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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

CADEIA DE UNIÃO - CARACTERÍSTICAS PARA O REAA

Em 11/09/2025 o Respeitável Irmão Olney Ferreira da Paixão, Loja Fidelidade Mineira, REAA, GOMG (COMAB), Oriente de Juiz de Fora, Estado de Minas Gerais, faz a seguinte pergunta:

 

CADEIA DE UNIÃO

 

Tomo a liberdade de solicitar ajuda a fim de sanar uma dúvida, com referência a ritualística sobre a CADEIA DE UNIÃO, como formar a Cadeia e a postura, no REAA do GOMG.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Inicialmente, devo mencionar que não tenho em mãos o ritual vigente do REAA do GOMG (COMAB). Assim, os comentários a seguir prendem-se apenas aos procedimentos originais aplicados no REAA.

Historicamente, a Cadeia de União surgiu na França em 1777 pela necessidade de se barrar o ingresso de maçons irregulares nas Lojas, visando, com isso, atender à regularidade restabelecida à Maçonaria francesa pelo Grande Oriente da França, pós período turbulento que ocorrera no século XVIII.

À vista disso, a Cadeia de União foi criada apenas para a transmissão da Palavra Semestral, e assim tem sido no REAA original. No Brasil, o seu uso foi adotado pelo GOB em 1832, mantendo-se até os dias atuais.

Sob o aspecto do seu comportamento ritualístico, a Cadeia de União é organizada em formato circular, com os Irmãos distribuídos ao centro do Ocidente. Dessa formação peculiar, somente podem participar Irmãos regulares da Loja. Eventuais visitantes, mesmo que de outras coirmãs e da mesma Obediência, não podem participar da Cadeia de União.

             Graças a isso é que a Cadeia é formada somente após o encerramento dos trabalhos, depois que visitantes já tenham se retirado.

Desse modo, os Irmãos formam a Cadeia de União de mãos dadas uns com os outros, tendo os respectivos braços cruzados pela frente do corpo, o direito por cima do esquerdo. Nesta formação, o Venerável Mestre se coloca na banda oriental do dispositivo circular, tendo imediatamente à sua direita e esquerda, respectivamente, os Irmãos 1º e 2º Vigilantes. De frente para o Venerável, no lado oposto do círculo, na banda ocidental, coloca-se o Mestre de Cerimônias, tendo à sua esquerda e direita, distribuídos de modo equilibrado, os demais Irmãos.

Estando todos de mãos dadas, ocupando o dispositivo, o Venerável Mestre transmite, sussurrando no ouvido dos Vigilantes a Palavra Semestral, a qual percorre sucessivamente pelo lado Norte e Sul da Cadeia, até chegar ao Mestre de Cerimônias, que a recebe em ambos os ouvidos. Ato seguido, o Mestre de Cerimônias, por dentro do dispositivo, sai do círculo, enquanto que os Irmãos que o ladeiam dão-se as mãos para restabelecer o dispositivo; o Mestre de Cerimônias então vai até o Venerável Mestre e lhe transmite a Palavra da mesma forma que recebeu, depois o volta seu lugar na Cadeia.

Se a Palavra estiver correta, o Venerável Mestre informa e recomenda que todos a guardem como penhor de regularidade. Finalmente, desfaz-se Cadeia de União e o Venerável Mestre, ajudado pelo Mestre de Cerimônias, incineram no centro, em um dispositivo apropriado, a Palavra que acabou de ser transmitida. Logo, todos se retiram do templo. Esta é a mecânica ritualística da transmissão da Palavra Sagrada no REAA.

Outras ponderações: No REAA, durante a formação da Cadeia de União, os seus componentes não juntam a ponta dos seus pés, uns com os outros; ao final da transmissão não existe nenhuma aclamação, a exemplo da tríade Saúde, Força e União, ou outras do gênero; a Cadeia de União é formada exclusivamente para a transmissão da Palavra Semestral, nela não cabem preces, súplicas, orações, pedidos em favor de enfermos, etc.

