sexta-feira, 21 de abril de 2017

TIRADENTES MAÇOM?

TIRADENTES MAÇOM?


Publicado no face book no dia 21/04/2017 por Pedro Juk.



Hoje, dia 21 de abril, nem bem acesso o facebook já me encontro diante de mais uma daquelas pérolas do absurdo. O ufanismo maçônico inventando que Tiradentes foi iniciado na Maçonaria e, ainda por cima, querendo justificar a falsidade, mencionam que "naquela época" as Lojas iniciavam por comunicação (sic), ou coisas do gênero. 
Não há tamanho absurdo e bobagem a respeito. Nada contra o alferes Joaquim José, mas cada macaco no seu galho. Nós maçons somos investigadores da verdade e não disseminadores de boatos e besteiras escritas por autores de obras a exemplo das de Joaquim Felício dos Santos e na carona Arcy Tenório de Albuquerque. 
Ora, a historiografia autêntica já provou academicamente nunca ter existido essa possibilidade. Se na Conjura Mineira, alguém era maçom, a grande possibilidade é a de ter sido José Alvares Maciel, o qual provavelmente obteve sua iniciação em Montepelier na França (veja nos autos da devassa declaração do seu confessor, o Frei Penaforte). Já o nosso Tiradentes, nem do Brasil foi autorizado a se ausentar em busca de herança na terra de "Porto Cale". 
Quem quiser estudar academicamente o assunto, comece por consultar criteriosamente os Autos da Devassa - Câmara dos Deputados em Brasília; veja a obra "inconfidência Mineira e a Maçonaria que não houve - José Castellani e Frederico Guilherme da Costa (extensa bibliografia confiável nessa obra), experimente também conhecer a obra do brasilianista norte-americano Kennet Maxwell a respeito. 
Em alusão à bandeira dos Inconfidentes, devo alertar que nem tudo que reluz é ouro e, num trocadilho a respeito, menciono que "nem tudo que tem triângulo é Maçonaria".
Bom dia a todos. Que merecidamente Tiradentes, que nunca foi maçom, receba as homenagens merecidas como um grande ícone da liberdade no território brasileiro - embora essa liberdade seja mesmo questionável pelo que vivenciamos atualmente no nosso Congresso Nacional.

POSIÇÃO DO ESQUADRO

Em 15/03/2017 o Respeitável Irmão Tristão Antônio Borborema de Carvalho, Loja Obreiros de Abatiá, 69, REAA, Grande Oriente do Paraná (COMAB), Oriente de Abatiá, Estado do Paraná, formula a seguinte questão:

POSIÇÃO DO ESQUADRO


Ao colocar, no altar dos juramentos e sobre o livro da lei, o esquadro sobre o compasso o vértice *maior* do primeiro (do esquadro e sobre o ângulo de visão de quem está olhando para o oriente) deve estar voltado ao lado direito (coluna do sul) ou ao lado esquerdo (voltado para coluna do norte)? Isso tem algum significado ou ensinamento maçônico?

CONSIDERAÇÕES.

