quarta-feira, 11 de setembro de 2019

ÁTRIO. RITUALÍSTICA E A PORTA DO TEMPLO MOMENTANEAMENTE ABERTA


Em 21/06/2019 o Respeitável Irmão Ricardo Dal Pizzol, Loja Luz e Fraternidade, 1.636, sem mencionar o nome do Rito, GOB-DF, Oriente do Gama, Distrito Federal, apresenta a seguinte questão:

RITUALÍSTICA E A PORTA DO TEMPLO ABERTA


Você sempre diz que o Átrio faz parte da Loja e que nele, em algumas sessões, ocorrem ritualística. Considerando isso, muitas vezes quando se vai adentrar o Pavilhão Nacional, os Irmãos desfazem o Sinal de Ordem, pois a porta do Templo foi aberta, em outros casos com a porta do Templo aberta, interrompem a ritualística. Me parece que, considerando o Átrio parte integrante da Loja, isso não faz sentido ou realmente devemos desfazer o sinal e suspender a ritualística?

CONSIDERAÇÕES.

Comento isso porque especulativamente o REAA possui um espaço de trabalho (oficina) constituído na sua superfície por um quadrilongo composto simbolicamente por três quadrados contíguos, sendo um deles para o Oriente, um e meio para o Ocidente e meio para o Átrio (antessala do Templo). Cabe salientar que essa composição de espaço é simbólica, já que verdadeiramente a imensa maioria dos recintos são arranjados e adequados conforme o edifício comporta.
No tocante ao Átrio, em algumas ocasiões há inclusive desenvolvimento de liturgia nesse espaço vestibular – vide a interpelação do candidato e os diálogos que se seguem antes do seu ingresso na Iniciação; a interpelação do Aprendiz e do Experto na Elevação; a cena teatral da verificação de quem é o Companheiro que ousa se aproximar na cerimônia de Exaltação. Note que tudo isso se dá no Átrio do Templo, havendo, nesse caso, entre os espaços completa interação dos ambientes.
É no Átrio que se situam as Colunas Vestibulares B e J.
De modo prático, o que tem existido de fato - e nisso eu concordo - é um excesso de preciosismo quanto à execução do Sinal e a porta do Templo momentaneamente aberta.
Por certo é que Sinais somente são feitos dentro do Templo e não no Átrio, já que é o Templo que se encontra “coberto” pelo Cobridor (Landmark do sigilo), mas isso também não pode ser tomado como condição sine qua non ao ponto de caprichosamente se esperar, no decurso dos trabalhos, o Cobridor fechá-la para só depois se compor o Sinal.
Obviamente que às vezes parece haver um abismo entre a realidade e a aparência. A priori, ninguém chega no Átrio da Loja sem as devidas cautelas, destacando-se que ali transitam Irmãos e ainda há hipoteticamente a figura do Cobridor Externo (que quase nunca está presente) para proteger as cercanias do Templo e manter dali afastados os cowans e goteiras. Assim, é excesso de preciosismo essa atitude de se esperar que a porta seja primeira fechada para se compor o Sinal, até porque é atributo do Cobridor Interno fechar a porta logo após o ingresso ou saída de alguém. Isso implica que a porta não ficará aberta, mas se há procedimentos que demandem da abertura dela durante a sessão, por óbvio que a mesma precisa ser aberta e nem por isso, por exemplo, precisamos fechar o Livro da Lei enquanto isso acontece.
Outro aspecto a se considerar é que muitos procedimentos ritualísticos se dão para cumprir formalidades que nada tem a ver com a liturgia iniciática, como é o caso, por exemplo, do ingresso e retirada do Pavilhão Nacional. Nessa ocasião, em sessão exclusiva para maçons, obviamente que o Cobridor precisará abrir a porta para passagem do Pavilhão, destacando-se que enquanto ele estiver em movimento a Loja estará à Ordem (todos se perfilam apenas para o canto dos Hinos).
Enfatizo, nesse momento ninguém precisa desfazer o Sinal só porque o Cobridor abriu temporariamente a porta para passagem do Pavilhão.
Outro exemplo para tal é o de visitantes em comitivas, ou Lojas visitantes. Ora, nessa ocasião não cabe esperar que todos entrem (muitas vezes as comitivas são grandes) para só depois a Loja se posicionar à Ordem para recepção – ou mesmo os visitantes para se colocar à Ordem.
Trocando em miúdos, às vezes dão mais valor ao molho do que à carne. Por óbvio é que Sinais são feitos em Loja aberta, entretanto não há o porque de se desfazer o Sinal quando temporariamente a porta estiver aberta, seja para quem entra com para os que estão dentro do Templo. Isso é tão desnecessário quanto ter que peremptoriamente fechar os trabalhos para que o Cobridor possa abrir a porta para atender uma demanda ritualística – não dá para assoprar o trombone e comer farinha ao mesmo tempo.
A bem da verdade, muitos maçons precisam se desvencilhar de certos costumes rançosos e colocar em seus lugares ações que se apoiem na prática do bom senso.
Para concluir, destaco que embora haja estreita ligação entre o Átrio e a Sala da Loja no REAA, é certo que nele (Átrio) o maçom não faz Sinal. Sinal, via de regra, é feito em Loja, mas sem a condicionante de ter que desfazê-lo se porventura a porta precisar ser momentaneamente aberta durante os trabalhos. Afinal, excessos, podem remeter o objetivo para segundo plano.


