sexta-feira, 21 de abril de 2023

INICIAÇÃO - CONDUÇÃO DO CANDIDATO AO TEMPLO

Em 09.12.2022 o Respeitável Irmão Carlos Resende, Loja Cavaleiros do Sol, 3195, GOB-MS, REAA, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, formula o que segue:

 

A CONDUÇÃO DO CANDIDATO AO TEMPLO

 

Eminente Irmão, que o GADU te permita sempre iluminado e com muita saúde e paciência conosco, para que nos transmita suas Luzes.

Sabemos que muitas Lojas, inclusive a minha, têm algumas tradições que vem lá de trás e que são quase imutáveis.

Me refiro aqui ao "tour" realizado pelos Irmãos que vão buscar o candidato, passando pela Maternidade (falando sobre nascimento, igualdade no nascimento dentre outras coisas). Depois se vai até a porta de uma Delegacia de Polícia e ali mais um discurso de que o Maçom deve evitar entrar ali como delinquente/infrator, a não ser para visitas;

E, por último, se leva o candidato até ao cemitério, orientando-o a buscar uma sepultura qualquer, acender um pacote de velas e ficar lá por algum tempo, meditando.

Depois, vem o discurso para que o candidato reflita sobre a morte, etc... etc...

Em seguida, se v o candidato e segue para entregá-lo ao Irmão Ter na porta do Templo.

Eu mesmo já fiz isso como candidato e também como condutor.

Enfim, este é, resumidamente, o que se pratica em algumas Lojas.

Ocorre que, quanto mais leio e interpreto as orientações Ritualísticas, aliando-se às evoluções e aos perigos de se conduzir uma pessoa vend pelas ruas, mas me convenço que nosso Ritual de Aprendiz e o SOR deixam claro que a INICIAÇÃO começa ali na porta do Templo com o Irmão Ter. E que todas essas encenações pelas ruas são desnecessárias e temerárias. Sob a minha interpretação, tudo isso que tentam passar ao candidato está implícito e aos olhos do candidato lá na Câmara de Reflexão em toda a simbologia lá existente. E que, nas primeiras Sessões ao neófito, isso deveria merecer um bom Tempo de Estudos.

Claro que posso estar totalmente errado nas minhas interpretações, e é por isso que agradeceria receber mais uma aula de sabedoria do Eminente Irmão.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

De início devo salientar que de fato nenhuma dessas encenações constam no nosso Ritual e nem no SOR.

É de fato inacreditável até aonde chega a imaginação e o poder de criação de alguns, ao ponto de fazer com que a Maçonaria enverede por caminhos tortuosos e temerários.

Ora, Maçonaria, ao que consta, nada tem a ver como maternidade, delegacia de polícia e muito menos com necrópoles.

Ao que parece é que a falta total de conhecimento sobre os verdadeiros propósitos da Sublime Instituição acaba fazendo com que alguns Irmãos se dediquem a inventar procedimentos que desrespeitam tudo o que está legalmente previsto, no caso no Ritual do REAA em vigência no GOB.

É preciso avisar alguns que o que deve ser seguido está no Ritual e o SOR, dispensando-se, portanto, qualquer justificativa que evoque costumes e tradições da Loja. Se assim fosse, então ritual serve para quê?

Também não se justificam desculpas esfarrapadas do tipo de que todas essas barbaridades ocorrem extra loja, ou seja, antes da cerimônia de Iniciação.

Ora, é oportuno mencionar que o ato iniciático começa quando um ou mais Irmãos, como guias e em nome da Maçonaria, conduzem o Candidato do aconchego do seu lar até o edifício da Loja.

Assim, vale alertar aos “inventores” de práticas não previstas, para que antes conferissem o que consta no Ritual de Aprendiz em vigência do REAA/GOB, item 3.4.1.1, Iniciação – Preliminares; páginas 95, 96 e parte da 97. Certamente que não encontrarão nada que combine com o bizarrismo de se andar por maternidades, delegacia de polícia e cemitérios no dia da Iniciação.

A propósito, é oportuno mencionar os dois parágrafos iniciais das preliminares acima citadas que constam do ritual. Por si só elas já demonstram a magnitude de uma cerimônia iniciática:

“A Iniciação é o primeiro contato (o grifo é meu) ativo que o prof, agora candidato tem na Ordem, consequentemente deve ser solene e grave (o grifo é meu)”.