Ainda, a Palavra Semestral é enviada às Lojas pelo Grão-Mestre da Obediência, duas vezes por ano.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

http://pedro-juk.blogspot.com.br

jukirm@hotmail.com

 

 

FEV/2026

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

CADEIA DE UNIÃO E A PALAVRA SEMESTRAL

 

Em 11/07/2020 o Respeitável Irmão Manoel Hélio Monteiro, Loja Mensageiros do Bem, 0812, REAA, GOB-PE, Oriente de Garanhuns, Estado do Pernambuco, formaliza a seguinte questão:

 

CADEIA DE UNIÃO

 

Meu Irmão Pedro Juk, mais uma vez recorro à sua sabedoria maçônica a fim de melhor esclarecermos, em Loja, aos nossos irmãos, sobre a finalidade da “Cadeia de União.”

A cadeia de União é realizada exclusivamente para recebermos a Palavra Semestral ou pode-se utilizá-la para outra finalidade?

Desde já agradeço sua atenção.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Está bem claro no Ritual em vigência e no Sistema de Orientação Ritualística (Decreto 1784/2019) para o Aprendiz Maçom, REAA, GOB RITUALÍSTICA, item 74: “a Cadeia de União no REAA somente é formada quando houver necessidade de se transmitir a Palavra Semestral”.

Assim, para o REAA o texto é bastante claro ao designar que a formação da Cadeia de União se dá apenas e tão somente para transmissão da Palavra Semestral.

A título de esclarecimento, vale a pena mencionar que essa prática não é generalizada na Maçonaria Universal, contudo ela é comum principalmente nos ritos de origem francesa (ritos latinos).

Isso se dá porque a Palavra Semestral foi criada pelo Grande Oriente da França em 1.777 para coibir a presença de Irmãos irregulares que conseguiam burlar a cobertura dos trabalhos, sobretudo aqueles que haviam sido expulsos por questões e acontecimentos políticos internos oriundos de desmandos de um Grão-Mestre que na época nomeava prepostos para substituí-lo. Esses, na maioria autoritários, motivaram rupturas no Grande Oriente com consequências desastrosas para Maçonaria Francesa (vide essa história na França do século XVIII).

Desse modo, o Grande Oriente da França para fugir dos dissabores de receber membros irregulares, e para fortalecer os telhamentos, estabelecia que o Grão-Mestre então escolhesse, por sua única e exclusiva conta, uma palavra senha para ser repassada às Lojas de seis em seis meses. Assim era reforçada a cobertura dos trabalhos, sobretudo porque a escolha da palavra era de competência única do Grão-Mestre.

Na verdade, segundo Alec Mellor e Jules Boucher, eram duas as palavras, por conta de que na sua transmissão elas deveriam percorrer uma cadeia circular formada por irmãos que uniam consecutivamente as suas mãos. Por esse artifício o Venerável transmitia, de modo sussurrado, uma palavra que transitava pelos ouvidos dos Irmãos. Uma imediatamente a partir daquele que estivesse à sua direita e a outra a partir do que estivesse à sua esquerda. Essa característica deu à cadeia a origem do seu formato circular para esta finalidade.

Se as duas palavras percorressem toda a cadeia e voltassem incólumes ao Venerável, as mesmas eram então guardadas como penhor de regularidade naquele semestre.

A princípio, a utilização de duas palavras era para que um visitante, comprovando sua regularidade, transmitisse uma como senha ao Cobridor e ao mesmo tempo se assegurasse da regularidade do seu examinador, quando dele recebia a contrassenha.

Em linhas gerais, essa a origem da Palavra Semestral que, desde então, era sigilosamente transmitida tão-somente aos membros da Loja pela Cadeia de União.

A Cadeia de União, formada apenas para a transmissão (dar conhecimento) da Palavra Semestral, era desde então constituída apenas por Irmãos do quadro de uma Loja.

Esse costume, próprio da Maçonaria Latina, permanece até a atualidade, contudo, o uso de duas palavras, paulatinamente foi se restringido ao uso de apenas uma palavra, então denominada como Palavra Semestral, cuja qual é transmitida pelo Grão-Mestre da Obediência de seis em seis meses às Lojas jurisdicionadas.

Uma das características da sua transmissão é a de que a formação da Cadeia de União geralmente se dá após o encerramento dos trabalhos, oportunidade em que eventuais visitantes já tenham se retirado. É a forma de se evitar constrangimentos e garantir que somente os Irmãos do quadro da Loja a recebam.

O REAA, rito de origem francesa, segue rigorosamente esse costume. Nele a Cadeia de União é formada apenas e tão somente para a finalidade de se transmitir a Palavra Semestral, não existindo nela preces, orações, súplicas, e outros congêneres.