T.F.A.

PEDRO JUK


SET/2019

terça-feira, 10 de setembro de 2019

REAA - TRANSFORMAÇÃO DA LOJA E COBERTURA NO AUMENTO DE SALÁRIO


Em 20/06/2019 o Respeitável Irmão Valter Alves Schmitz Neto, Loja Cidade Azul, 2.779, REAA, GOB-SC, Oriente de Tubarão, Estado de Santa Catarina, apresenta a seguinte questão:

TRANSFORMAÇÃO DE LOJA E AUMENTO DE SALÁRIO


Duas dúvidas...
1.     Na transformação da Loja para graus superiores, o Irmão Orador somente movimenta o Compasso e o Esquadro, ou também faz a leitura do respectivo salmo?
Nós sempre movimentamos o Esquadro apenas. Hoje nos falaram (não demonstraram onde está escrito) que se lê também o salmo.
2.     No telhamento para Elevação ou Exaltação, os candidatos deixam o Templo. Depois de telhado, já pode permanecer no Templo e assistir ao telhamento dos demais?
Nós sempre fazíamos sair depois de seu telhamento, e ao estar concluído todos os telhamentos, e a assembleia posicionar-se, é que todos retornavam juntos.
O Irmão pode nos auxiliar me esclarecendo estas dúvidas?

CONSIDERAÇÕES.

Seguem comentários pertinentes:
1. Como na transformação da Loja de Companheiro para Mestre, na transformação de Aprendiz para Companheiro o procedimento também será completo, isto é o Orador é conduzido ao Altar, faz a leitura em Amós, e transforma a posição dos instrumentos de acordo com o grau. Por sua vez, o Mestre de Cerimônias expõe o Painel do Grau e as luzes litúrgicas são acesas na forma de costume.
Note que no Ritual do 3º Grau, a transformação de Companheiro para Mestre já obedece a essa sequência. O Ritual de Companheiro está contraditório e incompleto, assim, nas orientações e adequações que serão colocadas na plataforma do GOB RITUALÍSTICA, as mesmas já trarão o procedimento completo (como descrito acima), devendo, portanto, ser seguido por todas as Lojas da Federação.

