segunda-feira, 6 de novembro de 2017

QUESTÕES SOBRE O USO DE MEDALHAS MAÇÔNICAS

Em 16/08/2017 o Respeitável Irmão Leutério Luiz de Lara, Loja Palmeira da Paz, sem mencionar o nome do Rito, GOB-SC, Oriente de Blumenau, Estado de Santa Cataria, apresenta as questões seguintes:

MEDALHAS MAÇÔNICAS


Recebi a incumbência de pesquisar qual é o uso correto das diversas medalhas, ou seja, quais devem ser usadas e em que parte do traje maçônico devem ser colocadas, respeitada a ordem de precedência, etc.
Nada encontrei a respeito, salientando que a Lei nº 088, de 21/09/2006, que alterou o regime de recompensas, não faz qualquer menção a tais pontos.
Preciso de respostas para os seguintes questionamentos:
1. É possível usar todas as medalhas ao mesmo tempo, como a de "Benemérito da Ordem", "Grande Benemérito da Ordem", "Estrela de Distinção Maçônica" e a medalha distintiva de "Instalação de Venerável"?
2. Qual a ordem de colocação das medalhas no peito? 
3. No lado direito ou esquerdo do peito?
4. É possível usar tais medalhas ou algumas delas no avental?
5. Em que datas/sessões posso ou devo usar tais medalhas?
Por ventura, o Irmão conhece algum documento oficial expedido pelo GOB regulando o uso correto das medalhas?
Há um manual orientativo?

CONSIDERAÇÕES.

Embora legal, eu penso ser constrangedor que numa escola de virtudes, como a Maçonaria, onde cultivamos a humildade, se tratar de assuntos desse quilate.
Mas como os homens são perfectíveis, vejamos no que eu posso lhe ajudar.
  1. Se é possível ou não, acho que isso fica ao critério do detentor dessas distinções. Sob a minha óptica eu entendo que bastaria o usuário trazer consigo apenas aquela de mais alta distinção.
  2. Como eu entendo que se deveria usar apenas a de mais alta distinção, penso que essa pergunta fica prejudicada.
  3. Pelo que eu tenho visto, é comum o seu uso na lapela esquerda do bolso do paletó, embora existam aquelas que ficam apensas em uma fita tipo colar que envolve o pescoço.
  4. O avental maçônico é indiscutivelmente um dos maiores símbolos maçônicos. Sem ele o maçom não ingressa nos trabalhos de uma Loja. Avental não foi feito para nele se pendurar medalhas.
  5. Geralmente os detentores dessas distinções usam-nas nas Sessões Magnas. Mas, via de regra, isso não é obrigatório.
Por eu não me preocupar e nem ser simpático a essas práticas, consequentemente eu desconheço se existe algum diploma legal ou um manual que trate desses pormenores, até porque eu uso na Loja apenas as minhas insígnias maçônicas – avental, colar e a respectiva joia.
Respeitando as opiniões e gostos alheios, são esses os meus econômicos comentários.
E.T. – Nada contra as condecorações e distinções maçônicas e nem contra aqueles que as recebem. Receber um reconhecimento é gratificante. Porém, o que o maçom não precisa é tocar trombetas pelos seus feitos e merecimentos.

T.F.A.

PEDRO JUK


NOV/2017.


domingo, 5 de novembro de 2017

CÂMARA DO MEIO - LUGAR OU A LOJA?

Em 15/08/2017 o Respeitável Irmão Airton Fortes Borowski, Loja Antonio Xavier, REAA, GORGS (COMAB), Oriente de Passo Fundo, Estado do Rio Grande do Sul, solicita esclarecimentos para o seguinte:

CÂMARA DO MEIO


A grande duvida que eu tenho é se os Irmãos Aprendizes e Companheiros podem circular pelo centro da Loja (Câmara do Meio) quando em sessão de Aprendiz ou se Câmara do Meio só é quando a sessão é de Grau 3.
Gostaria de sua opinião quanto à circulação dos Aprendizes e Companheiros quando chegam após o inicio da sessão, e tem que ir até o Ir. Chanceler para assinar o livro de presença. Passam pelo centro da loja?


