quarta-feira, 7 de abril de 2021

ABREVIATURA MAÇÔNICA NA MAÇONARIA LATINA

 

Em 18.08.2020 o Respeitável Irmão Fernando Alves Queiroz, Loja Cláudio das Neves, 1.939, sem mencionar o nome do Rito, GOB-MG, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, solicita esclarecimentos para o que segue:

 

ABREVIATURA MAÇÔNICA

 

Estimado Irmão Pedro Juk, antecipadamente agradeço pela gentileza e presteza no esclarecimento de importantes pontos de nossa Fraternidade.

Gostaria de esclarecimentos sobre abreviatura de palavras, sempre que vou escrever procuro


seguir à risca os ensinamentos, no entanto tenho visto circular orientações diferentes de como fazer as abreviações. 

Então pergunto: temos no GOB uma orientação formalizada/oficial ou na Literatura Maçônica que devemos seguir? Se sim onde consigo?

Veja exemplo abaixo de duas formas, qual a correta?

À G D G A D U ou À Gl do Gr Arq do Un

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Cabe antes mencionar que o modo de se abreviar por três pontos na forma de um delta com um dos ápices para cima () não é unanimidade na Maçonaria universal, sendo essa forma  apropriada à Maçonaria de origem francesa (latina). Para a Maçonaria inglesa e americana não há nenhuma abreviatura tripontual triangular. Essas vertentes, com outras normas ortográficas, respeitam outras regras.

Embora queiram alguns tratadistas designar para essa tripontuação toda sorte de simbolismo, vale mencionar que não existe para ela nenhuma interpretação esotérica, mística e iniciática. A sua aplicação possui apenas o desiderato de indicar uma palavra abreviada.

A presença dessa forma tripontual de abreviatura maçônica no Brasil se deve à origem da Maçonaria Brasileira que é filha espiritual da França. Reforça ainda mais esse costume a forte presença do REAA no Brasil.

No que diz respeito às origens da forma de abreviar por três pontos em forma de delta, segundo Jules Boucher, tal costume já era registrado na Loja La Sinceritè em 1764 na França.

O Grande Oriente da França inseriu o modelo de abreviatura por apócope seguida por três pontos na intenção de dificultar o entendimento, por não iniciados, dos seus escritos em rituais e impressos maçônicos.

Evidentemente que no contexto do escrito o maçom compreende perfeitamente as palavras abreviadas, contudo, o que não deve acontecer são os excessos de abreviações que acabam às vezes tornando textos e rituais incompreensíveis até para o próprio maçom.

No que diz respeito a forma de se abreviar, geralmente seguem-se duas regras. A primeira é a de que o corte da palavra é feito entre uma consoante e uma vogal, embora, dependendo do contexto, possa existir caso em que a palavra é cortada entre consoantes. Há também a possibilidade de existir abreviatura pela letra inicial. Na verdade, não é uma regra que se identifique pelo excesso de rigidez. A segunda regra é aquela pertinente a palavras no plural. Nesse caso o plural se dá pela repetição da letra inicial.

Por fim, cabe salientar que no campo do entendimento maçônico - vasto e complexo - essa é a regra mais comum que se aplica sobre as abreviaturas na Maçonaria latina. Não há no GOB um dicionário para essa finalidade, cabendo, nesse caso, seguir a forma de abreviação utilizada nos seus rituais em vigência.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

ABRIL/2021

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