2.     Conforme especifica a legislação, Artigos 35 e 36 do RGF, os candidatos são submetidos ao exame de acordo com o que a Loja preparou. Após as respostas e arguições o Templo é coberto aos candidatos para que a Loja seja transformada e haja deliberação sobre o assunto. Concluídos os afins, a Loja retorna ao grau de origem e os candidatos são readmitidos nos trabalhos novamente ao tempo que são informados do resultado do exame.
No caso de haver mais do que um candidato, eu particularmente não vejo necessidade de que o Templo seja coberto para que haja exame individual. Penso que é uma atitude desnecessária e diria, até excesso de preciosismo. Assim, destaco o seguinte nessa situação: - cada candidato responde perguntas apresentando os seus argumentos na presença dos demais. O campo de instrução maçônica é vasto e a Loja pode preparar para cada candidato um questionário diferenciado – penso ser isso mais rico do que ficar cobrindo desnecessariamente aos outros examinados. A peça de arquitetura (trabalho do grau) já terá sido examinada pela Comissão de Admissão e Graus, portanto também não faz sentido esconder dos demais.
Sob esse enfoque é que na minha opinião não é de boa geometria retirar obreiros do mesmo grau no momento do exame. Mais completo seria que a Loja, através do Vigilante responsável pelas instruções, preparasse provas individuais, já que matéria tem de sobra para que não haja coincidência entre perguntas e respostas.



T.F.A.

PEDRO JUK

SET/2019

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

SAUDAÇÃO AO PAVILHÃO NACIONAL E A POSTURA DO ORADOR


Em 19/062019 o Respeitável Irmão Nilton Barbosa de Souza, Loja Malkhut, 3.859, REAA, GOB-SP, Oriente de Santos, Estado de São Paulo, solicita o seguinte esclarecimento:

SAUDAÇÃO AO PAVILHÃO NACIONAL


Referente a saudação do Orador à Bandeira Nacional, quando da leitura ritualística: Bandeira nacional..., a leitura é feita à ordem ou simplesmente perfilado?

EXPLICAÇÕES

Conforme menciona o Decreto 1476/2016 do GOB que dispõe o Cerimonial para a Bandeira Nacional no seu Art. 5º, III e IV respectivamente para o REAA:
III.             O Porta-Bandeira retira a Bandeira do suporte, segurando-a da mesma forma que o fez quando da execução do Hino Nacional, posicionando-se a nordeste, à frente do Venerável e voltado para o Sul.
IV.            O Irmão encarregado da saudação coloca-se, também à nordeste, de frente ao Porta-Bandeira e sem tocar na Bandeira procede à saudação. Sendo sessão restrita a maçons, os Irmãos ficam à Ordem, caso contrário, se a sessão não for restrita, todos os presentes ficam em pé, com os braços estendidos ao longo do corpo (os negritos são meus).
Assim, segundo o que prescreve o Inciso IV acima, em sendo a sessão restrita a maçons, o Orador, ao fazer a saudação fica à Ordem. Já se na sessão estiverem presentes não maçons (Sessão Magna Pública) o Orador faz a saudação sem estar à Ordem.
É aconselhável que o Orador, em qualquer situação, segure o texto com as duas mãos. Isso o desobriga de ficar à Ordem, se for o caso.
Outras orientações serão encontradas no Decreto 1476 do GOB. Informações também podem ser encontradas em http://ritualistica.gob.org.br/  , cujas orientações são oficiais e devem ser seguidas.


T.F.A.

PEDRO JUK


SET/2019

MAÇOM PERTENCER A LOJAS COM RITOS DIFERENTES


Em 19/06/2019 o Respeitável Irmão Antonio Carlos dos Santos Pinheiro, sem mencionar o nome da Loja, Rito, Obediência, Oriente e Estado da Federação, apresenta a seguinte questão:

RITOS DIFERENTES


É possível pertencer a lojas de ritos diversos ao mesmo tempo?

CONSIDERAÇÕES.


