segunda-feira, 10 de junho de 2019

ESCRITA CORRETA. BOOZ OU BOAZ?


Em 18/05/2019 no 1º Seminário de Padronização Ritualística do REAA – GOB, realizado em Santos, São Paulo, o Respeitável Irmão Ronaldo Martins de Paula, Loja 3.706, GOB-SP, Oriente de Cotia, Estado de São Paulo, apresentou a seguinte pergunta:

ESCRITA CORRETA. BOOZ OU BOAZ

A pronuncia correta (letras) da Pal\ Sagr\, pois vejo Loja usando BOOZ ou BOAZ. Qual seria a correta?

CONSIDERAÇÕES.

Infelizmente o nosso Ritual de modo latino ainda adota a palavra BOOZ em vez de BOAZ. Esperamos que com o tempo possamos adotar a grafia correta, todavia, enquanto o ritual mencionar a palavra com a vogal “o” dobrada, assim devemos seguir.
Acho oportuno lhe apresentar uma resposta que eu dei e que fora publicada no mês de maio próximo passado no meu Blog. Dessa forma o Irmão poderá compreender um pouco mais do porquê dessa contradição.
“Muitos já escreveram a respeito da diferença de escrita da palavra. Alguns trabalhos dignos de apreciação e outros repletos de opiniões pessoais sem qualquer contribuição para o tema.
A diferença da escrita se apresenta de acordo com as duas principais versões bíblicas – a Septuaginta (Dos Setenta) e a Vulgata.
Septuaginta - Versão dos "Setenta" ou "Alexandrina" é provavelmente a principal versão grega por sua antiguidade e autoridade. Sua redação deu-se a partir da Bíblia hebraica no período de 275 - 100 a. C., sendo usada pelos judeus de língua grega ao invés do texto hebreu.
O nome "Setenta" se deve ao fato de que a tradição judaica atribui sua tradução a 70 sábios judeus helenistas, enquanto que "Alexandrina" por ter sido feita em Alexandria,
Em relação à questão, particularmente nessa versão bíblica a palavra tem a grafia de BOAZ.
Vulgata - No sentido em curso, Vulgata é a tradução para o latim da Bíblia, escrita entre fins do século IV início do século V, por São Jerônimo por determinação do Papa Dâmaso I e que foi usada pela Igreja Cristã.
Nos seus primeiros séculos, a Igreja serviu-se, sobretudo da língua grega, passando após a tradução latina denominada Vulgata a consolidar-se, sobretudo a partir da edição da Bíblia de 1532.
No tocante à questão, nessa versão a palavra é rotulada como BOOZ.
Ainda não menos importante citar é que por ocasião da Reforma Protestante que quebraria o monopólio latino da língua, está à tradução da Bíblia por Martinho Lutero para a língua alemã. Nessa tradução, no tocante particular ao termo, encontra-se a palavra BOAZ.
Na concepção protestante inglesa de tradução bíblica o termo BOOZ é desconhecido, senão identificado como BOAZ.
Outro aspecto para ser considerado é que o termo BOOZ é desconhecido no vernáculo hebraico, senão a palavra BOAZ.
Sob esse prisma a palavra correta deveria ser BOAZ, já que BOOZ é considerada uma corruptela da palavra apropriada adquirida por equivoco de São Jerônimo na ocasião da tradução para a Vulgata. Em linhas gerais a conservação dessa corruptela deu-se pela Igreja Católica alegando respeito ao tradutor bíblico (São Jerônimo) e resolveu manter a tradição da Vulgata.
Em termos de Maçonaria é facilmente compreensível o uso dessa palavra dependendo da sua vertente. No Craft inglês e, por conseguinte no Americano, dentre outros costumes anglo-saxônicos, a dita é tida como BOAZ, enquanto que na vertente latina (francesa) da qual pertence o REAA\, não na sua totalidade, porém na sua grande maioria, o termo é compreendido como BOOZ, provavelmente influenciado pela Vulgata (latina por excelência).
A Maçonaria brasileira – filha espiritual da França – acabaria nos ritos de origem francesa por adquirir o costume de uso da corruptela (BOOZ), tornando-se um elemento consuetudinário, sobretudo no Rito Escocês Antigo e Aceito.
Dadas essas considerações, devido ao caráter de segredo do Grau imposto à palavra no Rito Escocês na sua forma de transmitir, não existe oficialmente uma orientação para o uso da palavra BOAZ ou da corruptela BOOZ no Grande Oriente do Brasil, senão o costume consuetudinário do modo errado de se escrever ou se pronunciar a dita palavra.
Penso que a Maçonaria como investigadora da Verdade e dela fazendo parte o Grande Oriente do Brasil, urge a necessidade de revisão sobre esses conceitos amparados por tradições superadas. Se a palavra correta é BOAZ, que sentido teria o uso de uma corruptela?
Enquanto permanece o equívoco, sugiro que as Lojas pelo menos ministrem uma instrução esclarecendo os fatos sobre o assunto, ao mesmo tempo em que remeto o Irmão a consultar uma excelente Peça de Arquitetura intitulada “Discussões Bíblicas – BOOZ ou BOAZ” do respeitável Irmão Willian Almeida de Carvalho (encontrada na Internet) que em minha opinião fecha o assunto, além de dar subsídios para pesquisa sobre o tema” (a) Pedro Juk.
Comentário do Respeitável Irmão Sérgio Kander em junho de 2014:
“(...) acho que não se precisa nem de São Jeronimo, nem de Martin Luther (que não gostava de judeus) nem da Versão dos Setenta (feita para judeus tão helenizados que não sabiam mais ler hebraico). Peguem qualquer judeu que se preze (ou um que não se preza como eu) e vamos ao texto hebraico do Livro de Ruth. Está lá: Letra Beit (é o som do , mais o sinal vocálico do som do Ó (é um pontinho), mais a letra Áiin com o sinal vocálico de A mais a letra Záin que sempre tem som de . Resultado: BOAZ” (a) Sérgio Kander.
Creio que essa resposta explica a razão pela qual adotamos por aqui a palavra BOOZ. Provavelmente por sermos filhos espirituais da França e como latinos seguimos como Livro da Lei a versão bíblica da “Vulgata”. Nela São Jerônimo equivocadamente escreveu BOOZ e não BOAZ, porém a Igreja, evocando “respeito ao tradutor”, manteve nessa versão a escrita errada.