CONSIDERAÇÕES.

Infelizmente ainda alguns insistem nesses conceitos anacrônicos. 
O termo Câmara do Meio em Maçonaria designa a Loja do Mestre, ou a Loja onde trabalham apenas aqueles que alcançaram a plenitude maçônica e não o centro, ou o meio do Templo.
Diga-se de passagem: “não existe Câmara do Meio em Loja de Aprendiz e nem de Companheiro”.
Por questão iniciática, também é óbvio que em Loja do Terceiro Grau não ingressam Aprendizes e nem Companheiros.
Do mesmo modo, também não ingressam Aprendizes em Loja de Companheiro.
Quanto à circulação de Aprendizes e Companheiros na hipótese de terem chegado após o início da sessão, sendo possível os seus ingressos, eles transitam normalmente pelo centro da Loja até a mesa do Chanceler para assinar o livro de presenças, por exemplo, pois o centro do recinto, como já foi explicado, nada tem a ver com a Câmara do Meio do Mestre, cuja qual é toda a Loja do Terceiro Grau e não apenas uma parte específica da sala da Loja.
Essa bobagem de Câmara do Meio ser o centro da Loja é um desses absurdos que foram deixados por autores retrógrados e que infelizmente, vez por outra, ainda aparecem para atormentar a razão das coisas.
Concluindo, não embarque nessa ideia meu Irmão.


T.F.A.

PEDRO JUK


NOV/2017

sábado, 4 de novembro de 2017

OFÍCIO DO CHANCELER

Em 12/08/2017 o Respeitável Irmão Cláudio Rodrigues do Oriente de Belo Horizonte me envia uma questão formulada pelo Respeitável Irmão Maurício José Razzaboni, Loja Rui Barbosa, nº 10, REAA, Grande Oriente do Paraná (COMAB), Oriente de Sertanópolis, Estado do Paraná.

OFÍCIO DO CHANCELER:


Estou elaborando um trabalho sobre a importância do Chanceler e li seu trabalho pu
blicado no JB News – informativo n. 1590 e gostaria primeiro de parabeniza-lo pelo excelente trabalho.
Estou elaborando um trabalho para ser apresentado em minha loja e gostaria se possível, da ajuda do Irmão, pois tenho um número reduzido de obras maçônicas.
Pois bem.
No REAA de qualquer Potência, é preciso, para a loja ser justa e perfeita: “que três a governem, cinco a componham e sete a completem”.
No vosso trabalho, o irmão citou o Chanceler, para compor os sete mestres.
DÚVIDAS:
1. Quem verifica se a Loja está completa? Seria o Chanceler no momento da coleta das assinaturas dos presentes?
2. Em caso positivo, não seria conveniente adicionar uma pequena fala ao Chancelar, ainda na sala de passos perdidos, avisando o Venerável mestre que a Loja contém o número suficiente/legal para ser aberta? (É esse o ponto de pesquisa do meu trabalho).
Veja o Mestre de Cerimonias, comunica ao Venerável Mestre que os Irmãos estão revestidos de suas insígnias, pois este os revestiu, anteriormente.
E o trabalho do chanceler é verificar as faltas, presenças e assinaturas dentro outros.
A meu ver seria também o responsável para comunicar o Venerável do número de Irmãos presentes.
Compulsando outros rituais de outras Potências, bem como a obra do irmão José Castellani, no tocante ao REAA, o aludido Irmão faz referência a este procedimento, asseverando que o Irmão chanceler comunica o Venerável do número de presentes (para abrir a sessão) dentro do templo, antes da ritualística com os Vigilantes.
Porém, acredito ser pertinente tal comunicação, na Sala de Passos Perdidos, antes de adentrar no tempo, como acima mencionei.
Neste sentido estou elaborando um trabalho e gostaria que o Irmão, se possível, respondesse minhas indagações.

CONSIDERAÇÕES.

