quinta-feira, 27 de junho de 2019

TEMPO DE ESTUDOS - DEBATES E COMENTÁRIOS SOBRE A PEÇA DE ARQUITETURA


Em 22/02/2019 o Respeitável Irmão Marcelo Gass, Loja Tríplice Aliança, 3.277, REAA, GOB-PR, Oriente de Toledo, Estado do Paraná, solicita esclarecimentos para o que segue:


COMENTÁRIOS APÓS APRESENTAÇÃO PEÇA DE ARQUITETURA.


Ontem em nossa Loja tivemos apresentações de duas excelentes Peças de Arquiteturas pelos Irmãos Companheiros. As mesmas foram comentadas pelo Irmão Orador, após apresentação de cada Irmão. E na Palavra a bem da Ordem, vários Irmãos elogiaram as Peças de Arquiteturas.
No REAA, diferente do Trabalho de Emulação, após uma apresentação de uma peça de Arquitetura, que os Irmãos C se manifestem com perguntas, colocações, outros esclarecimentos sobre a Peça apresentada. Vários Irmãos me questionaram, porque após apresentação de uma Peça, o Venerável Mestre não passa a palavra às colunas para que mesmos comentem sobre a mesma. Disse que não faz parte do Ritual do REAA por a Loja em família para tais comentários e considerações. Mas que iria consultar o Irmão, para ver se tem alguma sugestão do que pode ser feito?

CONSIDERAÇÕES.

Nesse caso, colocar a “loja em família” não está previsto, entretanto, desde que autorizados, nada impede que os Irmãos das Colunas e do Oriente se manifestarem, porém sem se estenderem por demais, extrapolando em demasia o tempo previsto no ritual. Aliás, esse tempo, se necessário, não é assim tão rigoroso. Apenas estipula-se um limite para que se evitem abusos seguidos de palavreados longos, rançosos e desnecessários - sem contar com as repetições e desvios de assunto.
O Tempo de Estudos também pode ser preenchido com debates sobre algum tema de importância educacional e cultural. Isso é salutar, desde que o mesmo se dê com critério e bom senso.
Se o Venerável Mestre achar conveniente ele pode colocar “diretamente” (sem primeiro anunciar aos Vigilantes) a palavra nas Colunas e Oriente para manifestações a respeito do tema apresentado. Se assim ocorrer, a palavra deve ser concedida e utilizada na forma de costume, iniciando o giro pela Coluna do Sul.
É bom que se diga que qualquer obreiro que ainda não tenha se manifestado a respeito, pode proferir seus comentários no período da Palavra a Bem da Ordem e do Quadro em Particular.
No que diz respeito a Loja “em família”, isso nada mais é do que invenção que fora criada como subterfúgio para desrespeitar a ritualística.
No Rito de York, onde não há a tal “loja em família” a Loja é colocada “em descanso” para apresentações e debates, já no REAA os debates podem acontecer, porém seguindo o giro da palavra se o Venerável assim entender.


T.F.A.


PEDRO JUK


JUNHO/2019

quarta-feira, 26 de junho de 2019

UM GOLPE DE MALHETE PARA ABRIR UMA SESSÃO ELEITORAL MAÇÔNICA


Em 18/05/2019 no 1º Seminário de Padronização Ritualística do REAA – GOB, realizado em Santos, São Paulo, o Respeitável Irmão Sérgio Albuquerque, Loja Basiléia, 4105, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Estado de São Paulo, formulou a seguinte questão:

UM GOLPE DE MALHETE


Foi comentado durante a palestra que não existe abertura a golpe de malhete. Porém nos documentos enviados pelo GOB-SP para a eleição da administração da Loja consta essa abertura e assim foi realizada. Está correto?

CONSIDERAÇÕES.

