sábado, 18 de janeiro de 2020

MAÇOM PORTADOR DE NECESSIDADES ESPECIAIS


Em 24/10/2019 o Respeitável Irmão Jânio Naicin, Loja Canoas IIIº Milênio, 470, REAA, GORGS, Oriente de Canoas, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a seguinte questão:

MAÇOM PNE


Recorro ao Caro Irmão por que esta semana estive visitando uma Loja também do GORGS, mesmo Rito, em Sessão de Exaltação, onde me deparei com uma situação pelo mínimo inusitada, um Irmão cadeirante fazendo parte dos trabalhos, inclusive no cargo de 2º Diácono, função que necessita caminhar em Loja para transmissão da P S, o que fez com a cadeira rodas. Esclareço que ficou paraplégico depois de Iniciado, senão a Loja estaria contra um Landmark.
Os questionamentos que faço:
1.    Esse Irmão pode participar de qualquer Sessão;
2.    Há algo "esotérico" que o impediria de participar;
3.    Qual a opinião do Irmão referente a esse fato.
4.    Algo mais que queira acrescentar.

CONSIDERAÇÕES.

A questão de o maçom ter a necessidade de ser fisicamente hígido, no meu entender é algo ultrapassado já que essa exigência fazia parte da Maçonaria de Ofício onde o operário era obrigado a ter condições físicas satisfatórias para exercer o duro ofício aplicado nos canteiros de construção do passado. Por ser um trabalho extremamente duro e pesado (desbastar e assentar a pedra), no mínimo as condições hígidas do operário mereciam ser observadas.
Diferente da Maçonaria de Ofício, a Moderna Maçonaria – especulativa por excelência – não necessita desse rigor braçal no trabalho pois as práticas são apenas simbólicas e seguem um roteiro exemplar deixado pelos nossos ancestrais.
Nesse sentido, a construção e o aperfeiçoamento humano comparado à alegoria das edificações das antigas catedrais exigem do maçom não mais a força física, mas a compreensão e a aplicação da ética e da moral nas suas ações, o que não demanda tanto da higidez física, mas da higidez mental.
No tocante às nossas práticas ritualísticas, quando elas exigirem deslocamentos pelo recinto da Loja, as condições de modernidade e adaptação dos espaços de hoje em dia podem superar quaisquer dificuldades que por ventura possam advir.
Quanto a execução dos nossos ssin e ttoq (verdadeiros segredos da Ordem) penso que o que mais vale é hoje em dia o entendimento do que eles significam. Conhecer e compreender o porquê das suas existências é às vezes mais importante do que realizar propriamente o gesto em si. Não me engano em dizer que muitos fisicamente hígidos literalmente por aí fazem os ssin e dão os ttoq, porém sem ainda conhecer por completo os seus verdadeiros significados e valores morais.
Assim, com boa vontade, há que se perceber que o que mais vale é a intenção do gesto, do passo ou da palavra. O seu significado e a sua aplicação no cotidiano superam em muito o simples ato de se compor e fazer um sin ou dar um toq, ou ainda um pas na marcha. Um portador de necessidades especiais pode perfeitamente se enquadrar nessa condição.
Por óbvio que em se tratando de portadores de necessidades especiais cada caso deve ser analisado individualmente. Medida a sua proporção de dificuldades e possibilidade de participação nas práticas maçônicas, o portador das necessidades especiais deve também atender o mínimo possível das exigências previstas nos trabalhos litúrgicos e ritualísticos.
De tudo exposto, devo salientar que essas são as minhas presunções. Entendo que os nossos legisladores é que devem se debruçar sobre o tema para adequar as nossas leis à realidade atual, principalmente porque a tecnologia atual e a boa vontade andam juntas para melhorar a aplicação da virtude da igualdade.

Em atenção às suas questões propriamente ditas eu diria:
1.    A participação de qualquer Irmão portador de necessidades especiais numa sessão demanda, além do bom senso, também do que prevê a legislação da Obediência.
2.    Na questão esotérica o ato está na compreensão da sua essência. Sua realização mental é mais do que suficiente para atingir o objetivo.
3.    Em linhas gerais, a minha opinião quanto à participação de um Irmão portador de necessidades especiais já se encontra expressa no que escrevi até aqui nessas considerações. Sob o ponto de vista legal, entendo que nada pode ferir a lei. No caso, se existir aspecto contraditório, os nossos legisladores devem primeiro atuar na legislação para adaptar as condições e situações ao diploma legal.
4.    Eu não teria nada mais a acrescentar, a despeito de que minhas colocações no texto parecem ser suficientes para a conjuntura desse escrito.


