quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

ORDEM NO USO DE COLARES COM AS JOIAS DISTINTIVAS - DO CARGO E DA AUTORIDADE

Em 02.08.2021 o Respeitável Irmão Mateus Ferreira Satler, Loja Harmonia, 1625, REAA, GOB-MG, Oriente de João Monlevade, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte:

 

ORDEM NO USO DOS COLARES E JOIAS.

 

Tenho uma dúvida com relação ao uso de colares. Quando um Mestre Instalado ocupa cargo em uma loja, qual colar deve usar: 1) apenas o colar do cargo, 2) apenas o colar de Mestre Instalado, ou 3) ambos os colares com as respectivas joias ao mesmo tempo? Sendo este último caso, qual deveria vir por cima e qual deveria vir por baixo?

 

COMENTÁRIOS

 

O prevalece é o cargo que ele ocupa na Loja aberta.

A autoridade, nesse caso não perde o seu status, pois ele continua sendo
autoridade, porém naquele momento está ocupando um cargo em um Loja.

Assim, a autoridade veste por último a joia distintiva do cargo que ele ocupará (de oficial ou dignidade), nesse caso ela vai por cima daquela que o define como autoridade.

É permitido também, ficando por conta de escolha da autoridade, vestir apenas a joia do cargo. O que não pode é o ocupante de um cargo em Loja não trazer a sua joia distintiva (do cargo).

Na ordem de valor, a joia do cargo em Loja prevalece sobre a outra qualquer (vai vestida por sobre a outra).

No caso específico da sua questão o M I veste por último a joia do cargo.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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JAN/2022

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

REAA - INSTRUÇÃO E INSTRUTOR DOS COMPANHEIROS

Em 28.07.2021 o Respeitável Irmão Dirceu Aparecido Machado Borges, Loja Justiça e Caridade, 1293, REAA, GOB-GO, Oriente de Itumbiara, Estado de Goiás, formula a questão seguinte:

 

INSTRUÇÃO DO COMPANHEIRO

 

No Sistema de Orientação Ritualística para o REAA, Ritual de Companheiro Maçom, o Eminente Irmão sugere, ao final, uma Terceira Instrução (sobre o Painel do Grau em Loja de Companheiro).

Notei que o diálogo que compõe a referida orientação é somente entre o Venerável e o 1º Vigilante. Como o mesmo é um pouco extenso, tomei a liberdade de perguntar ao Irmão se não se poderia dividir as respostas também com o 2º Vigilante, até para não ficar um pouco cansativo.

No aguardo, agradeço antecipadamente.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

A intenção de ter colocado apenas o 1º Vigilante, sem a participação do 2º Vigilante, foi para cumprir a regra das tradições, usos e costumes, onde orginalmente é o 1º Vigilante quem instrui o(s) Companheiro(s) no caso do REAA.

Notadamente perceba que no Ritual de Aprendiz do REAA, GOB, já consta


na sua página 18, da Disposição e Decoração do Templo a separação do ofício de instruir entre os dois Vigilantes, pelo menos simbolicamente.

A propósito, esse costume advém da Maçonaria de Ofício, quando quem ministrava os ensinamentos ao Fellow Craft (Companheiro de Oficio) era o 1º Warden, mais tarde o 1º Vigilante. Obviamente estamos falando de Maçonaria Operativa quando os operários eram de fato cortadores e assentadores da pedra calcária, destacando que na época existiam apenas duas classes de operários. Essas classes profissionais não eram graus especulativos, saliente-se.

Nesse período da nossa história, ainda não existia o grau especulativo de Mestre Maçom. O dirigente dos trabalhos era um Companheiro experimentado, cujo qual era então conhecido como Mestre da Obra.

Assim, no passado operativo, quando um pedreiro era admitido, o 2º Warden era quem primeiramente o recebia e o instruía no ofício, enquanto que o 1º Warden, era quem ensinava as regras mais avançadas da arte de construir aos Companheiros.

A bem da verdade esse costume era também um respeito à hierarquia já utilizada nos canteiros de obras.

Destaque-se que na época não existiam templos maçônicos elaboradamente decorado e nem ritos maçônicos especulativos com os seus planteis simbólicos. A Loja, ou o alojamento, era de fato uma oficina de trabalho onde os operários especializados elevavam a obra (catedrais, igrejas, abadias, mosteiros, etc.).

