terça-feira, 22 de maio de 2018

COLUNAS VESTIBULARES - B & J


Em 23/03/2018 o Irmão Companheiro Tarciso Silvestre Ferreira, Loja Filhos de Adonai, REAA, GOB-MA, Oriente de Presidente Dutra, Estado do Maranhão, solicita o seguinte esclarecimento:

COLUNAS VESTIBULARES


Gostaria de saber os motivos pelos quais a Grande Loja que diz ser do REAA usam as colunas J e B dentro do Templo posicionando o Cobridor que seria Interno e o Mestre de Harmonia atrás das colunas, consequentemente fora do Templo. E porque da inversão do Mestre de Cerimônia com o Hospitaleiro em relação às Lojas do GOB?

CONSIDERAÇÕES.

Pois é, em se tratando de Rito Escocês Antigo e Aceito as Colunas B e J são colunas vestibulares, portanto elas deveriam se posicionar no vestíbulo, ou no átrio do Templo ladeando a sua porta de entrada. B à esquerda de quem entra e J à direita.
Justifica-se essa disposição porque ela está diretamente associada à alegoria do Templo de Jerusalém onde as Colunas Gêmeas exteriorizadas são mencionadas na Bíblia conforme os livros de Reis e Crônicas e Paralipômenos.
Em Maçonaria, e em particular no REAA, fisicamente as Colunas também são conhecidas como solsticiais (relativas aos solstícios de João, o Batista e de João, o Evangelista) porque marcam simbolicamente a passagem dos trópicos de Câncer ao Norte e Capricórnio ao Sul. Isso se dá levando em conta a relação cosmogônica, própria do Rito Escocês que, embora tenha algumas tendências teístas (anglo-saxônicas), possui mesmo forte influência deísta dada às suas origens na Maçonaria francesa. Na concepção cosmogônica o Templo representa um segmento da superfície terrestre situado sobre a linha do equador – nesses limites se operam as transformações iniciáticas.
É por essa óptica que as Colunas Solsticiais se situam no limite ocidental do Templo maçônico. Assim, de dentro do Templo, aquilo que estiver situado além delas estará localizado no exterior do templo. É por essa razão que no REAA\ as Colunas devem se situar conforme a descrição bíblica, isto é, no vestíbulo do Templo e junto à porta de entrada.
Amiúde, é bom que se diga que a primeira visão que o observador tem do Templo é de fora para dentro. Isso é lógico em qualquer situação – quem ingressa no edifício o faz vindo de fora para dentro.
Comentários à parte, a questão é que nos Templos Maçônicos a situação dessas Colunas não tem caráter unânime e pode variar de lugar de acordo com os ritos maçônicos. Por questão doutrinária, e mesmo cultural essas Colunas às vezes podem também aparecer - conforme o Rito - interiorizadas e junto à parte interna da porta. Às vezes invertidas e, em outras até situadas em outros lugares distintos dentro da sala da Loja. Já no caso do REAA\ elas se situam mesmo, ou pelo menos deveriam se situar, tradicionalmente no Átrio.
Quanto à razão dessas distorções, veja que não é segredo para ninguém da existência de uma grande quantidade de edições de rituais que paulatinamente apareceram na Maçonaria brasileira ao longo da sua história. Desses rituais, inquestionavelmente muitos foram montados, copiados e enxertados com costumes de uns em outros ritos. Ao final desse processo apareceram indevidas inserções que permaneceram na viciada tradição latina em nome do tudo o que está escrito está irremediavelmente certo - o que nem sempre é verdade.
Quanto ao que diz respeito à posição invertida do Mestre de Cerimônias e do Hospitaleiro no REAA\, é a mesma coisa.
Isso se dá em alguns rituais simplesmente porque os erros se perpetuam a partir de cópias de procedimentos anacrônicos de rituais antigos.
Infelizmente ainda alguns “acham” que qualquer ritual antigo é sinônimo de coisa certa. Ora, isso está muito longe de estar de acordo com a verdade. Antiguidade nesse caso, nem sempre significa idoneidade.
No caso do Mestre de Cerimônias, que tradicionalmente ocupa a Coluna do Sul graças ao seu ofício de dar beleza à sessão (objetividade, fluidez e respeito), desafortunadamente alguns ritualistas inversamente o colocaram na Coluna do Norte por associá-lo ao deus mitológico Mercúrio, cujo planeta correspondente se localiza a nordeste na decoração da abóbada do Templo. Alegaram esses tratadistas que devido aos deslocamentos desse Oficial por todos os quadrantes da Loja ele se assemelhava com o deus mensageiro simbolizado pelo astro (planeta) que mais rapidamente se desloca pelo espaço sob o ponto de vista da Terra. Tudo isso não passa de mero exercício de imaginação.
Na verdade essa comparação é equivocada e não procede porque tradicionalmente os verdadeiros mensageiros na Loja são os Diáconos, não como condutores de documentos, recados ou afins, mas como os antigos oficiais de chão da época da Maçonaria Operativa. Note que não é por acaso que os Diáconos ocupam a banda nordeste e sudoeste do Templo, pois Mercúrio que é o planeta símbolo do deus mensageiro aparece na decoração da abóbada sempre na sua porção boreal.
Outro motivo dessa inversão é porque inadvertidamente muitos copistas de rituais não observaram a disposição dos cargos conforme o Rito. Por exemplo, é certo que alguns ritos invertem posições dos Vigilantes e de alguns Oficiais em relação aos outros. Isso pode ser facilmente conferido em se observando, por exemplo, a planta do Templo dos Ritos Moderno, ou Francês, Adonhiramita e Escocês Antigo e Aceito – vide que muitas dessas posições se invertem entre eles.
Assim, muitos rituais antigos que serviram muitas vezes como base para se compilar procedimentos, trazem essas distorções equivocadas em relação ao rito e que acabaram se consolidando em alguns rituais. É o caso do Mestre de Cerimônias mencionado na sua questão que contraditoriamente exerce o seu ofício, segundo um ritual, a partir da Coluna do Norte.
Devo mencionar a existência de muitas sutilezas na liturgia maçônica que explicam a razão e o significado das práticas ritualísticas. Copiá-las apenas sem uma análise mais crítica antes de inseri-las num ritual fatalmente poderá acabar em perpetuação erros.
Por fim, é certo que quando se aprova um ritual que traz consigo práticas contraditórias, acaba se prestando um desserviço à autêntica ritualística.