Eu tenho as minhas convicções e entendo que uma sessão maçônica, para ser verdadeiramente maçônica precisa ser aberta ritualisticamente. Aliás, essa não é só a minha opinião, pois saudosos grandes Mestres do quilate de José Castellani, Theobaldo Varolli Filho, Francisco Assis de Carvalho, dentre outros, assim também opinavam.
Um só golpe de malhete não é abertura ritualística, mas infelizmente me parece que, respeitosamente, esse não tem sido o entendimento de muitas de nossas autoridades, mormente nas sessões eleitorais quando não orientam a abertura de uma sessão ordinária de eleição de modo ritualístico no grau previsto, mas mencionam o tal “um só golpe de malhete”.
Sessões “de eleições da administração e de membro do Ministério Público” e “de eleições dos deputados federais e estaduais e de seus suplentes” constam do Regulamento Geral da Federação como sessões ordinárias – vide Art. 108, § 1º, VI e VII. Assim, entendo que uma “sessão ordinária” deva ser aberta conforme o ritual do Rito, nela se tratando, com exclusividade, durante a sua Ordem do Dia, do expediente eleitoral. Reitero; esse é o meu entendimento.
A despeito desses comentários, e em se aventando as eleições para Grão-Mestre, chamo ainda a atenção para dois aspectos:
Primeiro é sobre o que menciona o RGF sobre as “sessões extraordinárias” (Art. 108, § 4º, I). Exara esse diploma legal: são sessões extraordinárias de eleições de Grão-Mestre Geral de Grão-Mestre Adjunto, de Grão-Mestre Estadual, do Distrito Federal e seus adjuntos.
Segundo é o que menciona o Ritual do GOB de Mestre Maçom do REAA em vigência (edição 2009, pág. 147) na sua Parte IV – Sessão Extraordinária. Nele consta, na página 164, que durante a Ordem do Dia a Loja passa a funcionar como: “SESSÃO ELEITORAL ou de CONSELHO DE FAMÍLIA ou de EXPEDIÇÃO DE PLACET EX-OFFÍCIO. Nesse sentido, chamo a atenção porque a Sessão Extraordinária mencionada no ritual possui abertura ritualística normal, tendo sua Ordem do Dia também aberta de modo costumeiro. É no transcurso da Ordem do Dia que o Venerável Mestre então dá um golpe de malhete para alertar que a Loja passará a funcionar em Sessão, nesse caso, Eleitoral. Concluídos os procedimentos eleitorais, o Venerável encerra (com um só golpe de malhete) a Ordem do Dia e, por extensão, a Sessão Eleitoral (página 165).
Dado a esses comentários é que eu entendo que uma “sessão ordinária”, que utilize expediente eleitoral (RGF, Art. 108, § 1º, VI e VII), também deva ser aberta ritualisticamente conforme o ritual, sendo, a “sessão eleitoral”, realizada na sua Ordem do Dia. Assim, o “golpe de malhete” se restringe à declaração de abertura e encerramento da oficina eleitoral, dentro da Ordem do Dia.
Enfim, resumindo tudo o que eu penso, é que as sessões eleitorais se dêem, conforme o caso, nas sessões ordinárias ou extraordinárias. Ambas devem ser abertas ritualisticamente no grau previsto, passando a funcionar em oficina eleitoral apenas nas suas respectivas Ordens do Dia. Obviamente que essas sessões, ordinárias ou extraordinárias, somente serão abertas para essa finalidade, nelas não se admitindo a inclusão de outros assuntos que não os pertinentes ao atinente expediente eleitoral. É esse o meu entendimento, porém passível de discussão com os nossos legisladores.


T.F.A.

PEDRO JUK

JUNHO/2019

segunda-feira, 24 de junho de 2019

HUZZÉ! ACLAMAÇÃO AO SOL


Em 12/02/2019 o Respeitável Irmão Arlindo Jr, Loja Luz, Justiça e Caridade, REAA, GOB-PR, Oriente de Paraíso do Norte, Estado do Paraná, solicita o que segue:

ACLAMAÇÃO HUZZÉ!

Estou fazendo um trabalho sobre palavra HUZÉ e gostaria de algumas informações.

COMENTÁRIOS.

Segue uma Peça de Arquitetura que acredito possa auxiliá-lo.

A ACLAMAÇÃO - HUZZÉ! HUZZÉ! HUZZÉ!

  • A Luz da Maçonaria irradia do Oriente e cada Maçom deve ser uma Luz para a prática das boas Obras composta de Lógica e Razão, princípio haurido dos "Códigos de Moral” e enaltecidos pela Sublime Instituição. Do Templo Maçônico deve se estender a Luz da Razão para a humanidade” (Ir. Theobaldo Varolli Filho).
             