Bem, devo comentar que não citei o Irmão Chanceler na resposta mencionada no JB News 1590. Naquele questionário, a questão nº 5 se referia ao número mínimo de Mestres para a abertura da Loja, pelo que eu citei como resposta que no REAA\ seriam as três Luzes da Loja, o Orador, o Secretário e, somados a esses cinco, ainda o Cobridor Interno e ao próprio Mestre de Cerimônias – obviamente essa seria uma condição precária.
Sem dúvida que dentre as obrigações do Chanceler, uma delas é a de registrar no livro próprio da Loja a presença dos Irmãos do quadro, dos visitantes e deles colher suas assinaturas.
Num caso de estarem presentes apenas sete Mestres para os trabalhos, então o Mestre de Cerimônias é quem geralmente assume a eventual lacuna deixada pela falta do titular da chancelaria exercendo também o seu ofício.
Também não se discute aqui as obrigações dos titulares dos cargos na Loja, já que se eles existem é porque os trabalhos litúrgicos deles dependem.
Assim, é devido a isso que o Chanceler responde ritualisticamente, conforme especifica ritual, a indagação do Venerável Mestre quando ele pergunta se existe número regular de Irmãos para a abertura dos trabalhos. É sabido que o número mínimo regular é de sete Mestres.
Evidentemente que a dialética de abertura da Loja envolve aspectos simbólicos e, dentre os quais, o do ofício do Chanceler que é quem guarda do Livro de Presenças da Loja. Entretanto, isso é meramente simbólico, pois se porventura não existisse na oportunidade a presença mínima de Irmãos exigida por lei, a Loja nem mesmo estaria em processo de abertura.
Agora ainda querer atribuir ao Chanceler à missão de comunicar ao Venerável no ambiente que antecede os trabalhos da inexistência desse número regular me parece ser um excesso de preciosismo, pois esse baixo índice de presença seria obviamente notado por aqueles que transitam no recinto. Em síntese, não há o porquê de comunicar o óbvio.
Concluindo, não obstante a sua boa vontade e preocupação com as práticas da liturgia maçônica, eu penso que não seria pertinente o Chanceler comunicar o que está escancaradamente visível.


T.F.A.

PEDRO JUK



NOV/2017

SAUDAÇÃO NO USO DA PALAVRA - REAA

Em 11/08/2017 o Respeitável Irmão Cesar Salim, Loja União, Pátria e Caridade, 1.258, REAA, GOB-RJ, Oriente de Itaocara, Estado do Rio de Janeiro, solicita o seguinte esclarecimento:

SAUDAÇÃO NO USO DA PALAVRA


Poderoso Irmão sabedor que sou de suas explicações sobre o assunto, mesmo assim eu gostaria de expor em tempo de estudos sobre a saudação em Loja, ao solicitar a palavra, quem saudamos primeiro? Temos um ex Venerável que não concorda com a saudação as luzes em primeiro lugar e sim temos de saudar em sua opinião todos no Oriente e depois os Vigilantes. Certo de sua resposta para possamos apresentar em Loja agradecemos e enviamos nosso TFA.

CONSIDERAÇÕES:

A questão é que isso não é saudação, mas uma maneira protocolar de se dirigir em Loja ao se usar a palavra no REAA\. Além do que, quem usa a palavra estando em pé obedece à outra norma do Rito, ou seja: em Loja aberta quem se posicionar em pé, fica à Ordem e, antes de retomar assento desfaz o Sinal pela pena simbólica – isso não é saudação, mas uma conduta ritualística.
Assim, o usuário da palavra antes de discorrer sobre um assunto, autorizado, costumeiramente ele menciona por primeiro as Luzes da Loja, em seguida as autoridades presentes (sem a necessidade de mencioná-las uma a uma) e por fim, genericamente, todos os demais pronunciando: meus irmãos.
É de péssima geometria o costume de se ficar enumerando e mencionando cada autoridade presente, Mestres Maçons Instalados, etc.
Se o usuário da palavra ainda assim quiser fazer deferência às autoridades, então se sugere que ele, de modo sucinto, apenas mencione a mais alta autoridade presente - o Grão-Mestre, por exemplo - em nome de quem se saúdam todas as demais.
A objetividade é uma das virtudes aplicadas na Maçonaria e, ao mesmo tempo, evitam-se massagens em “certos egos” que adoram essa benevolência.
A propósito, no GOB\, saudações (pelo Sinal) em Loja somente se dão ao Venerável Mestre quando do ingresso e saída do Oriente ou as Luzes da Loja quando do ingresso formal pela Marcha do Grau – vide Ritual de Aprendiz do REAA em vigência.
Concluindo, compreenda-se que a saudação pelo sinal é o ato de se saudar alguém pelo Sinal de Ordem, desfazendo-o imediatamente em seguida pelo Sinal Penal. Já estar à Ordem e se dirigindo a alguém, a exemplo de como se faz quando do uso a Palavra, não é atitude de saudação.

