terça-feira, 9 de julho de 2019

LENDA HIRÂMICA - LENDA OU FICÇÃO?


Em 12/03/2019 o Respeitável Irmão Adriano Benício Valadares, Loja Renascença Amapaense, 06, Rito de York, Grande Loja do Amapá, Estado do Macapá, formula a questão seguinte:

A LENDA DE H\ A\


Estou fazendo um trabalho sobre a lenda do 3º Grau - Lenda de H\ A\ e gostaria q
ue Vossa Senhoria me auxilia-se a responder as seguintes questões:
A Lenda de H\ A\ é uma ficção?
Em algumas o esq\ no painel do 3º grau, aparecem 03 números 05, o que significam?
Também aparecem 03 letras J, o que significam?

CONSIDERAÇÕES.

  1. De fato, por ser uma lenda ela não tem nenhum compromisso com a realidade histórica. Decalcada nos cultos solares da antiguidade, a Lenda Hirâmica seria adaptada na Moderna Maçonaria, sobretudo depois de ter se firmado o Terceiro Grau especulativo que nascera em 1725.
Muitos arremedos da Lenda já eram antes contados nos catecismos antigos, época em que a Maçonaria era constituída por duas classes de operários. Com atributo moral e sociológico a Lenda Hirâmica atualmente é a chave da Grande Iniciação que se encerra no Grau de Mestre. É oportuno mencionar que essa exposição lendária é uma alegoria intimamente relacionada à vida e morte da Natureza. A lenda de Osíris, Ísis e Hórus é um bom exemplo comparativo para o caso e tem uma estrutura muito parecida com a Lenda de Hiran.
  1. No tocante às Tábuas de Delinear do Craft, os números se referem individualmente aos t\ m\ CC\ que buscaram por meios escusos obter a Pal\ e causaram tão lamentável acontecimento (vede a sua obra!).
  2. Exatamente, as três letras correspondem à corruptela latina que deu nome simbólico aos t\ m\ C\. Na realidade esses m\ CC\ significam, em primeira análise, o orgulho, a inveja e ambição, maus costumes que podem a qualquer momento golpear o homem. No intuito de que essa agressão não se repita novamente é que o maçom deve estar em constante vigilância (entre o Esq\ e o Comp\).
Aproveitando a oportunidade, se faz oportuno comentar que entre as vertentes, inglesa e francesa de Maçonaria, existem diferenças no conteúdo simbólico da Tábua de Delinear (titulo inglês) e Painel da Loja (título francês). Especificamente no Terceiro Grau a diferença é grande. Embora o objetivo lendário seja o mesmo. Isso se deve principalmente à influência teísta (inglesa) e deísta (francesa).
Outros comentários não são possíveis por aqui, pois os puristas de plantão devem estar a postos para destilar a sua ira sobre aqueles que “revelam segredos”.


T.F.A.

PEDRO JUK


JULHO/2019

segunda-feira, 8 de julho de 2019

REAA - RÉGUA DE 24 POLEGADAS. DO APRENDIZ OU DO COMPANHEIRO?


Em 08.03.2019 o Respeitável Irmão Leandro Campestrini, Loja Luz e Fraternidade, 1.828, REAA, GOB-PR, Oriente de Cascavel, Estado do Paraná, coloca a seguinte questão:

RÉGUA DE 24 POLEGADAS


Através de algumas pesquisas me deparei com seu artigo sobre a Régua de 24 Polegadas, artigo muito bem redigido.
Minha dúvida é sobre quando a Régua de 24 Polegadas foi removida do Ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito. Se existe algum artigo sobre quando foi essa mudança nos rituais.

CONSIDERAÇÕES.