T.F.A.

PEDRO JUK


JAN/2020

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

PANCADAS E BATERIAS SURDAS - SESSÃO DE POMPAS FÚNEBRES


Em 24/10/2019 o Respeitável Irmão Celso Costa Souza, Loja União, Paz e Justiça, 1781, REAA, GOB-MG, Oriente de Montes Claros, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

BATERIA FÚNEBRE


Parabéns e gostei muito da cartilha ritualística lançada no site do GOB, que veio somar ao ritual e tirar algumas dúvidas. Tenho dúvida com relação a Bateria Fúnebre, que é três pancadas surdas no cotovelo esquerdo em sentimentos ao irmão que foi pra Oriente eterno em substituição ao minuto de silêncio, que segundo cartilha publicada na época aqui em MG o minuto de silêncio era só pra profano. Informo que está cartilha não vale mais e foi abolida definitivamente pelo GOB-MG. Te confesso achava e acho muito esquisito, acho com o minuto de silencio você tem condições de homenagear mais o irmão que nos deixou. Irmão Pedro Juk, já que não têm no ritual e não foi falado na cartilha publicada no site do GOB, como oriento a nossa loja, bateria fúnebre ou minuto silêncio. Gosto de seguir à risca a ritualística.

CONSIDERAÇÕES.

Exatamente por não constar no ritual de Mestre Maçom do REAA em vigência é que essa bateria, em condições normais, não existe.
Bateria ou pancada surda somente é aplicada na ocasião em que se realiza uma sessão de Pompas Fúnebres, cuja qual está orientada no GOB in Rituais Especiais (Eventos Irrestritos) instituído pelo Decreto 1517 de 24/03/2017.
No ritual de Pompas Fúnebres (página 125), relativo às baterias maçônicas, prevê-se que as pancadas com o malhete serão sempre surdas, e bem assim as baterias. Para isso as pancadas com o malhete se darão sobre um pedaço de lã (feltro, por exemplo), enquanto que a bateria é feita com a mão direita sobre o pulso esquerdo (o maçom usa luvas brancas em sessão de Pompas Fúnebres).
Desse modo, não existe nas sessões, que não a específica de Pompas Fúnebres, nenhuma bateria fúnebre (sic), assim como também é inexistente o tal "minuto de silêncio". Reitera-se: homenagens ao finado se darão apenas nas ocasiões previstas no ritual específico, no caso o de Pompas Fúnebres.

T.F.A.

PEDRO JUK


JAN/2020

SESSÃO PÚBLICA - CONVIDADOS NÃO INICIADOS NO ORIENTE DA LOJA


Um Respeitável Irmão da Loja Fraternidade Sul Mineira, 1.093, REAA, GOB-MG, Oriente de Pouso Alegre, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

NÃO INICIADOS NO ORIENTE.


Gostaria de vosso esclarecimento sobre a seguinte dúvida: Numa Sessão Magna Festiva em que se admite a presença de não iniciado, estes podem ter acesso ou até mesmo ocupar assento no Oriente?

CONSIDERAÇÕES.

Se Aprendizes e Companheiros, por questões iniciáticas, não podem ingressar no Oriente, não serão então "não iniciados" que poderão ali adentrar. Em Sessões Públicas, convidados não maçons tomam assento nas Colunas – as do sexo feminino na Coluna da Beleza e os do sexo masculino na Coluna da Força.
Nessa ocasião os convidados "não iniciados" ingressam somente após a abertura ritualística dos trabalhos e se retiram antes do encerramento.
Essas orientações se prendem àquelas sessões realizadas em Loja aberta e com a presença de não maçons (RGF – Capítulo X, Das Sessões e da Ordem dos Trabalhos, Art. 108).
Se a sessão for festiva, realizada em ambiente fora do Templo, como em clubes, salão de ágapes, etc., isto é, sem abertura ritualística pela dispensa da liturgia maçônica, então os convidados não maçons tomam assento conforme o protocolo determinado para a ocasião.
Já em Loja aberta, reitera-se: convidados não iniciados não podem ocupar lugar no Oriente. Esse espaço é privativamente destinado aos Mestres Maçons.