Mais tarde, por volta do século XVII, com o advento da Maçonaria dos aceitos, ou especulativa, e finalmente, no século XVIII a Moderna Maçonaria, as práticas passaram a ser simbólicas, contudo, muitas tradições e costumes ainda permaneceriam – e até hoje permanecem - mesmo que de modo alegórico e emblemático.

Assim, atualmente não importa onde os Aprendizes e Companheiros, conforme o Rito, ocupem lugar em Loja, pois quem oficialmente os instrui, com base nos velhos costumes, são os Vigilantes, ou seja, o 2º os Aprendizes e o 1º os Companheiros.

O REAA, preservando essas tradições, adota essa hierarquia. Enganam-se aqueles que pensam que é necessariamente o Vigilante da Coluna o instrutor. Tudo faz parte do canteiro especulativo e nele muitas práticas se derivam nos nossos antepassados oriundos das Guildas de Construtores da Idade Média – é preciso se respeitar essa regra.

Dando por concluído, a terceira instrução do Companheiro sugerida pelo Sistema de Orientação Ritualística no REAA procura manter a tradição de que é ofício do 1º Vigilante, do Norte, instruir os detentores do 2º Grau, no Sul.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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JAN/2021

 

 

 

sábado, 15 de janeiro de 2022

COLETA NAS COLUNAS - AUSÊNCIA DE APRENDIZES E COMPANHEIROS

Em 24.07.2021 o Respeitável Irmão Flávio Antonio Caldas Rebello, Loja Unificação Maçônica, 1.125, REAA, GOB-AM, Oriente de Manaus, Estado do Amazonas, apresenta a seguinte questão:

 

COLETA NAS COLUNAS NO REAA

 

Meu irmão, estamos com uma dúvida no correr dos Sacos. Se as CCol dos CComp ou AApr estiver vazia, mesmo assim é obrigado a percorre-las com os sacos (Propostas e Tronco)?

 

CONSIDERAÇÕES:

 

Ao que parece as dúvidas são pertinentes ao giro durante as abordagens quando das coletas nas CCol do Sul e do Norte.

De pronto, devo salientar que não existe possibilidade dessas CCol ficarem vazias em Loja aberta, pois além dos Aprendizes e Companheiros, que ocupam lugar nos seus respectivos topos, nelas também trabalham Mestres Maçons distribuídos conforme os seus lugares (Vigilantes e Oficiais).

Assim, o oficial circulante (M de CCer ou Hosp) percorre toda a Col do Sul para fazer a coleta. Obviamente que se não estiverem presentes Companheiros Maçons, a abordagem é feita entre os demais ali presentes. Do mesmo modo isso ocorre na Coluna do Norte e os Aprendizes.

A ordem de abordagem deve obedecer ao que prevê o REAA no Sistema de Orientação Ritualística do GOB RITUALÍSTICA – Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral.

Vale mencionar que no Templo a os limites da Col do Norte compreendem todo o espaço à esquerda de quem entra a partir do eixo (equador) até a parede Norte e entre o limite com o Oriente e a parede ocidental. O topo dessa Col é toda a parede Norte que fica entre a balaustrada e o canto ocidental (nordeste e noroeste do espaço respectivamente). Nessa parede ficam encravadas as seis primeiras colunas zodiacais e é o lugar dos Aprendizes em Loja.

Já na Col do Sul, seus limites compreendem todo o espaço à direita de quem entra a partir do eixo (equador) do Templo até a parede Sul e entre o limite com o Oriente e a parede ocidental (sudeste e sudoeste do espaço respectivamente). O topo dessa Col corresponde a toda a parede Sul que fica entre a balaustrada e o canto ocidental. Nela ficam encravadas as outras seis colunas zodiacais e é genericamente o lugar dos Companheiros em Loja.

Destaco que conforme a legislação do GOB, cargos em Loja são privativos dos Mestres Maçons, isso implica que Aprendizes e Companheiros não ocupam cago e sentam respectivamente nos topos do Norte e do Sul.

Assim, em uma Loja aberta as CCol nunca estarão completamente desocupadas pois nela sempre deve existi um mínimo de Mestres trabalhando. O que pode acontecer é não estarem presentes Aprendizes e Companheiros naquela sessão. Desse modo, por certo que o oficial circulante não encontrará nem Aprendiz e Companheiro para realizar a coleta, isto é, nesse caso ele nem passa pelos topos das CCol.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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JAN/2022

 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

PALAVRA SAGRADA DO 3º GRAU - EXISTE MAIS DO QUE UMA?