E.T. – nossos rituais ainda mencionam a rançosa e redundante frase: “de pé e à Ordem”. Ora, pergunta-se: alguém ficaria à Ordem sentado?


T.F.A.

PEDRO JUK

NOV/2017


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

CONDUTAS RITUALÍSTICAS NO REAA

Em 11/08/2017 o Respeitável Irmão Ivan Luiz Emerim, Loja Maçônica de Pesquisas Gênesis, REAA, GORGS (COMAB), Oriente de Caxias do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, solicita esclarecimentos para o que segue:

CONDUTAS RITUALÍSTICAS REAA.'.


Volto novamente a lhe solicitar alguns esclarecimentos ritualísticos, abusando de sua disposição e profundo conhecimento das causas maçônicas. Ocorre o seguinte:
Em recente revisão dos nossos Manuais de Procedimentos Ritualísticos (Gorgs 2017) ficamos com algumas dúvidas a respeito do que ali constou. Gostaria que o Irmão esclarecesse para nos instruir na verdadeira prática dos Rituais. Falo do Manual de Aprendiz do REAA:
1) Onde fica o lugar do Porta-Espada, no Oriente? Este Oficial obrigatoriamente deve ser Mestre Instalado?
2) Qual o lugar do Deputado da Loja no Oriente? Ele é considerado uma Autoridade Maçônica?
3) Qual é o local correto da mesa do 2º Vigilante no Ocidente?
4) Referente à Saudação:
- No Ocidente, ao ultrapassar a linha imaginária do equador pela primeira vez, arma-se e desfaz-se rapidamente o Sinal do Grau para quem? (Venerável Mestre, Delta Luminoso, ou ...). Este Sinal é apenas uma formalidade decorrente e exigida pelo Rito ou é uma Saudação? Entendo que Saudação é o ato de se saudar, cumprimentar, felicitar alguém (pessoas). Em Maçonaria se faz pela armação e desfazimento rápido do Sinal do Grau. Em não sendo uma Saudação existe outro designativo para definir este simples ato protocolar/ritualístico?
- Nestes casos é correto dizer que se faz a Saudação ao Delta Luminoso? O Delta não representa a onipresença do GADU? Nosso Deus. Se para as pessoas se faz Saudações, para Deus se faz Reverências que é o respeito às coisas sagradas.
- No Oriente ao subir os degraus pelo Nordeste e descer pelo Sudeste Saúda-se o Venerável Mestre ou o Delta Luminoso?
- Neste caso também só se faz na primeira vez durante o Giro dos Oficiais (Mestre de Cerimônias e Hospitaleiro)?
Agradeço a atenção que certamente o Irmão dará a estes questionamentos. Aproveito para lhe enviar um fraternal abraço.

