quinta-feira, 18 de maio de 2017

LUZES COLORIDAS SOBRE O ALTAR

Em 24/03/2017 o Respeitável Irmão Eliberto da Silva Carvalho, Loja Acácia, 0177, REAA, GOB-RJ, Oriente de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, através do meu blog http://pedro-juk.blogspot.com.br formula a seguinte questão:

LUZES COLORIDAS SOBRE O ALTAR


Inicialmente parabenizo o ilustre irmão pelas suas sempre claras e objetivas respostas às mais diversas consultas formuladas, sempre dirimindo as dúvidas apresentadas. Solicito seus esclarecimentos sobre o assunto a seguir: Essa Loja completou 149 anos de fundação dia 07/03/2017 e tem na mesa do Venerável Mestre, ao invés do castiçal com três luzes brancas, segundo os Rituais dos Graus Simbólicos, um castiçal com três luzes de cores diferentes que, segundo alguns obreiros mais antigos, é uma homenagem às Lojas Comércio e Artes, União e Tranquilidade e Esperança de Nictheroy, pelo que representam para a Maçonaria. A meu ver, deixando de lado a homenagem enfocada, da qual não discordo, é uma radical inobservância à ritualística, com relação às luzes sobre a mesa do Venerável, o que deve ser corrigido imediatamente. Concluindo, pergunto ao irmão: Seria correto colocarem-se essas três luzes coloridas sobre um pedestal no oriente, com placa indicativa de sua finalidade, em local que não fira a ritualística?

CONSIDERAÇÕES.

Obviamente que não é correto. O candelabro de três luzes situado sobre o altar ocupado pelo Venerável Mestre e os outros dois que ficam sobre as mesas dos Vigilantes representam as Luzes da Loja e a evolução do conhecimento humano, posto que de acordo com o grau simbólico de trabalho da Oficina acendem-se mais ou menos luzes. No caso do REAA elas ainda representam a evolução da Natureza comparada à alegoria iniciática do Obreiro. Assim, essas Luzes litúrgicas são neutras, podendo ser lâmpadas elétricas ou mesmo velas, entretanto elas não podem ser usadas como instrumentos para homenagear alguém ou alguma coisa. Isso é o mesmo que desvio de finalidade.
Sinceramente, tem coisas que acontecem nos nossos meios que são difíceis de acreditar e essa, por exemplo, é uma delas. Não que as Lojas mencionadas não mereçam de nós todo o respeito e homenagem, porém não se usando as Luzes litúrgicas para esse fim, e muito menos acompanhadas de placa indicativa. Ora, isso é um verdadeiro atentado à liturgia maçônica.
A propósito, as três Lojas que deram origem ao Grande Oriente Brasílico em 17 de junho de 1822, por desmembramento de uma delas – a Comércio e Artes – em mais duas outras, seriam historicamente distinguidas pelas cores branca, azul e vermelha para que os seus respectivos obreiros fossem identificados durante as votações da assembleia. Isso na verdade sacramentaria as cores oficiais do Grande Oriente do Brasil, já que por ocasião das assembleias na época da fundação, os obreiros das três Lojas traziam uma fita com a cor correspondente à sua Loja amarrada no braço direito. Dessa forma eram identificados os Irmãos dos quadros presentes. Dado a isso é que historicamente essas cores (branca, azul e vermelha) individualmente representam até hoje as três Augustas e Respeitáveis Lojas fundadoras.
Mesmo dado à importância devida a elas, nada sugere, entretanto o uso do candelabro de três luzes litúrgicas para prestar essa homenagem. Aliás, como qualquer outro símbolo que compõe a decoração da Loja no REAA não deve também ser usado para essa finalidade.

T.F.A.

PEDRO JUK



MAIO/2017

SUBSTITUIÇÃO DO VENERÁVEL NO RITO DE YORK

Em 23/03/2017 o Respeitável Irmão João Vitor Hugo Painco Bahls, sem mencionar o nome da sua Loja, Oriente e Estado da Federação, se referindo a uma resposta minha dada sobre a substituição precária do Venerável (falta) no REAA, indaga via meu blog http://pedro-juk.blogspot.com.br

SUBSTITUIÇÃO DO VENERÁVEL RITO DE YORK


Olá boa noite meu irmão, e no caso do rito de York (emulação) o Primeiro Vigilante também pode assumir o cargo do Venerável numa situação de emergência ou não?

CONSIDERAÇÕES.

