quarta-feira, 20 de junho de 2018

PROCEDIMENTOS NA TRANSFORMAÇÃO DA LOJA NO SEGUNDO GRAU


Em 20/04/2018 o Respeitável Irmão Mateus Barbosa Carvalho, Loja Tzedek, 4124, REAA, GOB-RS, Oriente de Canoas, Estado do Rio Grande do Sul, formula a seguinte questão:

PROCEDIMENTOS NA TRANSFORMAÇÃO DA LOJA


Tenho uma dúvida em relação à transformação da Loja de Aprendiz para Companheiro. Em nosso ritual do GOB atual (de 2009) não cita a leitura de Amós, o acendimento das luzes e a exposição do painel, porém no ritual de Mestre toda essa transformação é detalhada. Qual o procedimento correto? Estamos infringindo alguma lei ao adotar a transformação completa mesmo não estando descrita no Ritual?

CONSIDERAÇÕES

Eu particularmente entendo que não existe “meia transformação”.
Em termos de rituais, felizmente as coisas já se colocaram nos seus devidos lugares no ritual de Mestre Maçom, entretanto infelizmente ainda não no de Companheiro Maçom.
Obviamente que uma transformação deve ser completa e de acordo com a liturgia do Grau. Para se transformar uma Loja de um grau para outro é preciso que ela seja literalmente transformada na forma de costume, ou seja, feita a leitura do Livro da Lei de acordo com o Grau, a alteração dos objetos emblemáticos, a exposição do Painel da Loja pertinente e por fim também as luzes litúrgicas que devem corresponder em número às previstas para o trabalho.
Comentários à parte, eu tenho dito que é preciso se acabar na Maçonaria com essa mania latina de abreviar as coisas em nome de se ganhar tempo. Na realidade essa é uma atitude de péssima geometria e de desdenho para com a liturgia do Rito.
Como temos que por lei seguir os carimbos e convenções da Maçonaria latina, embora esse ritual do Segundo Grau mencione irritantemente uma economia de procedimentos para a transformação da Loja, mesmo assim somos obrigados a segui-lo, pois ele é um ritual em vigência.
A propósito, outras considerações a respeito podem ser também encontradas no Blog do Pedro Juk em Perguntas e Respostas onde publiquei nesse mês de junho uma resposta que também aborda esse tema.
Enquanto isso só nos resta esperar que em breve aconteçam as revisões e correções tão necessárias nos nossos rituais


T.F.A.


PEDRO JUK


JUNHO/2018.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

QUESTÕES DE RECONHECIMENTO ENTRE AS OBEDIÊNCIAS MAÇôNICAS


Em 19.04.2018 o Eminente Irmão Lourival Mariano de Santana, Grão-Mestre Estadual do GOB-SE, Oriente de Aracajú, Estado de Sergipe, apresenta algumas questões pertinentes ao GOB e outras em relação aos reconhecimentos.

QUESTÕES DE RECONHECIMENTO


É com grande satisfação que volto a entrar em contato com você para mais uma vez me servir dos seus conhecimentos.
Irei fazer um trabalho sobre a organização da maçonaria em geral no que tange
à parte administrativa. Se o Irmão puder me ajudar neste sentido ou me direcionar para outras fontes eu ficarei muito grato.
São os seguintes questionamentos:
1- O sistema tripartite existe só no GOB ou existe também em outras potências?
2- Quando começou no GOB esse sistema?
3- Como funciona em outras potências no Brasil e mundo a fora?
4- Quantas potências existem no Brasil e quantas são reconhecidas?
5- Como se cria uma potência?
6- Por que a Grande Loja da Inglaterra tem o poder de reconhecimento?
7- Existe mais alguma potencia mundial com o mesmo poder da Inglaterra?

CONSIDERAÇÕES:

  1. Segundo o que mencionam as autoridades do GOB, é apenas o Grande Oriente do Brasil que possui essa organização, cuja qual é composta por três poderes maçônicos, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Eu mesmo, pessoalmente, desconheço se esse sistema é adotado por outras Obediências ao redor do mundo.
  2. Sem afirmar peremptoriamente, no GOB esse formato se consolidou desde o século passado, entretanto eu sugiro ao Irmão que obtenha melhores informações a respeito junto ao Poder Central.
  3. Isso é particularidade de cada uma das Obediências. No Brasil, a COMAB e a CMSB não conta com um Poder Central tal qual acontece no GOB, mas sim como uma Confederação de Obediências Estaduais. A CMSB não adota o Poder Legislativo. Fora do Brasil, sugiro ao Irmão que contate aquelas que lhe forem convenientes e tenha delas diretamente essa resposta.
  4. Conhecidas são aquelas oriundas do Grande Oriente do Brasil, no caso três, sendo as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) resultantes da cisão de 1927 e os Grandes Orientes Independentes (COMAB) oriundos da cisão de 1973. A questão de reconhecimento é um assunto muito delicado e que deixo essa informação para que seja obtida junto ao Poder Central. Eu, particularmente tenho apenas como autênticas no Brasil aquelas que surgiram do GOB, no caso, as Grandes Lojas e os Grandes Orientes Independentes, o restante é para mim, salvo raríssimas exceções, pura picaretagem.
  5. Uma Obediência só pode ser criada se por ventura seguir os princípios de reconhecimento de alguma outra Obediência que seja considerada regular. Nesse sentido, a Obediência que irá reconhecer o nascimento de outra é quem dará esses pontos de reconhecimento.
  6. Esse tem sido, segundo alguns exegetas, um assunto contraditório. Se ela tem esse poder de reconhecimento, provavelmente é porque ela assim se declarou e as outras a aceitaram como Obediência com poder para reconhecer. No tocante a Grande Loja inglesa, existe ainda o fator histórico e político que envolveu a expansão inglesa pelo mundo, sobretudo no século XIX e início do XX.
  7. Não é bem uma questão de poder, mas o de se aderir ao reconhecimento. Muito próximo à Grande Loja Unida da Inglaterra, existe o sistema das Grandes Lojas Norte-americanas, a despeito de que, ao que parece, a Grande Loja Inglesa não interferir no sistema norte-americano de Maçonaria, e vice-versa.
A questão pode ser subjetiva, pois qualquer Obediência pode se arvorar a reconhecer outra, desde que a outra- se submeta a esse reconhecimento.

Esses são os poucos comentários que me atrevo a proferir sobre esse assunto, já que essas questões administrativas e de reconhecimento não me são muito atraentes, posto que eu prefiro, sempre cumprindo a lei, me dedicar mais à filosofia, ritualística, liturgia e a história das origens da nossa Sublime Instituição. Particularmente, penso que a partir da Moderna Maçonaria, muitas inserções feitas a partir desses costumes obedienciais acabaram, às vezes, por descaracterizar os verdadeiros propósitos na Ordem. Vejo a Maçonaria como uma escola iniciática de razão e que objetiva o aperfeiçoamento humano, enquanto que o resto, se o Irmão me permitir, eu prefiro não comentar.

T.F.A.


PEDRO JUK


JUNHO/2018

SÓ MESTRES PODEM OCUPAR O ORIENTE - REAA


Em 19/04/2018 o Respeitável Irmão José Tonete Sobrinho, Loja Guaicurus, 4.317, sem mencionar o nome do Rito, GOB-MS, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta a seguinte questão:

MESTRES E A OCUPAÇÃO DO ORIENTE.


Pergunto: Somente Mestres podem ocupar lugares no Oriente. Não é incoerente o ritual na iniciação Aprendiz prestar seu juramento no Oriente. Não seria correto que o mesmo o fizesse no ocidente, ou que o Altar dos Juramentos localizasse no Ocidente em frente Venerável Mestre, pois a prerrogativa do Oriente são somente de Mestres. Se tal formalidade e excepcional por se tratar de Iniciação, não seria correto o Aprendiz aprender trabalhar em Loja acompanhado do Mestre de Cerimônias?

CONSIDERAÇÕES.