T.F.A.

PEDRO JUK


MAIO/2018

segunda-feira, 21 de maio de 2018

UFANISMO MAÇÔNICO


Sinceramente, na Sublime Instituição a atenção maior deveria ser dirigida à fraternidade. 
Sob o ponto de vista iniciático ninguém muda e contribui para o fortalecimento da Ordem se a base não aprender que precisa se aperfeiçoar. 
O verdadeiro crescimento da Ordem está no aperfeiçoamento do ser humano para que no futuro ele possa construir uma sociedade mais justa. 
Só se transformam em mensageiros da sabedoria aqueles que compreendem as exigências da Arte. 

Somente muda para melhor aquele que se dá por inteiro e se dedica à judiciosa instrução. 
As regras do aprendizado maçônico são únicas e estão todas a disposição do maçom na escola básica da Francomaçonaria. 
Precisamos aprender que pessoas e personalidades importantes realmente nos honram quando também participam da Maçonaria, entretanto elas não nos fazem melhores do que os outros. Elas são importantes sim, mas iguais entre todos os construtores sociais. 
Dia 19 de maio, devido ao casamento do neto da rainha inglesa, devaneios e divagações se avolumaram nas redes sociais postadas por maçons como se isso fosse alterar a geometria das coisas maçônicas. 
Ora, isso é o de menos. O de mais é que precisamos atender as nossas bases instruindo Aprendizes, aperfeiçoando Companheiros formando Mestres na acepção da palavra. 
Há que se deixar o ufanismo de lado, pois para a Maçonaria o mais importante é mesmo o maçom, não a "personalidade pública" que ele possa representar. 
Sem dúvida as personalidades fazem parte do processo, mas aqui aprendemos que não existem entre nós distinções mundanas.
É preciso que se entenda que nenhuma autoridade ou personalidade, por mais famosa que ela possa ser, possui o desiderato de tornar a essência da Maçonaria mais forte. 
O que realmente a torna forte nos tempos atuais é que ela seja composta por maçons forjados para a sua sublime finalidade.