Antes dos esclarecimentos propriamente ditos, os lados do Esquadro que formam a esquadria denominam-se “ramos”, assim como as pernas do Compasso se denominam “hastes”.
Quanto à questão: essas especulações surgiram quando alguns inventores e desavisados criaram um Esquadro para as Três Grandes Luzes Emblemáticas com cabo e graduação, o que lhe deu por consequência os ramos desiguais. Esqueceram esses inventores que o Esquadro que vai unido ao Compasso sobre o Livro da Lei, não é um Esquadro operativo (o usado na construção), mas sim um objeto emblemático, portanto desprovido de um ramo menor do que o outro e de graduação, isto é, o emblemático possui ramos iguais.
Quanto ao Esquadro operativo, o com cabo e graduação, é aquele que está representado e vai apenso ao colar como joia do Venerável Mestre, levando-se em conta nesse caso que o Venerável é o Mestre principal da Loja e detentor desse instrumento – bem como o Nível e o Prumo são as joias representativas dos seus auxiliares imediatos (Vigilantes).
A diferença entre os dois instrumentos, em se tratando da liturgia maçônica, se dá apenas para que ambos sejam reconhecidos na sua finalidade, não havendo nada que autorize especulações exaradas pelos adeptos do preciosismo ao mencionarem que um é o esquadro de pedreiro e o outro o de carpinteiro.
Assim, o Esquadro que é um dos componentes das Luzes Emblemáticas da Loja, não é o mesmo que é usado como instrumento de trabalho, mais sim como um símbolo alegórico que só se completa se estiver unido ao Compasso.
Além da grande alegoria que esses dois instrumentos representam, as suas disposições sobre o Livro da Lei concebem o Grau de trabalho da Loja.
Nesse sentido, como Luz Emblemática, o Esquadro que vai unido ao Compasso sobre o Livro da Lei, autenticamente deveria possuir ramos iguais, embora ainda possamos encontrar inúmeros rituais que não observam essa regra e trazem equivocadamente esse emblema com ramos desiguais. Piorando a situação, alguns desses rituais ainda cometem a desfaçatez de inverter os Esquadros, isto é, o do Venerável com ramos iguais e o Emblemático com ramos desiguais (coisas de pseudos ritualistas que só sabem copiar o ranço que está escrito em alguns rituais anacrônicos).
É devido a essas bobagens que vivem surgindo dúvidas relativas à como proceder com o lado maior ou menor do Esquadro na exposição sobre o Livro da Lei, sendo que não existe nele ramo maior e menor, simplesmente por se tratar de uma Luz Emblemática.
Dizem que a boca se entorta conforme o hábito do cachimbo, então se o seu ritual em vigência é um daqueles que desatentamente menciona um Esquadro de ramos desiguais sobre o Altar dos Juramentos e por cima ainda não orienta para qual banda fica o ramo maior ou menor, penso que essa escolha fica por conta do protagonista, pois tanto faz, já que não existe nenhuma justificativa para esse procedimento, tanto olhando do Oriente para o Ocidente como vice-versa.
Obviamente estamos falando do REAA, cuja disposição dos instrumentos emblemáticos sobre o Livro da Lei é a de que o Compasso tenha as suas hastes (pontas) voltadas para o Ocidente e o ângulo interno do Esquadro (formado pela junção dos seus ramos) voltado para o lado do Oriente.
Apenas a título de ilustração, sugiro uma observação acurada nas gravuras autênticas da Maçonaria que se reportam ao Esquadro e o Compasso unidos encontradas no universo maçônico. Vide como a maioria do comprimento dos ramos do Esquadro nessas ilustrações é a de ramos iguais (quando unidos ao Compasso).


T.F.A.


PEDRO JUK



ABRIL/2017

sábado, 15 de abril de 2017

PEDRA CÚBICA E O AVENTAL

Em 15/03/2017 o Respeitável Irmão Moura, Editora Maçônica A Trolha, Oriente de Londrina, Estado do Paraná, solicita a informação seguinte:

PEDRA CÚBICA E O AVENTAL


Pedro existe alguma relação entre o Avental de Companheiro e a Pedra Cúbica?

CONSIDERAÇÕES.

Literalmente, nenhuma. O Avental é a roupa do maçom e a Pedra Cúbica é uma das Joias Fixas da Loja e é relacionada ao Grau de Companheiro, pois remete iniciaticamente ao progresso de se ter desbastado a Pedra Bruta tornando-a capaz de ser assentada na parede virtual do Templo.
A única relação que se poderia mencionar é que a Pedra Cúbica é objeto de estudo do Segundo Grau em cujo Grau o obreiro usa o avental com a abeta abaixada como é o caso do REAA.
Nesse caso, abaixar a abeta demonstra a diferença que existe entre o avental do Aprendiz e o do Companheiro nos ritos que assim procedem.
Infelizmente, ainda se mencionam ilações do tipo de que no Grau de Companheiro a abeta abaixada significa que a espiritualidade (triângulo da abeta) domina a matéria, como se o retângulo concernente ao avental fosse uma pedra cúbica e a abeta o espírito nela penetrando. Por mais esforço imaginativo que se possa fazer, é muita bobagem para o meu gosto. São especulações que não se coadunam com a racionalidade maçônica, mas que muitos autores delas ainda se fazem valer.


