quinta-feira, 12 de março de 2020

REAA - ESQUADRIA. POSIÇÃO DOS PÉS


Em 20/12/2019 um Respeitável Irmão de uma Loja do REAA, GOB-SP, apresenta a seguinte questão:

POSICIONAMENTO DO PÉS


Gostaria de saber como posso posicionar meus pés em esquadria obliquamente? pois pela Geometria esquadria só se dá pelo ângulo reto.
Para isso o pé esquerdo teria que estar à frente e não acompanhando o piso mosaico, seguindo tua orientação, o texto seria com os pés em ESQUADRO.
Obrigado desde já pela orientação!

CONSIDERAÇÕES.

Imagine o eixo longitudinal do Templo (Ocidente-Oriente) e, sobre ele, cruzando obliquamente, as linhas que constituem o Pavimento mosaico. Assim, no cruzamento das linhas oblíquas sobre o eixo, cada linha forma, em relação ao eixo, 45º para cada lado (esquerdo e direito respectivamente). Desse modo, unindo os pp pelos cc sobre a interseção das linhas, e tendo cada um dos pp orientado pela respectiva linha oblíqua, forma-se então a esquadria (90º). Isso pode ser comprovado pela simples soma dos dois ângulos agudos internos, ou seja, 45º + 45º = 90º.
Definição de esquadria: substantivo feminino, designa o ângulo reto (90º), ou o corte em ângulo reto. Designa também a "pedra de cantaria".
No que concerne à disposição oblíqua dos ladrilhos negros e brancos que formam o Pavimento Mosaico no REAA, o mesmo se constitui por elementos quadrados dispostos de modo transverso e unidos pelos seus respectivos vértices.
Desse modo, as peças quadradas e arranjadas em diagonal regulam os passos da Marcha. Cada quadrado representa a medida do passo.
Obviamente que essa é uma indicação figurada e não precisa, na prática, possuir medida tão precisa, mas sim representativa.
Reitero, p e apontado para f não é prática do REAA. Desse modo, os ppas são dados normalmente de tal modo que o protagonista, ao andar, se projete andando de frente e não de lado.
Assim, em qualquer situação, na Marcha, ou mesmo estando simplesmente à Ordem, os pp, uu pelos cc formam representativamente a esq.
É essa a razão pela qual as "pedras lavradas" vão dispostas obliquamente no REAA, pois se assim não fosse, não faria nenhum sentido essa disposição geométrica.
Concluindo, a soma de dois ângulos agudos que medem 45º cada um resulta na esquadria (90º).

T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2020

quarta-feira, 11 de março de 2020

A ARCA DA ALIANÇA NA MAÇONARIA


Em 17/12/2019 o Respeitável Irmão Rubem Carvalho Maia, Loja União Planaltinense, 3.854, REAA, GOB-DF, Oriente de Planaltina, Distrito Federal, solicita esclarecimentos.

ARCA DA ALIANÇA


Por favor o senhor poderia me auxiliar no entendimento do que é a Arca da Aliança? Estou desenvolvendo um trabalho nos graus superiores, mas ainda sem um entendimento para a pouca pesquisa que fiz. Que livros o Senhor indicaria?
Agradeço por demais a orientação mano.

CONSIDERAÇÕES.

