segunda-feira, 19 de agosto de 2019

REAA - ENTRE COLUNAS E COMUNICAÇÃO DO RESULTADO DA COLETA


Em 28.05.2019 o Irmão Companheiro Maçom Felix Miglioranza, Loja Flor da Acácia, 3.894, REAA, GOB-PR, Oriente de Francisco Beltrão, Estado do Paraná, apresenta a questão seguinte:

ENTRE COLUNAS E COMUNICAÇÃO DO TESOUREIRO. 

Estou no Grau de Companheiro e tenho participado de sessões em diversas Lojas, do município de da região, e tenho percebido muitas diferenças de interpretações. Duas, entretanto foram motivos de debates e cada Mestre entende de um jeito, por isso gostaria de obter a orientação do ilustre Irmão.
Questão n. 1 - Quando se vai apresentar um trabalho entre Colunas, alguns Mestres entendem que se deve apenas fazer o Sinal Gutural, um por vez para cada uma das luzes. Outros orientam a se fazer a saudação em voz alta. Qual é a forma indicada?
Questão n. 2 - Quando o Tesoureiro vai apresentar o resultado da coleta, está no ritual que ele deve apenas levantar-se, saudar o VM e anunciar o valor colhido. Porém não raras vezes o VM anuncia que o tesoureiro deverá apresentar o resultado no momento da palavra. E nesse caso, alguns Mestres entendem que a saudação deverá ser feita normalmente às luzes e não somente ao VM. Outros já entendem que nada muda e que o tesoureiro deve dirigir-se unicamente ao VM. Poderia me esclarecer?
E por fim, haveria alguma obra específica com comentários sobre as ritualísticas?

COMENTÁRIOS.

Antes de mais nada, é bom que se diga que conforme especifica o Ritual de Aprendiz, saudações em Loja são feitas somente ao Venerável Mestre quando da entrada e saída do Oriente e às Luzes da Loja após a entrada formal. Em assim sendo, compor o Sinal de Ordem e desfazê-lo pelo Sinal Penal nem sempre pode ser tomado como saudação.
  1. Não existe obrigatoriedade para que um trabalho (peça de arquitetura) seja apresentado entre Colunas. O apresentante pode simplesmente fazê-lo do seu lugar. Aliás, isso é muito mais recomendável do que certos deslocamentos desnecessários em Loja, inclusive ocupando o Mestre de Cerimônias para conduzir o Aprendiz ou o Companheiro.
Entre Colunas, ou do seu lugar (preferencialmente), o apresentante à Ordem e sem desfazer o Sinal se dirige por primeiro protocolarmente às Luzes e em seguida genericamente aos demais Irmãos na forma de costume. Explico: isso não é saudação, mas uma regra de como se deve dirigir a palavra à assembleia – o mais comum é, estando à Ordem, mencionar “Luzes da Loja, Autoridades, meus Irmãos...”.
Para apresentação de uma peça de arquitetura, o Venerável Mestre deve autorizar o Irmão apresentante a desfazer o Sinal depois de o mesmo ter se dirigido protocolarmente à Loja. Assim autorizado, o Irmão apresentante, em pé segura o(s) escrito(s) com as duas mãos. Concluída a apresentação (leitura) ele imediatamente volta ao Sinal de Ordem. Antes de sentar desfaz o Sinal na forma convencionada. Reitero, um Irmão ao fazer uso da palavra deve ficar em pé, portanto à Ordem. Antes de se manifestar ele se dirige protocolarmente à Luzes da Loja e genericamente aos demais. Tudo isso ele faz com o Sinal de Ordem composto.
É oportuno mencionar que embora toda a saudação maçônica deva ser feita pelo Sinal Penal do grau, fazê-lo, entretanto, não significa que esse gesto seja impreterivelmente uma saudação. Existem momentos na liturgia maçônica que o Sinal de Ordem é feito e desfeito para se saudar alguém, outros, porém, são para satisfazer uma regra ritualística – em qualquer situação, um Sinal de Ordem é sempre desfeito pelo Sinal Penal do grau correspondente.
Muitas dessas orientações oficiais já se encontram na plataforma do GOB RITUALÍSTICA em http://ritualistica.gob.org.br/
  1. A regra é a de que enquanto há a conferência do Tronco (ela é obrigatória) o Venerável Mestre dá prosseguimento à sessão. Assim, como a sequência dos trabalhos é a da Palavra a Bem da Ordem em Geral e do Quadro em Particular, é recomendável que quando a palavra estiver à disposição na Coluna do Norte, o Tesoureiro, autorizado pelo respectivo Vigilante, informe o resultado da coleta. Isso atualmente está bem explicado nas orientações oficiais que se encontram a disposição no GOB RITUALÍSTICA em http://ritualistica.gob.org.br/


T.F.A.