T.F.A.

PEDRO JUK

 ABRIL/2017

sexta-feira, 14 de abril de 2017

MOMENTO DO INGRESSO DE RETARDATÁRIO

Em 15.03.2017 o Respeitável Irmão Leonardo Parreira Reis de Lima, Loja Justiça e Verdade, 1.459, REAA, GOB-MG, Oriente de Capinópolis, Estado de Minas Gerais, formula a seguinte questão:

MOMENTO DO INGRESSO DE RETARDATÁRIO.


Estava estudando sobre assunto correlato e li sua matéria INGRESSO DE RETARDATÁRIO, fonte: JB News – Informativo nº. 1.447 Algarve (Portugal), domingo, 31 de agosto de 2014. Parabéns. Mas tenho uma dúvida e veja se o mano me consegue responder. O assunto é também sobre o obreiro retardatário.
Mas meu questionamento não é sobre como ele entrar no templo, mas sim até que momento em uma sessão ordinária, ele pode ser admitido para participar dos trabalhos. Qual a fonte legal ou do ritual? GOB, REAA.

CONSIDERAÇÕES.

Não é uma questão de fonte legal ou do ritual, mas é uma questão que se coadune com a eventual situação. Eu tenho dito que pontualidade é uma das virtudes do Maçom, embora esporadicamente possam até existir situações que obriguem o obreiro ao atraso.
O que não pode é a Obediência (Potência) institucionalizar o atraso, isto é, legaliza-lo ao ponto de que essa prática pudesse se generalizar amparada pela jurisprudência. Lembro que vivemos sob a égide da maçonaria latina e, fatos como esses, poderiam facilmente nos levar ao tão conhecido “jeitinho brasileiro”.
Penso que em nome da aplicação correta da razão, se um Irmão que por alguma situação considerável acabe por ter que se atrasar e o retardamento ocorrer dentro de um tempo aceitável, então que ele se dirija à Loja para os procedimentos de costume. Agora se o atraso ocorrer em tempo além da metade da sessão, melhor seria mesmo é que o retardatário faltasse aos trabalhos.
Não sendo uma regra absoluta, muitas vezes o momento para esse ingresso tem sido logo após a Ordem do Dia (antes do Tempo de Estudos). É costume também em alguns ritos, como é o caso do REAA, não se permitir o ingresso de ninguém após a circulação do Tronco de Beneficência.
Ainda no que diz respeito a esse momento específico, vai depender muito da ocasião em que for pedido esse ingresso, isto é, deve prevalecer o bom senso, pois a atenção dada a um retardatário não deve nunca se sobrepor a harmonia dos trabalhos. Em síntese é perceber o momento apropriado para o ingresso.
Enfim, a solução para esses impasses e indagações seria a de que ninguém chegasse atrasado à Loja e, se isso porventura viesse a ocorrer, caberia ao próprio retardatário avaliar se o seu pedido de ingresso, naquela oportunidade, seria fundamentalmente imprescindível e apropriada.
Concluindo, lembro que originalmente ingresso em Loja por parte de retardatários, se permitidas, deveriam obedecer à formalidade maçônica (marcha do grau, saudação às Luzes e telhamento pelo questionário), pois além de ser um artifício saudável para a liturgia e para a ritualística, essa exigência certamente faria com que muitos atrasados, por razões óbvias, não se aproximassem tão facilmente da porta do Templo.