T.F.A.

PEDRO JUK


JAN/2020

domingo, 12 de janeiro de 2020

REAA - DISPOSIÇÃO DOS CARGOS EM LOJA - VERDADES E FANTASIAS


Em 23/10/2019 o Irmão Companheiro Maçom Christian Emmanuel Dantas Roque, Loja Manoel Reginaldo da Rocha, 2.439, REAA, GOB-RN, Oriente de Pau dos Ferros, Estado do Rio Grande do Norte, apresenta a seguinte questão:

DISPOSIÇÃO DE CARGOS EM LOJA


Meu irmão gostaria de saber se o irmão tem algum estudo sobre a disposição dos cargos de Venerável, 1 e 2 vigilante, orador, secretário e cobridor interno. Um irmão me contou que viu em estudo que a disposição destes cargos seguem a estrela de seis pontas de Davi, mas eu lendo o Blog do irmãos, li que a estrela de seis pontas não elemento simbólico do REAA, por isso veio esta dúvida, os cargos de estão dispostos no manual daquela para formar uma banda estrela de seis pontas ou existe outra explicação para isso? Não seria mera coincidência?

COMENTÁRIOS

Sob o ponto de vista autêntico, os recintos de trabalho dos templos maçônicos na Moderna Maçonaria foram criados tendo por modelo as Igrejas (disposição oriente-ocidente e o altar-mor) e o Parlamento Britânico (disposição dos lugares da assembleia e o great-chair).
A Igreja por ter sido a protetora dos Pedreiros Livres por um longo período da sua história e o Parlamento Britânico porque a Moderna Maçonaria, surgida pelo advento da Premier Grand Lodge no ano 1717, nascera em Londres. Destaque-se que o primeiro Templo Maçônico somente viria surgir nos meados do século XVIII. Anteriormente a isso era comum os Maçons se reunirem nos adros das igrejas medievais e posteriormente nas tabernas.
No que diz respeito à localização dos lugares dos ocupantes de cargos em Loja, querem alguns tratadistas afirmar que essa disposição remete à mística da religião hebraica (cabala e a árvore da vida), todavia essas são apenas simples conjecturas, não existindo nada que se comprove algo nesse sentido. É bom que se diga que a Moderna Maçonaria é constituída por ritos, dos quais cada um tem as suas particularidades, não podendo assim, ser essa matéria tratada de modo generalizado.
Indubitavelmente, sob essa óptica não se discute a influência das civilizações e das manifestações do pensamento humano na formação da Moderna Maçonaria, contudo é preciso que para isso exista critério acadêmico, principalmente quando se tratar da formação de conceitos doutrinários que envolvem os ritos maçônicos. Esse é um caminho que precisa ser trilhado com muita prudência, antes de se proferirem afirmativas suportadas apenas pela simples presença figurada de um símbolo ou de uma alegoria no contexto histórico e doutrinário. Embora sugestivo, relacionar a disposição dos cargos em Loja com a cabala hebraica, reitero, é algo que não se sustenta sob uma análise mais crítica. Senão por algumas coincidências, nada comprova que a localização dos lugares pertinentes aos cargos na Loja foi idealizada para atender à mística dessa ou daquela religião.
É preciso antes se compreender que a sala da Loja (espaço de trabalho maçônico) não é uma cópia do Templo de Jerusalém, e nem o Templo hebraico serviu de arquétipo para templos maçônicos. A alegoria da construção do Templo possui um sentido muito mais amplo e profundo do que o de servir de modelo. Assim, é verdade que os templos maçônicos trazem relações alegóricas tomadas do Templo de Jerusalém, como a divisão do espaço em Oriente, Ocidente e Átrio, as Colunas do Pórtico, o Altar ocupado pelo Venerável e o Santo dos Santos, todavia nada disso pode ser afirmado como reprodução física e literal  do lendário Templo que, segundo a Bíblia, fora construído por ordem do Rei Salomão.
A boa geometria nos ensina a se afastar das generalizações e das meras especulações hauridas dos caminhos fáceis suportados pelo simples copiar o que está pronto. Perscrutar com astúcia e perseverança é o caminho para as deduções lógicas.
