sábado, 8 de fevereiro de 2020

COLETA SEM RITUALÍSTICA


Em 13/11/2019 o Respeitável Irmão Reynaldo Calaza, Loja Sylvio Claudio, 3.798, REAA, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a questão seguinte:

GIRO PARA COLETA SEM RITUALÍSTICA


Em uma sessão ordinária, o Venerável Mestre autorizou que o Mestre de Cerimonias realizar o giro do Tronco de Beneficência "sem ritualística" devido ao avançar da hora.
O Mestre de Cerimonias colheu o Venerável Mestre e continuou o seu trabalho no Oriente e depois desceu ao Ocidente para recolher os demais irmãos. Após o fim da sessão conversei com o Mestre de Cerimonias e disse a ele que quando se é autorizado a circulação sem a ritualística, ele deve respeitar as Luzes da Loja e depois sim, fazer o recolhimento sem o giro ritualístico.
Alguns Irmãos questionaram e apareceu a dúvida, pois falaram já que se é sem ritualística, não tem que respeitar as luzes, isso procede?

CONSIDERAÇÕES.

É aquela história, não existe "meia-ritualística", ou "meia-liturgia". Na verdade, eu só tenho a lamentar que um Venerável Mestre desrespeite o ritual em nome do "adiantado da hora" e autorize a coleta sem o giro previsto. O Orador, como Guarda da Lei, não deveria permitir o ocorrido.
Geralmente esse tal de "adiantado da hora" se dá por mal condução da sessão onde o tempo é extrapolado pelos excessos. Assim, o mais interessante disso tudo é que em detrimento de um erro, comete-se outro pior ainda. Ora, no ritual não está previsto em lugar nenhum a possibilidade de os giros das bolsas ocorrerem sem ritualística, portanto, não há justificativa para tal.
Por tudo, a questão não é de colher primeiro desse ou daquele para depois não cumprir o previsto. O correto é seguir o que prevê o ritual e as orientações a ele pertinentes dispostas no Sistema de Orientação Ritualística – http://ritualistica.gob.org.br/ amparado pelo Decreto 1784/2019.
Finalmente, a coleta, seguindo o ritual e as orientações pertinentes, faz o giro na forma prevista. Não existe esse giro "sem ritualística".


T.F.A.

PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
http://pedro-juk.blogspot.com.br

FEV/2020


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

ABERTURA, TRANSFORMAÇÃO E ENCERRAMENTO DA LOJA


Em 12/11/2019 o Respeitável Irmão Walter Vieira, Loja Torre do Médio Jequitinhonha, 2.326, REAA, GOB-MG, Oriente de Medina, Estado de Minas Gerais, formula a seguinte questão:

TRANSFORMAÇÃO DA LOJA


Novamente, surge então mais uma dúvida no REAA do GOB.
Uma Loja que foi aberta em Grau de Aprendiz e que foi transformada em Grau de Companheiro, deve OBRIGATORIAMENTE retornar ao Grau de Aprendiz para ser fechada ou ela pode continuar no Grau de Companheiro e assim ser fechada?
Aproveitando e já me antecipando se uma das respostas acima foi positiva. Se a Loja puder ser fechada em Grau de Companheiro, como ficaria a ata, já que foi aberta em um Grau e fechada em outro?

CONSIDERAÇÕES.

Ela pode, de acordo com a necessidade ser perfeitamente transformada pelo tempo que se fizer necessário. Concluídas as precisões, a Loja deve voltar ao grau de trabalho em que ela fora inicialmente aberta.
Geralmente nessas ocasiões existem Irmãos que tiveram para si o templo coberto em razão da transformação. É bom lembrar que esses Irmãos devem retornar aos trabalhos, já que tiveram apenas temporariamente o templo coberto e não em definitivo.
Ainda existe a questão da ata da sessão que, originalmente aberta deve ser encerrada de acordo com o grau de abertura, além do livro de presenças aberto para assinaturas no grau inicial
Por tudo, transformação de Loja só se dá por um período temporário, sendo em seguida retomado no grau de abertura, não podendo, portanto, ser aberta a Loja num grau e fechada noutro.