O resto, bem o resto, me parece que são aparências. Pense nisso!

PEDRO JUK
Maio/2018

sábado, 19 de maio de 2018

DIÁCONOS E O SINAL NA TRANSMISSÃO DA PALAVRA - REAA


Em 20/03/2018 o Respeitável Irmão João Batista de Jesus Goes Pires Castanho, Loja Fraternidade São Roquense, 3.931, REAA, GOSP-GOB, Oriente se São Roque, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

DIÁCONOS E O SINAL NA TRANSMISSÃO DA PALAVRA.


Venho novamente recorrer ao seu vasto conhecimento, de uma dúvida que surgiu em nossa Loja, inclusive a partir de duas explicações do Irmão.
No Informativo JB News 806 de 10/11/2012 o Irmão faz a seguinte colocação, no momento
após o primeiro Diácono receber a palavra do Venerável, (em Loja Aberta): "Transmitida a palavra, volta-se a ordem novamente. Como o Diácono precisa romper a marcha em direção ao Primeiro Vigilante, atendendo também a regra de que não se anda com o Sinal este o desfaz para o cumprimento da missão". Ocorre que no Informativo 1.241 de 25 de janeiro de 2014, a referencia sobre o ato tem os seguintes dizeres: "Terminada a transmissão o Venerável volta-se novamente para o Ocidente e compõe o Sinal, enquanto que o 1º Diácono sem compor o Sinal, desce os degraus e segue sua missão". Fiquei aí com uma dúvida, após receber a palavra o 1º Diácono volta a ficar a Ordem, desfaz o Sinal e segue sua missão, ou após receber a palavra o Diácono simplesmente vai cumprir sua missão sem ter que voltar a Ordem antes? Entendo que a razão da composição do Sinal é por estar parado, mas se o Diácono após receber a palavra continuar o movimento não haveria necessidade, o Ritual não preconiza que o mesmo deva, após receber a palavra, parar e depois seguir na missão, é um tanto confuso, e o Ritual deixa no ar, mas com certeza o Irmão tem uma explicação plausível.

CONSIDERAÇÕES.

No que diz respeito à resposta no Informativo 1.241, o texto “sem compor o Sinal, desde os degraus e segue sua missão” é apropriado ao momento de deslocamento, ou seja, alerta para que ele não ande com o Sinal.
É oportuno então se comentar o seguinte: a transmissão ocorre em duas situações. Uma se refere ao encerramento dos trabalhos, isto é, quando a Loja ainda está aberta. Nesse momento, assim que o Diácono recebe a Palavra ele volta à Ordem para aguardar o Venerável ficar novamente de frente para o Ocidente. Assim que ele (o Venerável) retomar essa posição, o Diácono desfaz o Sinal e prossegue no seu percurso (no caso, não anda com o Sinal).
Cabe aqui uma explicação: durante a transmissão da Palavra em Loja aberta, é plausível que os protagonistas desfaçam o Sinal por uma questão de conforto e praticidade na execução do ato. Terminada a transmissão, ambos voltam à Ordem – o Venerável vira-se de frente para o Ocidente e o Diácono, ato contínuo, desfaz o Sinal para prosseguir na sua missão.
Veja. A ritualística é disciplina e não pode existir pressa na execução das suas ações. Assim, o Diácono aguarda o Venerável se voltar para o Ocidente na intenção de antes não lhe dar às costas. Enquanto aguarda, nesse breve momento, ele fica à Ordem. Justifica-se essa atitude em nome da elegância e da boa educação. Não há nada de esotérico nisso, senão uma questão de geometria refinada.
Já a outra, relativa ao início dos trabalhos, ao contrário do encerramento, a Loja ainda não está aberta, assim dispensa-se o Sinal, entretanto mantém-se a elegância que o ato merece, ou seja, sem compor o Sinal o Diácono aguarda o Venerável se voltar novamente para o Ocidente para ele então possa prosseguir no seu ofício.
Tudo é só uma questão de ordenamento ritualístico, entretanto se alguém não concordar e achar que essas ponderações sejam desnecessárias, então que ele proceda conforme o seu entendimento.
Se um ritual tiver que descrever minuciosamente a ritualística ele pode se tornar um meio temeroso de revelar a liturgia maçônica a não iniciados. Assim, prudentemente muitas das nossas verdadeiras práticas têm sido verbalmente transmitidas entre nós maçons. É bom que se diga que edição de rituais não é unanimidade na Maçonaria Universal. O Ritual é uma ferramenta que ordena os trabalhos ritualísticos, e não um artifício para descrever a liturgia minuciosamente. É dessa falsa compreensão que boa parte da Maçonaria latina vive apenas “do que está escrito”, não se importando com a veracidade daquilo que está escrito. Algumas Obediências lançam mão de Manuais de Dinâmica Ritualística para detalhar procedimentos.
Concluindo, devo mencionar que não quero com isso me tornar um consultor que dá respostas laudatórias, apenas eu tenho procurado encontrar explicações para a razão das práticas litúrgicas maçônicas, nesse caso, àquelas pertinentes ao REAA\. Afinal, por que elas existem? Por razão, ou por imaginação?