“Recomenda-se não iniciar mais de três candidatos (o grifo é meu), em uma única Sessão Magna, sendo o ideal um só candidato (o grifo é meu), dada a importância para o nascimento do Maçom (o grifo é meu)”.

Nesse contexto, o ritual também menciona que o Candidato desvend é introduzido no edifício e entregue ao Exp e ao Tes. Isso por si só já demonstra que o candidato somente será vend depois que estiver dentro do edifício que abriga a Loja.

Não se admite candidato vend antes do que está previsto justamente para que se evitem prováveis dissabores com autoridades policiais por conta de uma enganosa interpretação que confunda a condução do Candidato com uma ação criminosa. Nessa condição, o desrespeito ao Ritual é também um ato de irresponsabilidade, pois pode colocar a Ordem Maçônica em uma situação no mínimo embaraçosa.

Já que o assunto é o devido respeito pelo Ritual, vale também lembrar que o Ritual e o SOR recomendam, dada a solenidade do ato, um máximo de três candidatos na Iniciação, enfatizando que o ideal seria apenas um.

Infelizmente, nessas circunstâncias ainda há Lojas que desrespeitam essa recomendação, iniciando vários candidatos de uma só vez, ou seja, mais que o recomendável pelo ritual, fazendo com isso Iniciações por atacado como fossem verdadeiros mercados de peixe.

Nessas condições, certamente o iniciado nunca viverá a verdadeira Iniciação, isto é, estará longe de compreender filosoficamente o ato inicial da transformação.

Desse modo, ao concluir reitera-se que uma iniciação maçônica nada tem a ver com maternidades (setor hospitalar para mulheres no último estágio da gestação), com delegacias de polícia (repartição em que o delegado exerce a sua função) e nem com cemitérios (lugar onde se enterram e guardam os mortos).

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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ABR/2023

 

quinta-feira, 20 de abril de 2023

IRMÃOS SABATINADOS E A COBERTURA DO TEMPLO

Em 07/12/2022 o Irmão Luís Filipe Torres Conceição, Loja Fraternidade Ferrense, 2230, REAA, GOB-MG, Oriente de São Pedro dos Ferros, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

 

IRMÃOS SABATINADOS

 

Em uma sabatina do Grau 01, fui convidado, como Aprendiz, a cobrir o templo para outro irmão ser sabatinado. O Orador de ofício informou que, como não há previsão legal de que os Aprendizes permanecem ou não em Loja durante a sabatina, a Loja é soberana em decidir se os Aprendizes ficam ou não durante o exame. Gostaria de saber se uma Loja, em seu regimento interno, pode contraria o RGF? Além disso, há alguma sustentação para que os irmãos aprendizes que não serão sabatinados cubram o templo durante a sabatina?

 

CONSIDERAÇÕES.

 

É mesmo impressionante como alguns Irmãos adoram complicar as coisas em nome de se sabe lá o quê. Ora, justamente por não existir nada previsto na legislação que proíba a presença de Irmãos de um mesmo grau durante uma sabatina é que todos podem se fazer presentes, isto é, os que de um mesmo grau serão ou não sabatinados.

                     Retirar os Irmãos de um mesmo grau que não serão sabatinados é algo que de fato não faz sentido. Isso se justifica porque não há o que esconder, por exemplo, de um Aprendiz em uma sessão do Grau 01, esteja ele sendo sabatinado ou não. Portanto é seu direito
assistir o exame que outro Irmão do mesmo grau irá se submeter.

Não há o porquê de se inventar regras, pois se assim fosse, Aprendizes mais novos no grau não poderiam participar de uma sessão em que Aprendizes mais antigos se fizessem presentes. Veja o tamanho do contrassenso.

Conforme menciona o RGF no seu Artigo pertinente, após tomado o questionário do examinado, o templo será então coberto aos Aprendizes. Note que no Diploma Legal não está previsto que no dia da sabatina estejam presentes apenas os Irmãos que serão sabatinados, mas outros do mesmo grau.