Vale a pena antes fazer um pequeno comentário que envolve a influência hebraica na Maçonaria.
Nesse sentido, os espaços destinados aos trabalhos maçônicos, também conhecidos como Templos Maçônicos, são relativamente recentes, já que o primeiro Templo propriamente dito foi inaugurado em maio de 1776 na cidade de Londres.
É sabido pelos maçons que as Lojas no passado se reuniam em tabernas, cervejarias e nos adros das igrejas. Compreenda-se, entretanto, que as tabernas europeias do século XVII e XVIII eram elementos que serviam também às funções sociais e reuniam nos seus seios grupos associativos e principalmente de artesãos do mesmo ofício. Na verdade, as tabernas serviam também como um local de concentração onde os seus frequentadores tocavam ideias e até mesmo aperfeiçoavam seu conhecimento profissional, sobretudo pela convivência com os seus pares de ofício.
Em síntese, nas tabernas e cervejarias as reuniões se davam com um caráter mais descontraído, enquanto que as reuniões formais geralmente ocorriam nos recintos contíguos às igrejas, ou nos seus adros.
É bom que se diga que a Maçonaria de Ofício (Operativa), antecessora da Moderna Maçonaria (Especulativa, ou dos Aceitos), cresceu e floresceu à sombra da Igreja. Assim quando os maçons ingleses tiveram edificado o seu primeiro Templo, em 1776, sem nenhum embargo, eles foram buscar referências construtivas em dois modelos que lhes eram bem conhecidos, ou seja, nas igrejas e no Parlamento britânico.
Desse modo, das igrejas foram então copiadas a orientação, a disposição e a divisão do espaço, lembrando, entretanto, que as igrejas indisfarçadamente tiveram a sua origem no primeiro Templo de Jerusalém (o de Salomão). É por esse viés que as igrejas igualmente se situam orientadas do Oriente para o Ocidente e também se dividem em três partes: o altar-mor, o presbitério e a nave.
Em relação ao Templo hebraico, o altar-mor da igreja, no qual se coloca o oficiante da missa, corresponde ao Santo dos Santos; o presbitério, que é o lugar onde se colocam os auxiliares no ofício da missa, corresponde ao Santo, por fim a nave, onde ficam os fiéis, representa a parte descoberta do Templo hebraico que era destinado ao povo.
Assim também ocorre com o Templo Maçônico, onde a sua orientação, no sentido longitudinal do espaço, vai do Oriente (Leste) para o Ocidente (Oeste) e a sua divisão se dá em três partes a saber: o Altar no Oriente - onde fica o dirigente da Loja - se relaciona com o Santo dos Santos e este, por sua vez, se relaciona com o altar-mor das igrejas; o restante do espaço oriental - onde ficam as autoridades maçônicas e alguns oficiais - corresponde ao Santo que, consecutivamente se relaciona com o Presbitério; por último as Colunas - onde se distribuem os Vigilantes, obreiros e demais oficiais - correspondem à nave, sendo que esta, por sua vez, corresponde à parte descoberta (pátios) do Templo de Jerusalém.
É desse modo então que o Templo Maçônico indiretamente está associado ao Templo de Jerusalém, contudo cabe salientar que ele não é, como muitos equivocadamente pensam, uma cópia fiel do Templo hebraico.
De certo modo, positivamente essa semelhança tem as igrejas como intermediárias, o que não é de se achar estranho, sobretudo porque a Igreja herdou, além da figura do Templo, muitos outros aspectos do judaísmo que indiretamente viriam também aportar na Maçonaria, principalmente aqueles relacionados à sua liturgia e aos seus símbolos.
Do Parlamento britânico a Moderna Maçonaria trouxe, dentre outros, a disposição dos assentos que ficam de frente para o eixo longitudinal, assim como a "great chair". Elementos, como a Sala dos Passos Perdidos também é herança do Parlamento britânico.
No que concerne à Maçonaria e a sua herança hebraica, são utilizados vários objetos e utensílios que se distribuem nos Templos Maçônicos, levando-se em conta cada Rito praticado, bem como as suas Câmaras pertinentes aos seus respectivos graus.
