quinta-feira, 27 de agosto de 2020

O PORTA-BANDEIRA CANTA O HINO NACIONAL?

 

Em 10/03/2020 questão que faz o Respeitável Irmão Fábio Luiz Mezencio, sem mencionar o nome da Loja, Rito e Oriente, GOB-SP, Estado de São Paulo:

 

O PORTA-BANDEIRA CANTA O HINO?

 

Hoje no tempo de estudos estávamos repassando o decreto 1476/2016 do GOB que dispõe sobre o cerimonial para a Bandeira Nacional. Em dado momento um Aprendiz me questio-     

nou se o Porta-Bandeira canta o hino (acredito que ele já tinha a resposta na ponta da língua, rs) no que respondi que não via o porquê de ele não o fazer, eis que, s.m.j., não há vedação legal para tanto. Ele me respondeu que no exército o porta bandeira não canta o hino por ser uma extensão dela (mastro). Dei uma pincelada na LEI No 5.700, DE 1º DE SETEMBRO DE 1971 e não vi nada nesse sentido. Fica a pergunta: o Porta Bandeira pode cantar o nacional?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Nossa! Esse Aprendiz mal começou a sua carreira iniciática e já se derivou para o caminho das ilações e conclusões temerárias. Ora, tratar o Porta-Bandeira como prolongamento do mastro, por óbvio é uma conclusão absurdamente desmedida!

De fato, não dá para se imaginar o Porta-Bandeira (a pessoa que leva uma bandeira hasteada) ser confundido com o mastro (a haste na qual se iça a Bandeira). Tratá-lo como extensão do mastro é mesmo d’escrachar. Eu diria, racionalmente inimaginável.

No mais, além desse absurdo, uma coisa nada tem a ver com a outra. O Hino Nacional é um caso e o Pavilhão Nacional é outro caso. Entenda-se que de acordo com a Lei nº 5.700, de 1 de setembro de 1971, que trata dos símbolos nacionais, estes são quatro a saber: a Bandeira, as Armas, o Hino e o Selo. Esses símbolos representam a Nação brasileira e o espírito cívico de seu povo. A Bandeira, as Armas e o Selo são de representação visual, enquanto que o Hino é de representação verbal. Entre eles não existe precedência de um símbolo sobre o outro. Vejamos então o que menciona o CNPC-BRASIL, Comitê Nacional do Cerimonial Público:

“Devemos esclarecer primeiramente que a Lei 5.700/71, que regulamenta a utilização dos Símbolos Nacionais (Bandeira, Hino, Selo e Brasão de Armas da República), não expressa qualquer observação nem determina, na realização dos eventos no Brasil, um posicionamento de homenagem de um símbolo para o outro (o grifo é meu). Nós, cerimonialistas, membros da Diretoria CNCP, consideramos que a ação de cantar o Hino Nacional nas solenidades deve ser traduzida como uma homenagem à Pátria e, tendo em vista que a nossa Pátria está legitimamente representada pelas autoridades e pelo público presente ao evento, não vemos sentido em que autoridades e convidados se voltem para a Bandeira, no momento da execução do Hino. Vale ressaltar ainda que o Hino Nacional não é um hino em homenagem à Bandeira. Para uma homenagem à Bandeira, a Lei 5.700 reserva a data de 19 de novembro, denominada o "Dia da Bandeira", em que o hasteamento se dá precisamente às 12 horas, executando-se o Hino à Bandeira. O entendimento equivocado dessa questão tem propiciado a muitos a preocupação de se voltarem para a Bandeira todas as vezes que o Hino Nacional é executado, o que se deve com frequência a alguns cerimonialistas menos experientes que chegam a ponto de orientar a autoridade para assim proceder, induzindo-a a erro.”

Dado a isso, além de obviamente o Porta-Bandeira não ser considerado uma extensão do mastro (sic), o que é um verdadeiro absurdo, o Hino Nacional é cantado por todos os presentes no recinto da Loja, destacando mais uma vez não existir nenhuma precedência de um símbolo nacional sobre o outro. Assim, o Porta-Bandeira, como o oficial que conduz o Pavilhão Nacional, durante o canto do Hino, tal como os demais, mesmo tendo às mãos a Bandeira hasteada, também canta o Hino.

Reitera-se que quando do canto do Hino Nacional ninguém deve se voltar para a Bandeira enquanto essa estiver parada. Isso é erro crasso já que o Hino Nacional não foi feito para homenagear a Bandeira. A Bandeira é seguida pelo olhar dos presentes quando ela estiver em deslocamento, oportunidade em que obviamente ninguém estará cantando o Hino.