T.F.A.

PEDRO JUK

JUNHO/2019

domingo, 9 de junho de 2019

ESTANDARTES ARVORADOS NA SESSÃO


Em 08/02/2019 o Respeitável Irmão Josnei Franzoi, Loja Fé e Trabalho, REAA, GOB-PR, Oriente de Rio Negro, Estado do Pr., solicita o seguinte esclarecimento:

ESTANDARTES ARVORADOS


No nosso Templo funcionam duas Lojas, quando se faz Sessões conjuntas ficam os dois estandartes, mas quando tem Sessão de apenas uma Loja, está se mantendo também os dois estandartes. Isso é correto?

CONSIDERAÇÕES.

Eu diria que não é muito apropriado, já que o Estandarte identifica a Loja como corporação em trabalho. Outro Estandarte junto ao da Loja que está aberta realmente não faz nenhum sentido. O ideal é que fique apenas arvorado aquele correspondente à Loja que estiver trabalhando, salvo se os trabalhos estiverem sendo realizados em sessão conjunta.
Infelizmente, costumes autênticos acabaram sendo extirpados em nome do se ganhar tempo. Originalmente, o Estandarte deveria ser arvorado pelo Porta-Estandarte assim que a Loja fosse declarada aberta, e recolhido assim que ela fosse declarada fechada. Aliás, é essa a função do oficial denominado Porta-Estandarte.
Se isso ainda prevalecesse, certamente não teríamos essa verdadeira exposição de Estandarte que às vezes enxergamos por aí. Por óbvio isso acaba se dando nos recintos (templos) que se destinam ao trabalho de várias Lojas durante a semana.
De qualquer modo, o ideal seria que só estivesse presente e arvorado na sessão o Estandarte da Loja aberta.


T.F.A.

PEDRO JUK


JUNHO/2019

REAA - PEDINDO A PALAVRA


Em 18/05/2019 no 1º Seminário de Padronização Ritualística do REAA – GOB, realizado em Santos, São Paulo, o Respeitável Irmão Carlos Alberto Cavalcante, Loja Lautaro, 2642, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Estado de São Paulo, apresentou as seguintes perguntas:

PEDIR A PALAVRA


Qual a forma correta de se pedir a palavra? Batida no dorso da mão? Estendendo o braço?