Em se tratando do REAA, é o caso, por exemplo, das Colunas do Pórtico, do Delta com o nome hebraico de Deus; do Mar de Bronze, do Ouro, da Pedra e do Cedro do Líbano; do Altar dos Perfumes, da Arca da Aliança, da Urna do Maná e da Vara de Aarão; da Mesa dos Pães Propiciais, do Candelabro de Sete Braços, etc.
Em relação a sua questão propriamente dita, seguem alguns apontamentos relacionados à Arca da Aliança, cujo conteúdo o Irmão deverá associar aos seus estudos relativos aos graus superiores do REAA, além, obviamente, dos graus do Franco-maçônico básico – Aprendiz, Companheiro e Mestre.
A Arca da Aliança, ou do Testemunho (Êxodo, 25 – 10 a 22) é uma alegoria bíblica que simboliza a terceira aliança de Deus com o homem.
Comentando cada uma dessas Alianças, de modo básico, a primeira Aliança, a mais abrangente das três, é aquela que Deus fez com Noé e incluí toda a humanidade – o arco-íris, como se apresenta em Gênese (primeiro livro do Pentateuco – a criação e os tempos primitivos do mundo) é o seu sinal ou a sua prova. A segunda Aliança, já de caráter mais restrito, é abraâmica, sendo o seu sinal a circuncisão (brit-milá em hebraico) e envolve todos aqueles que evocam o Deus de Abraão. Por fim, a terceira Aliança que seria concluída quando Moisés, no monte Horeb, estabeleceria o pacto, através do sacrifício, unindo Israel a seu Deus. Seu sinal é o shabat (sábado), o dia da plenitude da criação e a sua lei é aquela que Deus revelou no Sinai.
A Arca da Aliança, contendo apenas as Tábuas da Lei, fora colocada no Santo dos Santos, em cujo espaço não existiam quaisquer outros objetos. Segundo a tradição hebraica, nesse recinto somente ingressava o Cohen Gadol (em hebraico: supremo sacerdote) apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação ou do Perdão (em hebraico: Iom Kipur) que ocorre no primeiro dia do ano novo (civil) hebraico (Rosh Ashaná – cabeça do ano). O novo ano (civil) hebraico acontece no mês Tishrei e começa na primeira lua nova que se segue ao equinócio de outono no hemisfério Norte. Conta a tradição que nesse dia, no Santo dos Santos, Deus se apresentava ao supremo sacerdote. Somente a titulo de ilustração, o ano religioso hebraico começa no mês Nissan, correspondente ao equinócio de primavera no hemisfério Norte. 
A Arca da Aliança, depois que os hebreus ingressaram na terra prometida, seria guardada em Galgata, sendo depois, juntamente com o Tabernáculo, levada a Silo. Durante a guerra travada contra os filisteus, a Arca seria roubada, porém mais tarde recuperada pelos hebreus. Na sequência, por volta de oitenta anos, ela ficaria em Cariatiarim, de onde foi levada até a casa de Obededom de Get. Assim, a Arca assumiria seu lugar definitivo no Santo dos Santos quando da construção do primeiro Templo de Jerusalém, também conhecido como o de Salomão. Quando da tomada de Jerusalém por Nabucodonosor II, em 586 a. C., o Templo foi destruído tendo a Arca desaparecido, pelo que não se sabe se ela foi escondida, ou mesmo destruída junto com o Templo.
Ainda sobre a Arca da Aliança e a Maçonaria, especula-se, em detrimento ao filosofo e pensador Gottfried Wilhelm Von Leibniz, a teoria da "mônada" (elemento simples) onde a Arca aparece como o elemento constitutivo de todas as coisas – as leis das causas finais do bem e do mal. É, segundo Leibniz, a ação de princípio interno que exprime a mobilidade das almas, que não estão jamais em repouso, mas tendem continuamente a uma melhor harmonia interior.
Essa é então uma síntese do que eu poderia lhe colocar no momento em relação a Arca da Aliança na Maçonaria em geral, e em particular no REAA.
Por fim, recomendo-lhe a leitura de bibliografia de Nicola Aslan, cuja qual aborda os graus superiores do REAA, assim como o Mestre Secreto de autoria de Francisco de Assis Carvalho e José Castellani. Dentre outros, também A Maçonaria e a sua Herança Hebraica, As Origens Históricas da Mística Maçônica e Shemá Israel, todos esses de autoria de José Castellani.