COMENTÁRIOS

Bem Irmão, eu não sei exatamente o que está descrito no Manual de Procedimentos Ritualístico mencionado porque não o possuo. Nesse sentido meus comentos se darão, dentro do possível, naquilo que é praticado genuinamente no REAA.
  1. Porta-Espada. Esse oficial que tem por oficio conduzir a Espada Flamejante em algumas passagens ritualísticas toma assento no sudeste do Oriente (ombro esquerdo do Venerável e abaixo do sólio) próximo à mesa do Secretário, mas em lugar que não atrapalhe os eventuais deslocamentos pelo espaço. O Irmão Porta-Espada, sentado fica voltado para o Ocidente.
Na realidade ele fica abaixo do sólio próximo ao lado esquerdo do Altar que é ocupado pelo Venerável Mestre, já que a Espada Flamejante tradicionalmente é colocada sobre esse Altar pelo seu lado esquerdo e mais à frente.
Quanto à condição de ser um Mestre Maçom Instalado para ocupar esse cargo, não há essa necessidade. Ele apenas precisa ser um Mestre Maçom. Como existe a regra de que a Espada Flamejante só pode ser tocada por um Mestre Instalado, ela deve ficar então sobre o Altar dentro de um escrínio (estojo) ou em cima de uma almofada para que o seu condutor, não sendo um ex-Venerável, nela não toque ao conduzi-la para ser oferecida ao Venerável Mestre na liturgia da consagração.
  1. Deputado. Se o Regulamento da Obediência considerar o Deputado como autoridade – comumente todas as Obediências assim o consideram – ele geralmente ocupa lugar no Oriente, abaixo do sólio no lugar destinado às autoridades maçônicas que fica à direita (ombro direito) do Venerável Mestre – no mesmo lado em que toma assento o Primeiro Diácono.
  2. Lugar do Segundo Vigilante. Nos primeiros rituais do Rito na França a partir de 1804, o Segundo Vigilante ficava no extremo do Ocidente no lado Sul e de frente para o Oriente (posição análoga ao Primeiro Vigilante). Ocorre, entretanto, que pelas influências anglo-saxônicas trazidas para o Rito oriundas das Lojas Azuis Norte-americanas, e pela adoção de dialética ritualística compatível, não demoraria em que a mesa do Segundo Vigilante fosse posicionada no meridiano do Meio-Dia na Coluna do Sul e de frente para o eixo do Templo. Essa posição se consolidou no simbolismo do Rito com base no diálogo ritualístico que existe entre o Venerável Mestre e os Vigilantes para a abertura e o encerramento dos trabalhos.
Note que esse diálogo só faz sentido se o Segundo Vigilante realmente estiver posicionado na porção mediana da Coluna do Sul, lugar de onde ele verdadeiramente pode verificar a passagem do Sol pelo meridiano do Meio-Dia, o que não aconteceria se ele porventura estivesse posicionado no extremo do Ocidente que é o lugar onde ocorre o ocaso do Sol e não a passagem pelo meridiano.
Digamos que se hoje houvesse simetria lateral entre o lugar os Vigilantes (ambos, lado a lado no extremo ocidental), todo o diálogo de abertura e encerramento ritualístico da Loja teria também que ser alterado. É por esse motivo que o Segundo Vigilante, sob essa conjuntura litúrgica e doutrinária, permanece no meridiano do Meio-Dia no REAA\.
  1. Saudações. A saudação ao Delta ainda permanece em alguns rituais do Rito quando se trata de circulação e cruzamento da linha do equador imaginário do Templo (eixo longitudinal).