T.F.A.

PEDRO JUK

MAIO/2018

sexta-feira, 18 de maio de 2018

CÂMARA DO MEIO - V


Em 19/03/2018 o Respeitável Irmão Francisco Carlos Trindade dos Anjos, Loja Hiran, nº 45, Grande Loja do Estado da Bahia, REAA, Oriente de Nazaré, Estado da Bahia, formula a questão seguinte:

CÂMARA DO MEIO


Existe Câmara do Meio em Loja de Aprendiz. Na sessão da última quinta-feira, ao conduzir 03 irmãos Aprendizes para receberem a primeira Instrução entre colunas, os levei da Coluna do Norte passando pelo centro, saudando o Delta e seguindo pela Coluna do S
ul pelo centro da Loja até entre colunas. Fui criticado pelo irmão 1 Diácono que estava errado pois os Aprendizes não podem circular sobre o pavimento de mosaico pois ali se trata da câmara do meio onde só os Mestres tem acesso. Indaguei o irmão da seguinte maneira: Se estamos reunidos no Grau 1 Aprendiz Maçon não há Câmara do Meio, pois a mesma refere-se a sessão do Grau 3. Estou correto ou o Irmão 1º Diácono está correto?

CONSIDERAÇÕES.

São as carcaças de dinossauro – difíceis de consumir – que de vez em quando ainda afloram na imaginação de alguns maçons.
Ora, ora, ora, não dá para compreender como é que um Mestre Maçom menciona um disparate desses. Câmara do Meio é a Loja de Mestres ou uma Loja trabalhando no Terceiro Grau, nunca literalmente o meio do Templo por onde transitam os Maçons.
Simbolicamente a Câmara do Meio que deu origem a Loja de Mestre ficava no pavimento elevado do lendário Templo por aonde se subia a ela pela Escada Sinuosa (Caracol) composta por três, cinco e sete degraus.
Assim, ritualisticamente não faz sentido algum se imaginar que o Pavimento Mosaico, que a rigor deveria abranger todo o Ocidente, se situe no “meio” da Loja entre as Colunas do Norte e do Sul. Destaque-se que o que separa a Coluna do Norte da do Sul, ou vice-versa no templo maçônico, é o eixo imaginário, também conhecido como equador.
No que diz respeito à circulação pelo recinto, tanto em Loja de Aprendiz como na de Companheiro, indiscutivelmente todos podem passar pelo espaço central do recinto quando houver necessidade de uma eventual circulação. É o caso, por exemplo, de que por questões ritualísticas um Aprendiz ou um Companheiro precise ser conduzido para entre Colunas no extremo do Ocidente, ou mesmo se retirar e retornar por cobertura temporária do Templo em cumprimento à necessidade litúrgica. Tudo isso acontece em Loja aberta e a circulação é feita normalmente sempre no sentido horário - do Norte para o Sul cruza-se o equador próximo ao limite com o Oriente e do Sul para o Norte próximo à porta no extremo do Ocidente.
Nesse sentido, nada pode obstar essa perambulação, principalmente em se querendo justificar com o equívoco de que o centro da Loja é a Câmara do Meio.
É bom que se diga que algumas Obediências brasileiras ainda colocam o Pavimento Mosaico no REAA dimensionado (representado) por um retângulo ao centro.
Infelizmente esse tem sido um costume ultrapassado oriundo dos tempos antigos quando as Lojas alugavam recintos precários e, em adaptação, representavam o Pavimento por esse dispositivo.
Do mesmo modo, também outros confundem essa representação do Pavimento com o piso de trabalho (rug working) que é um tapete quadriculado muito utilizado no Craft Inglês - aqui conhecido como Rito de York.
Tudo isso, junto e misturado, fez e ainda faz com que alguns Irmãos confundam que sobre esse limite quadrangular só possam transitar Mestres, sob a alegação de que ali é a Câmara do Meio.
Por óbvio, nada disso faz sentido, pois como aqui já mencionado, a Câmara do Meio é a Loja de Mestre e nada tem a ver com a Loja de Aprendiz e de Companheiro na Moderna Maçonaria.
Iniciaticamente os Aprendizes ocupam lugar no topo da Coluna do Norte (junto à parede setentrional) e os Companheiros no topo da do Sul (junto à parede meridional). Agora, em deslocamento, quando necessário, eles passam pelo centro do Ocidente observando à circulação horária, podendo, inclusive, ser conduzidos para ficar entre Colunas em cumprimento à liturgia. Aprendizes e Companheiros só não podem é ingressar no Oriente em Loja aberta.
Dando por concluídos esses comentários, cabe esclarecer que o Irmão Primeiro Diácono da vossa Loja está completamente equivocado na sua observação.