Assim, são retirados todos os Aprendizes para que a Loja seja então transformada ritualisticamente em Grau 02, oportunidade em que será deliberado por votação o aumento de salário do(s) sabatinado(s). Cumprido o procedimento, a Loja retorna aos trabalhos no 1º Grau, e todos os Aprendizes retornam aos trabalhos. O Venerável então comunica ao(s) sabatinado(s) o resultado da avaliação.

Desse modo, não há restrição para que outros Aprendizes, que não serão examinados, assistam a sabatina, pois no caso ela ocorre no 1º Grau. Precisamos parar de inventar regras não servem exatamente para nada. Ao contrário, somente truncam o bom andamento dos trabalhos.

Por fim, ao encerrar vale a pena lembrar que nessa situação não é o Aprendiz quem cobre o templo, pois quem é o responsável pela cobertura do templo é o Cobridor.

Infelizmente esse é outro paradoxo, e como tal precisa ser urgentemente sepultado.

Veja, nesse caso quem terá que se retirar é a pessoa que terá para si o templo coberto. Nessa conjuntura, a cobertura do templo significa que por algum motivo legal o Aprendiz temporariamente não poderá permanecer nos trabalhos.

Dessa maneira, se contraditoriamente o Aprendiz fosse quem cobrisse o templo - como é dito por alguns - então todos os demais, sem exceção, deveriam se retirar para que o Aprendiz permanecesse cobrindo o templo. É fácil ver que isso não faz nenhum sentido.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

Secretário Geral de Orientação Ritualística / GOB

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

ABR/2023

quarta-feira, 19 de abril de 2023

BANQUETE RITUALÍSTICO OU LOJA DE MESA?

Em 06.12.2022 o Respeitável Irmão Wagner Coswig. Loja Acácia, 3978, REAA, GOB-SC, Oriente de Camboriú, Estado de Santa Cataria, apresenta a seguinte questão:

 

LOJA DE MESA OU BANQUETE RITUALÍSTICO

 

Estou fazendo uma pesquisa acerca do jantar ritualístico o qual nossa loja realizará em nossa próxima sessão dia 07/12, e como alguns Irmãos têm dúvidas sobre sua origem e significado resolvi fazer um breve estudo sobre o assunto. Porém estou achando dificuldades pois fala-se em banquete em loja, banquete ritualístico, algumas literaturas confundem com o Ágape tradicional ao final das sessões. Se o Irmão puder me esclarecer estas dúvidas sobre o banquete ritualístico, suas origens, significado, o porquê ser realizado nos solstícios, ficarei imensamente agradecido novamente.

 

CONSIDERAÇÕES

 

No caso, o título apropriado de uma reunião ritualística de comensais em torno de uma mesa, cujo desenvolvimento se dá obedecendo a um ordenamento litúrgico exarado por um ritual maçônico denomina-se Loja de Mesa.

Esse título se justifica porque na ocasião é de fato aberta ritualisticamente uma Loja seguindo o ritual vigente de uma Obediência.

                   Não se pode confundir ágapes fraternais (jantares), conhecidos em alguns casos como “copos d’água”, e que geralmente ocorrem após o final dos trabalhos em recintos apropriados, com uma Loja de Mesa que obedece a liturgia de um determinado rito.

Esses jantares, que costumeiramente ocorrem após a sessão com brindes aleatórios, nada tem a ver especificamente com uma Loja de Mesa. Longe de ser uma Loja de Mesa, a tradição de se reunir em um jantar após as sessões maçônicas advém dos tempos primeiros em que os maçons especulativos ainda se reuniam em tabernas e cervejarias. Nessa época ainda não existiam templos maçônicos. O primeiro deles somente apareceria em Londres no ano de 1776.

Na Maçonaria anglo-saxônica, é possível se encontrar Lojas que possuem um tempo para recreação, oportunidade em que os trabalhos são suspensos para que os Irmãos participem de um jantar e se regozijem com brindes efusivos. Encerrado o evento, todos retornam à Loja para dar continuidade aos trabalhos. Essa prática não pode ser confundida com a abertura de uma Loja de Mesa.

Embora de uso consagrado em alguns países, o título de “banquete ritualístico” de fato não é o nome mais apropriado para uma Loja de Mesa.

Quanto à história das Lojas de Mesa na Maçonaria, a sua origem se deve às associações simplesmente religiosas da época que, a partir do século XII, começavam a formar corpos profissionais, ou seja, as Guildas de mercadores e artesãos.