Aclamação Huzzé - destacando a sabedoria e a arte Sarracena, a cultura árabe sempre esteve presente nos ensinamentos provenientes do Oriente. Nesse sentido e de modo eclético, a paulatina constituição doutrinária da Maçonaria também não deixaria de utilizar inúmeros ensinamentos dessa cultura – se diz nas preleções maçônicas que a Sabedoria vem do Oriente e que, de modo emblemático, teriam sido os fenícios os operários construtores do Templo de Jerusalém – especulativamente, a maior alegoria maçônica.
A inegável influência árabe, de tantas outras reminiscências, na senda iniciática maçônica sobejamente tem tido o desiderato de enriquecer as doutrinas da grande maioria dos ritos maçônicos. Em se tratando dessa influência cultural na Maçonaria, a aclamação Huzzé é uma dessas reminiscências.
Não há, porém, como esquecer nessa abordagem, a cultura hebraica, destacando-se quem em muitos aspectos a língua árabe original possui muita semelhança com a hebraica, o que tem feito com que alguns autores, inadvertidamente acabem atribuindo raízes etimológicas equivocadas dando vazão à conceitos falsos e temerários.
Huzzé e a Acácia - por existir uma relação entre essas duas palavras na construção de uma alegoria solsticial muito antiga, alguns tratadistas, se utilizando a lei do menor esforço, enganosamente traduziram Huzzé (saudação) como sendo o mesmo que Acácia (espécime vegetal). Como se verá a seguir, ambas as palavras até se relacionam, contudo são substantivos distintos, ou seja, uma palavra não é tradução da outra.
Acácia espécime vegetal - segundo Varolli Filho, “shittah” em hebraico; plural “shittin”, se refere a uma classe vegetal de nome “acácia” e aparece relacionada em vários textos Bíblicos, sobretudo quando se refere à madeira utilizada como matéria prima para construção da Arca da Aliança e os seus varais.
No que diz respeito à autenticidade desse gênero vegetal, a verdadeira acácia, segundo o que citam bons tratadistas, é a espécime Acácia do Nilo (akakia aegipti), ou “Vera Acácia. Trata-se de uma árvore leguminosa de cujo gênero se produz a goma arábica e o tanino[1].
Como um vegetal símbolo na liturgia da Moderna Maçonaria e dona de um importante conjunto emblemático, vale então mencionar que, em se tratando da sua ocorrência em território brasileiro, a legítima acácia (oriunda do nordeste da África) por aqui não se desenvolve, ocorrendo no Brasil apenas a espécie “acácia negra” que é de origem australiana - embora seja também produtora de boa goma com considerável quantidade de tanino. Esse espécime no Brasil é encontrado nas regiões tropicais, se dando muito bem na região sul brasileira. Seus ramos são sempre aproveitáveis na liturgia maçônica, substituindo simbolicamente o espécime original.
Como descrição dessa espécie de vegetal (akakia aegipti), a acácia é uma árvore resistente em cujos galhos se apresentam alguns espinhos. Durante sua florada ela produz flores esféricas ligeiramente amareladas. Produz uma madeira de longa durabilidade por não ser sujeita à praga, qualidades estas que lhe renderam a fama de “eternidade”.
Pelas características de incorruptibilidade, a madeira da acácia (akakia aegipti) ganhou, ao longo dos tempos, múltiplas interpretações peculiares. No caso da Maçonaria, a sua durabilidade lhe rendeu a divisa simbólica da imortalidade.
A flor da Acácia e o símbolo do Sol - outra característica que lhe rendeu importante representatividade emblemática é a sua flor aveludada, ou radiada e de forma esferoide. Pelo seu formato irradiado sua flor lembra, desde as antigas civilizações, o Sol, sendo inclusive utilizada como elemento para saudar o astro rei no solstício de inverno no hemisfério Norte, o que, em última análise, a fez possuir estreita ligação com a aclamação Huzzé!
Saudação à volta Sol – presentes em muitas manifestações das antigas civilizações (cultos solares da antiguidade), no Antigo Egito e em certas regiões árabes, a acácia era considerada uma planta sagrada. Era comum em certas tribos, como a dos Drusos por exemplo, o costume de se saudar a volta do Sol no solstício de inverno, o que ocorria em se manejando e agitando um ramo florido de acácia (shittah ou shittin) e ao mesmo tempo proferindo a aclamando “Huzzah!” (Viva!) ou, conforme os dialetos locais, “Uezzah!”.
O solstício de inverno ao Norte se dá quando o Sol atinge o ponto máximo da sua inclinação ao Sul (21 de dezembro). Após atingir a maior declinação na sua eclíptica, aparentemente ele parece iniciar o seu retorno (porta solsticial). No misticismo árabe, exatamente esse era o momento em que os ramos floridos de acácia eram agitados dando-se vivas (Huzzah) ao retorno do Sol (luz e conforto). Após o advento do Islã essa prática seria proibida por Maomé.
Em que pese alguns autores defenderem Huzzé (Viva) como palavra de origem escocesa, alegando que essa é uma aclamação utilizada pelo Rito Escocês Antigo e Aceito, numa analise mais acurada essa tese não se sustenta, pois esse Rito, embora traga de fato na sua liturgia essa aclamação, não é originário da Escócia, porém da França, sendo, inclusive, mais conhecido na Europa como Rito Antigo e Aceito e não como Rito Escocês. O título “escocês” dado a ele não é por questão de nacionalidade.