De tudo, espero que essas observações tenham esclarecido alguns procedimentos ritualísticos concernentes à Bandeira e o Hino Nacional dentro da Loja, inclusive o de não tratar o Irmão Porta-Bandeira como extensão do mastro, o que é mesmo uma bobagem sem tamanho.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

AGO/2020

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

QUESTÕES SOBRE O TERCEIRO GRAU

 

Em 09.03.2020 o Respeitável Irmão Luiz Antonio Marques, Loja Cadeia de União, 3.057, REAA, Oriente de Casa Branca, Estado de São Paulo, formula a seguinte questão:

 

QUESTÕES DO 3º GRAU

 

Por gentileza poderia tirar algumas dúvidas relacionadas as perguntas:

1- Como é chamada a Loja de Mestre e qual o seu significado?

2- Qual o significado simbólico do S de M?

3- O que significa o c de H A sep?

Desde já agradeço pela atenção.

 

CONSIDERAÇÕES

 

  1. Uma Loja aberta no 3º Grau é chamada de C do M. Isso se dá porque algumas instruções mencionam a lenda de que os MMMM, quando da construção do T de J∴, ali recebiam os seus salários. Lendariamente é mencionado que à C do M se subia por uma E em C (sinuosidade/dificuldade) até onde havia um pórtico que dava passagem para o lugar onde se encontrava a A da V. É por essa razão que a senha de reconhecimento do M M é pronunciada como A A M É C.

Essa síntese compreende lições profundas de ética, moral e sociabilidade, aspectos esses que o M M deve perscrutar e meditar com constância, fervor e zelo.

Se faz oportuno mencionar que a C do M é um lugar abstrato. Não a confundir com o espaço central do Oc onde se executam as circulações e perambulações pela Loja durante os trabalhos. Imaginar que a C do M corresponde o centro do recinto de trabalho é ideia arcaica e inconsistente, portanto, equivocada.

  1. Se a referência for ao Sin de Ord do 3º Grau, o mesmo se relaciona com a pen simb mencionada pelo cand durante a tomada de obrigação na cerimônia Exaltação. Figuradamente esse Sin se desenvolveu no contexto narrativo da L de H∴, quando um dos três mm CComp∴, arrependido, evoca para si a aplicação desse castigo. Além do seu profundo significado esotérico, esse sin pen∴, também conhecido como v, exprime a ideia de universalidade desse Grau, sobretudo quando menciona a divisão dos dois hemisférios.
  2. Dentre outros, alegoricamente representa o período em que a Terra fica v do Sol. Desse modo, H morto e sepultado simula o fenecimento do Sol perante o inverno. Destaque-se que a L de H é decalcada nos cultos solares da antiguidade. A morte e o renascimento da Natureza é uma alegoria solar comum às passagens iniciáticas de várias civilizações. Desse modo, na L do 3º Grau H simboliza o Sol que morre “golpeado” pelo inverno (dias curtos e noites longas) para reviver (ressurreição) na primavera – alusão astronômica ao hemisfério norte do nosso Planeta. Basicamente é o ápice da grande iniciação, cuja qual somente será alcançada na Exaltação (plenitude maçônica).

É bom que se diga que muitos ritos maçônicos, a exemplo do REAA, adotam a alegoria da renovação anual da Natureza para compor a sua senda iniciática.

Não obstante a citação dos cultos solares da antiguidade, compreenda-se que isso não afirma a presença da Maçonaria naqueles tempos de antanho. Destaque-se que o 3º Grau maçônico somente apareceria em 1.725 na Inglaterra quanto então passaria a compor os três graus universais, sendo o nec plus ultra (nada mais além) do simbolismo da Moderna Maçonaria. A L de H fora então criada e adaptada para compor o relicário iniciático do grau de M M.

Esses são os comentários básicos e superficiais que envolvem as questões aqui apresentadas, obviamente que respostas e conteúdo mais aprofundados não são recomendáveis nesse arrazoado. A observação e a meditação sobre esse contento iniciático deve ser criterioso e silente, lembrando que durante a construção do T de J, figuradamente não se ouvia nenhum ruído proveniente das ferramentas aplicadas naquela Obra.

 

 

T.F.A.

