quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

USUÁRIO DA PALAVRA SE DIRIGINDO À LOJA - A QUEM SE DIRIGIR PRIMEIRO?

 

Em 28/07/2020 o Respeitável Irmão Herych Costa, Loja Tiradentes, 18, REAA, GLEMA (CMSB), Oriente de Porto Franco, Estado do Maranhão, apresenta o que segue:

 

USO DA PALAVRA – SE DIRIGINDO À LOJA,

 

Meu Irmão, já li diversos artigos de sua autoria em que menciona que a ordem correta de se dirigir quando do uso da palavra é iniciado pelas Luzes e somente depois se dirigindo


às demais autoridades presentes, mesmo que Grão Mestre esteja presente. Contudo, não encontrei nenhuma disposição nesse sentido nos escritos ritualístico em que tive acesso. O Irmão poderia nos informar onde se encontra tal fundamentação?

 

CONSIDERAÇÕES PARA O REAA.

 

Caro Irmão, nós precisamos nos desvencilhar dessa maneira latina, extravagante e exagerada de achar que tudo em Maçonaria tem que estar escrito. É bom lembrar que às vezes nem tudo o que está escrito contempla a verdade.

Tenho dito que numa escola de razão, especialmente como é a Maçonaria, antes é preciso se aplicar a lógica (coerência de raciocínio de ideias) e bom senso (propriedade, razão e sensatez).

Não custa nada lembrar que muitas das nossas práticas herdadas de um passado distante eram oralmente ensinadas sem que nada fosse escrito. Afinal, figuradamente comentava-se: “na construção do Templo não se ouvia qualquer ruído produzido pelas ferramentas”.

Ora, a Maçonaria prima pela disciplina e organização, sobretudo pela sua história desde o período operativo. Atualmente seguimos a Moderna Maçonaria, forma essa que fora instituída inegavelmente sobre muitos exemplos dos nossos ancestrais oriundos das guildas de canteiros medievais (construtores de catedrais).

Assim, basta invocar a tradição e logo veremos que universalmente uma Loja, desde as velhas guildas de construtores, sempre foi dirigida por “três Luzes”. Essa é uma condição imemorial, espontânea e universalmente aceita, portanto é considerada um “Landmark” plenamente utilizado, independente de Rito, pela Moderna Maçonaria.

Em se aplicando a lógica, o bom senso e o conhecimento histórico da Ordem, por óbvio ver-se-á que aqueles que atualmente detém o malhete em Loja aberta são os responsáveis pelo canteiro (Loja) – não à toa que especulativamente os trabalhos de uma Loja ainda são abertos pelo Venerável Mestre auxiliado pelos seus Vigilantes.

Desse modo, o porte do malhete pelas Luzes (Venerável e Vigilantes) concebe as suas respectivas autoridades no ambiente. É por isso que a forma protocolar de alguém se dirigir à assembleia de maçons (Loja) se inicia hierarquicamente mencionando aqueles que portam os malhetes, independente de autoridades maçônicas que porventura possam se fazer presentes.

Vale a pena também mencionar dois aspectos: o primeiro é que são os detentores dos malhetes que autorizam o uso da palavra em Loja; o segundo é não confundir modo protocolar de se dirigir à Loja com saudação maçônica.

Por tudo isso é que o usuário da palavra no REAA, depois de autorizado deve se dirigir à Loja por primeiro ao Venerável Mestre e por segundo aos respectivos Vigilantes, para somente depois, se for o caso, mencionar as autoridades e demais Irmãos na forma de costume.

A título de ilustração, lembro que a maior autoridade presente em Loja é o Pavilhão Nacional, cujo qual geralmente fica hasteado no Oriente durante os trabalhos. Nem por isso o usuário da palavra se dirige ao Pavilhão Nacional primeiramente como a maior autoridade.

Assim, por uma questão de lógica e bom senso, na minha opinião nem tudo precisa estar literalmente escrito para ser cumprido. Entendo que ao se perscrutar nossas tradições, usos e costumes, bem como os fundamentos que construíram a história da Maçonaria, há de se achar a razão e a explicação de muitas práticas que num passado distante eram ensinadas oralmente.