Em se tratando dos rituais que mantém ainda essa prática, estabeleceu-se uma regra para os oficiais que normalmente circulam em Loja, mormente no Ocidente, com a Bolsa de Propostas e Informações, Tronco, ou Escrutínio. Assim, para se evitar o excesso de preciosismo, estipulou-se que durante o primeiro giro no Ocidente em cumprimento ao seu ofício ele faz apenas uma vez a parada rápida e formal, sem inclinação do corpo e sem maneio com a cabeça ao cruzar a linha do equador no lugar mais próximo ao Oriente.
Nesse caso ele não faz Sinal por estar conduzindo um objeto de trabalho (mão, ou mãos ocupadas). Se o fato for o de um obreiro com as mãos desocupadas, então ele, ao cruzar a linha, deve saudar o Delta pelo Sinal.
É bem verdade que muitos rituais já aboliram o costume de saudação no cruzamento do eixo, já que isso só fazia sentido quando não existia demarcação de limite entre Oriente e Ocidente – antes das hoje já extintas Lojas Capitulares.
Naquela época, à moda inglesa (anglo-saxônica), não existia nenhum desnível e nem balaustrada separando o Oriente do Ocidente, o que pode ser verificado em se consultando o primeiro Ritual do REAA\ datado de 1804 na França.
Assim, sem essa demarcação específica do Oriente, quando então se passava diante do Altar ou Pedestal ocupado pelo Venerável Mestre, era costume se saudar o Delta. Lembro também que naquela época não existia Altar dos Juramentos, pois o Livro da Lei originalmente ficava sobre o Altar ocupado pelo Venerável.
Quanto ao ingresso no Oriente, hoje delimitado como o conhecemos, existe uma regra para a entrada e saída desse quadrante na Loja. Assim, quem nele ingressa, o faz pelo seu lado nordeste (vindo obrigatoriamente da Coluna do Norte) e quem dele se retira, o faz pelo seu lado sudeste (vai obrigatoriamente para a Coluna do Sul).
Nesse sentido, ao ingressar no Oriente o protagonista à Ordem saúda o Venerável Mestre pelo Sinal. Caso o circulante esteja com as suas mãos ocupadas, fará apenas uma parada rápida e formal (sem inclinação com o corpo ou maneio com a cabeça). O mesmo se dará como procedimento de retirada, antes dele sair do Oriente.
Em ambos os casos, cruzando o eixo se o ritual previr, ou ingressando e saindo do Oriente, a prática é tratada como saudação maçônica e não como reverência maçônica.
Mesmo em se tratando de respeito ao “Criador”, simbolizado pelo Delta, faz-se a Ele uma “saudação” e não uma “reverência”, pois além de não existir Sinal de Reverência no REAA\, esse termo se ajustaria melhor a uma prática religiosa, o que não é o caso nesse particular, sobretudo em se levando em conta a vertente deísta do Rito Escocês.
Ainda, sobre o sinal e a saudação no REAA\, eles ocorrem também ao final da execução das marchas nos respectivos graus simbólicos quando as Luzes da Loja são saudadas por quem as executa.
Obviamente que todas as saudações maçônicas são feitas pelo Sinal, todavia nem sempre o Sinal significa uma saudação. É o caso das práticas consuetudinárias, protocolares e de telhamento do rito que exigem a postura de se estar à Ordem.
Ainda no que diz respeito às saudações que ocorrem durante os deslocamentos em Loja, muitos rituais hoje em dia instituem apenas saudação ao Venerável Mestre quando se entra e sai do Oriente ou às Luzes da Loja por ocasião do ingresso formal pela Marcha do Grau. Nesses rituais não se faz mais nenhuma saudação ao se cruzar o eixo longitudinal do Templo.
Dando por concluído, é oportuno mencionar que essas considerações foram dirigidas a um Irmão consulente do Grande Oriente do Rio Grande do Sul (COMAB) onde, em alguns pontos, os rituais se diferem dos do Grande Oriente do Brasil e dos das Grandes Lojas Estaduais Brasileiras (CMSB).