Vale também a pena mencionar que essa aclamação não é parte de um dialeto escocês como querem afirmar alguns autores. É mais provável sim que em Maçonaria a aclamação Huzzé (Viva) tenha surgido de uma corruptela de pronuncia da língua inglesa, haurida dos tempos em que as regiões árabes permaneciam sob domínio britânico. É o caso, por exemplo, do conhecido ip hurrah! que significa “viva!”, ou “salve!”. Assim, estima-se que Huzzé seja uma corrupção linguística propiciada pelos ingleses da palavra árabe Huzzah, ou Uezzah.
Acácia confundida com Huzzé - desafortunadamente, ainda alguns autores maçons, se utilizando da lei do menor esforço, simplesmente entenderam que a “saudação” ao Sol feita com um ramo florido de “acácia” era o próprio espécime vegetal. Dessa falsa interpretação resultou o equívoco de que “acácia” (gênero vegetal), em árabe seria Huzzé, o que não é verdade, pois acácia é o vegetal que produz o ramo florido utilizado para se dar vivas (Huzzé) à volta do Sol. Em síntese, a acácia fornecia o adereço para com ele às mãos os homens bradassem... Viva! (Huzzé!)
Ainda muitos maçons precisam compreender que a antiga prática de saudação ao Sol, oriunda dos cultos solares da antiguidade, foi inserida na liturgia maçônica somente como suporte de lição moral, nunca como elemento de adoração ou de proselitismo para crenças particulares. O misticismo que envolve a saudação à volta do Sol é um costume muito antigo entre as civilizações. Os períodos solsticiais são marcos determinantes na indicação dos ciclos Natureza – opostos conforme o hemisfério. Para os “cortadores da pedra” do passado medieval, essas datas marcavam ciclos operativos que envolviam as construções, portanto essa alegoria jamais teve o desiderato de dar na Moderna Maçonaria qualquer suporte a crenças com viés de ocultismo e nem mesmo alicerçar proselitismos religiosos.
Significado da Aclamação no REAA - a liturgia maçônica adota várias manifestações do pensamento humano para construir sua doutrina de aprimoramento. Dentre as quais pode-se citar os ciclos da Natureza e o movimento aparente anual e diário do Sol nas suas práticas ritualísticas. Nesse sentido, a aclamação Huzzé, recorrente na abertura e no encerramento dos trabalhos nos graus de Aprendiz e de Companheiro no REAA, está diretamente relacionada à alegoria iniciática da Luz.
Nessa exposição figurada de pensamento aparecem os dois momentos da aclamação ritualística. A primeira relacionada ao período que o canteiro se submete à plena iluminação do dia (Meio-Dia). De alto valor simbólico, esotericamente o Sol a pino significa hora de extremada igualdade. Com o Sol no zênite reduzem-se as sombras e a probabilidade é de que ninguém faça sombra a ninguém. O momento de iluminação plena denota também o vigor do obreiro prestes a iniciar a Obra. É por esse motivo que o Meio-Dia recebe a aclamação. O segundo momento se dá ao final, à Meia-Noite. Seu simbolismo prende-se ao fato de que já passada a hora do ocaso certamente outro dia irá raiar (esperança). Quanto mais escura é a madrugada, mais próximo se aproxima o nascer de um novo dia. Emblematicamente, Meia-Noite representa o fim da jornada. Esotericamente é o fim da etapa. O corpo é devolvido à mãe Natureza. Se a vida produziu bons brutos, certamente a sua Obra será perene, duradoura e servirá de exemplo aos pósteros. A certeza é de que tudo é transitório, pois assim como o Sol se oculta no Ocidente para encerrar o dia, também é certo o raiar de um novo dia. Eis a razão pela qual aclama-se o retorno do Sol no encerramento.
Conclusão – Huzzé é uma antiga aclamação que corresponde a se dar “vivas!”. Como uma espécie de saudação à Luz, Huzzé nada tem a ver com atos supersticiosos e crenças acercadas de vibrações ocultas, chacras, egrégoras, etc. A aclamação é simplesmente um meio simbólico de instigar no maçom o respeito à sabedoria e ao esclarecimento (virtudes simbolizadas pela Luz). O simbolismo maçônico não trata de adorações, mas busca nos métodos velados por alegorias e ilustrado por símbolos perscrutar a Verdade e não se distorcer a razão. (a) Pedro Juk – outubro de 2003. Revisado em junho de 2019.
ROTEIRO BIBLIOGRÁFICO.
CARVALHO, Assis – O Mestre Maçom – Editora Maçônica A Trolha – Londrina 1991.
MELLOR, Alec – Dicionário da Franco Maçonaria e dos Franco Maçons – Editora Martins Fontes – São Paulo – 1.989.
VAROLI, Theobaldo F. – Curso de Maçonaria Simbólica – Tomos I, II e III – A Gazeta Maçônica – São Paulo – 1.993
CASTELLANI, José – Consultório Maçônico IV – Editora Maçônica A Trolha – Londrina – 1.998.
CARVALHO, Francisco – A Maçonaria Usos e Costumes I – Editora Maçônica A Trolha – Londrina – 1.994
PALOU, Jean – A Franco Maçonaria Simbólica e Iniciática – Editora Pensamento – São Paulo 1.964
NEWTON, John F. – The Builders – A Story and Study of Masonry – Iowa – 1.916.
CASTELLANI, José – Maçonaria e Sua Herança Hebraica – Editora Maçônica A Trolha – Londrina 1.993.