PEDRO JUK

AGO/2019

domingo, 18 de agosto de 2019

REAA - EXCESSOS RITUALÍSTICOS E INSERÇÃO DE PRÁTICAS NÃO PREVISTAS


Em 20/05/2019 o um Respeitável Irmão praticante do REAA (vou omitir o nome da Loja), GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital.

REAA – EXCESSOS RITUALÍSTICOS E PRÁTICAS NÃO PREVISTAS.


Primeiramente gostaria de agradecer e parabenizar a sua belíssima atuação no seminário de padronização ritualística realizada em Santos no dia 18 de maio que tive o prazer de estar presente e de tirar uma foto com o irmão que é meu espelho e exemplo na Maçonaria.
Querido irmão tenho algumas dúvidas sobre alguns comportamentos ritualísticos e gostaria do seu esclarecimento.
1. Em minha Loja, no átrio antes de entrar em família, o M\de CCer\ abre um livrinho chamado "minutos de sabedoria" e lê, ou abre a Bíblia e lê um salmo.
Isso está correto?
2. Ainda antes de entrar depois de bater na porta do templo
Ele anuncia a Loja dizendo depois da batida... É a ARLS..., querendo adentrar para iniciar os trabalhos... O cobridor interno da uma batida na porta e abre... Daí então o M\ de CCer\ começa a chamada...
IIr\ Apr... “sem cargo”; “com cargos”, IIr\ Comp\ “sem cargos”, “com cargos”, Mestres sem cargos... Depois ele chama cada cargo de loja “um por um”, deixando o V\M\ por último e anuncia a entrada do mesmo.
Após todos em seus lugares “cantamos um Hino que fizeram para Loja, só então os trabalhos são indiciados (presumo uma perda de 40 minutos).
OBS: Independente de qual seja a sessão, esse "rito de entrada é para todas”.
Pergunto: isso está dentro do padrão?
Minha dúvida está longe de criticar a Loja, apenas gostaria de saber se está correta ou não. Me preocupo muito com a padronização e com as determinações feitas por leis e decretos de nossa Sublime Ordem, sem questionar, se está correta ou não perante as leis profanas.
Desde já muito obrigado pela atenção dispensada.

CONSIDERAÇÕES.

  1. Nada disso é previsto no ritual e particularmente no REAA. Leituras, orações preces nesse caso são meras invencionices, portanto, isso não está certo e em nome da padronização ritualística devem ser excluídas. Reitero, o ritual em vigência não traz nada disso.
  2. Anunciar que é a Loja que vai entrar é algo sem sentido, pois naquele momento a Loja não está nem ainda aberta. O préstito é formado para o ingresso dos Irmãos no Templo para a abertura ritualística da Loja. Cobridor também não dá nenhuma pancada pelo lado de dentro como que a responder o Mestre de Cerimônias nesse momento. Dadas as pancadas de costume ele simplesmente, sem firulas, abre a porta. Mais uma vez reitero, nada disso está previsto, portanto é pura invenção e não há o porquê de ser realizado. No tocante a chamada para o ingresso, que história é essa de Aprendizes e Companheiros com cargos se eles, pelo RGF, não podem ocupar cargos? Como eles não ocupam cargo sob nenhuma justificativa, não há o porquê de mencioná-los como com ou sem cargos. Para o ingresso do préstito, também é mera firula chamar cargo por cargo. Para tal, basta que se diga: Aprendizes, Companheiros, Mestres sem cargo, Oficiais, Dignidades...
Outra prática inexistente no REAA é esse canto de hino. Esse é costume de outro rito e não deve ser praticado nessas circunstâncias.
Além desse amontoado de procedimentos não previstos no ritual, o que só agride a ritualística oficial, há ainda a desnecessária e enorme perda de tempo, tudo para que seja executado esse amontoado de invencionices.
Como nada disso está previsto, não deve ser praticado. Nesse caso se faz cogente que o Orador tome as devidas providências. O que me parece estar faltando é, além do bom senso, também do cumprimento das orientações oficiais emanadas do GOB RITUALÍSTICA. A propósito, elas estão oficialmente à disposição de todos os Irmãos na plataforma http://ritualistica.gob.org.br/ Basta seguir o que lá orienta, corrige e adequa o Ritual de Aprendiz Maçom do REAA.