Essa tem sido uma das contradições que aparecem desde a demarcação e erguimento do Oriente por ocasião do aparecimento no século XIX das hoje já extintas Lojas Capitulares do REAA.
Para tanto é preciso antes se compreender que originalmente no escocesismo simbólico não existia Oriente demarcado, senão identificava-se o mesmo como o lugar do Venerável Mestre e os que ocupavam assentos à sua direita e à sua esquerda. Em síntese, o Oriente era tudo o que estivesse encostado e mais próximo da parede Oriental, sem que existisse uma referência limítrofe como o desnível e a balaustrada atualmente conhecidos.
Isso pode ser ainda constatado, por exemplo, nas Lojas da vertente inglesa de Maçonaria, a exemplo do Rito de York, que não possuem essa demarcação, sendo toda a topografia da sala da Loja no mesmo nível, excedo o pedestal do Mestre da Loja que fica elevado.
Embora o Rito Escocês seja de origem francesa, é incontestável que ele possui forte influência anglo-saxônica no seu simbolismo, esse adquirido desde o nascimento dos seus primeiros rituais simbólicos a partir de 1804 na França, cujos quais foram influenciados pelas práticas das Lojas Azuis do Craft norte-americano e trazidos por maçons franceses de retorno dos Estados Unidos da América do Norte para a França (vide essa história).
Então, quando apareceram particularmente no Grande Oriente da França as Lojas Capitulares, cujas quais envolviam desde o simbolismo até os graus capitulares, o Oriente dessas Lojas seria demarcado em relação ao Ocidente por uma balaustrada. Esse espaço também se distinguia do restante do recinto por possuir o seu nível um pouco mais elevado, o que se dava por apenas um pequeno degrau.
Houve tempo (parte do século XIX) em que na França, o Grande Oriente se ocupou dos graus simbólicos até os graus capitulares (do Primeiro Grau até o Grau 18). Nesse sistema o Athersata do Capítulo era o mesmo Venerável Mestre do simbolismo. Ficava naquela oportunidade com o Segundo Supremo Conselho do REAA apenas os graus superiores que se davam a partir do Kadosh (do 19º ao 30º Grau) até o Consistório (do 31º ao 33ºGrau).
Assim, uma das características de disposição topográfica das Lojas Capitulares era a de que se subia ao Oriente por um pequeno degrau e ao sólio (lugar do Venerável) por mais três.
Seguindo o curso da história, essas Lojas num futuro próximo seriam extintas, ficando apenas o simbolismo com o Grande Oriente da França e os demais com o Segundo Supremo Conselho - o que na verdade nada mais era do que colocar as coisas nos seus devidos lugares. Entretanto, desafortunadamente e a moda latina, as Lojas simbólicas do escocesismo acabaram não se livrando de alguns costumes capitulares, dentre os quais o de se manter o Oriente demarcado e elevado, o que ia completamente contra o que previa o primeiro ritual simbólico do REAA datado de 1804 e que havia surgido antes das Lojas Capitulares.
Como o Oriente elevado no simbolismo, provavelmente para atender determinados interesses, acabou se enraizando ao ponto de se tornar tradicional no REAA, também o Altar dos Juramentos, por ser uma extensão do Altar utilizado pelo Venerável Mestre, inquestionavelmente permaneceu dentro dos limites do Oriente da Loja em lugar próximo e à frente, mas abaixo do sólio.
Devido a isso, algumas práticas da liturgia maçônica no escocesismo acabaram assumindo um aspecto contraditório em algumas situações. É o caso, por exemplo, da tomada das obrigações dos Aprendizes e dos Companheiros que acontecem no Oriente durante as Iniciações e Elevações, o que é contra toda a doutrina de ascensão iniciática do Rito. Note que antes da demarcação do Oriente, à moda capitular, isso não acontecia, pois a referência oriental era a partir do Venerável em direção ao Retábulo do Oriente (parede geralmente arredondada à sua retaguarda).
Explica-se essa contradição iniciática porque sob nenhuma hipótese um Aprendiz ou um Companheiro podem ingressar no Oriente em Loja aberta, pois esse local representa o final da escalada e com isso, simbolicamente, somente ali ingressam ou permanecem aqueles que alcançaram o Terceiro Grau.
Iniciaticamente a doutrina do REAA constrói uma alegoria baseada nas Leis da Natureza associando-as aos três ciclos do aprendizado maçônico. Sob essa óptica, os Aprendizes ocupam o Norte como ponto de partida iniciática, os Companheiros o Sul como ciclo intermediário e os Mestres, por concluírem o período, indistintamente ocupam, a partir do Oriente, todos os quadrantes da sala da Loja para levar o conhecimento (experiência) adquirido.