Na verdade, esse símbolo nunca foi removido, simplesmente porque a Régua, não é instrumento de trabalho do Aprendiz no REAA. Portanto, não SE tem como retirar aquilo que não existe.
Você pode conferir isso na própria alegoria clássica do Aprendiz e do Companheiro no escocesismo simbólico. Observe que nela o Aprendiz traz apenas o Maço e o Cinzel, enquanto que o Companheiro é que traz a Régua de 24 Polegadas.
Isso pode ser constatado também no Painel do Grau, onde a Régua só aparece no Painel do Companheiro. Obviamente eu estou mencionando Painéis e Alegorias verdadeiras e não aquelas deturpadas.
Perscrutando ainda mais a fundo, observe os Painéis franceses do Rito, sobretudo os do começo do século XX, já que os mais antigos traziam, às vezes, um Painel só para os dois Graus.
Já expliquei bastante sobre esse engano. Aqui no Brasil, infelizmente existem ainda rituais anacrônicos que insistem em copiar práticas e costumes de outros Ritos. Por exemplo, no Craft (inglês), a Aprendiz tem como ferramentas o Malho, o Cinzel e a Régua, entretanto, não no REAA que, diga-se de passagem, é rito de origem francesa e nele a Régua pertence ao Segundo Grau.
Desafortunadamente, na busca de “reconhecimentos” e “agrados” muitos rituais por aqui se contaminaram com simbologia que não lhes pertence. O problema é que muitas vezes, os “fazedores de ritual” que geralmente pouco entendem de Maçonaria, mas “acham” tudo bonito, se encarregaram de espalhar a erva daninha.
Se faz mister compreender que na estrutura da Maçonaria, seus Ritos e Rituais são oriundos das suas vertentes de nascimento e, não raras vezes, a sua doutrina traz particularidades culturais próprias que não podem interferir nas características doutrinárias de outros. Não existe um ritual único para a Maçonaria Universal. O que existe são ritos maçônicos que, em que pese possuírem muitos símbolos e alegorias comuns entre si, outros, contudo, trazem consigo distinções inerentes à sua cultura.
Concluindo então, no REAA, rito de origem francesa, a Régua de 24 Polegadas é Instrumento do Companheiro. Se há rituais desse Rito que mencionem a Régua no 1º Grau, tenha certeza, eles estão irremediavelmente errados.

T.F.A.

PEDRO JUK


JULHO/2019

domingo, 7 de julho de 2019

MUDANDO DE LUGAR PARA FALAR NOVAMENTE


Em 07/03/2019 o Respeitável Irmão Cláudio Rodrigues, Loja Harmonia 26, REAA, GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, solicita o que segue:

MUDANDO DE LUGAR PARA UTILIZAR NOVAMENTE A PALAVRA.


Permita-me solicitar novamente a questão sobre a Palavra nas Colunas, quando a mesma tenha mudado de Coluna e um Irmão solicita-a, novamente, e embora tenha sida aprovada e o Irmão tenha falado, mas, mesmo assim, após mudança de Coluna, novamente o mesmo Irmão solicita, repetidamente, a Palavra, outra vez.
Embora, como seu seguidor, eu tenha explanado o quê o Venerável deveria fazer, mesmo assim, em minha opinião o lapso foi cometido, ou seja, pela última vez da Palavra solicitada pelo mesmo Irmão, o Venerável optou em convidá-lo ao Oriente, lugar em que estava a Palavra, desta vez.

CONSIDERAÇÕES.

Me perdoe a franqueza meu ilustre Irmão, mas o Venerável agindo assim, simplesmente corrobora com esses abusos de atitudes pouco recomendáveis.
Quem usa a palavra deve usá-la criteriosamente. Concluída a sua fala, acabou o assunto. É mesmo inadmissível que o usuário da palavra fique pedindo a toda hora o seu retorno, sobretudo quando ela já não mais está na sua Coluna.
Pior ainda é o Venerável, conivente com as barbaridades, convidar o repetitivo usuário a se deslocar até o Oriente no intuito de usar a palavra novamente - essa é na verdade uma sequência de equívocos e absurdos.
Ora, se um Irmão pedir o retorno da palavra, o Venerável deve avaliar com bastante critério se deve ou não a conceder novamente. Se a necessidade for mesmo justificável, ele então faz retornar a palavra a partir da Coluna do Sul. Não importa em qual Coluna esteja quem pede o retorno da palavra. Em sendo ela outra vez concedida, a mesma faz o giro completo.
O que não pode é essa concessão se tornar rotina, e muito menos o “falador” ficar mudando de Coluna, ou ainda ser autorizado pelo Venerável Mestre a se dirigir ao Oriente para repetir o palavrório.
É mesmo uma pena que essas coisas aconteçam em Loja, já que atitudes como essas tem mais o desiderato de incomodar a assembleia do que contribuir para com a Obra do aperfeiçoamento humano.
É isso Mano, o que mais se poderia dizer...


T.F.A.