No Grande Oriente do Brasil, a Palavra Semestral encontra-se adotada desde 1.832 e nele é utilizada de modo generalizado por todos os seus ritos. Nesse sentido, suas práticas ritualísticas e litúrgicas de transmissão podem entre eles variar, principalmente em se levando em conta os costumes e tradições de cada Rito em particular, inclusive os propósitos da Cadeia de União.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

FEV/2021

quinta-feira, 6 de abril de 2017

CADEIA DE UNIÃO E A PRANCHETA DA LOJA

Em 11/03/2017 o Respeitável Irmão Francisco Lucas, Loja Harmonia, nº 106, REAA, GLESP, Oriente de Registro, Estado de São Paulo, solicita informações do meu blog – http://pedro-juk.webnode.com/

CADEIA DE UNIÃO E PRANCHETA DA LOJA.


1-    Cadeia de União. A mesma é feita após o encerramento ritualístico dos trabalhos? Após a Cadeia de União ainda se faz algum sinal?
2-    Prancheta da Loja. Existe o ornamento físico (a peça prancheta) ou ela é apenas virtual (um desenho)?
Eu, só recentemente reconheci a mesma no nosso Painel do 2º Grau.

CONSIDERAÇÕES.

1 – Cadeia de União - sob o ponto de vista de tradição do REAA, nele a Cadeia de União é realizada unicamente para a transmissão da Palavra Semestral. Devido o aspecto legal relacionado a essa transmissão, a mesma dá ao Obreiro o penhor da sua regularidade, assim a Cadeia só pode ser formada por Irmãos regulares do Quadro da Loja. Portanto, dela não participam Irmãos visitantes, mesmo sendo eles da mesma Obediência.
A Palavra Semestral é instituída e enviada pela Obediência às Lojas regulares da sua constelação.
Sob esse influxo é que a Cadeia de União só é formada após o encerramento dos trabalhos, pois se estiverem presentes visitantes, eles ao final se retiraram sem que haja para eles a formalidade de cobertura pelo tempo que se fizer necessário durante a sessão (em Loja aberta). Assim, encerrados os trabalhos apenas os Irmãos da Loja com direito a receber a Palavra permanecem no recinto.
No que diz respeito a se fazer Sinal após a Cadeia de União, obviamente que não, pois a Loja já estará fechada. Aliás, nem durante e nem depois da Cadeia de União.
Infelizmente, há dois aspectos para se considerar em se tratando da Maçonaria brasileira. Um deles é que nem todos os rituais preveem e explicam práticas corretas nessas circunstâncias, fazendo com que em muitas oportunidades forme-se equivocadamente a Cadeia antes do encerramento e ainda com a participação de visitantes. O outro aspecto é o enxerto de praticas que não pertencem ao REAA\, o que tem feito com que algumas Lojas escocesas ainda fiquem a professar orações, preces e outras coisas do gênero quando da formação da Cadeia. Isso ainda quando não ficam a juntar as suas pontas dos pés à dos outros, agitando os braços à frente, exclamando tríades, etc. Ora, isso não é e nunca foi prática autêntica do escocesismo. Infelizmente alguns ainda insistem em praticá-las o que só faz em denegrir ainda mais a pureza do Rito – crenças pessoais não deveriam caber no coletivo maçônico.
Em síntese, Cadeia de União no escocesismo simbólico, só para se transmitir a Palavra Semestral pura e simplesmente. Nela não cabem outros procedimentos.
Agora, se algum ritual do REAA\ que ainda esteja em vigência prever o contrário, então... Enquanto ele não for corrigido... O que se fazer?
2 – Prancheta da Loja - essa é uma das três Joias Fixas da Loja e se relaciona ao Grau de Mestre, enquanto que as duas primeiras, a Pedra Bruta e a Pedra Cúbica, ao Aprendiz e ao Companheiro respectivamente.
Além de ela aparecer gravada no Painel da Loja (o do Grau), a Prancheta é um objeto de formato retangular (literalmente como uma prancheta mesmo) com medidas aproximadas de 50 cm de altura por 35 cm de largura que fica encostada no Altar ocupado pelo Venerável Mestre, cuja face gravada fica voltada para o Ocidente.
Símbolo da memória, alegoricamente demonstra o lugar onde o Mestre traça os planos da Obra. Nela vão gravados os emblemas das paralelas cruzadas (o que subsiste e é limitado) e a Cruz de Santo André em formado de um “xis” (o ilimitado e o infinito). Os dois ideogramas figurativos também são a chave para o alfabeto maçônico.
De fato, a Prancheta, como as duas outras Joias Fixas, existe como objeto e é palpável (concreta). A sua presença na Loja, bem como as outras duas Joias, como um código de moral, está aberta à compreensão de todos os maçons.