T.F.A.

PEDRO JUK


FEV/2020

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

ARCO DE CÍRCULO GRADUADO - JOIA DO EX-VENERÁVEL


Em 08/11/ 2019 o Respeitável Irmão Alexandre Fortes, sem mencionar o nome da Loja, REAA, GOB-PI, Estado do Piauí, solicita o seguinte esclarecimento:

JOIA DO MESTRE INSTALADO.


Gostaria de saber como é o nome específico do instrumento compasso com régua em meia-lua, com medida centimétrica, presente nos aventais dos Mestres Instalados. E se possível, se o Irmão poderia enviar-me fontes bibliográficas que versassem a respeito.

CONSIDERAÇÕES:

Não se trata especificamente de um instrumento, porém de partes que compõem a joia distintiva de um Ex-Venerável (Mestre Maçom Instalado) para os ritos de vertente francesa de Maçonaria como é o caso do REAA.
Assim, a régua em meia-lua, de modo mais apropriado denomina-se "arco de círculo graduado", cujo qual demonstra a oitava parte do círculo, ou seja, 45 graus do total dos 360 graus do círculo.
Nesse conjunto simbólico, sobre o arco de círculo graduado incidem as pontas das hastes do Compasso aberto em 45 graus. Símbolo do saber, o Compasso assim aberto representa o comedimento no uso da sabedoria. Do mesmo modo lembra ao Mestre Instalado que o poder, se utilizado em excesso e sem limites, pode se tornar em opressão e tirania.
O Compasso aberto a 45 graus (1/8 do círculo), ainda procura demonstrar a limitação do conhecimento humano perante a totalidade do conhecimento cósmico da divindade representada pelos 360 graus do círculo.
De tudo, a joia distintiva do Mestre Instalado, em relação ao conjunto Compasso e o arco de círculo graduado, lembra a ele que a sabedoria deve ser utilizada com descortino e equilíbrio.
Reitero que a joia distintiva do Ex-Venerável da Maçonaria de origem francesa se difere da do Past-Master da Maçonaria anglo-saxônica (inglesa) – vide mais sobre esse assunto em http://pedro-juk.blogspot.com.br – Perguntas e Respostas, Joia do Mestre Instalado. Arco Graduado e Abertura do Compasso, publicado em 26/01/2020.
No tocante a bibliografia que o Irmão me solicita, posso afirmar que ela é um tanto quanto esparsa, devendo ser examinada, no caso do REAA, em fontes francesas de Maçonaria. Por aqui sugiro a leitura do livro denominado Manual do Mestre Instalado, José Castellani, Editora Maçônica A Trolha, Londrina 1999.


T.F.A.

PEDRO JUK


FEV/2020

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

REAA - CHANCELER E TESOUREIRO FALAM SENTADOS?


através do New GOB Net um Respeitável Irmão de Loja pertencente ao Grande Oriente do Brasil e praticante do REAA, apresentou a questão abaixo.

FALAR SENTADO NO OCIDENTE


Com os nossos mais fraternais cumprimentos, solicito seja informado se o irmão Chanceler, por ocupar mesa, à luz do Rito Escocês Antigo e Aceito, tem a prerrogativa de falar sentado ou em pé, especialmente quando da palavra a bem da ordem e do quadro em particular?

CONSIDERAÇÕES.