Diferente do costume francês, muito conhecido na Maçonaria brasileira através do Rito Escocês Antigo e Aceito, o costume inglês, no caso o Trabalho de Emulação, ou o conhecido por aqui como Rito de York, quem substitui o Venerável Mestre na sua eventual ausência é o Past Master Imediato (titulo recorrente na Maçonaria inglesa), ou seja, o mais recente ex-Venerável da Loja. Em havendo a ausência dos dois, assume outro Past Master, desde que ele seja da Loja.
Na Moderna Maçonaria Inglesa não é o Primeiro Vigilante o substituto imediato do Venerável, já que costumeiramente o Vigilante não tem no Craft obrigação de saber de cor à dialética do Venerável, pois ele ainda está sendo preparado para esse ofício como futuro eleito na linha sucessória da Loja. Ademais cada Vigilante também tem obrigações a cumprir relativas ao seu cargo. Em síntese, no costume inglês, para se dirigir uma Loja, mesmo que em substituição é preciso ser um Mestre Instalado, daí esse título ser autêntico no Craft da Inglaterra.
Obviamente que isso só pode ser levado em consideração quando se tratar da vertente inglesa de Maçonaria e não como se faz no Brasil onde muitos generalizam essa prática indiscriminadamente sem levar em consideração a vertente cultural do Rito.
Não existe, sobretudo na Maçonaria inglesa, a péssima geometria de se improvisar como é constantemente vista na Maçonaria latina. O Irmão empossado em um cargo não o assume apenas pelo “faz de conta”, mas acima de tudo o faz com responsabilidade para manter equilibradas as ações no “canteiro”.
Algumas outras ponderações. A tradição de o Primeiro Vigilante ser o substituto imediato do Venerável é costume herdado do período operativo e do de transição da Maçonaria de ofício para a especulativa. Mais tarde, com o advento da Moderna Maçonaria a partir de 1717 com a aparição da figura do Grão-Mestre, outras “normas gerais” acabariam ganhando corpo, dentre as quais, a da substituição do Venerável pelo Past-Master Imediato, fato esse que se firmaria na vertente anglo-saxônica, a despeito de que na outra vertente, em muitos casos, ainda continua sendo substituto o Primeiro Vigilante. Na França, por exemplo, não existe a figura do Mestre Instalado, porém a do ex-Venerável já que na vertente francesa de Maçonaria, Instalação significa simplesmente “posse”. Assim, a figura do Mestre Instalado só é genuína quando mencionada nos trabalhos maçônicos oriundos da vertente inglesa, ou pelo menos, deveria ser.
Concluindo, menciono que as minhas ponderações são baseadas nos nossos usos e costumes, observando, porém, que os regulamentos das Obediências em vigência devem ser rigorosamente observados, mesmo que eles contradigam as tradições.

E.T. – contei com auxílio luxuoso do Irmão Joselito Romualdo Hencotte.


T.F.A.

PEDRO JUK

MAIO/2017


domingo, 7 de maio de 2017

SIGNIFICADO DA VIAGEM NA EXALTAÇÃO - REAA

Em 22/03/2017 o Respeitável Irmão Clemente Escobar, Loja Gonçalves Ledo, 3.079, REAA, GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, através formula a seguinte questão através do meu blog – http://pedro-juk.blogspot.com.br

VIAGEM NA EXALTAÇÃO


Gostaria de saber o que representa a viagem do Mestre na Exaltação.

CONSIDERAÇÕES:

Essa única viagem significa simbolicamente o último ano de aprimoramento do Companheiro que aspira ingressar na C\ do M\. Em síntese, o aspirante necessita antes se desvencilhar, no trajeto pelos quadrantes do Templo, de qualquer nódoa profana que ainda possa porventura lhe ferir a consciência antes de obter autorização para ingressar definitivamente no Oriente – a moradia do Mestre.
A passagem por essa porta simbólica é o caminho estreito (porta solsticial) por onde ele passará em direção ao lugar do juramento, antes que ele seja o protagonista principal na representação da Lenda Hirâmica.
A despeito de que o ritual seja bastante omisso em termos de orientação nessa passagem (como na maioria das outras também), alguns pormenores precisam ser observados na intenção de se compreender melhor a liturgia, em especial a inerente a esse trecho teatral iniciático.
Assim, durante essa viagem simbólica, o aspirante, ao peregrinar pelas CCol\ até chegar ao Oriente, deve demonstrar primeiro confiança no seu guia, que é o detentor da Pal\ de Pas\, cuja qual será a senha necessária para se ingressar na C\ do M\ (vide procedimento de pedido de passagem entre o aspirante, seu guia e o Resp\ Mestre).
Outro aspecto relativo à viagem é que o aspirante mantém a amarra (corda em torno da cintura) que representa ainda o elo com o mundo profano – as três voltas na corda simbolizam o orgulho, a inveja e a ambição (os três maus CComp\). O que reforça essa tese litúrgica é que o aspirante, mesmo sendo conduzido pela mão amiga do seu guia, o Ter\ ainda o mantém seguro pela corda e vigiado agora de perto por dois acompanhantes armados. É só no final do trajeto, antes de pedir passagem, que o Ter\ e os acompanhantes armados deixam o aspirante que permanece apenas com seu condutor (M\ CCer\).
Dada a autorização da passagem obtida pela demonstração de confiança na Pal\ de Pas\, o aspirante é então devidamente conduzido para prestar a sua obrigação. Note que antes do aspirante à Exaltação se posicionar na forma de costume diante do A\ dos JJ\ o seu guia (M\ CCer\) lhe retira a corda que o envolvia pela cintura (o ritual é falho pois não explica esse procedimento, todavia eu o descrevi no Manual de Procedimentos do GOB-PR).
Dados esses breves comentários, eis o significado da última viagem: Como o último ano de aprendizado do Companheiro, esse trajeto menciona que ele se despiu de qualquer nódoa profana que porventura ele ainda pudesse trazer consigo antes de ingressar definitivamente na morada da Luz. A propósito, essa alegoria já se houvera apresentado durante a terceira viagem por ocasião da cerimônia de Iniciação e a purificação por um dos elementos. Não foi em vão que aquela terceira viagem se deu silenciosamente representando a maturidade da vida e, na Exaltação, ela é novamente revivida teatralmente como a última etapa da vida terrena - eis que agora diante da terceira porta vos é dito: “procurai e encontrareis”, pois procurando acharás a Palavra perdida.
Por fim, como lição moral, a viagem e a confiança no guia são: “Como um forjador de metais, isto é, como um verdadeiro Tub\, estou disposto a prosseguir no meu ofício de adornar e embelezar a Obra, pois mesmo que eu tenha perdido o Mestre em tão horroroso assassinato, confiante no meu guia, eu segui em frente; estive no túmulo; venci a morte e revivi para a Luz! A A\ M\ É C\”.


T.F.A.

PEDRO JUK


MAIO/2017

sexta-feira, 5 de maio de 2017

FALANDO ENTRE COLUNAS

Em 22/03/2017 um Respeitável Irmão que pede para não ser identificado e sem mencionar o nome da Loja e do Oriente, REAA, GOB-SC, Estado de Santa Catarina solicita o seguinte esclarecimento:


FALAR ENTRE COLUNAS

Quando um Irmão se coloca entre colunas (à Ordem) para apresentação de uma prancha, por exemplo, onde o mesmo porta material para tal explicação. Este Irmão pode desfazer o Sinal por livre espontaneidade? Deve solicitar ao Venerável Mestre para desfazer o Sinal? Ou, unicamente por vontade do Venerável Mestre pode desfazer?

CONSIDERAÇÕES.