Concluindo, reitero os meus escritos a respeito, ou seja, o usuário da palavra dirige-se primeiro às Luzes, em seguida, se for o caso e de modo genérico às autoridades (sem a necessidade de nominá-las uma a uma) e, por fim, aos demais Irmãos na forma de costume.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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FEV/2021

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

ESTANDARTE DA LOJA NO RITO SCHRÖDER

 

Em 27.07.2020 o Respeitável Irmão Everton Landre, Loja Fraternidade Cleuton Candido Landre, 298, sem mencionar o nome do Rito, GLMMG (CMSB), Oriente de Alfena, Estado de Minas Gerais, apresenta a dúvida seguinte:

 

ESTANDARTE

 

Tenho estudado bastante no blog do Irmão, e obtido bastante conteúdo sobre a confecção de um trabalho que estou fazendo para explicar a simbologia do estandarte de minha Loja.

Uma dúvida que tive foi a seguinte: Li que no Rito de Schroeder não se faz o uso d


e estandarte. O Irmão sabe me dizer algo a respeito dessa curiosidade. Vi que realmente não tem o cargo de Porta Estandarte, mas não sei se isso é realmente verídico ou não

Grato pelo conhecimento e pela disposição. Parabéns pelo Blog...

 

CONSIDERAÇÕES

 

Em Maçonaria o Estandarte serve para identificar uma Loja como corporação maçônica. Trata-se de uma espécie de bandeira retangular, com letreiros, brasões, símbolos distintivos, etc. que aparece pendente de uma haste horizontal e é geralmente arvorado no Oriente das oficinas maçônicas.

Nesse sentido, com o caráter de representação, as Lojas maçônicas, cuja maioria dos ritos o adotam, possuem cada uma o seu próprio estandarte.

Como uma insígnia, nele devem aparecer símbolos maçônicos e palavras que o identifiquem como emblema da Oficina – nome da Loja, Obediência a que pertence, data de fundação, rito, etc.

Especificamente em se tratando do Rito Schröder, originalmente ele não adota o Estandarte (nem possui um Oficial específico para conduzi-lo).

Nesse sentido, consultando o Eminente Irmão Ari de Souza Lima, Secretário Geral Adjunto para Rito Schröder no GOB e integrante do Colégio de Estudos Schröder, ele me confirmou a inexistência desse artefato no rito em questão.

Cabe, entretanto, um pequeno comentário nesse particular. Trata-se dos Diplomas Legais de algumas Obediências que, quando da fundação de uma Loja, independente do rito por ela adotado, se faz obrigatória a apresentação do desenho do estandarte e a sua descrição heráldica, o que faz com que paradoxalmente, um rito que tradicionalmente não possua Estandarte, acabe por tê-lo no conteúdo documental no nascimento da Loja. Desse modo, contrário ao que é comum no rito, algumas Lojas acabam expondo um Estandarte que, diga-se de passagem, nem está previsto no seu ritual.

Conforme ainda explica o Eminente Irmão Ari, tem sido comum no Rito Schröder é se ver Irmãos utilizando preso ao lado esquerdo do peito (na região cordial) um pequeno emblema (distintivo) preso a uma fita azul clara. Esse distintivo copia o timbre (selo) da Loja.

Concluindo, é preciso antes de tudo se respeitar as tradições, usos e costumes de cada Rito, sobretudo na sua construção litúrgica e simbólica. Conservá-lo na pureza da sua essência é respeitar a sua história e, ao mesmo tempo, entender o seu particular mecanismo de aperfeiçoamento humano.

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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FEV/2020

 

domingo, 21 de fevereiro de 2021

A CORDA COM 81 NÓS - RESUMO DA SUA HISTÓRIA E SIMBOLISMO NO REAA

 

Em 23/07/2020 o Respeitável Irmão Cláudio Teixeira, Loja Lealdade e Luz, REAA, GOB-RJ, Oriente de Rio Claro, Estado do Rio de Janeiro, faz a seguinte pergunta:

 

CORDA COM 81 NÓS – ORIGEM E SIMBOLISMO

 

Parabéns pela grandiosa palestra.

Gostaria de saber a origem e o simbolismo da Corda de 81 Nós.

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Na Maçonaria, sob o feitio histórico, a utilização da corda – um cabo, geralmente
de fios de sisal[1] unidos e torcidos uns sobre os outros – remonta os tempos da Maçonaria de Ofício, também conhecida como Maçonaria Operativa.

Uma das finalidades do uso de uma corda grossa e pesada era a de demarcar (cercar) o espaço de trabalho dos pedreiros medievais denominado canteiro de obras.