T.F.A.

PEDRO JUK


NOV/2017

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

REAA - SAUDAÇÃO AOS VISITANTES - ORADOR OU VENERÁVEL?

Em 10/08/2017 o Respeitável Irmão Orlando Sanchez Junior, Loja Amor e Liberdade 2427, REAA, GOB-PR, Oriente de Ivaiporã, Estado do Paraná, solicita o seguinte esclarecimento:

SAUDAÇÃO AOS VISITANTES


Tenho um questionamento quanto à saudação dos visitantes em Loja. O Orador é o responsável por tais saudações, mas não concordo com isso, porque quando o Venerável Mestre está com a palavra ele vai repetir toda a saudação aos visitantes, o que acho mais coerente, já que como presidente da Sessão, ele faz o papel de anfitrião e acho muito estranho quando o Venerável Mestre não toma esta atitude, mesmo sabendo que estamos entre Irmãos e que todos conhecem a ritualística. Penso que somente o Venerável Mestre deveria fazer está saudação, mas não tenho conhecimento ritualístico que justifique ao Orador tal função.

CONSIDERAÇÕES:

Antes devo lembra-lo que o Venerável Mestre é um dos obreiros que menos manifesta a sua opinião ou se pronuncia em determinadas ocasiões em Loja.
Além do mais, o último obreiro a se pronunciar em nome da Loja antes do encerramento ritualístico é o Orador, salvo se estiver presente o Grão-Mestre, já que nessa situação, ele é o último a falar.
Também, não é o Venerável Mestre o anfitrião, porém é a Loja que ele preside que é quem recebe os visitantes. O Venerável a dirige e para que a sua direção seja bem sucedida, cada Dignidade e cada Oficial deve trabalhar conforme a liturgia do Rito.
Assim, não deve existir nada de “estranho”, pois não é atribuição do Venerável Mestre saudar os Irmãos visitantes, já que essa atribuição é, de acordo com nossos usos e costumes, do Orador, e isso inclusive está descrito no Ritual de Aprendiz em vigência, página 77, no explicativo correspondente quando o Venerável Mestre coloca a palavra no Oriente antes do encerramento ritualístico. Menciona o referido explicativo:
“Reinando silêncio o Ven\ fará os avisos e comentários, deixando a saudação aos VVisit\ para o Ir\ Orad\ (o grifo é meu).
Ainda, na página 77 no último explicativo consta o seguinte:
“O Orad\ fará uma rápida análise dos trabalhos, saúda os VVisit\ (o grifo é meu) dando, então, a sessão como...”.
O que não pode existir é o péssimo costume de alguns Veneráveis Mestres que se antecipam e ficam a exercer um ofício que não é o deles – nesse caso o de saudar os visitantes.
No que diz respeito às origens do cargo da Dignidade do Orador, sugiro que seja consultada bibliografia relativa ao tronco francês de Maçonaria e a evolução dos ritos e rituais no século XIX. Essa pesquisa é vasta, trabalhosa, mas compensadora (nem tudo está pronto e nem condensado em escritos maçônicos).
O Orador, além de ser o Guardião da Lei, era ele quem no passado conferia o produto auferido pela doação dos “metais” que eram destinados às obras de benemerência da Loja e trazidos pelos visitantes. Nessa ocasião ele os agradecia pela ajuda nos trabalhos e pelos “metais” trazidos que reforçavam o “tronco” da Loja. O termo “metais” se referia aos “metais preciosos” e às medalhas cunhadas que eram na época pesados e conferidos na presença de todos (não existiam cédulas de papel). É desse agradecimento e saudação que se originou o costume de se atribuir ainda hoje ao Orador à missão de cumprimentar os visitantes (ainda existem bons rituais onde genuinamente o Orador é quem confere o produto do Tronco).
Então, como se pode notar, as coisas parecem bem claras nesse sentido. É direito seu em não concordar, porém é nossa obrigação seguir o que está legalmente aprovado. Alterações no ritual são possíveis sim, desde que, se fundamentadas, sigam elas os trâmites legais para aprovação e publicação pelo Poder Central.

T.F.A.

PEDRO JUK

NOV/2017


SESSÃO MAGNA PÚBLICA - 284 ANOS DE MORRETES

Sessão Magna Pública na Loja Estrela de Morretes, 3159, Benfeitora da Ordem, GOB-PR, em homenagem aos 284 anos da Cidade de Morretes. A Maçonaria em Morretes está presente desde o século XIX com a Loja Conciliação Morreteana (1867), posteriormente a Loja Modéstia de Morretes (1871). Ambas com as colunas abatidas, cuja Loja Modéstia encerrou suas atividades em 1939. Deu continuidade à Maçonaria Morretense a Loja Estrela de Morretes, fundada em 1979 e em plena atividade sob os auspícios do Grande Oriente do Brasil - Paraná.
Abaixo imagens antigas da bucólica cidade e registro fotográfico da Sessão Magna Pública em 31/10/2017