quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

RITUALÍSTICA NA SESSÃO ADMINISTRATIVA?

Em 18/09/2017 o Respeitável Irmão Alberto Sobrinho, Loja Liberdade e União, 1158, REAA, GOB-GO, Oriente de Goiânia, Estado de Goiás, solicita informações:

RITUALÍSTICA PARA SESSÃO ADMINISTRATIVA?


Mano Pedro, fui consultado por meu Venerável Mestre sobre a ritualística de uma Sessão Administrativa no REAA e após consulta no Grande Oriente Brasil-Goiás, nada encontrei, a não ser que reunião Administrativa deve ser feita fora de Loja, reunindo a Diretoria da L
oja para tomada de decisão sobre determinado assunto e diante do deferimento é levado para Sessão e votada.
Considerando que está previsto no RGF, no Art. 108, como seria a Ritualística de uma sessão administrativa, considerando tratar-se de uma Sessão Ordinária.
Que assuntos tratar numa sessão administrativa, em Loja aberta?
Pesquisei o Vade-mécum maçônico e nada encontrei.
Art. 108. As sessões das Lojas serão ordinárias, magnas ou extraordinárias.
São sessões ordinárias as: I – regulares; II – de instruções; III – administrativas; IV – de finanças; V – de filiações e regularizações de Maçons; VI – de eleições da administração e de membro do Ministério Público; VII – de eleições dos deputados federais e estaduais e de seus suplentes;

CONSIDERAÇÕES.

Não existe ritualística movida pela liturgia maçônica para uma sessão administrativa.
Esse tipo de sessão é geralmente efetivado para tratar de assuntos que demandam bastante discussão e debates ocupando tempo considerável, o que não seria muito propício em uma sessão ritualística movida pela liturgia.
Justamente para não se usar práticas ritualísticas, que em debates e discussões se tornam improdutivas, é que “não existe ritualística” nesse tipo de reunião.
Para se realizar uma sessão administrativa, a mesma deve ser convocada pelo Venerável com antecedência prévia conforme o que dispõem os Diplomas Legais e dela participam todos os Irmãos de direito e não só a Diretoria da Loja – uma sessão administrativa não é privativa apenas para os amigos do rei.
É uma reunião maçônica exclusiva para maçons e que tem a característica de não ser movida pela liturgia do Rito, entretanto ela possui o desiderato de discutir previamente um assunto maçônico, agilizando-o para que posteriormente seja levado já pronto o seu resultado até a Ordem do Dia de uma sessão ordinária regular.
Uma sessão administrativa pode ser realizada ocupando o Templo (Loja), ou outro espaço propício para a execução de “trabalhos cobertos”, porém sem abertura ritualística inerente à liturgia do Rito.
Mesmo sem ritual específico, uma sessão administrativa deve ser conduzida ordeiramente pelo Venerável Mestre. Durante a abertura dos trabalhos administrativos o Venerável comunica a finalidade da reunião conforme a convocação que fora previamente fixada em edital.
Uma sessão administrativa desenvolve os seus trabalhos unicamente sobre o assunto designado no seu edital de convocação. Encerrados os debates e as discussões, o Secretário lavra uma ata que será aprovada nesse mesmo dia da sessão.
Sua abertura, desenvolvimento e encerramento se dão atendendo o mínimo de formalidades e protocolos, devendo tudo ser assistido pelo representante do Ministério Público Maçônico que ao final dará o seu parecer sobre se o resultado alcançado deverá, ou não, ser levado para votação na Ordem do Dia da próxima sessão ordinária regular da Loja.
Mesmo em sessão administrativa, a coleta de benemerência deve ser efetuada conforme os ritos que a possuem, no entanto sem as ritualísticas previstas nos respectivos rituais. Também o Chanceler colherá as assinaturas dos presentes no livro de presenças.
É procedente ainda comentar que como houve convocação prévia para a sessão administrativa, na Ordem do Dia da próxima sessão ordinária regular da Loja, apenas votarão (sobre o assunto discutido administrativamente e sem mais discussão), aqueles que estiveram presentes na reunião administrativa.
O título “sessão administrativa”, no meu modesto entender, deveria ser trocado por “reunião administrativa sem formalidades ritualísticas”. Penso que com esse título, nenhuma dúvida mais existiria sobre a existência, ou não, de ritualística maçônica nessa ocasião.
Concluindo, se a questão é de tornar ágil cada procedimento de uma reunião administrativa, não faz sentido algum se falar em ritualística para sessões com essa característica.