T.F.A.

PEDRO JUK


JUNHO/2019


[1] Substância amorfa, adstringente, extraída principalmente da noz-de-galha e que se encontra na casca de numerosas árvores e arbustos. Classe de substâncias adstringentes encontradas em certos vegetais, que dão coloração azul com sais de ferro, usadas no curtimento de couros e também como mordentes


terça-feira, 18 de junho de 2019

VISITANTE DE OUTRO RITO - III


Em 21/02/2019 o Respeitável Irmão Marcondes Montysuma, Venerável Mestre da Loja Igualdade Acreana, 4.229, GOB, Oriente do Rio Branco, Estado do Acre, formula a seguinte pergunta.

VISITANTE DE OUTRO RITO


Estamos no grupo de WhatsApp Craft GOB. Gostaria que me ajudasse em uma dúvida! A pergunta é: Se o Venerável de uma loja do Rito de York vai visitar uma Loja do REAA, deve se comportar ritualisticamente como do Rito de York ou como REAA? Existe alguma lei ou decreto do GOB, ou texto que fale a respeito que o irmão poderia me indicar? Em ordem no grau de Aprendiz em que lugar ou posição deve ficar o p\ da m\ d\, no Rito York e no Escocês? O irmão poderia fazer a gentileza de enviar a resposta pro meu e-mail.
Fui interpelado em uma loja aqui no oriente de Rio Branco/Acre do REAA, e ao fazer pesquisas sobre o tema eu ainda não encontrei nada a respeito, que sustente a tese que o obreiro deva seguir o Rito da loja visitada, mesmo se o irmão tenha nascido no Rito Escocês e esteja representando o Rito York!

CONSIDERAÇÕES.