Nesse sentido, também vale a pena mencionar que a partir do século XIX paulatinamente ingressam no REAA a simbologia das constelações zodiacais que vão demarcadas ao Norte e ao Sul da abóbada ocidental da Loja, ou representadas por doze Colunas Zodiacais que vão situadas nas paredes Norte e Sul ocidental. Essas Colunas representam a escalada iniciática completa do simbolismo, comparando a vida do iniciado aos ciclos naturais – o Norte para os Aprendizes, o Sul para os Companheiros e o Oriente para os Mestres. Dada a essa disposição, não existem Colunas Zodiacais, além da balaustrada, isto é, elas não ocupam as paredes do Oriente demarcado. Assim por elas representarem principalmente a senda dos Aprendizes e Companheiros, sua localização corrobora com a não presença de detentores dos dois primeiros graus no Oriente da Loja – a alegoria iniciática significa que a Natureza morre para renascer na Luz, o que se dá pela representação teatral da Lenda Hirâmica durante a Exaltação – só aquele que passa por essa representação pode ingressar no Oriente.
Como o Oriente elevado e demarcado no simbolismo do REAA passou a ser elemento consuetudinário a partir do século XIX, os rituais, entretanto não acompanharam essa mudança para solucionar a presença no Oriente de Aprendizes e Companheiros nas respectivas Iniciações e Elevações. A imensa maioria dos nossos rituais ainda hoje não solucionou esse equívoco que contradiz toda a escalada iniciática ao colocar, mesmo temporariamente, o Aprendiz (infância) ou o Companheiro (juventude) num lugar onde só ingressam aqueles que alcançaram a maturidade (senilidade) da vida – a primavera sempre antecede o verão; nunca o sucede imediatamente.
Na verdade, a solução para esse caso não seria simplesmente a de trazer o Altar dos Juramentos para o Ocidente como alguns desatentos apregoam, pois isso seria mais contraditório ainda em se tratando do simbolismo do REAA. Nesse Rito é inquestionável que o Altar dos Juramentos se situe no Oriente, portanto não adianta se desvestir um santo para se vestir o outro.
Assim, muitas Lojas preocupadas com o cumprimento da doutrina iniciática, o que é primordial para a instrução e para a razão dos fatos, têm solucionado essa questão adequando o Altar dos Juramentos (que deve ser móvel) para a liturgia do juramento e da consagração. Para tanto, o móvel que serve como Altar dos Juramentos é simplesmente deslocado um pouco para trás e colocado rente ao degrau que separa o Oriente do Ocidente. Assim o Altar, mesmo que no limite entre os dois ambientes ainda permanece a contento no Oriente.
Nesse sentido, com boa vontade e uma simples, mais prática solução, os Aprendizes e o Companheiros, diante do Altar deslocado, mas no Oriente, se postam no Ocidente durante o juramento e a consagração.
Já quanto ao revestimento das insígnias, primeiras instruções, entrega de rituais e outros procedimentos litúrgicos, são ações que podem perfeitamente ser executadas no Ocidente e próximas ao Oriente, bastando que para tal o Venerável e outros de direito para ali se desloquem na oportunidade.
Acredito que com essas orientações e com um pouco de boa vontade, certamente essa demanda se resolveria. Espera-se então que essa luz chegue um dia até os nossos ritualistas e eles adequem esse procedimento nos nossos rituais para o bem da liturgia do REAA.
É bem verdade que mesmo assim ainda não faltarão críticas dos contemplativos plantonistas que nada entendem da doutrina maçônica e sempre se apegam ao “onde está escrito” para lhes servir de muleta.
Aproveitando esse momento, acho oportuno mencionar que essa adequação se daria melhor se outra tradição fosse também respeitada no escocesismo - a do desnível entre o Oriente e o Ocidente. Seria então necessário se acabar também com essa quantidade desmedida de degraus para se subir ao Oriente como tem sido geralmente demostrado nos nossos rituais. Na realidade para esse desnível bastaria apenas e tão somente “um pequeno degrau”.
Esse equívoco se dá porque num templo do escocesismo simbólico deve existir o número de sete degraus que vão assim distribuídos: um degrau para o Oriente, três para o sólio, dois para o Primeiro Vigilante e um para o Segundo. Mal interpretada essa alegoria que envolve o número da “criação”, os ritualistas, lançando mão do “que é mais fácil é mais barato”, simplesmente resolveram somar aos três degraus do sólio mais quatro para o Oriente. Assim, além de não resolver o problema, acabaram criando mais um.
Achei oportuno demonstrar mais esse erro, porque no caso da adequação do Altar dos Juramentos conforme anteriormente comentado, a existência de apenas um degrau para o Oriente seria, além de correto, o mais adequado para a colocação do Altar no limite com o Ocidente, inclusive sob o aspecto de conforto no ato da genuflexão.
Dando por concluído, eram esses os comentários que entendo pertinentes ao fato, destacando a importância que se deve dar à estrutura doutrinária do Rito. No mais agora é só esperar as críticas, mas também a boa vontade das autoridades competentes em se interessar pela solução desse elemento contraditório, destacando que além desse, muitos outros também existem. Afinal, se o Aprendiz só sabe simbolicamente soletrar, então que história é esse de ao final ele dar a palavra também por sílabas? Parece-me que alguma aí também não está nos conformes. Não acha?