T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

SAÍDA DO TEMPLO REAA - GOB

Em 05/12/2017 o Respeitável Irmão Marcelo Gass, Loja Tríplice Aliança, 3277, REAA, GOB-PR, Oriente de Toledo, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

SAÍDA DO TEMPLO


Preciso mais uma vez de sua ajuda no que diz respeito à saída dos Irmãos do Templo. Nosso Venerável Mestre, em algumas ocasiões na saída dos Irmãos do Templ
o, principalmente quando há visitantes, não faz de forma ritualística, e sim a saída em família.
Nosso Ritual diz que a saída é feita em ordem inversa a da entrada.
Minha pergunta é: Quando pode sair em família? Ou não pode?

CONSIDERAÇÕES.

No rigor da lei, o ritual especifica a saída na ordem inversa a da entrada, o que se dá no intuito de disciplinar a retirada dos Irmãos do Templo após o encerramento dos trabalhos.
Obviamente que essa ordenação inversa se refere à ordem de ingresso que fora estabelecida para a abertura dos trabalhos.
Na realidade esses procedimentos foram inseridos nos rituais apenas com o desígnio de disciplinar, não existindo neles nenhuma atitude iniciática, até porque esse não é costume universal na Maçonaria, pois em muitos ritos e países os Irmãos já aguardam a abertura dentro da Sala da Loja (Templo) e a retirada é feita sem nenhuma ordem de precedência.
No caso do REAA\ e em particular no GOB, é recomendável que se use a precedência do menor para o maior para o ingresso e na retirada que se use a ordem inversa, isto é, do maior para o menor.
Assim, o termo “saída em família” é inexistente nesse caso.
Para não complicar e sem querer se utilizar excessivamente do preciosismo, já que vivemos numa Maçonaria peripatética (exagerada) do “está escrito”, sugiro apenas obedecer ao que prevê o ritual – na ordem inversa da entrada.


T.F.A.

PEDRO JUK



DEZ/2017

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ORIENTAÇÕES MAÇÔNICAS SOBRE A HISTÓRIA DA LOJA DE MESA

Em 13/09/2017 o Respeitável Irmão Juvenal Cordeiro Barbosa, Loja Novo Tempo, 19, REAA, Grande Oriente de Mato Grosso do Sul (COMAB), Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, pede respostas para as seguintes questões.

ORIENTAÇÕES MAÇÔNICAS SOBRE A HISTÓRIA DAS LOJAS DE MESA.


Volto a solicitar do estimado irmão orientações, se possível for, conforme abaixo segue:
1 - A terminologia da Loja de Mesa, sua ritualística e as alegorias dos brindes tem relação direta ou indireta com os Cavaleiros Templários?
2 - O brinde maçônico é um costume antigo, porém, como e quando surgiu?
3 - Quando e como surgiram as primeiras Lojas Militares?
4 - Quem concedia Cartas Constitutivas as Lojas Militares?