Quanto a Lei ou Decreto de como deva se comportar um visitante numa Loja de outro Rito, eu desconheço. Sabe-se que legalmente é permitida a visita entre maçons regulares, agora, quanto ao comportamento ritualístico eu creio que não.
Quanto a visita, eu entendo que a regra da boa etiqueta é a de que o visitante se comporte conforme aos costumes da casa do visitado.
Penso que numa situação em que a Loja visitada trabalhe num rito e o visitante seja de outro, então que pelo menos o visitante chegue com tempo suficiente para conhecer as regras ritualísticas do rito da Loja anfitriã.
Com bom senso e com tempo suficiente, certamente algum Irmão recepcionista irá, se a prática for excessivamente diferente, ensinar o necessário ao visitante.
O que não pode, sobretudo numa situação dessas, é o visitante chegar sem tempo suficiente para aprender os procedimentos que ele não conhece. Pior ainda é chegar atrasado.
Cabe ao visitante compreender que é dele a obrigação de se adequar, se for o caso, aos trabalhos da Loja que o recepciona, e não ao contrário.
Compreenda-se que a Loja visitada abre naturalmente os trabalhos litúrgicos no seu Rito e não no do visitante. Seria inimaginável que uma Loja tivesse que trabalhar conforme o rito do visitante.
É de bom alvitre que, na medida do possível, um Irmão ao visitar outra Loja procure antes se informar sobre qual rito a Loja que ele pretende visitar pratica. Assim preparado, certamente evitam-se atropelos de última hora – chama-se isso de prudência.
É oportuno também mencionar que em muitos casos, práticas, a exemplo dos Sinais, nos Ritos são muito parecidos entre si, portanto, numa avaliação mais acurada, vale a pena verificar se essas pequenas diferenças interferem mesmo nos trabalhos. Se isso não acontecer, então não há o porquê de se fazer uma tempestade num copo d’água. Quando se fala em práticas diferenciadas entre Ritos, leva-se em conta apenas aquelas que são verdadeiramente diferentes e não as sutilezas ritualísticas. Reitera-se, é sempre bom que prevaleça o bom senso.
No que diz respeito ao Sinal do Aprendiz, ambos praticamente se igualam no REAA e no de York, havendo apenas uma pequena diferença na posição do p\ da m\ d\, a qual lhe passarei por e-mail.

T.F.A.

PEDRO JUK


JUNHO/2019

REAA - SINAL DE ORD.'., PEN.'., GUT.'. E SAUDAÇÃO


Em 18/05/2019 no 1º Seminário de Padronização Ritualística do REAA – GOB, realizado em Santos, São Paulo, o Respeitável Irmão Reginaldo Caldeira de Souza, Loja Deus, Justiça e Amor, 2086, GOB-SP, Oriente de Sumaré, Estado de São Paulo, apresentou as seguintes perguntas:

SINAL DE ORD\, PEN\ E SAUDAÇÃO


Sinal de Aprendiz, de Ord\, Pen\ (Gut\) e Saudação. Quando e como usá-los corretamente? O ritual apresenta uma descrição do Sinal de Saudação bem confusa.

CONSIDERAÇÕES.