T.F.A.

PEDRO JUK


MARÇO/2020

sábado, 7 de março de 2020

ORLA DENTEADA. UM DOS PARAMENTOS DA LOJA


Em 16/12/2019 o Respeitável Irmão João Batista dos Santos, Loja Luz e Caridade, 0525, REAA, GOB-MG, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais formula a seguinte questão:

ORLA DENTEADA


Fiz pesquisas e conversei com outros irmãos, porém gostaria de ter a sua posição a respeito do tema.
O que é a "Orla Dentada" e "onde ela está localizada no Templo".
Vi três opiniões diferentes.

CONSIDERAÇÕES.

A Orla Denteada, junto à Corda de 81 Nós e o Pavimento Mosaico  se constituem nos Ornamentos da Loja de Aprendiz.
Fisicamente a Orla pode aparecer contornando o Pavimento Mosaico como uma guarnição do piso, ou contornando (como uma moldura) os símbolos que compõem o Painel da Loja.
Por ser uma guarnição (cerca), simbolicamente a Orla não deve se interromper.
Em não sendo possível destacá-la contornando o Pavimento Mosaico, que a rigor ocupa todo o piso ocidental do Templo, é perfeitamente suficiente a sua presença como uma moldura matizada no Painel da Loja (vide este).
Como Ornamento da Loja de Aprendiz, esse símbolo foi adaptado no REAA, pois o mesmo é original da vertente inglesa de Maçonaria, mais precisamente da Tábua de Delinear do 1º Grau (vide Lições Prestonianas). Assim, no escocesismo, segundo menciona o irretocável autor Theobaldo Varolli Filho, esse símbolo tem o seguinte significado:
"A Orla Denteada nos mostra o princípio da atração universal, simbolizando o Amor. Representa, com seus múltiplos dentes, os planetas que gravitam em torno do Sol; os povos reunidos em torno de um chefe; os filhos reunidos em volta dos pais, enfim, os Maçons unidos e reunidos no seio da Loja, cujos ensinamentos e a Moral aprendem, para espalhá-los aos quatro ventos do Orbe".
Em síntese esse Ornamento representa a união dos que trabalham no canteiro simbólico, mais conhecido como Loja. Isso explica o porquê da sua aparição no Painel da Loja, pois contornando os símbolos que o compõem, a Orla, tal como uma moldura, evidencia todo o corolário emblemático pertinente ao 1º Grau maçônico.
Em se tratando do REAA, esse é um resumo do significado iniciático da Orla Denteada que, como um dos Ornamentos, aparece feito uma moldura no Painel da Loja envolvendo os símbolos que o constituem, assim como pode também aparecer contornando o piso que recobre toda a parte ocidental do Templo (Pavimento Mosaico).

T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2020

sexta-feira, 6 de março de 2020

RITO MODERNO OU FRANCÊS - O LUGAR DO COBRIDOR


Em 16/12/2019 o Respeitável Irmão Denilson Forato, Loja Artes Liberais, 3.781, Rito Moderno, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, apresenta a seguinte questão:

LUGAR DO COBRIDOR


Tenho duas perguntas:
1.    Local correto da cadeira do cobridor.
2.    Em uma Iniciação, deve-se deixar o candidato umas 2 horas ou mais na Câmara de Reflexão, até que o Ir. Experto venha buscá-lo?

CONSIDERAÇÕES

1.    Conforme especifica o Ritual do Rito Moderno do GOB em vigência, o Cobridor se posiciona sobre o eixo longitudinal do Templo, próximo à porta, entre o Primeiro e o Segundo Vigilante. Fica de frente para o Venerável Mestre que ocupa lugar no Oriente. Obviamente que ele deve ficar a uma distância compatível da porta para não atrapalhar a passagem, mas próximo dela.

2.    Sem dúvida, sem excessos, é apropriado que o candidato fique por tempo necessário para refletir sobre o momento. Assim, além do tempo para preencher o questionário e o testamento filosófico, é de bom alvitre que ele permaneça no interior da Câmara para meditar sobre essa importante passagem da sua vida.


T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2020

quarta-feira, 4 de março de 2020

REAA - LOJA COMPOSTA POR APENAS SETE MESTRES


Em 16/12/2019 o Respeitável Irmão Maurício Américo, Loja Guardiões da Arca da Aliança, 4.167, REAA, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, solicita esclarecimentos.

LOJA COMPOSTA POR SETE MESTRES.