T.F.A.

PEDRO JUK


AGO/2019


REAA - SUBSTITUTO DO SEGUNDO VIGILANTE


Em 20/05/2019 o Respeitável Irmão Edson José dos Santos Vieira, Loja Fraternidade Guanduense, REAA, GOB-ES, Oriente de Baixo Guandu, Estado do Espírito Santo, apresenta a seguinte questão:

SUBSTITUTO DO SEGUNDO VIGILANTE.


Eu gostaria de saber quem é substituto legal do irmão Segundo Vigilante em sua falta numa sessão. Se existe legislação pertinente ao questionamento qual é?
Na nossa loja usa-se o Irmão Primeiro Experto para a substituição; contudo não vi nenhuma legislação informando que é o correto!

CONSIDERAÇÕES.

Não existe propriamente legislação para determinar num caso desses quem deve ser o substituto. Até porque isso é particularidade de rito e não há como se criar uma determinação abrangente, sendo que cada rito ou ritual possui sua história e a sua particularidade. Com isso, ele deve ser respeitado. Existem ritos, por exemplo, que nem possuem o cargo de Experto.
No caso do REAA o substituto precário do Segundo Vigilante é o Segundo Experto e não o Primeiro. Isso se dá porque o Segundo Experto já ocupa a Coluna do Sul, o que em tese facilita a substituição. Também, é notória a participação do Primeiro Experto nas Iniciações, Elevações e Exaltações. Nesse sentido, pela sua expertise é preferível que ele, como titular permaneça no seu cargo na Coluna do Norte, deixando a eventualidade de substituir o Segundo Vigilante para o Segundo Experto.
Tenho dito que precisamos nos desvencilhar, pelo menos um pouco desse costume latino que é o de que tudo precisa estar escrito. Cabe lembrar que a Maçonaria também sobrevive de bom senso e das suas tradições, usos e costumes. É bom que se diga que na sua história, a Maçonaria tradicional transmitiu oralmente muitos dos seus ensinamentos. Se hoje vivemos um tempo não muito comum às práticas dos nossos ancestrais, precisamos pelo menos nos esforçar para compreender que nem tudo em Maçonaria deve ou precisa estar escrito.


T.F.A.

PEDRO JUK


AGO/2019

SÍMBOLOS NO TOPO DOS BASTÕES E VARAS


Em 19/05/2019 o Respeitável Irmão Giovani de Oliveira Campos, Loja Amor e Luz, GLESP, Oriente de Sertãozinho, Estado de São Paulo, apresenta o que segue:

SÍMBOLOS NO TOPO DOS BASTÕES.


Praticamos o Ritual de Emulação e em breve farei uma apresentação em loja sobre o trabalho dos Diáconos, cargo que ocupo atualmente.
Muito interessante o artigo publicado: Bastões, Varas, Hastes – instrumentos de Trabalho na Liturgia Maçônica.
Ao ler o simbolismo e significado das pontas das varas, entendi duas concepções:
Uma cristã: símbolo da pomba, história de Noé na Bíblia, referência encontrada em várias publicações.
Outra pagã misturada com cristã: simbolismo sol e lua nas pontas das varas dos vigilantes e cruz na do diretor de cerimônias.
Está equivocado esse meu entendimento? Poderia me indicar outros artigos relacionados ao assunto?
Devo dizer que tenho certa dificuldade em encontrar artigos relacionados à Maçonaria Inglesa, mais especificamente ao Ritual de Emulação.
No mais, parabéns pela publicação e obrigado pelo trabalho.

CONSIDERAÇÕES.