Às Guildas deve-se o primeiro documento onde é mencionado a palavra “Loja” para designar uma corporação de ofício e o seu espaço de trabalho e exposição – guildas de alfaiates, de sapateiros, de jardineiros, etc.

Nessa conjuntura, vale mencionar que as Guildas, junto com as organizações dos Ofícios Francos foram as principais precursoras da Maçonaria (Francomaçonaria).

O termo Guilda, (Gild), é de origem teutônica e se deriva de um antigo título dado a um ágape religioso que era comumente praticado na antiga região da Escandinávia. Durante esse ágape, em uma cerimônia apropriada, eram despejados no chão três chavelhos (copos de chifre) cheios com cerveja, oportunidade em que eram homenageados deuses, antigos heróis e a memória de antigos parentes já falecidos. No encerramento desse cerimonial, os comensais então juravam defender uns aos outros como irmãos, socorrendo-se mutuamente nos momentos em que a vida pudesse lhes apresentar reveses.

Nas Guildas, geralmente essas reuniões comensais e religiosas ocorriam nos solstícios de inverno e de verão no hemisfério Norte. Nada a estranhar nesse sentido, já que os cultos solares sempre fizeram presentes na cultura e tradição das antigas civilizações.

Ainda no século XII, época do aparecimento da Maçonaria de Ofício ou dos Ofícios Francos - que eram corporações de construtores com privilégios concebidos pela Igreja – os seus membros comumente se reuniam em festas solsticiais. Graças a isso é que as suas Lojas ficariam conhecidas como as Lojas de São João, pois que as datas comemorativas a João, o Batista e João, o Evangelista, respectivamente, ocorrem em datas muito próximas aos solstícios de verão e de inverno no hemisfério Norte.

Nessas circunstâncias, vale lembrar que a referência feita ao hemisfério Norte se dá porque foi nesta região que a Maçonaria nasceu e floresceu (Norte da Europa).

Sob o ponto de vista do ofício e o profissional da construção, os rigores do ciclo invernal nas latitudes do Norte da Europa eram impróprios para o trabalho, que geralmente era paralisado nessa estação.

Isso, de certo modo acabava regulando o desenvolvimento profissional, fazendo com que o verão e o inverno servissem como uma espécie de baliza para o calendário do ofício.

À vista disso, a Moderna Maçonaria conserva a tradição de comemorar em Lojas de Mesa a plenitude e a volta da Luz, daí as comemorações solsticiais de verão e de inverno, ambos períodos associados às festas patronais de João, o Batista, a 24 de junho e João, o Evangelista, a 27 de dezembro – base nos cultos solares.

Além dos períodos solsticiais mencionados nesse contexto, ainda, no lastro do misticismo iniciático da Luz e a Maçonaria, também é comum, mas menos frequente, se abrirem Lojas de Mesa nas datas equinociais da primavera e do outono que ocorrem no hemisfério Norte.

Nessa alegoria solar, a primavera simboliza o renascimento e da ressurreição da Luz (Natureza), e o outono a maturidade e o resultado dos bens produzidos pelas estações.

Em relação aos rituais e a liturgia das Lojas de Mesa na Maçonaria, muito se escreveu a respeito e com isso, além de se encontrar bons escritos, também é possível se encontrar toda a sorte de “achismos” e invenções. Assim, remontar os conceitos mais apropriados é uma empreitada que requer perseverança e observação isenta e acurada.

Há rituais sofríveis, e outros aceitáveis. Inicialmente o pesquisador deve rever a condição e os porquês da existência de uma Loja de Mesa, tanto na sua conjuntura histórica como na sua mística e iniciática.

Não há dúvida que o simbolismo de uma Loja de Mesa é precioso para atender e alcançar o seu objetivo iniciático. Contudo, infelizmente, talvez pela imensa quantidade de rituais que já foram editados, também toda a sorte de invencionices e procedimentos condenáveis podem ser encontrados. A prova disso é quando se chama uma tradicional Loja de Mesa de “banquete ritualístico”, não obstante outros rituais que prevêem se ficar à Ordem sentado e ainda por cima fazer o Sin Gutse utilizando de um dos talheres que compõem a decoração da mesa. Desafortunadamente ainda há rituais em vigência que adotam esse tipo de absurdo.

