sábado, 13 de abril de 2019

HARMONIA - EXECUÇÃO DE MÚSICA AO VIVO NA SESSÃO


Em 23/11/2018 o Respeitável Irmão Francisco Kennedy Campêlo, Loja Estrela da Fronteira, 2.024, REAA, GOB-MS, Oriente de Novo Mundo, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta a seguinte pergunta:

HARMONIA AO VIVO


Pode o Mestre de Harmonia tocar algum instrumento musical para servir de Harmonia durante uma sessão? Obviamente essa musica, seria apenas instrumental. Ou somente pode ser tocada musicas através de CDs, PC, etc.?

CONSIDERAÇÕES.

Tradicionalmente, na época em que não existiam aparelhos eletrônicos e de reprodução musical, era comum a Coluna de Harmonia contar com música apropriada ao vivo. Na Inglaterra, Irlanda e Escócia, principalmente, algumas Lojas ainda preservam esse costume, sobretudo nas ocasiões apropriadas, destacando-se a beleza dos antigos órgãos de tubo ainda utilizados na reprodução musical (costume herdado das igrejas, provavelmente).
No tocante à Coluna de Harmonia da Moderna Maçonaria e os rituais brasileiros, embora em alguns exista o Oficial designado para esse ofício, cada Loja, nesse sentido, têm se virado como pode isso porque muitos rituais pouco, ou mesmo nada determinam sobre atividades para o Mestre de Harmonia, mesmo que ele faça parte do quadro de oficiais, inclusive tendo lugar indicado na planta do Templo.
Obviamente que dentro dos costumes maçônicos, com respeito e gosto apropriado, é bastante salutar que o Mestre de Harmonia exerça o seu oficio nos ritos que o adotam.
Infelizmente vivemos em uma geração de maçons que vê a Coluna da Harmonia apenas como algo que serve só para acender e apagar luzes e proferir ruídos iniciáticos, tudo no melhor estilo do contra-regra que atuava nas antigas novelas da radiofonia. Desafortunadamente poucos sabem que o Mestre de Harmonia ali é colocado para exercer e destacar a sexta ciência das Sete Artes e Ciências Liberais – a Música – matéria de estudo da Maçonaria.
Aproveito a oportunidade para citar aqui alguns aspectos relativos à Coluna da Harmonia. Alguns rituais de Investidura e Posse dos Oficiais e Dignidades da Loja, que infelizmente atualmente são praticamente desconhecidos, mencionam o seguinte no tocante ao Mestre de Harmonia:
“Ven\ Mestre para o Irm\ M\ de Harm\ - Empossando-vos na Col\ da Harm\, vos revisto com a joia do seu cargo – a Lira”.
José Castellani in Dicionário Etimológico Maçônico, p. 127 expõe:
“Lira, substantivo feminino (do grego: Lya, pelo latim: Lyra), designa o instrumento musical de cordas usado na Antiguidade Clássica e que tinha a forma de uma letra U, cortado no alto por uma barra, onde se fixavam as extremidades superiores das cordas. A Lira é geralmente a joia do Mestre de Harmonia (responsável pela trilha sonora de uma sessão), existente em alguns ritos”.
A\inda a respeito, o Mestre Theobaldo Varolli Filho se refere no Ritual do Primeiro Grau do REAA (capa vermelha):
“A Coluna da Harmonia e a Música. 1 – O Mestre de Harmonia só deve interromper a música quando terminada a frase musical. Os Veneráveis devem respeitar essa regra; 2 – Prefere-se musicas maçônicas, ou de autores maçons; 3 – Ainda é tradicional a execução de trechos da ópera A Flauta Mágica, do nosso Irmão Mozart, que é também o autor da imprescindível Marcha Maçônica. Esta pode ser substituída pelo Hino da Maçonaria do nosso Irmão Dom Pedro I; 4 – Coros, Orquestras (o grifo é meu) e Quartetos são permitidos; 5 – Órgão antigo ou o elétrico é o melhor instrumento de música para as sessões maçônicas (o grifo é meu)”.
No mesmo ritual, o autor ainda sugere uma sequência de músicas apropriadas para uma sessão maçônica.
Devo mencionar também a obra do Irmão Zaly Barros de Araújo intitulada a Coluna de Harmonia, cuja mesma tem conteúdo importante para o estudo sobre esse assunto (veja na editora maçônica A Trolha).
Assim, tudo o que fora aqui comentado e reproduzido sugere que a Coluna de Harmonia é uma peça importante para liturgia maçônica, onde ela existir, sobretudo no que diz respeito à reprodução de músicas apropriadas durante as sessões maçônicas, destacando-se delas as iniciações e elevações.
Por fim, no que diz respeito ao Mestre de Harmonia produzir música ao vivo, desde que com qualidade e bom senso, eu não vejo nenhum problema. Todavia alerto: sempre existirão os “do contra” e os adoradores do “onde está escrito”. Inquestionavelmente esses, antes de construir, certamente irão produzir ferozes críticas. Nesse caso, que cada um vista a carapuça se ela lhe servir.

