Em 15.08.2025 o Respeitável Irmão Carlos Daniel Morais, Loja Mestre Mathes Coutinho, 57, REAA, GLMCE (CMSB), sem mencionar o Oriente, Estado do Ceará, solicita esclarecimentos:
COLUNETAS
Em meus estudos, recebi de meu padrinho o link para seu Blog pois eu tinha minhas dúvidas sobre as Colunetas. Me surpreendi com o material, muito rico e esclarecedor, mas ainda fiquei com algumas dúvidas sobre o assunto e espero que você possa me ajudar.
A primeira dúvida (não é bem uma dúvida) é sobre o ritual original do REAA, que não tem o "Painel Alegórico", imaginei que este ritual seja rico de originalidade e queria ter acesso a algum material que fale sobre ele, sobre como ele é.
Por segundo, queria entender melhor sobre o motivo das colunetas da força e da beleza ter momentos para ficar abaixadas e levantadas, já procurei o motivo em artigos e livros, mas não encontrei a realidade sobre isso.
CONSIDERAÇÕES
No contexto da história autêntica é preciso estudar a evolução dos rituais para o simbolismo do REAA na França a partir de 1804 e as respectivas Lojas Capitulares, então criadas pelo Grande Oriente da França, hoje extintas, mas que deixaram profundas marcas no simbolismo do REAA.
Também é necessário perscrutar, o Guia dos Maçons Escoceses de 1821/22, a revelação As Três Pancadas Distintas, o Regulador do Maçom de 1801 do Grande Oriente da França e as contribuições deixadas pela Loja Geral Escocesa, em criada para gerenciar o projeto do primeiro ritual.
Como se pode observar, essa não é uma tarefa fácil, pois é preciso montar uma boa grade de pesquisa, a despeito de que nem tudo está claramente exposto nos elementos primários.Em se tratando do simbolismo do REAA, seus rituais foram se consolidando ao longo do século XIX e início do XX. Muitos dos fatos que compõem esta história não estão claramente visíveis, pura e simplesmente. É preciso juntar as peças desse mosaico, sobretudo pela característica velada, comum ao trato de assuntos maçônicos de então. É certo que boa parte dessa matéria ainda está por ser descoberta e apurada.
Sobre o ritual para o REAA no Brasil, criado por Mário Marinho Béhring em 1928 para as suas recém criadas Grandes Lojas Estaduais Brasileiras, em que pese nele felizmente estarem abominadas as influências capitulares, ainda assim há muitas controvérsias em relação à ritualística primitiva do REAA, já que Béhring lamentavelmente inseriu neste ritual muitas práticas estranhas ao escocesismo e comuns ao Rito de York Americano (influência inglesa), onde ele na época procurou reconhecimento para as suas Grandes Lojas.
Nesse contexto, dentre outros, encontra-se o tal do Painel Alegórico, um elemento enxertado retirado das Tábuas de Delinear inglesas para serem indevidamente inseridos no Ritual de 1928 do REAA para as Grandes Lojas brasileiras.
Na verdade, em relação ao painel, o REAA possui apenas e tão somente um painel, o “Painel do Grau”, que fica situado no centro do Ocidente sobre o Pavimento Mosaico.
O título “alegórico”, dado ao outro painel, então enxertado no REAA, foi uma adequação capenga para nominar um elemento alienígena copiado do Rito de York. Desafortunadamente, isso fez com que aparecessem dois painéis ao em vez de um, o que acabou resultando em uma miscelânea de símbolos, muitos deles completamente estranhos ao REAA (um rito latino) e comuns à Tábua de Delinear (Tracing Board), nome dado ao Painel do Grau no sistema anglo-saxônico de Maçonaria. Essa é a confusão gerada pela aparição indevida de dois painéis, um francês e outro inglês, no REAA de Mário Béhring.
No caso das colunetas (enxerto também retirado do Rito de York), em se tratando do REAA elas simplesmente não existem, com isso não há o que comentar. Já no Rito de York, onde de fato essas colunetas existem, ambas representam, conforme a disposição de cada uma (em pé ou deitada), a Loja em atividade, em recreação (descanso), ou mesmo fechada. .
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
http://pedro-juk.blogspot.com.br
JAN/2026

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