Nesse sentido, com a finalidade de delimitar o recinto, uma corda era utilizada para circundar o canteiro. Este imenso espaço, e geralmente de formato retangular, servia de oficina de trabalho aos artífices da pedra que ali construíam catedrais, igrejas, abadias, obras públicas, etc.

Assim, o espaço circundado tinha uma extensa corda que ficava presa em argolas de ferro fixadas em paliçadas de madeira fincadas equidistantes no chão para lhe servirem de suporte.

Num dos lados menores do imenso quadrilongo que abrigava os trabalhos, geralmente na banda ocidental, a corda que contornava o espaço era interrompida tendo as suas duas extremidades fixadas em dois postes maiores que indicavam o acesso para o recinto de trabalho.

Em linhas gerais, era assim que com uma corda grossa de sisal os nossos ancestrais delimitavam o seu espaço de trabalho, não obstante de que outras cordas delgadas e cordéis também eram utilizadas nos trabalhos das construções. Por exemplo,

aquelas empregadas como cordéis para demarcar os cantos pela 47ª Proposição de Euclides; aquelas utilizadas para a fixação da pedra angular, bem como aquelas utilizadas como um artefato de tração que serviam para movimentar e erguer, com auxílio do lewis, blocos esquadrejados durante a elevação das paredes.

Em que pese as diversas espécies de cordas utilizadas na Maçonaria de ofício, a pertinente a essas considerações se refere àquela utilizada como delimitação do canteiro de trabalho. Em síntese, trata-se da corda que, fixada em paliçadas, circundava os canteiros de obras operativos.

Assim, conservando tradições hauridas dos nossos ancestrais, alguns ritos (não todos) da Moderna Maçonaria adotaram a corda como um símbolo que historicamente relembra aquela que contornava as oficinas das guildas de pedreiros da Idade Média.

Graças a isso é que encontramos atualmente ritos que têm nos seus templos, fixada geralmente ao alto nas paredes, uma corda com os nós equidistantes circundando o recinto.

A título de esclarecimento, vale a pena mencionar que os espaços atuais de trabalhos especulativos conhecidos por Lojas ou Templos maçônicos, representam, de maneira estilizada, as oficinas de trabalho de outrora que eram utilizadas pelos nossos ancestrais operativos.

No que diz respeito ao REAA e a corda, esse rito traz, ornamentando o seu templo, uma corda com 81 nós equidistantes que vai circundando as paredes até a porta de entrada onde ela termina em duas borlas pendentes.

Assim, no REAA, além do viés histórico até então aqui abordado, a Corda com 81 Nós (um dos Ornamentos da Loja), conforme alguns rituais, concebe a união dos maçons agregados em Loja; menciona ainda a comunhão de ideias direcionadas à construção de um Templo à Virtude Universal. Esotericamente, por ser confeccionada com fios de sisal unidos e torcidos, essa corda simboliza a resistência haurida do trabalho em conjunto, que deve ser forte e duradouro.

Pertinente ao número 81, esse valor numérico está ligado à Aritmética e a Geometria, quarta e quinta das Sete Ciências e Artes Liberais do Passado respectivamente - comuns ao ofício dos canteiros que edificavam formidáveis obras de Arte no passado.

De modo figurado, os “nós”, segundo alguns rituais também conhecidos como “laços do amor”, relembram figuradamente as paliçadas que serviam de suporte para prender a corda que circundava o canteiro. As borlas pendentes ao lado da porta relembram a passagem por onde se acessava e saia da oficina de trabalho. A abertura demarcada pelas duas borlas pendentes idealiza que a Ordem Maçônica é evolucionista e progressista estando sempre aberta ao desenvolvimento da ciência, das artes e do progresso racional da humanidade (Varolli Filho in Ritual de Aprendiz do REAA, SP, 1969).

Ainda em relação ao número 81, segundo alguns autores, o nó central da corda, que é possui simetria com o Delta Radiante no Retábulo do Oriente, simboliza o “número um” como princípio e fundamento do Universo (idem Varolli Filho).

Ainda segundo alguns exegetas, a exemplo de Jules Boucher, o nó central e o número 1 simbolizam o indivisível Princípio Criador. A partir dele é que se dividem os demais 80 nós em 40 nós para cada lado. Essa alegoria, eivada de percepções teístas hauridas da Bíblia, representa o número penitencial e da expectativa: 40 foram os dias do Dilúvio; 40 dias passou Moisés no Sinai; 40 foram os dias de jejum, etc.

Eis aí então uma síntese despretensiosa das origens e do simbolismo da Corda com 81 Nós no REAA.