COSIDERAÇÕES

Antes das considerações propriamente ditas se faz necessário primeiro compreender que a Maçonaria não teve sua origem nos Templários.
Isso tem sido até agora um erro crasso cometido por alguns articulistas que insistem em misturar a história dos Cavaleiros Templários com a Maçonaria.
Infelizmente essa confusão tem feito com que muitos maçons atualmente fiquem se imaginando protagonistas dos contos de “capa e espada”. Não há como confundir os side degree ingleses, ou Ordens de Aperfeiçoamento, que não raras vezes utiliza alegorias templárias, bem como outras, com a história acadêmica da Ordem.
Na realidade essa associação com os Templários quando literalmente existiu, não foi nada mais, nada menos do que uma relação estritamente profissional.
Enquanto os Templários passavam pelo auge da sua existência e poder, não raras vezes eles contratavam maçons operativos para trabalhar em edificações de castelos, fortalezas, abadias, etc., por eles idealizados.
Com o declínio da Ordem Templária, o que se deu pela condenação à morte nas fogueiras da Inquisição do seu Grão-Mestre Jacques De Molay, o que levou praticamente ao quase extermínio dos Templários, muitos dos seus membros, ao se refugiarem no norte da Inglaterra, acabariam se empregando, sobretudo pela experiência adquirida nas suas andanças pelo Oriente Médio, nas associações de ofício de profissionais da pedra calcária (Maçonaria de Ofício) do norte da Inglaterra.
Assim, foi essa à integração que existiu entre as duas corporações, mas nunca ao ponto de se afirmar que a Maçonaria se originou dos Templários - qualquer afirmativa desse tipo é temerária e não tem nenhum compromisso com a verdade.
A despeito dessa integração é que pode ter existido alguma influência, mas não de origem, porém aquelas adquiridas pela longa convivência entre os dois grupos – uns pedreiros operativos e outros soldados sob o comando do rei. Uma, a Francomaçonaria, que se originou das corporações de ofício da Idade Média, atuava principalmente nas construções com a pedra calcária, a outra, a dos Cavaleiros Templários, composta por cavaleiros que, sob a tutela dos reis e senhores feudais tinham a missão principal de proteger os peregrinos cristãos que transitavam entre a Europa e o Oriente Médio.
Com o advento da Maçonaria Especulativa e, sobretudo o que ocorreu especialmente na Moderna Maçonaria, é que houve o aparecimento e a profusão dos ritos maçônicos, principalmente a partir do Século XVIII. Foi através deles e pelos seus sistemas culturais, doutrinários e litúrgicos que muitos costumes templários “especulativamente” acabariam sendo incorporados à Ordem Maçônica, entretanto não se admite que esse seja um elemento que possa ser considerado como um embrião da origem da Maçonaria. A Moderna Maçonaria, eclética por natureza não acolhe especulações que possam lhe construir uma falsa origem.
Dados esses comentários, seguem os apontamentos relativos às suas questões.
Respostas:
  1. No que diz respeito à Maçonaria, o termo Loja deve-se as associações religiosas do século XII denominadas Guildas. O nome “Guilt”, de origem teutônica, se deriva de um antigo título dado a um ágape religioso na antiga região da Escandinávia. Durante esse ágape desenvolvia-se uma cerimônia especial quando eram despejados três chavelhos (copos de chifre) cheios de cerveja, cujos quais se destinavam, um a homenagear os deuses, outro pelos antigos heróis e o último a homenagear os parentes e os amigos mortos. Ao final da cerimônia, todos se comprometiam a defender uns aos outros, como irmãos e se socorrerem mutuamente nas oportunidades que se fizessem necessárias.
As Guildas se caracterizavam por três finalidades: atuação nos direitos sociais, auxílio mútuo e reuniões em banquetes.
Na Maçonaria essa pode ser considerada como a certidão de nascimento das suas Lojas de Mesa.
A sua ritualística e os seus costumes foram adquiridos conforme evoluíam as Lojas Operativas e posteriormente as Especulativas.
Sob o ponto de vista da tradição, a liturgia da Loja de Mesa está intimamente ligada aos períodos solsticiais (Lojas de São João) e em alguns casos também nas datas equinociais, já que os ciclos naturais (estações do ano) coordenavam e coadunavam os trabalhos dos canteiros medievais. Assim, o comum é que as Lojas de Mesa sejam apenas realizadas nesses períodos e não aleatoriamente como se faz hoje em dia em algumas Lojas.
Ainda no que diz respeito à sua ritualística, muito dela se desenvolveu nas tabernas dos maçons antigos, sobretudo em um período que ainda não existiam templos e era comum que eles se reunissem nos adros das igrejas e nas tabernas. Há registros desde o século XVI.
Outro aspecto é o relativo à dialética utilizada com as quais se fazem os brindes nas saúdes de obrigação, das quais muitos são substantivos relativos ao ofício militar, isso porque as chamadas Lojas Maçônicas Militares, formadas principalmente a partir da expansão dos domínios da coroa inglesa, sem dúvida também muito influenciaram, principalmente nas práticas relativas aos “fogos maçônicos” realizados nas Lojas de Mesa. Por exemplo: Fogo! Alinhar os canhões! Armas em frente! Alfanje na mão! Pólvora forte, pólvora fraca, etc.
Já em relação à arte de construir e o ágape em Loja de Mesa, as denominações vão relacionadas aos materiais e utensílios de trabalho utilizados no ofício. Exemplo: pá, picareta, telha grande, telhas, bandeja grande, materiais, demolir os materiais, barrica, areia branca, etc.
Como se pode notar nada das terminologias e substantivos proferidos tem a ver com a Ordem dos Cavaleiros Templários.
  1. Em síntese, isso já foi respondido, todavia reforçando, os brindes maçônicos em Loja de mesa são feitos principalmente nas datas solsticiais.
Já como costume antigo veja o que foi mencionado no item 1 em relação às Guildas e os três primeiros brindes.
O formato atual das saúdes de obrigação se deu por primeiro no XVII na Escócia e na Inglaterra nas Lojas das tabernas dos maçons antigos. Por segundo o formato sofreu grande influência das Lojas Maçônicas Militares, principalmente aquelas que se espalharam pelas colônias inglesas no Século XVIII.
  1. No século XVIII, aproximadamente em 1732 devido à expansão do colonialismo inglês surgiam, acompanhando esse desenvolvimento, corporações maçônicas especulativas ligadas às forças armadas britânicas. Essas Lojas itinerantes muitas vezes se reuniam sob a presidência de um Mestre da Loja que era o mesmo comandante do regimento. Essas Lojas, também conhecidas como Lojas de Campo reuniam oficiais das mais elevadas patentes, bem como os seus subalternos.
Devido ao seu regime militar, essas Lojas Maçônicas ao se reunirem em Loja de Mesa acabariam trazendo consigo costumes hauridos da disciplina militar. É daí que muitas exclamações e ordens de comando passaram também a fazer parte da liturgia maçônica em banquetes ritualísticos.
  1. Desde a inauguração do primeiro sistema obediencial criado pela Primeira Grande Loja em Londres no ano de 1717, até a sua união com os Antigos de 1751 no que resultaria na Grande Loja Unida da Inglaterra em 1813, a Grande Loja era a responsável pela carta constitutiva das Lojas Maçônicas Militares. Entretanto, antes da união entre os Antigos e os Modernos, a concessão das Cartas ficava apenas a cargo da Primeira Grande Loja – aquela ligada à coroa britânica.
A título de ilustração, segundo alguns autores, a primeira Loja Maçônica Militar que existiu nas Forças Armadas Britânicas foi a First Foot em 1732, cuja qual seria mais tarde a Royal Scots Lodge. Em 1734 já havia cinco Lojas como essa e, em 1755 elas já eram em número de 29.