Como obreiro regular do quadro de uma Loja ele pode pedir sua filiação em outras Lojas, isto é, pertencer a mais do que uma Loja, desde que ela seja da mesma Obediência.
Quanto ao Rito que a Loja pratica, o mesmo pode ser diferente do da outra Loja. Obviamente que o obreiro assim se sujeitará a praticar o Rito da Loja que ele buscou filiação quando nela estiver presente.
Ritos diferentes não impedem filiação, o que impede é o obreiro pertencer regularmente à Obediências diferentes.
É oportuno mencionar que um obreiro que pertença a mais de uma Loja (de uma mesma Obediência) e as mesmas trabalhem em ritos diferentes, que ele então respeite e pratique na Loja o Rito por ela adotado, isto é, sem misturar costumes ritualísticos praticados pela outra. Isto significa não levar costumes de uma para outra Loja. Inclusive observar os paramentos correspondentes aos Ritos por elas praticados.
É bom que se saiba que o objetivo da Maçonaria é único – o de aprimorar o homem, todavia os processos doutrinários e as liturgias trazem diferenças na organização e desenvolvimentos dos seus trabalhos. Para se manter fiel à cultura e a tradição, cada rito deve ser seguido conforme dispõe a sua liturgia.
Para concluir, lembro que cabe ao maçom saber respeitar essas diferenças, sem eleger conceitos e sem proferir preferências e muito menos se arvorar a dizer que esse é melhor do que aquele. Ora, eleja o rito da sua preferência, mas respeite a preferência dos os outros, pois tudo é Maçonaria e nela somos todos são Irmãos.



T.F.A.

PEDRO JUK


SET/20019


TÁBUA DE DELINEAR E PAINEL DA LOJA


Em 17/06/2019 o Respeitável Irmão Laercio Roque Tolfo Vieira, Loja Luz da Serra, 417, Rito de York, GORGS (COMAB), Oriente de Santo Ângelo, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a questão seguinte:

TÁBUA DE DELINEAR


Qual a melhor colocação dos Painéis dos Graus Simbólicos. Pergunto porque na maioria das Lojas os Painéis ficam no chão e voltados para o Oriente, e quem entra em Loja não tem a visão do Grau em que se está trabalhando.

COMENTÁRIOS.

Em se tratando do Craft praticado na Inglaterra, não existe precisão quanto a sua colocação. Não raras vezes vê-se a Tabua de Delinear próximo ao Primeiro Vigilante e outras próximo ao Segundo Vigilante, etc. Em linhas gerais, não existe uma regra para isso. Existem Lojas, inclusive, que não expõe aleatoriamente a Tábua de Delinear (Tracing Board), fazendo sua exposição apenas quando ele é utilizado na preleção.
Aqui no Brasil, por exemplo, o ritual do GOB do Rito de York no 1º Grau traz a Tábua de Delinear posicionada entre o Segundo e o Primeiro Vigilante (mais ou menos a sudoeste). Assim, nas Obediências que admitem rituais impressos do Craft, como é o caso do GOB, a localização das Tábuas deverá estar de acordo com o que prescreve o Ritual. Notadamente, na Inglaterra a Grande Loja não adota oficialmente rituais.
É bom que se diga que é equivocada a ideia de que a Tábua de Delinear seja um objeto que serve para indicar o Grau de trabalho da Loja. Obviamente que quando ele é aberto para estudos, o mesmo é exposto conforme o grau de trabalho da Loja e em posição adequada para visão da plateia.
O termo Painel da Loja, ou do Grau, é mais adequado para os ritos pertencentes à vertente latina da Maçonaria, no caso a latina. Assim, nesses ritos, o Painel geralmente fica no centro ao Ocidente com a sua face (quando aberto) voltada para o Oeste. Do mesmo modo, a função do Painel da Loja é para trazer alegoricamente toda a simbologia condensada e pertinente ao Grau de Trabalho. Seu conteúdo é de alto valor simbólico e está muito longe também de servir para indicar em que grau a Loja esteja aberta.
A Tábua de Delinear e o Painel da Loja são quadros que sintetizam a Loja e o caminho iniciático do maçom.


T.F.A.