É conhecida a influência da Igreja nas origens da Maçonaria. De cunho operativo o Ofício trabalhou para a Igreja construindo catedrais, igrejas e abadias. Por consequência disso a Moderna Maçonaria acabou herdando símbolos e títulos que representam o período dos ancestrais da Ordem.
De certo modo o ecletismo maçônico também trouxe para o seu arcabouço doutrinário diversas manifestações das civilizações antigas, dentre as quais os cultos solares da Antiguidade que, de certa forma, são a base da grande maioria das religiões que conhecemos.
A Maçonaria anglo-saxônica, representada pelo Craft (na Inglaterra não se reconhecem ritos), traz no seu contexto o teísmo, daí nela ser mais comum muitos símbolos relacionados ao cristianismo – vide as preleções inglesas e nelas as não raras menções conexas à eventos bíblicos.
Em se tratando dos símbolos mencionados na questão, os relativos aos Diáconos (nome herdado da Igreja), cujos quais eram os antigos oficiais de chão da Maçonaria Operativa, na Moderna Maçonaria anglo-saxônica o adequado para eles é aquele que representa uma pomba trazendo no bico um ramo de oliveira (símbolo do mensageiro e associada à Noé e o Dilúvio). Já o Sol e a Lua, adereços que vão no topo das varas, os mesmos não são muito apropriados para a Maçonaria Inglesa, até porque no formato contemporâneo do Craft (grêmio), os Vigilantes não utilizam varas. Também não é a cruz o símbolo do Diretor de Cerimônias. Para ele, o mais comum é um ornato composto por dois pequenos bastões cruzados.
Sol e Lua como adereços são mais apropriados aos ritos deístas, mais comuns na Maçonaria de origem francesa, embora o REAA, rito também de origem francesa, além de raiz deísta, inegavelmente possui ainda influência teísta. É bom que se diga que no REAA o Mestre de Cerimônias, único a usar bastão (não vara) no Rito, tem como joia distintiva uma régua graduada, enquanto que os Diáconos, no escocesismo não portam bastão e nem varas.
No tocante ao Trabalho de Emulação ele não é propriamente um rito. O que se pratica na Inglaterra é “working” no Craft. Emulação é uma Loja de aperfeiçoamento que faz demonstração dos trabalhos. Na Inglaterra, a Grande Loja não edita rituais mais respeita a cultura e os costumes das diversas regiões inglesas, embora as Lojas também respeitem a manutenção da espinha dorsal dos trabalhos.
Quanto a bibliografia sugiro que o Irmão acesse o site da Editora Maçônica A Trolha, Editora Madras, assim como a Loja de Pesquisas Quatuor Coronati 2076 de Londres e seus representantes aqui no Brasil.


T.F.A.

PEDRO JUK


AGO/2019

sábado, 17 de agosto de 2019

REAA - SUBSTITUTO DO VENERÁVEL MESTRE NAS SESSÕES MAGNAS


Em 16/05/2019 o Respeitável Irmão Marcos Almeida, Loja Guardiões do Roncador, 3.719, REAA, GOB-MT, Oriente de Barra do Garças, Estado do Mato Grosso, solicita informações:

SUBSTITUIÇÃO DO VENERÁVEL


Meu Irmão, duvidas são recorrentes em quase todos os procedimentos em Loja, desta feita, é sobre a substituição do Venerável em sua ausência, diz o Ritual que o 1º Vigilante é seu substituto legal, mas, se o 2° Vigilante for MI, ele assume o lugar do 1° Vigilante e este dirigira a sessão ordinária, estou correto, somente em sessões que exigir a presença de um MI no caso o 2° vigilante, também estou correto. Muito Obrigado!

CONSIDERAÇÕES.

Nas sessões ordinárias do REAA, a praxe é a de que o substituto precário do Venerável Mestre seja o Primeiro Vigilante, independentemente de ser ele um Mestre Maçom Instalado ou não. Por conseguinte, mesmo sendo o 2º Vigilante um Mestre Maçom Instalado - como o Irmão cita na questão - ele assume o lugar do Primeiro Vigilante enquanto que o Segundo Experto assume a sua vaga.
Já nas sessões magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação, se o Primeiro Vigilante não possuir o título honorífico de Mestre Instalado é recomendável que o Ex-Venerável mais recente da Loja então assuma o cargo do titular ausente. Agora, se o Primeiro Vigilante for um Mestre Instalado, independente dele ser ou não o mais recente, ele, como primeiro substituto do Venerável é quem assume o cargo.
Sendo o Segundo Vigilante o Venerável mais recente da Loja ele pode assumir os trabalhos da sessão magna caso o Primeiro Vigilante não seja um Mestre Instalado. Nesse caso o seu substituto na segunda Vigilância continua sendo o Segundo Experto. Essa é uma opção da Loja para as sessões magnas e nada impede, entretanto, que outro Mestre Instalado da Loja assuma os trabalhos – isso evitaria a ausência de dois titulares, ao invés de um só.
A bem da verdade, todo esse mistifório se dá porque nas Iniciações, Elevações e Exaltações existe a liturgia da consagração do Candidato, em cuja qual a Espada Flamejante é utilizada. Como simbolicamente apenas um Mestre Maçom Instalado é quem pode empunhar essa espada, na ausência precária do Venerável Mestre, opta-se por assumir toda a direção dos trabalhos um Ex-Venerável e com isso ser realizado o ato da consagração. Bem mais fácil seria, se fosse o caso, que um Mestre Instalado, no momento necessário, se apresentasse para realizar o ato (esse procedimento era comum no passado).