CONSIDERAÇÕES.

No Ocidente pede-se a palavra ao Vigilante da Coluna correspondente. No Oriente, pede-se ao Venerável Mestre. Os Vigilantes pedem a palavra diretamente ao Venerável Mestre com um golpe de malhete.
Fora os Vigilantes que pedem a palavra como especificado acima, aquele que desejar falar procede da seguinte maneira: sentado, se dá com a palma da mão direita uma pancada sobre o dorso da mão esquerda que estará fechada. Ato seguido estende-se horizontalmente o braço direito à frente. O ato de dar a pancada no dorso da mão serve para chamar atenção, enquanto que o do braço direito estendido à frente serve como identificação.
O obreiro só fará o uso da palavra depois de autorizado por quem de direito.


T.F.A.

PEDRO JUK
httpo://pedro-juk.blogspot.com.br

JUNHO/2019

ESTILO ARQUITETÔNICO DAS COLUNAS VESTIBULARES


Em 01/02/2019 o Respeitável Irmão Paulo Assis Valduga, Oriente de São Borja, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta o que segue:

COLUNAS VESTIBULARES


Li a vossa consideração sobre as CCol\ Vestibulares que devem ser da ordem (se assim estiver correto) ou estilo egípcias. Talvez já tenha abordado este tema com o Irmão, mas não encontrei a resposta na vossa pasta em meu computador. Cumpre informar que é uma senhora pasta de respeito, desde os antigos tempos do JB News.
Também questionei a esse respeito o Ir\ José Castellani que foi categórico e esculhambou meus argumentos: as CCol\ são do tipo Egípcio.
Na minha santa ignorância, as CCol\ egípcias tinham vários formatos, nem sempre em representação do lótus e sempre feitas de pedra calcária, mais fácil de lapidar.
Outrossim, sendo os israelitas de origem Cananéia, penso que as CCol\ deviam seguir a ordem das CCol\ desta cultura, como se vê em algumas imagens de templos ou nas placas de argila, ou seja: retas ou cônicas.
Como, se realmente existiram tais CCol\, assim como o famoso Templo de Salomão, elas poderiam ser produzidas em forma de lótus em bronze e ainda ocas com a tecnologia daquela época?
Além, onde está escrito que eram em forma de lótus, se ainda hoje não foi encontrado nenhum vestígio do Templo de Salomão e, por conseguinte das CCol\.
Parece que a Bíblia não informa o estilo das CCol\, embora ela seja um conjunto de histórias que foram transmitidas verbalmente até o cativeiro na Babilônia.
Não estou contestando a vossa consideração, tampouco desmerecendo a vossa cultura, apenas não me conformo com esta determinação dentro dos meus parcos limites de conhecimento quer maçônicos quer profano e procurando, humilde e fraternalmente, luzes para esta nebulosa (para mim) interpretação.
Com um grande e fraterno abraço ao mesmo tempo que rogo desculpas se fui grosseiro ou imprudente.

CONSIDERAÇÕES.