 

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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AGO/2020

terça-feira, 11 de agosto de 2020

REAA - O LUGAR DO COMPANHEIRO RECÉM-ELEVADO NA LOJA

 

Em 09.03.2020 questão que faz o Respeitável Irmão Augusto Fabiano de Souza Bernardinho, REAA, GOMG (COMAB), Oriente de Nova Lima, Estado de Minas Gerais.

 

LUGAR DO COMPANHEIRO RECÉM-ELEVADO

 

Estimado Irmão Pedro Juk, agradeço mais uma vez por compartilhar e nos instruir quanto as dúvidas de todos os Irmãos. Novamente recorro mais uma vez ao Irmão no sentido de acl

arar mais um duvida que possuo. Li algumas peças do irmão referente ao lugar do recém-iniciado na Coluna do Norte em especial o texto "E o Topo da Coluna do Norte... Conclusões?”. Após algumas leituras e explicações surgiu uma dúvida quanto ao lugar do Companheiro recém-elevado. Sabe-se que os Companheiros tomam assento na Coluna Zodiacal Libra próximo à balaustrada (posição inversa ao Aprendiz recém-iniciado) indo de encontro a luz meio-dia ponto de maior iluminação. Daí surgi um interesse, poderia fazer um arrazoado a respeito do caminho a ser percorrido pelos Companheiros na Coluna do Sul?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Cabe então compreender como se apresenta o caminho iniciático no REAA. Lamentavelmente boa parte dos nossos Irmãos ainda não compreendeu onde fisicamente ele (o caminho) aparece no Templo, bem como o que ele significa. Essa falta de entendimento pode facilmente ser constatada quando observamos a total ausência de conhecimento sobre o significado das constelações do Zodíaco correspondentes às Colunas Zodiacais distribuídas pelas paredes Norte e Sul do Templo simbólico do REAA. Existem, inclusive, opiniões contrárias as suas existências – obviamente opiniões daqueles que não compreendem, ou melhor, desconhecem o arcabouço doutrinário simbólico do Rito e vivem presos a rituais antigos de procedência duvidosa.

Assim, comentando esse caminho iniciático no REAA, sobretudo sob o viés deísta de um rito nascido na França mas que possui também características anglo-saxônicas teístas, esse Rito, antes de mais nada, compara alegoricamente a evolução iniciática pertinente aos seus três graus simbólicos à revolução anual da Natureza, notadamente destacando os ciclos da Natureza, também conhecidos como primavera, verão, outono e Inverno.

Cabe destacar que para efeito iniciático as estações do ano se relacionam com o hemisfério Norte da Terra, hemisfério este onde o REAA teve a sua certidão de nascimento.

Desse modo, esse entendimento iniciático traz no seu conteúdo concepções que associam as etapas da Natureza às fases da vida humana, demonstrando de modo emblemático que o iniciado morre para a vida profana e renasce, purificado pelos Elementos, para uma nova vida, o que, em linhas gerais é demonstrado na passagem pela Câmara de Reflexão onde o candidato, então despojado, faz o seu testamento simbólico e preenche o questionário filosófico.

Sob essa óptica o significado dessa alegoria iniciática é o de demonstrar que o Candidato, ao ser consagrado Aprendiz Maçom (recém iniciado) representa um novo elemento, isto é, uma nova planta (neófito) que nasceu tal qual como a Natureza revive na Primavera.

Nesse sentido, a primavera possui caráter iniciático de começo, ou de partida. Sob o feitio místico, essa estação do ano é representada no Templo pelos símbolos relativos às constelações de Áries, Touro e Gêmeos (alinhamento do Sol, Terra e essas constelações na faixa do Zodíaco).

Com isso, o ciclo natural da primavera, que se inicia na constelação de Áries, no hemisfério Norte, corresponde ao começo da jornada do Aprendiz. Partindo de Áries o iniciado prossegue percorrendo sua senda até a constelação Virgem, o que, em linhas gerais representa sua passagem pela primavera e pelo verão (infância e adolescência).

A passagem por esses dois ciclos corresponde simbolicamente à primeira etapa da vida do Iniciado – o Aprendiz. Em síntese, esse caminho é visivelmente marcado pelas seis primeiras Colunas Zodiacais que ficam de maneira equidistante situadas no topo da Coluna do Norte. Cabe esclarecer que o termo “topo”, aqui utilizado, corresponde a toda a parede setentrional do Templo situada entre o canto com parede ocidental e a grade que marca o limite com o Oriente. Assim, a primeira Coluna Zodiacal (próxima ao 1º Vigilante) representa Áries (início da primavera) e corresponde ao começo da jornada, por extensão é o lugar onde o Aprendiz recém iniciado, logo após ter sido consagrado maçom, é colocado para dali romper a sua caminhada.

