segunda-feira, 12 de junho de 2023

COLUNAS ZODIACAIS NO ORIENTE?

Em 13.03.2023 o Respeitável Irmão Odair Lopes Jr., Loja Igualdade, 93, GLMERJ (CMSB), REAA, sem mencionar o Oriente, Estado do Rio de Janeiro, faz a pergunta seguinte:

 

COLUNAS ZODIACAIS NO ORIENTE?

 

Estou fazendo uma pesquisa que fundamente o porquê das CCol Zodiacais estarem dispostas, todas, no Ocidente, não se estendendo ao Oriente Você poderia me ajudar?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Em que pese essa matéria já ter sido exaustivamente por mim tratada, em síntese, as Colunas Zodiacais marcam no templo maçônico do REAA o caminho iniciático do Maçom.

               Essa jornada associa-se à alegoria do nascimento, vida e morte da Natureza - primavera, verão, outono e inverno que ocorrem no hemisfério Norte. Ao Norte porque foi nele que a Maçonaria nasceu.

Assim, os Aprendizes ocupam no templo maçônico o topo da Coluna do Norte (Primavera e Verão), os Companheiros o topo da Coluna do Sul (transição do verão para o outono) e os Mestres, na sua jornada final, o inverno.

Iniciaticamente esses ciclos representam sequencialmente a infância, a adolescência, a juventude e a maturidade do iniciado.

Nos parâmetros iniciáticos do REAA, a jornada se conclui no Oriente, que é o lugar onde ingressam apenas aqueles que já tenham alcançado a plenitude maçônica (3º Grau).

Para que o Maçom, através da Exaltação alcance o Oriente, ele deve antes passar obrigatoriamente pelos graus de Aprendiz e de Companheiro.

Nesse contexto iniciático, a vida material do iniciado corresponde à sua estada no Ocidente, e a espiritual, no Oriente. Esotericamente essa fórmula iniciática está representada pelo Esq e o Comp sobre o L da L, onde o Comp gradativamente terá as suas pontas libertadas dos ramos do Esq.

Representando cada um desses ciclos iniciáticos, as Colunas Zodiacais se distribuem pelas paredes Norte e Sul até a balaustrada, que é o limite do Ocidente com o Oriente. Nessa conjuntura, em última análise, o Ocidente corresponde ao caminho material do Iniciado e o Oriente é o destino espiritual. Graças a isso é que as Colunas Zodiacais não podem ultrapassar a balaustrada.

A chave de todo esse emblemático sistema de aprimoramento humano está na Lenda de Hiran, cujo segredo ao ser desvendado pelo Iniciado, o tornará capaz de ultrapassar o pórtico do Oriente.

 

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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JUN/2023

sábado, 10 de junho de 2023

ORDEM DE ABORDAGEM NA CIRCULAÇÃO DA BOLSA - REAA

Em 12.03.2023 o Respeitável Irmão Rafael Batistas, Loja Pioneiros de Mauá, 2000, REAA, GOB-RJ, Oriente de Magé, Estado do Rio de Janeiro, faz a seguinte pergunta:

 

ORDEM DE ABORDAGEM NA COLETA

 

Gostaria de saber o correto na circulação do tronco de beneficência, dando em minha loja como nas lojas que tenho o prazer em visitar a circulação e feita na sequência:

Venerável Mestre, autoridades que estão no trono de Salomão, 1º Vig, 2º Vig, Orador, Secretário e Guarda do Templo.

Minha dúvida o correto não seria:

Venerável mestre, 1º Vig, 2º Vig, Orador, Secretário e Guarda do Templo?

Os dois irmãos que adornam o trono de Salomão logo após as luzes e as Dignidades?