P.S – As obras, textos e rituais mencionados nessas considerações possuem apenas o caráter de ilustrar didaticamente a resposta e não afrontar a ritualística do ritual que o consulente pratica na sua Loja.


T.F.A.

PEDRO JUK


ABR/2019


SESSÃO DE FINANÇAS


Em 22/11/2018 o Respeitável Irmão Renato Pirola, Loja Mensageiros da Luz, 1.786, REAA, GOB-ES, Oriente de São Mateus, Estado do Espírito Santo, formula a seguinte pergunta:

SESSÃO DE FINANÇAS


O que constitui uma Sessão de Finanças? Que assuntos cabem em sua pauta?
Qual a forma racional para se definir a mensalidade de uma Loja?
No aguardo de suas contribuições, despeço-me de forma agradecida e fraternal.

CONSIDERAÇÕES:

Embora essa não seja matéria de liturgia, ritualística, história e filosofia da Ordem, cátedras essas do meu ofício na Maçonaria, mesmo assim vamos lá.
No Grande Oriente do Brasil, Sessão de Finanças é tida como uma Sessão Ordinária e está prevista no Regulamento Geral da Federação, Art. 108, § 1º, IV.
Por óbvio que o que constitui uma Sessão de Finanças é assunto financeiro que trata da situação econômica da Loja. Na sua pauta cabem matérias que envolvem operações e transações econômicas da Oficina.
Agora, quanto à forma racional para se definir mensalidade, saliento que esse não é assunto da minha competência, senão do quadro da Loja, cuja matéria deve fazer parte da pauta das discussões na Sessão de Finanças.
Eram essas as minhas ponderações.


T.F.A.

PEDRO JUK


ABR/2019

quinta-feira, 11 de abril de 2019

A PALAVRA SAGRADA DO APRENDIZ - SOLETRADA OU SILABADA


Um Respeitável Irmão pertencente ao GOB e de uma Loja praticante do REAA apresenta a seguinte questão:

PAL\ SAGR\ DO APRENDIZ


Na passagem da Palavra Semestral na abertura ritualística da Sessão é informado que ela deve ser somente soletrada. Parece-me correto porque o Aprendiz só sabe soletrar. Entretanto na primeira instrução do Aprendiz, no mesmo ritual, é informado que ela deve ser passada soletrada e posteriormente (ao final) silabada. Acredito que o Aprendiz não deve silabar. Somente o Companheiro deve silabar (já aprendeu alguma coisa) e o Mestre fala a palavra completa (já está completo). Solicito verificar e orientar porque temos irmãos confusos.

CONSIDERAÇÕES:

Na realidade, durante a abertura ritualística o que existe no REAA é a liturgia da transmissão da Pal\ Sagr\ e não a da Pal\ Sem\. Essa transmissão, da Pal\ Sagr\ que, diga-se de passagem, não é relacionada a nenhum telhamento, se apresenta apenas como uma reminiscência de práticas antigas hauridas ainda do período Operativo da Ordem e se dá entre as Luzes da Loja e os Diáconos. Embora não seja esse o mote desses apontamentos, é oportuno comentar que os trabalhos da Loja, para serem abertos e encerrados, dependem da sua correta transmissão (J\ e P\).
Assim, durante essa transmissão, quem dá a Pal\ dá a mesma por inteiro e na forma de costume, isto é, sol\ no caso do grau de Aprendiz. Nessa transmissão, por não se tratar de um telhamento, já que a mesma é recebida e transmitida entre Mestres Maçons, não existe no ato a troca alternada das letras entre os protagonistas, e muito menos a de ssíl\ ao final.
As letras que compõem a Pal\ Sagr\ só são dadas de modo alternado entre os interlocutores se mesma for a do grau de Aprendiz, enquanto que na do de Companheiro alternam-se as suas ssíl\, porém isso só acontece quando esse procedimento se der por motivo de um de telhamento – o ato de examinar a qualidade maçônica de alguém pelo examinador.
É bom que se diga que muitos procedimentos em Maçonaria podem ser iguais, entretanto, ao mesmo tempo eles podem ter objetivos diferentes. É o caso, por exemplo, da liturgia da transmissão da Pal\ Sagr\ durante a abertura ou encerramento dos trabalhos e a da tomada da Pal\ Sagr\ por ocasião de um telhamento. Em ambos os procedimentos, a Pal\ Sagr\ é transmitida, entretanto de modo e objetivo diferente.
No tocante ao seu comentário em relação à Pal\ Sagr\ no Primeiro Grau ser dada l\ por l\ e ao final silab\, de fato o Irmão tem toda a razão no seu raciocínio, pois isso é inadmissível no grau de Aprendiz, já que iniciaticamente aprendemos que ele somente sabe soletrar e não silabar. Afinal, n\ s\ l\ n\ p\, s\ s\; d\ a p\ l\ e eu v\ d\ a s\.
Assim esse anacronismo, que de há muito tem habitado erroneamente os nossos rituais, precisa ser realmente extirpado, pois além de ser anacrônico, em se tratando do REAA ele é altamente contraditório, sobretudo se observarmos máxima abreviada e mencionada no parágrafo imediatamente anterior.
Seguindo a senda do aperfeiçoamento maçônico, o Aprendiz ainda em estágio bruto, somente sabe dizer letra por letra, enquanto que o Companheiro, mais instruído, capaz e prudente, já pode soletrar.
A despeito disso, os provimentos e orientações sobre os rituais, cujos quais eu já remeti ao Poder Central, e que serão colocados na página do GOB-RITUALÍSTICA para serem acessados via GOB-CARD, especificamente sobre esse fato, o recomendado é que em nenhum caso a Pal\ Sagr\ do Aprendiz seja dada por sílabas, sobretudo essa repetição anacrônica que tem se dado ao final da sua transmissão – em síntese, quem está ainda dando os primeiros passos no aprendizado não sabe l\ e nem p\, s\ s\ s\.


T.F.A.

PEDRO JUK


ABR/2019

DOUTRINA DO GRAU DE APRENDIZ E DE COMPANHEIRO


Em 20/11/2018 um Respeitável Irmão praticante do REAA, GOB, apresenta a questão seguinte:

DOUTRINA DO GRAU


Estou entrando em contato com você novamente, para recorrer ao seu grande conhecimento. Deixo claro que não há necessidade de publicares esse questionamento em seu blog.
Nesta semana entramos em debate em Loja sobre a didática e conteúdo que devem ser aplicados aos Aprendizes e aos Companheiros afinal, o GOB não fornece "nada mais" além do que seu próprio ritual. Cabendo as Lojas, mediante sua autonomia aplicar seus métodos, desde que não descumpram o ritual.
Em consulta ao RGF, em sua Seção VI Das Colações de Graus - "Art. 35º", o responsável por sua instrução maçônica pedirá que o Aprendiz seja submetido ao exame relativo à doutrina do Grau. "Art. 36", ser submetido a exame relativo à doutrina do grau para atingir o Grau de Mestre.
Repare que ambos artigos são mencionados a expressão "doutrina do grau", é evidente que existem alguns símbolos que são respectivos ao seu grau, além do próprio ritual, no entanto, essa expressão é um pouco "vaga". Queremos saber a opinião do irmão em relação a isso. O que o irmão entende dessa expressão, e de que forma seria uma "melhor forma" para instruir os Aprendizes e Companheiros.