Em 23/07/2021 o Respeitável Irmão André Corado, Loja Mahatma Gandhi, 90, sem mencionar o nome do Rito, GLMERJ (CMSB), Oriente do Rio de Janeiro, apresenta a questão seguinte.

 

PALAVRA SAGRADA DO MESTRE MAÇOM

 

Gostaria de saber porque os Mestres tem duas Palavras Sagradas.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

A bem da verdade, pelo menos até onde eu entendo, não existem duas PPal SSagr para um mesmo grau. É normal sim existir uma Pal Sagr e uma Pal de
Pas
∴, mormente a partir do 2º Grau (no 1º somente a Pal Sagr).

Infelizmente, nesses termos, ao que parece existe ritual aprovado com duas PPal SSagr, o que no mínimo para mim parece altamente contraditório – “yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay”.

Desafortunadamente na Maçonaria Brasileira, em particular, tem sido comum a existência de muitos “compiladores de rituais” que se acham altamente conhecedores da história da Ordem, contudo, esses, o que de fato têm feito é descuidadamente semear procedimentos equivocados e contraditórios nocivos à liturgia maçônica. Esses experts quando indagados a respeito, geralmente só sabem mencionar que está escrito em algum lugar, contudo não avaliam antes se esse escrito está de fato nos conformes com as exigências da Arte, ou seja, se a fonte é de água limpa.

Destaque-se que é primário nos estudos maçônicos logo se observar que palavras, e até sinais, se diferem conforme o rito e os respectivos graus, sobretudo por motivos culturais e doutrinários.

Desse modo, provavelmente por descuido, e às vezes por ignorância mesmo, alguns ao topar com PPal SSagr e de Pas diferenciadas inseridas no mosaico da história da Maçonaria (conforme o rito ou trabalho), inadvertidamente, por acharem que tudo é a mesma coisa, logo enxertam em rituais de ritos que simplesmente as desconhecem, tanto no seu sentido, como no seu significado.

Esses ritualistas, então lançando mão do jeitinho latino de ser, logo inserem práticas e procedimentos em ambientes relativamente desconhecidos para elas. Daí, dá no que dá, ou seja, ninguém entende nada, senão o de que está escrito em algum lugar, como se isso bastasse para ser um elemento verdadeiro – ledo engano!

No caso a Pal Sagr, como dito, existem muitas delas, mas apenas uma por rito e grau, isto é, cada macaco no seu galho.

Nesse particular, basta que se observem as duas principais vertentes de Maçonaria, a anglo-saxônica e a latina onde no caso do 3º Grau as PPal SSagr, embora de uma mesma raiz, se diferenciam conforme os costumes (ritos e rituais).

Fatalmente, é nesse ambiente que alguns ditos ritualistas misturam as coisas e logo, para acomoda-las, saem inventado desculpas, como por exemplo a da existência de duas PPal SSagr num mesmo grau. Ora, certamente somente uma delas é matéria que faz sentido. A outra é produto de enxerto e geralmente não encontra sustentação no arcabouço doutrinário original do grau e do rito.

De fato, eu tenho questionado essas meras cópias de rituais anacrônicos, assim como tenho também questionado as autoridades maçônicas que aprovam e adotam rituais sem antes atentar para o bom senso dos fatos que compõem a sua liturgia.

Na questão da Pal Sagr Moab, por exemplo, de há muito tenho explicado que ela é uma corruptela que acabou sendo consagrada no REAA. Ela é mesmo um paradoxo, já que no tocante ao REAA o correto deveria ser M B, destacando que o seu significado se associa à frase original “tut nos oo”, ou “ainda há tut nos oo” - marrow in bone (note as iniciais no contexto da frase). Para ilustrar, basta observar o verdadeiro avental de Mestre Maçom do REAA aprovado desde 1875 no Congresso de Lausanne na Suíça. Esse avental original, orlado em vermelho, traz nele as letras M B. Será por quê?

Infelizmente fizeram, inventaram e deturparam tanto os rituais que chegaram a dar um significado de “a c s d dd oo∴” para a palavra Moab que por sua vez é originária do termo moabitas, habitantes de Moab, ou Moabe, mencionado na Bíblia.