Caro Irmão, esse ideário maçônico, criado para formatar uma alegoria, não trata de originalidade histórica. Na realidade, muitas dessas instruções foram hauridas das lições Prestonianas, pois Sir William Preston, primeiro professor de Maçonaria, precisava dar sentido dialético e didático para os seus ensinamentos maçônicos.
Aproveitando-se de diversas manifestações hauridas da civilização humana, Preston criou para a Maçonaria um sistema de preleções para instruir os obreiros nas Lojas. É bem verdade que muitas vezes essas instruções vinham temperadas por influências religiosas, sobretudo pelo contexto social e religioso que reinava na Inglaterra dos séculos XVII e XVIII.
No tocante às duas Colunas do pórtico do Templo e a Maçonaria, as Colunas Gêmeas é um desses casos. Tratá-las no instrucional maçônico não significa se estar perscrutando academicamente suas raízes históricas (em alguns pontos até é possível, mas não no geral). Assim, muitas exterioridades tratadas nas instruções maçônicas não passam de um conjunto de ideias cujo objetivo é contextualizar pelo exemplo os ensinamentos na Maçonaria – aparecem como símbolos, emblemas e até mesmo como narração alegórica onde o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades. Foi nesse contexto que escrevi que as Colunas do Pórtico eram babilônicas, isso porque à época presumida do Primeiro Templo era comum os formatos desproporcionais desses pilares, cujos quais geralmente possuíam o formado de um falo, sobretudo porque os antigos povos o adoravam como símbolo de fecundidade da Natureza. Essas Colunas (babilônicas), que não tinham o propósito de sustentação, possuíam formatos desproporcionais e eram adornadas muitas vezes por motivos egípcios, tais como papiros gigantes e flor de lótus. A flor de lótus simbolizava a exuberância da Natureza revivida, enquanto as folhas de papiros simbolizavam a espiritualidade, onde Isis havia construído com folhas de papiros um barco para procurar os despojos do seu marido-irmão Osíris, este assassinado por Set (ou Tifão) – Lenda de Osíris, Isis e Hórus (cultos solares da antiguidade).
Aliás, era comum os egípcios estilizarem as colunas dos seus templos como fossem gigantes pés de papiros que brotavam do solo em direção ao firmamento (tetos decorados com estrelas) – o Mundo e o Universo.
A bem da verdade todas essas representações tinham a finalidade de constituir uma alegoria natural. A fertilidade da Natureza nada mais é do que um produto dos cultos solares da antiguidade. As Colunas do pórtico do Templo representavam os limites da movimentação do Sol na sua eclíptica anual. Dado a isso é que essas Colunas B e J não eram “pilares de sustentação”. A sua presença fálica e desproporcional (comuns às babilônicas) marcava a fertilidade do verão e o adormecimento da Natureza no inverno.
Por assim ser, não dá para tratar dessa questão como aspecto acadêmico da arqueologia, porém como elementos do simbolismo utilizados pela Maçonaria Especulativa como pano de fundo na criação de uma instrução que traz nas suas entranhas lições de aprimoramento baseadas no reciclar da Natureza.
Veja o que o Mestre Theobaldo Varolli Filho idealizou como instrução maçônica tendo por base uma das Lições Prestonianas utilizadas nas preleções inglesas e que envolvem as Colunas do pórtico do Templo:
“As duas CCol\ são tidas como 18 côvados de altura, 12 de circunferência, 12 de base e 5 nos capitéis, num total de 47. Suas dimensões estão contra todas as regras de arquitetura, para mostrar que a Sabedoria e o Poder do Divino Arquiteto estão além das dimensões e dos julgamentos dos homens; são de bronze para resistir o dilúvio, isto é, à barbárie, pois o bronze é o emblema da eterna estabilidade das Leis da Natureza, base da doutrina maçônica. São ocas para guardar os utensílios apropriados aos conhecimentos humanos; enfim, as romãs são símbolo equivalente ao feixe de Esopo: milhares de sementes contidas no mesmo fruto, numa mesma substância, num mesmo invólucro, imagem do povo maçônico, que por mais multiplicado que seja, constitui uma mesma família. Assim a romã é o símbolo da harmonia social, porque somente com as sementes apoiadas umas às outras é que o fruto toma a sua verdadeira forma”.
Veja meu Irmão, embora um pouco temperada pelo teísmo inglês, essa preciosidade de instrução não trata da história, porém da aplicação de filosofia, onde o teatro iniciático é montado feito um mosaico de símbolos para arranjar uma alegoria.
Nesse sentido, muitas características construtivas, como é o caso das Colunas, não podem ser levadas historicamente ao pé da letra, já que as mesmas não têm esse desiderato no emblema de fundo maçônico. Essa é a identidade do ecletismo maçônico, juntar inúmeras manifestações do pensamento humano para criar a sua doutrina.
Foi o que eu pude entender da sua súplica, podendo, entretanto, não ter sido satisfatória a resposta, pelo que desde já me penitencio.



T.F.A.

PEDRO JUK


JUNHO/2019

PALAVRA SAGRADA DO APRENDIZ - SOLETRADA OU SILABADA.


Em 18/05/2019 no 1º Seminário de Padronização Ritualística do REAA – GOB, realizado em Santos, São Paulo, o Respeitável Irmão Moreno Cattani, Loja Cavaleiros de São João 115, 4.172, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Estado de São Paulo, apresentou a seguinte pergunta:

PALAVRA SAGRADA. SOLETRADA E SILABADA

 
No telhamento e nas instruções a Pal\ Sagr\ é dada por letras e sílabas. Por que na abertura a palavra é passada apenas por letras?

CONSIDERAÇÕES.