T.F.A.

PEDRO JUK

ABRIL/2017

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A LUZ NA MAÇONARIA

Em 15/03/2016 o Respeitável Irmão Marco Nascimento, Loja José Caver, 101, REAA, GLMERGS, Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, formula a seguinte questão através do meu blog http://pedro-juk.webnode.com/

A LUZ NA MAÇONARIA


Recorro aos seus conhecimentos para auxiliar o entendimento a um grupo de Irmãos que temos comentado sobre o tema a "Importância da Luz na Maçonaria". Devemos considerar a Luz como um símbolo maçônico? Com relação às Luzes Emblemáticas no Altar dos Juramentos, por que Luzes Emblemáticas? Livro da Lei, Esquadro e Compasso, por que Grandes Luzes? Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes, por que são chamadas Luzes? Recebemos a Luz em nossa Iniciação, aqui entendemos que se refere à Sabedoria, Verdade, Conhecimento etc... O Irmão poderia nos dar maiores detalhes sobre estes significados? Fico agradecido pela vossa ajuda.

CONSIDERAÇÕES.

A LUZ
Na Maçonaria, figuradamente representa a ilustração, o esclarecimento, ou o que aclara o espírito. É o mesmo que dar claridade intelectual.
Sob o ponto de vista maçônico a Luz não é entendida como luz material, mas sim como a do raciocínio e da razão. Em síntese ela é o objetivo, é a meta máxima do maçom que, de acordo com a senda iniciática ele, vindo das trevas do Ocidente, caminha em direção ao Oriente onde simbolicamente reina a Luz (Sol) - sem dúvida esse teatro alegórico sofre forte influencia dos mitos solares da Antiguidade, não como doutrina religiosa, mas como objetivo a ser alcançado.
Sob a óptica da busca da Verdade, do Conhecimento e da Razão é que os maçons se reconhecem como “Filhos da Luz”, ou os “Filhos da Viúva” (filhos da mãe Terra que fica viúva da Luz do Sol no inverno), o que sugere, não por acaso, o florescimento da Moderna Maçonaria no Século das Luzes (século XVIII).
Graças à importância da Luz como elemento iniciático primário, é que alguns títulos e definições são constantemente mencionados na Ordem Maçônica, a exemplo daquelas que tratam das Três Grandes Luzes Emblemáticas e das Luzes da Loja.
AS TRÊS LUZES EMBLEMÁTICAS
Assim conhecidas na vertente francesa de Maçonaria, ou como as Três Luzes Maiores na vertente inglesa, elas correspondem à ideia ou o símbolo máximo da coletividade maçônica. É o distintivo composto pelo Livro da Lei, pelo Esquadro e pelo Compasso que somente se mostram unidos em Loja. É o conjunto emblemático fixo que se caracteriza pela fácil compreensão do Iniciado.
O Livro da Lei - Como uma das Luzes Emblemáticas, ou Luzes Maiores, ele corresponde à lei moral que regula as ações da coletividade maçônica. Sem nenhuma conotação de individualidade religiosa ele é o código de ética da Loja.
O Esquadro - Outra das Luzes Emblemáticas, com ramos iguais e sem graduação por não ser o operativo, unido ao Compasso, esotericamente ele representa a matéria ou o corpo físico passível de aprimoramento – simboliza os atributos da materialidade.
O Compasso – A última das Luzes Emblemáticas, no plano esotérico ele é a representação das qualidades espirituais e do conhecimento humano, cuja sua abertura se limita na Maçonaria ao máximo de 90 graus, ou um quarto da circunferência, isso para mostrar que o conhecimento humano é limitado em relação à sapiência divina, representada pelos 360 graus da circunferência. Como símbolo do conhecimento, o Compasso tem, de acordo com o Grau, a sua posição alterada em relação ao Esquadro disposto sobre o Livro da Lei, o que em síntese demonstra que houve evolução no conhecimento. Demonstra o nível da claridade espiritual.
Assim, esse conjunto denominado “Luzes Emblemáticas” ou “Luzes Maiores”, procura por definição demonstrar que ele é o maior representante da ilustração e do esclarecimento na Loja.
LUZES DA LOJA.
Também conhecidas com as Luzes Menores, é o título dado ao Venerável Mestre, ao Primeiro e ao Segundo Vigilantes. Esses títulos lhes são concebidos porque eles são os agentes que operam e dirigem a Obra. Genericamente são os dirigentes, dos trabalhos que se processam no canteiro (Loja).
O título de Luz da Loja implica em ser um agente da Luz, ou um guia para a Luz. Esse simbolismo é caracterizado pelas Luzes Litúrgicas posicionadas junto a cada um desses titulares. Na vertente francesa o número de Luzes acesas junto a cada um desses dirigentes varia conforme o grau simbólico de trabalho da Loja – mais Luz, mais evolução. Já na vertente inglesa, independente do grau simbólico, o costume é de se usar apenas uma Luz Litúrgica junto ao lugar de cada titular dirigente. Nessa vertente, as Luzes Menores distinguem-se não pela quantidade, mas pela dialética seguinte: o Sol para governar o dia, a Lua para governar a noite e o Venerável Mestre para governar a Loja.
De qualquer maneira, tanto numa vertente quanto na outra, as Luzes da Loja correspondem ao Venerável Mestre e os Vigilantes, pois são eles os responsáveis pela evolução e pelo desenvolvimento da Oficina. Deles dependem os membros do quadro para o desenvolvimento dos trabalhos.
Assim, enquanto as Luzes Emblemáticas representam o objetivo, as Luzes da Loja concebem a luz que guia os obreiros na busca do objetivo.
Concluindo, com o escopo de retirar o homem da escuridão da ignorância conduzindo-o ao esclarecimento é que o símbolo da Luz se faz presente em todo o teatro iniciático maçônico.