T.F.A.

PEDRO JUK


JUNHO/2018.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

DÚVIDAS NA TRANSFORMAÇÃO DA LOJA


Em 19/04/2018 o Respeitável Irmão José Tonete Sobrinho, Loja Guaicurus, 4.137, REAA, GOB, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta a questão seguinte:

DÚVIDAS NA TRANSFORMAÇÃO DA LOJA.


Gostaria de estar trocando experiências e sanando dúvidas dentro dos graus simbólicos do REAA. Nas transformações do grau 1 ao 2 ou 3 no ritual de 2009 não consta a mudança do painel, somente do esquadro compasso e sinal. Qual o correto, pois aprendi da minha iniciação em 1999, que todas as transformação passam de grau em grau fazendo a transformação do Compasso e Esquadro, ascendimento das velas, troca de sinais e mudança de painel grau a grau retirando os Irmãos não pertinentes ao grau.

CONSIDERAÇÕES.

É bom que se diga que estamos tratando do REAA\.
No que diz respeito aos rituais do GOB em vigência nesse Rito, uma Loja pode ser transformada de acordo com as suas necessidades e depois retomar os trabalhos no grau em que ela fora originalmente aberta naquela oportunidade.
Assim, consta no ritual do Segundo Grau a transformação da Loja do Grau 01 para o Grau 02, e o seu retorno; bem como no Ritual do Terceiro Grau a transformação do Grau 02 para o 03, e o seu retorno.
No que diz respeito à transformação do Primeiro para o Segundo Grau o ritual deixa a desejar por estar incompleto, já que ele prevê apenas e tão somente a alteração do Esquadro e do Compasso, faltando ainda à leitura pertinente do Livro da Lei, a troca do Painel e o acendimento das Luzes litúrgicas de acordo como o Grau de Companheiro. Infelizmente é assim que nele atualmente está previsto, porém deveria exarar o procedimento completo e não apenas parte dele. Na realidade é uma falha que precisa ser corrigida.
Já no caso da transformação do Segundo para o Terceiro Grau, o ritual está correto, pois nesse caso ele prevê todo o procedimento – readequação do Esquadro e do Compasso, leitura, acendimentos das demais Luzes e exposição do Painel.
Obviamente que a troca de Sinais, a cobertura àqueles que ainda não possuem grau necessário, assim como a verificação (telhamento) estão corretamente previstos em ambos os rituais. A forma incompleta se dá apenas na transformação do Primeiro para o Segundo Grau como foi anteriormente mencionado.
Nesse particular, alerto ao Irmão que antes verifique se os seus rituais de 2009 estão atualizados, pois algumas correções já constam nos rituais impressos mais recentemente, mas que lamentavelmente, por falta de comunicação, as Lojas ainda não estão sabendo – os rituais foram alterados e reimpressos com o mesmo Decreto da edição de 2009.
Outro comentário pertinente é o de que também constam informações sobre alterações nos rituais e que podem ser acessadas no Poder Central em Ritualística – Grande Oriente do Brasil. Vale a pena consultar esse endereço eletrônico para se manter atualizado (para tal é necessário estar de posse do GOB-CARD).

T.F.A.

PEDRO JUK

JUNHO/2018

quarta-feira, 13 de junho de 2018

PORTADOR DE NECESSIDADES ESPECIAIS NA MAÇONARIA


Em 11/04/2018 o Respeitável Irmão Nivaldo Tono, Loja Fazenda Rio Grande, 165, Grande Loja do Paraná, REAA, Oriente de Fazenda Rio Grande, Estado do Paraná, apresenta a dúvida seguinte:

PORTADOR DE NECESSIDADES ESPECIAIS NA MAÇONARIA


Mais uma vez recorro ao Irmão para sanar uma dúvida, desta vez quanto ao ingresso de candidatos em nossa Ordem com problemas físicos ou até mesmo a permanência desse
s, já Iniciados, com posterior aquisição de tais problemas.
Se o preclaro Irmão tiver algo escrito sobre esse assunto ou, até mesmo um caminho para consulta a respeito, ficarei eternamente grato.