T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2017

domingo, 3 de dezembro de 2017

ALFAIAS DO SUBSTITUTO

Em 13/09/2017 o Respeitável Irmão Afonso Barros Machado, Loja União Fraternal nº 12, REAA, GLMMG, sem mencionar o nome do Oriente, Estado de Minas Gerais, solicita o seguinte esclarecimento.

ALFAIAS DO SUBSTITUTO.


Recorro à sabedoria do Irmão no intuito de dirimir uma polêmica surgida quando de uma discussão sobre procedimentos ritualísticos do REAA.
O Primeiro Vigilante ao substituir, provisoriamente, o Venerável Mestre, numa determinada reunião da Loja, porta a sua Alfaia ou a do Venerável Mestre?
Partindo do entendimento de que o Avental indica o Grau e a Alfaia o Cargo, como ficaríamos diante dessa situação?
Por quê?

CONSIDERAÇÕES:

Porque a substituição não é definitiva, mas precária. Assim num caso da ausência do titular, assume para dirigir os trabalhos naquela oportunidade o Primeiro Vigilante que usará apenas a joia correspondente ao cargo de Venerável. Não se muda o avental.
Na realidade o avental do Venerável Mestre não indica nenhum grau, mas sim uma distinção pelo cargo. Um Venerável Mestre é sempre um Mestre Maçom que foi instalado para dirigir os trabalhos. Em síntese, Mestre Instalado não é grau, mas um título honorífico.
Substituições precárias cumprem apenas o preenchimento extraordinário de um cargo, bastando para tal identifica-lo pela respectiva joia distintiva. O Primeiro Vigilante como substituto imediato usa o seu próprio avental.