Na verdade, tudo isso não passa de um amontoado de procedimentos contraditórios que vem sendo copiados e inseridos em novos rituais editados. Sem dúvida, dentre eles existem bons rituais, mas os restos dos dinossauros ainda se fazem presentes por serem difíceis de se consumir.

Sobre a composição, liturgia, ritualística e decoração de uma Loja de Mesa, sugiro uma atenção acurada para que na sua pesquisa seja separado o joio do trigo.

Muitos dos elementos tradicionais que compõem a decoração de uma Loja de Mesa são nominados com base em ferramentas e materiais de construção (telhas, picaretas, areia branca, materiais, etc.). Essa é uma característica natural herdada dos tempos do ofício. Outras, ainda se conservam porque se derivam de costumes naturais das Lojas Militares (canhão, barricas, fogo, armas, pólvora fraca, etc.), principalmente das inglesas que, pelas características expansionistas da Coroa Britânica da época, acabariam se espalhando pela face da Terra.

 

T.F.A.

 

 

 PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

http://pedro-juk.blogspot.com.br

 

 

ABR/2023

 

segunda-feira, 17 de abril de 2023

CORDA COM NÓS NO 3º GRAU

Em 04/12/2022 o Respeitável Irmão Cláudio Matias Peres, Loja Ângelo Avena, 4035, GOB-SP, REAA, Oriente de Guarulhos, Estado de São Paulo, faz a pergunta seguinte:

 

CORDA COM NÓS NO GRAU 03

 

O que representam a corda e os nós no grau 3 do REAA? Há alguma distinção da sua representação nos graus 1 e 2?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Em linhas gerais o cordel com nós equidistantes - que nada tem a ver com a corda de 81 nós que aparece na decoração das Lojas de alguns ritos - é um dos elementos utilizados no trabalho especulativo do Mestre Maçom na Moderna Maçonaria.

                      Sem a pretensão de revelar nenhum segredo insofismável do 3º Grau, este cordel constituído por nós equidistantes remonta aos tempos operativos e era um utensílio que servia para apurar o canto (90º) se utilizando das propriedades geométricas do triângulo retângulo pela 47ª Proposição de Euclides (Teorema de Pitágoras).

Historicamente, nas construções, a exemplo das grandes catedrais na Idade Média, o canto primitivo (o primeiro) era levantado sobre a pedra angular e servia como referência de aprumada e nivelamento para toda a obra. Nas latitudes setentrionais essa pedra angular, sobre a qual era erguido o primeiro canto, se situava na banda nordeste do canteiro de obras.

Esse cordel, então dividido a partir de uma das suas extremidades em 12 partes iguais por grupos de 3, 4 e 5, servia para demarcar um triângulo retângulo cuja junção angular entre os catetos resultava na esquadria, no caso, o canto com 90º. A eficiência de um canto justo e perfeito revelava-se na figura do triângulo retângulo cujos catetos possuíam respectivamente 3 e 4 partes iguais, e a sua hipotenusa 5 partes iguais.

Historicamente, o sigilo pertinente a essa prática era meramente profissional, já que em tempos dantes os nossos antepassados detinham cuidadosamente os segredos do ofício. Desse sigilo, dependia-se inclusive do sucesso econômico da corporação.

Fora das lides maçônicas, no campo profissional da construção civil, por exemplo, não é mais preciso ser um iniciado para se conhecer essas propriedades geométricas, pois, dentre outros, os profissionais da construção civil comumente esquadrejam os gabaritos da obra se utilizando basicamente desse mesmo processo.

No tocante ao simbolismo iniciático, reserva-se aos Mestres Maçons o conhecimento esoterico desta alegoria.

 

 

 

T.F.A.

jukirm@hotmail.com

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ABR/2023

TRANSFORMAÇÃO DE LOJA E A APROVAÇÃO DA ATA

Em 03.12.2022 o Respeitável Irmão Luis Estrada, Loja Pioneiros de Mauá, REAA, GOB-RJ, Oriente de Magé, Estado do Rio de Janeiro faz a pergunta seguinte:

 

ATA E A TRANSFORMAÇÃO DA LOJA

 

Hoje estou como secretário. Gostaria de uma orientação, pois surgiu uma dúvida, partindo de nosso irmão Orador, pois a Loja foi aberta no grau 1, porém foi transformada para o grau 2, e foi fechada neste mesmo grau, a dúvida é a seguinte, não teria que retornar ao grau 1, já que foi aberta neste grau? Outra dúvida, neste caso são feito 02 Atas, uma do grau 1 e outra do grau 2, correto?