CONSIDERAÇÕES.

A respeito da sua questão eu contribuiria com o seguinte comentário.
Em linhas gerais, a escalada iniciática do simbolismo maçônico é inerente aos seus três graus. Sua constituição se dá pela “intuição (Aprendiz), análise (Companheiro) e síntese (Mestre)”.
Para tanto, cabe entender que a estrutura doutrinária maçônica, despida das fantasias e das ilações temerárias, respeitando ainda a metodologia e a cultura de cada um dos seus ritos, especificamente sugere ao homem iniciado as três etapas que compreendem a alegoria da vida - infância, juventude e maturidade.
Nessa acepção, o admitido na Maçonaria tem que se despir das nodoas profanas, o que em primeira análise significa deixar dos costumes temerários morrendo para os vícios e para as praticas condenáveis para que, na ordem natural das coisas, haja de fato o renascer de um novo homem. A síntese iniciática desse teatro é o mesmo que o despertar numa infância que traz consigo a índole pura e inocente. É o apólogo dos primeiros anos de uma nova vida. Compreenda-se que simbolicamente o Iniciado morre (inverno) para renascer (primavera).
Em Maçonaria, é isso que o iniciado tem por missão de representar na sua primeira fase do aprendizado. Assim, o Aprendiz Maçom, dado ao seu caráter de pouco conhecimento diante dessa nova realidade, deve antes, com a devida prudência, se preparar para encontrar o verdadeiro caminho da retidão. Embora ele ainda siga caminhando por lugares sombrios, se bem compreendida a Arte sua intuição o levará ao seu guia (a razão) para que com perseverança um dia ele alcance o seu objetivo.
Mas qual será esse objetivo? Se utilizando as ferramentas certas, é o de se aprimorar reconstruindo no seu interior um Templo para servir de abrigo da Luz.
Filosoficamente essa primeira etapa, comum pelo desconhecido à frente, traz ao Iniciado a consolidação da dúvida e ele, ainda de visão embotada pelo desconhecido processo do esclarecimento, tenta enxergar por entre os devaneios e as tribulações aquilo que lhe é salutar.
O Aprendiz, digno representante da infância iniciática, se utilizando da faculdade intuitiva, ainda tateando pela escuridão, busca conhecimento imediato na plenitude da sua realidade. Entretanto, o pressentimento para as coisas corretas e saudáveis, paulatinamente o irão fazer perceber a importância de se conhecer a si próprio. Assim, a máxima socrática do “conhece-te a ti mesmo” surge como matéria principal da doutrina do grau do Aprendiz maçônico.
Cumprida a primeira etapa da senda iniciática, agora como Companheiro Maçom o admitido percorre a sinuosidade do caminho (Escada em Caracol), o que significa em primeira análise vencer os obstáculos da vida com sacrifício, dedicação e perseverança. É chegado o tempo de sopesar o que concebe o bem e o mal. Da dúvida, simbolizada pelo princípio da dualidade e dos antagônicos do Aprendiz, o Companheiro agora segue o estudo mais completo da essência da Vida. É essa a missão daquele que atinge o Segundo Grau na senda do aperfeiçoamento da Maçonaria.
Com a pragmática da juventude, da ação e do trabalho, toda a produção desse ciclo da vida deve interagir com a aplicação do seu conhecimento até aqui adquirido (método).
A evolução intelectual desvenda mistérios, mas exige a aplicação de mais outras ferramentas. Somente a prática e a dedicação ao trabalho trarão conhecimento suficiente para se usufruir das benesses dos utensílios, novos e apropriados. Cabe então ao Companheiro do Ofício perscrutar o porquê de se utilizar outras ferramentas além do Maço e do Cinzel. O seu discernimento, zelo e prudência fará com que o artífice do Segundo Grau golpeie cautelosamente a pedra esquadrejada durante o seu assentamento. A justa medida da sua força fará com que o golpe aplicado com o maço não esfacele a pedra (conhecimento e comedimento). O Maço, o Cinzel e o Aprendiz denotam a etapa dos conhecimentos das coisas terrenas, já o Companheiro aplicando outras ferramentas anuncia a investigação das coisas elevadas (astrais e espirituais).