T.F.A.

PEDRO JUK

 ABRIL/2017

terça-feira, 11 de abril de 2017

TELHAMENTO OU TROLHAMENTO - SENHA DE RECONHECIMENTO NO GRAU DE COMPANHEIRO

Em 14/03/2017 o Respeitável Irmão Cláudio Rodrigues, REAA, Grande Loja Maçônica do Estado de Minas Gerais, Oriente de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, solicita explicações para o que segue:

TELHAMENTO OU TROLHAMENTO E SENHA DE RECONHECIMENTO NO GRAU DE COMPANHEIRO.


Mano Pedro Juk. O Professor. Direto ao ponto: Telhamento ou Trolhamento? E sobre o Telhamento do Companheiro Maçom, a saber: quando da resposta, "E\ V\ a E\ F\ a resposta certa é "vi" ou "vejo". Pergunto-lhe porque me doeram os ouvidos sobre a resposta: "vejo". Ora, há tempos aprendi ser: "vi" e não "vejo".

CONSIDERAÇÕES

Telhamento ou trolhamento? Eu poderia começar com outra pergunta: afinal cobre-se o edifício com telhas ou com trolhas?
Vou reprisar um texto a respeito que escrevi há dois anos.
Conforme o Novo Dicionário Aurélio – atualizado e versão eletrônica:
Trolha - Substantivo feminino - 1. Espécie de pá na qual o pedreiro tem a argamassa que vai usando. 2. Brasil - Desempoladeira. Substantivo masculino. 3. Pedreiro ruim. 4. Servente de pedreiro.
Telhar - Verbo transitivo direto - 1. Cobrir com telhas; atelhar.
Telhador (De telhar + -dor) - Substantivo masculino - 1. Aquele que telha.
Telhadura (De telhar + -dura) - Substantivo feminino - 1. Ato ou efeito de telhar. 2. Lugar onde se fabricam telhas.
NeologiaSubstantivo feminino - 1. Emprego de palavras novas, ou de novas acepções.
Neologismo - Substantivo masculino - 1. Palavra ou expressão nova numa língua. 2. Por extensão - Significado novo que uma palavra ou expressão de uma língua pode assumir.
Ponderações sobre os termos “telhamento e trolhamento” em Maçonaria:
A origem dos “trabalhos cobertos” vem dos canteiros medievais onde os planos da obra, contratos de trabalho e o ensinamento da “arte” eram sigilosos. Essa prática estendeu-se para a Maçonaria Especulativa e por extensão a Moderna Maçonaria.
Nesse caso a referência feita à “cobertura” significa exatamente o sigilo no trato dos acontecimentos e assuntos maçônicos dentro da Loja. Assim o rótulo assumiu o neologismo maçônico de “telhamento” pela cobertura dos trabalhos – ninguém pode ver nem ouvir o que se passa no canteiro (Loja).
Desse costume apareceria o cargo do Cobridor como aquele que figuradamente cobre os trabalhos na Loja. Dependendo da vertente maçônica existe o Guarda Externo (francesa) e o Tyler (inglesa), assim como os conhecidos Cobridores , ou Guardas Internos.
Como o termo se refere ao sigilo, os Sinais, Toques e Palavras guardados como verdadeiros segredos da Ordem assumiram também as características de “cobridores do grau”, posto que além de afastar bisbilhoteiros, preserva os segredos de cada grau, dando o caráter de qualidade para o maçom participar ou não de uma sessão de acordo com o seu nível de aprendizado.
Assim o termo “cobertura” identifica-se com “telha” que, por extensão dá o caráter de “telhamento” (neologismo – termo encontrado no idioma vernáculo é telhadura).
Também dessa associação apareceria o uso da palavra “goteira” para um não iniciado (costume adquirido pela má cobertura do recinto).