T.F.A.

PEDRO JUK



ABRIL/2017

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

CADEIA DE UNIÃO E A PALAVRA SEMESTRAL

Em 10.02.2025 o Respeitável Irmão Valter Rezende de Oliveira, Loja Fraternidade Acadêmica Sementes do Amanhã, 4451, GOB-SP, Oriente de Nova Odessa, Estado de São Paulo, apresenta a sugestão seguinte:

 

CADEIA DE UNIÃO

 

Em nosso RGF artigo 113: O Venerável Mestre transmitirá a palavra semestral aos Membros, em nosso Ritual atualizado de Aprendiz apresenta: Cadeia de União - No REAA, a Cad∴ de União é formada exclusivamente pelos IIr∴ do Quadro e para transmissão da Pal∴ Sem∴. Na Cad∴ de união também não existem preces, súplicas, orações etc.

Meus Irmãos com meus 26 anos de Maçonaria, tenho observado que a maioria das Lojas também faz a Cadeia de União para pedido aos Irmão enfermos ou cunhadas, para rogar ao Grande Arquiteto do Universo nossos votos de restabelecimento da saúde ou até invocar um pensamento positivo para consolar a perda querida de um ente querido.

Mas, com base em nossas Leis um Venerável Mestre Legalista pode impedir esta prática com justa razão aos nossos princípios de legalidade.

Desta forma gostaria de sugerir estudo para acrescentar no Ritual página 206:

"Cadeia de União também voltada para darmos forças e energia aos nossos Irmãos quando estiverem enfermos ou a perda de um ente querido.

"Meus queridos Irmãos, esta corrente de pensamentos positivos deve fazer parte da nossa ritualística a título de sugestão.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Historicamente, a palavra semestral foi criada na França em 1777 pelo Grande Oriente da França como um mecanismo para resolver problemas hauridos da profusão de anormalidades patrocinadas por vários Irmãos irregulares diante da situação em que se encontrava a Maçonaria francesa da época. Devido à forma sigilosa de se transmitir esta palavra, a mesma era comunicada de modo peculiar em um dispositivo circular formado pelas mãos dadas de Irmãos regulares no centro do Templo, o que geralmente acontecia depois de estarem encerrados os trabalhos.

Nesta formação circular, o Venerável Mestre, pela sua direita e esquerda, transmitia sussurrada a palavra no ouvido daquele que estivesse imediatamente ao seu lado, fazendo com que a palavra percorresse todo o dispositivo circular como penhor de regularidade. Este dispositivo circular acabou ganhando o nome de Cadeia de União, a qual era formado exclusivamente para a transmissão da palavra semestral (renovada pelo Grão-Mestre a cada seis meses).

No Brasil a Palavra Semestral foi adotada pelo GOB em 1832 e segue até hoje o mesmo modo peculiar de transmissão, pela Cadeia de União.

Visando manter essa tradição, no REAA segue-se rigorosamente o preceito de só se formar Cadeia de União quando houver necessidade de se transmitir uma nova palavra semestral. O próprio ritual anterior do GOB, o de 2009, já revogado, constava na sua página 82, que a Cadeia de União somente deveria ser formada para se transmitir a palavra semestral.

Nesse sentido, o Ritual do REAA de 2024 segue essa mesma linha, ou seja, somente formar Cadeia de União para esta finalidade, não cabendo qualquer desvio de propósito, o que torna impossível atender à sugestão proposta na questão acima.

Vale ressaltar que existem ritos que além da transmissão da palavra semestral, também utilizam a Cadeia de União para outras finalidades, todavia esse não é o caso do REAA.

Por fim, reitera-se: conforme prevê o ritual de Aprendiz vigente no GOB, no REAA a Cadeia de União somente deve ser formada para a transmissão da Palavra Semestral, nela não existindo preces, orações, súplicas, pedidos espirituais, ou outras práticas deste gênero.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

http://pedro-juk.blogspot.com.br

jukirm@hotmail.com

 

 

AGO/2025

 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

TRIÂNGULO DA ESPIRITUALIDADE E DA MATERIALIDADE NA CADEIA DE UNIÃO?