Sob nenhuma hipótese. Nem o Chanceler e nem o Tesoureiro podem falar sentados durante os trabalhos maçônicos. O fato de ocuparem lugar que possui mesa não lhes dá a prerrogativa de falarem sentados. Assim, no Ocidente, onde cada qual ocupa seu lugar, somente podem falar sentados os Irmãos Vigilantes (salvo nas ocasiões em que o ritual determine que eles falem em pé). Todos os demais que se colocam no Ocidente, ao usarem a palavra, falam em pé em qualquer situação nos períodos da sessão. Vale a pena mencionar a regra de que no REAA, em Loja aberta, quem estiver pé fica à Ordem.
Por oportuno, cabe também citar que o Sistema de Orientação Ritualística do GOB RITUALÍSTICA - http://ritualistica.gob.org.br/ - implantado pelo Decreto do Grão-Mestre Geral sob nº 1784/2019 visando orientar e adequar o Ritual, em nenhum momento revela que o Chanceler e o Tesoureiro possam falar sentados em Loja aberta.


T.F.A.

PEDRO JUK


FEV/2020

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO - DENOMINAÇÃO DE DEUS NA MAÇONARIA


Através do New GOB Net um Respeitável Irmão de uma Loja da constelação do Grande Oriente do Brasil, REAA, apresenta a questão que segue:

DENOMINAÇÃO DE DEUS NA MAÇONARIA


Conforme descrito abaixo, solicita-se esclarecimento quanto às diferenças de terminologias que suscitaram dúvidas entre os irmãos, ao referenciar o GADU:
1) RGF (alterações GOB 2019) traz em seu artigo 1º, item IX, que o candidato deve "aceitar a existência de um Princípio Criador";
2) Formulário de Admissão (conforme decreto 1.800 GOB, de 06/12/2019) traz a pergunta: "Acredita em um Ser Supremo?";
3) Ritual de Aprendiz (REAA GOB, 2009) traz na pág. 109 - "Senhor(es), embora a Maçonaria não seja uma religião e proclame liberdade absoluta de consciência, crê no Ente Supremo, o GADU, que é Deus, e os Maçons não se empenham em empresa importante sem primeiro O invocarem"; página 110 - "Senhor(es), tomai parte na oração que, em nosso favor, vamos dirigir ao Senhor dos Mundos e autor de todas as coisas"; página 111 - ORAÇÃO - "(...) ELE é um só e subsiste por si mesmo e todos os seres devem-LHE a existência (...)"; página 112 - "Pois se confiais em Deus, levantai-vos, segui com passos firmes vosso guia e nada receeis".
O item 1, "Princípio Criador" abre precedente para um entendimento científico de Criação, o qual levado a cabo pode ser interpretado, por exemplo, como o "Big Bang", sem a intervenção divina. Contudo, analisando-se os itens 2 e 3, ao definir o termo "Ser Supremo" e defini-lo claramente como "Deus" no ritual de iniciação, entendemos que o "Princípio Criador" não pode ser interpretado de outra forma. Portanto, que caso o candidato não manifeste a crença em Deus (para o qual declarará confiança na iniciação) NÃO poderá ser admitido em nossa Ordem.
Não crer expressamente em Deus, mas sim em um princípio criador, mesmo que "supremo" ou "absoluto", por mais que esteja alinhado ao artigo 1º do RGF GOB, não traduz o entendimento e personificação deste princípio na figura do GADU conforme definido pela Maçonaria, NÃO podendo ser admitido em nossos quadros. Esse é o entendimento correto? Do contrário, solicitamos esclarecer o conceito

COMENTÁRIOS.