Última dúvida os IIr que estão colaborando com o tronco de beneficência pelo que li a colaboração deverá ser de forma discreta possível colocando a mão fechada no saco (tronco de beneficência ) e retirando discretamente a mão aberta sem a necessidade de mostrar a assembleia no caso levantar a mão pois estamos entre IIr e para fechar vejo algumas vezes alguns IIr antes de contribuir no tronco de beneficência em plena ritualística fazem alguns movimentos como girar a mão sobre a cabeça, pronunciar o próprio nome entre outras coisas, no ritual não diz em grandes detalhes mais acredita que a discrição seria a melhor forma de colaboração do tronco de beneficência.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Quanto a ordem de abordagem na coleta, segue-se o previsto no SOR - Sistema de Orientação Ritualística do GOB implantado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral e publicado no boletim oficial do GOB nº 31 em outubro de 2019.

             Destaco que o SOR é a orientação oficial do GOB. Não fosse assim esse sistema não estaria hospedado no site oficial do GOB à disposição de todos os Irmãos. Nessa conjuntura, vale lembrar que o Soberano Grão-Mestre Geral é o guardião dos Rituais do GOB e ele pode emitir Decretos que atuem sobre esses rituais.

Dito isso, a abordagem da coleta das PProp e IInf e do Tronco de Benef, assim como o giro do Escrutínio Secreto segue a ordem prevista no SOR, ou seja: Venerável Mestre; 1º e 2º Vigilantes; Orador, Secretário e Cobridor Interno (esse é o nome correto); Autoridades que estejam ocupando as duas Cadeiras de Honra; demais Irmãos do Oriente; Mestres das Colunas do Sul e do Norte respectivamente; Companheiros; Aprendizes e, por fim, o próprio oficial que desempenha a missão.

Nesse contexto é bom que se diga que a ocupação das duas cadeiras de honra ocorre conforme o Decreto 1469/2016. A propósito, as duas cadeiras de honra não têm a função de "adornar" o Trono.

No tocante à coleta, de fato o procedimento deve ser sempre o mais discreto possível, sem a necessidade de o abordado levantar a mão aberta no final do ato da coleta. Basta que ele coloque a mão direita fechada dentro do recipiente e discretamente aberta ao retirá-la – não precisa literalmente mostrar a mão aberta. Tudo isso pode ser conferido em se consultando o SOR.

Outros procedimentos, como os que relata o Irmão, não estão previstos, pois não passam de meras invenções.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/2023

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JUN/2023

terça-feira, 6 de junho de 2023

ATIVIDADES DO 1º DIÁCONO NO REAA

Em 11/03/2023 o Respeitável Irmão Edvani de Lima, Loja Honra, Dignidade e Soberania, REAA, Grande Oriente Paulista (COMAB), Oriente de Poá, Estado de São Paulo envia a dúvida seguinte:

 

1º DIÁCONO

 

Decifrada a bolsa de propostas e informações, o Venerável Mestre pede ao 1° Diácono, que "cumpra o seu dever". Nesse momento, ele tem que levar tudo ao Secretário. Ele deve passar "atrás" ou à frente do livro da lei? (Lembrando que este se encontra no Oriente nesse rito).

 

CONSIDERAÇÕES

 

Dois aspectos precisam ser comentados sob o ponto de vista da originalidade do Rito. O primeiro é o 1º Diácono levando conteúdo da bolsa de propostas e o segundo é sobre passar por trás ou pela frente do Livro da Lei que fica sobre o Altar dos Juramentos no Oriente.

                       No caso do 1º Diácono conduzindo o conteúdo da bolsa, me parece contraditório, pois originalmente no REAA, apesar da dialética de abertura, ele não exerce esse ofício, pois quem é o encarregado dessa missão é o Mestre de Cerimônias que, no REAA, é o imediato do Venerável Mestre.

A dialética de abertura que envolve os Diáconos é apenas uma reminiscência do período operativo, época em que eles eram os mensageiros, conhecidos também como antigos oficiais de chão, dentro dos imensos canteiros de obras das construções das catedrais da Idade Média.

Especificamente eles comunicavam aos Vigilantes as ordens do Mestre da Loja para que eles nivelassem e aprumassem os cantos da obra visando dar início dos trabalhos. Do mesmo modo, no encerramento fossem também feitas as conferências com o nível e com o prumo para se certificar que o trabalho houvera saído a contento e assim fossem pagos os operários. É daí a origem das joias distintivas dos Vigilantes, o Nível e o Prumo.