Assim, remeto o Irmão a ler o livro intitulado "As Origens Históricas da Mística Maçônica" de autoria do saudoso Irmão José Castellani - Editora Landmark. Essa obra, além de importante traz uma excelente bibliografia de apoio.
No tocante a sua questão e as estrelas de cinco e seis pontas, sem dúvidas elas fazem parte do relicário simbólico da Maçonaria, todavia, símbolos muitas vezes cabem apenas no contexto doutrinário de alguns ritos, portanto generalizar a liturgia maçônica não é atitude das mais prudentes.
Não se discute a presença da Estrela de Davi e do Pentagrama de origem pitagórica, o que se discute é que a Estrela de Seis Pontas, a de Davi, é parte integrante da liturgia do Craft (vertente inglesa) enquanto que o Pentagrama, ou a Estrela Flamejante é parte integrante da Maçonaria latina (vertente francesa).
Nesse sentido, não há como relacionar os seis primeiros cargos abordados quando da circulação das bolsas no REAA com a Estrela de Davi. Ora, como mencionado, a estrela hexagonal é símbolo utilizado na Maçonaria anglo-saxônica (teísta) que, por sinal, não adota circulação de bolsas feito como a que ocorre no REAA, rito de origem francesa (deísta) que adota como símbolo a Estrela Flamejante (cinco pontas).
Pior ainda é querer projetar uma suposta estrela com seis pontas tomando por base o trajeto do oficial na circulação da bolsa. Ora, esse trajeto está muito longe de representar dois triângulos equiláteros como os que verdadeiramente formam a Estrela de Davi. Para se comprovar, basta esboçar esse trajeto desenhando-o numa folha de papel. Ver-se-á que que a figura apurada é completamente disforme em comparação com a estela formada por dois triângulos equiláteros.
Dado a isso é que tenho "batido nessa mesma tecla", onde reafirmo que no simbolismo do REAA não existe estrela com seis pontas, portanto o trajeto do oficial circulante nada tem a ver com a Estrela de Davi e muito menos com a Cabala hebraica. Também nada tem a ver com o Pentagrama.
Como tenho explicado, esse trajeto se dá obedecendo aos cargos imprescindíveis para a abertura de uma Loja no REAA, ou seja, sete Mestres Maçons sendo, os seis primeiros cargos compostos pelas Luzes da Loja, pelas Dignidades do Orador e do Secretário e pelo Cobridor acrescido do Mestre de Cerimônias.
Explica-se assim que no REAA os três primeiros cargos atendem ao Landmark onde uma Loja deve ser impreterivelmente dirigida por três Luzes; os dois outros atendem à presença obrigatória de um representante da Lei (Orador), e de um que registra as atividades no canteiro (Secretário); ainda um outro, o Cobridor, que atende ao Landmark do sigilo cobrindo o recinto para protege-lo dos cowans e, para completar os sete Mestres a imperiosa presença do Mestre de Cerimônias para organizar e dar beleza aos trabalhos.
É isso. Sem mistérios e ilações as coisas se explicam pela razão. O canteiro de obras simbólico (Loja) é o local onde os maçons trabalham para o aprimoramento do homem. Crenças e credos religiosos são respeitados na intimidade de cada um dos membros da Ordem. Para a salutar convivência nesse canteiro, a Maçonaria só exige dos seus membros a crença num "Arquiteto Criador".
Como cada qual professa a sua fé, a mesma é assunto de foro íntimo e não deve alimentar discussões e proselitismos religiosos perante a assembleia reunida em Loja.
Em torno de um ideal comum, os maçons, independente da sua classe social, cor, credo e religião, trabalham incessantemente pelo aprimoramento da humanidade.


T.F.A.

PEDRO JUK


JAN/2020

REAA - GRAU DE MESTRE. ORDEM INVERSA DO ACENDIMENTO


Em 21/10/2019 o Respeitável Irmão Maurício Américo, Loja Guardiões da Arca da Aliança, 4.167, REAA, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, solicita esclarecimentos.

GRAU 03 – ORDEM DO APAGAR DAS LUZES LITÚRGICAS.