As denominações Grande Arquiteto do Universo, Princípio Criador, Ente Supremo, Ser Supremo, Senhor dos Mundos, Soberano Árbitro dos Mundos, Grande Geômetra, etc., se referem ao nome de Deus em se tratando de Maçonaria.
De há muito a crença em Deus é condição sine qua non para que um candidato seja iniciado na Moderna Maçonaria. Obviamente que isso não é de se estranhar, sobretudo porque nossos antepassados, os "canteiros medievais", organizações de construtores da Idade Média, floresceram e viveram por muito sob a proteção da Igreja.
A designação de "Grande Arquiteto do Universo", ou seus títulos nominais derivados, representa um modo conciliatório para que Deus não seja motivo de proselitismo religioso na Maçonaria, fazendo assim com que de modo ecumênico os maçons convivam em harmonia e tolerância independente da religião que cada um pratique.
É por esse sentido que o Art. 2º da Constituição do Grande Oriente do Brasil menciona: "São postulados universais da Instituição Maçônica: I – a existência de um Princípio Criador - o Grande Arquiteto do Universo".
Do ponto de vista histórico e filosófico essa tem sido a regra. Desse modo, para ser iniciado na Maçonaria é preciso que o candidato declare sua crença num Princípio Criador. A sua religião não importa, porém, a crença em Deus é que vale.
Agora, questões legais relativas ao nome de Deus que possam gerar incompatibilidade perante a legislação maçônica já não me cabem esclarecer, senão pelos legisladores que tratam de nuances jurídicas concernentes aos diplomas legais.
De pronto apenas posso afirmar que todos os maçons devem saber que para ingressar na Ordem obrigatória é a crença num Princípio Criador: o Grande Arquiteto do Universo, que é Deus.
A Maçonaria não indaga dos seus membros a religião que cada um pratica, porém assevera que só pode permanecer na Sublime Instituição aquele que acreditar na existência de um Deus único, seja ele entendido tanto pelo viés teísta como pelo viés deísta. Embora a Maçonaria seja uma religião, ela, entretanto, não deixa de incentivar seus membros para que fora dos templos maçônicos, cada qual procure e cultue a sua fé.
Por tudo o comentado até aqui, logicamente fica claro que aquele que não declarar crença num Ente Criador, que é Deus, não poderá ser iniciado e nem permanecer na Maçonaria.


T.F.A.


PEDRO JUK


FEV/2020

domingo, 2 de fevereiro de 2020

REDAÇÃO DO BALAÚSTRE (ATA)


Em 08/11/2019 o Respeitável Irmão Marcos Vinícios Horst Rinaldi, Loja Luz de Órion, 3.951, REAA, GOB-SC, Oriente de Itapema, Estado de Santa Catarina, apresenta a seguinte questão:

BALAÚSTRE (ATA)


Há algum tempo ouço em minha Loja reclamação de diversos Irmãos sobre a forma com
o é redigida a Ata/Balaústre das sessões em geral. Os comentários contêm as mais diversas opiniões.
Em face disso, e até mesmo por fins de instrução e para um futuro exercício do cargo eu o faça adequadamente, gostaria de saber, se possível, como o Secretário deve redigir o balaústre? O que necessariamente deve conter, quais ocupantes de cargos devem ser descritos? Quais os detalhes devem ser minuciosamente/literalmente transcritos? Os comentários finais da palavra a bem da ordem em geral devem ser redigidos na íntegra? Há diferenças consideráveis para atas dos demais graus (CM e MM) e/ou sessões magnas? Enfim, que parâmetros seguir para ter uma ata considerada adequada aos fins da boa geometria?

CONSIDERAÇÕES.