Acrescente-se aqui uma explanação em Maçonaria sobre o termo “goteira” e a sua relação com a “cobertura” do recinto (Loja). Alguns antigos fragmentos mencionam que havia o hábito na Grã-Bretanha medieval quando nos canteiros de obra um elemento espião ou intruso era pego espiando e vasculhando os planos da obra de uma oficina operativa - o fato também se aplicava para um “cowan” (do dialeto escocês para aquele que assentava pedras sem argamassa – o picareta ou aquele que não possuía qualificação) – o intruso, antes de ser expulso, era então amarrado e colocado sob as calhas que despejavam as águas pluviais geladas dos telhados, o que se resumia num belíssimo castigo, principalmente em se levando em conta à temperatura nada agradável que frequentemente ocorria, e ainda ocorre, sobre aquela região da banda boreal do nosso Planeta. Desse costume apareceria então à expressão “tem goteira”, que prevaleceu até na Moderna Maçonaria, quando porventura haja a possibilidade de existir a presença de um não iniciado nos ambientes maçônicos. Desse particular existe desde então a relação figurada da “goteira” com a cobertura com telhas de um ambiente e o respeito ao sigilo do que ali se passa – usa-se no mesmo sentido também a expressão “está chovendo”.
Infelizmente, embora já exaustivamente explicado, alguns tratadistas ainda produzem o equívoco de confundir “telhamento” com “trolhamento”. Essa interpretação enganosa foi inserida nos rituais brasileiros de há muito tempo atrás por erro de tradução e vem se reproduzindo como uma erva daninha, embora alguns autores ainda “tentem” achar uma justificativa para a mesma.
O substantivo “trolha” rotula um instrumento usado pelo pedreiro no seu ofício. Ela pode ser a “colher de pedreiro”, ou a “desempoladeira, ou desempenadeira” donde o artífice se serve da argamassa e alisa a superfície para aparar arestas. Desse procedimento operativo, surgiria o termo figurado de “trolhamento” (outro neologismo maçônico) sugerindo a ação de aparar rusgas por eventuais desentendimentos entre os Irmãos.
Existe ainda o equívoco por parte de alguns tratadistas quando confundem a “trolha” com o ato de verificação, porque alguns Ritos, por exemplo, revivem na Maçonaria através da joia distintiva do seu Cobridor, ou Guarda do Templo, também a figura de uma “trolha” (veja, por exemplo, a joia distintiva do Cobridor do Rito Schröeder). Esse costume simplesmente bastou para que alguns desavisados confundissem a “trolha” e “o trolhamento” como o ato de verificação do “telhamento”. A figura da trolha nesse caso - quando componente distintivo do Cobridor - significa simplesmente que ele tem o ofício de “vedar a passagem de alguém”, ou “ergue uma parede no caminho” no intuído de literalmente “não deixar passar” – obviamente àquele que não possua qualificação maçônica suficiente. Infelizmente nesse caso a falsa interpretação e uma atenção mais acurada do símbolo por parte de alguns, somente contribuiu com o mistifório que equivocadamente associou a “trolha” com o ato do “telhamento”.
Em verdade o ato do trolhamento significa sim apaziguar, enquanto que o de telhamento implica em cobrir. Afinal cobre-se um recinto com telhas ou com trolhas?
O que não faz sentido é fazer analogia do trolhamento com o sigilo e o segredo maçônico, já que como Landmark específico o sigilo e o segredo fazem parte da “cobertura dos trabalhos maçônicos”, e nunca da digamos... “trolhadura dos trabalhos”.
Definições maçônicas para os termos:
Telha (do latim tegula) – substantivo feminino: designa uma peça, em geral de barro cozido, usada na cobertura de edifícios.
Telhador – substantivo masculino: designa aquele que telha.
Telhadura – substantivo feminino: designa o ato ou efeito de telhar.
Telhamento – neologismo maçônico: designa o mesmo que telhadura.