Do estudo profundo das regras da Arte da Construção depende a realização humana. Examinar com minúcia o trabalho é também o esquadrinhar do caminho da vida. É a intenção; é o objetivo de tudo que até então tenha se apresentado na técnica de dirigir e orientar a construção do Templo interior.
Em linhas gerais, o Companheiro, depois de ter, ainda como Aprendiz, conhecido a si próprio, tem agora o desiderato de apreciar e examinar a razão e o porquê do seu próprio ser. A contingência de analisar as suas ações e delas perscrutar as suas consequências é um os motes da doutrina do Companheiro Maçom. Assim, a juventude é propícia para uma análise mais sucinta da Obra da Vida. Estudar a quintessência e investigar a leis da Natureza é o suporte para a elevação da Obra.
Por fim, a síntese de toda a escalada iniciática está representada no grau de Mestre Maçom. Na realidade o epítome é o resultado final da Arte. É a beleza da Obra acabada. É o Templo preparado para que nele se concentrem todos os segredos do Ofício. Tal é o seu mistério que essa não é matéria apropriada para esse arrazoado.
De tudo aqui comentado, nada é mais do que uma síntese dessa alegoria iniciática. A doutrina do Aprendiz e do Companheiro Maçom discretamente se encontra nos meandros da liturgia dos rituais autênticos e suas preleções (instruções). Além do que lhes é revelado, cabe também aos iniciados dedicação e observação meticulosa no desvendar dessa filosofia. Por óbvio, a Moderna Maçonaria mantém um método velado por símbolos e alegorias dos quais, boa parte desse relicário fora herdada das tradições, usos e costumes dos nossos ancestrais, antigos artífices e canteiros que esquadrejavam a pedra calcária e que viviam reunidos nas guildas que abrigavam as corporações de ofício da Idade Média.
Assim, o arcabouço doutrinário montado pela Moderna Maçonaria traz embasado nas antigas construções das catedrais um suporte metodológico que compara o homem, bruto e áspero tal qual a pedra retirada da jazida (matéria prima) com o homem esquadrejado e polido que pela constância e dedicação ao trabalho se tornou matéria prima especulativa imprescindível para fazer parte como elemento construtivo das paredes de um Templo dedicado à Virtude Universal.
É nesse contexto de transformação que atuam as doutrinas de cada grau do simbolismo maçônico.
Como a discrição é um dos métodos da Arte, comenta-se que na construção do lendário Templo de Jerusalém (o primeiro), tido como a maior alegoria maçônica, não se ouvia nenhum ruído durante os trabalhos.
Com esse escopo a Moderna Maçonaria traz de modo velado os seus ensinamentos, cujos quais são reservados somente aos iniciados. Sem tumulto e sem ruído, as grandes verdades muitas vezes estão tão próximas que não raras vezes podem passar despercebidas. Nada está colocado por acaso, porém tudo o que está colocado é inexoravelmente necessário. Intuir, analisar e sintetizar é o conjunto que serve de base para os ensinamentos maçônicos.
Concluindo, superficialmente a doutrina está em ensinar ao Iniciado que, com a utilização das ferramentas simbólicas, ele pode ser tornar um novo homem, aprimorado e preparado, para ser útil à sociedade. Especulativamente, é o transformar a pedra bruta e tosca num elemento aproveitável na construção – a Loja (Oficina) é o canteiro e o Homem, a matéria prima.


