Em 27.07.2024 o Respeitável Irmão Vanderlei
Nolasco, sem mencionar o nome da Loja e Oriente, REAA, GOB-PR, Estado do
Paraná, faz a seguinte pergunta:
USO DO CHAPÉU
Caro irmão, mais uma vez recorro a sua
sabedoria e paciência em estar dividindo conosco seus conhecimentos.
No grau de Mestre Maçom no REAA, na seção de
Mestre quando o Venerável Mestre transmite a palavra ao Irmão Primeiro Diácono
ambos retiram o chapéu. Gostaria de saber o porquê de se descobrirem, seria um
sinal de respeito? E quando o Diácono vai ao Primeiro Vigilante passar a
palavra eles também retiram o chapéu? Ou isso acontece somente no altar do
Venerável.
CONSIDERAÇÕES.
Antes, vale a pena trazer alguns
comentários sobre a natureza do uso do chapéu na Maçonaria. Para tanto, destaco
o irretocável texto do saudoso Irmão José Castellani na sua obra a Maçonaria e
sua Herança Hebraica, página 148:
“A
Cobertura da Cabeça. Para os ortodoxos do judaísmo, o homem deve estar sempre
com a cabeça coberta. Desde o nascimento, ou, mais precisamente, desde a brit-milá
(circuncisão), que é realizada no oitavo dia de vida e que simboliza a aliança
abraâmica do Deus. Na prática, todavia, essa cobertura, que é feita com o kipá
– que é o solidéo, do latim soli Deo = a só a Deus – é obrigatória
durante as cerimônias litúrgicas.
Em
Maçonaria, a cobertura da cabeça – que geralmente é feita com um chapéu negro e
desabado – é obrigatória para todos os Mestres Maçons, nas Sessões de Câmara do
Meio, existindo, todavia, Ritos, nos quais essa cobertura é obrigatória para
todos os Graus e em qualquer Sessão. Fora da Sessão de Mestre, é obrigatória, para
o Venerável Mestre, a cobertura da cabeça também nas Sessões do Grau de
Aprendiz e de Companheiro.
Parte
desse costume remonta as cortes europeias: o rei, quando em cerimônia com a
presença de inferiores hierárquicos, cobria a cabeça, como sinal de sua
superioridade (como o Venerável, em sessões do primeiro e do segundo Graus),
enquanto que, em reunião com os seus pares, todos tinham a cabeça coberta (como
terceiro Grau).
Todavia, há, também nesse
caso, uma influência hebraica, do ponto de vista místico, pois, em Maçonaria –
especialmente nos Ritos teístas, ou seja, na esmagadora maioria dos Ritos – assim
como no judaísmo, a cobertura da cabeça, além de mostrar que, acima da cabeça
do Homem, existe algo transcendental, onisciente, onividente e onipresente, que
é Deus, o Grande Arquiteto do Universo, evidencia a pequenez humana e a
prostração do Homem perante Deus, pois, sendo a cabeça, a sede da mente e do
conhecimento, estando ela coberta, mostra a incapacidade humana de entender a
divindade, o que é, praticamente, uma afirmação agnóstica. Em última análise é
a prova da submissão do Homem a Deus”.
Assim, este texto pode explicar um pouco do
porquê da presença do chapéu na Maçonaria em geral e no REAA em particular.
Em relação a sua questão, em nenhum dos casos o Venerável Mestre, e se for o caso também os
Diáconos, se descobrem. durante liturgia da transmissão da palavra.
O chapéu somente é retirado na oportunidade
em que houver a Leitura do Livro da Lei para a abertura dos trabalhos. Do mesmo
modo, também no ato de encerramento feito pelo primeiro Vigilante, seguido da
prece proferida pelo Venerável Mestre para que o Orador feche o Livro da Lei.
No mais, em qualquer grau, o chapéu somente
é retirado quando houver prece em favor do candidato, tomadas de juramentos e
consagrações.
O novo ritual (2024) menciona claramente
quais os momentos em que o chapéu deve ser retirado, tanto no 1º, 2º e 3º
Graus.
Nesse contexto, vale a pena salientar
que nos rituais do REAA/GOB, edição 2024 vigentes, nas sessões ordinárias e
magnas do 1º e 2º Graus, apenas o Venerável Mestre se cobre, enquanto que nas
sessões magnas e ordinárias do 3º Grau, além do Venerável, todos os demais
Mestres também usam o chapéu negro e desabado (aba mole).
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
http://pedro-juk.blogspot.com.br
FEV/2024