PEDRO JUK


JULHO/2019

SINAL E BATERIA DE TRISTEZA E DE ESPERANÇA - INVENCIONICES MAÇÔNICAS


Em 27.02.2019 o Poderoso Irmão Ronei Antonio Ferrari, Grande Secretário de Ritualística do REAA do Grande Oriente Paulista (COMAB), Estado de São Paulo, Capital, apresenta a seguinte questão.

SINAL E BATERIA DE TRISTEZA E ESPERANÇA?


Recentemente um irmão me questionou sobre: "sinal de ordem de tristeza, bateria de tristeza e bateria de esperança". Com tudo que já li sobre Maçonaria dos escritores puristas como: José Castellani, Theobaldo Varolli Filho, Chico Trolha, Hercule Spoladore, Pedro Juk, etc., confesso que nunca ouvi falar, ou não me lembro de ter lido nada sobre os 3 títulos acima. Seria mais uma invenção da maçonaria latina como você sempre intitula as mirabolantes "invenções" dos nossos irmãos? Por favor, se possível, me responda via e-mail, mesmo que seja algo como: é mais uma invenção dos irmãos, pois preciso posicionar nosso irmão autor da pergunta. Há uns dois anos o irmão Hercule Spoladore lhe enviou um e-mail sobre mim.
Grato mais uma vez e, desculpe por incomodá-lo, sei que você, por força do cargo que exerce atualmente no GOB e, por conta das consultas que recebe diariamente, tem sua disponibilidade tempo encurtada.

CONSIDERAÇÕES.

E assim vive a humanidade maçônica. Sinal de Ordem de tristeza, bateria de tristeza e de esperança! Parafraseando Eça de Queirós, “é mesmo d’escrachar”. Francamente, tem sido muito difícil se saber até aonde vai a imaginação dos “pardais” maçônicos.
Posso lhe garantir que essa mais é uma dessas besteiras criadas por certos “entendidos” da nossa Ordem. Francamente isso não existe. Como diz o causo, se só existe no Brasil e não é jabuticaba, ou é besteira ou é privilégio de alguns.
Ligado à tristeza e a consternação, a única coisa que pode existir, mas não como “bateria de tristeza”, é a Bat\ Fun\, adotada por alguns ritos nas suas sessões de PPomp\ FFun\ ou Loja de Fun\.
No mais meu Irmão, o resto é obra da imaginação e não deve ser levado em consideração quando perquirimos a autêntica Maçonaria. Que me perdoem se existem ritos que exploram essas aleivosias ritualísticas.

T.F.A.

PEDRO JUK


JULHO/2019

PERÍODO PARA ENTREGA DE TÍTULOS, COMENDAS E DIPLOMAS


Em 26/02/2019 o Respeitável Irmão Álvaro Mattos da Costa filho, Loja Fé e Perseverança, 426, REAA, GOB-SP, Oriente de Jaboticabal, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

ENTREGA DE COMENDAS E DIPLOMAS


Gostaria do seu esclarecimento para poder passar à minha Loja:
A entrega de títulos ou diplomas é na Ordem do Dia ou no Expediente, sempre o fizemos na Ordem do Dia, mas alguns irmãos questionam, pois não são assuntos de votação, qual a forma correta?

CONSIDERAÇÕES.

Por certo esse não é assunto para a Ordem do Dia, pois esse é o período onde se apresentam propostas e assuntos que dependem de votação. Assim, não é propício esse momento para entrega de títulos ou diplomas. O debate e a aprovação de uma proposta para conferir título a alguém até é matéria da Ordem do Dia, já a entrega desse título ao agraciado não.
Entendo que no Expediente deve ser anunciado pelo Secretário que o título ou diploma se encontra a disposição para entrega. Assim, o Venerável, se for o caso, pode fazer a entrega durante a Palavra a Bem da Ordem da mesma sessão, ou ainda marcar outra data da entrega, usando esse mesmo período, porém de outra sessão.
Como essa é uma questão de usos e costumes da Loja, entendo que nada impede, se for preferência do Venerável, dele fazer a entrega do título ou afim durante o próprio Expediente, só não sendo mesmo recomendável fazê-lo na Ordem do Dia.
Esse é o meu entendimento.


T.F.A.

PEDRO JUK

JULHO/2019

sábado, 6 de julho de 2019

FUNDAÇÃO DE LOJA - VENERÁVEL MESTRE PROVISÓRIO


Em 22/02/2019 o Respeitável Irmão Rogério Vaz, Loja Independência, 4.614, REAA, GOB-RS, Oriente de Bagé, Estado do Rio Grande do Sul apresenta as questões seguintes.