Em 16/03/2017 o Respeitável Irmão Otávio Alvares de Almeida, Loja Deus e Fraternidade, 51, REAA, Grande Loja do Estado da Bahia, Oriente de Cruz das Almas, Estado da Bahia, solicita o seguinte esclarecimento:

TRIÂNGULOS DA ESPIRITUALIDADE E DA MATERIALIDADE NA CADEIA DE UNIÃO?


Ontem, 15/03, em minha Loja foi feita uma Cadeia de União para transmissão da Palavra Semestral e, pela primeira vez, em função do posicionamento do Venerável Mestre ladeado pelo Secretário e Orador no Oriente do Pavimento Mosaico e do Mestre de Cerimonias no Ocidente ladeado pelos Vigilantes nas suas respectivas Colunas, me veio a dúvida e por isso peço a sua ajuda, sobre quem forma o vértice do Triangulo da Materialidade: O Mestre de Cerimonias ou o Guarda do Templo?

CONSIDERAÇÕES.

Antes da questão propriamente dita, primeiro alguns apontamentos pertinentes.
Sem confundir com tríades, associado aos atributos da espiritualidade está o triângulo (isóscele ou equilátero) com um ápice voltado para cima, enquanto que o da materialidade está associado àquele que mantém o ápice voltado para baixo.
Ainda em relação aos triângulos (exceto ao concernente ao Delta Radiante), no REAA também aparecem às figuras triangulares correspondentes aos elementos Terra, Ar, Água e Fogo que se apresentam juntos às Colunas Zodiacais.
A união dos triângulos da materialidade e a espiritualidade formam a Magsen David (Estrela, ou Selo de Davi), ou a Blazing Star, comum principalmente na vertente inglesa de Maçonaria (estrela de seis pontas). Já o simbolismo do REAA\, por ser um rito de vertente francesa, esse não possui nele, como símbolo, nenhuma estrela de seis pontas, sobretudo aquela tão comentada invenção de uma pretensa estrela formada num formidável exercício de imaginação que se diz existir quando da abordagem dos oficiais na circulação da Bolsa de Propostas e Informações e Tronco de Solidariedade. Na verdade a sequência dessa abordagem tem apenas relação com a história e a importância dos cargos na Loja, no mais, fazer ilações associando esse percurso a um trajeto estelar nada mais é do que pura bobagem que não tem compromisso algum com a doutrina simbólica do Rito Escocês. Provavelmente foi dessa inventiva sugestão que surgiu a relação de triângulos de espiritualidade e de materialidade na Cadeia de União.
Ora, isso é mero exercício de imaginação. Primeiro, porque a Cadeia quando formada, assume uma figura circular ou elíptica e não triangular. Segundo é porque a Cadeia, quando constituída no REAA, tem originalmente apenas um único objetivo: o de se transmitir a Palavra Semestral e nada mais, pois nela não existe a prática de preces e orações. Assim, a Cadeia de União é formada sobre o Pavimento Mosaico (que ocupa todo o espaço ocidental da Loja) após o encerramento dos trabalhos tendo, numa das extremidades da elipse (da cadeia) e de costas para o Oriente o Venerável Mestre com o Secretário à sua esquerda e o Orador à sua direita. Na outra extremidade da elipse em frente ao Venerável, de costas para a porta e parede ocidental, vai o Mestre de Cerimônias tendo à sua direita o Segundo Vigilante e à sua esquerda o Primeiro Vigilante. Os demais Irmãos se distribuem de modo que a figura elipsoide ou circular da Cadeia se mantenha com número equilibrado de obreiros no que diz respeito à quantidade de participantes à direita e à esquerda.
Devida à disposição elipsoide ou circular dos integrantes da Cadeia, não há como se imaginar a formação de triângulos imaginários formados pelas cinco Dignidades da Loja e pelo Mestre de Cerimônias. A disposição relativa aos que ladeiam o Venerável e ao Mestre de Cerimônias é porque o Orador e o Secretário tomam assento no Oriente e os Vigilantes, bem como o Mestre de Cerimônias no Ocidente. É simplesmente só isso e nada mais.
No que diz respeito ao Cobridor mencionado na sua questão, ele nada tem a ver com triângulo da materialidade e nem fica na Cadeia posicionado entre os Vigilantes – na extremidade da elipse de frente para o Venerável fica mesmo o Mestre de Cerimônias.
É bem verdade sim que esotericamente o Oriente da Loja corresponde à Luz e a espiritualidade, enquanto que o Ocidente, à materialidade e aquilo que é passível de aprimoramento, porém essa alegoria não se relaciona sob qualquer hipótese à Cadeia de União e nem mesmo à inexistente estrela de seis pontas aqui anteriormente mencionada.
Ainda, em se tratando de triângulo equilátero (três lados iguais), nada do que aqui foi mencionado sugere alguma relação com o Delta Radiante, cujo símbolo fica no Retábulo do Oriente (ao alto, atrás do Venerável) – esse triângulo é outro importantíssimo emblema que em Maçonaria, tanto na concepção deísta como na teísta, exprime os atributos da divindade. É o símbolo da crença na existência de um Ser Supremo.
Concluindo, devo mencionar que as minhas ponderações aqui expressas se prendem unicamente à pureza e tradição do escocesismo simbólico, independe daquilo que possa porventura estar escrito em alguns rituais das nossas Obediências. Assim, se deles derivarem instruções contrárias às minhas convicções, em estando os mesmos em vigência, mesmo que equivocados, por primeiro seguem-se as suas orientações.