A título de ilustração seguem alguns comentários sobre essa palavra no intuito de demonstrar que ela nada tem a ver com o sentido da Palavra no REAA que é o da “c que se d dos oo”. Nesse sentido, note que os moabitas foram um povo nômade que se estabeleceu a Leste do Mar Morto por volta do século XIII a.C., na região que mais tarde ficaria conhecida como Moab ou Moabe. Os moabitas eram um povo que descendia de Moab, filho de Ló. Eram parentes próximos dos israelitas e até tinham boa convivência com eles. Moab significa, em hebraico, “de seu pai”. Consta no Antigo Testamento ser esse o nome de um filho de Ló. Ele era ancestral dos moabitas (vide a tragédia que se assolou sobre Sodoma e Gomorra).

Ora, é difícil racionalmente engolir que os nativos de uma região montanhosa, hoje pertencente a Jordânia, e conhecidos como moabitas, tenham alguma coisa a ver com uma tradução igual a frase “a c se d dd oo. Me parece que isso esteja muito longe de ser uma tradução Moab, até porque não faz absolutamente nenhum sentido.

Como diz o ditado, água mole em pedra dura tanto bate até que fura, assim a Pal Sagr Moab virou uma corruptela de M B no REAA.

Como se não bastasse essa aleivosia de tradução, alguns ainda a misturam com uma Pal Sagr do Rito Moderno, bem como também com outras derivações de rituais e trabalhos anglo-saxônicos (ingleses, irlandeses e escoceses) onde a palavra, com o mesmo sentido, tem escritas às vezes diferenciadas.

Por uma questão de sigilo não vou mencioná-las aqui, embora todas, sem exceção, tenham uma estreita relação com a frase “Marrow in Bone” – vide, por exemplo, a lenda Noaquita (Noé e seus três filhos: Sem, Can e Jafé) e a sua associação com a lenda de H A.

No caso da sua questão propriamente dita, é provavelmente daí que vem a anomalia de existir mais de uma Pal Sagr em um mesmo grau de um mesmo Rito. Na verdade, isso nada mais é do que um acréscimo equivocado.

Um exemplo desses enxertos, embora não relativo às PPal, mas aos Painéis, é o do Painel do 1º Grau do REAA, onde alguns rituais desse Rito no Brasil trazem dois painéis, sendo um o original, que é o francês, e outro advindo do Craft, que um enxerto no escocesismo. Para justificar a inserção indevida de mais um painel, absurdamente alguns ritualistas passaram a chamar o intruso de Painel Alegórico, não obstante o Rito em questão ser de origem francesa e tradicionalmente possuir apenas e tão somente um Painel.

Nesse caso, ao tempo de se corrigir e eliminar o painel que não é nativo do rito, preferiu-se antes mantê-lo mascarando-o como Painel Alegórico, coisa que, como mencionado, ele não exista de modo algum no REAA.

Em síntese, na Maçonaria inglesa o painel é a Tábua de Delinear (Tracing Board), na francesa é simplesmente o Painel do Grau – cada um no seu sistema.

Vale a pena mencionar que entre ambos os painéis existem muitas diferenças no seu conteúdo simbólico, cujo corolário adapta-se ao teor iniciático do rito. Não dá para se misturar as coisas.

Dando por concluído, reitero que esse pode ser o caso de mais uma flagrante acomodação, onde um Rito estranhamente acabou indevidamente ganhando, num mesmo grau, duas PPal SSagr.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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JAN/2021.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

LANÇAMENTO DA PEDRA FUNDAMENTAL DO TEMPLO

Em 21.07.2021 o Respeitável Irmão Alexander George Whyte Gailey, Loja Renascer de Cotia, 3706, GOB-SP, REAA, Oriente de Cotia, Estado de São Paulo, apresenta a questão que segue.

 

PEDRA FUNDAMENTAL

 

Venho por esta solicitar orientação sobre o lançamento da pedra fundamental do projeto que temos da construção de nosso Templo. Alguns Irmãos comentaram que existe um “ritual “para este tipo de procedimento e gostaria que pudesse nos esclarecer com a luz de sua sapiência.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Na verdade, a Pedra Fundamental na Moderna Maçonaria não se trata especificamente de ser uma pedra angular, mas genericamente é o marco inicial simbólico da construção de um templo maçônico.

Especulativamente, consiste em colocar em uma urna algo que represente


aquele solene momento e fique devidamente registrado na a mente dos pósteros. Geralmente a tendência é de que essa urna seja aberta futuramente quando a Loja comemorar o seu jubileu de prata, jubileu de ouro, ou outro qualquer momento relevante para a Loja.