Atualmente, na Moderna Maçonaria, o REAA revive esse instante transmitindo uma palavra que, sendo ela comunicada nos conformes, significa que tudo está de acordo para se abrir e fechar a Loja. É daí a origem do termo “justo e perfeito”.

Assim, no REAA, os Diáconos não portam bastão e só trabalham como mensageiros para a transmissão da palavra. No caso do 1º Diácono, não é ele quem deve conduzir expediente, recados e outros do gênero. Esse ofício nos ritos de origem francesa é do Mestre de Cerimônias.

No que diz respeito de por onde se passa nos deslocamentos pelo Oriente, é certo que não existe regra para isso, portanto, pode ser pela frente ou pela retaguarda do Altar dos Juramentos. Isso vai depender obviamente do espaço disponível de acordo com o tamanho do ambiente oriental. Desse modo, reitera-se, se houver espaço pode se passar pela retaguarda ou pela frente.

Ao concluir lembro que as minhas colocações não têm o objetivo de incentivar desrespeito à rituais em vigência. Fiz as minhas colocações baseadas no que originalmente preconiza o rito. Antes de mais nada, segue-se o ritual em vigor.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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JUN/2023

FORMAÇÃO DO PÁLIO NO REAA

Em 06/03/2023 o Respeitável Irmão Clovis Juk Fazzano, Loja Obediência e Justiça, 539, GLESP (CMSB), REAA, Oriente de Araçatuba, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

 

PÁLIO NO REAA

 

Qual a função e objetivo da formação da Pirâmide formada pelos bastões dos Diáconos e Mestre de Cerimonia durante abertura e fechamento do Livro da Lei?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

                       No que diz respeito ao REAA, essa pirâmide, conhecida com pálio, não é original, portanto, não há explicação plausível quanto ao que ele representa no Rito.

O pálio é original no Rito Adonhiramita, onde possivelmente há explicação sobre o seu significado. No Rito Adonhiramita o pálio é formado com espadas pelo Mestre de
Cerimônias e por mais dois Mestres Maçons convidados na ocasião (o rito Adonhiramita não possui Diáconos).

Dos ritos franceses mais conhecidos por nós (Moderno, Adonhiramita e REAA, o único que possui cargo de Diácono e o REAA entretanto sem portar bastão em momento algum. Os dois Diáconos trabalham exclusivamente na liturgia da transmissão da Palavra na abertura e encerramento dos trabalhos.

É verdade que ainda encontramos alguns rituais do REAA que preconizam a formação do pálio, contudo reitera-se que esse não é elemento da liturgia original do REAA. Assim, qualquer explicação amparada na originalidade acaba ficando prejudicada.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@jotmail.com

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JUN/2023

segunda-feira, 5 de junho de 2023

ALEGORIA DAS PROVAS, VIAGENS E PURIFICAÇÕES NO REAA

Em 06.03.2023 o Respeitável Irmão João Artur Gusmão Rodrigues, Loja União Mística, 2440, REAA, GOB-SC, Oriente de Videira, Estado de Santa Catarina, apresenta as questões seguintes:

 

ALEGORIA DAS PROVAS, VIAGENS E PURIFICAÇÕES

 

Estou fazendo um trabalho sobre a alegoria das provas, viagens e purificações na iniciação do REAA, e gostaria da contribuição do Irmão para esclarecer algumas dúvidas.

1. A partir de que momento, da história do REAA, tais alegorias passaram a fazer parte do ritual de iniciação? De uma maneira geral, as provas, viagens e purificações já eram praticadas no período operativo?

2. Qual o entendimento que podemos ter do sentido das viagens: saindo do ocidente, passando pelo Norte, indo até o oriente (sem subir) e retornando ao ocidente após
passar pelo Sul?