T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2017

sábado, 2 de dezembro de 2017

TÍBIAS OU FÊMURES - EMBLEMA DA CÂMARA DO MEIO

Em 12/09/2017 o Respeitável Irmão Rodrigo Torres, Loja Reinaldo Alioti, 4.463, REAA, GOSP-GOB, Oriente de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

TÍBIA OU FÊMUR


Entrei em contato para tirar uma dúvida com você pelo Facebook e você pediu para mandar a dúvida pelo e-mail. Então vamos lá:
Cheguei a encontrar, em trabalhos diferentes, Irmãos afirmando que, no conjunto crânio e ossos cruzados, os ossos são fêmures e não tíbias.

COMENTÁRIOS.

O mais comum como símbolo maçônico são duas tíbias cruzadas tendo logo acima delas um crânio cujos quais formam um dos emblemas da mortalidade – “do pó vieste e ao pó voltarás”. É o alerta para o destino final de todos os homens.
Em Maçonaria, embora ele até se apresente na Câmara de Reflexão dos ritos que a possuem, o mesmo é emblema mais comumente usado na Câmara do Meio (Loja de Mestre), já que ela, mormente dentre outros significados, também representa o luto pela última fase da transição humana – a Meia-Noite, ou o final da vida terrena.
Como aspecto iniciático esse emblema esotericamente lembra também o Inverno e a morte do Sol, época em que a Terra dele fica viúva (a morte de H\).
Símbolo da consternação, sua composição mais comum é ter duas “tíbias”, entretanto, nesse sentido não existe nenhuma diferença se em lugar delas aparecerem dois “fêmures”. Em qualquer caso, ambos simbolizam a morte.
Na realidade, iniciaticamente o que o envolve a liturgia do Terceiro Grau é a sua mensagem como símbolo e, nesse caso, um ou outro ensejam o mesmo significado. Em síntese, sem a necessidade de dourar a pílula, tanto faz. Podem ser tíbias, ou fêmures.
Os que defendem o contrário, que então apresentem suas justificativas plausíveis.
Outros comentários a respeito, prudentemente ficam velados, pois é conhecida a presença dos “puristas de plantão”. Estes, na realidade e com raríssimas exceções pouco ou quase nada entendem do assunto, entretanto mesmo assim eles não pouparão críticas em nome de um segredo que nem mesmo eles sabem onde encontra-lo.



T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2017

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

OS PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DO SIÃO

Em 12/09/2017 o Respeitável Irmão Leonardo Pimentel (Théodore Henri Du Tschudy), Loja Arautos do Progresso, 30, Rito Adonhiramita, GOIPE (COMAB), sem mencionar o nome do Oriente, Estado de Pernambuco, apresenta o que seguem pedindo comentários:

OS PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DO SIÃO


Não sei se viste uma publicação de um dos intelectuais que Brasil produziu o Gustavo Barroso. Trata-se da publicação dos "Protocolos dos Sábios de Sião". Numa versão que baixei internet dessa tradução por Gustavo Barroso, tinha sempre notas capitulares de tópicos a serem discorridos, onde sempre relacionava essa supostas teorias da conspiração com a Franco-maçonaria. Contando com sua sapientíssima mente meu Amado Irmão peço-te ajuda pela revelar ou entender o que se faz jus e/ou o que são puras elucubrações.

COMENTÁRIO.