T.F.A.

PEDRO JUK


ABRIL/2017.

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

PROCEDIMENTOS PARA ATRASADOS E POSIÇÃO DOS PÉS NA CADEIA DE UNIÃO - REAA

 

Em 13.08.2021 um Respeitável Irmão de Loja do GOB, Oriente de Nova Iguaçu, Estado do Rio de Janeiro, sem mencionar o nome do rito, através do New GOB Net, formulou as seguintes questões.

 

IRMÃO ATRASADO E OS PÉS NA CADEIA DE UNIÃO.

 

Retardatário - Caso um obreiro de uma Loja chegue atrasado, não sendo sabedor do Grau que a Loja está trabalhando, a título de esclarecimento, a mesma encontra-se trabalhando no grau 2. O mesmo irá bater no grau 1.

A minha dúvida: Qual seria a resposta do cobridor interno?

Seria uma batida para aguardar!

Qual seria o procedimento correto na comunicação do Cobridor Interno com esse Irmão
através das batidas. Não temos cobridor externo.

Já verificamos vários procedimentos, como cobrir a batida do visitante.

Posição dos pés na Cadeia de União - Em uma cadeia de União, seria obrigatório a união dos pés de todos os irmãos participantes. O ritual não informa dessa forma. Somente os braços entrelaçados. E encontramos vários procedimentos. Onde é solicitado a união dos pés também?

 

CONSIDERAÇÕES PARA RESPOSTA AO RETARDATÁRIO.

 

Como não me foi informado o Rito, os comentários que se seguem são para o REAA.

Vale mencionar que procedimento para atrasados não está presente no SOR – Sistema de Orientação Ritualística do GOB porque não se quer institucionalizar o atraso. Os rituais foram editados prevendo sempre a pontualidade do maçom. Prever orientações para atrasos seria o mesmo que admitir essa prática nada recomendável. Desse modo, o ideal é que ninguém de fato chegue atrasado para não atrapalhar o andamento dos trabalhos.

Contudo, sabe-se que podem surgir situações que redundem excepcionalmente na presença de retardatários. Nesse caso “sugere-se” para os atrasados o seguinte procedimento: Em qualquer situação, se não estiver presente o Cobridor Externo no átrio, o retardatário que conseguir chegar na porta do templo, nela dá, para pedir ingresso, a bateria universal que é a do grau de Aprendiz.

Se o momento for propício para o ingresso, o Cobridor Interno faz as comunicações de costume. Autorizado verifica quem bate comunicando em seguida à Loja. Sendo permitido o ingresso, o retardatário, entra formalmente na Loja (toda entrada deve ser formal).

Caso a Loja esteja trabalhando em um grau que o retardatário não possua, cabe ao Cobridor comunica-lo da impossibilidade de ingresso.

Se o retardatário bater na porta em que o momento não seja propício para o seu ingresso (liturgia de abertura, leitura de ata, etc.), o Cobridor Interno responde pelo lado de dentro da porta com a mesma bateria (a do grau de Aprendiz). Isso implica que o retardatário deve aguardar até que lhe seja permitida a entrada e nunca deve dar outra bateria na porta.