 

CONSIDERAÇÕES

 

Sim, a Loja deveria ter voltado para o grau em que ela fora primeiramente aberta para então ser encerrada.

Por si só, uma transformação de Loja significa que a Loja estava aberta em
outro grau e precisou ser transformada. Assim, cumpridos os porquês da transformação deve retornar ao grau em que incialmente estava aberta.

Em síntese, não se abre Loja em um grau e se fecha em outro. As transformações existem, mas como consta no ritual, é previsto o retorno.

Sobre a ata, é preciso uma redação sobre o ocorrido na Loja transformada. Preferencialmente essa ata da Loja transformada deve ser aprovada na mesma sessão em que ela foi transformada, isto é, aprová-la antes de retornar ao grau de origem é o mais recomendável.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

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ABR/2023

quarta-feira, 12 de abril de 2023

SOL ILUMINADO NO TETO DO TEMPLO

Em 01.12.2022 o Respeitável Irmão Jackson Roberto Stork, Loja 13 de Maio II, 2167, REAA, GOB-MT, Oriente de Tangará da Serra, Estado do Mato Grosso, apresenta a questão seguinte:

 

LUZ DO SOL

 

Gostaria de saber em que momento deve ser acesa a luz do Sol que fica no Oriente sob o Altar dos Juramentos. Em nossa Loja a luz deste sol que fica no teto é acessa em dois momentos:

1. Nas sessões ordinárias o acendimento é feito depois que o Orador abre o Livro da Lei e lê o Salmo, colocando sobre este o esquadro e compasso, momento em que todos ficam a
Ordem também. Está correto?

2. Outro momento que é acesa a luz deste Sol é na Sessões Magnas de Iniciação, quando é retirada venda do neófito, acendendo-se primeiramente a luz do Sol no teto e depois as demais luzes do templo. Está correto?

Aguardo vossas orientações, pois nos rituais não trata especificamente deste procedimento, ou não existe isto, devendo esta luz ser acessa juntamente com as demais luzes do Templo.

 

CONSIDERAÇÕES

 

Se não está no ritual em vigência e nem no SOR – Sistema de Orientação Ritualística oficial do GOB, é porque isso não existe.

As luzes litúrgicas (iniciáticas) da Loja são apenas aquelas existentes nos candelabros de três braços que ficam sobre o Altar ocupado pelo Venerável e sobre as mesas ocupadas pelos Vigilantes. Outras luzes que porventura existam no templo ou são decorativas, ou são aquelas que auxiliam e iluminam o ambiente de trabalho.

No teto o Sol que aparece sobre o Oriente é apenas como uma figura simbólica e não um literal elemento de iluminação ou que precise ser aceso por algum dispositivo próprio.

De resto, nada disso está previsto. Não há nenhum momento apropriado para acender se a "luz” do Sol presente no teto sobre o Oriente, seja nas sessões ordinárias ou magnas.

Como elemento decorativo, caso a Loja queira manter o Sol iluminado durante os trabalhos, é até admissível, desde que esse dispositivo de iluminação elétrica seja aceso antes do ingresso no templo junto com as demais luzes que servem para iluminar o recinto, e seja apagada junto com as demais após o encerramento e retirada do Templo, mas nada com momento emblemático especial.

Aliás, isso serve para muitas Lojas que inapropriadamente destinam uma iluminação especial para iluminar o Altar dos Juramentos. Isso não está previsto na liturgia do REAA justamente para, em respeito à fé alheia, não dar motivo para manifestações religiosas.

Salvo as luzes dos três candelabros de três braços que são acesas e apagadas conforme os momentos previstos no ritual, não há liturgia para acendimento de luz do Sol no REAA, muito menos associado à abertura do Livro da Lei e muito menos no momento do FIAT LUX que ocorre durante a cerimônia de Iniciação.

 

 

T.F.A.

 

 

 

PEDRO JUK - SGOR/GOB

jukirm@hotmail.com

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ABR/2023