Trolha (do latim trullia, variação do latim trulla) – substantivo feminino: designa uma espécie de pá na qual o pedreiro tem a argamassa da cal que vai se servindo. Designa no Brasil, também a desempoladeira; a desempenadeira.
Trolhamentoneologismo maçônico: designa o ato ou efeito de trolhar (neologismo).
A telha – Na Maçonaria moderna como uma “construtora social”, os instrumentos de trabalho e materiais são simbolicamente os dos construtores de edifícios. Assim a cobertura do Templo também está em não permitir a presença de intrusos e bisbilhoteiros. Simbolicamente é feita a cobertura com telhas através do Telhador, por extensão o Cobridor, ou aquele que cobre.
É a origem como aqui já mencionada do termo “goteira” que em Maçonaria significa o lugar descoberto, ou o bisbilhoteiro que espiona os trabalhos – para que isso não venha acontecer o Cobridor “cobre o Templo”.
O telhador – Como oficio daquele que cobre de telhas. Em Maçonaria recebe também o título de Cobridor, ou o Guarda do Templo, a quem compete o ato de “telhar”, ou fazer o “telhamento” naqueles que se apresentam à porta do Templo para verificar a sua qualidade maçônica de iniciado, bem como o seu Grau conforme o trabalho da Loja.
Telhar (o ato de) – verbo transitivo direto significa o ofício de cobrir com telhas. Em Maçonaria compete ao Cobridor, ou Telhador, o ofício de telhar, ou examinar nos toques, sinais e palavras, os visitantes que se apresentam à porta do Templo no intuito de verificar se os mesmos são realmente Maçons e posteriormente se certificar da qualidade maçônica conforme o Grau para ingressar nos trabalhos que estão sendo realizados. Infelizmente o termo tem ainda sido confundido com o ato de “trolhar”, que verdadeiramente significa o ato de “passar a trolha”. Assim, trolhar nesse caso é termo altamente incorreto para se designar o referido exame, já que telhar está ligado ao ato de cobertura e cobertura é feito com telhas, não com trolhas. Do mesmo modo o Cobridor, ou Telhador não possui o título de “trolhador” em qualquer Rito ou Trabalho maçônico.
A trolha – a Moderna Maçonaria como construtora social, viria absorver inúmeros instrumentos da arte de construir. Sob esse prisma a trolha não deixaria de nela ter um importante significado simbólico. Alguns autores, provavelmente pela etimologia da palavra, defendem a tese de que a trolha seria a colher de pedreiro. Contudo seja ela a colher de pedreiro, seja ela a desempoladeira, ou desempenadeira, conforme a definição apontada por bons dicionaristas do idioma vernáculo, a verdade é que ela, dentro das suas funções, serve para alisar a argamassa aparando e preenchendo as rugosidades.
Ratificando - a trolha e o ato de trolhar (neologismo maçônico) significam o meio que é usado para apaziguar os Obreiros que porventura estejam em litigio - aparar arestas. Esse apaziguamento, ou esse entendimento é rotulado pelo neologismo maçônico como “trolhamento”, já que trolhar designa o ato de passar a trolha.
Como dito, lamentavelmente o termo “trolhamento” ainda tem sido equivocadamente usado em lugar do “telhamento” como se ambos tivessem o mesmo sentido e, o que é pior, é a capenga justificativa daqueles que buscando a lei do menor esforço traduzem enganosamente as expressões “por iguais conforme o rito!”. Quem usa dessa afirmativa dá prova de completo desconhecimento da origem dessas práticas. Enfim, telhamento é um dos ofícios do Cobridor (Tyler) para verificar a qualidade maçônica de alguém. Já trolhamento significa o ato de apaziguar eventuais rusgas ou desentendimentos entre os Irmãos.