VENERÁVEL MESTRE PROVISÓRIO.


Minha pergunta é a seguinte, por ocasião da fundação de uma Loja, é formada uma administração provisória. Qual é o paramento que o Venerável Mestre Provisório usará? Lembrando que ele será Instalado, após a regularização da Loja. Obs. A Loja recebeu a Carta Constitutiva.
Outra pergunta. O Venerável Mestre provisório não instalado conduz uma sessão administrativa do Trono? Ou utiliza a cadeira ao lado? Obs. A Loja recebeu a Carta Constitutiva.

CONSIDERAÇÕES.

Numa administração provisória por motivo de fundação de Loja, o Mestre Maçom escolhido para esse cargo, nesse período dirige os trabalhos apenas com os paramentos do Mestre Maçom, já que ele ainda não fora instalado. Se a Loja já tiver adquirido as joias dos cargos, nada impede que ele provisoriamente utilize a joia do dirigente da Loja, já que ela é peça de propriedade da Loja.
Observe-se que em situação normal, no REAA, o 1º Vig\ é o substituto precário do Ven\ Mestre. Nessa condição, não sendo ele um Mestre Instalado, ao substituir precariamente o Venerável Mestre, ele só não usa os punhos e o avental de Venerável, entretanto a joia é possível que ele a use. Assim, um dirigente provisório, nas conjunturas colocadas, também dirige a Loja com os seus paramentos de Mestre Maçom, podendo usar a joia distintiva do dirigente.
Vale a pena mencionar que esse “dirigente provisório” somente será instalado após passar pelas exigências legais – deverá ser primeiro eleito para ser Instalado e empossado como Venerável Mestre definitivo da Loja recém-fundada.
Quanto ao lugar de onde o dirigente provisório ocupa na Loja, é do lugar de costume, isto é do trono, ou cadeira central colocada junto ao Altar. Não há razão para coloca-lo “ao lado” do trono – isso seria excesso de preciosismo numa situação apenas temporária.
Concluindo, nunca é demais lembrar que a legislação prevê para a fundação de uma Loja que os seus fundadores sejam em numero de “sete Mestres Maçons”, sem mencionar em momento algum que um deles, pelo menos, precise ser Mestre Instalado – vide Regulamento Geral da Federação, Artigos 84 até o 87.


T.F.A.

PEDRO JUK


JULHO/2019

segunda-feira, 1 de julho de 2019

LEITURA DO BALAÚSTRE


O Respeitável Irmão José Reinaldo Pavan, Loja Pedra da Fraternidade, 3.149, REAA, GOB-SC, Oriente de Itapoá, Estado de Santa Catarina, apresenta a seguinte questão:


LEITURA DO BALAÚSTRE.


Gostaria de saber se o Secretário deve ler os balaústres (em sessão) na íntegra (ipsis litteris) ou pode fazer um resumo, poupando assim os irmãos de uma leitura às vezes longa e cansativa.
Obrigado pela generosidade do esclarecimento sempre judicioso do querido Irmão.

CONSIDERAÇÕES.

Sem dúvida, a leitura deve ser na íntegra, sobretudo pelo seguinte: primeiro, é que abreviar a sua leitura não dá oportunidade para os que a ouvirem se certificarem se o seu conteúdo está registrado de acordo com os acontecimentos que se passaram. Segundo, é que, além do Secretário, assinam a ata o também Venerável Mestre e o Orador. Nesse sentido, eles não podem apenas ouvir um resumo da ata, senão exatamente tudo o que nela está contido para depois apor o seu ne varietur. Conforme especifica o Ritual, diz o Venerável Mestre: “Ir\ Secretário, dai-nos conta da Ata dos nossos últimos trabalhos”. Pelo que exara, o Secretário lê a Ata, e não um resumo dela. Do seu conteúdo demanda aprovação, retificação ou emendas.
Entendo que ao tempo de resumir uma leitura que se torna as vezes enfadonha, é o Secretário quem deve se ater aos fatos e redigir uma ata sucinta, inteligível e objetiva - o que não quer dizer resumida - porém apropriada e sem deixar dúvidas.


T.F.A.

PEDRO JUK
Secretário Geral de Orientação Ritualística – GOB

JULHO/2019