Concluída a sua passagem pela Coluna do Norte (interstício de aprendizado), o Aprendiz, ao atingir a adolescência e a proximidade da juventude, passa então do topo da Coluna do Norte para o topo da Coluna do Sul, o que se dá iniciaticamente pela cerimônia de Elevação ao grau de Companheiro.

Agora Companheiro, o Iniciado ao alcançar o Sul estará por primeiro em Libra que, dentre outros, significa emblematicamente o ápice da juventude (Meio-Dia).

Desse modo o “novo” Companheiro é colocado no topo da Coluna do Sul junto à Coluna Zodiacal correspondente à constelação de Libra, ou Balança. Essa constelação marca astronomicamente o início do Outono no hemisfério Norte e na Loja se situa no topo do Sul junto à balaustrada que serve de limite com o Oriente.

Partindo do outono, simbolicamente o Companheiro segue pelo topo da Coluna do Sul em direção à maturidade (grau de Mestre), cuja qual, iniciaticamente corresponde ao inverno, ou o final da jornada (Meia-Noite). Iniciaticamente é o ponto de partida da última etapa, onde o Iniciado, após à Meia-Noite, segue o caminho que o levará à perpetuidade no Oriente.

Emblematicamente o Companheiro Maçom representa o ápice da vida, ou o vigor da sua juventude (ação e trabalho). Diferente do Aprendiz recém-iniciado que, pelo topo do Norte, seguiu após ter saído do interior da Terra (Câmara de Reflexão) para reviver na Luz da primavera (infância), o Companheiro (juventude), pelo topo da Coluna do Sul rompe sua jornada em Libra (o Sol passa para outro hemisfério e a maturidade se aproxima).

A alegoria demonstra que a partir daí sequencialmente os dias vão ficando cada vez mais curtos e as noites mais longas. O outono (maturidade) antecede o inverno, época em que a Terra ficará viúva do Sol (fim da vida).

De tudo, cabe salientar que esse é apenas um teatro iniciático cuja aspiração é a de comparar a vida humana com os ciclos da Natureza. Entenda-se que essa alegoria possui sentido é figurado e foi criada para desenvolver os ciclos iniciáticos de passagem na Moderna Maçonaria. No REAA essa alegoria traz uma profunda lição de moral para o Iniciado. Todo esse agrupamento de ciclos e passagens é demonstrado, de modo amplo e geral, na Iniciação, e de caráter particular, nas cerimônias de Elevação e na Exaltação.

Conceitos iniciáticos que envolvem a marcha em direção a Luz se apresentam nas alegorias maçônicas por vários feitios, no entanto, todos eles convergem para o Leste, ou o Oriente da Loja.

Assim, sob esse aspecto, além do caminho iniciático propriamente dito, o espaço de trabalho, ou a sala da Loja, também tem os seus pormenores como segue:

a)    O primeiro é que a passagem iniciática pelos ciclos naturais corresponde a vida do Iniciado, ou seja, a infância, a adolescência, a juventude e a maturidade;

b)    O segundo é que o Iniciado sempre segue a sua jornada à procura da Luz. Isso explica o porquê dos Aprendizes no topo do Norte e os Companheiros no topo Sul - sob o ponto de vista do hemisfério setentrional o extremo Norte recebe menos luz por estar mais distante do equador. Sob essa óptica, do Norte vislumbra-se a passagem do Sol pelo Sul e é por essa razão que o Sul é também conhecido como Meio-Dia. Nesse caso, o Iniciado após ter cumprido o seu tempo no Norte, passa para o Sul onde aparentemente existe mais Luz (Meio-Dia). Esse detalhe pode ser constatado em se observando as três janelas que aparecem nos respectivos Painéis. É bem verdade que essa é apenas uma concepção simbólica, contudo segue os cultos solares da antiguidade;

c)    O terceiro é que, além da revolução anual do Sol marcada pelos seus alinhamentos com as constelações zodiacais, existe ainda a relação com a aparente marcha diária do Sol, cuja qual envolve a liturgia da circulação no Ocidente da Loja, a dos procedimentos de abertura e encerramento da trabalhos e a da aclamação Huzzé.