O modo de se transmitir a Pal\ Sagr\ do Aprendiz também por sílabas no final é um ato equivocado e contraditório. Esse é um erro que foi arrumado no ritual e pode ser constatado em http://ritualistica.gob.org.br.
A contradição está na demanda iniciática do Primeiro Grau. Simbolicamente o Aprendiz somente sabe sol\, isto é, dar letra por letra. Esse ato representa a infância e os primeiros conhecimentos – em síntese, o Aprendiz aprende apenas a sol\ Já dar a Pal\ por ssíl\ representa a segunda etapa da jornada iniciática, isto é, mais aprimorado, o Companheiro dá a Pal\ por ssíl\. Assim, se de modo iniciático o Aprendiz só sabe dar e receber a Pal\ letra por letra, então não faz nenhum sentido que ele, ao final, depois de tê-la sol\, repeti-la por ssíl\.
Reitero, modo soletrado de se dar a Pal\ é prática do Segundo Grau. Infelizmente esse equívoco vem de há muito sendo simplesmente copiado de um para outro ritual. É bom que se diga que estamos tratando do REAA.
No tocante à transmissão da Pal\ na abertura dos trabalhos, o ato não se trata de telhamento como expliquei no Seminário. Quando é telhamento, examinador e examinado trocam entre eles a Pal\ a intercalando letra por letra – o examinador dá a primeira, o examinado a segunda, e assim sucessivamente. Já na abertura e encerramento dos trabalhos a transmissão tem outra função e não se trata de telhamento, mas de “transmissão” na acepção da palavra. Assim, nesse momento, quem transmite a transmite letra por letra por inteiro sem intercala-la com o outro protagonista. Esse ato, ao contrário do telhamento, não é o de verificação, mas o de se transmitir e receber literalmente a Pal\ na forma de costume.
Além do quê, por não se tratar de verificação da qualidade de um Maçom, a transmissão e o recebimento se dão entre Mestres Maçons (Diáconos, Venerável e Vigilantes), portanto, ela se difere do modo de se transmitir no telhamento – no telhamento ela é intercalada, na transmissão não.
Dados todos esses comentários, em qualquer situação, tanto no telhamento como na simples transmissão, no Grau de Aprendiz não se repete a Pal\ por sílabas ao final.


T.F.A.

PEDRO JUK


JUNHO/2019

REAA - PADRONIZAÇÃO RITUALÍSTICA E COR VERMELHA


Em 18/05/2019 no 1º Seminário de Padronização Ritualística do REAA – GOB, realizado em Santos, São Paulo, o Respeitável Irmão Renê F. de Freitas Silva, Loja Estrela do Porvir, 3003, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Estado de São Paulo, formulou a seguinte pergunta:

PADRONIZAÇÃO RITUALÍSTICA. COR VERMELHA.


Ao levarmos para nossas Lojas a padronização ritualística que estamos aprendendo hoje, como lidar com o tachamento de estarmos sendo “caxias” ou chatos na ritualística?
A cor vermelha ou carmim será padronizada no Ritual, ou continuaremos com a decoração do Templo na cor azul, bem como os aventais?

CONSIDERAÇÕES.

Chatos na ritualística - O ato de atender a ritualística e a liturgia maçônica nos conformes não pode ser tratada dessa forma. A liturgia e ritualística são partes imprescindíveis da concepção iniciática maçônica. Imagino que aqueles que pensam ao contrário, provavelmente ou não entenderam nada ainda de Maçonaria, ou talvez para esses aqui não seja o lugar apropriado.
A Maçonaria é uma Instituição Iniciática e exige dos seus membros o respeito às suas práticas – isso é constatado desde o dia da Iniciação.
Obviamente que a padronização e o aprimoramento da ritualística não deve ser comparada a excessos de preciosismo. O equilíbrio é uma das virtudes primordiais do Maçom e tudo deve ser feito com critério e produtividade, sem nunca se sustentar em anacronismos.
Cor vermelha do REAA - Esperamos que num futuro não muito distante esse assunto seja tratado com a importância que ele merece. Primeiro precisamos arrumar, orientar e compreender as práticas do Rito. Penso que paulatinamente iremos esclarecer que estamos na contramão da história azulando o Rito Escocês Antigo e Aceito. Entendo que esclarecendo e apresentando justificativas, um dia chegaremos lá. Não agora, porque primeiro é preciso conscientizar os Irmãos dessa verdade, ou seja, de que o REAA tem cor distintiva predominantemente vermelha.