T.F.A.

PEDRO JUK


ABR/2019


terça-feira, 9 de abril de 2019

ALGUMAS PRÁTICAS RITUALÍSTICAS NO RITUAL DO REAA


Em 19/11/2018 o Respeitável Irmão Vanderlei Vicente, Loja Acácia, 177, REAA, GOB-RJ, Oriente de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, solicita esclarecimentos.

PRÁTICAS RITUALÍSTICAS NO RITUAL DO REAA.


Peço lhe ajuda no tange a nossa ritualística.
Há muito que eu venho pensando sobre usos e costumes usados dentro de Loja. S
ou
Por exemplo, em algumas Lojas em que visito eu vejo em grau 1 as três luzes do venerável ficam acesa. As colunas das mesas dos Vigilantes, em umas têm e em outras não tem. Como o cobridor interno deve segurar a espada quando está sentado? E quando está à ordem? E o Venerável junto com os Vigilantes, põe ou não o malhete sobre o peito esquerdo?
Com relação ao Saco de Propostas e o Tronco de Beneficência, quando o irmão Mestre de Cerimônias e/ou Hospitaleiro faz o seu giro e vem para o fundo entre Colunas, o Cobridor segura o saco e/ou tronco para que os mesmos depositem. Nessa hora o Cobridor estará sem a espada ou segura o saco junto com a espada?
Eu vejo em algumas lojas Irmão trabalhando de formas distintas.
Estou pensando em escrever um trabalho, para mostrar, principalmente aos mais novos, uma forma correta e gostaria muito que o dileto Irmão me prestasse essa ajuda.

CONSIDERAÇÕES:

Antes das respostas é bom que se diga que o que está faltando é muita instrução. Tenho observado, sem generalizar, que muitas Lojas não cuidam de instruir, enquanto que outras adotam práticas equivocadas em nome do “quando eu fui iniciado era assim”, etc.
Venho há mais de vinte anos escrevendo e orientando sobre práticas ritualísticas, entretanto, parece que poucos dão importância para o caso.
Há ainda o conteúdo de muitos rituais que deixam muito a desejar. Alguns deles ou são meras cópias de rituais antigos e anacrônicos, ou são produtos de invenção oriundos de pseudos ritualistas que dão vazão à sua imaginação.
Vamos às questões no tocante ao ritual de Aprendiz do REAA em vigência no GOB:
a)    Três Luzes acesas sobre o Altar ocupado pelo Venerável Mestre no Primeiro Grau – Esse é procedimento completamente equivocado. No Primeiro Grau, em alusão ao número que simboliza o Aprendiz, essas três luzes litúrgicas se distribuem ficando uma sobre o Altar ocupado pelo Venerável e as outras duas respectivamente sobre as mesas ocupadas pelos Vigilantes – uma no Oriente, uma no extremo do Ocidente e outra ao Meio-Dia. Esotericamente essa distribuição se dá convergindo para a idade do Aprendiz somada ao seu grau de conhecimento, ainda precário para aquele que inicia a jornada em direção à Luz (conhecimento). Outro aspecto para essa distribuição entre o Venerável e os Vigilantes é porque eles são também conhecidos como as “Luzes da Loja”.
Assim, acredito que se o Irmão viu uma distribuição de Luzes acesas contrárias a aqui mencionada, certamente não foi procedimento oriundo do ritual em vigência no GOB.
b)    Colunas sobre as mesas dos Vigilantes – Na realidade trata-se de pequenas colunas – colunetas – que representam o trabalho e o descanso na Loja. Quando a do Primeiro Vigilantes está em pé e a do Segundo deitada significa que a Loja está em período de trabalho. Quando ao contrário, a do Segundo Vigilante estiver em pé e a do Primeiro deitada, significa que a Loja está em período de descanso, ou mesmo sem atividade (Loja fechada). O problema é que essa prática não existe no REAA, porém é costume ritualístico do Craft, aqui muito conhecido como Rito de York. Infelizmente essa prática das colunetas acabou enxertada nos rituais brasileiros do REAA por uma Obediência brasileira, o que obviamente é um equívoco, pois originalmente ela não faz parte da liturgia do escocesismo simbólico. No que diz respeito ao ritual em vigência do REAA do GOB corretamente essas colunetas não estão presentes. Nesse sentido, o que o Irmão viu, provavelmente é um desses enxertos desnecessários e que depõem contra a originalidade do Rito em questão.
c)     A espada e o Cobridor – Esse oficial somente utiliza a espada por dever de ofício ou quando o ritual assim determinar. Nesse sentido a espada deve estar embainhada, se a Loja possuir esse apetrecho, ou colocada num dispositivo que geralmente fica colocado na retaguarda do espaldar do assento.
Não existe necessidade alguma de que um Cobridor tenha a espada empunhada, ou sobre as suas coxas (sentado) o tempo todo, ou ainda segura pelas duas mãos com a ponta apoiada no chão.
Se por dever de ofício um Cobridor precise ficar à Ordem e tenha consigo a espada empunhada, ele fica à rigor, ou em ombro-arma, que é a atitude de manter a espada segura pela mão direita tendo o respectivo punho junto à cintura direita mantendo a lâmina em riste na vertical e apontada para cima. Se porventura ele trouxer a espada embainhada, ele faz o Sinal na forma de costume. É bom que se diga que não se faz Sinal “com” o objeto de trabalho, ou seja, não se usa o objeto para com ele se compor ou fazer o Sinal.
Se a espada estiver fixa atrás do espaldar da cadeira, o Sinal será feito normalmente (na forma de costume).
É oportuno mencionar que tanto parado, quanto em deslocamento, um Cobridor empunhando a espada a manterá sempre em ombro-arma (em riste, apontada para cima junto ao lado direito do corpo). Ratifico: um Cobridor sentado não segura à espada ou a descansa sobre suas coxas. Nesse caso, ou ela estará embainhada, ou ela estará presa no dispositivo à retaguarda da cadeira. Não há necessidade de um Cobridor indistintamente, ao ficar em pé, tenha que obrigatoriamente ficar empunhando a espada. Isso só acontece se a situação exigir ou o ritual determinar. Por fim, estando com a espada em ombro-arma (à Rigor) e parado, o corpo estará ereto e os pés sempre em esquadria.
d)    O malhete, o Venerável e os Vigilantes – Salvo quando o ritual determinar o contrário, as Luzes da Loja, permanecendo nos seus lugares e estando à Ordem, devem deixar os seus respectivos malhetes e compor o Sinal com a mão, ou mãos se for o caso. É anacrônico se achar que esse costume de trazer o malhete pousado no lado esquerdo do peito é o mesmo que ficar à Ordem. Malhete no lado esquerdo do peito só acontece quando as Luzes, por dever de ofício, precisam se ausentar dos seus lugares portando o malhete. Num caso desses eles conduzem o malhete e quando em pé e parados fora do seu lugar, pousam-no do lado esquerdo do peito. Detalhe: essa atitude não significa que se está compondo ou se fazendo um Sinal. Essa postura se identifica como posição de rigor justamente porque não se pode fazer Sinal com um objeto de trabalho.
e)    Bolsa utilizada para a coleta – O último a depositar a proposta, informação ou o óbolo é o oficial que faz o giro para a coleta – o Mestre de Cerimônias ou o Hospitaleiro conforme o caso.
Esse oficial circulante, por último faz o seu depósito mediante auxílio do Cobridor Interno da seguinte maneira: antes de chegar entre colunas para encerrar a sua missão, o coletor vai até o Cobridor Interno que o aguarda à Ordem, portanto, sem empunhar a espada. À chegada do Mestre de Cerimônias ou do Hospitaleiro, o Cobridor desfaz o Sinal e dele recebe a bolsa. Ao recebê-la o Cobridor desfaz o Sinal e segura o recipiente com as duas mãos na forma de costume. Recebida a proposta, informação ou o óbolo, o Cobridor devolve o recipiente e, antes de sentar, faz o Sinal (isso não é saudação). Por sua vez o oficial circulante recebe de volta a bolsa e em seguida se coloca entre colunas para demonstrar que a sua missão fora cumprida.
Obviamente que como mencionado no item “c” acima, o Cobridor não traz a espada empunhada nessa oportunidade, ficando ela, ou embainhada, ou presa no dispositivo atrás do espaldar do seu assento. Não faria sentido o Cobridor Interno receber o oficial circulante no intuito de auxiliá-lo empunhando uma arma.
Eram essas as considerações a respeito. Assim que estejam prontas as orientações para os rituais dos três graus do REAA do GOB que ficarão a disposição no site do GOB em GOB-RITUALÍSTICA, pretendo providenciar um Manual de Procedimentos para essas questões ritualísticas.


T.F.A.

PEDRO JUK

ABR/2019