A bem da verdade, esse costume rememora de maneira simbólica os tempos operativos da Maçonaria quando era então colocada no canto nordeste da obra a sua pedra angular, ou seja, o marco referencial de onde partiam todos os nivelamentos, alinhamentos e aprumadas da construção. Era uma espécie de 0=PP, ou o ponto de partida da obra.

Na Moderna Maçonaria, especulativa por excelência, esse costume é relembrado em se enterrando num lugar próximo ao canto nordeste do canteiro de obras uma urna lacrada representativa, contudo tomando-se o cuidado para que esse elemento emblemático não venha posteriormente atrapalhar a construção da verdadeira estrutura de fundação da obra.

A referência “canto nordeste” vem dos tempos do ofício quando era marcado o primeiro “canto” em cujo qual se utilizava o cordel de 12 nós equidistantes que servia para esquadrejar as esquinas da edificação em se aplicando a 47ª Proposição de Euclides (Teorema de Pitágoras).

O canto, ou esquina inicial, ficava na banda nordeste do canteiro porque no hemisfério Norte, berço de nascimento da Maçonaria, esse era hipoteticamente o lugar mais escuro e mais distante da luz que aparentemente vinha da banda Sul (do mais escuro para o mais iluminado). Na verdade, é a aparente declinação máxima do Sol em direção ao Sul no inverno setentrional.

A aplicação prática desse teorema era a de que partindo dessa pedra angular (canto inicial) marcavam-se três nós do cordel em direção ao Sul (Meio-Dia); quatro outros nós em direção ao Ocidente (ocaso do Sol); fechava-se a hipotenusa desse triângulo retângulo com cinco nós. Dessa aplicação resultava o “canto” esquadrejado (90º). Não à toa que o substantivo “canteiro” é derivado da palavra  “canto”.

Assim, simbolicamente os rituais, ou os roteiros especulativos, vivenciam essa antiga gênese de edificação do período operativo da Maçonaria, ordenando para tal um cerimonial para o lançamento da Pedra Fundamental.

Em linhas gerais o ponto básico dessa cerimônia especulativa consiste em fazer com que os oficiais da Loja literalmente percorram os quatro cantos do polígono que baliza a futura construção (pelo terreno ao ar livre) como que vivenciando essa alegoria. Para isso a comitiva parte simbolicamente do canto nordeste e paulatinamente passa respectivamente pelos cantos noroeste, sudoeste e sudeste, voltando ao canto nordeste que é o ponto inicial (fechando a poligonal. O trajeto simula o quadrilongo projetado do Templo.

No caso do ritual, no GOB existe um “Roteiro de Lançamento da Pedra Fundamental” que se encontra em Rituais Especiais, Eventos Irrestritos e Roteiros, Decreto 1517/17, edição 2017 em vigência.

No entanto, vale mencionar que esse roteiro do GOB carece de correção porque lamentavelmente na sua página 231, consta uma planta onde o ponto cardeal Norte descrito está contraditório à situação do retângulo emblemático, pois a orientação que deveria coincidir com os pontos cardeais Norte, Sul, Leste e Oeste encontra-se com o Norte apontando para o Leste (Oriente). Entenda-se que a grande marcha (procissão dos Oficiais) que ocorre na cerimônia de Lançamento da Pedra Fundamental é horária e parte do canto nordeste. Sem dúvida, isso precisa ser corrigido, fazendo assim com que os pontos cardeais Norte, Sul, Leste e Oeste coincidam com os lados Norte, Sul, Leste e Oeste do retângulo balizador da futura construção.

Em relação ao cerimonial propriamente dito, vale mencionar que o final da grande marcha ocorre quando a procissão atingir novamente o canto NE, onde nele é enterrada a urna lacrada que simboliza a Pedra Fundamental.

É nesse momento que a urna recebe elementos como jornais da época, moedas, notas, copias de discursos proferidos na ocasião, ata do evento, cópia do projeto, fotos, e outros elementos que possam fazer parte da solene ocasião e relembradas no futuro. Recebidos esses elementos a urna é lacrada pelo Venerável Mestre que terá nas mãos uma trolha (colher de pedreiro).

Eram esses os sucintos comentários, destacando que procurei também ilustrar a origem dessa cerimônia que atualmente tem sido própria de muitos ritos maçônicos especulativos da Moderna Maçonaria.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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JAN/2022