T.F.A.

PEDRO JUK

MAIO/2018

quinta-feira, 17 de maio de 2018

REJEIÇÃO DE CARGO EM LOJA


Em 18/03/2018 o Respeitável Irmão Daniel Leonel Alves, Loja Filhos da Viúva, REAA, GOSP - GOB, Oriente de Barretos, Estado de São Paulo, apresenta o seguinte.

REJEIÇÃO DE CARGO


Por favor, gostaria de saber se um Irmão pode não aceitar o cargo oferecido pelo Mestre de Cerimonias para a abertura dos trabalhos, principalmente quando não temos nº de Irmã
os suficientes. Inclusive tive que pedir ajuda aos irmãos visitantes.

CONSIDERAÇÕES.

O maçom nasceu para o trabalho e a sua missão é trabalhar constantemente para o progresso da humanidade. Nesse sentido, o avental é o símbolo maior dessa máxima. Daí, nenhum maçom será admitido nos trabalhos de uma Loja sem estar vestido com o seu avental.
Partindo desse princípio que serviu de base para concluir esse raciocínio, nenhum Irmão, nesse caso, Mestre Maçom, deve se negar a prestar auxílio para a que se dê realização aos trabalhos. Além disso, há o aspecto da solidariedade maçônica que deve ser de pronto executada.
Considerando que cargos em Loja somente devem ser preenchidos por Mestres Maçons, sobretudo esses como detentores da plenitude, têm para si assegurados todos os direitos maçônicos, entretanto também têm obrigações a serem cumpridas, dentre as quais, é de sempre estar à Ordem, isto é, preparado e pronto para o trabalho. Simbolicamente isso pode ser demonstrado quando o Mestre é senhor do centro até os mais longínquos rincões terrestres.
Assim, dado ao exposto, é de péssima geometria um Mestre Maçom, em condições normais, se negar a exercer um cargo em Loja – isso em Maçonaria é consuetudinário.
Obviamente que o Mestre de Cerimônias, no caso do REAA\, deve ter o discernimento de ao compor a Loja, em faltando titulares, primeiro ele deve pedir auxílio aos Irmãos do Quadro, sendo insuficiente, ele pode então solicitar auxílio a algum Irmão visitante, se for o caso.


T.F.A.

PEDRO JUK

MAIO/2018

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O VENERÁVEL MESTRE VISITANTE USA PUNHOS?


Em 14/03/2018 o Respeitável Irmão Daniel Gonçalves J. Filho, Venerável Mestre da Loja Perseverança de Paranaguá, 159, REAA, GOB-PR, Oriente de Paranaguá, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

O VENERÁVEL MESTRE VISITANTE USA PUNHOS


O Venerável Mestre em visita a outra Loja usa os punhos do seu paramento ou só em sua Loja, já que os punhos significam poder.