Tenho uma outra dúvida, se for também possível, gostaria de esclarecimento.
No ritual de Mestre, no fechamento da Loja, para ser preciso no apagar das luzes e ou velas, acredito que o ritual tem um erro de edição, pois não fica claro que a ordem deve ser inversa do acendimento das velas ou luzes...No meu entendimento é claro que deve ser como nos graus 1 e 2, que é em ordem inversa. Poderia por favor me esclarecer a respeito, pois ouve controvérsia sobre este assunto.
Fico no aguardo.

CONSIDERAÇÕES.

De fato, é uma falha do ritual. Embora essa ordem hierárquica não faça nenhum sentido no puro escocesismo, a regra tem sido a de seguir a mesma ordem dos dois outros graus, ou seja, as luzes litúrgicas se apagam na ordem inversa da do acendimento.
Na realidade isso é só uma questão de ritual, pois no rigor da lei, as luzes litúrgicas deveriam estar acesas antes do início da sessão (ofício do Arquiteto) e só apagadas após o termino dos trabalhos quando todos já estivessem se retirado do recinto. Isso demonstra que no escocesismo original não existe nenhuma cerimônia ou sequência para o acendimento e o apagar dessas luzes – isso é costume de outro rito.
Mas como a boca se entorta conforme o hábito do cachimbo, infelizmente apareceu essa ordem hierárquica de "acendimento e apagar" luzes que hoje se encontra enraizado nos nossos rituais, ou seja, se tornou costume consuetudinário.
Destarte, na revisão que estou fazendo no ritual do 3º Grau, cuja qual irá para a plataforma do GOB RITUALÍSTICA em breve, ainda que não original, vou orientar que as luzes litúrgicas no grau de Mestre também sejam apagadas na ordem inversa da qual elas foram acesas.

T.F.A.

PEDRO JUK


JAN/2020

sábado, 11 de janeiro de 2020

O EXPERTO E O USO DO BALANDRAU NA CERIMÔNIA DE INICIAÇÃO


Em 18/10/2019 o Respeitável Irmão Flávio Augusto Batistela, Loja Solidariedade e Firmeza, 3.052, GOB-SP, REAA, Oriente de Dracena, Estado de São Paulo, formula a questão seguinte:

USO DO BALANDRAU NA INICIAÇÃO


Gostaria de tirar a seguinte dúvida: tenho visto em sessões de Iniciação o uso de balandrau por parte dos Irmãos Expertos. Não vi nada sobre isso no ritual de Aprendiz do REAA. Esse procedimento é correto, tem explicação pra isso?
Gostaria também que o Eminente Irmão informasse a maneira de consultarmos a Secretaria de Orientação Ritualística de maneira oficial, ou se pode ser por aqui mesmo, através de e-mails.

CONSIDERAÇÕES.

Em se tratando do REAA no GOB, o balandrau negro como vestimenta maçônica somente é permitido nas sessões ordinárias. Nas magnas o mesmo não é aceito, devendo nelas todos os maçons estarem trajados com terno conforme o previsto no Ritual.
Quanto ao uso do balandrau nas sessões magnas pelo Experto é porque alguns rituais, atualmente já em desuso, previam essa possibilidade. Nessa ocasião o Experto, sem insígnias, encapuzado e vestido com um balandrau negro e talar recebia o candidato. A justificativa para o uso do balandrau nessa ocasião era, além do ato sigiloso, também o de causar impacto naquele que ingressava num ambiente completamente desconhecido.
Na realidade o Experto deveria usar balandrau somente enquanto estivesse em atividade com o candidato na Câmara de Reflexão antes do início da sessão, devendo em seguida, para ingressar no Templo se apresentar de terno.
Ocorre, entretanto que isso raramente era respeitado e o Experto acabava então vestindo o balandrau até o final da sessão.
Para pôr fim a essa prática é que rituais mais atualizados não mais mencionam o uso do balandrau pelo Experto na cerimônia de Iniciação, devendo assim receber o Candidato sem insígnias, encapuzado e vestido de acordo com a legislação, isto é, com terno preto.
Por tudo, reitera-se que nas sessões ordinárias do REAA é perfeitamente permitido o uso do balandrau negro e talar, enquanto que nas sessões magnas, todos, indistintamente, vestem-se com terno preto.
No que diz respeito ao acesso ao GOB RITUALÍSTICA, o mesmo se dá pelo endereço http://ritualistica.gob.org.br/ . Para tal é necessário ter em mãos o GOB CARD, número do CIM e a Pal Sem.