Ata. Substantivo feminino (do latim acta, coisa feita). É a narração por escrito em que se relata tudo o que se passou em uma sessão, em uma assembleia, convenção, reunião, congresso, etc.
No que diz respeito à Maçonaria todas as sessões maçônicas devem ser registradas em ata (balaústre ou traçado).
O termo balaústre, mais apropriado para designar ata em Maçonaria, literalmente menciona um pequeno pilar ou coluna que, com outros, sustenta uma travessa ou corrimão. Assim, cada balaústre (ata), de modo figurado, como um pilar sustenta a história da Oficina, já que a sua elaboração pelo Secretário é uma espécie de reportagem dos acontecimentos da Loja, o que se constitui num registro histórico importantíssimo.
Lamentavelmente, hoje em dia algumas Obediências, provavelmente por puro desconhecimento de causa, substituíram o tradicional título de "balaústre" simplesmente por "ata", o que é uma denominação mais condizente para registros profanos[1].
No que diz respeito à redação do balaústre (ata), por óbvio que o seu conteúdo deve ser no máximo possível condizente com as ocorrências da sessão, todavia isso não significa meticulosidades e nem excesso de preciosismo. Nesse sentido, o balaústre deve ser redigido de modo claro e compreensível, porém, sem exageros desnecessários. O Secretário deve ter a capacidade de relatar os fatos sem ser prolixo. Enfim, o bom senso é que deve imperar, sobretudo porque a redação será obrigatoriamente lida em Loja pelo Secretário para aprovação ou emendas, se for o caso.
No caso do GOB, o ritual é bem claro quando menciona que a ata (balaústre) deve ser lida e aprovada em Loja, portanto não se justificam as investidas de alguns querendo remeter a ata por meio eletrônico para apreciação com finalidade de se ganhar tempo. Reitero, a ata (balaústre) é para ser lida em Loja. Aliás, tempo se ganha em Loja não se admitindo falas repetitivas, bem como extensos palavreados e discursos rançosos.
Quanto ao seu conteúdo, além dos relatos apropriados da sessão, a ata (balaústre) deve trazer em sua redação um número sequencial, data, hora, nome da Loja, Rito e Obediência, grau de trabalho, o nome do Venerável Mestre, Vigilantes, Orador e Secretário, ou se preferir todos os cargos eletivos, sem mencioná-los um a um o número de Irmãos presentes destacando quantos deles do quadro e quantos visitantes, etc. Assinam a ata obrigatoriamente o Venerável Mestre, o Orador e o Secretário.
Sugere-se que o a redação do balaústre (ata) siga os períodos que compõem a sessão, por exemplo, no REAA, a narração suscinta da abertura ritualística, a aprovação da ata da sessão anterior, a leitura do expediente, e os demais períodos previstos no Ritual.
Para concluir, deixo a recomendação ao Secretário que ao descrever o uso da palavra em Loja, o faça sem apontar palavreados e assuntos repetitivos, às vezes muito comuns infelizmente entre nós. Para esses casos, basta mencionar o assunto e o nome dos que sobre ele se manifestaram.

P. S. – Como o balaústre (ata) sustenta a história da Loja, é recomendável que nas sessões magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação, o Secretário redija atas próprias – já existe recomendações para isso


T.F.A.

PEDRO JUK


FEV/2020


[1] Profano – do latim: pró = antes; fanum = templo. "Antes do templo", designa em Maçonaria aquele que não foi ou não é iniciado.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

O USO DE PARAMENTOS PELO AVESSO


Em 05/11/2019 o Respeitável Irmão Davi Hackbart Covalesky, Loja Estrela do Sul, 84, REAA, GOB-RS, Oriente de Bagé, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a seguinte questão:

PARAMENTOS NA CÂMARA DO MEIO


Por instrução do Ritual, na Sessão Magna de Exaltação, as insígnias passam a ser utilizadas pelo lado preto logo após a abertura ritualística.
O ritual é bem claro, aliás, quando diz: "todas as insígnias...".
Surgiu uma dúvida, no entanto, sobre as insígnias dos Expertos (e do Mestre de Cerimônias, talvez?), sobretudo pelo contato prévio (e fora do templo) que estes Irmãos têm com o Companheiro que será exaltado. 
Fica a dúvida se o correto é o que o ritual orienta (todas insígnias), ou se os referidos Irmãos permaneceriam com os aventais e colares pelo lado usual? E se assim fosse, passariam a utilizá-los pelo lado preto em algum momento da Sessão ou permaneceriam da mesma forma, diferenciando-se dos demais Irmãos?
Ponderamos e dialogamos sobre está questão com o pensamento de que, estando os Expertos com as insígnias pretas, estariam "adiantando" algo pertinente ao grau de Mestre e ainda, antecipando parte da revelação de um ambiente totalmente diferente ao já vivido pelo Companheiro, nas Lojas dos graus anteriores. Quebrar-se-ia, assim, no meu entender, parte da "surpresa" e o "impacto" do Irmão ao adentrar por vez primeira na Câmara do Meio.
Espero que eu tenha conseguido expressar a nossa dúvida e aproveito para parabenizar o Irmão pela nobre demonstração de sua dedicação à Ordem.