E\ V\ A E\ F\ - É a senha de reconhecimento e faz parte do Cobridor do Grau de Companheiro Maçom. Assim, a segunda letra referente à frase tripontuada corresponde ao verbo transitivo direto “ver” (conhecer ou perceber pela visão; olhar para; contemplar) conjugado na primeira pessoa do pretérito perfeito, portanto é “vi” e não “vejo” (sic) como questionado acima. O tempo verbal no pretérito é usado devido a sua relação com uma passagem tradicional na cerimônia de Elevação do REAA (espero que ela conste no seu ritual) onde o Venerável solicita àquele que está sendo elevado que contemple a E\ F\. Foi por conta desse momento na cerimônia que o protagonista sugestivamente aprendeu (no pretérito), com as palavras proferidas pelo Venerável, qual o significado da E\.
Em síntese a E\ é o ícone representativo que concentra todo o conhecimento do Grau. É graças a essa alegoria que o Companheiro, quando interpelado na forma de costume, responde que ele viu, isto é, compreendeu o significado desse importante Ornamento da Loja, de tal sorte que essa compreensão lhe proporcionará um dia qualificação para, pela sinuosidade da Escada em Caracol, alcançar a Câmara do Meio.
Assim, no caso da senha de reconhecimento, a visão da E\ F\ se reporta ao passado, ou quando da cerimônia de Elevação do candidato, e não ao presente, pois a regra menciona que somente aquele que “viu” antes a E\ pode se tornar Companheiro.
Infelizmente Mano, ainda não deixamos de iniciar inventores. Provavelmente esses, por tratarem a simbologia maçônica com a maléfica licenciosidade, acabam inserindo práticas e definições completamente equivocadas e alheias à racionalidade dos fatos. Essa “estória” de proferir o verbo “ver” na primeira pessoa do presente por ocasião da senha de reconhecimento é um belo exemplar dessas incursões temerárias. Esse é mais ou menos como aquele costume de se achar um eterno Aprendiz. Ora, isso é mera desculpa esfarrapada de quem não estuda e quer justificar o seu comodismo pela ignorância das coisas.
Dando por concluído, essas são as minhas ponderações a respeito das suas questões.


T.F.A.

PEDRO JUK


ABRIL/2017