T.F.A.


PEDRO JUK


ABRIL/2019

OLHO ONIVIDENTE


Em 14/05/2019 o Respeitável Irmão Wellington Sampaio, Loja Paz e Progresso III, nº 1, REAA, GLMEAL (CMSB), Oriente de Maceió, Estado das Alagoas, solicita esclarecimento para o que segue:


OLHO ONIVIDENTE



Gostaria de sua ajuda, se possível. Teria o irmão alguma informação sobre quando foi inserido o símbolo do Olho da Providência no REAA?

CONSIDERAÇÕES.

Em se tratando do simbolismo do REAA, o Olho Onividente dentro do Delta não é o símbolo mais apropriado para esse rito, pois embora de origem francesa (deísta), ele possui, por razões históricas, profundas influências anglo-saxônicas (teísta) que fora adquirida desde a criação do seu primeiro ritual simbólico em 1804 na França por maçons oriundos dos Estados Unidos da América do Norte, praticante das Lojas Azuis norte-americanas.
Na realidade, o símbolo mais apropriado para o Rito no interior do Delta seria o Tetragrama hebraico relativo ao nome inefável de Deus, ou mesmo dele, apenas a letra IÔD como símbolo da unidade, do princípio da Criação. O Olho se adequa melhor aos ritos ditos racionalistas, como por exemplo, o Rito Moderno, ou Francês.
Contudo, desde o século XIX época da sua provável adoção no simbolismo do REAA, há uma duplicidade de opção desse símbolo, onde muitos rituais, ao longo da sua evolução trouxeram o Tetragrama (ou apenas a letra IÔD), enquanto que muitos outros, o Olho – embora este junto com o Delta também represente o Criador. Há que se destacar a influência hebraica no conteúdo simbólico e doutrinário do REAA, o que consolida o Tetragrama no interior do Delta Radiante.
No que diz respeito ao Olho Onividente, em alguns ritos ele tem a conotação da divindade e a orientação do Iniciado. Certamente que esse conceito fora retirado dos mitos solares da Antiguidade, a exemplo dos persas onde o Olho era a representação de Ormuz (o Sol), símbolo da Luz. Graças a isso é que muitas civilizações tomaram o Olho como símbolo do discernimento e da sabedoria.
É com esse viés que ele deve ser interpretado na Maçonaria, sendo parte do simbolismo que envolve o Grande Arquiteto do Universo. Em síntese o Olho Onividente (Olho que Tudo Vê) é o emblema da onisciência e onipresença do Criador.
A sua presença no Oriente da Loja tem acompanhado a maioria dos ritos especulativos da Moderna Maçonaria, sobretudo aqueles com caráter deísta e racionalista.
Assim, levando-se em conta que os ritos maçônicos afloraram a partir dos meados do século XVIII, é muito provável que genericamente é dessa época a consolidação desse símbolo na Ordem. Eu particularmente não tenho uma data precisa.
Atualmente, existem rituais que o mencionam junto (dentro) ao Delta Radiante, enquanto que outros mencionam apenas o Delta, pelo que, no seu interior, dependendo da concepção, deísta ou teísta do rito, pode aparecer o Olho Onividente ou o Tetragrama (IÔD, HÉ, VAV, HÉ), ou ainda apenas a letra IÔD - destaque-se que a escrita hebraica vai da direita para a esquerda.


T.F.A.

PEDRO JUK


AGO/2019