Em princípio devo comentar que não existe obrigatoriedade para que um Irmão necessariamente precise estar entre Colunas para apresentar, por exemplo, uma Peça de Arquitetura. A praticidade e a objetividade sugere que cada um pode falar do seu próprio lugar.
No caso da questão propriamente dita – se o caso for o de se falar entre Colunas, o protagonista conduzido pelo Mestre de Cerimônias, para lá se desloca transportando o material escrito na mão esquerda para facilitar a composição do Sinal que é feito sempre com a mão direita.
Comentários à parte, isso também se dá em Loja no Grau de Companheiro, já que nesse Grau se ocupam as duas mãos para a composição do Sinal. Num caso desses o protagonista também deve segurar o material escrito com a mão esquerda (que fica abaixada) e faz o Sinal apenas com a mão direita – numa escala de valores, o Sinal de Companheiro é o Cord\, portanto inevitável é o uso da mão destra que é a prioritária.
Prosseguindo: em qualquer situação, ao se posicionar entre Colunas o Obreiro se posiciona à Ordem e aguarda a dispensa do Sinal, se for o caso, pelo Venerável Mestre que, obviamente estará atento para a situação.
Dispensado do Sinal, o protagonista segura o texto escrito com as duas mãos e cumpre a sua missão. Preferencialmente, o Mestre de Cerimônias que conduziu o Irmão, permanece (com o bastão) ao seu lado posicionado pelo lado Norte, podendo ele, inclusive, ajudar nos procedimentos. Concluída a apresentação, o Obreiro volta à Ordem e aguarda o comando do Venerável para que o Mestre de Cerimônias o conduza novamente para o seu lugar em Loja.
O bom senso nos ensina que essas providências devem ser examinadas previamente para que as suas práticas de ofício saiam de acordo com a ritualística.
Volto a ratificar, tudo isso seria desnecessário se o Obreiro falasse do seu próprio lugar, pois nesse caso ele poderia usufruir do seu próprio assento como apoio para deixar os textos, só segurando-os quando necessário, ou mesmo até podendo ser auxiliado por algum Irmão que estivesse sentado ao seu lado alcançando-lhe os referidos.
Entretanto, em qualquer situação, primeiro aguarda-se a autorização do Venerável Mestre para que se possa desfazer o Sinal. É de péssima geometria um obreiro ficar pedindo para ser dispensado dessa obrigação.
Se porventura a situação merecer o uso de outros materiais de apoio, além daqueles que envolvam um simples texto para leitura, com obviedade outras providências merecem ser previstas com antecedência.

T.F.A.

PEDRO JUK


MAIO/2017

CAMINHADA DO SEGUNDO DIÁCONO

Em 22/03/2017 o Respeitável Irmão Roberto Souza Gonzalez, Loja Caridade, 712, GLESP, REAA, Oriente de São Paulo, Capital, apresenta a seguinte questão.

CAMINHADA DO 2º DIÁCONO


Quando o 2º Diácono recebe a palavra do Primeiro Vigilante e vai leva-la ao Segundo Vigilante tem algo que proíba ele de andar em linha reta?

CONSIDERAÇÕES:

Considerando-se que no Rito Escocês Antigo e Aceito durante os trabalhos da Loja para se atravessar de uma para outra Coluna (do Norte e do Sul) existe regra, no caso da Sereníssima Grande Loja do Estado de São Paulo que coloca o Altar dos Juramentos no centro do Ocidente, em sendo o Segundo Diácono o personagem a se deslocar, ele assim o faz indo do seu lugar diretamente até o Primeiro Vigilante, dele recebe a Palavra e se dirige até o Segundo Vigilante cruzando o equador do Templo pelo espaço entre o Altar dos Juramentos e o limite com o Oriente; ingressa no Sul e dali vai diretamente até o Segundo Vigilante. Cumprida a sua missão, ele dali se desloca diretamente para o seu lugar na Coluna do Norte simplesmente cruzando o equador do Templo pelo espaço existente entre o Altar dos Juramentos e a porta do Templo.
Na verdade isso não é bem uma circulação no sentido de se andar em círculo, porém uma regra de se deslocar em Loja no sentido dos ponteiros do relógio quando se tiver que passar de uma para outra Coluna. No mesmo hemisfério não existe circulação (nela se vai e volta normalmente), daí não existem giros em torno das mesas dos Vigilantes.
A regra geral no Rito em questão não é só para um obreiro especificamente (como é o caso do Segundo Diácono na questão), mas para qualquer um que ao se deslocar em Loja pelo Ocidente precise ultrapassar o eixo longitudinal do Templo (equador).
Concluindo, ratifico que para passar do Norte para o Sul anda-se normalmente e cruza-se a linha imaginária pelo espaço que fica entre o Altar dos Juramentos e a divisa com o Oriente. Já do Sul para o Norte, do mesmo modo efetua-se a passagem pelo espaço existente entre a porta de entrada do Templo e o Altar dos Juramentos. No Oriente da Loja não existe circulação, apenas segue-se a norma de que para nele se ingressar, se faz sempre a partir da Coluna do Norte e para dele se retirar se faz consecutivamente em direção da Coluna do Sul.


T.F.A.

PEDRO JUK


MAIO/2017

POSIÇÃO À ORDEM

Em 21/03/2017 o Respeitável Irmão Roberto Sousa Gonzalez, Loja Caridade, 712, GLESP, REAA, Oriente de São Paulo, Estado de São Paulo, solicita esclarecimento para o que segue:

POSIÇÃO COM O SINAL DE ORDEM.