CONSIDERAÇÕES.

Quando um Mestre é instalado na Cadeira da Loja para cumprir o seu mandato (um ou dois anos), ele é o Venerável Mestre.
No caso do Grande Oriente do Brasil os paramentos de um Venerável Mestre do REAA\, conforme especifica o ritual de Mestre em vigência (2009), se constituem no avental, colar com a joia, e os punhos. Cumprido o seu mandato e passando o malhete ao seu sucessor ele continua a deter o título honorífico de Mestre Instalado que, por extensão, significa que ele é um Ex-Venerável, podendo ser o mais recente ou não. Do mesmo modo, o ritual mencionado acima especifica como são os paramentos de um Ex-Venerável (Mestre Instalado).
Assim, de acordo com o ritual, um Mestre Instalado continua mantendo praticamente os mesmos paramentos do Venerável. A exceção é que a joia foi substituída pela pertinente à do Mestre Instalado e que ele não utiliza mais punhos (conforme a legislação do GOB).
Quanto a sua questão propriamente dita, explico que durante o período para qual ele foi eleito e empossado, um Venerável Mestre é um Venerável em qualquer situação – tanto na sua Loja como seu dirigente (porta o malhete) ou em outra Loja como visitante (sem portar o malhete).
Então, sob esse raciocínio, mesmo como Venerável Mestre visitante ele veste os paramentos completos, inclusive os punhos.
É sempre oportuno mencionar que Mestre Instalado não é grau, senão um título honorífico dado àquele que foi um dia o Venerável Mestre de uma Loja.
Outras ponderações pertinentes:
A despeito de que Instalação é mesmo original da Maçonaria inglesa, na Inglaterra o avental do Past-Master (Ex-Venerável no Craft) possui os três níveis-prumos (os tais “taus invertidos”) envoltos com bordado da mesma cor da orla do avental, enquanto que o Mestre da Loja (Venerável Mestre) traz os mesmos símbolos no avental, porém sem nenhuma cobertura bordada. Os níveis-prumos permanecem fixados no avental do Venerável Mestre na cor natural - prateada como utilizado na Inglaterra.
Infelizmente aqui do Brasil, desde 1968, o GOB adotou indevidamente uma cerimônia encomendada de instalação e a implantou de modo generalizado, o que fez com que esse enxerto atingisse de cheio no REAA\, que é um rito de origem francesa e não detém originalmente essa prática.
Cabe então explicar que na França não existe cerimônia de instalação tal como ela é aqui adotada. Na França, “instalar”, significa simplesmente “empossar”, não existindo, portanto, esse título de Mestre Instalado. A Maçonaria francesa simplesmente tem o Venerável Mestre e os Ex-Veneráveis.
Mas como a boca se entorta conforme o uso do cachimbo, por aqui muitos desconhecem esses detalhes, dentre os quais, por exemplo, o de se trazer os níveis-prumos do avental do Ex-Venerável (Mestres Instalados) cobertos com bordado.
Outros dois pormenores que também diferenciam a identificação do Venerável em exercício do Ex-Venerável é a sua joia. Nos ritos de origem francesa e inglesa o Venerável traz apenso do colar a joia distintiva que é um Esquadro Operativo. Nesse caso, a joia inglesa é em formato um pouco maior do que a francesa. Já quanto a joia do Ex-Venerável existe diferença entre as duas vertentes. A inglesa traz consigo na parte interna do Esquadro a representação pictográfica da 47ª Proposição de Euclides (aplicação do Teorema de Pitágoras), enquanto que a vertente francesa traz como joia um Compasso aberto em 45º sobre um quarto de círculo graduado tendo um pequeno Sol, ou Olho Onividente ao centro.
Em se comentando a vertente francesa de Maçonaria, as joias e galões são dourados no REAA\ e prateadas (como a inglesa) no Rito Moderno, ou Francês e no Rito Adonhiramita.
Sob essa óptica há que se observarem então diferenças significativas entre os paramentos do Venerável e dos Ex-Veneráveis nas duas respectivas vertentes maçônicas. Não obstante todos os enxertos e invenções equivocadamente inseridas, muitas dessas sutilezas passam ainda despercebidas de muitos maçons brasileiros.
Como se pode ver meu Irmão, a questão não é só a de se utilizar ou não os punhos do Venerável quando ele estiver em visita, mas a de que um dia as coisas se coloquem nos seus verdadeiros lugares. Ao contrário, não há como se dar uma explicação deveras convincente.