Outra observações: em linhas gerais, a corda que representa os limites do canteiro, também pode aparecer como uma corrente de ferro emoldurando o conjunto de símbolos que compõem alguns Painéis da Loja. Assim, tanto a corda como a corrente possuem o mesmo significado.

Com a mesma definição da corda e da corrente, alguns ritos também adotam a Orla Dentada, ou Denteada, que aparece contornando o Pavimento Mosaico (The Beautiful Flooring of The Lodge). No mesmo sentido, a Orla também tem o desiderato de demarcar o espaço de trabalho.

Por fim, ainda sob esse mesmo viés, existe no interior de muitos Painéis, principalmente os franceses, a figura gravada de uma corda com duas borlas cujo número de nós que a divide varia de painel para painel e de rito para rito.

Eram esses os comentários.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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FEV/2021



[1] O sisal é uma fibra produzida pelo beneficiamento da folha da Agave Sisalana, uma planta muito resistente e que se dá muito bem em regiões semiáridas.

 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

CORDA DE 81 NÓS - SIGNIFICADO HISTÓRICO E ESOTÉRICO

 

Em 23/07/2020 o Respeitável Irmão Sérgio Roberto de Melo Souto, Loja Perfeita Amizade Alagoana, REAA, GOB-AL, Oriente de Maceió, Estado das Alagoas, apresenta a seguinte pergunta:

 

CORDA DE 81 NÓS NO TEMPLO

 

Sobre a interpretação da Corda de 81 Nós descrita abaixo, pergunto: está correta?

"Essa Corda absorveria as tensões nervosas (elétricas) dos irmãos, descarregando-as através dos fios das duas borlas pendentes. Detém-se que, dentre outros “efeitos esotéricos”, a corda retém a energia que emana de todos os Obreiros presentes, bem como da distribuição da Energia de cima para baixo e de fora para dentro. Os nós funcionando como acumuladores de energia"

 

CONSIDERAÇÕES.

 

Seria cômico se fosse trágico. Trágico porque uma bobagem dessa estirpe


simplesmente afronta a razão e a seriedade da Sublime Instituição.

Essas mirabolantes interpretações temerárias nada tem a ver com os objetivos da Maçonaria. Ora, essa é uma colocação recheada de crendices particulares que francamente não merece nenhuma recomendação.

Eivado da mais pura bobagem, esse texto deve ter sido escrito por alguém que não conhece a contendo a verdadeira Maçonaria e dela faz um placo proselitista de crendices e superstições. “Corda que absorve tensão nervosa; retenção de energia; distribuição de energia de baixo para cima, etc., francamente, são comentários dignos de serem desprezados e depositados na lata do lixo.

Em se tratando de Maçonaria, crenças pessoais devem ser deixadas fora dos umbrais do Templo. É intolerável que ainda hoje possamos nos deparar com acepções incautas como as citadas no texto da questão acima.

Corda que absorve tensões nervosas (elétricas) dos Irmãos (sic) é mesmo coisa d’escrachar.

Nos desviando e longe desses absurdos, vamos trazer um pouco de luz e razão sobre esse importante símbolo que é considerado como um dos Ornamentos da Loja – A Corda de 81 Nós.

Assim, sob o feitio histórico, a corda de sisal (não confundir com o cordel do Mestre) remonta a época dos canteiros medievais, nossos precursores quando a Maçonaria ainda era essencialmente operativa. Nessa época a corda era, dentre outros, um artefato que servia para demarcar os limites do canteiro de obra.

Nesse sentido, esse grande espaço de trabalho era então circundado (demarcado) por uma corda de sisal que geralmente ia presa em argolas de ferro fixadas em paliçadas. Era mesmo uma espécie de cerca demarcatória. Alguns canteiros eram cercados com pesadas correntes de ferro.

Na entrada desse canteiro havia dois postes altos de onde pendiam as duas pontas da corda neles fixadas e que serviam como a abertura por onde se ingressava e saia do recinto de trabalho.

Dado a essa disposição limítrofe é que alguns ritos, relembrando essa antiga demarcação, trazem simbolicamente nos seus templos uma corda de nós que contorna o recinto, geralmente ao alto. É bom lembrar que a sala da Loja, longe de ser confundida com um templo religioso, ou de credos pessoais, representa as oficinas de trabalho de antanho e que são estilizadas conforme cada rito maçônico.

Desse modo, historicamente, essa é a origem da corda que ornamenta as paredes do templo de alguns ritos da Moderna Maçonaria.