T.F.A.

PEDRO JUK


JUNHO/2019

sábado, 8 de junho de 2019

REAA - EX-VENERÁVEL MAIS RECENTE


O Respeitável Irmão Emerson de Oliveira, Loja Pedra da Fraternidade, REAA, GOB-SC, Oriente de Itapoá, Estado de Santa Catarina, apresenta a seguinte questão:

EX-VENERÁVEL MAIS RECENTE


Tenho uma dúvida que tenho dividido com alguns irmãos e gostaria de ver se pode nos ajudar.
De uns 04 anos para cá, um dos Ex-Veneráveis de nossa Loja nos informou que
havia mudado algumas regras do REAA e que teria sido criado o cargo de Past Master, situação que não encontrei em literatura nenhuma, porém para não criar algum tipo de constrangimento não me opus.
Este "novo" cargo, tem assento na cadeira a esquerda do Venerável.
Ocorre que agora que vou assumir não quero começar de forma errada.
Caso tenha alguma legislação que imponha ou sugira este posicionamento não irei me opor de forma alguma, só quero fazer a coisa certa.

CONSIDERAÇÕES.

Não existe e nenhum novo cargo criado no REAA, muito menos que ele se denomine Past-Master. Aliás, esse termo nem mesmo é utilizado no verdadeiro escocesismo, senão como o Ex-Venerável Mestre, podendo ele ser o mais recente.
Ocorre, entretanto, que fora criada, já nos Rituais de 2009, a colocação de duas cadeiras de honra para os Grão-Mestres, o Soberano Grão-Mestre Geral à direita (ombro direito) do Venerável e o Eminente Grão-Mestre Estadual à sua esquerda.
Infelizmente, a partir daí deu-se uma verdadeira revolução para se saber quem poderia ocupar esses assentos, caso não estivessem presentes os Grão-Mestres.
Além disso, também o Ritual de 2009 trouxe a “novidade” de que, estando vazia a cadeira que fica à esquerda do Venerável, então o Ex-Venerável mais recente da Loja poderia ocupar aquele lugar.
Pronto, além de todo o frenesi para a ocupação dessas cadeiras por autoridades, agora aparecia também a figura do Ex-Venerável mais recente da Loja como um dos possíveis ocupantes.
Dada a falta de entendimento e opiniões diversas, inclusive se aumentando o número de cadeiras à direita e à esquerda do Trono para acomodar os pretendentes, o Grão-Mestre Geral publicou a 12 de fevereiro de 2016 o Decreto 1469 regulamentando o assento ou ocupação de apenas “duas cadeiras”, ao lado do Venerável Mestre.
Por assim ser, nesse Decreto, o seu Artigo 3º prevê a ocupação das cadeiras por faixa do maior para o menor. Assim o Regulamento Geral da Federação no seu Art. 219, § 2º, I, no que trata da ordem de precedência das "faixas", menciona na Faixa I, dentre outros, Veneráveis, Mestres Instalados, etc.
Nesse sentido, obviamente que qualquer Mestre Instalado é um Ex-Venerável, portanto, obedecendo a ordem de precedência dos presentes na Loja, o Ex-Venerável, que é um Mestre Instalado, pode ocupar a cadeira de honra da esquerda, desde que não exista nenhuma autoridade presente com faixa maior que a dele. Havendo possibilidade de um Ex-Venerável da Loja ocupar a cadeira de honra, dá-se então preferência àquele que for o mais recente.
Ratifico, o ex-Venerável da Loja somente ocupa a cadeira da esquerda se não estiver presente nenhuma autoridade com faixa superior a dele.
Como se pode notar, não foi criado “nenhum cargo”, senão a de que o Mestre Instalado é mencionado no Regulamento Geral da Federação como detentor da Faixa I na ordem das precedências.
Concluindo, sugiro que o Irmão leia atentamente o que prescreve o Decreto 1469/2016, Decreto esse que se encontra publicado in Rituais Especiais do Grande Oriente do Brasil em vigência. Também já está à disposição para consulta na plataforma do GOB em http://ritualistica.gob.org.br orientações ritualísticas para os rituais (trabalho em andamento).

T.F.A.


PEDRO JUK
Secretário Geral de Orientação Ritualística – GOB/PODER CENTRAL.


JUNHO/2019