Tenho uma dúvida: outro dia fui Mestre de Cerimônias em uma Loja e trabalhamos com sete mestres, porém o Venerável Mestre trocou o Irmão Secretário pelo Irmão Cobridor e quando fui fazer a circulação, não fui na mesa do Secretário, pois não havia um Irmão lá. Fui corrigido pelo Primeiro Vigilante, que eu deveria mesmo não tendo Irmão ir lá na mesa, pois deve fazer a estrela. Eu pergunto: estou errado? Como deve proceder?

CONSIDERAÇÕES.

Mesmo com número reduzido de sete Mestres, no REAA é imprescindível que os cargos de Venerável Mestre, Vigilantes, Orador, Secretário, Cobridor Interno e Mestre de Cerimônias estejam preenchidos (sete Mestres). Conforme seu relato, eu não sei que troca foi essa que o Venerável fez do Secretário pelo Cobridor. Posso dizer apenas que ela é equivocada.
Como existe a liturgia da transmissão da Palavra para a abertura e encerramento dos trabalhos no REAA, na hipótese de haver apenas sete Mestres, então preenchem momentaneamente os cargos dos Diáconos o Mestre de Cerimônias (faz o 2º Diácono) e o Secretário (faz o 1º Diácono). Reitero, nesse caso, os cargos dos Diáconos somente são ocupados provisoriamente, isto é, apenas no momento da transmissão da Palavra, voltando, imediatamente após, cada substituto à titularidade do seu cargo (Secretário e Mestre de Cerimônias). Nesse sentido, os sete cargos imprescindíveis ficam devidamente preenchidos e a circulação, quando da coleta, ocorre passando pelos seis primeiros cargos sem a ausência de nenhum titular no seu lugar.
O que nós precisamos é acabar com essa história de "formação de estrela" para justificar a abordagem durante a circulação das bolsas. Ora, tenho incansavelmente dito que isso não existe, inclusive tenho mencionando que a estrela de seis pontas – formada por dois triângulos equiláteros - nem faz parte do corolário simbólico do REAA. Assim, sem nenhuma justificativa "estrelar", a questão apenas é a dos cargos que devem ser por primeiro abordados.
Ainda no tocante a essa "estrela hexagonal" - inexistente no Rito em questão - é preciso fazer muito esforço de imaginação para dar forma de estrela a uma hipotética figura desenvolvida conforme o trajeto que os oficiais fazem no templo para coletar dos seis primeiros cargos. O máximo que se pode chegar é a uma figura completamente disforme e tosca (basta tentar esboça-la seguindo a posição dos cargos na Loja para ver o resultado).
O que de fato precisamos é deixar de lado esses anacronismos e explicar a liturgia maçônica com fundamento e razão. As vezes chega ser inacreditável que alguém imagine o Mestre de Cerimônias ou o Hospitaleiro oferecendo a bolsa de coleta a uma cadeira vazia para "fazer a estrela" (sic). Como dizia Eça de Queiróz, essa é mesmo d'escrachar.


T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2020

segunda-feira, 2 de março de 2020

MAÇOM APRESENTANDO ATESTADO MÉDICO NA LOJA


Em 15/12/2019 o Respeitável Irmão Petrônio Cardoso Júnior, Loja Tiradentes, 1.204, GOB-MG, REAA, Oriente de Campo Belo, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte:

ATESTADO MÉDICO


Um Irmão, "graduado" informou que, se apresentar atestado médico, não necessitaria frequentar a Loja.
Mesmo se for real a doença, entendo que maçonicamente cabe nesse caso é uma licença por seis meses, afinal a relação obreiro/Loja, não é trabalho regido por leis profanas.
O que pensas?

CONSIDERAÇÕES.