O Sinal de Ord\ é aquele que corresponde ao Sinal do Grau do Obreiro. O Sinal do Aprendiz, por exemplo, é sempre feito com a mão direita na forma de costume.
Em qualquer situação, para se compor o Sinal é preciso primeiro se estar em pé, corpo ereto e os pp\ em esq\. É do termo “estar à Ordem” que se deriva o termo genérico conhecido como Sinal de Ord\ (o que ocorre em qualquer grau).
Um Sinal de Ord\ (do Grau) é composto de dois momentos distintos. O primeiro é o estático, ou aquele que corresponde à composição do Sinal. Já o segundo é o dinâmico, ou aquele que obedece ao ato de se desfazer o Sinal (sempre feito pela pena simbólica e com a mão).
É dado ao movimento dinâmico de se desfazer o Sinal que o mesmo é chamado de Gut\ (Aprendiz), ou Pen\, isso porque ele representa a pen\ simbolicamente aplicada e mencionada no momento do compromisso.
Dados esses comentários, é regra que toda a saudação maçônica seja feita pelo Sin\ Gut\ (Pen\). Obviamente que para se prestar a saudação é preciso antes que se esteja à Ordem (com o Sin\ composto). É nesse sentido que os Sinais de Ord\, seguidos dos seus gestos complementares, ou PPen\, são feitos apenas dentro de uma Loja aberta (ambiente coberto e longe das goteiras).
Um aspecto importante a ser considerado é que a saudação maçônica é feita sempre pelo Sinal do Grau, porém isso não significa irremediavelmente que o Sinal é saudação. Como já foi mencionado, depende do momento e da circunstância. É bom que se compreenda que a composição do Sinal é um dos mais importantes procedimentos ritualísticos que ocorrem dentro da Loja, dos quais, um deles é se prestar a saudação pelo Sinal. Não à toa o Sinal é parte do Landmark do sigilo.
Infelizmente esses aspectos raramente tem sido explicados, o que faz com que muitos ainda imaginem que só se faz o Sinal para se saudar alguém, o que não é verdade. Há uma regra no REAA, conhecida por todos, onde sempre que um obreiro estiver em pé em Loja aberta, o mesmo deverá estar à Ordem. O cumprimento dessa regra não generaliza interpretar esse gesto como saudação.
As sutilezas ritualísticas demandam de observação acurada e compreensão do porquê das práticas. Tenho dito; em Maçonaria muitas coisas parecem iguais, contudo, não raras vezes elas se diferem no seu sentido e na sua essência. É por isso que eu sempre defendo a tese de que apenas ler o que está escrito não é o suficiente. É preciso antes saber a razão pelas quais ela aparece na liturgia.
Quanto ao aspecto confuso exarado pelo Ritual, tenho a dizer que eu já passei orientações que estão à disposição dos Irmãos em http://ritualistica.gob.org.br/ a respeito.
Concluindo, Sinal de Ord\ é o Sinal do Grau. Sinal Pen\ é o ato de se desfazer o Sin\ de Ord\. Sinais são feitos apenas dentro de Loja e com a mão, ou mãos, conforme o grau. Saudação maçônica é sempre feita pelo Sinal, porém nem sempre o Sinal significa saudação – a questão é de momento e conjuntura. De fato, não existe “Sinal de Saudação”, o que existe é a “saudação pelo Sin\” – bem diferente. Todos os Sinais são feitos em se estando à Ordem, isto é, com o corpo ereto (pr\) e os pp\ em esq\. Eu não utilizo o termo “de pé e à Ordem” porque é para mim redundante, pois ninguém fica à Ordem sentado.


T.F.A.

PEDRO JUK


JUNHO/2019

domingo, 16 de junho de 2019

REAA - CIRCULAÇÃO ANTES DA ABERTURA DO LIVRO DA LEI


Em 21/02/2019 o Respeitável Irmão Lélio Lopes, Loja Estrela Socorrense, 2.329, REAA, GOB-SP, Oriente de Socorro, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

CIRCULAÇÃO ANTES DA ABERTURA DO LIVRO DA LEI


Gostaria de saber se houve alguma alteração referente à Circulação antes da abertura do Livro da Lei, isto é, se o Mestre de Cerimônias ao se dirigir ao Irmão Orador pode não circular sentido horário, não contornando o painel e entrando pelo Sudeste e não pelo Nordeste, e se o Primeiro Diácono pode circular sem obedecer à circulação sentido horário.
Certo da costumeira atenção e no aguardo de uma resposta.

CONSIDERAÇÕES:

Nunca houve alteração, isso porque o Mestre de Cerimônias, a partir do momento em que o Venerável chega ao Altar e solicita aos Irmãos ajuda para abrir a Loja, a mesma entra em processo de abertura, portanto faz-se a circulação horária de costume. Assim, o Mestre de Cerimônias, nessa condição, faz a circulação ao se dirigir ao Orador.
Na realidade nunca existiu a prática dele se dirigir ao Orador diretamente do seu lugar (pelo Sudeste) durante o processo de abertura da Loja.
Infelizmente algumas Lojas, ou por mal interpretação ou mesmo por invencionice, criaram esse procedimento não se sabe em nome do quê – talvez tenham confundido o ato de não se fazer o Sinal antes da Loja estar aberta com circulação, fato que nada tem a ver.
Atualmente, nas orientações ritualísticas disponíveis na plataforma do GOB em http://ritualistica.gob.org.br/, já se encontram informações a respeito, isto é, indicando a partir de que momento o Mestre de Cerimônias deve obedecer a circulação.
Concluindo, estando a Loja em processo de abertura, só se ingressa no Oriente passando pela coluna do Norte, isto é, pelo lado do Orador (Nordeste) e nunca pelo lado do Secretário, à Sudeste.

T.F.A.

PEDRO JUK


JUNHO/2019