refere aos pés, que muitos insistem em estarem unidos Cal com Cal e as pontas unidas aos dos IIr vizinhos. Nosso ritual está errado ou é mais um incremento que está se enraizando?

CONSIDERAÇÕES

Absolutamente. Em se tratando do REAA, onde a Cadeia de União é apenas utilizada para se transmitir a Pal\ Sem\, nela não existe essa união dos pp\ entre os participantes da Cadeia. Assim, o ritual nesse sentido está corretíssimo.
Reitero que no REAA não se forma a Cadeia de União senão para sua única finalidade, ou seja, a de se transmitir através dela a Pal\ Sem\. No rito mencionado não existem preces, pedidos, exclamações, etc., quando da formação da Cadeia de União.
Infelizmente ainda trazemos os ranços oriundos de rituais ultrapassados e enxertados que traziam no passado práticas de outros ritos.
Nesse sentido, o Ritual em vigência é claro quando menciona a formação da Cadeia apenas entre os Irmãos do Quadro da Loja e para a finalidade única – transmitir a Pal\ Sem\.
Cabe mencionar que é devido a isto que ela só é formada após terem sido encerrados os trabalhos e os visitantes, se porventura houver, já terem se retirado.
Concluindo, as orientações, adequações e correções pertinentes ao Ritual de Aprendiz do REAA que estão oficialmente colocadas à disposição no site oficial do GOB, na plataforma http://ritualistica.gob.org.br/, tratam, dentre outros, da formação da Cadeia de União – comprove lá o que exaram as orientações.

T.F.A.

PEDRO JUK


SET/2019

A CORDA DE 81 NÓS E A ORLA DENTEADA


Em 07/06/2019 o Respeitável Irmão José Luiz Gnoato, Loja Fraternidade Paraguaçu, 1.303, REAA, GOB-SP, Oriente de Paraguaçu Paulistas, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

CORDA DE 81 NÓS E ORLA DENTEADA


Pode me passar alguma informação sobre o Ornamento da Loja, Corda de 81 Nós? S
ei que 81 é múltiplo de 9, mas tem alguma outra razão o número 81?
Tenho um livro, com título "Maçonaria 100 Instruções para Aprendiz" de Raymundo Della Junior. Este autor diz que corda de nós e borla dentada são a mesma coisa, o que não faz sentido para mim.

CONSIDERAÇÕES.

Sob o aspecto histórico, a origem da corda na Moderna Maçonaria advém da época da Maçonaria de Ofício. À época dos canteiros medievais o terreno que acomodava uma obra – de uma catedral, por exemplo – era cercado por paliçadas e nela o limite do canteiro se dava por uma corda que demarcava as fronteiras. Muitas vezes, algumas construtoras medievais utilizavam uma grossa corrente no lugar da corda.
Em linhas gerais, a corda ia presa às paliçadas por argolas de ferro. Na entrada do canteiro dois postes mais altos indicavam o seu lugar de acesso. Junto aos postes maiores da entrada ficavam os abrigos dos Wardens (zeladores) que mais tarde na Maçonaria seriam conhecidos como Vigilantes.
Em síntese, a corda demarcava (protegia) os limites do canteiro de obras – o que hoje se faz com tapumes apropriados.
Especulativamente a Corda entrou como símbolo em alguns ritos que a trazem presa ao alto e junto as paredes da Sala da Loja. Contornando o recinto ela se interrompe junto às laterais da porta. Caídas verticalmente, as extremidades são decoradas em borlas.
Assim, a Moderna Maçonaria, herdeira dos construtores medievais, traz em alguns dos seus ritos esse simbolismo contornando o espaço de trabalho, o que não é de se estranhar já que a Loja é uma representação especulativa dos canteiros de outrora.
Quanto a quantidade de “nós” e o seu simbolismo os mesmos se adequam à doutrina do rito que admite esse símbolo. Particularmente a quantidade de 81 está intimamente relacionada à filosofia dos números, sobretudo pelo produto da unidade ternária, aspecto comum na alegoria das construções especulativas.
Sob a aparência alegórica e esotérica ela, por contornar o espaço onde se reúnem os maçons, traz a conotação de força, união e harmonia. Também individualmente a sua composição de inúmeros fios de sisal unidos uns aos outros lhe dão a característica de resistência.
A despeito da sua presença e seu simbolismo nas Lojas Maçônicas, a Corda de Oitenta e Um Nós esotericamente representa a união fraternal e espiritual que deve existir no universo maçônico. Ela representa a comunhão de ideias em prol de um bem comum. A abertura da Corda pelas laterais da porta do Templo e decoradas em duas borlas, demonstra que a Ordem Maçônica é progressista, estando, portanto, sempre aberta à ciência e as artes, assim como a novas ideias que possam contribuir com a evolução do homem e com o progresso racional da humanidade.
No que diz respeito à Orla Dentada, ou Denteada, essa representação simbólica tem o caráter de contornar a Loja, sobretudo nos ritos e trabalhos que utilizam também tapetes. De certa forma a Orla denota a união dos trabalhadores no canteiro especulativo (contornando o piso).
Esse símbolo também se apresenta nos Painéis dos Graus e geralmente aparece contornando o conjunto simbólico que compõe o quadro. Como os símbolos do Painel constituem a alegoria da Loja, a Orla Denteada, como uma moldura, assume a aparência de atrair a atenção para os conhecimentos que se apresenta no interior do Quadro, Painel ou Tábua de Delinear.
É sob essa concepção que a Orla Denteada, segundo as Lições Prestonianas, denota ser a alegoria do princípio de atração universal. Seus múltiplos dentes representam os astros que gravitam em torno do Sol; representam os povos reunidos em torno um chefe; os filhos reunidos em torno dos pais; enfim, os maçons reunidos no seio da Loja, cujos ensinamentos e a moral aprendem para espalhá-los pelos pelos quatro cantos do Mundo.
Em síntese, a Orla emoldurando o Painel e a Corda que contorna a Loja assumem uma característica praticamente igual, ou seja, a de condensar, juntar, unir e envolver. Nesse particular, a Orla contorna o piso e o Painel, enquanto que a Corda, contorna o espaço do recinto. Em síntese, a Corda protege o sítio de trabalho, enquanto que a Orla atrai e concentra veladamente os símbolos e alegorias.
Assim, alguns autores mencionam igualdade entre esses dois símbolos, entretanto, sutilmente há entre eles diferença, pois um deles, o da Corda, demonstra o trabalho e o aperfeiçoamento da senda iniciática, tão bem representada no recinto de trabalho que é consagrado ao aperfeiçoamento, enquanto que a Orla, mais apropriadamente, é a apostila; é o conjunto enigmático que demonstra o objetivo da Obra.
Concluindo, a Corda, em que pese seu caráter especulativo, sem dúvida é um símbolo haurido da Maçonaria Operativa, enquanto que a Orla (Borla) Dentada (Denteada, Marchetada) é incontestavelmente um símbolo que só apareceu com o advento da Moderna Maçonaria. De tudo, ambos, se bem compreendidos na Arte, são peças imprescindíveis na composição da alegoria maçônica.


T.F.A.

PEDRO JUK


SET/2019