Penso que essa questão caberia mais ao Guarda da Lei ou ao representante do Ministério Público Maçônico a quem cabe comentários sobre legislação maçônica e seus competentes diplomas legais. Reitero que atuo no campo de história, filosofia, ritualística e liturgia maçônica.
De qualquer modo, seguem alguns comentários, porém sem o desiderato de fechar a questão.
O fato me parece que não é de "Irmão graduado", ou coisas desse gênero. A questão é mesmo de legalidade. Senão vejamos: de acordo com o RGF, Capítulo VI, DA LICENÇA, Art. 67:
"É lícito qualquer Maçom (o grifo é meu), em pleno gozo dos seus direitos, solicitar licença da Loja por até seis meses".
Ainda do RGF em seu Artigo 68, § 1º:
"A critério médico a licença poderá ser prorrogada por qualquer período".
Dado ao exposto, o Art. 67 parece deixar claro que a licença maçônica não é uma questão de "Irmão graduado", mas de qualquer Maçom que estiver em pleno gozo dos seus direitos.
Já o Artigo 68 do RGF, no seu § 1º, confirma que por motivos de tratamento de saúde, desde que atestado por um médico, a Loja poderá prorrogar a licença por tempo indeterminado.
Assim, uma licença pode sim ser solicitada por um maçom que necessite de cuidados médicos, todavia essa licença é dada pela Loja que ele faz parte, lembrando com isso que a licença alcançará o obreiro apenas na Loja em que ele a requereu (Art. 68, § 4º do RGF).
Por fim, cabe ainda o seguinte comentário: ao que parece, para obter licença, em qualquer situação o maçom deve solicita-la a sua Loja, isto é, seguir os trâmites legais, e não simplesmente se achar que um Irmão "graduado" (sic) ao apresentar um atestado médico fique isento de frequência. No caso de tratamento de saúde, ele pede licença que, não sendo suficiente o período legal de seis meses, a licença, mediante critérios médicos, poderá ser prorrogada até o final do tratamento.
Eram esses os meus comentários... Apenas o que penso... Não uma instrução oficial.

T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2020

domingo, 1 de março de 2020

DISPOSIÇÃO DAS BANDEIRAS NO ORIENTE DA LOJA - GOB


Em 04/12/2019 o Respeitável Irmão Marco A. B. Adami, Loja Amanhecer Fraterno, 4.072, REAA, GOB-SP, sem mencionar o Oriente, Estado de São Paulo, apresenta a dúvida seguinte:

DISPOSIÇÃO DAS BANDEIRAS


Consta que estamos com uma dúvida com relação a colocação das bandeiras no Oriente. Poderia por favor, nos esclarecer a posição correta destas, apesar de no Ritual do REAA constar, ainda estamos em dúvidas.

CONSIDERAÇÕES

Conforme menciona o Decreto 1.476 de 17 de maio de 2016 que dispõe sobre o cerimonial para a Bandeira Nacional, Artigos 13 e 14 como segue:
"Art. 13. A Bandeira Nacional será posicionada à direita do Venerável, ao fundo do Oriente, tendo a sua direita a Bandeira da unidade da Federação onde a sessão se realiza, que, por seu turno, terá a sua direita a Bandeira do Município a que pertence."
"Art. 14. A Bandeira do Grande Oriente do Brasil será posicionada à esquerda do Venerável, ao fundo do Oriente, tendo a sua esquerda a Bandeira do Grande Oriente Estadual ou do Distrito Federal, ou Delegacia do Grão-Mestre Geral que, por seu turno, terá a sua esquerda o Estandarte da Loja."
Sobre os Artigos mencionados cabem alguns esclarecimentos. Com relação ao Venerável Mestre considere-se ele do Oriente olhando para o Ocidente. Assim, no caso do Art. 13, a Bandeira Nacional é a primeira que fica hasteada em relação ao ombro direito do Venerável. Nessa ordem vão as demais bandeiras mencionadas no Artigo. No tocante ao Art. 14, a Bandeira do Grande Oriente do Brasil e a primeira que fica hasteada em relação ao ombro esquerdo do Venerável. Nessa ordem vai, depois da Bandeira do GOB, a do Grande Oriente Estadual e por último o Estandarte da Loja.
Ainda sobre o tema, mais orientações podem ser encontradas no Sistema de Orientação Ritualística – REAA – Aprendiz Maçom, item 5, Pavilhão Nacional in GOB RITUALÍSTICA – http://ritualistica.gob.org.br/

T.F.A.

PEDRO JUK


MAR/2020