No tocante a interpretação esotérica (reservada aos iniciados), a corda representa a união dos maçons reunidos no seio da Loja. Essa união se destaca pelos elementos fibrosos de sisal que compõem e dão formato à corda. Em primeira análise os elementos constitutivos da corda demonstram que tal qual a fábula do “Feixe de Esopo”, as fibras unidas umas às outras formam um elemento sólido, seguro e resistente. Desse modo, a corda que ornamenta a loja é um símbolo que exprime verdades e não um elemento subserviente para crenças e motivos supersticiosos.

Em relação aos nós da corda, estes, não em números, simulam as marcas das velhas paliçadas por onde ela ia presa circundando o antigo canteiro.

Conforme mencionam algumas velhas instruções, o número 81, de concepção especulativa, está relacionado à aritmética e geometria, ciências apropriadas àqueles que projetavam e construíam formidáveis edificações.

Na constituição especulativa, o nó central, que geralmente coincide com a posição do Delta no Retábulo do Oriente do Templo, é o ponto referencial que divide a corda em segmentos iguais de quarenta nós para cada lado. As duas borlas pendentes junto à porta representam a passagem de entrada e saída dos canteiros do passado. Conforme menciona o irretocável e saudoso Irmão Theobaldo Varolli Filho, o número 40, correspondente aos nós da direita e da esquerda, aludem aos números penitenciais, entendimentos esses derivados de concepções teístas, naturais em algumas vertentes maçônicas.

Em linhas gerais, são essas as principais colocações emblemáticas relativas à Corda de 81 Nós. Sem nenhuma fantasia, note que nela não cabem ilações absurdas como as descritas na sua questão.

De fato, a Loja é um lugar de aprimoramento humano, nela não cabem ideias fantasiosas que tendem confundir a sala da Loja, ou o templo maçônico, com um enorme gerador de energia feito uma subestação fornecedora de energia elétrica. É mesmo impressionante até aonde pode chegar à imaginação de alguns.

 

OBS. – Na decoração de muitos templos a corda, que originalmente é a de sisal, pode também aparecer pintada nas paredes, assim como construída em gesso. Independente da sua constituição construtiva, o seu significado é o mesmo da corda de sisal.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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FEV/2021

 

 

FUNÇÃO DOS EXPERTOS NO REAA

 

Em 21.07.2020 o Irmão Companheiro Maçom, Loja Barão de Mauá, 4.399, REAA, GOB-DF, Oriente de Brasília, Distrito Federal, apresenta a seguinte questão:

 

FUNÇÃO DOS EXPERTOS NO REAA.

 

Irmão, meu questionamento é sobre a explicação que você deu em sua postagem no blog de 18/02/2020 sob o título "REAA - SUBSTITUTO TRADICIONAL DO 1º VIGILANTE".

Qual seria a participação do Primeiro Experto nessas substituições? Haja vista que


o Segundo Experto substituiria o segundo vigilante que estaria substituindo o primeiro vigilante, teoricamente o Primeiro Experto seria "preterido hierarquicamente".

 

CONSIDERAÇÕES.

 

O ofício do 1º Experto não é o de ser substituto de cargos, senão também o de acumular cargos, como é o caso do Irmão Terrível nas sessões magnas de Iniciação. A sua atividade principal, no caso do REAA, é a de atuar junto com o Mestre de Cerimônias como condutor e receptor do candidato nas sessões de Iniciação, Elevação e Exaltação, assim como em outras atividades ritualísticas quando se fizerem necessárias.

Quem tem a função de substituir precariamente o 2º Vigilante é tradicionalmente o 2º Experto, já que por sua vez o 2º Vigilante é quem substitui o 1º Vigilante em caso de ausência.

Cabe mencionar que o 1º e 2º Expertos são oficiais experientes cujos cargos são originários da Maçonaria francesa. A classificação numeral ordinal 1º e 2º existente entre ambos não denota nenhuma hierarquia do primeiro sobre o segundo, porém menciona a existência de dois Expertos no quadro de oficiais da Loja.

As atividades litúrgicas e ritualísticas em Loja dos Expertos estão descritas nos respectivos Rituais.

Assim, no REAA, o substituto imediato do Venerável Mestre é o 1º Vigilante. Este por sua vez tem como substituto o 2º Vigilante que, por sua vez, tem como substituto o 2º Experto.

 

 

T.F.A.

 

PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com

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FEV/2021