Destaque-se que o movimento aparente e diário do Sol determina na sala da Loja, emblematicamente o nascente do Oriente e o ocaso no Ocidente. De tudo, o objetivo do iniciado é alcançar o Oriente, contudo ele antes deverá ter cumprido toda a sua jornada que um dia se iniciara no topo da Coluna do Norte próximo ao lugar do 1º Vigilante. Esotericamente a divisão Oriente/Ocidente separa respectivamente o espiritual que é o lugar do Mestre do material que é o lugar dos Aprendizes e Companheiros

Espero que esse breve arrazoado esteja a contento e, para concluir, devo mencionar que o sistema de aperfeiçoamento maçônico, velado por símbolos e alegorias, traz verdades profundas na sua complexão. Cabe ao iniciado, entretanto, perquirir, desvendar e compreender a razão da sua existência.

 

P. S. – O escrito denominado “E o Topo da Coluna do Norte – Conclusões?” pode ser encontrado no Volume IV do INBRAPEM – Encontro Nacional do Instituto Brasileiro de Pesquisas Maçônicas Fernando Salles Paschoal, Editora Maçônica A Trolha, Londrina, novembro de 2007.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

AGO/2020

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

REAA - USO DO COLAR E DA FAIXA DO MESTRE MAÇOM

Em 09.03.2020 o Respeitável Irmão Gabriel Junqueira, Loja Acadêmica Francisco Cândido Xavier, 4.111, GOB-MG, REAA, Oriente de Pedro Leopoldo, Estado de Minas Gerais, faz a seguinte pergunta:

 

COLAR E FAIXA DO MESTRE MAÇOM

 

Sou grande seguidor de seu Blog, e ultimamente estava lendo sobre a utilização da faixa

de Mestre no REAA, e me veio uma dúvida quanto ao seu artigo.

Neste você cita:

“Apenas a título de ilustração, no caso do GOB, a faixa do Mestre traz ainda junto a joia um pequeno dispositivo preso que é uma argola de metal, cuja finalidade é a de servir de suporte para a espada no lugar da bainha, sobretudo àqueles oficiais que a têm como instrumento de trabalho - Cobridores e Expertos, por exemplo".- http://pedro-juk.blogspot.com/2018/07/a-faixa-do-mestre-um-componente-da-sua.html?m=1

Minha pergunta é:

Atuo frequentemente como Experto nas sessões magnas. Exercendo este cargo, uso o colar com a respectiva joia. Poderia eu portanto utilizar a Faixa de Mestre abaixo do colar para que por consequência possa fazer utilização da bainha para espada que é utilizada com frequência pelo cargo?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Conforme menciona o Ritual de Mestre em vigência na sua página 92, a faixa é um dos paramentos (vestes litúrgicas, alfaia) do Mestre Maçom no REAA e deve ser utilizada em Loja quando não se estiver exercendo cargo, destacando que Dignidades e Oficiais vestem colares com a respectiva joia distintiva do cargo.

Ocorre, entretanto, que essas faixas, vestidas do ombro direito para o quadril esquerdo, trazem na sua extremidade inferior, pelo seu lado interno, um dispositivo (feito uma presilha) que serve de suporte para a espada, o que não é de se estranhar, pois a faixa do Mestre tem origem nos antigos talabartes que traziam bainhas (estojo onde se introduz a lâmina de uma arma branca).

Sob essa óptica, embora o ritual mencione que os ocupantes de cargo não usam a faixa, mas colares, é verdade também que existem cargos em Loja cujo titular traz como seu objeto de trabalho a espada. É o caso dos Cobridores, por exemplo.

Assim, se o dispositivo preso à faixa serve para acondicionar a espada, o bom-senso nos alerta que esses titulares podem usar o colar e vestir por baixo deste a faixa

 na forma de costume, sobretudo como um meio apropriado para suportar a espada quando a ela não estiver sendo empunhada. Penso que é uma questão de lógica. Assim, essa regra pode também se aplicar perfeitamente ao ofício do 1º Experto.

Contudo, é bem verdade que muitas Lojas costumeiramente têm dispositivos fixados atrás do espaldar das suas cadeiras para servirem como suporte para a espada. O uso desse dispositivo também é perfeitamente admitido.

Por fim, cabe mencionar que no Sistema de Orientação Ritualística do GOB RITUALÍSTICA, concernente ao Grau de Mestre que logo será colocado na plataforma, esse detalhe será abordado, dando com isso também a possibilidade de utilização da faixa junto com o colar para aqueles que possuem a espada como seu objeto de trabalho.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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AGO/2020