T.F.A.


PEDRO JUK


MAIO/2018

terça-feira, 15 de maio de 2018

SINDICÂNCIA POR TELEFONE


Em 13/03/2018 o Respeitável Irmão Antonio Sergio Nogueira, Loja Dever e Humanidade, 860, sem mencionar o Rito, GOB-PE, Oriente de Caruaru, Estado de Pernambuco, solicita o seguinte esclarecimento:

SINDICÂNCIA POR TELEFONE.


Tenho 22 anos de iniciado em nossa sublime Ordem. Pensei que já tinha visto de tudo, mas, ainda, me surpreendo com a postura de alguns irmãos. Devido ao meu trabalho estou frequentando uma Loja em outro Oriente e para minha surpresa fiquei sabendo de irmãos fazendo sindicância com candidatos por telefone. Gostaria do ponto de vista e/ou comentário do Irmão ou enviar algum material, seu, já publicado a respeito. O seu comentário é importante e necessário. No meu ponto de vista, este tipo de comportamento é inadmissível, porém, gostaria do seu comentário.

COMENTÁRIOS.

Na realidade esse absurdo é uma profusão de erros que, quando acontecem, provavelmente tem conivência de outros – o Venerável Mestre e o Orador, principalmente, não podem ficar alheios a essas barbaridades.
É mesmo lamentável que isso possa acontecer, pois o ato da sindicância é algo de extrema responsabilidade do sindicante para com a sua Loja.
Sindicâncias são individuais e pessoais. O sindicante deve ser um Mestre Maçom cujo qual é nomeado sigilosamente pelo Venerável Mestre. Geralmente em número de três, seus nomes somente serão revelados ao Quadro após as leituras das sindicâncias em Loja e em uma mesma data marcada.
Tão importantes são as sindicâncias que elas antecedem o escrutínio secreto. Esse último só se realiza se entre as sindicâncias não houver contradições. Nesse sentido, nenhum sindicante pode dar conhecimento a ninguém da sua identidade como sindicante. O conteúdo de cada sindicância fica restrito ao sindicante e o Venerável Mestre que o nomeou até a data das suas exposições na forma da Lei.
Assim, é errada qualquer sindicância feita em grupo de sindicantes. Elas são individuais e devem ser previamente marcadas entre o sindicante e o sindicado (com a sua família). Sindicância maçônica é feita frente a frente, olhos nos olhos, em cujo momento o sindicante pode avaliar, inclusive, o ambiente familiar e as opiniões dos mais próximos do sindicado quanto à possibilidade dele vir a pertencer à Maçonaria.
Quanto ao telefone, é mesmo inadmissível que alguém desrespeitosamente e eivado de preguiça cometa o desatino de realizar uma sindicância por telefone. Esse é um tipo de atitude que deve ser coibido por quem de direito, no caso pelo Orador e pelo próprio Venerável que não deve aceitar uma barbaridade dessas, caso contrário ele pode se tornar conivente com essa prática desrespeitosa para com a sua Loja. É mesmo o cúmulo se imaginar que um “Mestre Maçom” seja capaz de tomar uma atitude dessas.
Diante da existência de um fato desses, o Orador da Loja deve impreterivelmente pedir impugnação dessa sindicância, assim como de sindicâncias que porventura tenham sido feitas numa mesma oportunidade e num mesmo local pelos sindicantes que, ao rigor da lei, nem se deveriam revelar uns aos outros antes dos procedimentos legais.
Concluindo, a sindicância é um ato exclusivo de nomeação do Venerável Mestre que designa alguém para fazê-la. Ninguém pode interferir nessas verificações e muito menos no resultado das sindicâncias. O conhecimento dos seus conteúdos é apresentado à Loja ao mesmo tempo quando o Venerável Mestre pede auxílio para as suas respectivas leituras ao Orador e ao Secretário. Ao final ele dá à Loja o conhecimento de quem foram os sindicantes do candidato.


T.F.A.

PEDRO JUK

MAIO/2018