Indubitavelmente o livro que causou mais estrago e caluniou a Maçonaria foi essa famigerada fraude inventada no início do século XX, mais precisamente em 1901, pelo anti-semita e membro da polícia política do Czar, Sergei Aleksandrovick Nilus, cujo imbecil livreto ficou bem conhecido como os Protocolos dos Sábios do Sião.
Mesmo os mais famosos detratores e perseguidores da Ordem não conseguiram alcançar o estrago que essa obra falaciosa causou.
Mesmo as “exposures” de Samuel Prichard em 1730 intitulada “Masonry Dissected” e a do Abade Perau em 1744 denominada “L’Ordre des Francs-Maçons Trahi et Leur Secret Révelé”, ou ainda, em 1730, o publicado no Daily Journal de Londres nº 2998, “Mystery of Free-Masonry” e, mesmo as bulas papais, não conseguiram atingir esse resultado.
Assim também não atingiu esse intento, o padre Augustinho Barruel com a sua obra antimaçônica “Memórias do Jacobinismo”, bem como Paul Rosen com seu “Satã Y Cia” em 1888 e também o embusteiro Léo Taxil, codinome de Gabriel Antonio Jogang Pagés com suas detrações e invenções de práticas demoníacas falsamente atribuídas à Ordem a pedido da Igreja, etc.
Já não se pode dizer o mesmo do falacioso livreto “Os Protocolos dos Sábios do Sião” que se diferenciou de todas as outras tentativas de caluniar a Maçonaria. Essa praga literária conseguiu se espalhar pelo mundo feito uma erva daninha.
Como uma epidemia ele serviu de anteparo para racistas do naipe do monstro nazista Adolf Hitler, do fascista Mussolini e ainda do ditador espanhol Francisco Franco que, como “Átilas Modernos”, cometeram toda a sorte de barbarismo contra a humanidade.
Na realidade, essa má fadada obra criada por Sergei Nilus nasceu de um plágio distorcido que se baseou numa obra filosófica do advogado francês Maurice Joly intitulado “Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu”, também conhecido como “A Política de Maquiavel no Século XIX”.
O tendencioso Sergei Nilus distorceu o conteúdo literário de Maurice Joly e o adaptou para as suas necessidades racistas e preconceituosas fazendo com que o texto parecesse tratar de um Congresso Sionista supostamente ocorrido na Basiléia em 1897. Segundo o rocambolesco Nilus, esse Congresso teria se reunido em vinte e quatro sessões, nas quais os Sábios do Sião, com a conivência da Maçonaria haviam elaborado um plano para a destruição econômica do mundo – era, segundo o lunático Nilus, um plano judaico-maçônico de dominação mundial.
O autor tendencioso facilmente envolveu a Maçonaria na sua trama caluniosa por saber que a liturgia maçônica comumente trata de lendas bíblicas, passagens e palavras ligadas à civilização hebraica – vide essa influência, sobretudo no REAA.
Verdadeiramente, o escrito de Nilus nada mais era do que uma chula adaptação em plágio da descrição satírica da obra de Maurice Joly que se referia à política de Napoleão III.
Embora servido como excelente material de apoio para tendenciosos caluniadores e adeptos do racismo que só divulgam aquilo que lhes é conveniente, essa falcatrua caluniosa, conquanto o estrago já feito, não tardaria a ser descoberta, o que ocorreu nos dias 16 e 17 de agosto de 1921 quando toda essa história mentirosa fora desmascarada e publicada pelo “Times”.
Conforme nos explica o autêntico maçonólogo e padre espanhol José Antônio Ferrer Benimeli, in tradução publicada na revista A Trolha, nº 17, página 3 de maio de 1984, a origem dessa fraude seria descoberta quando um correspondente do “Times”, em Constantinopla, havia encontrado em uma casa de livros, abandonado por um oficial do antigo exército do Czar e que havia pertencido à polícia secreta “Okhrana”, um volume escrito em francês, do qual faltavam as primeiras páginas, da obra de Maurice Joly - os Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu.
Ainda, segundo Ferrer Benimeli, o arguto jornalista inglês correspondente do Times que havia descoberto o livro, ao lê-lo, logo se deu conta de que ele continha uma série de passagens estritamente parecidas, senão paralelas, com o texto dos Protocolos dos Sábios do Sião de Nilus – o correspondente inglês conhecia perfeitamente o livreto de Nilus, pois o próprio “Times” já o havia também publicado em maio do ano anterior.
Por esse feito, não lhe foi difícil identificar que o dito livro encontrado se tratava da obra do advogado francês Maurice Joly intitulada Os Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu, cuja qual fora publicada em Bruxelas no ano de 1864 e possuía um total de 337 páginas, além de uma advertência composta por mais três páginas.