Quando ficamos à Ordem, ficamos com a postura na direção do delta em cima do trono do Venerável Mestre? Ou ficamos na direção do Livro da Lei? (no caso da GLESP o Livro da Lei fica no Ocidente). Ao fazermos o juramento este é em direção ao Livro da Lei?

CONSIDERAÇÕES:

Não existe nenhuma regra para isso. Geralmente o protagonista à Ordem fica em pé, levantando-se normalmente tendo às costas o assento. Não há necessidade alguma de se voltar (ficar de frente para) o Oriente ou para o Livro da Lei, etc. Obviamente que o obreiro ao se manifestar geralmente dirige o seu olhar para quem ou com quem ele está falando, todavia sem a necessidade de mover o corpo inteiramente para essa ou aquela direção.
Quanto ao juramento, eu não entendi bem a questão, já que este é feito apenas uma vez na ocasião da Iniciação, da Elevação e da Exaltação. A regra é a de quem presta uma obrigação se compromete a cumpri-la para todo o sempre, daí não existe a necessidade de se ficar repetido juramento. Aliás, esse é um erro crasso que muitos rituais cometem na nossa Maçonaria, sobretudo aqueles que apregoam no REAA a ratificação de juramento no final da sessão. Não sei se é esse o caso mencionado na sua questão, ou é alguma coisa copiada do Craft inglês nos Trabalhos de Emulação que tem por hábito prestar manifestação de fidelidade no término da sessão. Isso não é juramento e nem é prática do simbolismo do Rito Escocês.
Concluindo, minha intenção aqui não é a de incentivar desrespeito a qualquer ritual em vigência, porém expor aquilo que tradicionalmente é prática correta.


T.F.A.

PEDRO JUK


MAIO/2017

INICIAIS M B NO AVENTAL

Em 21.03.2017 o Respeitável Irmão Lauro Gorell Filho, Loja Filhos do Pelicano, 3.866, REAA, GOB-PR, Oriente de Cianorte, Estado do Paraná, formula a seguinte pergunta através do meu blog http://pedro-juk.blogspot.com.br

M\ BNO AVENTAL.


Gostaria de saber o significado das letras M\ e B\, no avental do Mestre Maçom.

CONSIDERAÇÕES.