3. Seria correto, entendermos que na prova da Terra e do Ar, também há uma purificação pelos elementos terra e ar respectivamente, ou as purificações só ocorrem no final das provas da água e do fogo como consta no Ritual?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

1.    Em linhas gerais boa parte da alegoria das viagens e purificações eram parte do instrucional do Rito Moderno no Grande Oriente da França, século XIX.

No princípio essa alegoria nada tinha a ver com o REAA, pois no GOF, que sofria forte influência dos Modernos ingleses da Primeira Grande Loja, era praticado o Rito Francês, ou Moderno.

O título “Moderno” pelo qual também é conhecido ao Rito Francês, está intimamente relacionado à Primeira Grande Loja londrina que era também conhecida como a Grande Loja dos “Modernos”.

Por não possuir ritual para o simbolismo já que nos EE. UU. da América emprestava-se das Blue Lodges os rituais dos três primeiros graus, o REAA somente teria ritual próprio para o simbolismo a partir de 1804 quando de retorno à França.

Esse primeiro projeto ritualístico para o REAA foi construído sob três elementos estruturais básicos a saber:

a) O Regulador do Maçom para o Rito Francês datado de 1801 do GOF;

b) A exposure denominada As Três Pancadas Distintas de 1760, essa atribuída aos Antigos ingleses (irlandeses);

c) Elementos da Loja Geral Escocesa criada em 1804 na França para coordenar o projeto do 1º ritual.

Histórias a parte, primitivamente era o Rito Francês quem possuía no seu contexto iniciático a prova das viagens de dos elementos, todavia, quando das reformas pelas quais passou esse Rito, elas ali acabariam extintas.

No entanto, o REAA, passando na França por atribulações oriundas do aparecimento das Lojas Capitulares, logo teve o seu primeiro projeto de ritual deturpado. Com isso, entre 1820/21 apareceria um caderno cujo nome era o Guia dos Maçons Escoceses.

Assim entre o primeiro e o segundo quartel do século XIX os rituais do REAA paulatinamente foram tomando forma e é dessa época que aparecem nos rituais do REAA, com roupagem um pouco remodelada, as provas e purificações das viagens e dos quatro elementos que outrora fizeram parte do Rito Francês.

No que diz respeito a sua questão sobre às purificações e provas pelos elementos alquímicos na Maçonaria Operativa, posso lhe afirmar que isso jamais foi utilizado no período do ofício, pois a Maçonaria daquela época era essencialmente profissional e não se utilizava desses artifícios para fazer novos maçons.

 

2.    No REAA o Templo é cósmico. Figuradamente o espaço de trabalho onde se realizam as sessões maçônicas corresponde a um segmento retangular da face da Terra sobre o equador, cujo comprimente vai do Oriente ao Ocidente e a sua largura do Norte ao Sul.

Graças a essa configuração mística é que as provas, viagens ou perambulações ocorrem, em primeira análise, sobre a superfície da Terra. Isso acentua o caráter de universalidade da Maçonaria.

É bom que se diga que no REAA, por ser um rito solar, o caminho iniciático é representado sequencialmente no templo pelas Colunas Zodiacais.

Em síntese, as viagens representam as etapas do aperfeiçoamento humano. Cada uma delas é uma estação iniciática cuja localização ocorre conforme a marcha e a posição do Sol. A vida do iniciado emblematicamente segue esse mecanismo astronômico.

 

3.    As provas ou estações iniciáticas correspondem aos quatro elementos, Terra, Ar, Água e Fogo. As purificações do iniciado se dão pelos elementos Água e Fogo. Nesse contexto, o substantivo “prova” se refere ao ato de provação para alcançar um objetivo com veracidade e autenticidade e purificação revela algo puro, limpo, sem máculas.

 

Essa é uma pequena síntese histórica e prática sobre o que contemplam simbolicamente as viagens, provas e purificações pelos elementos alquímicos dentro da conjuntura iniciática do REAA.

Ao concluir, vale lembrar que os quatro elementos alquímicos também estão intimamente ligados ao relicário de símbolos que constrói a Câmara de Reflexão.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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JUN/2023