No que diz respeito à verdadeira obra de Maurice Joly, seu conteúdo tratava de dirigir uma eloquente sátira contra a política de Napoleão III, cujo qual é apresentado na obra como um déspota que sabe guardar as aparências de um regime liberal. Em nenhuma oportunidade o nome de Napoleão III é mencionado por Joly. É Maquiavel quem fala por ele e Montesquieu representa o papel de homem honesto que se escandaliza com o cinismo do seu interlocutor.
Desse diálogo literário que envolve as arguições de Maquiavel representadas pela aborrecida política de Napoleão III, é que Sergei Nilus, o militar pertencente à polícia política do Czar da Rússia, plagiou e compôs o seu calunioso livreto que tanto mal causou à humanidade - “Os Protocolos dos Sábios do Sião”.
Assim, acreditar que existiu um Congresso Sionista na Basiléia em 1897 onde os Sábios do Sião teriam elaborado um plano de destruição do mundo com a conivência da Maçonaria só se baseando num escrito que é comprovadamente um fruto de imaginação construído sobre um plágio mal elaborado e estabelecido sobre uma descrição satírica da política de Napoleão III que fora publicada em 1864, é verdadeiramente uma estupidez.
A despeito de todos esses comentários, mesmo que comprovada à fraude já no primeiro quartel do Século XX, provavelmente no intuito de suprir ideais preconceituosos, muitas edições dos Protocolos dos Sábios do Sião continuaram a ser publicados pelo mundo, inclusive na atualidade e bem ao gosto dos partidários do segregacionismo, dos caluniadores e dos preconceituosos.
Hitler, por exemplo, com o seu Mein Kampf e em conjunto com a sua camarilha de assassinos nazistas exterminou milhares de judeus, maçons e outras minorias sociais ainda nos meados do Século XX, sabendo-se que muitas das suas atitudes odiosas e radicais encontraram justificativas nos famigerados Protocolos construídos pelo imaginário de Sergei Nilus.
Assim também ocorreu com o ditador Francisco Franco na Espanha ao por em prática a sua política de perseguição e exterminação – maçons ibéricos foram assassinados aos milhares.
Perscrutando a história, ver-se-á que ainda outros ditadores do ódio racial também enveredariam para o mesmo caminho tortuoso da discriminação embasada nas falcatruas caluniosas dos Protocolos dos Sábios do Sião.
No Brasil, para não fugir à regra, esse maldito livreto também apareceu, e ainda aparece publicado por grupos que disseminam ódio e racismo.
Há que se registrar que por aqui esse embuste literário de Nilus foi muito apreciado pelo fascista Filinto Müller, inimigo da Maçonaria, chefe da polícia política de Vargas, torturador e personagem envolvido em várias arbitrariedades que ferem os direitos humanos. Torturador, esse fascista ganhou notoriedade internacional no atuar no caso da prisão e deportação para a Alemanha nazista de Olga Benário, executada em Bernburg em 1942.
Quanto ao “intelectual” Gustavo Barroso que é mencionado na questão acima, acredito que ele, pela sua “intelectualidade”, pelo menos deveria saber que o famigerado livreto intitulado Os Protocolos dos Sábios do Sião, de conteúdo calunioso já havia sido comprovadamente desmascarado desde o ano de 1921. Mas, ao contrário disso, mesmo assim ele se manteve a favor do embuste, inclusive contribuindo com pareceres da sua lauda e sempre favoráveis ao texto mentiroso e que aparecem em edição dos Protocolos por aqui publicada.
Embora alguns autores não o rotulem como anti-semita, por outro lado não é o que parece quando Gustavo Barroso se coloca em conivência com esses ideais.
Dadas essas considerações, infelizmente boa parte dos maçons brasileiros da atualidade se encontra alheia à realidade e desconhece completamente essa história.
Desafortunadamente, ainda a imensa maioria das Lojas não instrui e nem relata esses fatos que contribuíram com barbarismos contra a Sublime Instituição e a perseguição aos nossos Irmãos do passado.
Assim, ao concluir, deixo a orientação que para melhor conhecimento sobre essa barbárie publicada no início do Século XX e que ainda se faz presente entre nós, que monte-se uma grade para pesquisa começando por autores como o padre José Antônio Ferrer Benimeli in Maçonaria e Satanismo, como Francisco de Assis Carvalho in O Avental Maçônico e ainda em outras literaturas a respeito como as de autoria do padre maçonólogo Valério Alberton, do Irmão Leon Zéldis, de José Castellani, Alec Mellor, etc.

T.F.A.

PEDRO JUK


DEZ/2017.