T.F.A.

PEDRO JUK


JAN/2020

INSTRUTORES E O LUGAR DA PEDRA BRUTA E CÚBICA - REAA


Em 18 de outubro de 2019, o Respeitável Irmão Rodrigo Sayba, Loja Alexander Fleming, REAA, GOB-PR, Oriente de Ponta Grossa, Estado do Paraná, apresenta a questão seguinte.

INSTRUTOR DOS APRENDIZES


Tenho duas dúvidas. Como consta em nosso Ritual do grau de Aprendiz, o Segundo Vigilante tem a responsabilidade de atender ao Aprendiz e o Primeiro Vigilante tem a função de acompanhar o Companheiro. Verifiquei a explicação sobre isso em seu BLOG. A dúvida seria porque na Iniciação, primeiro o iniciado vai até o Primeiro Vigilante para ajoelhar-se e bater na pedra bruta? Não deveria ir até o Segundo Vigilante o qual é responsável por suas instruções? Outra questão: porque a pedra bruta encontra-se no primeiro vigilante se ele é responsável pelos Companheiros?
Desde já agradeço a sua atenção!

CONSIDERAÇÕES

A Pedra Bruta e a Pedra Cúbica são duas das três Joias Fixas da Loja. Dentre outros elas esotericamente simbolizam respectivamente o Aprendiz e o Companheiro.
Assim, a Pedra Bruta, representando o início da jornada iniciática deve se situar na mesma Coluna em que se assentam os Aprendizes, pois a sua jornada, que nada tem a ver com o Vigilante instrutor, se dá pelo topo da Coluna do Norte. Com isso doutrinariamente o Aprendiz segue a alegoria da evolução da Natureza, alegoria essa que está bem representada pelas seis primeiras Colunas Zodiacais no topo do Norte.
Dessa forma o "elemento bruto", tal qual o que fora retirado da jazida, é representado pela pedra disforme sujeita a ter suas arestas aparadas, símbolo do 1º Grau. É daí que independente de quem seja o instrutor, o trabalho na Pedra Bruta se dá no Norte do canteiro, por conseguinte, ali fica essa Joia Fixa.
Equivalente à evolução iniciática, o Companheiro, já demostrando evolução na senda do conhecimento, é então representado pela Pedra Cúbica. Sua jornada segue a alegoria das Colunas Zodiacais que se situam no topo da Coluna do Sul. Sob essa óptica, também independente do instrutor, o Companheiro trabalha preparando as ferramentas no Sul (mais iluminado). Nesse sentido, a Pedra Cúbica, que o representa, fica ao Sul do canteiro.
Há que se entender que no REAA toda essa alegoria iniciática se dá simbolicamente conforme ocorrem os ciclos naturais no hemisfério Norte. Assim as Joias Fixas da Loja - independentemente de onde sentam os instrutores – devem corresponder ao lado da Loja em que iniciaticamente trabalham os Aprendizes e os Companheiros. É bom que se diga que instrutores seguem a tradição hierárquica, enquanto que os instruídos seguem a tradição iniciática.
Cabe salientar ainda que o arcabouço iniciático baseado na evolução da Natureza é costume próprio do REAA, com isso, nele, a Pedra Bruta e os Aprendizes ocupam o Norte e os Companheiros o Sul. Existem, entretanto ou sistemas iniciáticos maçônicos (ritos e trabalhos) como o Craft, por exemplo, onde a Pedra Bruta fica no Sul e a Cúbica no Oeste. Destarte a riqueza dos sistemas doutrinários maçônicos, estes às vezes se diferem conforme as suas vertentes de origem, contudo todos convergem para um objetivo comum, que é o de transformar homens bons em homens melhores ainda - a magia da transformação da Pedra Bruta em Pedra Cúbica.
Concluindo, essas são as sutilizas da liturgia maçônica. A propósito, consulte as orientações colocadas na plataforma do GOB RITUALÍSTICA em http://ritualistica.gob.org.br/, Aprendiz e Companheiro do REAA. Muitos desses aspectos estão lá mais bem esclarecidos.


T.F.A.

PEDRO JUK


JAN/2020