COMENTÁRIOS

De pronto devo informar que nas orientações e adequações pertinentes ao Ritual de Mestre do REAA que serão publicadas ainda no primeiro semestre desse ano in SOR - GOB RITUALÍSTICA, a anomalia de se usar paramentos pelo lado inverso será erradicada, pois se trata de uma prática inventada e atualmente ainda copiada de rituais retrógrados que mencionavam esse costume como símbolo de consternação e dor.
Na realidade isso é inapropriado pois os paramentos maçônicos devem ser corretamente vestidos pelo seu lado normal, sobretudo se levando em conta o alto significado do avental, mas desde que vestido de modo apropriado e não pelo seu lado avesso onde existe apenas e tão somente um forro de acabamento sem qualquer significado litúrgico.
Originalmente, embora na contramão da história existam aventais azulados no REAA, o verdadeiro avental de Mestre no escocesismo é orlado em vermelho, tendo inclusive o seu forro (lado avesso) acompanhando o mesmo matiz da orla (vermelho) – isso pode ser constatado, dentre outros, no Conselho de Lausanne, Suíça, 1875 e no "Guia dos Maçons Escossezes ou Reguladores dos Três Gráos Symbólicos do Rito Antigo e Aceito", "Grande Oriente Brazileiro", 1834, Rio de Janeiro, página 46.
Partindo dessa premissa, com o avental autêntico (orlado e forrado em vermelho) se usado pelo lado avesso nada traz que caracterize manifestação de pesar e dor.
No caso do ritual em vigência do GOB existe ainda, além do equívoco de mandar vestir os paramentos pelo lado avesso, também não há informação de quando os mesmos devem voltar a ser vestidos normalmente na sessão.
De qualquer modo, as orientações que logo estarão disponíveis no Sistema de Orientação Ritualística - http://ritualistica.gob.org.br - corrigirão essa liturgia equivocada acabando de vez com essa prática desnecessária. Afinal, o avental maçônico é a verdadeira vestimenta simbólica maçônica, possuindo assim um alto significado iniciático, não sendo, portanto, cabível usá-lo vestido pelo lado avesso. Reitero, essa prática indevida nada mais é do que mera filigrana ritualística.
Desse modo, também não se sustenta a tese de trazer o avental vestido ao contrário para se esconder, não se sabe o quê, do Companheiro que está prestes a ser exaltado. Ora, a decoração da Câmara do Meio que o aguarda já é mais do que suficiente para ele entender e se surpreender com o simbolismo da lenda hirâmica.
Por fim, vale a pena mencionar que nos graus capitulares do REAA é possível se encontrar um avental com duas faces, ou seja, é vestido conforme o momento ritualístico, mas isso é no Capítulo e não tem nada a ver com os graus simbólicos. Lembro que o saudoso Irmão Francisco de Assis Carvalho (o Xico Trolha) empreendeu estudos para saber a origem dessa inversão inadequada do avental de Mestre no simbolismo. Afirmava ele existir grande possibilidade de que isso possa ter se originado no avental de duas faces utilizado no Capítulo quando ainda existiam as Lojas Capitulares (vide essa história). Se sim ou não, isso não importa, pois essa inversão de paramento na cerimônia de Exaltação é completamente anormal. Aventais do simbolismo não trazem nenhum significado iniciático quando relacionados ao seu lado avesso (forro).


T.F.A.

PEDRO JUK


FEV/2020