OPINIÃO.

Esse é um assunto que tem suscitado ainda dúvidas na sua interpretação, sobretudo quando é abordado com base nas tradições, usos e costumes hauridos de uma época bastante antiga das práticas maçônicas.
A anacrônica questão do “ser fisicamente hígido” advém dos tempos em que a Francomaçonaria, por ser literalmente operativa, recolhia à época para as suas fileiras de operários apenas aqueles que eram fisicamente capazes de exercer o rude e pesado trabalho de edificar construções que utilizavam como matéria prima blocos de pedra calcária.
Obviamente que vivemos em outros tempos e a própria Francomaçonaria se tornou especulativa e é tomada hoje pelo simbolismo da Moderna Maçonaria.
Entendo que especulativamente o significado dos nossos sinais, toques e palavras (verdadeiros segredos da Ordem) podem perfeitamente ser transmitidos e adequados para compreensão daqueles que porventura sejam portadores de necessidades especiais. Obviamente que cada caso é um caso, mas todos, indistintamente, merecem atenção.
Quanto à questão legal do ingresso na Maçonaria de cidadãos portadores de necessidades especiais, eu penso que esse assunto deveria ser aspiração imediata de cada uma das nossas Obediências.
Sou de opinião que para essas circunstâncias os dispositivos constitucionais e regulamentares deveriam com brevidade ser adequados na forma da lei.
Já no que diz respeito àqueles que pelas conjunturas da vida, após iniciados na Maçonaria, acabaram adquirindo necessidades especiais, sou de opinião que eles devem permanecer na Ordem tendo impreterivelmente as suas ações litúrgicas adequadas às suas necessidades, até porque um iniciado na Maçonaria, sempre será um iniciado. Seria descabida e preconceituosa qualquer hipótese de tornar inapto um Irmão numa situação dessas.
Por fim, é essa a minha opinião, mas não a tome como uma resposta laudatória, pois ambos os casos merecem regulamentação e para tal, também a boa vontade dos nossos legisladores. Entendo que esses são fatos reais e que não deveriam mais ser postergados.


T.F.A.

PEDRO JUK

JUNHO/2018

terça-feira, 12 de junho de 2018

TOQUE NA TRANSMISSÃO DA PALAVRA - REAA


Em 11/04/2018 o Respeitável Irmão Hercílio Labes Neto, Loja Cavaleiros da Paz, 164, REAA, Grande Oriente do Paraná (COMAB), Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, pede o seguinte esclarecimento:

TOQUE NA TRANSMISSÃO DA PALAVRA PARA A ABERTURA E FECHAMENTO DOS TRABALHOS NO REAA.


Minha dúvida é, nas aberturas e também nos encerramentos das sessões, magnas ou econômicas, quem deve dar o toque? Pelo nosso ritual, diz que o Venerável dará o toque e a primeira letra, o 1° diácono a 2ª e assim sucessivamente. Quando este desce até o altar do 1° Vigilante, ele deve dar o toque e a primeira letra? E o 2° Diácono, deveria aguardar o toque do 1° Vigilante, e dar o toque para o 2° Vigilante? Na minha lógica, quem pede a Palavra deveria dar o toque para provar que é Aprendiz Maçom, mas aí entra aquela do dá-me a primeira letra que eu vos darei a segunda.
Agradeço por sua atenção.

CONSIDERAÇÕES.