Não existe nesses casos bateria única, ou aumento de baterias na porta do templo. Em qualquer situação o retardatário bate como Aprendiz. Bateria profana na porta do templo somente é admitida na Iniciação quando o pobre candidato, despido de todas as vaidades, bate pedindo ingresso.

De tudo, reitera-se que o ideal é mesmo não chegar atrasado, pois o atraso, no rigor da ritualística, nem está previsto no ritual. Em casos excepcionais, sugere-se a prática acima descrita.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A POSIÇÃO DOS PÉS NA CADEIA DE UNIÃO.

Para o REAA, conforme explica o item 75 do SOR - Sistema de Orientação Ritualística, na formação da Cadeia de União não existe a união da ponta dos pés entre os protagonistas.

Em síntese, os pés dos que formam a Cadeia não se tocam. Todos permanecem em pé normalmente e com as mãos dadas na forma de costume.

Por não existir no REAA a união dos pés na formação da Cadeia de União é que o ritual não prevê essa prática. Destaque-se que no REAA a Cadeia de União somente é formada após o encerramento dos trabalhos para a transmissão da Palavra Semestral exclusivamente entre obreiros do quadro da Loja. Nela não existem preces, orações, súplicas, etc.

Vale mencionar que a Palavra Semestral foi criada na França em 1777, sendo adotada pelo GOB a partir de 1832. Por ocasião da sua criação foi instituída a Cadeia de União para a sua transmissão sigilosa.

Melhores orientações sobre a Cadeia de União podem ser encontradas na plataforma do GOB RITUALÍSTICA, Sistema de Orientação Ritualística, Aprendiz, REAA. Para acesso é necessário a Palavra Semestral, Pin do GOB-CARD e o nº do CIM.

 

T.F.A.

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

AGOSTO/2021

 

domingo, 21 de julho de 2019

CADEIA DE UNIÃO - PALAVRA SEMESTRAL AOS NOVOS APRENDIZES


Em 24/03/2019 o Respeitável Irmão Lourival Neves Figueiredo, Loja Cidade Azul, 2.779, REAA, GOB-SC, Oriente de Tubarão, Estado de Santa Catarina, apresenta a questão seguinte:

REAA - PALAVRA SEMESTRAL AOS NOVOS APRENDIZES.


Meu Irmão de que forma é passada a Palavra Semestral para os novos Aprendizes? No Ritual diz apenas que será passada de uma forma especial, mas não esclarece se será procedido através Cadeia de União ou de outra forma que envolva somente os novos Aprendizes?

CONSIDERAÇÕES.

A forma especial se refere ao modo de como ela é costumeiramente transmitida. Ou seja, sempre pela Cadeia de União. Aliás, é bom que se diga que a Cadeia de União no REAA\ tem somente essa finalidade, portanto ela só é formada para se transmitir a Palavra Semestral, não existindo para ela outra finalidade – “A Cad\ de Un\ somente se realiza (o grifo é meu) quando houver necessidade de se transmitir a Pal\ Sem” – página 82, 2.12.1 Adendo: Cadeia de União, 1º explicativo, Ritual de Aprendiz Maçom, REAA, GOB, em vigência.
Assim, quando a Loja precisar transmitir a Palavra Semestral para um novo Irmão, ou um Irmão que tenha se regularizado na Loja, o Venerável Mestre, oportunamente, fará a transmissão pela Cadeia de União, não importando se ela já tenha sido passada aos outros. É mais ou menos como acontece no retorno da palavra se esta for concedida novamente. Reinicia fazendo o giro completo. Com as devidas diferenças litúrgicas, assim também é a transmissão da Palavra Semestral em havendo necessidade de repassá-la. Faz-se pela Cadeia de União e dela todos os efetivos do Quadro participam. Reitero, os efetivos do Quadro.
Destaque-se que a Cadeia de União é formada unicamente por Irmãos do Quadro da Loja. Essa é a razão pela qual ela ocorre após o encerramento dos trabalhos, oportunidade em que os visitantes já tenham se retirado.
Todas as orientações ‘oficiais” sobre a ritualística da Cadeia de União já se encontram-na plataforma do GOB RITUALÍSTICA em http://ritualistica.gob.org.br/



T.F.A.

PEDRO JUK

JULHO/2019