As iniciais tem relação direta com a Palavra Sagrada do Mestre Maçom. Essas duas letras possuem significados de acordo com a vertente do rito maçônico, assim com a sua exegese é tratada por alguns autores confiáveis e compromissada com a autenticidade maçônica.
Basicamente essa sigla possui íntima relação com os C\ PP\ PP\ do Mestre, ou da Maçonaria, esses amparados pela Lenda de Hiran, ou mesmo pela Lenda sobre Noé e seus filhos Sem, Can e Jafé.
Em síntese as iniciais M\ e B\ podem ser representativas de aspectos relativos à Lenda agrupados numa frase, ou mesmo diretamente como inicial da Palavra Sagrada adotada por um rito maçônico. Obviamente que esse espaço não é adequado para entrar do assunto em detalhes por evidentes razões.
De modo superficial pode-se explicar que a Lenda de Noé e os seus três filhos (Noaquita) envolvem aspectos que podem ser encontrados, por exemplo, no Manuscrito Graham de 1723, o qual menciona, dentre outras passagens lendárias, a expressão “Marrow in Bone” (os grifos nas iniciais são meus), cujo seu significado relativo à alegoria lendária se constitui na frase “ainda há tutano no osso”, a despeito de que esse teatro simbólico envolve a mítica morte de Noé e a tentativa dos seus três filhos em ressuscitá-lo – essa lenda é muito similar à de Hiran e defendida por muitos autores como a que deu origem à Lenda do Terceiro Grau.
Nesse sentido, alguns autores defendem que a frase “Marrow in Bone”, acolhidas as iniciais “M e B”, se traduzem na expressão gálica “Mak Benak”, pois no diálogo teatral da Lenda, tal qual na de Hiran, é mencionado o corpo achado em estado de putrefação, cujo personagem é revivido pelos CC\ PP\. A expressão inglesa se refere a “bone marrow” – medula óssea.
A expressão Mak Benak, como mencionado e que, segundo alguns pesquisadores, é originária de um dialeto gálico, sofreria mais tarde a corruptela de grafia escocesa por “Mac Benac”, cuja palavra inicial “Mac”, conforme pesquisadores da Quatuor Coronati Lodge citados por Francisco de Assis Carvalho in O Mestre Maçom - Cadernos de Estudos Maçônicos significa “filho”. Já outra corrente de pesquisadores, também citada pelo mesmo autor, define o termo gálico “Mak Benac” como “podridão”, ou “está podre”.
A despeito desses pontos de vista, o fato é que ainda existem muitas divergências nesse sentido. É o caso, por exemplo, da expressão “Mac Benac” que também é tida em alguns ritos com o significado de “viver no filho” – nesse caso o filho do justo que está morto.
Historicamente foi o Irmão A. C. F. Jackson da Quatuor Coronati Lodge quem estudou profundamente esse tema, o que se recomenda conhecer essas ponderações para melhor entendimento dessa matéria. Jackson menciona inclusive, que a palavra Mac Benac viria aparecer pela primeira vez na Maçonaria inglesa no livro Ahiman Rezon de 1756 de autoria de Lawrence Dermott que pertencia a Grande Loja dos Antigos no Yorkshire. Segundo Jackson é de autoria de Dermott a palavra “Mac Benac” (in O Mestre Maçom – Francisco de Assis Carvalho).
Outro aspecto que merece consideração nesse pormenor, é que a Grande Loja dos Modernos, a outra protagonista das escaramuças entre os Antigos e os Modernos ingleses, adotaria por algum tempo para os Mestres dessa Grande Loja a expressão “Moab\” em lugar de Mac Benac, muito provavelmente na intenção de alterar costumes com a finalidade de combater as revelações de Prichard em 1730 (Masonry Dissected). Pela importância desse fato, aconselha-se também o estudo da história dos Antigos e dos Modernos na Inglaterra até o Ato de União ocorrido em 1813.
A despeito desses acontecimentos na Inglaterra da época, a vertente francesa de Maçonaria não deixaria de sofrer essas mesmas influências. Capítulo à parte há que se notar que o Rito Moderno ou Francês adotaria a Palavra M\ B\ enquanto que o Rito Escocês Antigo e Aceito, também filho espiritual da França, adotaria a palavra Moab\ para os seus Mestres.
Ainda no que tange a expressão composta pelas iniciais M\ B\, para alguns outros autores, ela está associada ao termo “Filho da Viúva”, entretanto isso nos parece especulação, pois não possui fundamento confiável, cujas justificativas não merecem aqui serem comentadas por se referirem à rainha viúva do rei decapitado (vide os Stuars e a revolução puritana de Cromwell em 1649 na Inglaterra).
Na realidade, o “filho morto”, é o “filho do justo” e essa relação faz sentido quando ligada à putrefação e à morte (da Natureza), daí existir um consenso a respeito quando tratado sob o ponto de vista alegórico, já que a Natureza é assassinada pelos três meses de inverno, o que em primeira análise deixa a mãe Terra viúva do Sol uma vez por ano. Em síntese, os personagens assassinados nas Lendas, tanto na Noaquita como na Hirâmica, personificam o Sol.
Há ainda em relação às iniciais M\ B\ inúmeras influências e estudos que merecem ser pesquisados e até levados em consideração, todavia pela controvérsia do tema e o sigilo maçônico que o cerca por se tratar da Palavra do Mestre ele merece prudência e comentários cobertos (vide a influência hebraica na Maçonaria e particularmente do REAA\).
Assim, objetivamente respondendo à questão, como dito as iniciais fazem referência à Palavra Sagrada de acordo com os ritos maçônicos, a despeito de que as suas interpretações estão intimamente ligadas aos diversos arcabouços doutrinários a eles pertinentes. É bem verdade, entretanto, que os seus diversos significados não podem ser tratados pura e simplesmente como uma mera tradução, mas sim com o que a sua mensagem pode representar (pragmatismo simbólico). Uma tradução pura e simples, a exemplo da expressão Moab\ como A C\ S\ DD\ DD\ OO\ é mera fantasia, já que Moab\ tem origem bíblica in os “moabitas” – povo nômade que se estabeleceu a leste do Mar Morto por volta do século XIII a. C., na região que seria mais tarde conhecida como Moabe. Assim, a expressão dela derivada usada no REAA\ só faz sentido se tomada como um título enigmático do que a filosofia da Palavra Sagrada pode manifestar – é o símbolo falando através dos seus códigos.

T.F.A.

PEDRO JUK



MAIO/2017