Não vou entrar no mérito do que menciona esse ou aquele ritual, até porque essa missão fica por conta daqueles que inserem procedimentos, cabendo a eles explicar convincentemente os porquês.
Nesse sentido vou deixar aqui, com explicações objetivas, qual deveria ser a prática correta na liturgia da transmissão da Palavra Sagrada por ocasião da abertura e encerramento dos trabalhos com a participação dos Diáconos, do Venerável Mestre e dos Vigilantes no REAA.
Antes, cabe esclarecer um aspecto importante e que não pode ser desprezado quando da execução dessa prática ritualística comum ao escocesismo simbólico.
Essa observação diz respeito ao fato de que essa transmissão da Palavra Sagrada nada tem a ver com o telhamento, comum às verificações para se certificar da qualidade de um maçom, mas é sim um ato simbólico que relembra alegoricamente uma operação profissional comum aos tempos da Maçonaria de Ofício.
Explica-se: nos tempos operativos, os Vigilantes (antigos wardens), por ordem do Mestre da Obra, literalmente, dentre outros, também exerciam o ofício de aprumar e nivelar os cantos da obra para que a jornada de trabalho pudesse ser iniciada. Também ao final dessa jornada os trabalhos eram assim conferidos para que se procedesse ao adequado encerramento. Objetivamente os Vigilantes eram os responsáveis pela elevação dos cantos da construção que a posteriori eram interligados pela elevação das paredes niveladas e aprumadas. Nessa oportunidade serviam como mensageiros no imenso canteiro operativo de obras os antigos “oficiais de chão”, ancestrais dos Diáconos da Moderna Maçonaria.
Desse modo, a Moderna Maçonaria, especulativa por excelência, através do REAA\ revive simbolicamente essas práticas instituindo uma alegoria que envolve, no lugar das aprumadas e nivelamentos, a transmissão de uma palavra que, em estando ela devidamente transmitida e correta, isto é, justa e perfeita, ela simboliza a condição apropriada para se abrir e encerrar os trabalhos da Loja.
Em síntese os mensageiros (Diáconos) levam a palavra até os Vigilantes de modo que esse ato especulativo simbolize aquelas antigas práticas de ofício (nivelamento e aprumada) – isso explica o motivo pelo qual os Vigilantes trazem consigo o Nível e o Prumo como suas respectivas joias distintivas.
É por essa razão que essa transmissão não é aquela relativa ao telhamento maçônico do Cobridor do Grau, mas sim é a uma transmissão adequada a um momento da liturgia e que se dá exclusivamente entre Mestres Maçons - nesse caso entre o Venerável, os Vigilantes e os Diáconos. É bom que se diga que cargos em Loja são preenchidos somente por aqueles que já tenham alcançado a plenitude maçônica.
Dados esses comentos, é sabido que iniciaticamente a palavra do Primeiro Grau é transmitida soletrada (infância), no Segundo silabada (juventude) e no Terceiro diretamente (maturidade).
Sob a óptica de que esse ato não é especificamente um telhamento, em qualquer situação aquele que transmite a Palavra a dá soletrada, silabada ou por inteira (conforme o Grau), porém sem que haja troca de letras ou sílabas com o outro protagonista. Em síntese, na liturgia da transmissão da Palavra para a abertura e o encerramento dos trabalhos os protagonistas não dividem entre si letras ou sílabas como ocorre no telhamento ordenado pelo Cobridor do Grau.
Segue então um resumo do procedimento da transmissão da Palavra Sagrada para a abertura e o encerramento da Loja no REAA:
Tanto na abertura como no encerramento, o Primeiro Diácono é o que dá o Toque para receber a Palavra do Venerável e o que recebe o Toque para transmiti-la ao Primeiro Vigilante. Já o Segundo Diácono dá o Toque para receber a Palavra do Primeiro Vigilante e recebe o mesmo para transmiti-la ao Segundo Vigilante.
A regra é simples. Nesse caso o Toque é dado apenas por aquele que solicita a Palavra para leva-la a outrem. Assim, quem transmite a Palavra não dá o Toque, mas o recebe como um pedido de alguém que quer a Palavra.
Destaco mais uma vez que isso não é telhamento, mas é um ato litúrgico que acontece pela razão já explicada. Ademais, não existe verificação pelo Cobridor do Grau entre Irmãos que ocupam cargos, já que eles foram previamente reconhecidos pelo Mestre de Cerimônias que os revestiu com as suas respectivas joias.
Outra regra importante é a de que em qualquer situação, tanto no telhamento como na transmissão para a abertura e encerramento, a Palavra somente deve ser transmitida pelo Toque do Grau. Nesse interim não é demais lembrar que em Loja de Mestres o Toque do Terceiro Grau é composto pelos C\ PP\ PP\ da Maç\.
A questão é não confundir os procedimentos ritualísticos. A questão é de saber o que o ato ritualístico representa. Desse modo, quem assim não procede e apenas copia mecanicamente uma prática e a insere num ritual sem dela conhecer a razão, certamente estará incentivando o contraditório.
Tenho dito, nenhum ato litúrgico existe na Maçonaria sem que para ele exista explicação, portanto, antes de simplesmente copiá-lo de rituais anacrônicos, perpetuando erros, melhor mesmo é antes procurar compreendê-lo.


T.F.A.

PEDRO JUK


JUNHO/2018