PEDRO JUK


SET/2019

sábado, 7 de setembro de 2019

O ESQUADRO, O COMPASSO E O LIVRO DA LEI


Em 17/06/2019 o Respeitável Irmão Laércio Roque Tolfo Vieira, Loja Luz da Serra, 417, Rito de York, GORGS (COMAB), Oriente de Santo Ângelo, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a questão seguinte:

ESQUADRO E O COMPASSO


Necessariamente o Esquadro e o Compasso tem que ficar em cima da Bíblia?

CONSIDERAÇÕES.

O Esquadro, o Compasso e o Livro da Lei são os componentes das Três Grandes Luzes Emblemáticas ou as Grandes Luzes da Maçonaria.
Na verdade, o livro e os dois objetos simbólicos constituem um dos símbolos máximos da Maçonaria. Assim, o Esquadro e o Compasso, que só aparecem unidos em Loja, conforme a sua disposição, determinam o grau simbólico de trabalho da Loja.
Em linhas gerais, conforme o Rito o Livro é aberto tendo sobre eles os dois instrumentos simbólicos. Essa disposição pode ser ao centro, sobre as duas páginas abertas do livro ou, conforme o costume, na página direita do ponto de vista de quem o lê. Existem ritos, entretanto, como é o caso do Schröder, que não abrem o Livro, entretanto, sobre ele fechado dispõem-se o Esquadro e o Compasso na forma do Grau.
Especificamente no Rito de York (trabalho do Craft), não há leitura de nenhum trecho do Livro, contudo ele é aberto e fica voltado para o Venerável, tendo sobre a sua página direita aberta dispostos o Esquadro e o Compasso.
Particularmente isso acontece no Rito de York porque nele a Loja pode ser colocada em descanso – essa é uma liturgia prevista. Assim, quando isso acontece, sem desfazer ou desarrumar os instrumentos simbólicos, o livro é fechado por sobre eles durante o descanso.
Concluindo, o Esquadro e o Compasso, em Loja aberta, são sempre armados sobre o Livro da Lei, podendo, conforme o rito, estar o Livro aberto ou fechado.


T.F.A.

PEDRO JUK


SET/2019

BOLSAS. COLETA E CIRCULAÇÃO NO REAA


Em 14/06/2019 um Respeitável Irmão pertencente a uma Loja do Grande Oriente do Brasil me apresentou a seguinte questão:

COLETA E CIRCULAÇÃO NO REAA.


Me desculpe se for importuno, mas gostaria que se possível o irmão pudesse me ajudar nestas duvidas: (...) dou treinamento aos Novos Veneráveis de nosso estado amanhã
dia 15 irei dar treinamento para essa nova diretoria.
Dentre muitas dúvidas que surgem uma delas é quanto a circulação do saco de propostas e do tronco.
No Ritual de Aprendiz diz que a ordem é:
Venerável 1º e 2º Vigilantes, Orador, Secretario e Cobridor. Fechando os dois triângulos.
Na normativa no site do GOB, tem na orientação que após se faz a coleta dos irmãos que estão sentados ao lado do Venerável Mestre.
Minha dúvida:
Não seria o certo que ao fazer a coleta teria que fazer o trono inteiro? Uma vez que o trono do Venerável Mestre por ser a figura ilustrativa e simbólica do Rei Salomão é uno e indivisível? Que a circulação do Mestre de Cerimonias e do Hospitaleiro é uma Viagem e se ele retorna ao Altar do Venerável Mestre ele quebraria essa viagem simbólica? 
Sem contar que se o Grão Mestre estiver na sessão ele é o presidente da Loja ou seja a maior autoridade presente, ele não entrega o cargo ao Venerável ele apenas devolve o Malhete para que o Venerável continue com os trabalhos.
Me desculpe se for importuno, mas gostaria que se possível o irmão pudesse me ajudar nestas duvidas:

Precisamos nos desvencilhar desses anacronismos do passado. Não existe a formação de triângulos nas circulações da bolsa. Teríamos que imaginar demais para essa formação. Infelizmente, nos tempos dantes autores ocultistas inventaram um suposto triângulo da materialidade e outro da espiritualidade. Destes ainda uma estrela de seis pontas que só obtém forma com muito exercício de imaginação. Aliás, estrela de seis pontas nem é símbolo do REAA. Assim, isso não procede no trajeto das bolsas.
Também não procede essa ideia de “trono inteiro”. Ora, o sólio é um só e nele toma assento o dirigente da Loja (aquele que detém o malhete). Os dois assentos, a direita e a esquerda do Venerável são simplesmente cadeiras de honra e nada tem a ver como o “trono”.
Nesse sentido, não existe essa ideia de trono indivisível, até porque, mesmo se fazendo esforço de imaginação fica difícil entender a razão dessa divisão proibida. Durante a circulação da bolsa, ninguém está dividindo o trono com ninguém, pois o dirigente é quem senta no trono e traz consigo o primeiro malhete (símbolo do seu poder e sua autoridade).
É certo que o Grão-Mestre, se ele quiser, pode dirigir os trabalhos. É uma prerrogativa sua e tida como um Landmark moderno. Nesse caso, ele ocuparia então o lugar do Venerável Mestre e dele receberia o malhete. Apesar dessa prerrogativa ser inquestionável, o ritual especifica que o Grão-Mestre recebe o malhete conforme previsto no Protocolo de Recepção para em seguida devolvê-lo ao Venerável Mestre para o mesmo, por ter sido eleito para tal, dirija os trabalhos.
Assim, não justifica fazer a coleta dele junto à do Venerável Mestre, ou mesmo de outros ocupantes das duas cadeiras de honra. De mais a mais, a maior autoridade na Loja é o Pavilhão Nacional, que se diga de passagem tem sua presença obrigatória em todas as sessões realizadas pelas Lojas do GOB e o titular da bolsa não se coloca diante dele durante a circulação para coleta.
No tocante à circulação da bolsa ser comparada a uma viagem, para mim isso é uma grande novidade! Ora, que significado teria essa viagem? O que realmente se sabe é que a alegoria das viagens no REAA tem caráter iniciático, ocorrendo, portanto, somente nas cerimônias de Iniciação, Elevação e Exaltação. O giro para a coleta nada tem a ver com viagem, muito menos com alguma que não pode ser interrompida!
No tocante a abordagem nessa circulação, o trajeto é feito primeiro entre os seis primeiros cargos imprescindíveis que, somados ao do Mestre de Cerimônias, somam os sete cargos mínimos necessários para se abrir uma Loja no REAA. Os três primeiros hierarquicamente abordados são as Luzes da Loja - o Venerável Mestre e os dois Vigilantes, em seguida, os três outros imprescindíveis que são o Secretário para redigir a ata, o Orador para resguardar a Lei e o Cobridor Interno para proteger a cobertura da Loja. Por fim o sétimo que é o Mestre de Cerimônias, oficial imprescindível para organizar o desenvolvimento dos trabalhos – três, governam a Loja, cinco a compõe e sete a completam. Assim, essa é a regra que determina a sequência dos seis primeiros cargos.
Quando então estiverem ocupadas as cadeiras de honra, depois de o titular ter abordado os seis primeiros cargos acima mencionados, ele então volta ao Oriente e recolhe de todos os demais ali presentes. No retorno ao Oriente a coleta agora começa a partir dos ocupantes das duas cadeiras que ficam ao lado do Venerável. Concluída a coleta de todo o Oriente, segue-se para os Mestres do Norte, do Sul, Companheiros, Aprendizes e por último o próprio titular deposita a sua proposta ou óbolo na forma de costume.
Concluindo, não existe trono ou altar indivisível, triângulos, estrela e nem viagens relacionadas à circulação das bolsas. O que existe é apenas uma simples sequência determinada pelos cargos em Loja e que apropriadamente está orientada na plataforma do GOB RITUALÍSTICA para o Ritual de Aprendiz do REAA em http://ritualistica.gob.org.br/



T.F.A.

PEDRO JUK


SET/2019